quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

FLYING LAPS – JANEIRO DE 2018



            E já estamos no segundo mês de 2018, o carnaval vem chegando, e as apresentações dos novos carros da F-1 e os testes da pré-temporada também se aproximam, e as notícias do mundo da velocidade começam a pipocar com muito mais frequência, depois de algumas semanas de atividade menos intensiva, o que não quer dizer que janeiro tenha sido um mês “parado”: houve vários acontecimentos, e a disputa de algumas provas de realce, como o famoso Dakar, e as celebradas 24 Horas de Daytona, entre outras competições começando a dar a partida neste ano que promete grandes emoções em vários certames mundo afora. Mas, como sempre falta um espaço aqui e ali para comentar alguns destes eventos que tiveram lugar no mês passado, cá estamos nós para mais uma edição da Flying Laps, com notas rápidas a respeito de alguns destes acontecimentos de janeiro. Portanto, uma boa leitura, e até a sessão Flying Laps do mês que vem...


O Brasil brilhou novamente na edição 2018 do Dakar na classe UTVs, agora chamados de SxS, com a dupla Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin repetindo o feito de Leandro Torres e Lourival Roldan, em 2017, quando levaram o título da recém-criada categoria no maior rali do mundo. A chave para a vitória na competição foi a constância, algo tão crucial quanto velocidade bruta numa prova off-road. E a dupla pode se orgulhar de sua campanha no Dakar 2018, tendo vencido nada menos do que cinco etapas, e quando não tinha condições de vencer, mantiveram-se firmes em boas posições, sem forçar demasiado o equipamento, enquanto muitos rivais potenciais acabaram ficando pelo caminho ou tendo problemas variados, o que não tira o mérito da conquista nem um pouco. Emocionados, Varela e Gugelmim definiram a conquista do título da categoria UTVno Dakar como a realização de um sonho, e com a sensação do dever cumprido pela boa prova que disputaram, em meio aos terrenos variados que desafiaram a destreza e a coragem dos competidores do Dakar, que este ano foi particularmente difícil para muitos pilotos, não só dos novatos e desconhecidos, mas também dos grandes e talentosos campeões. Os parabéns para Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmim, e que eles possam estar novamente na competição em 2019, em busca de mais um título.


Carlos Sainz conseguiu o título do Dakar 2018 na categoria carros, e enfim chegou ao bicampeonato no rali mais famoso do mundo. “El Matador” já havia sido campeão em 2010, e desde então, buscava repetir o feito, que de um jeito ou de outro, teimava em não vir. Na edição deste ano, a Peugeot contava com outros pilotos igualmente duríssimos de serem batidos, Stéphane Peterhansel, o maior vencedor da história do Dakar; e Sébastien Loeb, nada menos do que 9 vezes campeão do Mundial de Rali, sendo todos eles consecutivos. Mas Loeb ficou fora de combate ainda na primeira metade da competição, e Peterhansel viu seus planos de chegar a mais um título começarem a ruir quando sofreu um acidente e por pouco não ficou fora da competição ali mesmo. O multicampeão do Dakar ainda se manteve na disputa, mas sem condições de voltar a discutir o primeiro lugar, e depois, ainda teve outra quebra, para completar o seu azar. Indiferente a isso, Carlos Sainz conseguiu se manter livre de problemas, e embora tenha tido alguns percalços, conseguiu se manter na dianteira da competição, e dar à Peugeot mais um título no Dakar, onde a marca francesa fez sua despedida da competição. Aos 55 anos, Carlos se tornou o mais velho competidor a vencer o Dakar, e há dúvidas se ele retornará ao rali em 2019, uma vez que já rondam alguns boatos sobre ele pendurar o capacete. Vencer pela segunda vez o Dakar, mesmo que alguns digam que foi somente pelos azares dos adversários, contudo, mostra que o veterano das competições off-road ainda tem o que demonstrar, e poderá muito bem voltar ao Dakar ano que vem para defender seu título de atual campeão dos carros. Por outro lado, se ele resolver que já deu o que tinha que dar, o fará na condição de dever cumprido, como campeão da competição.


O Brasil conquistou mais uma vitória nas 24 Horas de Daytona, prova que abriu a temporada 2018 do IMSA Wheater Tech Championship. Christian Fittipaldi e seus parceiros na equipe Action Express, os portugueses João Barbosa e Filipe Albuquerque foram impecáveis e conseguiram levar seu protótipo Cadillac DPi-Vr à segunda vitória consecutiva do equipamento na prova do circuito de Daytona Beach, nos Estados Unidos. No ano passado, a vitória foi dos irmãos Jordan e Rick Taylor, ao lado dos pilotos Jeff Gordon e Max Angelelli, a bordo deste tipo de protótipo, que fazia sua estréia na competição. Mas, se em 2017, a Action Express ficou em 2º lugar na série protótipos, este ano o time não deu chances à concorrência, conseguindo abrir uma grande vantagem sobre os rivais na primeira metade da prova, para depois ir administrando, e assim, tentando evitar os problemas que acabam acometendo rivais potencias como a Penske, que estreou seu time com protótipos, mas tiveram problemas mecânicos e toques durante a corrida. O carro Nº 5 da Action Express também teve seus problemas, como um início de superaquecimento que volta e meia deixava sua trinca de pilotos ansiosa com a possibilidade de que isso viesse a ocasionar o abandono da corrida. Felizmente, o tempo também deu uma ajuda, com a chuva ajudando Fittipaldi e seus parceiros na refrigeração do carro, e com a grande vantagem conquistada até então, reduzir o ritmo para chegar ao fim da corrida. E com direito a recorde: foram completadas 808 voltas no traçado de 5,73 Km, totalizando 4.628.224 km percorridos. E também tivemos brasileiro na segunda colocação, com a equipe formada por Felipe Nasr, Mike Conway, Eric Curran e Stuart Middleton no carro Nº 31 também da Action Express, que assim fez uma bela dobradinha na importante prova de endurance dos Estados Unidos. Nasr e seus colegas tinham um ritmo muito forte e eram os maiores rivais de Christian e seus companheiros, mas um problema também de superaquecimento motivou uma parada nos boxes para reparar o problema, fazendo o grupo perder algumas voltas em relação ao carro Nº 5, desvantagem que foi recuperada apenas parcialmente, e pelo fato dos companheiros no outro carro passarem a pilotar mais devagar para evitarem o mesmo problema, terminando a corrida cerca de 70s após Fittipaldi, Albuquerque e Barbosa cruzarem a linha de chegada. Mesmo assim, foi um resultado a ser comemorado, e que recoloca Felipe Nasr de volta em evidência após o ano sabático que foi forçado a encarar depois de ter sido demitido pela equipe Sauber na F-1. Foi a primeira experiência de Felipe em Daytona, e ele não se intimidou com a pista, chegando a fazer o melhor tempo em um dos treinos antes da corrida. E tivemos outro brasileiro na 4ª colocação, também com protótipos: Bruno Senna, Paul di Resta, Will Owen e Hugo de Sadeleer, defendendo o carro Nº 32 da United Autosports, chegaram 4 voltas depois dos vencedores, e estavam no páreo pelo pódio, até terem um problema de embreagem que motivou a necessidade de um pit stop demorado no meio da corrida.


Para Christian Fittipaldi, foi o terceiro triunfo nas 24 Horas de Daytona. O sobrinho de Émerson Fittipaldi venceu a corrida pela primeira vez em 2004, defendendo a Bell Motorsports, ao lado dos pilotos Terry Borcheller, Forest Barber e Andy Pilgrim. A segunda vitória viria apenas 10 anos depois, em 2014, agora competindo pela sua atual equipe, a Action Express Racing, tendo como colegas João Barbosa e Sébastien Bourdais. O terceiro triunfo em Daytona iguala o brasileiro a nomes como Brian Redman, Andy Wallace, Butch Leitzinger, Derek Bell, Juan Pablo Montoya, Memo Rojas, e João Barbosa, todos com 3 vitórias em Daytona. Mas Christian ainda está abaixo de Pedro Rodríguez, Bob Wollek, Peter Gregg, e Rolf Stommelen, que tiveram a honra de vencer por 4 vezes as 24 Horas de Daytona. Os recordistas de triunfos são os estadunidenses Hurley Haywood e Scott Pruett, com cinco vitórias cada um. Aos 47 anos de idade, Christian começa a se preparar para pendurar o capacete, até porque só irá correr nas provas de maior longa duração do IMSA Wheater Tech, e tendo assumido funções extra-pista dentro da Action Express, sendo agora diretor esportivo da escuderia. Mas o brasileiro garante a aposentadoria ainda não está em seus planos, e seus adversários vão ter que encará-lo na pista ainda por muitas corridas, até que ele pense em parar.


O Mundial de Rali iniciou a temporada 2018 com a disputa do tradicional Rali de Monte Carlo, e o resultado foi o mais óbvio possível: vitória do atual campeão Sebastian Ogier, defendendo a equipe da Ford. O piloto francês, pentacampeão mundial da competição nos últimos cinco anos, foi também vencedor da prova de Monte Carlo nos últimos quatro anos. Em outras palavras, Ogier venceu o rali de Monte Carlo pela quinta vez consecutiva, e já começa na frente sua luta pelo hexacampeonato no Mundial de Rali. Ott Tanak, da equipe Toyota, finalizou a etapa inicial do Campeonato em 2º lugar, enquanto a 3ª colocação ficou com Jari-Matti Latvala. Kris Meeke foi o 4º colocado, seguido por Thierry Neuville. Será que alguém irá conseguir impedir que Ogier enfileire mais um título consecutivo? Já são cinco troféus na estante de Sebastian, e antes dele, outro francês, Sebastien Loeb, conquistou nada menos do que 9 títulos consecutivos, e só não ganhou o 10º título porque resolveu se aventurar em outras paragens. A próxima etapa é o Rali da Suécia, que será disputado este mês, nos dias 15 a 18. Será que veremos outro passeio de Ogier? A conferir...


Danica Patrick resolveu pendurar o capacete, e prepara sua despedida das pistas este ano, com planos de disputar apenas as 500 Milhas de Daytona, pela categoria principal da Nascar, onde competiu até recentemente, e as 500 Milhas de Indianápolis. Mas a fama da piloto, que já chegou a ser chamada de “Mulher Maravilha”, pelos bons resultados que obteve na pista na década passada, já não é mais a mesma, e até o presente momento, os times da Indycar recusaram ceder-lhe um carro para disputar a Indy500 deste ano. Na Nascar, ela teve um pouco mais de sorte, ao conseguir assinar com um time para correr em Daytona. Mas, apesar de ter conseguido o apoio de um de seus antigos patrocinadores, a GoDaddy, Danica só conseguiu fechar um acordo com a Premium Motorsports, um time de pouca expressão da categoria principal da Nascar. Patrick não conseguiu arrumar vaga em nenhum time mais competitivo. A piloto, aliás, sai por baixo em sua despedida das corridas. Queridinha dos organizadores da Indy Racing League na década passada, onde competiu de 2005 a 2011, com um total de 115 provas, 3 poles e 1 vitória, Danica era mimada pela organização, que via na figura de uma mulher competitiva numa categoria dominada por homens um excelente chamariz. Mas o temperamento de Danica meio que subiu nas alturas, e a garota saiu meio emburrada da Indy, indo para a Nascar, onde ela dizia que não teria tantas brigas e desrespeitos na pista, após ter batido boca com alguns pilotos na IRL. Pode-se dizer que o sucesso subiu à cabeça, e sem querer ser machista nem nada, Danica nunca foi esse furacão todo que sempre falavam dela. Já na época da Indy, dava para notar ares de arrogância e desrespeito em relação aos outros. Se ela achava que ia ser mais respeitada na Nascar, quebrou a cara, pois nunca conseguiu obter o destaque que imaginava na stock car americana. A falta de resultados de maior monta, além de se envolver em alguns bate-bocas também na Nascar, ajudaram a decair a sua enorme popularidade obtida nos tempos da IRL. A piloto também acabou se divorciando de seu marido, Paul Edward Hospenthal, com quem era casada desde 2005. Danica tinha esperanças de achar um novo time para competir este ano na Nascar, mas ela tinha suas exigências: um time forte, que lhe desse chances de vitória, e na categoria principal, a Cup, ou era melhor parar. Pelo visto, acabou ignorada por todos, e vai encerrar a carreira. Ela disparou contra o mundo do esporte a motor, dizendo que é um ambiente miserável, triste e negativo na maior parte do tempo, e que nem conseguia mais assistir sequer às provas. Acho que ela descobriu esse lado ruim do automobilismo meio tarde, para ficar reclamando agora...
 



sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

COMPETIÇÃO DUPLA


Fernando Alonso segue firme defendendo a McLaren na F-1 em 2018 (acima), mas o asturiano também irá competir no Mundial de Endurance (WEC), defendendo a equipe Toyota na classe LMP1 (abaixo).

            Os boatos acabaram se confirmando, e o anúncio foi feito nesta semana: Fernando Alonso irá disputar as 24 Horas de Le Mans deste ano, em seu plano de tentar conquistar a Tríplice Coroa do mundo do automobilismo, que é composto pela corrida francesa, as 500 Milhas de Indianápolis nos Estados Unidos, e o Grande Prêmio de Mônaco de F-1. Este último o espanhol já venceu, e no ano passado, até chegou perto de tentar a vitória, antes de sofrer uma quebra de motor já na parte final da corrida. E, agora, Alonso correrá em Sarthe pelo time mais forte do WEC, na classe LMP1, a Toyota, único time de fábrica do certame, depois dos abandonos de Audi e Porsche. Nem é preciso dizer que será um dos favoritos destacados, a não ser que os demais times privados da classe LMP1 consiga ter performance para desbancar os japoneses na mítica corrida francesa.
            Mas também é errado já esperar uma vitória certa de Alonso em Le Mans. A Toyota ainda não desencantou nas 24 horas mais famosas do mundo do automobilismo, e para chegar em primeiro, primeiro precisa-se chegar lá, e nos últimos dois anos, os nipônicos não conseguiram fazer isso. Aliás, no ano passado, por pouco um time da LMP2 não venceu a corrida, não tivesse sobrado um dos carros da Porsche ainda no páreo, mostrando que nem sempre o mais veloz vence em Le Mans, mas quem consegue sobreviver a toda a prova. Fernando competiu no fim de semana passado nas 24 Horas de Daytona, nos Estados Unidos, como forma de já ir se aclimatando para a corrida na França em junho, e gostou do que viu, embora não tenha conseguido lutar pela vitória, mesmo que seu time tenha liderado, ainda que esporadicamente, a prova na Flórida.
            Mas, o que ninguém esperava mesmo, era o conteúdo total do anúncio: Alonso não irá apenas correr em Le Mans pela Toyota, mas em todas as provas do campeonato do Mundial de Endurance este ano, pelo time japonês. Mas o espanhol manterá a prioridade da Fórmula 1, defendendo a McLaren, e com isso, a única corrida do WEC onde não estará presente será na etapa das 6 Horas de Fuji, uma vez que no mesmo final de semana teremos o Grande Prêmio dos Estados Unidos, em Austin, no Texas. Mas, e não é que o pessoal de Fuji já está se mobilizando para mudar a data da prova, a fim de permitir que Alonso corra lá? Realmente, é algo pra lá de interessante, e resgata, para os pilotos da F-1, um pouco dos tempos em que seus competidores simplesmente corriam a todo momento, e em todo lugar, nos tempos românticos do automobilismo.
            Alonso irá se dividir entre seus deveres na F-1 e no WEC, o que lhe ocupará durante metade dos fins de semana deste ano, competindo em nada menos do que 26 finais de semana. Haja disposição para tanta corrida. Muitos apostam que 2018 deve ser o último ano de Fernando na F-1, com o asturiano mudando-se de mala e cuia para o WEC em 2019. Pode até ser. Mas isso certamente dependerá sobremaneira de como a McLaren, em sua nova parceria com a Renault, irá se comportar nas pistas este ano. Depois de três temporadas de muitas esperanças e decepções ainda maiores com a Honda, de quem se esperava muito, a motivação em Woking para a temporada deste ano faz recordar os bons tempos do time inglês quando vitórias eram encaradas com naturalidade, e não como algo excepcional. Ainda é cedo para dizer que a McLaren voltará quem sabe a disputar vitórias e/ou o título na F-1, mas os ânimos de Alonso parecem completamente renovados, e tido como o piloto mais completo do grid, ele certamente quer provar que ainda é o piloto que “aposentou” Michael Schumacher na década passada, e era tido como provável sucessor do alemão na busca pelos recordes da categoria máxima do automobilismo, se sua carreira não tivesse se guiado por caminhos errados, e se perdido em alguns momentos pelo seu egocentrismo exagerado.
            Curiosamente, os tempos de penúria de resultados na associação McLaren/Honda parecem ter feito Alonso aproveitar mais a vida e ficar um pouco menos sério e causador de confusões. Não que ele tenha virado santo de uma hora para outra, mas certamente soube transformar sua imagem para continuar em evidência, mesmo com a falta de resultados na F-1. No ano passado, quando anunciou que disputaria as 500 Milhas de Indianápolis, ele surpreendeu o mundo com a notícia. Foi para os Estados Unidos, e aproveitou a atmosfera única do IMS e da centenária corrida norte-americana, sendo um dos destaques não apenas na mídia mas também na corrida. Depois disso, sua participação em Daytona no início deste ano já não foi exatamente uma surpresa, e a ambição de correr em Le Mans, já era mais do que conhecida, e que agora irá se realizar.
No ano passado, o espanhol competiu nas 500 Milhas de Indianápolis, e foi um dos destaques da corrida. E gostou da experiência.
            E é concebível um piloto de alta performance, competindo em um certame tão exigente como a F-1, conseguir dividir suas atenções e correr a sério em outro campeonato, ao mesmo tempo? Para Mark Webber, amigo de Alonso, e que recentemente pendurou o capacete, e foi campeão no WEC com a Porsche, o espanhol deveria se concentrar na F-1, uma vez que a categoria exige dedicação praticamente integral para ser bem-sucedido lá, e que seria um erro dividir atenções. Acho isso relativo: há quem saiba lidar com isso, e quem não saiba lidar. De minha parte, os pilotos são profissionais que não correm apenas pela paixão e pelo seu ganha-pão, mas principalmente pelo desafio. E quanto maior o desafio, maior o desejo de vencê-lo. O WEC é um campeonato importante, mas não tem tantas corridas quanto a F-1, e por enquanto, apenas a etapa de Fuji será desfalcada pelo asturiano, em detrimento da F-1. O fato da F-1, e também do WEC, não terem mais tantos testes, como era comum na década passada, ajuda os pilotos neste sentido.
            Mas o asturiano também tem sido auxiliado por outros fatores. O primeiro deles, é a mudança ocorrida na McLaren: há pouco tempo atrás, Alonso havia sido convidado pela Porsche para correr pelo time em Le Mans, mas Ron Dennis e a Honda, por tabela, foram contra. Bem, Dennis não está mais na McLaren, e a Honda também, o que facilitou o acordo com a Toyota, a maior rival da Honda no mercado de carros nipônico. E Zak Brown, novo diretor da McLaren, tem sido um grande aliado das pretensões de Alonso, porque sabe que, com seu piloto feliz, ele vai dar tudo e muito mais do que isso na pista. E Alonso faz questão de agradecer à McLaren pelo que irá poder fazer em 2018, como já havia sido grato pelo que pôde em 2017, quando foi a Indianápolis. Depois de renovar com o time inglês para este ano, confiante na parceria com a Renault, onde foi bicampeão com o time de fábrica em 2005 e 2006, Fernando certamente vai pilotar como nunca em 2018. E, para o bem da competição, espero que seja bem-sucedido, tanto na F-1 quanto no WEC, afinal, quanto mais gente andando na frente, melhor para todas as competições.
Alonso também disputou as 24 Horas de Daytona, e se não causou furor como em Indianápolis, ainda assim, também gostou do que viu.
            Antigamente, era comum os pilotos da F-1 se dividirem entre várias competições automobilísticas pelo mundo afora. É verdade que os tempos eram outros: o calendário da F-1 possuía menos provas do que hoje, e também não corriam em lugares tão distantes como atualmente, o que demanda muito mais tempo em viagens longas para os GPs. A partir dos anos 1980, as participações de pilotos da categoria máxima do automobilismo em outras competições começou a decair, em virtude do nível de profissionalismo começar a ser muito mais exigente, e o aumento dos testes e corridas. Bernie Ecclestone, por sua vez, também começou a ser contra ver os pilotos da F-1 defendendo outros campeonatos, de forma que nos últimos tempos, era praticamente contra ver seus competidores correndo em outros lugares, com birra de que eles “desfalcassem” a F-1, emprestando a fama de serem pilotos desta em outros campeonatos. Nico Hulkenberg, que venceu as 24 Horas de Le Mans pela Porsche, após os alemães não terem conseguido a liberação de Fernando Alonso junto à McLaren, foi o exemplo de situação que o chefão da FOM queria evitar, já que Nico acabou ganhando muito prestígio pelo feito, mas não tendo sido obtido na F-1, isso incomodava o cartola. Para ele, os pilotos da F-1 deviam se comprometer unicamente com o seu campeonato, e não ir se aventurar por aí em outras paragens.
            E, até para evitar isso, o calendário da F-1 em muitos anos “bateu” de frente com algumas provas importantes de outros campeonatos, justamente para dificultar a “fuga” de algum piloto para estas provas. Ou alguém acha que foi coincidência que no ano seguinte após Hulkenberg vencer em Le Mans, a prova em Sarthe acabou coincidindo com uma etapa do calendário de F-1?  Mas, felizmente, Bernie também não está mais no comando da F-1, e o Liberty Media tem sido muito mais maleável e flexível, para não dizer também muito menos egocêntrico no trato com a categoria máxima do automobilismo. Não é perfeito, lógico, mas trouxe alguns avanços, e tenta como pode deixar o ambiente da categoria menos sisudo e sério. Quem sabe ainda possamos ver Mônaco e as 500 Milhas de Indianápolis acontecendo em finais de semana diferentes, como já ocorreu no passado? Seria muito bom. Pelo menos para essas corridas especiais do mundo do esporte a motor, permitiria a alguns pilotos encararem outros desafios bem interessantes, em momentos mais oportunos de suas carreiras.
            Pilotos são profissionais como muitos outros, e se acham que podem dar conta de participar de outras corridas em outros campeonatos, eles devem ter plena liberdade de opção. Dependerá mais de suas equipes, e de suas prioridades. É verdade que nem todo time gosta deste tipo de situação, uma vez que seus pilotos podem sofrer acidentes inesperados, e com isso, prejudicar sua escuderia. Quem não lembra do acidente que quase matou Robert Kubica em 2011, quando o polonês, contratado da equipe Renault, estava disputando uma etapa de rali? Aquilo arruinou o ano do time na F-1, mas a direção da escuderia, apesar de tudo, preferia que seu piloto tivesse liberdade para correr em outros lugares, a ter um contratado sem iniciativa. E o próprio piloto também precisa saber pesar os prós e contras, de modo a calcular os riscos, e eventuais problemas na sua carreira, no caso de algo inesperado acontecer. E, claro, achar onde correr, e se o time tem interesse em contar com seus serviços. E, apesar de tudo, não são todas as escuderias que aceitam pilotos dessa maneira. Existem corridas especiais, onde vêm competir pilotos de muitos outros lugares e campeonatos, como as 24 Horas de Daytona, que contaram também com pilotos da Indy, da Stock Car brasileira, e do WEC, e F-1, entre outros. E o panorama é similar em Le Mans.
            E Alonso também não estará correndo em um time qualquer: estará na Toyota, onde em tese terá como rivais apenas o outro carro da escuderia e seu grupo de pilotos, se mantiverem performance superior aos demais times da classe LMP1. Claro que isso também aumentará sua cobrança por resultados, mas ninguém pode dizer que o espanhol não está encarando desafios, em seu objetivo de correr em outras paragens. Alguns pilotos costumam fazer isso com frequência, e Alonso tem todo o direito de tentar a sorte nestas novas corridas. Que seja bem-sucedido pelo bem-estar geral das competições do esporte a motor.


A F-E volta a acelerar neste sábado, para a etapa de Santiago, no Chile. O circuito da prova tem extensão de 2,47 Km, com 12 curvas, e pelo menos um bom trecho de reta que deve favorecer possibilidades de ultrapassagem. A corrida será disputada em 37 voltas, e terá transmissão ao vivo no canal pago Fox Sports a partir das 17:00 Horas, horário de Brasília. Na disputa do campeonato, Felix Rosenqvist, da Mahindra, lidera a competição, com 54 pontos, seguido de perto por Sam Bird, da Virgin, com 50. Na 3ª colocação está Jean-Éric Vergne, da Techeetah, com 43 pontos. Nelsinho Piquet é o 4º colocado, com 25 pontos. Lucas Di Grassi, o atual campeão, teve muitos azares neste início de campeonato, e está zerado na pontuação, situação que certamente complica suas pretensões de lutar pelo bicampeonato. Mas o brasileiro não é o único que teve percalços: Sébastien Buemi também não conseguiu iniciar o ano do jeito que esperava, mas conseguiu começar a reagir, ao subir ao pódio em Marrakesh, com o 2º lugar, e com isso, marcar 22 pontos até o momento, que lhe permitem sonhar em uma reação na competição, que pode vir já neste final de semana, e voltar à luta pelo título da temporada. É preciso ficar de olho no suíço, que mostrou uma performance forte no Marrocos, mesmo que tenha sido derrotado na luta pela vitória pelo líder do campeonato. A perspectiva é de outra corrida bem equilibrada entre vários pilotos, e sendo uma pista que praticamente ninguém conhece, as surpresas tem chance de serem ainda maiores.
Traçado da pista do ePrix de Santiago, etapa que estréia no campeonato da Formula-E neste final de semana.


O campeonato nacional da Stock Car começa apenas dia 10 de março, mas a categoria já arrumou confusão ao estabelecer uma regra que proíbe a participação de pilotos que já tenham corrido regularmente na categoria, para a Corrida de Duplas que abre a competição. Segundo notícia veiculada no site Grande Prêmio (www.grandepremio.com.br), qualquer piloto que tiver disputado mais de 6 etapas do certame, ou do Brasileiro de Turismo, de 2010 para cá, não poderá participar da prova como convidado. As regras ainda dizem que o piloto convidado deve preferencialmente ter participado de campeonatos de relevância internacional nos últimos cinco anos. A idéia explícita é forçar a vinda de pilotos internacionais. Muita gente não gostou da regra, e a Vicar, que inventou isso, podia muito bem fazer a Stock deixar de passar este tipo de vergonha, e permitir que pilotos profissionais pudessem participar sem firulas. É o Brasil, e suas besteiras, um hábito que parece permanecer de qualquer jeito, e não apenas no automobilismo...