sexta-feira, 5 de maio de 2017

FERRARI X MERCEDES: ROUND 4


Valtteri Bottas estragou a festa que a Ferrari esperava promover em Sochi, e pode vir a ser uma nova preocupação para a Ferrari no campeonato.

            O Grande Prêmio da Rússia conseguiu ser a corrida mais chata da temporada até agora. Praticamente ninguém passou ninguém na pista, e nem mesmo as estratégias de box conseguiram dar um alento à corrida, que fica cada vez mais intragável quando vejo o presidente russo Putin fazer o seu marketing pessoal, ainda mais com Bernie Ecclestone a seu lado. Saber que a corrida russa a ainda deve permanecer vários anos no calendário dá uma indigestão danada, enquanto pistas mais atraentes continuam de fora.
            A única coisa interessante em Sochi foi ver mais um round no duelo que promete agitar a Fórmula 1 na temporada 2017: o confronto Ferrari X Mercedes. Não se pode nem dizer mais que a luta é de Sébastian Vettel contra Lewis Hamilton, porque Valtteri Bottas resolveu entrar na parada, e tem tudo para complicar, a bem ou mal, a luta pelo título da temporada. Se até então vínhamos vendo a Mercedes ser o carro mais rápido na classificação, e a Ferrari o melhor em corrida, eis que as coisas se inverteram na corrida russa. Foi a Ferrari a dar as caras na classificação, dominando a primeira fila do grid como não fazia há praticamente uma década. Tudo apontava para um possível passeio do time vermelho no domingo, pelo retrospecto das provas anteriores, que mostravam que o modelo SF70-H demonstrava um melhor ritmo de corrida do que de classificação. Seria um golpe e tanto na Mercedes, que até então vinha equilibrando a luta, mas perdendo por detalhes para os rivais de Maranello. E levando em conta que na próxima corrida, na Espanha, teremos todos os times com novidades, nada melhor do que partir para a etapa da Catalunha com o melhor saldo possível.
            Mas Valtteri Bottas resolveu melar os planos do time vermelho. Uma largada poderosa e precisa fez o piloto finlandês, que já havia posto as manguinhas de fora no Bahrein ao conquistar sua primeira pole-position, chegar à liderança da corrida ainda na primeira volta, e de lá não saiu mais, conquistando com méritos a sua primeira vitória na F-1. Para a Ferrari, o prejuízo só não foi maior porque Kimi Raikkonem foi o 3º, logo atrás de Vettel, e Hamilton, que é considerado o verdadeiro adversário do alemão, foi um apagado 4º lugar, em que nunca demonstrou ritmo para brigar pela vitória. O resultado está na classificação do campeonato, com Vettel mais líder do que nunca, com 86 pontos, contra 73 de Hamilton. São 13 pontos de vantagem importantes. Bottas, com o triunfo de Sochi, chegou a 63 pontos, ou seja, 23 de desvantagem para Vettel, e por isso mesmo, até o presente momento, não é considerado ameaça. Mas isso pode mudar.
            A performance de Valtteri em Sochi demonstrou que a Mercedes, a princípio um pouco perdida no acerto de seu carro, corrigiu os problemas e melhorou sua performance. O problema é que apenas o finlandês aproveitou-se disso. Lewis Hamilton fez na Rússia sua pior performance desde o GP de Cingapura do ano passado, quando também coube a seu companheiro de equipe, o alemão Nico Rosberg, garantir mais um triunfo à escuderia prateada, em uma corrida que parecia destinada a ser vencida pelos concorrentes, mais preparados. Uma vez na liderança, Bottas sentou o pé direito no acelerador para ganhar uma vantagem segura que impedisse a Ferrari de tentar dar o bote na parada de box, como havia feito na Austrália. Vettel melhorou o seu ritmo depois do pit stop, mas precisou ir à caça do piloto da Mercedes, e quando finalmente encostou a ponto de criar alguma emoção na luta pelo vitória da corrida russa, as características do circuito jogaram contra. Mas seria errado desmerecer o mérito de Bottas na sua condução na segunda metade da corrida: o finlandês manteve um ritmo forte o tempo todo, de modo a garantir que Vettel nunca chegasse perto o suficiente sequer para fazer uso do DRS, e com isso, encostar de vez.
Um arranque fulminante do finlandês e uma ultrapassagem decidida: Bottas assumiu a liderança e comandou a corrida com autoridade.
            De nada adiantou também o chilique de Vettel com Felipe Massa, apontando o dedo para o brasileiro, a quem acusou de atrapalhá-lo na luta com seu ex-companheiro de equipe. O piloto da Ferrari não teria conseguido superar Bottas de qualquer maneira, tivesse ou não perdido tempo atrás do piloto da Williams. E é bom que se diga que Vettel pegou Massa num ponto ruim, menos favorável do que quando Bottas precisou superar o brasileiro, retardatário, nas voltas finais. Faz parte do jogo: é preciso saber se livrar dos retardatários com desenvoltura, e perder o mínimo de tempo na pista. E Felipe esteve longe de bloquear o piloto da Ferrari também. Ali, de certa forma, Vettel acusou o golpe de perder uma corrida que pensava poderia ser sua. Faltou combinar com Bottas.
            A perspectiva do duelo em Barcelona é alta. A Ferrari terminou os testes da pré-temporada com o melhor tempo na pista da Catalunha, mas as escuderias trarão novos pacotes de desenvolvimento de seus carros, e a tendência é que algumas coisas possam mudar. Nada impede que a Ferrari melhore o seu ritmo, e possa passar de fato à frente da Mercedes em todos os parâmetros. Mas, nada também garante que a Mercedes corrija as pequenas deficiências do seu carro, e volte a se impor na pista, seja em classificação ou em corrida. O que se teme é que a prova de Barcelona vire uma procissão tão enfadonha e monótona quanto a de Sochi, de modo que quem largar na frente lá chegará, se nada de anormal acontecer. Se o pior se concretizar, as emoções da corrida poderão se resumir à primeira volta, com quem conseguir chegar na frente depois da primeira curva a garantir a vitória se não cometer erros.
Lewis Hamilton não se achou na Rússia. O azar foi só dele.
            Neste ponto, o treino de classificação volta a ganhar importância fundamental. Mas, ao mesmo tempo, é preciso lembrar o que aconteceu na Rússia, onde a perspectiva de uma vitória ferrarista veio abaixo logo na freada da primeira curva. Foi praticamente a única surpresa da corrida de Sochi, mas foi fundamental para se mudar a expectativa da corrida. Em Barcelona, temos uma boa reta de largada, e o espaço até a freada da primeira curva, se não é tão grande quanto na pista russa, é suficiente para alguém que consiga largar bem dar bote semelhante, e tanto Mercedes quanto Ferrari estarão de sobreaviso para tentar impedir o rival de tentar pulo semelhante.
            Já no que tange à disputa dos pilotos, a Ferrari parece mais cômoda. Kimi Raikkonem fez sua melhor corrida na Rússia, mas mesmo assim esteve longe de ameaçar a posição de Vettel no resultado da corrida. Já na Mercedes, a intenção é manter o jogo livre entre a dupla de pilotos, ainda que a direção da escuderia admita que possa ter de fazer uso de ordens de equipe. Mas dependerá principalmente da performance de Hamilton para ter ou não de apelar para isso. Lewis esteve abaixo do seu normal em Sochi, mas se o inglês se recompor e mostrar do que é capaz, ele é um adversário quase imbatível, e nestas condições, o melhor que Bottas pode fazer é ficar por perto para garantir o melhor resultado possível, de preferência ficando entre Hamilton e o maior rival da Ferrari. Por outro lado, Valtteri terá de mostrar serviço para garantir à Mercedes poder lutar livremente pela vitória, como fez na Rússia, onde conquistou uma vitória que impediu que a Ferrari nocauteasse o time alemão.
A corrida foi a mais enfadonha da temporada até aqui. Ninguém passou ninguém, praticamente.
            Se a Mercedes quiser privilegiar Hamilton, o inglês terá de fazer por merecer. Em Sochi, nem de longe ele mereceria uma ajuda por parte de Bottas, que tinha de cuidar de sua corrida. E se o finlandês continuar subindo de produção, isso deverá ser bom para o campeonato, uma vez que Valtteri deverá entrar efetivamente na luta pelo título. Mas pode ser ruim para a Mercedes, se tiver que dividir forças entre seus pilotos, enquanto para a Ferrari não seria incômodo algum colocar Raikkonem em segundo plano para privilegiar exclusivamente Vettel. Aliás, pelas cobranças que a cúpula ferrarista tem feito, ou Kimi acorda de vez, ou ficará para escanteio em Maranello. Isso pode ser um revés para a Mercedes, mas se o time alemão cumprir com sua parte nos boxes, e seus pilotos fizerem a sua na pista, nada impede que tanto Hamilton quanto Bottas virem pesadelos para Vettel, que ao invés de ter de derrotar apenas um deles, terá os dois pilotos para infernizá-lo, e com boas perspectivas até de deixarem o ferrarista em segundo plano. Difícil? Talvez, mas não impossível. Basta apenas Lewis Hamilton se focar na pista, não perder sua concentração, e Bottas garantir o seu lado na competição.
            Afinal, a Mercedes ainda lidera o campeonato de construtores, com 136 pontos. Uma amostra de sua força, mas que mantenha o pé no chão, pois a Ferrari está bem atrás, com 135 pontos. Suas duplas de pilotos estão bem à frente da concorrência, até mesmo Raikkonem, o mais fraco na competição até aqui. Curiosamente, Vettel manifestou desejo de que a Red Bull volte rapidamente a disputar posições na frente, obviamente com a esperança de que o time dos energéticos bagunce a relação de forças, e complique a situação para os lados da Mercedes. Sébastian precisa tomar cuidado com seus desejos, pois parece se esquecer de que a própria Ferrari também pode se complicar nisso. Ou ele esqueceu do seu chilique em Sochi no ano passado que acabou promovendo Max Verstappen para a Red Bull, e transformou o atrevido holandês em mais uma pedra na sua sapatilha? Se ele quiser se garantir, melhor que a disputa fique apenas entre ele e os pilotos da Mercedes. Para a competição, seria ótimo do ponto de vista esportivo.
            Mas, do jeito que a coisa vai no momento, creio que devemos nos garantir mesmo é com o duelo Mercedes X Ferrari. No ritmo que as coisas estão até o momento, a emoção da disputa está garantida. Claro que seria bom a Red Bull chegar junto para disputar vitórias, mas será que conseguiria disputar o título? Seria realmente muito bom. Sonhar ainda é preciso. Só é preciso tomar cuidado para que os sonhos não virem pesadelos. Sigamos para o próximo round desta disputa...


A MotoGP chegou à Europa para sua primeira corrida no velho continente. Neste domingo temos o Grande Prêmio da Espanha, e o palco é o conhecido circuito de Jerez de La Fronteira, na região da Andaluzia, ao sul da Espanha. O autódromo, que já recebeu provas da F-1 até a segunda metade dos anos 1990, tem a pista com uma extensão de 4,4 Km, com cerca de 5 curvas para a esquerda e oito para a direita, num total de 13. A corrida da classe rainha do motociclismo será disputada em 27 voltas. Valentino Rossi é o maior vencedor desta pista, com nada menos do que 7 vitórias, a última dela justamente no ano passado. O pódio foi completado por Jorge Lorenzo, então companheiro de Rossi na Yamaha, e Marc Márquez em 3º lugar. Aliás, o “Doutor” chega a Jerez como líder do campeonato, com 56 pontos, após o segundo lugar em Austin, na etapa do Circuito das Américas, no Texas, Estados Unidos. Maverick Viñales, seu atual companheiro da equipe da Yamaha, ocupa a vice-liderança, com 50 pontos, resultado de seus triunfos no Qatar e na Argentina. Com a vitória em Austin, Marc Márquez, da Honda, que vinha um pouco em baixa na temporada, assumiu a 3ª posição, com 38 pontos. Andrea Dovizioso é o 4º colocado, com a Ducati, com 30 pontos. Carl Crutchlow, da LCR Honda, vem logo a seguir, com 29 pontos. Dani Pedrosa, da Honda, é o 6º colocado, com 27 pontos. Quem até agora não conseguiu se achar em sua nova equipe é Jorge Lorenzo, que no momento ocupa a 13ª posição na classificação, com apenas 12 pontos, mas está decidido a virar o jogo e pelo menos subir de produção, embora já tenha se dado conta que o desafio de conduzir o time de Borgo Panigale ao topo será um pouco mais complicado do que imaginava. A corrida terá transmissão ao vivo a partir das 9:00 Hrs. no canal pago SporTV3 na manhã deste domingo.
A pista de Jerez de La Fronteira, na Andaluzia, está pronta para mais uma etapa da MotoGP.


Felipe Massa vinha fazendo mais uma corrida sólida em Sochi, ocupando a 6ª posição, e garantindo-se como “melhor do resto” na pista, fora os pilotos das três grandes – leia-se Mercedes, Ferrari e Red Bull. Não ameaçava quem ia à frente, mas também não dava chances a quem vinha atrás. Até que teve um pneu furado na parte final da corrida, e precisou fazer um it stop extra. Voltou na 9ª posição, o que só serviu para salvar 2 pontos. Lance Stroll, por sua vez, voltou a dar o seu showzinho: desta vez, rodou sozinho logo no início da corrida, e conseguiu não ser atingido por ninguém, voltou à prova, e conseguiu terminar sua primeira prova de F-1, ainda que em 11º lugar, mas pelo menos superou as Sauber, o que não é muito difícil; além de um carro da Hass e daToro Rosso, o que já é um bom sinal. Mas o azar sofrido por Felipe, eu teria marcado mais 6 pontos se tivesse conseguido chegar em 6º, cobrou o seu preço: A Force India, que vem conseguindo marcar pontos de maneira firme e sólida em todas as corridas do ano, e com seus dois pilotos, já é a 4ª colocada no Campeonato de Construtores da F-1, com 31 pontos. A Williams, que até o presente momento é um time de um piloto só em termos de resultados, vem no5º lugar, com 18 pontos conseguidos por Felipe Massa. O time de Frank tem um carro melhor, e maior potencial de evolução, mas a Force India tem uma dupla de pilotos mais efetiva, tanto que ambos tem largado mais atrás no grid, e conseguido avançar até a zona de pontos. Lance Stroll, por enquanto, vem sendo o calcanhar de Aquiles da escuderia de Grove.


Stoffel Vandorne não conseguiu largar com a McLaren no Bahrein. Em Sochi, a vítima foi Fernando Alonso. Quem será a vítima da vez em Barcelona? Façam suas apostas!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

FLYING LAPS - ABRIL DE 2017



            E o ano de 2017 segue firme em alta velocidade. Já estamos iniciando o mês de maio, e logo, logo, estaremos na metade do ano. Realmente, o tempo por vezes parece correr na velocidade dos bólidos na pista. E todo início de mês é hora de mais uma edição da sessão Flying Laps, relacionando alguns acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridas neste último mês de abril, com alguns comentários de costume em cada tópico, procurando dar um giro mais rápido pelo que aconteceu no universo mundial das corridas. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima sessão Flying Laps, no próximo mês...


Hélio Castro Neves bem que impressionou na classificação para a segunda etapa do campeonato 2017 da Indycar, ao arrancar a pole-position para a corrida de Long Beach, no tradicional circuito de rua do balneário californiano na Grande Los Angeles. Numa pista de difíceis ultrapassagens, largar na frente sempre é importante, mas infelizmente o brasileiro da Penske não conseguiu capitalizar com a conquista da pole: caiu para trás na largada, ficando em 6º lugar. Mais adiante, Hélio ainda teve de cumprir uma punição por excesso de velocidade no box, fazendo um stop & go, e perdendo completamente as chances de um bom resultado na corrida, que terminou em 9º lugar. Josef Newgarden, em sua segunda corrida pela Penske, subiu ao pódio em 3º lugar, enquanto o atual campeão, Simon Pagenaud, cruzou a linha de chegada em 5º lugar. Helinho só não foi o pior piloto de Roger Penske na pista porque Will Power se estranhou com Charlie Kimball, e ambos foram parar no muro. Se para o piloto da Ganassi a corrida terminou ali, o australiano ainda conseguiu ir até os boxes para reparar o seu carro, e voltar à corrida, onde finalizou em 13º lugar. Nas voltas finais, tivemos um duelo renhido entre James Hinchcliffe, Sébastien Bourdais e Scott Dixon, mas o neozelandês da Ganassi precisou fazer uma parada extra nos boxes, e voltou para terminar em 4º lugar. E Bourdais, em outro resultado surpreendente para a pequena Dale Coyne, subiu novamente ao pódio, em 2ºlugar, mantendo a liderança do campeonato da Indycar.


A corrida de Long Beach foi complicada para alguns pilotos. Tony Kanaan, por exemplo, além de largar em 11º, ainda se envolveu em um toque com o russo Mikhail Aleshin e teve um pneu furado, o que o obrigou a ir aos boxes para uma parada extra, caindo para o pelotão de trás, de onde não conseguiu se recuperar, vindo a terminar em 15º lugar, à frente apenas de Conor Daly, entre os que receberam a bandeirada de chegada. Mas, se o resultado de Kanaan não foi dos melhores, para o time inteiro da Andretti Autosport a prova de Long Beach foi um desastre completo: Marco Andretti sofreu problemas mecânicos em seu carro logo no início da corrida, vindo a abandonar; mais à frente na prova, foi a vez de Alexander Rossi ter problemas em seu carro, dizendo adeus à corrida também; e como desgraça pouca é bobagem, Takuma Sato e Ryan Hunter-Reay ficaram fora de combate por, vejam só, problemas em seus motores Honda, os mesmos que não apresentaram problema algum com os primeiros colocados na corrida, James Hinchcliffe, Sébastien Bourdais, em 1º e 2º; e Scott Dixon, em 4º lugar. Michael Andretti já viveu dias menos conturbados em Long Beach...


Que a Penske é o time a ser batido na Indycar, todo mundo sabe. Não apenas pela qualidade de seus pilotos, mas pela capacidade técnica da escuderia. Mas o início da temporada 2017 estava mostrando um panorama diferente do esperado: apesar do time de Roger Penske ter obtido todas as poles, a vitória acabou com outros pilotos de outros times, inclusive com a nanica Dale Coyne liderando a competição com o surpreendente Sébastien Bourdais. Mas estava na hora de botar ordem na casa, e nada melhor do que a primeira corrida em circuito misto na temporada para mostrar quem é que manda. Na pista do Barber Motorsport, no Alabama, Will Power mais uma vez marcou a pole-position, com direito à Penske ter toda a primeira fila do grid, com Hélio Castro Neves, mais uma vez em excelente forma nas classificações, largar em 2º lugar. Logo atrás, em 3º, Simon Pagenaud completava o domínio do time de Roger Penske, e Josef Newgarden largava apenas em 7º lugar. Mas, ao final das 90 voltas, foi justamente Newgarden a dar a primeira vitória à Penske na atual temporada, depois de um duelo mais do que renhido com Scott Dixon nas voltas finais pela primeira colocação. Simon Pagenaud também fez uma grande corrida, e fechou o pódio com a 3ª colocação. Hélio Castro Neves foi um combativo 4º lugar. Will Power, por sua vez, teve problemas em um pneu, que o obrigou a fazer um pit stop extra, derrubando-o para a segunda metade do pelotão, deixando o australiano apenas na 14ª posição na bandeirada. Tony Kanaan largou em 10º, e terminou em 7º lugar. Sébastien Bourdais largou em 12º, e com a 8ª colocação final, conseguiu se manter ainda na liderança da competição, o que muitos consideram um feito, mas os concorrentes estão chegando perto muito rápido.


A etapa seguinte da Indycar se deu na pista de Phoenix, no Arizona, na primeira etapa em circuito oval da temporada. Hélio Castro Neves pulverizou o recorde da pista para largar pela segunda vez na pole-position na atual temporada, com seu companheiro de time Will Power largando a seu lado na primeira fila. Mas a prova no pequeno circuito oval de uma milha foi das mais monótonas dos últimos tempos, com raras ultrapassagens entre os competidores. O que deu emoção à corrida foram as bandeiras amarelas: logo no início da prova, Mikhail Aleshin rodou e envolveu mais quatro pilotos, tirando vários competidores da corrida. O mais prejudicado foi Sébastien Bourdais, que ali perdeu qualquer chance de se manter na liderança do campeonato, abandonando a prova. Quem também ficou fora de combate foi Marco Andretti, Max Chilton e Graham Rahal. Na segunda metade da corrida, outra bandeira amarela, provocada por Takuma Sato, acabou beneficiando Simon Pagenaud, que parou depois de todos, e conservou uma grande vantagem na relargada. O atual campeão da categoria rumou firme para a vitória. Will Power, depois dos azares enfrentados nas corridas iniciais do campeonato, foi o 2º colocado, com um impressionante J.R. Hildebrand, da Ed Carpenter Racing, a fechar o pódio na 3ª colocação. Hélio Castro Neves, que largou na pole, dominou o início da corrida, mas suas paradas de box foram muito lentas, e o time o fez perder posições na pista em todos os pit stops, o que deixou o brasileiro apenas em 4º lugar. A Penske fez sua primeira dobradinha na temporada, e só não comemorou mais porque Josef Newgarden roçou o bico de seu carro em outro competidor e precisou ir ao box efetuar reparos, o que o deixou em 9º lugar na bandeirada de chegada. Tony Kanaan disputou sua melhor prova no ano, e foi um combativo 6º lugar, logo atrás de seu companheiro de time Scott Dixon. E mais uma prova para esquecer no time de Michael Andretti: seus quatro pilotos ficaram novamente pelo caminho...


A Yamaha fez dobradinha na segunda etapa do campeonato 2017 da MotoGP, em Termas de Rio Hondo, na Argentina, com mais uma vitória de Maverick Viñales, faturando seu segundo triunfo em sua segunda corrida pela equipe dos três diapasões, e com isso disparando na liderança da competição. Valentino Rossi bem que tentou estragar os planos de seu companheiro de equipe, mas não foi capaz de desalojar Maverick do primeiro lugar na etapa argentina. Marc Márquez largou na pole-position, e parecia determinado a vencer a corrida, mas acabou caindo sozinho quando liderava a prova. Com o piloto da Honda fora de combate, as Yamaha deitaram e rolaram, apesar de Rossi ter tido que se defender de um impressionante Carl Crutchlow, da LCR Honda, que o infernizou na disputa pelo pódio, mas tendo que se contentar com a 3ª posição final. Dani Pedrosa também ficou pelo meio do caminho, ajudando a Honda a ter um dia bem ruim na Argentina. Quem também não teve o que comemorar em Termas de Rio Hondo foi a Ducati, com o abandono de sua dupla de pilotos, Andrea Dovizioso e Jorge Lorenzo.


Depois do revés na Argentina, Marc Márquez chegou a Austin determinado a manter sua hegemonia no Circuito das Américas, na etapa seguinte do campeonato da MotoGP. E o atual tricampeão mostrou a que veio nos treinos, arrancando a pole-position e deixando a dupla da Yamaha e o colega de equipe Dani Pedrosa comendo poeira. Mas, na corrida, quem se deu melhor inicialmente foi Pedrosa, que arrancou de sua 4ª colocação para assumir a liderança logo na primeira curva, surpreendendo a todos. E mantendo um ritmo forte, Pedrosa obrigou Márquez a ir com tudo na disputa de posição pela liderança da corrida, que durou praticamente metade da prova, até que Marc finalmente conseguiu reassumir a liderança, mas sem conseguir tirar Dani de seus calcanhares. Mas o atual campeão da classe rainha conseguiu se distanciar, e Pedrosa começou a ter problemas com Valentino Rossi, que se aproximava rapidamente. Não deu outra: o “Doutor” superou o espanhol a três voltas do final da corrida, abrindo distância e tentando ir para cima de Márquez, que não deu qualquer chance de aproximação ao italiano da Yamaha. E Márquez manteve sua invencibilidade em Austin, conquistando sua primeira vitória na temporada, e iniciando sua reação na luta pelo título. Com a segunda colocação, Valentino Rossi assumiu a liderança da competição. Dani Pedrosa foi o 3º colocado, fechando o pódio. E Maverick Viñales sofreu seu primeiro azar na temporada, ao cair da moto sozinho na primeira parte da corrida, e vendo seu companheiro de equipe assumir a dianteira na classificação. Carl Crutchlow, da LCR Honda, fez outra boa corrida, terminando em 4º lugar. E a KTM continua penando para melhorar tanto na classificação quanto na corrida: em Austin, só conseguiu ser melhor do que a Aprillia, o que não serve muito de consolo...


Mais um ponto negativo no mundo do automobilismo ocorreu neste mês de abril. No dia 22, um dos kartistas que disputavam uma etapa do Campeonato Asturiano de Kart, no kartódromo de propriedade de Fernando Alonso, em La Mogral, sofreu um forte acidente durante os treinos livres. Levado para o hospital, Gonzalo Basurto, de 10 anos de idade, infelizmente não resistiu aos ferimentos e faleceu. Fernando Alonso, que estava nos Estados Unidos, acompanhando a etapa da Indycar no Alabama, ficou arrasado pela notícia da morte do jovem piloto.


No último dia 16 de abril, outro acidente violento vitimizou o piloto Billy Monger, de 17 anos, durante uma etapa da F-4 Inglesa, disputada no circuito de Donnington Park. O piloto, sem visão acertou o carro parado de outro competidor na pista, e o procedimento de retirada do competidor das ferragens do carro foi bem demorado. Submetido a cirurgia, Monger precisou ter as duas pernas amputadas, em decorrência das sérias lesões sofridas. A família iniciou uma campanha de doações para custear o seu tratamento de recuperação, e já tinha conseguido arrecadar mais de R$ 2 milhões até o fechamento deste texto, com doações inclusive de vários pilotos da F-1, como Max Verstappen, e Jenson Button, entre outros. Que o piloto consiga se recuperar bem, e sua família já avisou que ele pretende continuar no automobilismo, mesmo com a perda de suas pernas. Boa sorte, e que tudo corra bem para ele.