sexta-feira, 6 de abril de 2018

IMBECILIDADES A TODA PROVA

O circuito de Sakhir,no Bahrein, é o palco da segunda etapa do campeonato da F-1 em 2018.

            A Fórmula 1 inicia hoje os treinos livres para a segunda etapa do Mundial de 2018, e a pergunta que todos se fazem aqui no paddock em Sakhir é como a Liberty Media poderá ajudar a categoria a superar o marasmo da competição e voltar a seus bons tempos, e exibir disputas muito mais atrativas na pista. O grupo, atual dono da categoria máxima do automobilismo, marcou para hoje uma apresentação de seus planos para o futuro da categoria, com vistas aos anos próximos, e especialmente a partir de 2021, uma vez que o atual Pacto de Concórdia, que estabelece direitos e deveres aos participantes, tem validade até o fim de 2020. Enquanto isso, algumas medidas aqui e ali procuram dar uma renovada no visual e nos trejeitos da F-1.
            Gostei do novo tema musical da categoria. Parece dinâmico e tem por objetivo glorificar os pilotos nas cenas como os grandes protagonistas do espetáculo, sem esquecer dos demais e de suas escuderias. E as medidas já tomadas paulatinamente desde o ano passado estão ajudando a dissipar aquele péssimo clima asséptico que imperava por todo o ambiente. Os pilotos e times estão mais abertos, mais interativos com os fãs. A F-1 parece ter voltado a ser mais humana, e menos distante do grande público. O próximo passo é oferecer um canal de streaming por assinatura com diversas opções em relação às transmissões “convencionais”, como forma de apresentar melhor o show. Iniciativa mais do que válida.
            O problema é que a categoria convive com certas imbecilidades, para não dizer idiotices, que lamentavelmente jogam contra, e pior, teima-se em complicar a situação, pela falta de vontade de resolver o assunto a contento, baseando-se em princípios e regras que já se mostraram completamente inúteis para os propósitos de melhorar a competição. E ruim mesmo é ver que interesses e picuinhas pessoais continuam impedindo categoria de tomar decisões mais razoáveis, pra não falar que isso já virou guerra de egos.
            Falarei de um dos itens mais óbvios de todos: a limitação das unidades de potência disponíveis a cada piloto. Há mais de 10 anos, a categoria resolveu dar um basta nos gastos excessivos que os propulsores significavam para os times. Estabeleceu-se um “congelamento” do desenvolvimento dos motores, de modo que as fábricas gastassem menos, e por tabela, cobrassem menos dos times pelo seu uso. Também se estabeleceu um limite de motores por temporada, sendo que ao usar novas unidades além desse limite, o piloto seria punido com a perda de posições no grid, como também é feito em relação ao sistema de câmbio. Mas, depois de vários anos, impunha-se novos desafios, e chegamos à nova Era Turbo híbrida, com uma geração completamente nova de unidades de potência. Até aí, tudo bem.
            Mas, eis que resolveram estreitar a limitação de motores por temporada. E muito pior do que era antes. Se em 2013 cada piloto podia dispor de 8 motores para todo o campeonato, em 2014, com propulsores totalmente novos, esse limite baixou para 5. Depois, o limite ficou em 4, e este ano, chegamos à limitação esdrúxula de apenas 3 unidades por piloto, em um certame de 21 corridas. Palhaçada geral, que acarreta uma série de ações em consequência dessa idiotice sem tamanho. Uma delas é a pasmaceira dos treinos livres na sexta-feira, com todos os times procurando andar apenas o estritamente necessário, para poupar quilometragem das unidades, que precisam ter a duração ideal por pelo menos 7 corridas. Cada motor e sistemas componentes adicionais acarretarão perdas de posições no grid, portanto, todos os times tentam fazer os equipamentos sofrerem o mínimo desgaste possível. Só que, com isso, os treinos livres de sexta, que já não costumam empolgar tanto, ficam ainda mais broxantes, pois o público não vê os pilotos andando na pista tanto quanto poderiam. As escuderias até que tentaram voltar ao limite de 4 unidades, mas para mudar a regra, era preciso unanimidade... E é claro que acabou tendo um time que não concordou, o que jogou por terra a tentativa de bom senso. O motivo: corte de gastos.
Limitação das unidades de potência a apenas 3 unidades por temporada por piloto é completamente ridícula e joga contra a melhoria da competição. 
            Já expliquei isso em colunas anteriores, e reforço meu ponto de vista: a economia de gastos com a utilização de menos unidades de potência é completamente inútil. O valor não cai, muito pelo contrário, cada unidade a menos disponível a torna ainda mais cara, porque a conta do contrato divide-se em menos unidades. Mas alguns parecem teimar em defender suas posições sem se dar conta de quão ridículas são suas colocações. Não é questão de torrar dinheiro com os motores, mas dispor de mais unidades melhoraria as atividades, pelos times não terem de ficar controlando a ferro e fogo o desgaste de seus equipamentos. Voltar a um número de unidades mais razoável poderia aumentar a disputa, e proporcionar mais pegas. Ou ninguém viu Lewis Hamilton justificar-se de desistir de lutar pela vitória nas voltas finais da corrida da Austrália com Sebastian Vettel unicamente para poupar seu motor? E olhe que a unidade da Mercedes é a mais durável da F-1 atual. Verdade ou não, em teoria, com possibilidade de utilizar mais propulsores por temporada, Hamilton poderia ter atacado mais o piloto da Ferrari, e quem sabe proporcionado um duelo muito mais empolgante pela vitória no Albert Park. A F-1 saiu perdendo nessa. E os fãs também, pois eles querem disputa na pista. E o ganho econômico infelizmente não se justifica.
            Mas, infelizmente, uma regra que foi criada para proteger os times menores de atitudes enfiadas goela abaixo pelos times mais fortes hoje se tornou um empecilho quando se torna necessário mudar algo. Dependendo do assunto, é a Williams que vota contra, outras é a Force India, Sauber, e por aí vai. E com isso, algumas medidas teoricamente fáceis, que poderiam melhorar a qualidade da competição, acabam sendo impossibilitadas de serem aplicadas. Invariavelmente, as maiores justificativas são a contenção de gastos. Não é segredo que alguns times estão em situação meio complicada, mas perto do que vem ocorrendo em termos gerais, os gastos “evitados” com algumas modificações simples são um verdadeiro tiro no pé.
            E o que dizer do halo? Nada contra aumentar a segurança, mas a implantação do dispositivo foi feita de forma drástica e sem dar chance de se experimentar outras alternativas. A Indycar parece ir por um caminho melhor com o windscreen, algo que vi a F-1 praticamente ignorar depois que Sebastian Vettel disse ter ficado zonzo após uma única volta, e que merecia ser melhor analisado para ver senão seria mais eficiente, além de se mostrar muito mais harmônico com o visual dos bólidos. E nem é preciso dizer a imensa maioria detestou aquilo, por enfeiar os carros, fora que a eficácia do dispositivo é questionável, e pode vir a ser um problema no caso de ocorrer uma capotagem, dependendo das circunstâncias, o que espero que não seja preciso confirmarmos. Se no ano passado, com as novas normas técnicas os carros voltaram a ter um design mais aceitável pelo público, a introdução do halo jogou tudo por terra. Mas para a FIA, que se dane a opinião do público: é pela segurança dos pilotos, portanto, que tratem de engolir isso. Ninguém é contra aumentar a segurança, mas como já afirmei em outras ocasiões, tratar isso como uma obsessão leva os dirigentes geralmente a meterem os pés pelas mãos, e esse objetivo de proteger melhor a cabeça dos pilotos poderia ter sido melhor desenvolvido e planejado.
Uma das alternativas ao halo, o aeroscreen foi abandonado e descartado sem maiores testes de viabilidade e eficácia.
            E temos ainda outras regras que poderiam ser facilmente abolidas pois não servem mais para seu propósito inicial. Uma delas é simplesmente obrigar os pilotos a largarem com os mesmos pneus com que fizeram suas melhores marcas no Q2, entre os que participam do Q1. E a regra do parque fechado, impossibilitando que os times mexam nos carros entre o final do treino de classificação e a corrida propriamente. Antigamente, tínhamos o warm up, um treino de meia hora na manhã de domingo, dia da corrida, onde os pilotos davam algumas voltas na pista e faziam o acerto final dos carros para a prova. Essa regra do parque fechado foi para dar mais chances de os times menores conseguirem andar um pouco mais perto dos times de ponta, mas isso nunca funcionou a contento. Pior, hoje, quando a corrida começa com chuva, e os treinos foram no seco, os times só podem fazer modificações mínimas no set up dos carros, e o resultado é que a F-1 parece ter pavor de chuva atualmente, com a direção de prova acionando o safety car em condições que, no passado, os pilotos corriam com a maior naturalidade, ou para falar de modo mais contundente, sem as frescurites que exibem hoje. Essa é uma regra que poderia muito bem acabar, e com a volta do warm up, o público ganharia mais tempo de carros na pista, e os bólidos, em caso de chuva, poderiam ser ajustados adequadamente para o piso molhado, proporcionando aos pilotos terem maior controle de seus carros, pelo ajuste fino para a situação, e com isso, dando mais segurança à condução na chuva. Mas, alguém aí propõe isso? Não, muito pelo contrário, e com isso, mais uma vez a categoria se aferra a um procedimento que poderia ser muito melhor, mas não é. E, neste caso, novamente a regra absurda da limitação das unidades de potência seria invocada para não termos o retorno do warm up, que seria mais um treino no fim de semana, e por conseguinte, mais chance de desgaste do equipamento, e caímos de novo na justificativa de que o warm up inflacionaria os custos de competição. Tudo se revela um verdadeiro círculo vicioso, de onde não se consegue sair, e pior, não se quer sair.
Com a limitação de motores a apenas três unidades por temporada, os times andam o mínimo possível nos treinos livres, frustrando o público que quer ver os carros na pista.
            Já citei também que o limite de jogos de pneus por piloto no final de semana poderia ser ampliado. Dos atuais 7 jogos, porque não 9, ou talvez 10? Em várias corridas recentes nos últimos anos, em vários momentos das provas os pilotos se concentravam em conservar seus pneus, em lugar de acelerar. Isso começava já nos treinos livres, com todo mundo andando menos para guardar pneus para a classificação, e para a corrida. Com mais alguns pneus, todo mundo poderia ficar menos preocupado em poupar pneus, e acelerar por mais tempo nos treinos, e na corrida. Mas, aumentar o número de jogos de pneus não adiantaria por si só... Não quando motores, câmbio, e outros equipamentos estão limitados, pois estes outros continuam oferecendo aos times justificativas para andarem menos do que poderiam.
            A Fórmula 1 tem muito a fazer para se livrar de alguns hábitos que até faziam sentido quando foram adotados, mas que com o passar dos anos, tornaram-se inúteis em seus objetivos, e poderiam muito bem ser repensados, de forma a melhorarem a qualidade do show da competição. E não é preciso fazer um “liberou geral” no que tange às quantidades, mas apenas de revisá-los adequadamente, de forma a aliviar a camisa de força no qual se transformaram na F-1, impedindo a categoria máxima do automobilismo de render melhores corridas e disputas.
            É como as tentativas que fazem de tentarem melhorar as chances de ultrapassagens, mas ninguém pensa em limitar o excesso de downforce dos carros, e sua aerodinâmica dependente de condições ideais, dando ênfase na sustentação mecânica em lugar da aerodinâmica. Os mesmos times que querem melhores chances de ultrapassar seus rivais na pista também não querem que seus carros possam ser mais facilmente superados numa disputa de posição na pista. E assim, tudo continua igual, e nada melhora de fato. Pelo menos, não como poderia ser realmente feito.
            O mundo mudou, e o modo como as pessoas buscam entretenimento também. Ou a F-1 se livra de algumas idiotices que teima em manter, ou suas opções de se tornar novamente mais atraente ficam limitadas ao que aceitam discutir, e não ao que realmente precisa ser feito. Será que a categoria tomará jeito? Sempre tenho esperanças, mas continua sendo muito complicado continuar sendo otimista assim... Mas, a esperança sempre é a última que morre, portanto...


A Indycar disputa amanhã à noite sua segunda corrida na temporada. Depois da prova de estréia nas ruas de São Petesburgo, agora é a vez da pista oval do Phoenix International Raceway, circuito de apenas1 milha de extensão. Todos estão na expectativa para ver o que os novos aerokits poderão influenciar no desenrolar da corrida. Em São Petesburgo, o menor downforce oferecido pelos carros fez alguns pilotos deixarem os carros escaparem em algumas disputas de posição e aceleradas além da conta. Mas um circuito oval exige outro tipo de abordagem, e a expectativa é que vejamos disputas muito mais numerosas entre os pilotos. É a prova de estréia de Pietro Fittipaldi, entre aquelas que acertou contrato para correr pela Dale Coyne, e pelo menos, ele já conhece a pista, já que testou lá na pré-temporada. Mas teste é teste, e corrida é corrida, portanto, está na hora de ver o que o neto de Émerson poderá mostrar de sua capacidade em uma categoria TOP de monopostos norte-americana. Quem também espera fazer uma boa corrida é Matheus Leist, que causou boa impressão na Flórida, e que agora quer ter o seu primeiro resultado efetivo. Vencedor em São Petesburgo, Sebastien Bourdais lidera o campeonato defendendo a Dale Coyne. Será que o francês continuará com sua boa fase neste início de competição? A Bandeirantes transmite a corrida ao vivo a partir das 22:30 Hrs. horário de Brasília, na noite deste sábado.


A MotoGP faz sua visita à América do Sul, para a disputa do GP da Argentina, no circuito de Termas de Rio Hondo. Na pista, o italiano Andrea Dovizioso defende a liderança do campeonato, com a vitória obtida no GP do Qatar, que abriu o calendário da classe rainha do motociclismo este ano. Mas Marc Márquez certamente tem outras idéias na cabeça, e poderemos ver um novo duelo entre os dois pilotos, que tem tudo para repetir este ano a disputa ferrenha pelo título. Mas que ninguém ignore a dupla da Yamaha, e em especial Valentino Rossi, que com o 3º lugar obtido em Losail, mostra que vai dar trabalho. Só não dá para prever quanto porque a Yamaha ainda desperta certa desconfiança, depois do campeonato irregular no ano passado, quando começou como favorita, e acabou virando coadjuvante, sem conseguir entrar na disputa pelo título entre Márquez e Dovizioso. O canal pago SporTV2 transmite a corrida ao vivo a partir das 15 horas de domingo, horário de Brasília.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

FLYING LAPS – MARÇO DE 2018


            O ano de 2018 segue avante, e estamos entrando em abril, com os principais campeonatos do mundo do esporte a motor pisando fundo em suas etapas seguintes. O mês de março se foi, mas houve vários acontecimentos no mundo do esporte a motor que não tive tempo para mencionar nas colunas regulares, portanto, lá vamos nós para um pequeno apanhado de alguns destes acontecimentos, sempre com alguns comentários rápidos, em mais uma sessão Flying Laps. Então, uma boa leitura a todos, e até a próxima sessão no início do mês que vem...
 

Enquanto dois brigam, o terceiro é quem sai lucrando. O provérbio popular pode ser enquadrado no resultado do GP de São Petesburgo, que abriu a temporada 2018 da Indycar, que viu mais uma vez a vitória do francês Sébastien Bourdais, da equipe Dale Coyne. Mas a vitória de Bourdais só se concretizou de fato após um incidente entre o novato Robert Wickens, da Schimidt Peterson, e Alexander Rossi, da Andretti, que duelavam pela vitória há muitas voltas. Rossi vinha pressionando o novato na parte final da prova, mas Wickens conseguia se manter na frente e com alguma folga. Coube a outro novato, René Binder, provocar uma bandeira amarela, e juntar todo o pelotão, enquanto os fiscais retiravam o carro parado da pista. Com cinco voltas faltando para encerrar a prova, a bandeira verde foi acionada, e a prova recomeçou para seus momentos finais. E aí, faltando duas voltas para o final, Wickens acabou abrindo uma brecha na defesa de sua posição no fim da reta dos boxes, e Rossi partiu para o ataque, a fim de tomar a liderança. Quase conseguiu, mas ele deixou o carro escorregar na freada da primeira curva, e acabou tocando em Robert, que acabou indo parar no muro, e dando adeus às possibilidades de vencer sua primeira corrida logo em sua estréia na Indycar. Rossi ainda conseguiu controlar o carro e voltar à prova, atrás de Bourdais, que era o 3º e assumiu a ponta, e de Graham Rahal, da Rahal Leterman Lannigan, que era agora o 2º colocado. E este acabou sendo o resultado final da prova. James Hinchcliffe ainda salvou o dia da Schimidt Peterson, cruzando em 4º lugar. Ryan-Hunter-Reay coroou um dia bem satisfatório para a Andretti fechando em 5º, à frente de Scott Dixon, que teve alguns problemas na corrida, e nunca conseguiu discutir a vitória, mas pelo menos terminou na frente da arquirrival Penske, cujos pilotos ficaram em 7º (Josef Newgarden), 10º (Will Power), e 13º (Simon Pagenaud). A direção de prova não aplicou nenhuma punição a Rossi, no que concordo, por ter sido um incidente de corrida. Aliás, alguns pilotos andaram tento seus perrengues durante a corrida, e também não houve maiores punições, até porque nada de realmente grave ocorreu que justificasse tais atitudes. Nos últimos tempos, em especial na F-1, as punições viraram uma verdadeira praga onde muitas atitudes acabam punidas, muitas vezes com exageros, e pior, equipes e pilotos também passaram a clamar por punições muitas vezes a torto e a direito. Bom ver que não é levado a ferro e fogo por todas as categorias. E o público quer ver disputa na pista, e não competição de “não-me-toques” entre os pilotos... A maior punição mesmo acabou sendo para Scott Dixon, que acabou tocando rodas com Takuma Sato, em uma manobra completamente estabanada, furando um dos pneus do carro do japonês, e sendo realocado no fundo do grid para a relargada da prova...


Robert Wickens, ao largar na pole e liderar a maior parte da corrida, não foi o único novato que surpreendeu no fim de semana da Indycar em São Petesburgo. O brasileiro Matheus Leist, da Foyt, também mostrou a que veio no treino de classificação, ao garantir a 3ª posição no grid de largada. Mas o bom momento de Leist parou por aí. O gaúcho acabou caindo para 4º no início da corrida, mas mantinha-se firme entre os primeiros, até que começou a ter problemas com o câmbio, e foi caindo lá para trás. Matheus foi para o box, onde o time tentou resolver a situação, e o piloto voltou para a pista, a fim de ganhar quilometragem com o carro, já que um bom resultado não era mais possível. Mas os problemas continuaram, e na terceira ida à pista, Leist acabou perdendo o controle e acertou o muro, encerrando de vez o fim de semana. Matheus assumiu o erro pela batida, isentando a equipe de qualquer erro, e reconhecendo os esforços dos mecânicos em tentar resolver os problemas que surgiram no carro logo no início da corrida. De qualquer maneira, o primeiro GP de Leist na categoria rendeu elogios ao piloto por parte do time, da imprensa e dos torcedores, pela performance exibida. Agora, é se concentrar para a próxima corrida, no circuito oval de Phoenix, onde todos já estiveram presentes testando na pré-temporada.


Sebastien Ogier mostrou aos concorrentes que está firme na disputa pelo título da temporada 2018 do Mundial de Rali. O piloto francês venceu o rali do México, retomou a liderança na classificação do campeonato, e ainda teve o prazer de ver seus principais rivais em potencial terem um final de semana não tão positivo como esperavam. Thierry Neuville, que chegou ao México como líder da competição, acabou terminando em 6º lugar, e com isso, acabou caindo para a vice-liderança, com 52 pontos. Ogier, com a vitória, alcançou 56 pontos. Kris Meeke vinha fazendo uma prova combativa, mas acabou sofrendo um acidente, e acabou superado por Dani Sordo, que terminou a etapa na 2ª colocação, marcando seus primeiros pontos no campeonato, com Meeke fechando o pódio em 3º lugar. Com três etapas disputadas até aqui, Ogier acumula duas vitórias, com o triunfo de Monte Carlo e do México, enquanto Neuville foi o vitorioso no Rali da Suécia, e segue firme na luta com Ogier. Os dois pilotos já se distanciaram dos demais competidores. Andreas Mikkelsen, por exemplo, é o 3º colocado na classificação, com 35 pontos, enquanto Kris Meeke é o 4º, com 32 pontos, com Jari-Mati Latvala colado nele, com 31 pontos, em 5º lugar. Entre os times, a disputa até que está equilibrada, com a Hyundai na liderança da classificação, com 84 pontos. A M-Sport Ford ocupa a vice-liderança, com 72 pontos, com a Citroen encostadinha, com 71 pontos. E a Toyota segue logo atrás, com 67 pontos. Uma diferença até nem muito grande entre os times, mesmo levando-se em consideração que ainda temos muito chão pela frente na competição.


A MotoGP abriu sua temporada 2018 com uma continuação do duelo Marc Márquez X Andrea Dovizioso pela vitória no circuito de Losail, no Qatar. Largando na 5ª posição, o italiano da Ducati foi escalando o pelotão ao longo da corrida, até chegar à liderança da prova, após um duelo renhido com Johann Zarco, da equipe Tech3, que na classificação surpreendeu os favoritos para arrebatar a pole-position e largar na frente na primeira corrida da temporada. Mas Dovizioso não teve vida fácil na liderança, muito pelo contrário: Márquez, que sempre andou entre os primeiros, partiu para o ataque contra o piloto da equipe italiana, e ficou colado em sua traseira por toda a parte final da prova, ameaçando passar, até que conseguiu fazê-lo na entrada da última curva da última volta, mas Dovizioso saiu mais embalado, e retomou a dianteira, cruzando a linha de chegada em primeiro por uma diferença de apenas 0s027. Coube ao atual campeão e piloto da Honda resignar-se com a 2ª posição, e sair derrotado novamente em um duelo “in extremis” com Dovizioso. O pódio foi completado por Valentino Rossi, que fez uma excelente corrida, partindo da 8ª posição no grid, e fazendo uma prova sempre no ataque, mostrando que ainda está muito cedo para pendurar o capacete, como alguns de seus críticos falam. O “Doutor” fechou a corrida logo atrás de Dovizioso e Márquez, com uma desvantagem de menos de 0s8. Zarco liderou a maior parte da corrida, sempre se defendendo dos ataques dos rivais, até ser superado por Dovizioso. A partir dali, o piloto caiu de posições, e foi terminar a prova apenas em 8º lugar. Destaque também para as boas apresentações de Cal Crutchlow, da LCR, o 4º colocado; e Danilo Petrucci, da Pramac, em 5º. Quem também fez uma corrida de recuperação foi Maverick Viñales, que largou em 12º, e terminou em 6º lugar.


Jorge Lorenzo não teve o início de temporada que almejava. O piloto espanhol sofreu durante a maior parte da temporada de 2017 tentando se acostumar ao estilo de condução da moto da Ducati, e acabou completamente ofuscado por Andrea Dovizioso. Pelo menos em Losail, o quadro se manteve: Dovizioso largou em 5º e partiu para a liderança ao longo da corrida, enquanto Lorenzo largou em 9º, mas caiu para trás, tendo de recuperar posições ao longo da prova, e com certa dificuldade para superar os rivais na pista. E a corrida do espanhol acabou chegando ao final a 10 voltas para a bandeirada, quando sofreu um tombo, e disse adeus à corrida. Lorenzo afirmou que vinha sofrendo com problemas nos freios desde a largada, e que o sistema veio falhando cada vez mais com o decorrer da corrida, até que precisou tombar com a moto para evitar atingir o muro, já que naquele instante, havia ficado completamente sem freios. Não foi um início de temporada dos mais animados, mas Jorge afirma que o problema não deverá se estender para a temporada, confiando na capacidade da Ducati de resolver o problema. Independente de problemas mecânicos ou não, o que todos esperam é que em seu segundo ano na Ducati, Lorenzo volte a se firmar na luta pelas primeiras posições, como costumava fazer na Yamaha, e fez apenas esporadicamente desde que chegou à equipe italiana. Outro ano abaixo do esperado terá consequências para a renovação do contrato de Jorge com a Ducati, com a marca italiana já afirmando que, neste ritmo, o valor salarial do espanhol terá de ser reduzido se ele quiser seguir no time de Borgo Panigale. Lorenzo apenas diz que não é o momento de se falar sobre o assunto, mas alguns boatos dizem que, se ele se sentir desprestigiado pela Ducati, poderá muito bem trocar de time, e dizem que a Suzuki poderia ser o mais provável destino de Jorge, já que o time japonês quer se bater com suas rivais nipônicas Honda e Yamaha, é um time de fábrica, e está carecendo de um nome de peso para liderar a escuderia na pista, como fazia Maverick Viñales antes de se transferir para a Yamaha. Dovizioso começou a temporada em alta, e liderando o mundial, com a sua vitória na primeira corrida, no Qatar. Ainda temos 18 provas pela frente, e Lorenzo precisará mostrar reação desde já, para reafirmar o seu valor perante os italianos, e até para si mesmo, caso acabe perdendo de goleada novamente no confronto de resultados para o companheiro de equipe pelo segundo ano consecutivo...


A Formula-E disputou a corrida em Punta Del Este, no Uruguai, prova que era inicialmente para ter sido realizada em São Paulo, capital, antes que os devaneios do prefeito da metrópole azedassem o clima para a realização da corrida. E Jean-Éric Vergne, da Techeetach, obteve sua terceira vitória na temporada, disparando na classificação do campeonato, tendo agora 30 pontos de vantagem para o segundo colocado, Felix Rosenqvist, que terminou a prova uruguaia na 5ª posição. E Lucas Di Grassi enfim pode disputar uma boa corrida, tendo largado na primeira fila, e comboiado Vergne durante toda a prova, tentando forçar um erro do rival que acabou não acontecendo, e que também nunca deu uma oportunidade de ultrapassagem que o brasileiro pudesse explorar. Di Grassi terminou em 2º, e parece ter dado adeus aos azares de confiabilidade que minaram seu início de temporada. Quem não curtiu a volta a Punta Del Este foi Nelsinho Piquet, que infelizmente acabou abandonando a prova, bem como Sébastian Buemi, que também não teve como receber a bandeirada. Sam Bird, 3º colocado no campeonato, também subiu ao pódio no Uruguai, e agora está encostado em Rosenqvist na classificação (76 para Bird e 79 para Felix), mas também viu Vergne abrir mais vantagem na dianteira, que pode ser impossível de reverter na segunda metade do campeonato. A próxima prova é em Roma, no dia 14 de abril.