quarta-feira, 6 de setembro de 2017

FLYING LAPS – AGOSTO DE 2017



O ano de 2017 avança firme em seu segundo semestre. E o mês de agosto já ficou para trás. Então, vamos à mais uma sessão Flying Laps, com notas sobre alguns dos acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridos neste último mês, sempre com alguns comentários rápidos a respeito de cada assunto. Uma boa leitura a todos, e vamos adiante pelo mês de setembro, sempre em altíssima velocidade, característica mais do que marcante do mundo das corridas...


Andrea Dovizioso resolveu mostrar as garras nas etapas da MotoGP na Áustria e na Inglaterra. Na etapa disputada em Zeltweg, o piloto da Ducati, que largou na segunda colocação do grid, sempre esteve no ataque desde a largada, mostrando que a equipe italiana, que havia feito dobradinha na pista austríaca no ano passado, continuou a mostrar força no circuito da Estíria. Jorge Lorenzo até que iniciou bem a corrida, assumindo a liderança, e dando a entender que iria finalmente desencantar com a marca de Borgo Panigale. Contudo, à medida que a prova se desenvolvia, o tricampeão espanhol começou a perder terreno, e foi sendo superado, primeiro por Márquez, que largou na pole, e tomou a ponta, e depois por Dovizioso, que começava a mostrar muito mais ritmo que o parceiro de time. Logo atrás, a dupla da Yamaha tentava chegar mais à frente, mas o time dos três diapasões, apesar de andar próximo dos líderes, parecia não ter fôlego para atacar e tentar tomar a liderança. Mais atrás, Dani Pedrosa veio recuperando terreno e superou tanto Maverick Viñales quanto Valentino Rossi, colocando-se na terceira posição, enquanto seu companheiro Marc liderava a prova, mas sem poder descansar, com Dovizioso em seus calcanhares. E tanto insistiu que o italiano tomou a liderança de Márquez e assumiu a ponta na prova, mas sem poder também relaxar a guarda, já que o piloto da Honda estava firme no seu retrovisor. Os dois pilotos trocaram de posições em algumas oportunidades, mas nas voltas finais, era Dovizioso quem se mantinha na frente. Na última volta, na última curva, Márquez surpreendeu Andrea e passou a frente, mas perdeu a freada e permitiu a retomada da ponta pelo italiano, que venceu pela terceira vez na temporada, em um final dos mais eletrizantes dos últimos tempos, uma vez que a vitória só se decidiu nos últimos metros da corrida. Lorenzo, mais uma vez, teve que se resignar a ver o parceiro vencer uma corrida, enquanto ele ficava de fora do pódio, em 4º lugar, e fortemente acossado por Johann Zarco, da Tech3, que superou a dupla da equipe oficial da Yamaha, em uma grande corrida, finalizando em 5º lugar. Viñales foi o 5º colocado, e Rossi, o 6º. Uma prova de quão equilibrado foi o ritmo dos primeiros colocados foi o fato de Rossi, o 6º, ter cruzado a linha de chegada a quase 9s de desvantagem do vencedor Dovizioso. Mas a disputa pela liderança ficou mesmo restrita a Márquez e Dovizioso. Dani Pedrosa até tentou entrar na brincadeira, mas não conseguiu manter o ritmo dos dois ponteiros.


A etapa seguinte da MotoGP, disputada em Silverstone, mostrou outro pega bem próximo entre os líderes, tanto que entre os que cruzaram a linha de chegada, a diferença entre o vencedor e o 6º colocado foi de meros 7s, mostrando novamente uma disputa parelha e acirrada entre os pilotos. Marc Márquez mais uma vez marcou a pole-position, mas a exemplo da Áustria, o piloto da Honda acabou sendo superado no arranque da largada, desta vez por Valentino Rossi, que largando em 2º, tratou de ir para a frente e lá foi ficando, enquanto Márquez passava a ser acossado por Maverick Viñales, mas sem deixar o “Doutor” escapar na liderança da competição. Não demorou para Viñales superar o piloto da Honda. Logo atrás, Andrea Dovizioso superava Jorge Lorenzo e iniciava sua caçada às primeiras posições. Primeiro, o italiano superou Carl Crutchlow, da LCR, e sua próxima vítima foi Márquez, que assim ia ficando de fora do pódio da etapa britânica. Mas ainda havia muita corrida pela frente, e mesmo a 4ª posição ainda mantinha o piloto da Honda numa posição bem confortável no campeonato da MotoGP. Até que o motor de sua RC213V quebrou, deixando a ”Formiga Atômica” a ver navios e assistir à sua liderança do campeonato evaporar-se. Dovizioso e Viñales começaram a trocar posições, até que o espanhol da Yamaha acabou superado pelo piloto da Ducati, que foi à caça de Rossi, líder desde a largada da corrida. A três voltas do final, o “Doutor” acabou superado por Andrea, e não conseguiu reagir para retomar a posição, dando adeus às chances de vitória em Silverstone. Mas não seria o único revés para o piloto de Tavulia: Viñales veio na cola, e também superou seu companheiro de equipe, relegando Valentino à 3ª colocação. Dovizioso venceu, com Maverick em 2º. Mais uma vez, um piloto de time satélite fez uma boa prova, no caso, Carl Crutchlow, da LCR, que finalizou em 4º, à frente de Jorge Lorenzo, que largara em 5º e terminou na mesma posição, sem conseguir discutir a liderança uma única vez, apesar de ter andado sempre próximo dos ponteiros. Johann Zarco, da Tech3, foi o 6º colocado, enquanto Dani Pedrosa não teve razões para comemorar o seu 7º lugar. Com o triunfo em Silverstone, Andrea Dovizioso tornou-se o piloto com mais vitórias na temporada atual da classe rainha do motociclismo, com 4 vitórias. Maverick Viñales e Marc Márquez venceram 3 provas cada um, enquanto Valentino Rossi e Dani Pedrosa chegaram na frente uma vez cada. A próxima corrida será no dia 10 de setembro, na pista de Misano, Itália, para o GP de San Marino.


Com o triunfo em Silverstone, Andrea Dovizioso reassumiu a liderança da MotoGP, com 183 pontos, 9 à frente de Marc Márquez, com 174. E Maverick Viñales vem logo atrás, com 170 pontos. Valentino Rossi é o 4º colocado, com 157 pontos, e vai ficando mais distante da briga pelo título da temporada, e vendo Dani Pedrosa começar a ambicionar sua posição na tabela, estando com 148 pontos. O piloto da Ducati tem que começar a ser visto como um forte candidato ao título, e a Ducati, pela primeira vez em muitos anos, pode romper o domínio da dupla Honda-Yamaha na classe rainha do motociclismo, vigente há uma década, desde o título de Casey Stoner em 2007, naquele que foi o único campeonato vencido pela Ducati até hoje. E antes, o último título de um piloto não-Honda e não-Yamaha foi em 2000, com Kenny Roberts Jr., com a Suzuki, marca que está de volta ao mundial, mas que no momento ainda não tem mostrado performance para desafiar o trinômio Honda-Yamaha-Ducati, e até mesmo alguns de seus times satélites. Com seis corridas ainda para encerrar o campeonato, ainda tem muito chão pela frente, mas os ases da Yamaha e da Honda já não podem mais ignorar a presença do piloto italiano da Ducati na briga pela taça de campeão. Não apenas a Ducati tem melhorado bastante, mas Dovizioso tem feito uma temporada aguerrida e impecável até aqui. E podem estar certos de que ele não vai querer deixar a briga pelo título tão cedo assim...


Will Power teve altos e baixos nas últimas etapas de circuitos ovais da temporada 2017 da Indycar. O piloto australiano da equipe Penske teve uma performance impecável em Pocono, onde chegou a despencar para as últimas posições, e retornou à liderança contando com uma excelente estratégia de seu time, e mesmo fortemente acossado por seu colega de equipe Josef Newgarden, venceu a corrida de 500 milhas no trioval de altíssima velocidade de Long Pond, repetindo o feito do ano passado, e entrando firme na luta pelo título da temporada, no que ainda estava um pouco distante dos líderes, seus colegas no time da Penske, e Scott Dixon, da Ganassi. Mas, um dia é da caça, e o outro, do caçador, e Power viu seu bom momento virar pelo avesso na etapa seguinte, em Gateway, onde o australiano arrebatou a pole-position, mas acabou rodando logo no início da prova, com os pneus frios de seu carro não se entendendo com o novo asfalto do circuito de Madison. E Power ainda acabou atingido de forma espetacular por Ed Carpenter, que também rodou e atingiu o carro de Will, subindo em cima dele, literalmente, mas felizmente, sem causar ferimentos em ambos os pilotos, cujos únicos prejuízos foram ficar de fora da corrida. Com o abandono, Power viu suas possibilidades de título minguarem, já que seus rivais na pontuação terminaram muito bem a corrida, abrindo vantagem significativa na pontuação do campeonato.


Tensão na equipe Penske. Josef Newgarden venceu a corrida de Gateway com autoridade, mas não sem arrumar um certo frisson com Simon Pagenaud, um de seus companheiros de equipe na Penske. O piloto americano forçou sua ultrapassagem em cima do francês, na 218ª volta. Os dois carros se tocaram de leve, e Pagenaud quase foi parar no muro com a manobra, mas conseguiu controlar o carro e manter-se firme na prova, tendo como única consequência a perda da 2ª colocação para Scott Dixon. Newgarden venceu, triunfando pela 4ª vez na temporada, e assumindo a posição de grande favorito na luta pelo título da temporada. Mas os ânimos ficaram um pouco exaltados na Penske, pois a manobra foi considerada arrojada em demasia, com a possibilidade de ambos os pilotos irem parar no muro. Pagenaud foi duro nas críticas ao parceiro de time, que para ele não demonstrou respeito pelo companheiro de equipe, e fez uma manobra temerária numa pista oval àquela velocidade, que poderia ter tido consequências bem sérias. Newgarden, por sua vez, disse que não fez nada demais e que não iria se desculpar pelo ocorrido, uma vez que Pagenaud não foi parar no muro, e portanto, tudo estava bem. É legal ver competição acirrada entre companheiros de equipe, algo que as frescuras dos jogos de equipe minaram completamente na F-1, maculando as disputas e empobrecendo os duelos na pista. Mas é preciso haver um pouco de respeito pelos outros pilotos. As altas velocidades nas pistas ovais pressupõem que os pilotos terão os devidos cuidados de evitarem toques nos demais pilotos, uma vez que encostar nos outros carros pode ter consequências variadas, podendo gerar acidentes muito perigosos e até trágicos. Ao demonstrar não ter tido respeito por seu companheiro de time, e ainda achar que foi tudo normal só porque ninguém se acidentou no episódio, Newgarden pode criar um clima de cisão na Penske que Roger detestaria ver contaminar o espírito da equipe, que é sempre de união, mas sem privilegiar nenhum dos pilotos, lhes dando chances iguais de disputa nas pistas. E a última coisa que o velho Penske precisa neste momento é de uma briga interna entre os pilotos do time, que possa resultar na perda do título da temporada. Não que uma derrota para Scott Dixon vá ser o fim do mundo, mas se essa derrota vier de uma luta limpa na pista, tudo bem, faz parte do esporte. Mas, se perderem o título devido a enroscos na pista motivados por manobras irresponsáveis e sem cuidado, aí a situação muda de figura. Newgarden é um fenômeno e um dos melhores pilotos da nova geração da Indycar, e seu arrojo de pilotagem já é conhecido. Mas é preciso também ter um pouco de cuidado e respeito pelos companheiros de equipe, o que não significa não duelar de forma acirrada entre eles nas corridas. Só não pode exagerar... Aguardemos os acontecimentos das etapas finais do campeonato para ver se não haverão novos entreveros...


Enquanto a nova temporada não começa, algumas peças começam a se ajeitar nas equipes da F-E, e o time de Jay Penske, a Dragon, que tem parceria com a Faraday, anunciou a substituição de Loic Duval por Neel Jani para a temporada 2017/2018, que terá início em dezembro, em Hong Kong. Jani, que atualmente é piloto da Porsche no Mundialde Endurance, serão novo companheiro de Jérôme D’Ambrosio, que permanece no time por mais um campeonato.
 



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

MONZA AO RUBRO


O excelente desempenho da Ferrari na temporada, e a liderança de Sebastian Vettel são motivos mais do que óbvios para os torcedores da escuderia italiana tingirem Monza de vermelho neste final de semana.

            A Fórmula 1 voltou de suas férias do verão europeu com uma dose dupla pra ninguém botar defeito, em duas das pistas mais carismáticas do campeonato. Depois de passarmos pelo belo e imponente circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, chegamos agora a um dos templos do automobilismo mundial: Monza. O tradicional circuito italiano respira velocidade, e aqui, mais do que nunca, sente-se a devoção dos tiffosi à escuderia que é uma verdadeira instituição nacional: a Ferrari. E este ano, a fanática torcida rossa tem motivos mais do que justos para comemorar.
            A corrida da Bélgica mostrou uma Ferrari mais forte do que todo mundo esperava. Lewis Hamilton fez a pole e venceu praticamente de ponta a ponta o GP belga, mas o tricampeão da Mercedes nunca esteve tranquilo durante toda a corrida. Desde a largada, até a bandeirada final, Hamilton esteve sempre acossado por Sebastian Vettel, suportando uma pressão ferrenha do adversário, que esteve sempre empurrando seu rival aos limites, tentando induzi-lo a um erro que seria fatal em suas pretensões de vitória. Mas Lewis não errou: aguentou a pressão imposta pelo rival, especialmente na relargada após a bandeira amarela para retirar detritos dos carros da Force India que se tocaram de forma perigosa na descida para a Eau Rouge, quando Vettel chegou a emparelhar seu carro com o inglês na reta Kemmel, por pouco não conseguindo assumir a liderança.
            Mas, para quem imaginava que a Mercedes voaria em Spa, dada a natureza de alta velocidade do circuito belga, sob medida para a grande potência da unidade híbrida da Mercedes e seus praticamente mil HPs, o fato de Vettel não ter deixado Lewis desgarrar a corrida inteira mostra que o modelo SF70H dos italianos está praticamente empatado com o chassi W08 dos alemães, tendo conseguido neutralizar a melhoria de performance alcançada pela Mercedes desde o GP do Canadá, e que parecia que iria sobrepujar o carro de Maranello. E é essa esperança de uma performance à altura que promete encher Monza já a partir de hoje, com seus torcedores ávidos por um duelo ferrenho de seu ídolo, Vettel, contra Hamilton.
            Não é uma esperança fraca: a Ferrari está muito forte este ano, como não se via desde 2010, quando Fernando Alonso perdeu o campeonato para o mesmo Vettel, mais por erro tático do piloto e da escuderia italiana do que pela performance superior do adversário. Vettel chegou a Monza com 7 pontos de vantagem para Hamilton, um piloto da Ferrari na liderança do campeonato, numa disputa a ferro e fogo com vários lances de emoção, que prometem um duelo imprevisível até o final do campeonato, sem termos como saber quem levará o título. A última vez que um piloto Ferrari chegou aqui em Monza na dianteira da competição foi em 2012, com Fernando Alonso ocupando a primeira posição com 179 pontos, ostentando uma vantagem confortável para Hamilton, então o 2º colocado, com 142 pontos, com Kimi Raikkonem logo atrás, com 141 pontos, e Vettel, com 140. Para melhorar, Alonso foi o 3º colocado na prova italiana, mantendo uma boa dianteira sobre Hamilton, vencedor da prova naquele ano.
            As expectativas eram boas de Alonso conquistar o título, até porque havia até então um certo equilíbrio na temporada, mas a partir de Singapura, Vettel e a Red Bull dispararam, e um abandono no Japão fez a dianteira de Alonso na pontuação evaporar, de modo que o espanhol e a Ferrari acabaram batidos pelo alemão e o time dos energéticos. Desde então, a Ferrari e seus pilotos nunca estiveram na ponta por ocasião do Grande Prêmio da Itália, até agora. E praticamente na condição de favoritos iguais aos rivais da Mercedes.
            Monza promete ferver neste final de semana. Os tiffosi estarão torcendo mais do que nunca por Vettel e Raikkonem, especialmente pelo alemão, que poderá devolver o time rosso à condição de campeão, o que foi alcançado pela última vez em 2007, com Raikkonem, que agora está reduzido à condição de segundo piloto no time italiano. O entusiasmo do momento me lembra situação parecida vivida em 1990, quando o GP da Itália também propiciou um duelo ferrenho entre os dois duelistas pelo título naquele ano, o brasileiro Ayrton Senna, competindo pela McLaren, e o francês Alain Prost, defendendo a Ferrari.
            Ninguém duvidava que o modelo 640 de Maranello era mais eficiente do que o chassi MP4/5B de Woking, que não demonstrava a mesma supremacia de seus antecessores. Mas a determinação e o arrojo de Senna eram as armas mais letais da McLaren, e o brasileiro fez valer a força invulgar do V-10 da Honda (que era o melhor motor naqueles tempos) para se impôr e frear as pretensões de Prost e dos italianos de voltarem a ser campeões do mundo. Especialmente aqui em Monza, Senna praticamente calou a torcida ferrarista com uma pole arrasadora, cerca de 0s4 mais veloz que Prost, que parecia destinado a largar na primeira posição. Os dois duelaram ferozmente pela vitória, com o brasileiro a vencer a contenda, cruzando a linha de chegada 6s à frente de Prost, numa batalha onde nenhum dos dois poderia cometer qualquer erro. Foi determinando para a vitória de Ayrton seu maior arrojo e capacidade de superar os retardatários com mais eficência do que o francês, sempre um pouco mais lento neste tipo de manobra que Senna. Mas, justiça seja feita, o público presente neste autódromo aplaudiu entusiasticamente ambos os pilotos no pódio, pela grande demonstração de garra e pilotagem que ambos propiciaram aos fãs da velocidade, torcedores da Ferrari ou não, como pudemos apreciar no domingo passado em Spa-Francorchamps, onde os astros da temporada atual, Hamilton e Vettel, deram o melhor de si na pista, durante toda a prova, na luta pela vitória, numa performance exuberante dos maiores talentos do grid atual da categoria máxima do automobilismo.
            Hamilton é o primeiro a afirmar que, favoritismo teórico à parte, a Mercedes e ele não terão um fim de semana fácil aqui. O que pode ajudar o piloto inglês é o fato de o circuito de Monza possuir muito menos curvas do que Spa, o que em tese deve ajudar o motor Mercedes a demonstrar toda a sua força nas retas da pista italiana, onde as medidas de velocidade passam dos 350 Km/h, e os bólidos da F-1 deverão realmente voar baixo este ano, graças às novas configurações aerodinâmicas dos carros. A unidade de força alemã ainda possui uma leve vantagem de performance sobre a sua contraparte italiana, mas parte desse raciocínio também era esperado para Spa, e o que vimos foi o carro da Ferrari acompanhando sem dificuldades o da Mercedes, em especial no trecho que deveria ser o mais complicado para eles, da Eau Rouge até a freada da Les Combes, o trecho de maior velocidade da pista belga, sempre morro acima, com uma elevação nada desprezível.
            Se o carro da Ferrari conseguiu estar à altura do da Mercedes naquelas condições, aqui em Monza, um circuito muito mais plano, e com menos curvas, a performance que deveria dar vantagem à equipe alemã pode muito bem inexistir, ou ser muito menor do que se esperava. Na “pior” das hipóteses, Hamilton vence essa corrida e assume a liderança do campeonato, empatado com Vettel nos pontos, caso este seja o segundo colocado, mas ganhando no desempate de vitórias (6 a 4). Mas o inglês já está olhando à frente, e sabe que daqui em diante tudo deverá ficar muito mais complicado, em pistas onde a Ferrari deverá vir ainda mais forte, a ponto de Lewis já afirmar que não tem o melhor carro do grid. Exagero ou tentativa de despiste? Talvez um pouco de ambos.
            A próxima corrida, em Singapura, já tem tudo para ser complicada para os alemães, em que pese a vitória de Nico Rosberg na cidade-estado do sudeste asiático no ano passado, mais pelo esforço pessoal do piloto do que pela performance absoluta do carro. E no ano anterior, foi a Ferrari quem venceu por lá. Ou Hamilton vence aqui, e tenta retomar as rédeas da competição, ou vai estar encrencado em Singapura, se os rivais confirmarem estar em melhores condições, a exemplo dos dois últimos anos. Daí em diante, tudo continua imprevisível, nas demais pistas.
            Por isso mesmo, a lembrança que me vem à mente do duelo Senna/Prost de 1990. Ferrari com o melhor carro, mas McLaren com o melhor piloto e o melhor motor. Temos agora a Ferrari novamente com perspectivas de ser realmente o melhor carro, frente a um piloto que, se não é talvez superior a Vettel em talento, é decididamente arrojado, e conta com o melhor motor da competição, em um carro que certamente não pode ser subestimado. Quem vai ganhar o duelo de domingo? Hamilton costuma tirar do carro tudo e mais um pouco quando o assunto é classificação, e na Bélgica, ele igualou o recorde de poles de Michael Schumacher, e seu estilo de pilotagem e arrojo certamente lembram muito Senna. Vettel, por sua vez, é um piloto muito inteligente, e extremamente veloz, mesmo que alguns acreditem que ele não seja tão arrojado quanto Hamilton. Mas, se naquele ano, Senna e Prost, mesmo com seus estilos diferentes de condução, fizeram um duelo memorável em Monza, ainda que não tenham trocado tentativas de ultrapassagens na pista, podemos ver novamente aqui o mesmo duelo da Bélgica, e que tem tudo para levantar a torcida nas arquibancadas do Parque de Monza, onde se localiza este circuito.
            E na expectativa desse duelo, o fervor da torcida e as bandeiras dos tiffosi deverão cobrir as arquibancadas de vermelho já a partir de hoje. Com os contratos de sua dupla de pilotos já renovados para a próxima temporada, a ordem da cúpula ferrarista é conquistar o título, e sem espaço para derrotas. Mais do que uma vitória moral, um triunfo em Monza será um delírio para a torcida, que não vê uma vitória de um carro vermelho aqui desde 2010, com Fernando Alonso, e um golpe arrasador na rival Mercedes na luta pelo título.
            Que possamos assistir novamente a um grande duelo. E que vença o melhor na pista...

A Willams andou forte em Monza em 2014 e 2015, mas a expectativa para este ano não é das melhores, depois do que se viu na Bélgica...

Pista mais veloz do ano, Monza tem tudo para os carros alcançarem as maiores velocidades finais do ano. Mas nem todo mundo fica entusiasmado com isso. A dupla da Red Bull, por exemplo, já antecipa que terá um fim de semana complicado. Para ter vantagem em Singapura, a próxima corrida, o time austríaco já decidiu que trocará o motor do carro de Daniel Ricciardo, o que o fará perder posições no grid nesta corrida, mas lhe permitirá dispor de uma unidade praticamente nova na próxima prova. No ano passado, a dupla da Red Bull até que fez uma corrida razoável, largando em 6º e 7º, e terminando em 5º e 7º, mas a mais de 45s de desvantagem do vencedor, Nico Rosberg. Vejamos como os carros do time dos energéticos se comportarão este ano nesta corrida. Mas eles não serão os únicos que poderão ter problemas. A Williams, que fez uma classificação complicada na Bélgica, caindo logo no Q1, e pontuando com sorte devido a percalços dos adversários, também poderá enfrentar dificuldades aqui. No ano passado, o carro do time de Grove já mostrava uma performance deficiente, mesmo contando com o potente motor da Mercedes, sendo que Valtteri Bottas foi apenas o 6º colocado, a mais de 50s do vencedor, e Felipe Massa terminou em 9º, a 1min05s de distância de Rosberg. E olha que em 2014 e 2015, o time inglês subiu ao pódio, em 3º lugar, nos dois anos com Felipe Massa. E ainda teve Bottas sendo o 4º colocado nas duas oportunidades. Muito difícil esperar que possam repetir esses resultados este ano.


Mas, falta de perspectiva mesmo é da McLaren, que sabe que a unidade de potência da Honda não lhes permite vôos mais altos. O pacote de atualizações apresentado na Bélgica parece não ter tido o desempenho esperado, com um ganho estimado em míseros 0s1. Em Spa, Fernando Alonso abandonou alegando perda de potência, ao que a Honda afirmou que seu propulsor não apresentou qualquer problema aparente, dando a entender que o espanhol simplesmente parou por parar, sem perspectiva de um melhor resultado, por mais que se esforçasse ao volante, o que até conseguiu no início, chegando a andar em 7º, mas passando a cair conforme a corrida progredia, sem ter como se defender dos adversários, que o ultrapassavam sem a menor cerimônia na reta. Os piadistas afirmam que o asturiano não mentiu quando disse que não tinha potência, alegando que o propulsor nipônico nem sabe o que é isso, e portanto, que realmente não tinha potência. Piadas à parte, o clima na McLaren e na Honda não anda nem um pouco tranquilo, com ambas as partes tentando descobrir como irão se virar em 2018, e com poucas perspectivas de uma solução fácil...


A Indycar disputa neste fim de semana sua penúltima corrida na temporada, no circuito misto de Watkins Glen, no Estado de Nova Iorque, a cerca de 400 Km da grande metrópole da Costa Leste dos Estados Unidos. A corrida terá transmissão ao vivo pelo canal pago Bandsports. No ano passado, Scott Dixon venceu essa corrida, e o neozelandês da equipe Ganassi tem expectativas de repetir a dose para reverter sua desvantagem na pontuação para o líder Josef Newgarden, que segue firme rumo ao título do campeonato. Quem também precisa reagir é Hélio Castro Neves, que em 2016 foi o 3º colocado nessa corrida, mas assim como Dixon, só a vitória interessa para manter firmes as chances de título. Correndo um pouco por fora vem os outros dois pilotos da Penske, Simon Pagenaud e Will Power.
O tradicional circuito de Watkins Glen sedia a penúltima etapa da Indycar 2017.