quarta-feira, 27 de abril de 2016

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - ABRIL DE 2016



            O mês de abril já está indo embora, com uma velocidade que parece imitar as dos carros das diversas categorias do mundo do esporte a motor, cujos campeonatos seguem firmes em todos os lugares, com disputas mais ou menos acirradas, além de alguns vários outros acontecimentos que se dão fora da pista. Portanto, é hora de mais uma edição da Cotação Automobilística, fazendo a tradicional avaliação do panorama do mundo da velocidade neste mês de abril que está nos deixando, no velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Portanto, uma boa leitura para todos...



EM ALTA:

Simon Pagenaud: O piloto francês da equipe Penske venceu as duas últimas corridas do campeonato 2016 da IRL e parece finalmente ter se encontrado no time de Roger após uma performance apenas mediana em 2015. Com 2 triunfos e uma pole-position, ele já abriu 48 pontos de vantagem para o segundo colocado, Scott Dixon, e pelo sistema de pontuação da categoria, não perderá a liderança mesmo que abandone a próxima corrida, no traçado misto de Indianápolis. Simon tem demonstrado muita garra, e lutou bravamente pela vitória em Barber, onde foi superado por Graham Rahal na parte final da corrida e foi atrás, conseguindo recuperar a liderança e conquistando uma vitória categórica.

Lucas Di Grassi: O piloto da equipe Audi ABT conquistou sua segunda vitória consecutiva no campeonato da F-E na etapa de Paris. Em um circuito estreito de difíceis ultrapassagens, o piloto brasileiro garantiu um lugar na primeira fila, e logo na largada conseguiu pular na frente para seguir firme rumo à vitória, repetindo o feito de Long Beach, onde retomou a liderança da competição depois da desclassificação na prova da Cidade do México. Junto com alguma trapalhadas e confusões de Sébastien Buemi, Lucas não só reassumiu a liderança na classificação como agora tem 11 pontos de vantagem para o piloto da e.dams, que continua tendo o melhor carro da competição, mas que não tem conseguido aproveitar essa vantagem como deveria. Faltam 4 etapas para o encerramento do campeonato dos carros elétricos, e Di Grassi passa a ser o favorito destacado para o título da temporada.

Porsche no Mundial de Endurance: As interpéries bagunçaram a relação de forças das escuderias da classe LMP1 na prova inaugural do Mundial de Endurance deste ano em Silverstone, oferecendo à Audi a chance de fazer a pole-position e de vencer a corrida. Mas quem acabou levando foi a atual campeã da competição, a Porsche, uma vez que o carro da equipe das quatro argolas acabou desclassificado por uma irregularidade técnica. Mas é bom que ninguém se iluda: o modelo 919 ainda é o carro mais competitivo da classe LMP1, e a Toyota, só para ilustrar, ficou a uma volta atrás do trio vencedor da equipe alemã, e só não fez dobradinha porque o outro carro quebrou muito cedo na corrida. Audi e Toyota precisarão dar duro para impedir que a Porsche conquiste um novo título nesta temporada do WEC, e tudo indica que os alemães não vão dar mole na competição.

Valentino Rossi: O piloto da Yamaha conquistou uma vitória categórica em Jerez de La Fronteira, na Espanha, largando na pole e vencendo de ponta a ponta, deixando seus rivais nitidamente incomodados com o sucesso. Não há como negar que o piloto italiano é o grande ídolo da categoria, e a equipe dos três diapasões já garantiu os serviços do "Doutor" por pelo menos mais duas temporadas, e a prova de que o sucesso de Rossi já incomoda demais é o fato de Jorge Lorenzo, o atual campeão e seu companheiro de equipe, anunciar que irá para a Ducati na próxima temporada, onde deverá ter o status de primeiro piloto do time italiano, condição que a Yamaha não poderia lhe oferecer por contar com dois pilotos campeões. Mas Rossi ainda terá muito trabalho para tentar conquistar o título da temporada, pois conta com praticamente 24 pontos de desvantagem para o líder Marc Márquez, e está também 7 pontos atrás de Lorenzo na classificação. Mas alguém acha que o "Doutor" vai ficar parado vendo seus rivais ficarem à sua frente no campeonato?

Nico Rosberg: O piloto alemão está tendo o início de campeonato que sempre desejou: venceu as três corridas disputadas até aqui e viu seu principal rival e companheiro de equipe Lewis Hamilton ter problemas em todas as corridas, e agora livrou a maior vantagem sobre o inglês desde que a Mercedes se tornou a força dominante da F-1 em 2014: 36 pontos. Mas é cedo para comemorar: o campeonato ainda tem 18 corridas até o final, e muita água ainda vai rolar por baixo da ponte. Da mesma forma, Rosberg precisa garantir que poderá vencer Hamilton se o inglês não enfrentar nenhum problema em corrida, e se conseguir se manter à frente na classificação, terá boas chances de enfim conquistar o seu tão sonhado título. Mas o piloto alemão precisa tomar cuidado para não sofrer um revés no campeonato: permitir uma reviravolta com a grande vantagem que acumulou até aqui seria catastrófico, e comprometer sua imagem de piloto de ponta, que já sofreu alguns estragos nas últimas duas temporadas, quando foi superado por Hamilton no time prateado, especialmente no ano passado, quando não conseguiu se impôr ao companheiro de equipe na luta pelo título.



NA MESMA:

Marc Márquez: A "Formiga Atômica" mostra que, mesmo com um equipamento ainda um pouco instável, não se pode descuidar do bicampeão espanhol, que anda apanhando um pouco com a adaptação da Honda à eletrônica padrão adotada pela MotoGP a partir desta temporada. Márquez venceu metade das corridas do ano até agora, e lidera o campeonato com alguma folga sobre a dupla da rival Yamaha, com 17 pontos para o atual campeão, Jorge Lorenzo. E ele faz questão de frisar que vai lutar sempre até o limite do seu equipamento. Basta ver a diferença de pontos para seu companheiro Dani Pedrosa, que até o presente momento marcou menos da metade dos pontos de seu colega bicampeão no time oficial da Honda.

Sébastien Buemi: O piloto da equipe e.dams chegou novamente atrás do brasileiro Lucas Di Grassi em mais uma corrida, mas pelo menos desta vez não fez estripulias pelo meio do caminho, como em Long Beach. O piloto suíço da equipe oficial da Renault na F-E ainda dispõe de um carro extremamente competitivo, mas precisa começar a fazer uso de todo o potencial de seu equipamento, se quiser reverter o favoritismo do piloto brasileiro da Audi ABT. Os 11 pontos de desvantagem são um problema, mas nada impossível de se resolver. E Buemi ainda tem chance de inverter as chances nas etapas restantes da competição. É preciso ficar de olho nele.

Lewis Hamilton: Mais uma corrida, e mais problemas surgindo no caminho do tricampeão de F-1. Na China, o inglês já ia ter um começo atribulado pela troca do câmbio, mas tudo ficou ainda mais complicado com o problema em sua unidade de potência, o que o fez largar do fim do pelotão. Como desgraça pouca é bobagem, Hamilton ainda se viu enroscado em um toque na primeira volta, e a partir daí, teve de lutar para se recuperar com ainda mais dificuldades do que o esperado. Acabou empacando atrás de Felipe Massa no final da corrida, e ainda viu Nico Rosberg vencer mais uma vez e disparar na classificação. O inglês afirma que está tranquilo com a situação, não demonstrando desespero em tentar inverter a situação o mais rápido possível. É bom ele manter a cabeça fresca, pois isso ajuda a encarar melhor o desafio de correr atrás do prejuízo. Vejamos até onde ele mantém essa postura.

Kits aerodinâmicos na Indy Racing League: Desde que a categoria de monopostos americana adotou os kits aerodinâmicos como forma de promover um desenvolvimento diferenciado dos carros e chamar a atenção do público, tornou-se notório que a Chevrolet desenvolvera um equipamento mais competitivo do que a Honda. Por isso, apesar da medida polêmica adotada pela direção da Indycar no ano passado, ao permitir que os japoneses melhorassem seu kit em áreas que normalmente não seriam permitidas pelo regulamento para esse ano, visando equalizar o rendimento do dois equipamentos, tudo indica que a direção da categoria queimou parte de sua credibilidade por nada. Os kits produzidos pela Chevrolet, estritamente sem nenhum "favorecimento", como eles gostam de referir à legalidade das peças que produzem, continuam tendo um desempenho superior aos kits da Honda, a ponto de o principal time equipado com eles, a Andretti, já admitir, por meio do próprio Michael Andretti, que as condições de competitividade com os carros da Chevrolet só irão piorar, ainda mais nas provas dos superovais, temendo levar um baile nas 500 Milhas de Indianápolis. E a Chevrolet vem deitando e rolando desde que o campeonato começou...

Votação das novas regras da F-1 para 2017: Deveria haver uma reunião esta semana na Inglaterra para ratificar a adoção de novas regras para a categoria máxima do automobilismo a partir da próxima temporada, mas não houve quórum suficiente, e a decisão acabou adiada. Já há quem defenda que, diante das boas corridas apresentadas neste ano, e a evolução contínua das unidades de potência, não deverão ser efetivadas as mudanças que previam motores muito mais fortes e carros mais largos. Aliás, começa a ganhar força a idéia de que manter o regulamento estável será muito mais benéfico do que promover uma nova revolução técnica do qual ninguém sabe o que poderá resultar, o que seria talvez mais prejudicial ainda à F-1, se as regras se mostrarem erradas. Parece que ainda não é desta vez que todo mundo irá concordar nas mudanças que precisam ser feitas na categoria máxima do automobilismo, ou mesmo se algumas coisas precisam de fato serem alteradas...



EM BAIXA:

Novo treino de classificação da F-1: Bastaram duas corridas para todo mundo perceber o que era mais do que óbvio: o sistema de eliminação nos Qs foi uma tremenda furada, e se já foi ruim na Austrália, ficou ainda pior no Bahrein. Tanto que na China, a categoria já voltou a seu sistema antigo, usado até o ano passado. Mas o "perigo" de se inventar no treino de classificação ainda não passou. A Williams, por exemplo, agora deu de defender a inversão do grid, como forma de "salvar" a emoção da F-1. Que a categoria precisa fazer mudanças, todo mundo concorda... Mas será que não podiam parar de ter idéias esdrúxulas a respeito do que fazer...?

Felipe Nasr: O piloto brasileiro da equipe Sauber vem tendo provas pífias na temporada deste ano, e para piorar, vem sendo superado pelo sueco Marcus Ericsson, que já andou dando umas cutucadas no parceiro de equipe a respeito de suas reclamações sobre o chassi que anda usando. Nasr solicitou a troca do seu chassi afirmando que o que ele vinha usando tinha algum "problema". Com um chassi novo, Felipe terá de se aplicar para provar que o problema estava no carro, mas se perder a parada, seu prestígio de bom piloto angariado na temporada do ano passado pode ser corroída mais rápido do que já vem sendo com as poucas perspectivas do carro deste ano. É uma aposta que ele não pode se dar ao luxo de perder.

Equipe Renault: O retorno da Renault como time oficial na F-1 vai ser mais complicado do que todos imaginavam. O time francês não conseguiu uma performance decente até agora na temporada, e se não tomar cuidado, vai disputar com a Sauber as últimas colocações no campeonato de construtores e na pista. Tudo bem que a fábrica francesa está mirando mesmo é em 2017, mas começar tão mal a temporada também não era exatamente o plano da marca, que está vendo os melhores resultados na pista virem justamente do time que queria se livrar deles a todo custo no ano passado, a Red Bull. Vai ser um ano de muito mais trabalho do que todos imaginavam em Enstone. Pastor Maldonado, que perdeu a vaga para Kevin Magnussem antes da pré-temporada, talvez não tenha tido tanto azar em ficar de fora da F-1 nesta temporada...

Um time a menos na F-E: Enquanto espera pela chegada da Jaguar, que estreará na categoria na próxima temporada, que começa no fim do ano, a categoria dos carros elétricos está em vias de perder mais um time, ou quase isso. Aguri Suzuki, proprietário do time Aguri, anunciou que pretende vender o time nestes últimos dias. Ao que parece, o ex-piloto japonês tem novos planos para o futuro, que não incluem a escuderia com a qual compete na F-E. Resta esperar que ele arrume um comprador que se disponha a permanecer na competição. Jarno Trulli, que também tinha um time na categoria, teve de fechar a equipe depois dos maus resutados da primeira temporada e das dificuldades para alinhar na temporada deste ano, desistindo da empreitada após tentativas frustradas nas duas primeiras corridas.

Nelsinho Piquet na F-E: A fase não anda mesmo boa para o primeiro campeão da categoria de carros elétricos monopostos. A etapa de Paris foi mais uma corrida em que o brasileiro até começou bem, e com a esperança de pelo menos voltar a marcar pontos, mas tudo acabou perdido por um defeito no primeiro carro usado na corrida, que começou a perder potência quando ainda faltavam várias voltas para o pit stop de troca de carro. Mesmo com o segundo carro, o desempenho não melhorou, e culminou com o abandono na etapa francesa. Em Long Beach, Nelsinho tentava pelo menos fazer a volta mais rápida para ganhar alguns pontos, já que novamente não alcançaria a zona de pontuação, quando acabou batendo no muro. O jeito é esperar pela próxima temporada, porque a atual já é um caso de perda total.

 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A CHANCE DE ROSBERG



Nico Rosberg: 3 vitórias, e 36 pontos de vantagem para Lewis Hamilton na pontuação do campeonato. E ele precisa querer mais se quiser ser campeão...
            Depois de duas temporadas de domínio da Mercedes na nova era turbo da F-1, e de dois títulos de Lewis Hamilton, muitos se perguntavam se Nico Rosberg, a exemplo de Rubens Barrichello nos seus tempos de Ferrari, não seria o piloto certo na equipe certa no momento errado. Afinal, todos são unânimes em afirmar que Hamilton é muito mais piloto do que Rosberg, e a lavada que levou do inglês em 2015 seria a prova mais do que cabal de que o alemão só teria chances de conquistar o título pela escuderia prateada se o Lewis começasse a entrar em parafuso. Bem, e não é que isso está acontecendo nesta temporada?
            Não se trata de desprezar ou diminuir o trabalho e a performance de Nico, que venceu até agora todas as 3 corridas na temporada, e até o presente momento, é o candidato disparado ao título, com nada menos do que 36 pontos de vantagem justamente para seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, que não sabe o que é vencer desde o Grande Prêmio dos Estados Unidos do ano passado, justamente quando faturou o tricampeonato. Rosberg vem aproveitando as chances que tem aparecido na atual temporada, e vem conseguindo escapar principalmente dos azares que tem afligido principalmente seu parceiro Hamilton, que não teve até agora uma única corrida sem problemas no atual campeonato. Problemas nas largadas em todas as provas tem comprometido as chances potenciais do inglês, e na China, Lewis ainda teve o agravante de largar na última fila, vítima de um problema de motor que o impediu de classificar-se para o grid.
            Não que Rosberg não tenha tido seus percalços também, mas até o momento, conseguiu contorná-los muito bem, e mais importante, escapou das encrencas que vem surgindo logo no início das corridas. Na China, apesar de ter perdido a liderança para Daniel Ricciardo, conseguiu recuperá-la sem sofrer consequências do estouro de pneu da Red Bull do australiano, que ocorreu no momento em que ele perdia a liderança para o piloto da Mercedes. O pneu do australiano muito provavelmente pegou algum detrito dos toques da primeira volta, onde alguns pilotos enroscaram-se uns nos outros, largando pedaços de seus carros na pista. Nico conseguiu escapar de tudo isso e, uma vez na frente, foi aumentando gradativamente sua vantagem, para vencer com autoridade a corrida chinesa, com quase 40s de vantagem para Sebastian Vettel. E ainda viu Hamilton terminar num apagado 7° lugar, ficando ainda mais para trás na pontuação. Nico não poderia querer mais.
            Desde 2014, esta é a maior vantagem que Rosberg já conseguiu impôr a Hamilton na pista, o que significa que o alemão só perde a liderança se praticamente abandonar as próximas duas corridas e Lewis vença ambas. Mas se Rosberg quiser ser campeão, ele precisa continuar na ofensiva, e não permitir que o atual campeão reverta as expectativas, o que não é algo impossível. Se Hamilton encaixar uma corrida sem nenhum azar, muitos apostam que ele terminará à frente de Nico. Algo que deve deixar o alemão preocupado é o fato de que o inglês até o momento estar mantendo uma postura bem calma, quando em outras épocas ele já estaria com o humor meio abalado por ver o companheiro disparar na pontuação. Se Hamilton está fingindo muito bem, não sei, mas se estiver mesmo tranquilo, ciente de que chegará a chance de virar o jogo, Rosberg pode ter razão de se preocupar e precisar ampliar o mais que puder sua vantagem. Se ele acabar tendo problemas em alguma corrida, seu atual favoritismo pode ser colocado em xeque, embora muitos apontem que ainda é cedo para afirmar isso.
            Com apenas 3 corridas de um total de 21 provas na temporada, não é nada impossível poder haver uma reviravolta na situação. Mas a cada corrida que Nico chegar na frente, a tarefa de Hamilton será mais complicada. No atual momento, com 36 pontos de vantagem, Lewis precisaria vencer as próximas 5 corridas, que mesmo que Rosberg chegue em segundo, o inglês ainda estaria um ponto atrás na classificação. E isso já nos levaria a 8 provas no ano. Hamilton pode muito bem retomar seu rumo e vencer estas corridas, assim como Nico pode facilmente também fazer a dobradinha e ser o 2° colocado. Mas o piloto alemão não vai querer dar essa chance ao parceiro inglês. Ele não pode, se quiser de fato ser campeão. Como Hamilton também não permitiria, como fez no ano passado, disparando também na pontuação.
            Mas a dupla de pilotos precisa ficar atenta. Hamilton se complicou na prova da Austrália por uma largada falha, enquanto no Bahrein e na China, acabou tocado por outros pilotos, que comprometeram sua corrida em maior ou menor grau. Nada impede que isso volte a acontecer, ainda mais pelo fato do novo sistema de embreagem da Mercedes não ter se mostrado tão eficiente como antigamente, quando era tudo mais automatizado. Hoje, com o piloto tendo de acionar o sistema de forma mais independente, os concorrentes têm largado melhor, e novas falhas no arranque da largada podem influir decisivamente no panorama da corrida. Rosberg até agora teve menos prejuízo com isso, mas tem de se policiar para evitar surpresas que possam colocar sua prova em risco. E a melhor maneira de continuar a mostrar força é largar na pole, superando o companheiro de equipe, o que Rosberg já conseguiu na China, embora isso possa ser relativizado devido ao problema mecânico sofrido por Hamilton, que incluiu também a troca do câmbio.
            A Mercedes ainda tem o carro mais competitivo do grid, mas a nova regra de pneus tem mostrado nestas corridas iniciais que podem influir bastante na performance de corrida. Uma estratégia de pneus equivocada, ou menos correta, pode significar uma vitória, ou uma derrota. Na China, a Ferrari poderia ter complicado os planos de Rosberg se não houvesse tido o problema entre Vettel e Raikkonem. O seu ritmo era muito forte, e uma prova disso é que mesmo caindo para último, Vettel ainda foi segundo, tendo de fazer a parada extra para trocar o bico avariado. Raikkonem não teve tanta sorte, mas também andou forte, para finalizar em 5° lugar, mostrando também que poderia ter ido ao pódio se não tivesse tido problemas. E quem também surpreendeu em Shanghai foi a Red Bull, que mostrou um desempenho fortíssimo, se levarmos em consideração que a unidade de potência da Renault ainda perde muito para as rivais Mercedes e Ferrari, confirmando a excelência do chassi RB12, que certamente dará muitos problemas em pistas mais travadas, como Mônaco ou Hungria, embora não se possa descartar novas surpresas em outros circuitos. E com uma atualização da unidade de potência marcada para estrear no Canadá, o time alemão pode vir a ter de encarar uma concorrência mais acirrada na pista.
            Por esse motivo, se as disputas ficarem mais complicadas na pista, Nico Rosberg precisa manter firme sua vantagem sobre Hamilton. Dependendo da situação, se a Mercedes sentir que precisará priorizar um de seus pilotos para garantir a conquista do título, se Rosberg estiver muito à frente de Lewis, será a escolha óbvia do time. Em outras palavras, ou Hamilton reage de pronto, ou pode ver suas chances de tetracampeonato irem pelos ares. Depende apenas dele evitar que isso aconteça. Assim como Nico depende apenas de si próprio para garantir que suas boas chances de título neste início da competição não esmoreçam ao longo da temporada.
            As provas iniciais, em que pese a Mercedes ter conseguido monopolizar as vitórias, tem sido bem disputadas em vários setores do grid, em especial graças à estabilidade do regulamento técnico, e à nova regra dos pneus, que aumentou as possibilidades de estratégias distintas a serem adotadas pelos competidores, com mais chances de resultados inesperados. Uma hora isso pode atingir e/ou comprometer a supremacia da Mercedes, e embolar a disputa do campeonato. Nesse momento, Rosberg precisará estar atento para não ser surpreendido, e saber adotar a melhor estratégia em corrida para continuar vencendo. E quanto mais vezes chegar à frente de Hamilton, melhor. Cada prova perdida para o alemão será uma chance a menos de Hamilton recuperar o terreno perdido.
            A missão de Nico Rosberg é mais do que clara. E a chance que tanto quis, de disparar na frente aproveitando os azares do parceiro, surgiu. E ele está aproveitando muito bem até agora. Precisará continuar dando as cartas quando o azar de Lewis terminar. Ele tem condições de fazer isso, e não pode permitir uma reviravolta na situação. Se mesmo assim, com a vantagem que tem atualmente, acabar permitindo que Hamilton inverta as posições, Rosberg não irá perder apenas mais um título, mas o próprio respeito que ainda desfruta dentro da F-1. Abrir uma vantagem tão grande, e acabar não conseguindo mantê-la poderá ser tremendamente desagradável para seu currículo de piloto de ponta na categoria. E talvez possa acabar em definitivo com suas chances de um dia ser campeão na F-1...


Nos últimos dias se especulou a respeito de uma possível compra da Sauber pela Ferrari, para transformar o time suíço no retorno da Alfa Romeu à F-1. Mas Sergio Marchionne, presidente do Grupo Ferrari, em declaração à Autosport, disse que esta opção não está nos planos do grupo para promover o retorno da marca à F-1, onde esteve pela última vez em 1985, com equipe própria. Pode dizer muito, mas também pode não dizer nada, como certos acontecimentos que já vimos na história da F-1. O jeito é aguardar por maiores detalhes a respeito...





A IRL inicia hoje os treinos oficiais para a próxima etapa do campeonato 2016. É a prova do Alabama, no circuito de Barber Motorsport Park, próximo a Birmingham, no Estado do Alabama. A pista tem uma extensão de 3,83 Km, e é extremamente travada, tendo apenas um ponto ideal de ultrapassagem, na reta dos boxes. A corrida será disputada em 90 voltas, e terá transmissão ao vivo do canal pago Bandsports neste domingo, a partir das 16:30 Hrs. na pista, o francês Simon Pagenaud, da Penske, defende a liderança da competição, com 134 pontos, seguido do atual campeão, Scott Dixon, da Ganassi, com 120 pontos. Juan Pablo Montoya vem em 3° lugar, com 106 pontos. Hélio Casro Neves é o 4° colocado, com 92 pontos. Tony Kanaan ocupa a 5ª posição, com 82 pontos. Hélio vai em busca da 3ª pole-position consecutiva, tendo largado na frente nas provas de Phoenix e Long Beach, mas o brasileiro precisa conseguir manter a posição e chegar na frente, o que não conseguiu nas duas corridas.

Hélio Castro Neves marcou a pole nas últimas duas provas da Indy, e vai em busca de mais uma pole no Alabama.

A MotoGP prepara-se para sua primeira corrida na Europa na temporada 2016. O palco é o circuito de Jerez de La Fronteira, na Andaluzia, e que sedia neste fim de semana o Grande Prêmio da Espanha. Com uma extensão de 4,4 Km, a pista de Jerez tem 13 curvas, e a prova será disputada em 27 voltas neste domingo, com transmissão ao vivo pelo canal pago SporTV a partir das 9:00 Hrs. Marc Márquez lidera o campeonato com duas vitórias nas últimas duas corridas, com 66 pontos, seguido do atual campeão Jorge Lorenzo, com 45 pontos. Valentino Rossi vem em 3°, com 33 pontos. Pol Spargaró ocupa a 4ª colocação, com 28 pontos, com Dani Pedrosa em 5°, com 27 pontos. Jorge Lorenzo é o atual recordista da volta mais rápida e pole-position na pista da Andaluzia, com os tempos de 1min 38s735 e 1min37s910, respectivamente, obtidos no ano passado, quando venceu a corrida. Márquez foi o 2° colocado, enquanto Valentino Rossi completou o pódio. No ano passado, a Ducati apresentou a maior velocidade em reta na pista de Jerez, com 295,9 Km/h, com Andrea Iannone. Considerando que a moto italiana evoluiu bastante para esta temporada, e considerando o que já mostraram nas provas anteriores, a dupla da Ducati tem boas chances de infernizar as duplas da Honda e da Yamaha na luta pela vitória no fim de semana...





A F-E chega à Europa para as provas da segunda metade de seu campeonato 2015/2016, com Lucas Di Grassi defendendo a liderança da competição, após sua brilhante vitória em Long Beach, nos Estados Unidos. No ano passado, a categoria dos carros elétricos iniciou sua incursão pela Europa pelo Principado de Mônaco, mas a etapa não está no calendário desta temporada. Mas a prova que a substitui está à altura do charme das terras monegascas: a prova será realizada em Paris, em um traçado montado ao redor do Túmulo de Napoleão, passando pelo Hotel dos Inválidos e pelo Museu do Exército, com 14 curvas e cerca de 1,93 Km de extensão. A corrida terá 45 voltas, e o canal pago Fox Sports 2 transmitirá a corrida a partir das 12:30 Hrs. neste sábado. A disputa pelo campeonato deve pegar fogo entre o brasileiro Lucas Di Grassi, da Audi ABT, que lidera o campeonato com 101 pontos, e o suíço Sébastien Buemi, da e.dams, que vem logo a seguir, com 100 pontos. Dispondo do melhor carro da competição, Buemi vem cometendo erros nas duas últimas corridas, o que ajudou o brasileiro a equilibrar a disputa pelo título com uma pilotagem primorosa e sem erros, ainda que uma falha da equipe tenha custado a vitória de Lucas na Cidade do México. Se Buemi não colocar a cabeça no lugar e aproveitar melhor o carro que tem, pode ver o brasileiro abrir vantagem na pontução. Após a corrida na capital francesa, restarão apenas as etapas de Berlin, Moscou, e a rodada dupla em Londres, para encerrar o campeonato, que promete, tal qual no ano passado, uma decisão eletrizante na luta pelo título.
Traçado que será usado neste sábado para a prova da F-E em Paris.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE - VOLUME 2 - LANÇAMENTO



PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE - VOLUME 2 -LANÇAMENTO

Adriano de Avance Moreno

            Saudações a todos os leitores! É com muito orgulho e satisfação que estou lançando meu segundo livro de automobilismo, com uma compilação das minhas primeiras colunas periódicas sobre o mundo da velocidade. Apaixonado por corridas desde meados dos anos 1980, comecei a escrever profissionalmente sobre o assunto de forma esporádica, no início dos anos 1990, e a partir do final de 1993, como colunista regular (meio irregular a princípio, na verdade), com a coluna PISTA & BOX, que segue firme até hoje, mais de 20 anos depois.
            Com o título de PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE - VOLUME 2, este volume compila os textos produzidos por mim durante o ano de 1996, totalizando 50 colunas semanais que foram escritas naquela temporada. Este livro dá sequência ao primeiro livro que publiquei em 2014, onde foram compiladas as colunas escritas por mim durante os anos de 1993, 1994, e 1995, e que teve boa acolhida e elogios por parte de todos os que adquiriram meu primeiro lançamento. Em 2015, atingi a marca de 1.000 colunas escritas regularmente de 1993 até os dias atuais, com a coluna semanal continuando a sair ininterruptamente até hoje, ficando ausente apenas no final e início de cada ano, que ninguém é de ferro.
            Com 164 páginas, capa cartão colorida, tamanho A4, e miolo em preto e branco, o livro custa R$ 70,00, e já está disponível para venda no site da Bookess, um sistema de autopublicação que facilita em muito a tarefa de lançar um livro, sem depender das burocracias e frescuras de muitas editoras do mercado, onde mesmo que você seja uma pessoa de extrema reputação e fama, pode ser bem complicado conseguir publicar um livro. Situação que infelizmente está mais complicada do que nunca, em virtude da crise econômica que assola nosso país atualmente.
            Assim como as colunas do meu primeiro livro, lançado em 2014, as colunas reunidas neste segundo volume já foram todas publicadas no meu blog, o PISTA & BOX (www.pista-e-box.blogspot.com.br), nas postagens identificadas como seção "Arquivo". Tal qual fiz no primeiro volume, redigi um texto de introdução para a temporada de 1996, com uma pequena sinopse dos acontecimentos ocorridos naquele ano, além de produzir ao final de cada coluna, um pequeno texto situando o leitor menos informado sobre o assunto sobre os acontecimentos dissertados, colocando uma perspectiva sobre o panorama do momento em que cada texto foi escrito na época.
            Focado inicialmente mais sobre os acontecimentos da Fórmula 1, aos poucos fui diversificando um pouco as categorias sobre as quais passei a escrever. Assim como nos textos reunidos no primeiro livro, o foco principal dos textos deste segundo volume ainda continua sendo a F-1, mas passei a dedicar mais colunas sobre a F-Indy original, que naqueles tempos estava com a popularidade em alta pela grande presença de pilotos brasileiros disputando a categoria, e que passei a acompanhar com mais atenção. Mais à frente, mais ainda não apresentado neste segundo volume, eu passaria a escrever colunas falando também de outras categorias do mundo do esporte a motor, como MotoGP, Endurance, Indy Racing League, entre outras competições, embora meu foco principal ainda continue sendo a categoria máxima do automobilismo, com nosso país atualmente representado por Felipe Massa e Felipe Nasr no grid.
            Para adquirir o meu livro, é só seguir o link abaixo, para ir direto ao site da Bookess. O preço é de R$ 70,00, e já inclui o frete pelo correio. Para efetuar a compra é preciso fazer cadastro no site, como em qualquer livraria virtual. O livro está disponível apenas no formato impresso. Ainda não tenho planos de disponibilizar no modo e-book.

http://www.bookess.com/read/25417-pista-box-cronicas-do-mundo-da-velocidade-volume-2/

            A entrega deles é um pouco demorada, portanto, não se espantem com eventuais atrasos. A impressão é de excelente qualidade, feita sob demanda. É só efetuar a compra que o exemplar é impresso e encaminhado ao comprador. O único problema é que, por causa disso, o custo de cada exemplar é um pouco mais alto do que o de um livro impresso por gráficas convencionais, onde o custo é geralmente diluído pelo grande número de exemplares rodados na impressora. Por outro lado, evita a manutenção de estoques desnecessários, que poderiam ser caros de se manter.

            Para quem desejar comprar e ter o livro com dedicatória e assinatura, tenho alguns exemplares comigo. Para entrar em contato, meu e-mail é pistaebox@yahoo.com.br, e passarei todos os detalhes de como fazer o pagamento.
            Convido todos então a conhecerem meu livro, e espero que possam desfrutar de meus textos como já o fazem tanto em versão impressa em jornal quanto pelo meu blog.

            Para aqueles que desejam adquirir também o primeiro volume de PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE, o link está a seguir, lembrando que este primeiro livro tem 128 páginas, e o seu preço, com o frete incluso, é de R$ 58,00.

http://www.bookess.com/read/21091-pista-box-cronicas-do-mundo-da-velocidade-volume-1/


sexta-feira, 15 de abril de 2016

DE VOLTA À VELHA CLASSIFICAÇÃO


Depois de duas tentativas sofríveis com o polêmico sistema de eliminação gradativa, a classificação na F-1 volta ao sistema usado até o ano passado.

            Fim de conversa! Pilotos e equipes decidiram, de forma unânime, exigir a volta do treino de classificação ao formato adotado até o ano passado, e sem alternativas, Jean Todt e Bernie Ecclestone não tiveram opção a não ser acabar de vez com o polêmico sistema de eliminação progressivo adotado nos treinos para as duas primeiras corridas deste ano, que entrará para a história da F-1 como um dos maiores micos já promovidos pela categoria ao longo de sua história de mais de 65 anos de existência.
            Assim, voltam os velhos formatos do Q1, Q2, e Q3, com todo mundo podendo ir à pista no momento que for mais conveniente, podendo dar o máximo que pode, sem precisar fazer aquela correria maluca para tentar garantir tempo a todo custo, sem muitas vezes conseguir ter tempo para ajustar devidamente o carro. Bom para os times menores, que poderão pelo menos ter todo o espaço de cada Q para utilizar como puderem. Estes times acabaram sendo os principais prejudicados pelo sistema de eliminação progressivo, uma vez que não conseguiam ter tempo hábil para reajustar o set up dos carros a fim de conseguirem marcar tempos melhores. Se a idéia era tentar embaralhar o grid, foi um fiasco completo, porque nada mudou praticamente, exceto o fato de Daniil Kvyat, da Red Bull, ter se dado mal nas duas oportunidades, largando muito atrás do que normalmente seria possível. Todo mundo viu na Austrália que a idéia era uma furada, mas FIA e FOM bateram o pé e deram uma nova chance à nova sistemática de classificação no Bahrein, alegando que a regra precisava apenas "ser melhor entendida". O resultado foi ainda pior do que no Albert Park. O que todos já sabiam foi mais do que confirmado: o novo sistema não valia o papel em que suas regras foram impressas. Mantê-lo seria um erro dos mais crassos, e sua manutenção só serviria para aumentar o já grande desgaste de imagem e popularidade pelo qual a categoria máxima do automobilismo atravessa.
            Foi preciso que todos os times e pilotos se unissem para conseguir tal feito, pois Ecclestone e Todt tinham outras idéias na cabeça, inclusive com a disputa de um minigp aos sábados, ou até mesmo utilizar a regra de um grid invertido, ou adoção de lastros para os carros mais rápidos, tudo para tentar salvar a categoria do marasmo. Pena que o problema enfrentado atualmente pela F-1 é em outros assuntos. O treino de classificação adotado nos últimos anos nunca foi um dos problemas da competição. Mesmo assim, a insistência em criar uma novidade para a formação do grid andava forte, e pena que idéias de qualidade duvidosa fossem o que mais frutificassem, o que só ajuda a deixar a F-1 com uma imagem péssima de que não sabe o que quer. E olhem lá se não inventarem nada de novo para a próxima temporada... O sistema antigo permanece até o fim do ano. Resta saber o que farão para 2017...
            Um assunto que veio à discussão é como tornar os treinos de sexta-feira mais atrativos. Propõe-se a volta do treino de classificação também às sextas, como ocorria até a década de 1990, a fim de dar mais importância às atividades de pista. Mas o problema é como fazer esse novo treino de classificação. No sistema antigo, era um treino de 60 minutos na sexta, e outro igual no sábado. Valia o melhor tempo marcado pelo piloto em cada treino, fosse na sexta ou no sábado. Não havia limitações antigamente: os times andavam o quanto queriam ou quanto pudessem, e as escuderias mais abastadas tinham pneus e motores exclusivos para esses treinos, muito mais eficientes, porém muito menos duráveis. O problema que ocorria é quando o treino de sábado acontecia com chuva, de modo que ninguém ia para a pista, e acabava valendo os tempos do treino de sexta, caso tivesse sido feito em pista seca, já que seria impossível melhorar os tempos no molhado.
            Como a imensa maioria das TVs na época transmitia apenas o treino de classificação de sábado, quando ocorria do treino ser sob chuva, e com todo mundo tendo marcado tempos melhores na sexta, o treino no sábado virava um tédio total, com raros carros indo para a pista para efetuar regulagens de pista molhada. Querendo evitar que isso acontecesse, e visando valorizar o treino no sábado, eis que a FIA e a FOCA (antiga FOM) acabaram com o treino de classificação de sexta-feira, deixando apenas o treino de sábado, de modo que assim podiam arrancar mais dinheiro das emissoras de TV pelos direitos de transmissão deste treino, além de obrigar todos os pilotos a irem para a pista marcar tempos. Desnecessário dizer que foi por aí que as atividades de sexta-feira começam a ficar cada vez menos interessantes, situação que se estende até hoje, onde se os times não andam mais neste dia, é por outros motivos.
            Com a limitação do número de motores, entre outras peças e sistemas dos carros, com o câmbio, os times procuram andar apenas o necessário nos treinos livres de sexta-feira, o que contribui para que os mesmos sejam pouco atrativos em parte de seu tempo, daí o fato de que estes treinos atualmente não sejam muito valorizados. A reintrodução de um treino de classificação às sextas poderia ajudar a deixar o dia mais agitado, e comenta-se que poderia ser adotado a média dos tempos dos treinos de sexta e sábado para impedir que os pilotos ficassem nos boxes no sábado, em caso de chuva. Os melhores tempos dos dois treinos valeriam para o grid, sendo somados e divididos por dois, obtendo a média que indicaria a posição no grid. Não se sabe se ainda seria mantido o esquema de Q1, Q2 e Q3, ou se o treino voltaria a ser um treino integral, de 60 minutos. Isso ainda precisa ser discutido. Espera-se, pelo menos, que quando isso for tratado, os pilotos sejam devidamente ouvidos, pois eles já deram indícios nestas últimas semanas, que estão cansados de não serem ouvidos na hora de se estabelecer as regras, e nada melhor do que ouvir a opinião de quem está dentro da pista ao volante dos bólidos, para saber sobre o que é ou não mais correto a ser adotado no momento de tentar melhorar as regras da competição.
            E vamos acompanhar os treinos livres, e esperar que a prova chinesa seja bem atrativa e disputada...A prova do Bahrein até que foi agitada. Quem sabe tenhamos algo assim aqui em Shanghai? Lewis Hamilton, por sua vez, promete ser sensação, já que perderá 5 posições no grid por ter o câmbio de seu carro trocado, o que significa que o atual campeão terá que dar duro na pista, a exemplo do que aconteceu nas duas corridas do campeonato até agora...


Depois de ficar de fora da prova do Bahrein por uma fissura nas costelas, Fernando Alonso foi liberado pelos médicos para participar do primeiro treino livre desta sexta-feira em Shanghai. Após o treino, o piloto da McLaren iria passar por uma segunda avaliação médica, que o liberaria em definitivo para o restante do fim de semana. Alonso ficou entusiasmado para correr em Sakhir depois de ver os tempos promissores feitos por Jenson Button e seu substituto, Stoffel Vandoorne. O belga, aliás, classificou-se à frente de Button, e terminou a corrida barenita em 10° lugar, marcando o primeiro ponto da McLaren no atual campeonato. Com duas grandes retas, a pista de Shanghai poderá oferecer um panorama mais real do potencial da McLaren para o campeonato, e quem sabe, oferecer perspectivas de crescimento da escuderia, após o ano tenebroso vivido em 2015, quando se arrastou pelas pistas com a fraca unidade de potência da Honda, que apesar de ter melhorado bastante este ano, ainda está devendo em relação às outras unidades, como Mercedes e Ferrari, e talvez até mesmo em relação à Renault.


A motivação de Fernando Alonso em querer mostrar serviço seria também uma forma de calar as críticas que o asturiano vem recebendo de Johnny Herbert, ex-piloto de F-1 e atualmente trabalhando como comentarista para TV. Ambos já travaram um acalorado bate-boca no circuito de Sakhir, com Herbert a afirmar que Alonso deveria abandonar a categoria, e que seu tempo já passou. Alonso não deixou barato, e disse que Herbert virou comentarista porque nunca conseguiu ser campeão, daí o fato de ter que trabalhar naquela função. Com o devido respeito, críticas à parte ao caráter de Alonso, é muito fácil também criticar um piloto por não obter resultados quando o carro que ele pilota é abaixo de qualquer expectativa. Não havia muito o que ele pudesse fazer com o fraco conjunto McLaren/Honda apresentado no ano passado, e mesmo Jenson Button não conseguiu fazer muito melhor do que Alonso. Ou alguém esquece as agruras enfrentadas por Émerson Fittipaldi ao volante do Copersucar, carro construído pelo próprio e seu irmão, que raras oportunidades ofereceu ao bicampeão de F-1 satisfação real de bons resultados. Nélson Piquet também penou com uma Lotus raquítica em 1989, onde nem o motor e o chassi ajudavam muito. Bastou Piquet ter um carro mais competitivo para mostrar que não estava acabado como muitos diziam, ao pilotar a Benetton em 1990, inclusive voltando a vencer corridas. Da mesma forma que Émerson, ingressando na F-Indy nos anos 1980, mostrou a todos a velha categoria que o fez conquistar dois títulos na F-1 nos anos 1970. Se a McLaren e a Honda apresentarem um equipamento competitivo, podem apostar que Alonso mostrará do que é capaz. A dúvida é quando isso irá acontecer, se este ano, ou se somente em 2017, talvez.


A Indy Racing League inicia hoje os treinos para a etapa mais charmosa de seu calendário, depois das 500 Milhas de Indianápolis: É a prova de Long Beach, situada ao sul da cidade de Los Angeles, na Califórnia. A Penske, que lidera a competição com o francês Simon Pagenaud, quer voltar a vencer no circuito de rua do balneário, onde triunfou pela última vez em 2012, com o australiano Will Power. Mas o jejum de vitórias do time de Roger Penske em Long Beach é grande: nos últimos 20 anos, contabilizados os campeonatos da F-Indy original e a IRL, a Penske só obteve duas vitórias na pista. Além do triunfo de Power em 2012, Hélio Castro Neves venceu a corrida em 2001. Helinho, aliás, é o único brasileiro a vencer em Long Beach pelas categorias Indy. Nem Émerson Fittipaldi, Tony Kanaan, Gil de Ferran, Cristiano da Matta, ou Bruno Junqueira, só citando nossos maiores vencedores na F-Indy e IRL, conseguiram subir ao degrau mais alto do pódio na corrida. Quem chegou embalado a Long Beach é o atual campeão, Scott Dixon, que além de ter vencido a última corrida da competição, em Phoenix, foi também o vencedor em Long Beach no ano passado, e deve ser um adversário a ser considerado pelos pilotos da Penske, que apesar de ser claramente o time a ser batido, não é imbatível como se pode imaginar, depois do que se viu as duas provas disputadas neste ano.


O Mundial de Endurance começa neste final de semana, com as 6 Horas de Silverstone, na Inglaterra. Mais do que acompanhar a luta na principal classe de competição da categoria, os protótipos LMP1, o que muitos querem ver é o retorno oficial da Ford à competição, em uma equipe com parceria com a Ganassi, competindo na classe LMGTE Pro, alinhando dois carros, que ficarão aos cuidados dos trios William Johnson/Stefan Mücke/Olivier Pla (Carro N° 66) e Marino Franchitti/Andy Priaulx/Harry Tincknell (Carro N° 67). A meta da equipe Ford Chip Ganassi Team UK não é nada modesta: bater de frente com a AF Corse, time representante oficial da Ferrari na classe LMGTE Pro, uma das principais forças da classe Grã-Turismo do WEC, que conta também com equipes apoiadas por Porsche, além da Aston Martin, todos nomes de peso, que certamente irão travar bons e renhidos duelos na pista, que deverão empolgar o público presente nos autódromos. Infelizmente não haverá transmissão pela TV da prova para o Brasil, o que é uma pena, pois o Mundial de Endurance vem conquistando cada vez mais fãs, mostrando sua força no atual calendário do mundo do esporte a motor.
A Ford está de volta ao Mundial de Endurance em parceria com a Chip Ganassi.


Vice-líder do campeonato da MotoGP, o atual campeão da categoria, o espanhol Jorge Lorenzo, é cada vez mais cotado para guiar pela Ducati no campeonato de 2017. As fofocas de bastidores dizem que o contrato já teria sido até assinado com o time italiano, que não confirma o fato, mas não esconde que deseja contar com o piloto espanhol em suas motos. Lorenzo vem demonstrando incômodo em dividir os boxes com Valentino Rossi, que já renovou por mais dois anos com a Yamaha, que também já ofereceu um contrato de renovação para o piloto espanhol, que seria de aproximadamente 9 milhões de euros por temporada. Além de uma proposta financeiramente melhor (fala-se em 12 milhões de euros), o recente incremento de performance demonstrado pela marca italiana nas corridas disputadas nesta temporada estaria finalmente seduzindo Lorenzo, que teria um equipamento competitivo para continuar batalhando por vitórias e pelo título, o que não teria sido possível nos últimos anos para quem não estivesse nos times oficiais de Honda e Yamaha na categoria rainha do motociclismo. Caso Lorenzo saia, a Yamaha já anda de olho em Maverick Viñalez, que vem demonstrando excelentes performances com a Suzuki nas últimas corridas, e já anda sendo sondado pela marca dos três diapasões, o que tem causado inclusive certa irritação à Suzuki, pelo assédio que seu piloto vem sofrendo do concorrente. A Yamaha teria dado a Lorenzo o prazo de decidir se vai renovar ou não até a prova de Jerez de La Fronteira, que será disputada no dia 24 deste mês. Até lá, todos estão na expectativa do que o atual campeão irá resolver.