sexta-feira, 5 de outubro de 2018

QUEIMANDO O FILME...

Um pódio extremamente constrangedor em Sochi, com Lewis Hamilton e Valtteri Bottas visivelmente pouco à vontade com o jogo de equipe ocorrido na pista (abaixo), onde o finlandês teve de ceder sua posição ao inglês. E ainda tendo de aguentar a presença de Putin na cerimônia de premiação...

            Conforme eu havia mencionado na coluna da semana passada, a prova da F-1 na Rússia foi novamente um porre, sem atrativo algum. Tirando as recuperações da dupla da Red Bull, que largou nas duas últimas filas, até se posicionarem em 5º e 6º, onde receberam a bandeirada, a corrida em Sochi só será lembrada mesmo pela presepada de Toto Wolf, que fez Valtteri Bottas ceder uma vitória para Lewis Hamilton, numa manobra descarada de jogo de equipe para, nas palavras dele, garantir mais vantagem a Lewis, e salvaguardar o triunfo do inglês, que estava ameaçado por Sebastian Vettel, da Ferrari, que andava muito próximo da dupla prateada. Deu no que deu... Wolf queimou bonito o filme, até então razoavelmente íntegro, da imagem esportiva da Mercedes...
            Desnecessário dizer novamente minha opinião nesse campo. Compreendo os jogos de equipe, e até os aceito, mas unicamente na última, ou nas últimas duas provas, quando apenas um dos pilotos está em condições de discutir o título, e ainda por cima, contra um rival que esteja em posição de ameaça real à conquista. E nada mais. Fora isso, é um acinte ao espírito esportivo, e podem me chamar de ingênuo, tonto, ou até idiota, mas nada me fará mudar de opinião. E também não adianta evocar o lance do interesse coletivo do time, que se Hamilton está lá, isso é unicamente graças ao trabalho coletivo de todos na Mercedes. Não nego isso. Mas certas medidas são completamente desnecessárias, e até covardes e ofensivas. Estou fazendo muito estardalhaço por algo que sempre existiu na categoria? Posso estar, mas mantenho minha posição, e não abro mão dela. E este tipo de atitude que a F-1 toma hoje em dia pode muito bem se voltar contra ela própria, e que depois ninguém vá reclamar.
            Em primeiro lugar, Vettel esteve realmente sempre próximo da dupla prateada a corrida inteira, e até conseguiu tomar o 2º lugar de Hamilton após o pit stop deste. Mas o inglês partiu para o ataque e recuperou a posição até com alguma facilidade, demonstrando um detalhe importante: a vantagem técnica que a Ferrari exibiu nas últimas corridas já foi anulada pelo time de Brackley, que conseguiu passar à frente, e tem no momento uma pequena vantagem sobre o time de Maranello. O que significa um golpe fatal para os italianos, pois perderam o melhor momento na competição para tentarem abrir folga na liderança, graças aos erros de Vettel, e do próprio time, quando errou nas estratégias. Mantidas as posições na pista, Hamilton ampliaria sua vantagem para 43 pontos, com 5 corridas e 125 pontos em jogo. Tudo bem que, agora, são 50 pontos, mas tal ato só revela falta de confiança, e até medo da equipe Mercedes, que demonstra com isso não confiar no próprio taco. Bottas, pelo que fazia no fim de semana, merecia um pouco mais de consideração, até porque também está em luta no campeonato com seu compatriota Kimi Raikkonen. Mas Wolf, nas suas próprias palavras, preferiu ser o vilão e o idiota do momento, para depois não se culpar pela perda do campeonato pelos pontos a mais que angariou para Hamilton em Sochi.
            Mas, a exemplo daquele fim de corrida sórdido em Zeltweg em 2002, quando a Ferrari privou Rubens Barrichello de um triunfo legítimo e merecido para dar a Michael Schumacher o primeiro lugar, aposto que estes pontos não farão falta alguma no encerramento do campeonato em Abu Dhabi, e até com facilidade. Lewis Hamilton vem guiando como nunca nesta temporada, e poderia passar sem essa mancha em seu currículo e no título do pentacampeonato mundial. Mas pesará contra ele a peça de “fraco”, por não ter tido a iniciativa e peito de, talvez na reta de chegada, devolver a posição da Bottas, e permitir que o parceiro tivesse o merecido respeito pelo que fez na primeira metade da corrida, com méritos próprios. Para alguém que chegou na McLaren em 2007 enfrentando Fernando Alonso, um bicampeão mundial, mostrando ousadia e arrojo logo de cara, Lewis fraquejou feio domingo passado em Sochi. Certamente, o triunfo na Rússia este ano não vai ser um GP que Hamilton gostará de relembrar...
O circuito de Suzuka recebe mais uma vez o Grande Prêmio do Japão de F-1.
            A patacoada ainda é o tema central das conversas de bastidores aqui em Suzuka, onde hoje começam os treinos livres para o GP do Japão, e tão cedo não serão esquecidos, por mais que boa parte dos chefes de equipe achem natural o que foi feito, assim como muitos torcedores que aceitam isso, e também o defendem. Não foi surpresa alguma Sebastian Vettel defender a manobra da Mercedes. Os pilotos campeões sempre serão a favor, porque em geral são eles que são os favorecidos por tais atos. Queria ver eles aceitarem isso tão tranquilamente assim se estivessem na outra posição, sendo os prejudicados pelas manobras.
            O forte argumento de que é um investimento milionário, obtido graças aos esforços de centenas de funcionários nas fábricas, e que o piloto é apenas a ponta final do processo, e que portanto deve obedecer aos desígnios da escuderia, que tem o direito de escolher como gerir o seu modo de agir, desde que não seja contra as regras, é compreensível. Mas fica a pergunta: e como fica a credibilidade do time, e da marca, quando algo assim acontece? Muitos vão dizer que estou sendo mimizento, e que tem muitos torcedores que não dão a mínima para isso, e até apoiam escancaradamente tal procedimento. Admito que isso não é mentira, que muitos torcedores pensam assim, e não acham nada demais. Mas, e os outros?
            Como um campeonato de escala mundial, o pináculo da competição automobilística, pelo menos em fama, já que em disputa mesmo a F-1 vem devendo melhores apresentações há muito tempo, a categoria máxima do automobilismo vem tendo problemas para renovar a sua base de fãs, que vem decrescendo, e já não é de hoje. O Liberty Media, que no início do ano passado, tomou posse como novo proprietário da competição, está dando duro para tentar reverter essa tendência de queda na popularidade da categoria, promovendo mudanças aqui e ali que deixem a competição mais “relax”, menos sisuda e séria, e menos asséptica e intragável na atitude de seus participantes. É algo necessário, até porque a F-1 havia se fechado em si mesmo, e agora, aos poucos, tenta se mostrar mais acessível e aberta ao público. Um público que, na opinião de Bernie Ecclestone, chegava a ser incômodo em determinados momentos, preferindo, como ele dizia, velhacos endinheirados a uma legião de jovens sem dinheiro para comprar os produtos da F-1.
A recuperação de Max Verstappen, largando do fim do grid, foi uma das poucas coisas positivas que tivemos no GP da Rússia.
            Bem, os velhacos endinheirados não estarão aí para sempre. E o grosso do público jovem de hoje que podem ser os consumidores de amanhã tem vários outros interesses, com os quais a F-1 precisa competir para atrair a sua atenção. Mas, com atitudes como a de domingo passado, a imagem que a categoria passa é de um jogo de cartas marcadas, onde o esporte deve se subjugar aos interesses dos times. Mas o grosso do público quer ver é disputa, briga, ultrapassagens, e até toques entre os competidores. Eles querem ver gladiadores na pista, e não um bando de pilotos autômatos que não podem duelar, se o interesse do time não for aquele. E as disputas já andam ruins há muito tempo, ainda mais por causa do esdrúxulo regulamento da categoria, que restringe o uso disso, daquilo. Uma das poucas coisas que poderiam salvar seria ver uma disputa a ferro e fogo entre os pilotos, mas nem isso estamos vendo a fundo. Max Verstappen surgiu como um furacão exatamente por não compactuar com essa mesmice. O holandês até fez certas bobagens exageradas, mas ele levanta a torcida porque vai para cima. Mas aceitaria jogo de equipe? E se fosse ele o prejudicado na ocasião?
Como de costume desde que estreou no calendário da F-1, a corrida em Sochi foi bem monótona e sem muitos atrativos...
            Se os torcedores virarem a cara para a F-1 por causa do jogo de equipe praticado nela, todos perderão. Com a diminuição do público, e consequentemente da audiência, e do interesse, será que a categoria conseguiria se manter, nos níveis estratosféricos de gastos a que se acostumou? E, pior, os torcedores ligarem as marcas dos times, a estes gestos antiesportivos? Valerá a pena a Mercedes ficar “marcada” com a imagem de marca esportiva “de araque”? Dá-se muito duro para se adquirir credibilidade e confiança. Perdê-la, contudo, pode ocorrer em questão de minutos, às vezes por causa de um único gesto impensado, ou cujas consequências não foram devidamente avaliadas. Estou sendo muito negativo? Muitos patrocinadores podem preferir perder com honra a vencerem com atos desleais. A imagem limpa de um esportista é algo valioso, e que pode render muito na batalha do marketing, que é o motivo de todos que patrocinam o esporte. Ter essa imagem manchada, ou comprometida, pode ser desastroso. Talvez mais, talvez menos. A F-1 ainda tem muita força, e torcida mundo afora, legiões de fãs apaixonados que a seguem, muitos não importando se tem jogo de equipe ou não. Mas os tempos são outros, e a audiência e a paixão já não são como outrora. Perder a atratividade, e talvez a credibilidade, por gestos dispensáveis como o de domingo passado poderá ser um passo em falso fatal para a F-1, se não tomarem os devidos cuidados.
            Calcados na cultura norte-americana de competições, o Liberty Media certamente deverá ter algo a dizer sobre isso, se ver que seus esforços para revitalizar a fama e a atratividade da categoria forem prejudicados por manobras de jogos de equipe, sejam elas em que posições forem. Proibir o jogo de equipe? Já foi tentado, em vão. De um jeito ou de outro, as escuderias fazem valer os seus interesses. Vai ser preciso mexer com isso em algum momento, para evitar que a credibilidade da disputa não seja maculado, ou pelo menos, não comprometido como pode ficar. Ou então, passemos a ter apenas um piloto por time, e aí, ficamos todos resolvidos.
            É uma situação que poderá ser muito complicada de se resolver. Isso ainda vai dar muita discussão, e boa parte delas bem acalorada. Bem, os times acabam pedindo por isso, então, que aguentam a enxurrada de críticas. Resta saber se as diretorias das empresas gostarão da brincadeira... Acho que o pessoal da Mercedes em Stuttgart deve ter tido uma semana cheia desde domingo...


Daniil Kvyat está de volta como piloto titular na F-1. O piloto russo, despromovido e enxotado da Red Bull e despedido da Toro Rosso, vai voltar como piloto... Da Toro Rosso! A seca de pilotos, consequência da truculência de Helmut Marko no programa de desenvolvimento da Red Bull, deixou os taurinos praticamente sem nomes para promover a seu time B em 2019. E acabaram engolindo em seco, e tendo de trazer Kvyat de volta, que acabou aceitando retornar como piloto daqueles que há quase dois ano atrás lhe deram uma tremenda rasteira na carreira, na ânsia de promoverem o seu queridinho Max Verstappen, algo que até se justificou, em razão do talento do holandês atrevidinho, mas que não precisava ter feito uma baixaria daquela com o russo, que não era nenhum pé de breque, embora estivesse tendo alguns problemas. Resta saber se darão o devido valor a ele agora, mas querem apostar que, na primeira oportunidade, vão espinafrar o piloto novamente? Não duvido muito não... Só espero que Kvyat responda à altura à nova chance, e cale a boca dos mada-chuvas da Red Bull. Por enquanto, só elogios, dizendo que Daniil é um piloto mais maduro e experiente agora, graças a sua experiência como piloto de simulador na Ferrari... Para elogiarem assim, tiveram que engolir mesmo os erros que fizeram com muitos pilotos de seu programa de formação...


A Hass, contrariando as expectativas de muita gente, renovou com sua dupla de pilotos para a próxima temporada da F-1, fechando assim duas vagas que estavam sendo muito cobiçadas por pilotos que estão sem cockpit definido para 2019. Kevin Magnussen e Romain Grosjean ganharam mais um voto de confiança de Gene Hass, e terão uma nova temporada para mostrar o que valem, apesar dos rolos e confusões que se meteram neste ano, e que poderiam ter feito o time americano ser facilmente o 4º colocado no campeonato de construtores. A escuderia faz sua melhor temporada desde que estreou na F-1, e tem tudo para continuar evoluindo no próximo ano. E, se Magnussen e Grosjean pararem de se envolver em confusões na pista, quando não tem azares alheios a seu controle, tem tudo para fazerem um excelente ano. Na opinião de alguns, contudo, faltou mais ousadia e determinação à escuderia, que poderia ter tentado arrumar novos titulares, para tentar dar um salto de performance ainda mais elevado. Mas também pode significar que muitos nomes visados infelizmente não eram viáveis, ou tinham algum fator que complicava a situação, como é o caso de Esteban Ocon, que até o presente momento, está praticamente sem vaga para o próximo ano, sendo que seu vínculo com a Mercedes acabou até atrapalhando algumas negociações envolvendo o nome do piloto. Portanto, Magnussen e Grosjean que deem graças aos céus pela nova chance, e tenham um pouco mais de juízo nas próximas corridas, começando aqui mesmo em Suzuka...


Quem também fechou sua dupla de pilotos para o próximo ano é a Sauber/Alfa Romeo, com a confirmação de Antonio Giovinazzi como companheiro de Kimi Raikkonen para 2019. Com isso, Marcus Ericsson finalmente dança, devido aos poucos resultados que sempre demonstrou na escuderia, desde os tempos em que era companheiro de Felipe Nasr. Mas o sueco ainda está ligado ao time, onde permanecerá como piloto reserva e de testes.


E a MotoGP chegou à Tailândia para a estréia do país do sudeste asiático na classe rainha do motociclismo. A pista do Chang International Circuit tem uma extensão de 4,6 Km, com 5 curvas para a esquerda e 7 para a direita. A corrida, que terá transmissão ao vivo pelo SporTV2 a partir das 4 da manhã, horário de Brasília no domingo, terá 26 voltas, com um percurso total de 118,4 Km. Na pista, Marc Márquez tentará aumentar ainda mais a sua já imensa vantagem de 72 pontos na classificação do campeonato, à frente do italiano Andrea Dovizioso, da Ducati, que vai tentar dar o máximo para evitar que isso aconteça. Até o fechamento desta coluna, ainda estava em dúvida a participação de Jorge Lorenzo na prova. O piloto espanhol machucou o pé na queda que sofreu na largada da última corrida, na pista de Aragón, Espanha. Lorenzo largou na pole, mas logo na primeira curva, caiu sozinho da moto, dando adeus à corrida, e ainda sofrendo esse ferimento. Jorge desandou a acusar Márquez de ter lhe forçado a ir para aquele ponto da pista, onde acabou caindo, o que foi visto como uma desculpa completamente esfarrapada, já que as imagens mostraram que o piloto da Honda em nenhum momento empurrou seu compatriota da Ducati na tomada do traçado da curva. Posteriormente, Lorenzo esfriou a cabeça e retirou suas críticas, mas isso já prenuncia que o clima na equipe oficial da Honda em 2019 tende a pegar fogo, já que Lorenzo e Márquez serão companheiros na escuderia...

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

FLYING LAPS – SETEMBRO DE 2018


            E já chegamos ao mês de outubro. Resta apenas três meses para encerrarmos 2018, e logo, logo, estaremos fechando o ano. O tempo parece realmente voar, e no mundo da velocidade, como de costume, teve muita coisa que rolou neste mês de setembro, onde vimos o encerramento do campeonato da Indycar, e vários outros certames seguem firmes, como a MotoGP, e vemos outros, como a Formula-E, fazendo seus preparativos para sua próxima temporada, entre outros assuntos. Por isso, lá vamos nós para mais uma edição da sessão Flying Laps, relatando e comentando alguns dos acontecimentos ocorridos neste último mês, sempre com alguns comentários pessoais nas notas relacionadas. Uma boa leitura para todos, e até a próxima sessão Flying Laps em novembro. Até mais.


Na caça ao líder Marc Márquez, Andrea Dovizioso teve uma excelente atuação no GP de San Marino da MotoGP, disputado no circuito de Misano, na Itália. Jorge Lorenzo marcou a pole-position, e até comandou bem o início da prova, mas sem conseguir abrir uma boa vantagem dos demais. Dovizioso, que largou em 4º, foi ao ataque, passando os ponteiros, e assumiu a dianteira da corrida após superar o companheiro de equipe, rumando firme para a bandeirada final, e averbando mais um triunfo para a Ducati na temporada. Mas a equipe italiana não pode comemorar a pleno o feito de Andrea na pista italiana. Jorge Lorenzo vinha bem na segunda posição, quando caiu sozinho faltando duas voltas para o final da prova, e isso entregou de bandeja a posição para o líder do campeonato, Márquez, cuja dianteira na pontuação continuava significativa, de modo que o piloto da Honda não perdeu o sono por ver o principal rival da temporada passada comemorar seu mais novo triunfo. Cal Crutchlow, da LCR Honda, acabou fechando o pódio. Já a Yamaha, ainda às voltas com seus problemas de competitividade, não teve nada do que se orgulhar da prova de San Marino: Maveirick Viñales foi apenas o 5º colocado, enquanto Valentino Rossi teve mais problemas, e terminou em 7º, o que o fez perder a vice-liderança do campeonato, sendo superado por Dovizioso. Alex Rins fez uma boa corrida com a Suzuki, terminando na 4ª posição, muito à frente de seu companheiro de equipe Andrea Iannonne, que foi o 8º colocado. Dani Pedrosa, praticamente cumprindo tabela para encerrar a carreira como piloto titular da classe rainha do motociclismo, fez outra corrida sem brilho, terminando em 6º lugar.


Pedrosa, aliás, quando anunciou sua aposentadoria das pistas, recebeu a oferta da Honda de continuar ativo no time como piloto de testes, opção que o piloto não considerou levar adiante. Mas, neste mês de setembro, Dani anunciou que irá mesmo exercer a função de piloto de testes, mas na KTM, a partir do próximo ano, com a missão de ajudar os austríacos a melhorar a competitividade de seu equipamento, algo que sua experiência de muitos anos em um time de fábrica vencedor de longa data como a Honda certamente será de grande valor. Mas Pedrosa, a exemplo de Casey Stoner na Ducati, afirma que não será piloto reserva do time, que poderá ser acionado para disputar um GP se algum dos titulares tiver problemas ou se acidentar. Ajudar trabalhando nos bastidores é uma coisa, mas voltar a participar de uma corrida, de acordo com Pedrosa, estará fora das suas preocupações após o fim desta temporada.


E Marc Márquez confirmou que é o favorito disparado ao título da temporada na MotoGP. A “Formiga Atômica” venceu a corrida em Aragón, na Espanha, depois de um duelo acirrado com Andrea Dovizioso, onde o piloto da Honda e o do time italiano chegaram a trocar de posições várias vezes durante a prova, sem que um conseguisse desgarrar do outro. Marc só conseguiu superar Andrea em definitivo a poucas voltas da bandeirada, preocupando-se em abrir vantagem para impedir o italiano de dar novo bote. Mesmo assim, Márquez cruzou a linha de chegada com uma diferença bem apertada, de apenas 0s6 para o rival, que não conseguiu diminuir a vantagem do líder do campeonato. Outro piloto que fez uma prova combativa em Aragón para espantar o azar foi Andrea Iannonne, que subiu ao pódio em 3º lugar com a Suzuki, seguido de seu companheiro de equipe Alex Rins, num dia muito positivo para a equipe japonesa. Dani Pedrosa foi o 5º colocado, enquanto a Yamaha teve seu momento mais baixo na temporada, com sua dupla de pilotos largando literalmente entre as últimas filas: Viñales largou em 14º, enquanto Rossi foi apenas o 17º. O “Doutor” ainda conseguiu driblar melhor as adversidades na corrida, terminando em 8º, mas Maverick foi somente o 10º colocado, com o time dos três diapasões completando seu 23º GP sem vitória, desde o triunfo de Valentino Rossi no GP da Holanda de 2017, na pista de Assen. É o maior período de jejum da Yamaha em sua história na classe rainha do motociclismo, e o momento do time não inspira seus pilotos por dias melhores tão cedo. Mas, se teve alguém que não teve boas lembranças da etapa de Aragón este ano foi Jorge Lorenzo. O piloto espanhol da Ducati conquistou a pole-position, a exemplo do que fizera na etapa anterior, em Misano, mas Jorge acabou caindo logo na primeira curva, e deu adeus à corrida ali mesmo. E ainda viu Dovizioso travar um duelo feroz com Márquez pela vitória, ficando em 2º, mas deixando ele cada vez mais para trás na pontuação. E Lorenzo fez críticas ferozes a Marc Márquez, acusando o piloto da Honda de ter feito a primeira curva de modo que ele acabou indo para o ponto onde acabou caindo. Só que, vendo as imagens, Lorenzo caiu sozinho, sem que Márquez sequer encostasse nele, ou o empurrasse para aquele ponto do traçado. Levando-se em conta que Lorenzo será companheiro de Márquez na Honda em 2019, melhor o tricampeão ir colocando as barbas de molho, porque vai ter concorrência feroz dentro dos boxes. Se Jorge achou que Rossi era intragável na disputa interna na Yamaha, melhor se preparar para a guerra que viverá nos boxes da Honda, onde Marc reina quase absoluto. Tem tudo para sair faísca no próximo ano. E vai sair, podem apostar...


Na equipe oficial da Yamaha na MotoGP, o clima é de completo desânimo para este final de temporada, e tanto Valentino Rossi quanto Maverick Viñales sabem que não podem ter muitas expectativas para este ano. O desempenho em Aragón foi pífio, e pior, por mais que mexessem na moto, não se conseguia acertar o chassi e melhorar o comportamento das motos. Rossi tentou diversas regulagens e acertos, mas nada parecia funcionar. Como desgraça pouca é bobagem, a própria equipe não consegue saber exatamente o motivo da falta de performance. Mesmo os testes privados realizados pela escuderia não conseguiram encontrar um rumo para solucionar os problemas de competitividade do time japonês, que não conseguiu vencer nenhuma corrida na temporada, e já enfrenta sua maior seca de vitórias de que há memória nos anais da MotoGP. Viñales revelou estar completamente desmotivado depois dos esforços dispendidos nas duas últimas corridas, onde nem sequer tiveram condições de lutar pelo pódio. Rossi, por sua vez, não mostrou muitas esperanças ao testar o que seria o protótipo do motor para a moto de 2019, afirmando que o resultado de performance não era melhor do que os resultados atuais. Pelo visto, vai ser preciso reza brava para encontrarem o caminho de volta às vitórias no próximo ano...


A equipe oficial da Toyota deitou e rolou no Rali da Turquia, com Ott Tanak a conquistar a vitória, seguido de seu companheiro de time Jari-Matti Latvala, perfazendo uma bela dobradinha do time japonês em terras turcas. Quem também se deu bem foi Hayden Paddon, que terminou em 3º lugar. Líder do campeonato, o belga Thierry Neuville não foi bem nas areias turcas, tendo ficado apenas em 16º na classificação geral, mas nem tudo foi ruim assim: Sébastien Ogier, que poderia ter usado a oportunidade para se aproximar do belga na liderança da competição, também não teve um bom momento na prova turca, tendo terminado apenas em 10º lugar. Como resultado, quem passou a ameaçar Neuville foi justamente o vencedor do rali turco, Ott Tanak, que chegou à vice-liderança na classificação, com 164 pontos, enquanto Neuville tem 177. Ogier ainda mantem com folga o 3º lugar no certame, com 154 pontos, já que o mais próximo na classificação, o finlandês Esapekka Lappi, em 4º lugar, tem apenas 88 pontos. Faltando três etapas para acabar o campeonato de 2018, não dá para apontar nenhum favorito disparado entre Neuville, Tanak e Ogier. Mas Tanak vem em um bom momento, tendo vencido consecutivamente as etapas da Finlândia, Alemanha, e Turquia, numa escalada meteórica na pontuação. Se mantiver esse ritmo, tem tudo para ser o campeão da temporada, ainda mais que Neuville e Ogier ficaram devendo melhores resultados nas últimas provas. Faltam ser disputadas as etapas do Rali de Gales, o Rali da Catalunha, e o Rali da Austrália. Mas quem ganha é o torcedor, na mais disputada competição do Mundial de Rali dos últimos tempos, e sem um favorito destacado, como foram nos títulos de Sébastien Loeb, e nos anteriores de Sébastien Ogier. E tem tudo para ser emocionante...


E Sébastien Ogier estará de casa nova no próximo ano. O atual pentacampeão mundial de Rali voltará à sua velha casa, a equipe Citroen, onde competiu de 2009 a 2011, antes de se unir à equipe da Volkswagen, por onde conquistou os títulos de 2013, 2014, 2015, e 2016. No ano passado, com a saída da fábrica alemã, Ogier mudou-se para a M-Sport, onde está nesta temporada. A Citroen não vence desde a saída de Sébastien Loeb, tendo conquistado seu último campeonato em 2012.


Depois de faturar mais um título com Scott Dixon, Chip Ganassi tratou de fechar o seu time para a próxima temporada da categoria, com a contratação do sueco Felix Rosenqvist, que havia feito um teste pelo time no circuito de Mid-Ohio, tendo conseguido impressionar a todos com sua velocidade e capacidade de adaptação ao carro da Indycar. Felix substituirá Ed Jones, que não fez uma temporada significativa no time. O contrato de Rosenqvist garante que ele irá participar de todas as 17 corridas do certame de 2019 da Indycar, o que significa que provavelmente não seguirá disputando o campeonato da Formula-E, devido ao conflito de algumas datas de provas. Rosenqvist disputou as duas últimas temporadas da F-E, defendendo o time da Mahindra, tendo como companheiro o alemão Nick Heidfeld, que não teve o contrato renovado pelo time indiano. Com a ida de Felix para a Indycar, a escuderia deverá ter uma dupla de pilotos inteiramente nova para a próxima temporada, que começa em dezembro, em Riad, na Arábia Saudita.


Enquanto isso, na F-E, os times vão pouco a pouco definindo seus pilotos para a próxima temporada. Uma delas é a e.dams, que terá a Nissan como parceira no fornecimento de seu trem de força a partir desta nova temporada, em substituição à Renault, que irá concentrar suas forças apenas na F-1. Sébastien Buemi permanece no time, que terá também o anglo-tailandês Alexander Albon, que atualmente defende a equipe Dams no campeonato da F-2. Nicolas Prost, que até o fim da última temporada estava no time, acabou dispensado, resultado mais do que óbvio, depois que seu pai, Alain Prost, vendeu a sua participação na escuderia, para seguir representando e trabalhando com a Renault em seu projeto na F-1. Claro que a dispensa de Nicolas Prost teve como bom argumento seus parcos resultados nos últimos tempos na categoria, andando sempre muito atrás de Buemi. Na Venturi, que terá a participação de Felipe Massa, seu companheiro de time será o italiano Edoardo Mortara. Jaguar, Audi e Techeetah manterão suas atuais duplas de pilotos. Já os times HWA, Nio e Mahindra ainda não anunciaram nenhum de seus pilotos para o novo campeonato. Na Virgin, Sam Bird é o único nome confirmado, assim como José Maria Lopez na Dragon. Na Andretti, a dupla será formada pelo português Antonio Felix da Costa e o britânico Alexander Sims. O grid aumentou um pouco, pois agora teremos 11 times e 22 pilotos, e todo mundo está empolgado para ver como a categoria de carros de competição monopostos totalmente elétricos irá se apresentar com seu novo carro, que poderá fazer a prova inteira sem necessidade de trocar o carro nos boxes, como aconteceu nestas primeiras 4 temporadas.