sexta-feira, 15 de setembro de 2017

DECISÃO EM SONOMA


O autódromo de Infineon Raceway mais uma vez encerra a temporada da Indycar com mais uma decisão do título da categoria.

            Chegou o momento da decisão. O pessoal da Indycar está em Sonoma, no Infineon Raceway, para o encerramento da competição, e temos quatro pilotos na luta pelo título da temporada, praticamente. Embora a pontuação desta corrida seja dobrada, por ser a prova final do campeonato, e matematicamente 6 pilotos ainda possam em teoria chegar ao título, a rigor só Josef Newgarden, Scott Dixon, Hélio Castro Neves, e Simon Pagenaud tem chances reais mesmo de título. Will Power, o 5º colocado na competição, tem 68 pontos de desvantagem para Newgarden, e seria preciso uma combinação de fatores extremamente complicada para dar ao australiano o bicampeonato da categoria. E seria preciso que os demais pilotos na briga caíssem fora da competição para que suas chances ficassem realmente válidas. O mesmo vale para Alexander Rossi, que precisaria de uma combinação praticamente perfeita de uma vitória e um desastre completo dos demais postulantes ao título para poder sonhar com a taça.
            Com 560 pontos na carteira, e ocupando a primeira colocação da tabela, o americano Josef Newgarden faz uma temporada de estréia na Penske muito boa, e com chances de faturar o título. Mas ele poderia ter complicado a situação ainda mais para seus rivais se não tivesse batido de forma bizarra após sair dos boxes em Watkins Glen na semana retrasada, praticamente ficando de fora das primeiras colocações, e marcando apenas 13 pontos porque o sistema de pontuação da categoria não deixa ninguém no zero em nenhuma etapa. Josef venceu 4 corridas no ano, e em tese, depende apenas de si mesmo para chegar ao seu primeiro título.
            Mas a pista mista de Sonoma pode ser complicada, e tudo pode acontecer na corrida. Qualquer descuido, já nos treinos livres, pode azedar todo o final de semana, e logo atrás do americano da Penske vem a maior ameaça à sua conquista, o neozelandês Scott Dixon, da Ganassi. Dixon tem aproveitado todas as oportunidades que surgem à sua frente, e qualquer vacilada da concorrência pode ser um prato cheio para ele, que apesar de certa inferioridade de seu carro frente aos pilotos da Penske na luta pelo título, venceu uma corrida no ano e com uma grande constância mantém-se firme na luta, sendo o único piloto não-Penske a de fato poder conquistar a taça. Dixon foi 2º colocado em Gateway e Watkins Glen, e com isso, colou em Newgarden, que ficou apenas 3 pontos à sua frente. Basicamente, Scott precisa chegar na frente de Josef, para levar o seu 5º título, e ele tem ginga e capacidade para isso. Se a Ganassi tiver um bom acerto no seu carro, na prática Dixon assume os ares de grande favorito em Sonoma, que em caso de vencer o campeonato, seria o seu 5º título nas categorias Indy, tornando-o um dos maiores campeões de todos os tempos.
Josef Newgarden (acima) lidera o certame, mas Scott Dixon (abaixo) está em seus calcanhares e pode dar um bote certeiro no piloto da Penske.
            Um pouco mais atrás, vem dois outros pilotos de Roger Penske. Hélio Castro Neves vai para o tudo ou nada na disputa pelo título. Com 22 pontos de desvantagem para Newgarden (538 a 560), o brasileiro precisa vencer para poder dizer que deu tudo de si na luta, mas mesmo que vença, Newgarden e Dixon terão de ficar abaixo do 2º lugar para garantir a taça a Helinho, que por via das dúvidas, deve se garantir nos pontos extras, a fim de abater moralmente seus rivais. Hélio tem feito uma temporada constante e combativa, embora tenha perdido a chance de obter alguns resultados melhores por problemas alheios a seu controle, como a bandeira amarela em Toronto que arruinou suas chances de vitória ou pódio, ou por pequenos deslizes, como deixar o motor morrer numa das paradas de box em Gateway. Mas o brasileiro só abandonou uma corrida, no Texas, e voltou a vencer, depois de um jejum de 3 anos, ao cruzar em primeiro a linha de chegada em Iowa. Mas, se quiser mesmo ser campeão, sem sombra de dúvidas, ele tem de pensar firme na vitória em Sonoma. Helinho já venceu nesse circuito, em 2008, e a Penske tem bom retrospecto no circuito californiano, com triunfos em 2010, 2011 e 2013, com Will Power; 2012 com Ryan Briscoe; e no ano passado com Simon Pagenaud. Mas aí é que está o maior perigo: Josef Newgarden também é piloto de Roger Penske, então...
            E Scott Dixon também tem bom retrospecto em Infineon, com vitórias em 2007, 2014 e 2015, esta última dando-lhe seu 4º e último título, sem mencionar que naquele ano ele chegou a Sonoma praticamente como azarão na disputa, com Juan Pablo Montoya cotadíssimo para conquistar o título. Na verdade, ambos acabaram empatados em número de pontos, mas Dixon levou a taça por ter mais vitórias no campeonato que o colombiano. Portanto, é preciso ficar de olho no piloto da Ganassi, até porque a situação do neozelandês não é tão débil agora. Mesmo assim, Scott terá de dar duro para manter o time da Penske atrás de si. E mesmo que esteja em posição muito complicada para tentar ser campeão, nem por isso Will Power irá desistir de encerrar o ano com mais uma vitória, mesmo que não vença o campeonato.
Hélio Castro Neves (acima) e Simon Pagenaud (abaixo) também estão de olho no título, e querem terminar o ano em grande estilo.
            E, ao contrário da F-1, sem jogo de equipe na Penske. É cada um por si na pista. Além de Newgarden e Hélio no pau a pau, Simon Pagenaud, o campeão do ano passado, ainda tem esperanças de ser bicampeão. Com 526 pontos, o piloto francês, tal como o brasileiro, venceu apenas uma corrida este ano, não fazendo uma temporada deslumbrante como a de 2016, mas tem conseguido manter a constância e ficar longe de confusões, e ainda que tenha carecido de alguns melhores resultados para estar com menos desvantagem na pontuação, não pode reclamar muito da sorte, a exemplo de Will Power, que teve dois abandonos fatais para suas ambições de também lutar pelo segundo título na categoria, nas provas de Toronto e Gateway. Se quiser ser campeão, a exemplo de Hélio, Simon tem de pensar unicamente em vencer, e ainda por cima, torcer para que Newgarden ou Dixon subam ao pódio. A diferença para o piloto brasileiro pode parecer mais fácil de ser suplantada, mas nada pode ser considerado fácil na pista de Sonoma. E Pagenaud tem mais motivos para não dar mole na pista, após levar um toque de Josef Newgarden na etapa de Gateway quando ambos disputavam a liderança da corrida e quase ir parar no muro. Josef não se desculpou pela forma excessivamente agressiva como superou o companheiro de time na pista, numa manobra que acabou sendo crucial para seu triunfo na prova. Então, se o francês estiver à sua frente na pista, Josef que se prepare para não ter vida fácil, especialmente de Pagenaud.
            Com cerca de 3,57 Km de extensão, o circuito localizado na cidade de Sonoma tem poucos trechos de reta, e várias subidas e descidas. A maior parte do traçado é estreita, e suas 11 curvas fazem da pista um pesadelo para ultrapassagens. Quem tiver o azar de largar mais atrás vai precisar de um bom jogo de cintura e estratégia para ir para a frente, além de um carro muitíssimo bem acertado. E mesmo assim, dependendo das circunstâncias de corrida, pode-se passar a prova inteira “trancado” atrás de alguém, sem conseguir passar. Os times terão de ser impecáveis nos pit stops durante a corrida, para permitirem a seus pilotos subirem posições na pista. E nem cheguei a mencionar que, vez por outra, o pessoal se empolga demais em algumas disputas e divididas, e surge a bandeira amarela, que pode tanto ajudar quanto arruinar a corrida de alguém.
Ultrapassar em Sonoma pode ser bem complicado, portanto, largar na frente será muito importante, e caprichar na estratégia de corrida e nos boxes. 
            Para os fãs brasileiros da categoria, uma lástima a Bandeirantes não exibir a prova no canal aberto, confinando-a apenas ao canal pago Bandsports. É o encerramento da competição, e com quatro pilotos lutando a fundo pelo título, sendo um deles brasileiro, esperava-se da emissora um pouco mais de respeito pelos amantes da velocidade. Antes, o que atrapalhava era o futebol, cujas partidas acabavam colidindo com os horários de várias provas, mas o que se viu este ano foi o esquema de sempre, com várias corridas sendo exibidas apenas no canal pago. Na verdade, dá-se a impressão de que a emissora atualmente odeia o esporte, ao contrário do que já foi um dia, o “canal do esporte”, antes mesmo que tivéssemos no Brasil canais especializados no assunto. A divulgação das corridas é ínfima, e mesmo nos telejornais, o espaço é tremendamente reduzido. Dessa maneira, não há como exigir uma audiência maior, se a própria emissora não faz uma divulgação decente de seu produto. A transmissão do Bandsports começa a partir das 19hrs.40min, ao vivo, pelo menos. Até aqui, o canal aberto transmitirá um compacto de 15 minutos da corrida durante a madrugada de domingo para segunda, das 1h30min às 1h45min. É mole? Não, não é!
            Aliás, o torcedor brasileiro que aproveite bem esta corrida. Pode ser a última que tenhamos dois pilotos brasileiros na categoria. Para o ano que vem, apenas Tony Kanaan está garantido, e Hélio tem uma posição mais duvidosa: não que ele vá ficar sem emprego, mas Roger Penske tem outros planos para o piloto brasileiro. Isso será tema de uma outra coluna muito em breve. Por enquanto, vamos à decisão da Indycar 2017, e que vença o melhor piloto!


O belo visual noturno do traçado de Marina Bay, em Cingapura, recebe os carros da F-1 neste final de semana, com a expectativa da revanche da Ferrari contra a Mercedes pela liderança do mundial de pilotos.
Hoje a F-1 começa os treinos para o Grande Prêmio de Cingapura, e a perspectiva é de que a Mercedes terá muito trabalho com a Ferrari, e talvez até mesmo com a Red Bull nesta pista. O circuito urbano montado na Cidade-Estado do sudeste asiático nos últimos dois anos não foi bem hospitaleira para as hostes prateadas dos campeões mundiais. É verdade que em 2016 a vitória foi de Nico Rsoberg, que largou na pole e conseguiu comandar a corrida até a bandeirada, mas em nenhum momento o piloto alemão conseguiu ter sossego durante a corrida. Daniel Ricciardo deu uma boa canseira em Nico, e só não venceu porque Rosberg aguentou firme a pressão do australiano da Red Bull. Lewis Hamilton fez uma corrida meio apática, largando em terceiro e finalizando nesta mesma posição. Quem não esteve bem foi a Ferrari, com Kimi Raikkonem em 4º, até bem próximo de Hamilton, mas com Sebastian Vettel bem mais longe, em 5º lugar. Já em 2015, o panorama foi diferente: vitória de Vettel, seu terceiro triunfo no ano, com Nico Rosberg apenas em 4º lugar, enquanto Hamilton ficou pelo caminho com problemas no carro. Em 2014, no primeiro ano da nova era turbo híbrida, Hamilton venceu a corrida até com alguma folga, mas a Mercedes viu Nico Rosberg ficar pelo meio do caminho. E este ano, o que poderá acontecer? A Ferrari vem muito forte, e apesar do aparente tropeço em Monza, o circuito de Marina Bay é outra história. Travado e cheio de curvas, ele tem mais a ver com as tortuosas ruas de Mônaco e o traçado travado de Hungaroring, pistas onde os carros de Maranello mostraram muito mais desenvoltura do que os da Mercedes. Não por acaso Hamilton evitou se empolgar demais após sua vitória na Itália, por saber que nesta pista a situação tenderá a ser bem mais complicada para ele obter a vitória. Novo líder do campeonato, com apenas 3 pontos de vantagem para Vettel, Hamilton sabe que um triunfo nesta pista seria crucial para abater o moral dos ferraristas. Mas o inglês terá de se aplicar a fundo para conseguir este intento. No ano passado, Nico Rosberg esteve bem mais à vontade na pista do que Lewis, e conseguiu uma vitória importante para a conquista de seu título mundial. Se Hamilton conseguir manter-se no controle, largando na frente, tem boas chances de vencer a corrida. Mas falta combinar com os adversários, e eles, diga-se de passagem, tem idéias bem diferentes. Vamos ver quem consegue se dar melhor neste final de semana, que tem tudo para apresentar uma corrida interessante.


A Williams não terá mais a presença de seu comando-maior em Cingapura e até o final da temporada. O time de Frank Williams já não conta com a presença de seu fundador nas últimas corridas, uma vez que o seu estado de saúde já não é o mesmo de antes. E sua filha Claire, que assumiu a direção do time, está grávida, devendo dar à luz agora no mês de outubro, e depois tendo de dar atenção à nova criança. A escuderia já dá como perdida a 4ª colocação no Mundial de Construtores, não vendo perspectivas de alcançar a Force India. Por outro lado, tem de se preocupar com quem vem atrás, com ameaças bem reais de Toro Rosso, Renault, e até mesmo da Hass, se os carros ingleses voltarem a demonstrar a performance de corridas como Áustria, Inglaterra, Hungria, e até da Bélgica. Felipe Massa, aliás, já adiante que o circuito de Marina Bay não deverá facilitar para o time neste final de semana, pelas similaridades com as pistas de Hungria e Monte Carlo. No ano passado, o brasileiro terminou a corrida em um nada apreciado 12º lugar...


Quem está mais animado para este final de semana é Fernando Alonso. A pista deve favorecer menos a potência dos motores, e a McLaren pode ter sua chance de voltar aos pontos, depois de literalmente ficar a ver navios nas últimas duas corridas, disputadas em pistas de alta velocidade. Mas não é apenas pela perspectiva de um resultado mais positivo que o espanhol está muito sorridente: o esperado anúncio do acordo McLaren/Renault já é tido como sacramentado, e com isso, o time de Woking passa a ter pelo menos um motor satisfatório para a próxima temporada. E, mesmo que a unidade de potência francesa não se iguale em performance às da Mercedes e Ferrari, se o carro for bom, pelo menos há esperanças bem melhores, como se vê na Red Bull. Aliás, o desempenho dos carros dos energéticos em Monza, um circuito onde a potência do motor é fundamental, foi muito boa, conforme o 4º lugar de Daniel Ricciardo, largando lá da parte de trás do grid. Poder pelo menos lutar com dignidade deve dar a Alonso esperanças de dias muito melhores. E os japoneses irão se virar com a Toro Rosso no próximo ano, bastando isso ser confirmado oficialmente também. Aguardemos os comunicados de praxe para tornar tudo confirmado preto no branco...

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

HAVOC SERIES – BARBEIRAGENS NO GRANDE PRÊMIO DO BRASIL



            Depois de um longo e tenebroso inverno, que em muitos lugares no Brasil nem pode ser chamado mesmo de “inverno”, uma vez que o calor nunca sai de cena, eis que está de volta a sessão de vídeos aqui do blog com uma nova postagem. E o assunto de hoje são as estripulias que os pilotos da F-1 já cometeram em nosso GP caseiro, o Grande Prêmio do Brasil, que já tem praticamente 45 anos de existência, contando a corrida de 1972, extra-campeonato, que na época era um requisito obrigatório para novos circuitos estrearem na competição. Essa prática acabou caindo no esquecimento, e nos tempos mais recentes, bastava aparecer com um caminhão de dinheiro na frente de Bernie Ecclestone que qualquer um garantia seu circuito no calendário da categoria, de forma quase literal. Mas, vamos às cacetadas que os pilotos da categoria máxima do automobilismo andaram dando por aqui, conhecendo os guard-rails de nosso velho autódromo de Interlagos numa intimidade bem maior e não tanto aconchegante.
            O primeiro vídeo, claro, é uma coletânea das maluquices da prova do ano passado, disputada em parte sob chuva. Os pilotos em sua maioria podem odiar, mas o público adora ver os pilotos tendo que domar suas máquinas no molhado, ainda que ultimamente a F-1 ande com uma frescuraidada danada quando São Pedro resolve visitar alguma pista de competição. Confiram então algumas das pauleiras da corrida de 2016, neste vídeo postado no You Tube pelo usuário Aldo Volpi:



            No vídeo seguinte, o ano é 2003, numa corrida que tinha tudo para terminar em festa brasileira, com Rubens Barrichello em grande exibição, até sofrer uma pane seca até hoje muito mal explicada. No final da corrida, uma forte batida de Mark Webber, então na Jaguar, deixou vários detritos na pista, sendo um deles atingido por Fernando Alonso, da Renault, que bateu forte dos dois lados da pista. A situação caótica motivou a bandeira vermelha, encerrando a corrida um pouco mais cedo, e com uma confusão com a direção de prova atribuindo a vitória a Kimi Raikkonem, da McLaren, que comemorou efusivamente no pódio, mas que depois se apurou que o triunfo era de Giancarlo Fisichella, no que foi a última vitória do time de Eddie Jordan na F-1, tendo o italiano recebido o troféu de vencedor na etapa seguinte, em Ímola, das mãos de Raikkonem. Confiram as cenas da pancada, postadas no You Tube pelo usuário Mik01MonghidoroBest:



Quem acha Max Verstappen abusadinho devia ver o que o pai dele aprontava de vez em quando na F-1. Neste vídeo, postado pelo usuário John Cash no You Tube, vemos Jos Verstappen literalmente subindo em cima de Juan Pablo Montoya, aos 2:00 do tempo do vídeo, no GP do Brasil de 2001. Era apenas o terceiro GP de Montoya na F-1, e naquela corrida, ela já tinha dado o seu recado, dando um chega-pra-lá na pista em ninguém menos do que Michael Schumacher. Desnecessário dizer o que o colombiano gostaria de ter feito com o holandês depois disso, se bem que Montoya de vez em quando também dava umas cacetadas com gosto. No mais, o vídeo tem algumas boas cenas on board no carro de Juan Pablo, na época pilotando a Williams, com o potente motor V-10 da BMW despejando sua potência no circuito paulistano, com um ronco que hoje está apenas na memória dos saudosistas. Confiram:



Mas Jos Versappen é lembrado mesmo pelo rolo que causou em 1994 ali mesmo, em Interlagos, com direito a levar mais alguns pilotos junto com ele. Enquanto Michael Schumacher arrepiava a concorrência, pode-se dizer que Verstappen causava seus arrepios também, só que em outro sentido. E depois desta cacetada, neste curto vídeo, alguém aí pode culpar o pessoal por não se sentir seguro? É bem verdade que, neste caso, parte da culpa vai para Eddie Irvinne, que acabou fechando o holandês, que perdeu o controle do carro e acabou dando no que deu, tanto que o irlandês foi considerado o maior culpado e levou um gancho de algumas corridas. O vídeo é do usuário VerstappenNL, postado no You Tube:



E o que dizer da pancada que Ricardo Zonta deu em 1999 com seu BAR? O brasileiro ficou de molho por 3 provas, até poder voltar ao cockpit e às corridas, como resultado das sequelas adquiridas no impacto, onde ele atingiu o guard-rail com grande velocidade. O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário Barney Ward:



Não podemos esquecer o acidente bizarro de Nick Heidfeld, então na Sauber, em 2002, quando o piloto alemão, tentando desviar na saída do “S” do Senna do carro médico que tinha ido acudir o piloto da Arrows, que havia batido, acabou abalroando a porta do carro médico, quase atropelando o seu condutor, numa das cenas mais assustadoras porque o piloto do carro médico esteve prestes a ser atropelado, o que não aconteceu por muito pouco. E Heidfeld também escapou com sorte sem ferimentos deste episódio, pois também poderia ter se machucado muito feio naquele momento. O vídeo, curto, foi postado no You Tube pelo usuário boomchikaz:


E com isso terminamos por hoje a nossa sessão de vídeos. Mas fiquem na moita porque em breve trago mais algumas compilações de situações enroladas com os ases da velocidade aqui no blog. Uma boa diversão a todos, e até a próxima sessão Havoc Series.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

OPERAÇÃO QUADRANGULAR NA F-1



Para manter Fernando Alonso e voltar a ser competitiva, McLaren deve entrar em uma verdadeira operação envolvendo também os japoneses da Honda, os franceses da Renault e a Red Bull e Toro Rosso.

            O Grande Prêmio da Itália foi um fiasco para a McLaren, como já se esperava, e tanto Fernando Alonso quanto Stoffel Vandoorne ficaram pelo meio do caminho, com novas quebras nos carros, e a situação com a Honda praticamente insustentável, com todo mundo apenas contando os minutos para ser oficializada a separação entre a escuderia britânica e a fábrica japonesa, que a despeito dos esforços, não está conseguindo entregar os resultados esperados. E agora, nesta semana, ventilou-se um possível acordo que poderá servir para agradar a ambas as partes, com interesses de terceiros na empreitada proposta.
            Renegada por Mercedes e Ferrari na possibilidade de receber suas unidades de potência para 2018, a última esperança da McLaren é a Renault, de obter um novo motor para o próximo ano. Ocorre que os franceses já estão comprometidos com 3 escuderias, e dizem que não têm condições de fornecer a uma quarta. Com a perspectiva de perderem a McLaren, os japoneses da Honda tentaram acordos com a Sauber, e mais recentemente, com a Toro Rosso, recebendo negativas de ambos os times, situação vexaminosa para a marca. Os suíços preferiram continuar com os propulsores da Ferrari, ampliando sua cooperação com o time italiano, para se tornarem praticamente um time “B” de Maranello. E a Toro Rosso teria tido divergências financeiras a respeito do acordo para o negócio não sair. Só que agora o time de Faenza pode acabar tendo de engolir os propulsores nipônicos contra a vontade.
            Em primeiro lugar, os japoneses não querem sair da F-1. Por mais vexames que estejam enfrentando, desistir da categoria seria uma vergonha ainda maior, repudiados por todos. E a Liberty Media, atual dono da categoria máxima do automobilismo, também vê com maus olhos a saída da Honda, o que deixaria a F-1 novamente com apenas 3 fornecedores de motores. O que fazer para remediar a situação, então? E como a Toro Rosso se encaixa nesta nova equação proposta esta semana?
            Bem, a McLaren precisa de um motor, e o Renault, em que pese estar atrás de Ferrari e Mercedes, é muito superior ao Honda, o que não é difícil, convenhamos. Mas, com um bom carro, mesmo o propulsor francês oferece muito mais alternativas, e a Red Bull é o exemplo, com o time dos energéticos ocupando a terceira posição no mundial de construtores, e com um de seus pilotos, o australiano Daniel Ricciardo, sendo o 4º colocado no campeonato. A McLaren afirma que possui um bom carro, mas lhe falta motor. Portanto, o desejo é pelo menos conseguir os propulsores franceses, para pelo menos voltarem a apresentar um desempenho decente, e voltarem a crescer.
            Curiosamente, para a Red Bull, a Renault já não lhes é suficiente. Assim como o time de Woking, eles querem mais, mas Ferrari e Mercedes igualmente não vão lhes fornecer suas unidades de potência. Portanto, que tal eles ficarem com a Honda? Uma loucura, não? Calma aí, que não é bem assim que as coisas podem parecer...
            Acontece que a Toro Rosso pertence à Red Bull. É o seu time “B” na F-1, usado para seus novos pilotos aprenderem a guiar na categoria máxima do automobilismo, e mostrarem do que são capazes, para no futuro serem efetivados no time principal. Aconteceu com Sebastian Vettel, com Daniel Ricciardo, e mais recentemente, com Max Verstappen. E eles correm com os mesmos motores do time principal, os Renault (que na Red Bull são rebatizados de TAG Heuer). Só que a Toro Rosso nunca consegue ir muito longe no pelotão intermediário, e no atual momento, está em uma disputa renhida com Williams, Hass e Renault no Mundial de Construtores, e parece que não vai muito mais longe que isso. A idéia agora então do time austríaco seria usar seu time “B” para receber os propulsores da Honda, que além do fornecimento das unidades, também entrariam com parte do orçamento de manutenção do time, como ocorre hoje com a McLaren.
            A mudança seria benéfica para os japoneses: eles teriam mais tranquilidade para trabalhar e desenvolver seus propulsores, já que por mais ambiciosas que fossem as metas de Faenza, vencer corridas ou disputar o título nunca iriam acontecer realmente, ou isso seria extremamente difícil. Com um ambiente de um time sem as cobranças de um time tradicional e de história vencedora como a McLaren, imagina-se que a Honda obtenha mais sucesso em evoluir seu equipamento. E a Red Bull ficaria atenta a esse desenvolvimento, para no momento certo, pegar para si os propulsores nipônicos, e estabelecer-se como time de fábrica dos japoneses na categoria, deixando de serem “clientes” da Renault. Pode demorar um pouco, mas o raciocínio é válido, e seria extremamente vantajoso para o time principal dos energéticos.
A Red Bull não está contente com a Renault, e poderia vir a ser o futuro time de fábrica da Honda, mas só depois que os propulsores nipônicos estiverem plenamente desenvolvidos, tarefa para a qual eles usarão o seu time B, a Toro Rosso (abaixo), que na prática serviria como bucha de canhão para os nipônicos poderem desenvolver seu equipamento.
            Para a Red Bull, seria uma boa economia de recursos. Boa parte do orçamento da Toro Rosso hoje é bancado pela companhia de Dietrich Mateschitz, e a Honda assumiria parte destes gastos. Consequentemente, estes recursos que seriam economizados poderiam ser aplicados na equipe principal. E eles poderiam ter o motor Honda tão logo ele se tornasse competitivo o suficiente para levar vantagem sobre as unidades fornecidas pela Renault, e com um status superior ao que já dispõem atualmente na relação equipe-fabricante. A McLaren conseguiria os propulsores franceses, e resolveria boa parte de seus problemas. Claro, com relação ao déficit de performance das unidades francesas para as rivais alemães e italianas, isso seria motivo de reclamação para um momento posterior, mas para quem no momento não consegue nem usar seus propulsores a fundo e já teve quebras em todos os componentes e sendo penalizada a largar do fim do grid, está mais do que bom.
            A McLaren inclusive poderia continuar contando com Fernando Alonso, que ganharia um equipamento bem mais competitivo, e seria garantia de resultados na pista. O espanhol voltaria a trabalhar com a marca pela qual foi bicampeão mundial em 2005 e 2006, e os franceses, em que pesem contarem atualmente com a forte dupla da Red Bull, sabem que o acréscimo do bicampeão seria positivo para a marca, que ainda não é capaz de vencer ou subir ao pódio com seu time próprio, capitaneado por Nico Hulkenberg na pista. E a mudança para a Renault seria essencial para manter Alonso no time, já que o espanhol tem levado a escuderia nas costas nos últimos anos, e mesmo assim, pontuar tem sido tremendamente difícil. Na verdade, Fernando está em um beco sem saída, pois não há espaço para ele nos times mais competitivos. A McLaren precisa dele, e ele não tem também opções melhores. Cogitou-se uma opção na Williams, mas em termos de carros, a McLaren parece possuir um monoposto melhor que o do time de Grove, ignorando, claro, a unidade de potência. O WEC até poderia ser uma opção, mas com a classe LMP1 por um fio, não creio que Fernando se aventure nos LMP2. E a Indy, bem, a Indy em tempo integral não é o que Alonso viu em Indianápolis: é algo muito mais acanhado, e menos glamuroso, e onde teria de abdicar de ganhar o salário que recebe atualmente. Poder continuar na McLaren, agora com um carro pelo menos competitivo, e quem sabe até vencedor, caso a Renault consiga aprimorar de forma substancial seu equipamento para 2018, é o que resta de melhor para Alonso.
            Em tese, todos ganham: a F-1 mantém a Honda; a Red Bull, em que pese as críticas à Renault, se aguenta bem com os franceses, enquanto os japoneses terão um pouco de paz e sossego para ver se conseguem enfim encontrar o rumo do sucesso com suas unidades de potência, que no momento adequado, ganhariam um novo time de ponta para equipar e brilhar enfim na disputa por vitórias e pelo título, como se imagina na teoria os dirigentes da Red Bull; Fernando Alonso se manteria na F-1, e quem sabe a McLaren volta a vencer corridas, e até disputar o título, com Fernando, se não sendo campeão novamente, mas pelo menos voltando a ser protagonista, e não figurante?
            Quem sairia perdendo seria a Toro Rosso, pois até que os japoneses conseguissem desenvolver adequadamente o seu equipamento, o time B dos energéticos teria de viver os dramas que hoje afligem a McLaren: performance duvidosa, sem confiabilidade, e com perspectivas de melhoras incertas no curto prazo. Ou até pior, pois se o chassi concebido em Faenza não for bom, o time pode se afundar ainda mais. Um calvário que seria difícil de seus pilotos aguentarem também, sem perspectivas de almejarem a bons resultados. Claro, pode ser que em 2018 os japoneses apresentem um motor melhor, e a situação não seja tão ruim como vem sendo nesta temporada. O problema é não ter garantias de melhora, como vimos do ano passado para cá, quando todo mundo esperava uma evolução da Honda, e viu-se totalmente o contrário. Mas pior mesmo é ter de ser usado como time de testes em tempo integral, literalmente, por ordem do time principal, com o intuito exclusivo de desenvolver as unidades de potência nipônicas. O alívio é certamente imaginar que também poderão usufruir destas unidades, quando apresentarem-se devidamente competitivas, e não apenas verem-nas serem repassadas ao time principal tão logo fiquem prontas para tanto. Restará a ambos terem paciência para esperarem este momento chegar. A dúvida é quanto tempo isto irá demorar, e se irá acontecer, pelo menos na performance esperada pelo time austríaco, de que os japoneses possam pelo menos superar dos propulsores franceses, e se aproximarem das unidades da Mercedes e da Ferrari.
            Oficialmente, nada ainda foi assinado ou divulgado, mas nos bastidores, comenta-se que o acordo descrito já foi selado e sacramentado, restando apenas ser divulgado no momento oportuno, que poderia vir também com a confirmação da renovação de Fernando Alonso com a McLaren agora com os propulsores Renault para 2018. Uma grande operação quadrangular envolvendo Red Bull, Renault, Honda, e McLaren para tentar agradar a gregos e troianos, com interesses imediatos e mediatos diversos, cada um com o seu objetivo específico. Que rolo para se conseguir ajeitar todos estes fatores... E olhe que ainda nem se pode garantir que tudo corra conforme a teoria dos fatos aqui explicada. Tem muito chão pela frente ainda. Como torcedor, espero que tudo dê certo, e todas as partes envolvidas consigam obter seus objetivos nesta empreitada. Vejamos o que poderá acontecer em 2018, se isso tudo ficar assim...


Hoje começam os treinos para o Grande Prêmio de San Marino, no circuito de Misano, Itália, pelo campeonato da MotoGP, e com uma importante ausência na pista: Valentino Rossi. O “Doutor” caiu quando treinava de enduro perto de sua casa em Tavullia, na Itália, na quinta-feira da semana passada, e se deu mal, fraturando a tíbia e fíbula da perna direita. O piloto foi operado ainda na madrugada de sexta-feira, e teve alta já no sábado. Mesmo assim, os médicos estimaram que Valentino precisará de cerca de 40 dias para se recuperar completamente, o que o deixará de fora das etapas de San Marino, neste final de semana, e certamente de Aragão, daqui a duas semanas. Para este final de semana, o time da Yamaha contará apenas com a presença de Maverick Viñales na pista. O time dos três diapasões optou por não substituir Rossi nesta etapa, e ainda não decidiu o que fará na etapa de Aragão. A princípio Valentino, que está se recuperando em casa, afirma que tentará estar apto para voltar à pista no circuito espanhol, mas sabe que dificilmente estará recuperado até lá. Valentino vai além, e já dá por encerrada a sua luta pelo título da temporada, mesmo que retorne na próxima corrida. O heptacampeão sabe que, mesmo que disputa a corrida seguinte, perdendo apenas a etapa de Misano, ele não conseguirá ter o desempenho ideal, e seus concorrentes deverão abrir ainda mais vantagem para ele na classificação do campeonato. Atualmente, Rossi é o 4º colocado na tabela de pontos, com 157 pontos. O líder é seu compatriota Andrea Dovizioso, da Ducati, com 183 pontos, havendo uma desvantagem de 26 pontos do “Doutor” para o líder, pontuação que já supera o máximo que pode obter em uma corrida. Com apenas 6 provas para fechar o campeonato, e portanto com 2 delas sem perspectiva de reduzir essa diferente, Rossi sabe que suas chances de tentar o oitavo título na classe rainha do motociclismo este ano são extremamente reduzidas. Quando retornar em condições mais ideais, provavelmente em Motegi, no Japão, etapa marcada para o dia 15 de outubro, Rossi terá apenas 4 provas para tentar se recuperar, e dado o equilíbrio que vemos no momento entre os demais ponteiros no campeonato, realmente não haverá muito a fazer. A chance de um novo título fica para 2018, no que pode ser a última temporada do “Doutor”, quando estará com 39 anos, a não ser que renove mais uma vez com a Yamaha. Rossi foi vice-campeão nas últimas temporadas e mostra uma disposição e vitalidade impressionantes na pista, já tendo atingido, na etapa de Silverstone, disputada há duas semanas atrás, a marca de 300 provas disputadas na categoria. Algo a se impressionar, e a se respeitar...


Valentino Rossi não foi o único piloto da MotoGP a sofrer um acidente nestes últimos dias. Carl Crutchlow, da equipe LCR, time satélite da Honda, precisou passar por uma cirurgia para religar um tendão do dedo. O piloto estava em casa tentando cortar um pedaço de queijo parmesão quando a faca escorregou e atingiu o dedo da mão, cortando o tendão. Crutchlow disse que cortar queijo parmesão é algo “muito perigoso”, e que não pretende voltar a tentar cozinhar tão cedo... “Sou terrível na cozinha”, declarou. Melhor ficar mesmo na pilotagem das motos...