quarta-feira, 13 de abril de 2016

ESPECIAL ENDURANCE



            Domingo começa mais um campeonato no mundo do esporte a motor, o Mundial de Endurance (WEC), e hoje trago um pequeno texto sobre a categoria e o que esperar do campeonato deste ano na sua principal classe, a LMP1. Boa leitura a todos...


CAÇA À PORSCHE

Atual campeã, a escuderia alemã tem tudo para reinar novamente na temporada 2016 do Mundial de Endurance, mas os rivais querem mostrar combate

Adriano de Avance Moreno

A campeã Porsche pretende manter o atual domínio no Mundial de Endurance, mas as rivais pretendem dificultar os planos da atual campeã.
            Começa neste domingo o Campeonato Mundial de Endurance (WEC), e mais uma vez, Porsche, Audi e Toyota duelarão na principal classe da competição, a LMP1, pelo título do campeonato, ganho no ano passado pela Porsche, com larga folga sobre seus rivais. A montadora alemã, atualmente pertencente ao grupo Volkswagen, conquistou o campeonato de pilotos com o trio Timo Bernhard/Mark Webber/Brendon Hartley, e faturou o título de construtores com 344 pontos. Restou à concorrência colher as sobras: a Audi venceu as primeiras duas corridas em 2015, dando a impressão de que poderia usar sua confiabilidade como trunfo frente à maior velocidade de sua rival germânica, mas a partir das 24 Horas de Le Mans, a Porsche literalmente arrasou com os concorrentes. Graças à constância do trio Marcel Fässler/André Lotterer/Benoit Tréluyer, a marca da quatro argolas ainda conseguiu conquistar o vice-campeonato de pilotos, e ainda ficou com o vice de construtores, marcando 264 pontos. Pior sorte teve a Toyota: campeã em 2014, a equipe nipônica foi literalmente atropelada pelos rivais alemães em dose dupla no ano passado, quando além de perderem de vista os carros da Porsche, ainda permitiram-se ficar atrás da Audi, terminando em 3° lugar na LMP1 com 164 pontos, muito menos do que a metade dos pontos conquistados pela campeã Porsche.
            E a equipe campeã tem planos de manter sua hegemonia neste ano. E, a julgar pelos testes realizados na pré-temporada, na pista de Paul Ricard, na França, eles tem tudo para continuar dando as cartas na classe LMP1. A nova versão do modelo 919 marcou o melhor tempo em toda as sessões de treinos, com diferenças que iam dos 0s4 aos 2s, o que sugere que, diferenças de ajuste à parte, o time campeão pode muito bem começar vencendo desde o início, deixando as posições seguintes para o duelo entre Audi e Toyota, que tem tudo para ser uma boa disputa, a julgar também pelos tempos exibidos em Paul Ricard.
            As três principais escuderias apresentaram suas armas para a competição há algumas semanas, e a Porsche foi quem menos mudou seus carros para a atual temporada. A marca procurou evoluir seus sistemas, a fim de maximizar sua eficiência. O motor continua sendo o V-4 turbo, com potência acima de 500 HPs, aliados aos dois sistemas de recuperação de energia que garantem quase a mesma potência do motor de combustão, chegando aos mil HPs aproximadamente, com armazenamento da energia em baterias de íon-lítio, e geração de 8 Megajoules, o que faz dos carros 919 os modelos mais potentes do grid.
A nova versão do modelo 919 fez os melhores tempos nos testes de Paul Ricard, deixando os concorrentes comendo poeira.
            Principal derrotada em 2015, a Toyota centrou suas forças em apresentar um modelo completamente novo para a temporada 2016. O novo TS050 é um projeto diferente do velho TS040, e os japoneses abandonar seu motor V-8 aspirado, substituindo-o por um V-6 bi-turbo, com injeção direta, e ampliando a força de seus sistemas de recuperação de energia para atingir a geração de 8 Megajoules, assim como a rival Porsche, e apostando também nas baterias de íon-lítio para armazenamento desta potência elétrica, que segundo os dados da fábrica, também fazem o conjunto de potência híbrida chegarem aproximadamente aos mil HPs, prometendo rivalizar com os alemães no quesito potência bruta.
Na busca para voltar a ser campeã, o novo modelo TS050 da Toyota incorpora mais potência elétrica nos sistemas de recuperação de energia, além de um novo motor biturbo.
            Pelo seu lado, a Audi apostou na evolução do modelo R18 como um todo para conseguir enfrentar os concorrentes. Ao invés de centrar esforços em um único objetivo, a marca das quatro argolas preferiu desenvolver todo o conjunto do carro, do motor, que continua sendo o V-6 turbodiesel, completamente revisado, mas agora aliado a um sistema de geração de energia elétrica de 6 Megajoules, apelando também para baterias de íon-lítio no armazenamento da potência do sistema de recuperação de energia. A aerodinâmica foi completamente refeita, e o carro, apesar de ainda ser denominado R18, é praticamente um carro novo. O câmbio também passou por mudanças: terá agora seis marchas, ao invés das sete anteriores. Globalmente, a potência total do sistema híbrido aproxima-se dos 900 HPs, o que em tese deixa os carros de Ingolstadt em desvantagem de potência bruta frente às rivais Toyota e Porsche. Pelos testes de Paul Ricard, A Audi deve entrar e luta direta com a Toyota, mas com ambas bem atrás da Porsche na pista.
            Fica difícil, contudo, estimar a diferença real de performance entre Porsche, Toyota e Audi. É consenso que os atuais campeões devem manter sua dianteira, até porque evoluíram o modelo 919 em apresentar novidades de impacto. Por outro lado, Toyota e Audi traçaram caminhos diferentes para voltar à luta pelo título da categoria LMP1 em 2016, conseguindo ambas nítida evolução em suas performances. O problema é saber se conseguiram eliminar a desvantagem para a Porsche, e se conseguirão efetivamente duelar com os atuais campeões na pista. Se no início do ano passado a Audi ainda conseguiu começar bem o ano, fazendo uso de sua maior eficiência e estratégia de corrida, enquanto a Porsche tinha problemas, este ano pode ocorrer o contrário, uma vez que os atuais campeões não arriscaram em evoluções mais radicais para manterem-se na frente. Os novos modelos 919 devem ser velozes e fiáveis. Já os novos R18 e TS050 de Audi e Toyota ainda precisarão mostrar a que vieram nas corridas.
O novo modelo R18 é praticamente um novo carro, mas a Audi pode ter problemas por dispor de menos potência do que seus rivais diretos.
            Disposição Audi e Toyota tem de sobra para duelar pelo título da principal categoria do Mundial de Endurance. Falta combinar com a Porsche se o campeonato terá uma disputa equilibrada entre estes três gigantes, ou se veremos um novo domínio dos atuais campeões.
            O campeonato terá 9 corridas no total. Começando por Silverstone, Inglaterra, no próximo final de semana, a etapa seguinte será em Spa-Francorchamps, na Bélgica. Depois, virá a principal corrida do calendário, as 24 Horas de Le Mans, nos dias 18 e 19 de junho. O certame passará pela Alemanha (Nurburging), México (Cidade do México), Estados Unidos (Circuito das Américas), Japão (Fuji), China (Shanghai), até o encerramento, no Bahrein (Sakhir), no dia 19 de novembro. Tudo com uma boa disputa entre todos os participantes, da principal categoria, a LMP1, passando pela LMP2, e às classes Grã-Turismo LMGTE Pro e LMGTE Am.

OS BRASILEIROS NO CAMPEONATO

            Este ano o Brasil contará com 5 pilotos competindo no Mundial de Endurance. Para os torcedores brasileiros, a chance de bons resultados continua com Lucas Di Grassi, que segue firme como titular de um dos dois carros da Audi, na categoria LMP1. Lucas pilotará o carro N° 8, ao lado de Oliver Jarvis e Loic Duval, e tentará disputar as vitórias com os outros times da classe, mas sabe que a competição será difícil, principalmente contra a Porsche. Mas teremos outro representante na classe LMP1 este ano: Nelsinho Piquet irá disputar a competição pela equipe Rebellion, no carro N° 12, e terá como colegas de carro Nicolas Prost e Nick Heidfeld. A escuderia tentará brigar com as gigantes Porsche, Audi e Toyota, um duelo que promete ser bem complicado, mas na verdade terá sua principal luta contra a Bykolles, outro time da classe LMP1. Logo abaixo, na classe LMP2, teremos a presença de Pipo Derani, que foi sensação neste início do ano nos Estados Unidos, vencendo as 24 Horas de Daytona e as 12 Horas de Sebring, pela equipe Tequila Pátron, que no WEC tem a denominação de Extreme Speed Motorsports. Derani, ao volante do carro N° 31, em parceria com Ryan Dalziel e Christopher Cumming, terá como principais rivais o outro carro de seu time, além das escuderias G-Drive e SMP na classe LMP2. E Bruno Senna também estará no grid, na classe LMP2, conduzindo o carro N° 43 da escuderia RGR Sport, ao lado de Felipe Albuquerque e Ricardo Gonzalez. Completando a esquadra brasileira na Endurance, teremos Fernando Rees, mais uma vez defendendo a Aston Martin, ao volante do carro N° 99, na categoria LMGTE Pro.
A equipe Extreme contará com o brasileiro Pipo Derani na competição. O brasileiro já tem duas importantes vitórias nos Estado Unido em 2016, e pretende brilhar também no WEC.

CALENDÁRIO 2016

DATA
PROVA
CIRCUITO (PAÍS)
17.04
6 Horas de Silverstone
Silverstone (Inglaterra)
07.05
6 Horas de Spa-Francorchamps
Spa-Francorchamps (Bélgica)
18 a 19.06
24 Horas de Le Mans
Le Mans (França)
24.07
6 Horas de Nurburgring
Nurburgring (Alemanha)
03.09
6 Horas do México
Hermanos Rodriguez (México)
17.09
6 Horas do Circuito das Américas
Austin (Estados Unidos)
16.10
6 Horas de Fuji
Fuji (Japão)
06.11
6 Horas de Shangai
Shangai (China)
19.11
6 Horas do Bahrein
Sakhir (Bahrein)

PILOTOS E ESCUDERIAS (*)

EQUIPE
CATEGORIA
MODELO
CARRO
PILOTOS
PORSHE TEAM
LMP1
Porsche 919 Hybrid
01
Timo Bernhard (DEU)
Mark Webber (AUS)
Brendon Hartley (NZL)
PORSHE TEAM
LMP1
Porsche 919 Hybrid
02
Romain Dumas (FRA)
Neel Jani (CHE)
Marc Lieb (DEU)
BYKOLLES RACING TEAM
LMP1
CLM P1/01 - AER
03
Simon Trummer (CHE)
Oliver Webb (GBR)
James Rossiter (GBR)
TOYOTA RACING
LMP1
Toyota TS 050 - Hybrid
05
Anthony Davidson (GBR)
Kazuki Nakajima (JPN)
Sébastien Buemi (CHE)
TOYOTA RACING
LMP1
Toyota TS 040 - Hybrid
06
Kamui Koabayashi (JPN)
Stéphane Sarrazin (FRA)
Mike Conway (GBR)
AUDI SPORT TEAM JOEST
LMP1
Audi R18
07
Marcel Fässler (CHE)
André Lotterer (DEU)
Benoit Tréluyer (FRA)
AUDI SPORT TEAM JOEST
LMP1
Audi R18
08
Lucas Di Grassi (BRA)
Loïc Duval (FRA)
Oliver Jarvis (GBR)
REBELLION RACING
LMP1
Rebellion R-One - AER
12
Nicolas Prost (FRA)
Nick Heidfeld (DEU)
Nelson Angelo Piquet (BRA)
REBELLION RACING
LMP1
Rebellion R-One - AER
13
Dominik Kraihamer (AUT)
Alexandri Imperatori (CHE)
Mathéo Tuscher (CHE)
G-DRIVE RACING
LMP2
Oreca 05 - Nissan
26
Roman Rusinov (RUS)
Nathanael Berthon (FRA)
René Rast (DEU)
SMP RACING
LMP2
BR 01 - Nissan
27
Nicolas Minassian (FRA)
Maurizio Mediani (ITA)
David Markozov (RUS)
EXTREME SPEED MOTORSPORTS
LMP2
LIGIER JS P2 - Nissan
30
Scott Sharp (USA)
Ed Brown (USA)
Johannes van Overbeek (USA)
EXTREME SPEED MOTORSPORTS
LMP2
LIGIER JS P2 - Nissan
31
Ryan Dalziel (GBR)
Luis Felipe Derani (BRA)
Christopher Cumming (CAN)
BAXI DC RACING ALPINE
LMP2
Alpine A460 - Nissan
35
David Cheng (CHN)
Ho-Pin Tung (CHN)
Nelson Panciatici (FRA)
SIGNATECH ALPINE
LMP2
Alpine A460 - Nissan
36
Gustavo Menezes (USA)
Nicolas Lapierre (FRA)
Stéphane Richelmi (MCO)
SMP RACING
LMP2
BR 01 - Nissan
37
Vitaly Petrov (RUS)
Kirill Ladygin (RUS)
Victor Shaytar (RUS)
STRAKKA RACING
LMP2
Gibson 015S - Nissan
42
Nick Leventis (GBR)
Danny Watts (GBR)
Jonny Kane (GBR)
RGR SPORT BY MORAND
LMP2
LIGIER JS P2 - Nissan
43
Ricardo Gonzalez (MEX)
Filipe Albuquerque (PRT)
Bruno Senna (BRA)
MANOR
LMP2
Oreca 05 - Nissan
44
Tor Graves (GBR)
Will Stevens (GBR)
James Jakes (GBR)
MANOR
LMP2
Oreca 05 - Nissan
45
Matthew Rao (GBR)
Richard Bradley (GBR)
Roberto Merhi (GBR)
AF CORSE
LMGTE Pro
Ferrari 488 GTE
51
Gianmaria Bruni (ITA)
James Calado (GBR)
FORD CHIP GANASSI TEAM UK
LMGTE Pro
Ford GT
66
William Johnson (USA)
Stefan Mücke (DEU)
Olivier Pla (FRA)
FORD CHIP GANASSI TEAM UK
LMGTE Pro
Ford GT
67
Marino Franchitti (GBR)
Andy Priaulx (GBR)
Harry Tincknell (GBR)
AF CORSE
LMGTE Pro
Ferrari 488 GTE
71
Davide Rigon (ITA)
Sam Bird (GBR)
DEMPSEY - PROTON RACING
LMGTE Pro
Porsche 911 RSR
77
Richard Lietz (AUT)
Michael Christensen (DNK)
ASTON MARTIN RACING
LMGTE Pro
Aston Martin Vantage V8
95
Nicki Thiim (DNK)
Marco Sørensen (DNK)
Darren Turner (GBR)
ASTON MARTIN RACING
LMGTE Pro
Aston Martin Vantage V8
99
Richie Stanaway (NZL)
Fernando Rees (BRA)
Jonathan Adam (GBR)
LARBRE COMPETITION
LMGTE Am
Chevrolet Corvette C7
50
Yutaka Yamagishi (JPN)
Pierre Ragues (FRA)
Paolo Ruberti (ITA)
KCMG
LMGTE Am
Porsche 911 RSR
78
Christian Ried (DEU)
Wolf Henzler (DEU)
Joël Camathias (CHE)
AF CORSE
LMGTE Am
Ferrari F458 Italia
83
François Perrodo (FRA)
Emmanuel Collard (FRA)
Rui Aguas (PRT)
GULF RACING
LMGTE Am
Porsche 911 RSR
86
Michael Wainwright (GBR)
Adam Carroll (GBR)
Ben Barker (GBR)
ABU DHABI-PROTON RACING
LMGTE Am
Porsche 911 RSR
88
Khaled Al Qubaisi (ARE)
David Heinemeier Hansson (DNK)
Patrick Long (USA)
ASTON MARTIN RACING
LMGTE Am
Aston Martin Vantage V8
98
Paul Dalla Lana (CAN)
Pedro Lamy (PRT)
Mathias Lauda (AUT)

(*) = Lista de inscritos para a primeira corrida. Os pilotos podem variar em alguns times durante o campeonato.

DEFINIÇÃO DAS GATEGORIAS

LMP1 - Carros protótipos de equipes de fábricas
LMP2 - Carros protótipos de equipes particulares e/ ou independentes de fabricantes de motores.
LMGTE Pro - Carros de turismo e/ou esportivos com pilotos exclusivamente profissionais
LMTGE Am - Carros de turismo e/ou esportivos com participação também de pilotos não-profissionais.
 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

UM DIA DEPOIS DO OUTRO...


Lucas Di Grassi lavou a alma com a vitória em Long Beach, depois da desclassificação na Cidade do México.

            Vez por outra, o mundo do automobilismo costuma nos pregar peças, nos surpreendendo, seja negativamente, seja positivamente. Depois de uma pilotagem irretocável na etapa da Cidade do México, o campeonato aparentemente havia acabado para Lucas Di Grassi após receber a notícia de que havia sido desclassificado da corrida, devido ao seu carro estar cerca de 1,8 Kg abaixo do peso mínimo. De líder da competição, o brasileiro voltava a ser o vice-líder, mas com uma desvantagem de 22 pontos em relação a Sébastien Buemi, piloto da e.dams que vinha sendo apontado como o grande favorito ao título, por dispor do melhor carro do ano, e claro, ter apresentado até então, performances mais do que inspiradas, como na etapa da Argentina, quando largou lá atrás e por pouco não venceu a corrida. Tirar toda esta diferença, faltando 6 corridas para o fim da competição, parecia missão bem difícil. Muitos já apontavam que Buemi passaria a administrar os resultados, de modo que o brasileiro não tivesse chance de se recompor.
            Mas, nada como um dia depois do outro. Se a desclassificação no México foi um balde de água fria, Lucas viu sua redenção na competição na etapa seguinte, em Long Beach, na Califórnia. O brasileiro já terminara a classificação à frente de Sébastian Buemi, que estranhamente, não conseguiu se impôr durante nenhum dos treinos, e largaria na 9ª posição, enquanto Lucas partiria em 3°. Não fosse a soberba performance do suíço na Argentina, muitos diriam que seria a chance perfeita de Di Grassi começar a tentar uma reação, chegando à frente de seu grande adversário no campeonato. Com a punição a Antonio Félix da Costa, Di Grassi foi promovido a 2° no grid, largando na primeira fila, e ele soube manter a posição na largada e primeira volta, evitando se meter em confusões e partindo para cima de Sam Bird, que herdara a pole position e comandava a corrida. Mais atrás, Buemi, sabedor de que tinha carro para discutir a vitória, tentava chegar mais à frente, mas o circuito de Long Beach mostrava-se difícil em termos de pontos de ultrapassagem, e foi numa tentativa estabanada que Buemi se complicou sozinho e acabou com suas chances: ele perdeu a freada no cotovelo que dá para a reta dos boxes e subiu por cima do carro de Robin Frijins, danificando ambos os bólidos, além de perderem várias posições com o enrosco, na 12ª volta.
            A direção de prova ordenou a ida aos boxes, uma vez que os carros dos dois pilotos ficaram danificados na colisão: Buemi perdeu parte do bico, enquanto Frijins ficou com a asa traseira pendurada. Buemi cumpriu a ordem e teve de ir para os boxes, trocando de carro para a segunda metade da corrida, mas isso na volta 17. Com mais da metade da corrida ainda pela frente, Buemi teria de andar devagar para não ficar sem carga na bateria até a bandeirada. E como desgraça pouca é bobagem, ainda levou um drive trhough, tendo de passar novamente pelos boxes, e perdendo qualquer chance de pontuar. Era tudo o que Di Grassi precisava para ter um bom dia e recuperar-se no campeonato. E ele não se fez de rogado: Ultrapassou Sam Bird, assumindo a liderança, e a partir daí, comandou a corrida como quis. Nem mesmo o pit stop para troca de carro o fez perder a liderança, que manteve sempre sob controle. E tudo ficou ainda mais fácil quando Bird perdeu o ponto de freada em uma curva e foi parar nos pneus de proteção, perdendo várias posições.
            A situação só ficou tensa mesmo quando Nelsinho Piquet bateu a poucas voltas do final, perto da saída dos boxes, e foi preciso a intervenção do safety car. Uma relargada ruim poderia comprometer a vitória de Di Grassi, mas o brasileiro manteve-se atento e manteve a dianteira, seguindo firme para a bandeirada, que ao contrário do que ocorreu na Cidade do México, não acabou anulada horas depois. Com os 25 pontos, Di Grassi não poderia estar mais feliz: além da vitória, viu o rival ter de se contentar em marcar apenas 2 pontos da volta mais rápida da corrida, o que o fez ficar 1 ponto atrás do brasileiro na classificação. Sim, Lucas voltou à ponta do campeonato, com 101 pontos, contra 100 de Buemi. É uma diferença apertada, e Buemi ainda é o grande favorito, pelo carro mais competitivo que possui. Mas, se Lucas continuar guiando como vem fazendo, ele certamente estará a postos para aproveitar qualquer bobeada que Buemi aprontar, como o ocorrido em Long Beach. Cabe ao piloto suíço da e.dams colocar a cabeça no lugar e tratar de se concentrar mais, para evitar novos erros e retomar as rédeas da competição.
            Lucas está de volta ao páreo, e sabe que a disputa continua acirrada e será difícil, mas pelo menos ele está novamente na briga, e se não fosse a desclassificação na etapa passada, poderia estar liderando com folga o campeonato, o que colocaria uma grande pressão em Buemi, que certamente acusaria o golpe. Na verdade, o suíço já mostrou instabilidade tanto em Long Beach quanto no México. No circuito Hermanos Rodriguez, Buemi não conseguiu superar Jerôme D'Ambrosio na luta pela posição na pista, chegando a cometer alguns erros nas tentativas de ultrapassagens. Em Long Beach, foi impaciente ao tentar ir para a frente sem muita paciência, apesar de saber possuir o melhor carro do grid. Um pouco mais de prudência e paciência, e ele certamente teria tido chances de chegar até ao pódio, uma vez que já estava à frente de Daniel ABT na pista quando colidiu com Frijins, e Daniel subiu ao pódio em 3° lugar, fazendo da prova californiana deste ano a melhor em termos de resultados para a Audi ABT Sports.
            A próxima corrida agora é em Paris. Se Lucas continuar guiando como vem fazendo nas duas últimas etapas, tem tudo para ser o destaque da competição e o campeão da temporada. Desclassificação no México à parte, Lucas terminou todas as corridas no pódio até agora, e vem tendo um desempenho impecável nas corridas, lutando pelos melhores resultados com um time que vem conseguindo, apesar de alguns percalços, uma grande coesão técnica e melhorando sua performance. A e.dams ainda possui o melhor carro, basta que seus pilotos saibam fazer o melhor uso dele, algo que no momento, só Buemi vem conseguindo, e mesmo assim, ainda cometendo alguns erros cruciais.
            O duelo pelo título será entre o piloto suíço e o brasileiro, quase uma repetição da disputa vista na temporada passada. Buemi perdeu por pouco em 2015. O brasileiro que enfrenta agora é Di Grassi, e não Piquet, o que não significa nada. Lucas será um adversário tão formidável quanto foi Nelsinho em 2015. Teremos 5 corridas para ver quem será o segundo campeão da categoria de carros elétricos. Depois de Paris, teremos a etapa de Berlin, seguida por Moscou, e finalizando com a rodada dupla no Battersea Park, em Londres, em julho. Até lá, muita água irá rolar, e podem apostar que a disputa tem tudo para ser, perdoando o trocadilho, mais do que eletrizante.


Os dirigentes da F-1 resolveram dar mais uma chance a essa nova forma estúpida de classificação para o grid, mesmo depois de virem o fiasco que foi na prova da Austrália, e o resultado visto em Sakhir foi ainda pior, desta vez com o Q2 também "terminando" antes do que deveria pelos pilotos simplesmente não indo mais para a pista tentarem suas chances derradeiras. Do Q3 nem dá para falar, foi tão insosso quanto o de Melbourne, e tirando o fato de Lewis Hamilton ter arrancado a pole-position de Nico Rosberg, nada de relevante aconteceu. Desta vez, até o Q1 se mostrou prejudicial, especialmente para os pilotos, que iam sendo "rifados" pela eliminação sem que tivessem chance de uma nova oportunidade de tentar melhorar seus tempos. Outra imbecilidade era ver os pilotos sendo eliminados no meio de suas voltas de classificação, não dando-lhes chance nem mesmo de completar a tentativa. Se ainda havia alguns defendendo o novo formato de classificação após a prova da Austrália, foi consenso geral no paddock e na sala de imprensa de Sakhir que o novo sistema é mesmo uma porcaria, e ao invés de promover um embaralhamento de forças no grid, só tem conseguido mesmo é prejudicar os times médios e pequenos, uma vez que os grandes até agora não sofreram com isso, tirando Daniil Kvyat, que acabou dançando nas duas oportunidades, o que é muito pouco. Os pilotos já haviam manifestado seu descontentamento com a manutenção do novo formato para a prova barenita, mas a FIA, meio que numa questão de ego, resolveu bater o pé e manter o novo formato. Alegação de que era preciso dar uma segunda chance para ver se o sistema mostrava a que veio. Bem, a segunda chance foi dada, e olha que Sakhir, ao contrário do Albert Park, é um autódromo de verdade, e o que vimos é que a F-1 meteu os pés pelas mãos definitivamente ao querer mudar o treino de classificação. Mas, pior do que isso, é que estão fincando pé de querer inventar de novo, pois já declararam, Bernie Eclestone e Jean Todt, pelo menos até o fechamento desta coluna, que não irão voltar ao sistema de classificação antigo. Agora, estão falando em compor a posição no grid com tempos agregados dos pilotos. Difícil dizer onde querem chegar com estas idéias sem nexo. Qual o problema com o sistema antigo? Eles não dizem, simplesmente. Apenas falam que não vão voltar, e ponto final. Periga esse campeonato virar um palco de experimentos de regras variadas para a classificação, com cada GP com o pessoal se classificando de uma maneira diferente. Os times, pelo menos, defenderam a volta ao sistema antigo, usado até o ano passado. Mas Ecclestone e Todt, sabe-se lá o que passa por suas cabeças, querem outra coisa no lugar. A F-1 nunca foi lugar de unanimidades, mas quando isso acontece, e todos aparentemente sabem o que precisa ser feito para se corrigir alguma burrada, eis que sempre tem alguém para melar tudo e fazer o que deveria ser simples e óbvio virar uma verdadeira epopéia, e no pior sentido da expressão. Depois dessa, Ecclestone que não venha reclamar da F-1 estar indo para o buraco, pois ele próprio está ajudando a afundar a categoria que diz tanto se preocupar com ela. Todos esperam que até às vésperas dos treinos livres em Shanghai haja alguma iluminação e se tome o caminho mais correto para que tudo volte a um mínimo de normalidade, mas a cota de milagres da F-1 parece andar vencida há muito tempo...


Romain Grosjean fez outra corrida espetacular com a equipe estreante Hass, conquistando um quinto lugar na raça e superando times mais experientes.
Pela segunda corrida consecutiva, o novo time da F-1, a Hass, conseguiu obter grande destaque, e novamente com Romain Grosjean, que fez uma prova excelente no Bahrein, e conseguiu o que muitos achavam difícil: terminar a corrida barenita em posição ainda melhor do que na Austrália, onde Grosjean já havia surpreendido com um 6° lugar: o piloto conseguiu ser 5° colocado, com uma estratégia agressiva e uma pilotagem firme e decidida. Grosjean conseguiu deixar para trás a Toro Rosso e a Williams, e no campeonato de construtores, a nova escuderia norte-americana já ocupa a 5ª colocação, com 18 pontos, apenas 2 a menos do que a Williams, com 20. Esteban Gutiérrez, assim como em Melbourne, novamente não chegou ao fim, entretanto. O desempenho do time de Gene Hass já começa a criar desafetos no paddock, sob alegação de que o carro do novo time é praticamente uma "meia Ferrari", uma vez que eles compraram do time italiano tudo o que era possível pelo regulamento. E esse é o ponto chave: se o regulamento permite, então está OK. Os que estão criticando, no caso, a Williams é um dos que reclamam, que tratem de melhorar seus carros ou pelo menos tratem de disputar a corrida com uma estratégia de prova mais correta: o desempenho dos carros de Frank no Bahrein até eram encorajadores no início, mas a estratégia de duas paradas foi um verdadeiro desastre, e o time acabou levando uma lavada de Red Bull, Toro Rosso, e principalmente da novata Hass, algo que sua experiência, por assim dizer, não deveria permitir ocorrer.


Além de Romain Grosjean, outros dois nomes foram bem notados na corrida barenita. Stoffel Vandoorne, chamado às pressas pela McLaren para substituir Fernando Alonso, que não foi liberado pelos médicos para correr o GP, conseguiu se classificar à frente de Jenson Button para a prova, e ainda chegou em 10° lugar, marcando o primeiro ponto da McLaren no campeonato deste ano. Outro nome que chamou atenção foi Pascal Wehrlein, que andou fortíssimo com a Manor durante a corrida, conseguindo ultrapassar carros que até o ano passado eram inalcansáveis para o pequeno time. Indicado pela Mercedes, Pascal chegou a andar entre os 10 primeiros colocados na prova barenita, antes de fazer sua primeira parada de pneus. Mas mesmo depois de cair lá para trás, veio fazendo uma corrida cheia de garra, terminando em 13° lugar, à frente dos pilotos da Sauber e da Force India. Ambos já estão na mira dos chefes das outras escuderias, mas seus destinos imediatos ainda são ligados à McLaren e à Mercedes. Vandoorne talvez dispute a corrida da China, se Alonso não for liberado até lá para correr, mas seu pensamento está mesmo voltado para 2017, onde poderá até ser titular do time de Woking, dependendo de Jenson Button e Fernando Alonso seguirem ou não como titulares da escuderia. Pascal, por sua vez, passa a ser considerado um nome em potencial para ocupar um dos carros prateados do time alemão no caso de Nico Rosberg ou Lewis Hamilton saírem do time, o que no caso do atual tricampeão de F-1, ser um pouco distante ainda, o que não é o caso de Rosberg. Mas se Nico sair, Pascal poderá ter sua grande chance. Caso não sejam titulares nos dois times, é bem provável que sejam "emprestados" a outros times, a fim de que ganhem mais experiência, como é o caso de Pascal na Manor nesta temporada.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

FLYING LAPS - MARÇO DE 2016



            E o mês de março já foi embora, alguns dos principais campeonatos de automobilismo fizeram a estréia de suas disputas, e os pilotos começaram a pisar fundo no acelerador, batalhando pelo título da temporada de suas respectivas categorias. Mas sempre ficam vários acontecimentos para trás, sem terem tido oportunidade de serem relacionados e comentados devidamente. Por isso, para tentar falar um pouco mais do que andou ocorrendo no mundo do esporte a motor, é hora de mais uma sessão da Flying Laps, com notas rápidas de alguns destes acontecimentos ocorridos neste último mês, com os tradicionais comentários. Portanto, uma boa leitura para todos, e no mês que vem tem mais.


A Formula-E realizou em março sua primeira corrida no México, utilizando o traçado oval existente dentro do autódromo Hermanos Rodriguez, que juntamente com um conjunto de curvas fechadas dentro da parte do estádio, e a Peraltada com uma chicane no meio, proporcionou o primeiro traçado em autódromo utilizado pela categoria dos carros elétricos. Largando na pole, o belga Jerôme D'Ambrosio, da Dragon, conseguiu se manter firme na liderança até o pit stop para troca de carros. Atrás do belga, Nicolas Prost e Lucas Di Grassi duelaram pela 2ª colocação, mas sem que o brasileiro tivesse chance de ultrapassar, enquanto Sébastien Buemi superava Daniel Abt para se colocar na caça a Lucas. O brasileiro conseguiu superar Prost numa manobra aguerrida pouco antes do pit stop, e contou com o fato de a e.dams priorizar o pit stop de Buemi, o que fez a parada de Prost demorar um pouco mais. Di Grassi retornou à pista logo atrás de D'Ambrosio, e usando o fanboost com perfeição, assumiu a liderança para não mais perdê-la. Enquanto o brasileiro ia embora, o belga e Buemi travaram um duelo feroz pela segunda colocação, que acabou vencido pelo piloto da Dragon, após várias escaramuças entre ambos durante várias voltas. O resultado deixaria Lucas na liderança do campeonato, com 10 pontos de vantagem para Buemi, o favorito na luta pelo título, e seria um resultado muito importante para manter o brasileiro na disputa. Infelizmente, todo o esforço acabou jogado fora: Di Grassi acabou desclassificado horas depois após a verificação técnica apontar que seu carro estava cerca de 1,8 Kg abaixo do peso mínimo estipulado. Com isso, a vitória passou para Jerôme, e Buemi, de 3°, ficou com o 2° lugar e, mais importante, manteve-se firme na liderança do campeonato, passando a ter 22 pontos de vantagem para o piloto brasileiro da equipe Audi ABT. Com 6 corridas ainda pela frente, a vantagem obtida por Buemi na Cidade do México deixa o piloto da e.dams numa posição bem confortável na luta pelo título, uma vez que será muito difícil para Lucas conseguir recuperar essa desvantagem. Os demais brasileiros não tiveram um dia produtivo na etapa do México: Bruno Senna acabou em 10° lugar, marcando apenas 1 ponto, novamente perdendo o duelo com seu parceiro Nick Heidfeld, que chegou em 8°; Já Nelsinho Piquet foi o 13°, terminando a prova também atrás de seu companheiro de equipe, Oliver Turvey, que finalizou a corrida em 11° lugar.


Coincidência ou não, no ano passado, quando Lucas também acabou desclassificado na prova de Berlin da F-E, após outra vitória antológica na pista, Jerôme D'Ambrosio também herdou a vitória depois. Os pontos perdidos por Di Grassi naquela corrida foram decisivos para que o brasileiro ficasse apenas em 3° lugar no campeonato, uma vez que ele não conseguiu recuperar a desvantagem nas etapas restantes. O panorama agora é bem similar, com o brasileiro tendo de correr atrás de Buemi, que tem o melhor carro da competição, e não tem cometido muitos erros, o que torna a tarefa pra lá de difícil. Se Buemi não sofrer nenhum percalço que o faça ficar sem marcar pontos em alguma das próximas corridas, Di Grassi terá dito adeus às chances de conquistar o título da categoria nesta temporada. A equipe Audi ABT pediu desculpas ao brasileiro pelo erro cometido, que pode ter acontecido na troca de uma das baterias, o que fez com que o carro não fosse pesado novamente, o que pode ter gerado o peso a menos. Lucas entendeu a situação do time, e a partir de agora a meta é lutar pelos melhores resultados possíveis. Se conseguir voltar firme a duelar pelo título, ótimo. Se não, pelo menos o brasileiro terá a seu favor o fato de ter dado o melhor de si na pista. Aguardemos as próximas etapas...


O campeonato 2016 da Stock Car brasileira começou o ano com sua corrida de duplas, na despedida da categoria do Autódromo de Curitiba, que será desativado para dar lugar a um conjunto de condomínios. E Marco Gomes, o atual campeão, iniciou o ano com o pé direito no acelerador: ao lado de Antonio Pizzonia, seu parceiro na corrida de duplas, o piloto da equipe Voxx venceu a prova, depois de uma disputa apertada com a dupla formada por Allan Khodair, da equipe Fulltime, e o português Antonio Félix da Costa, que chegaram apenas 1s4 atrás. Logo atrás, em outra disputa boa, chegou a dupla composta por Ricardo Maurício, da equipe RC, e Guilherme Salas. A 4ª posição ficaria com a dupla Felipe Fraga/Rodrigo Sperafico, mas a direção de prova puniu Fraga por causa de um toque em Daniel Serra, que foi considerada antidesportiva, e ganhou uma punição de 20s ao seu tempo de corrida, despencando para a 16ª colocação. Com isso, a dupla Daniel Serra/Danilo Dirani acabou ficando com o 4° lugar. A próxima corrida da competição é no dia 10 de abril, no circuito de Velopark, em Nova Santa Rita, no Estado do Rio Grande do Sul, dando início às provas em rodada dupla do campeonato da categoria.


Sébastien Ogier continua dando as cartas no Mundial de Rali. O piloto francês da equipe Volkswagen não venceu o Rali do México, disputado no início de março, mas nem por isso os concorrentes puderam comemorar. A vitória ficou com seu parceiro de equipe Jari-Matti Latvala, ou seja, a Volkswagen faturou mais uma etapa do campeonato, e com dobradinha. E quem foi o 2° colocado? Ogier, é lógico, e eis o motivo de não se poder comemorar o fato de o atual campeão não vencer uma etapa. O resultado, é claro, é um alento para Latvala, que estava zerado na pontuação do campeonato deste ano, e marcou os 25 pontos da vitória, mais dois pontos extras na etapa mexicana da competição. O norueguês Mads Ostberg fechou a etapa na 3ª colocação, e com isso assumiu a 2ª colocação no campeonato, uma vez que seu compatriota Andreas Mikkelsen ter ficado sem marcar pontos nesta terceira etapa da competição. A vantagem de Ogier na classificação ainda é enorme: são nada menos do que 35 pontos para Ostberg. No campeonato de construtores, a Volkswagen segue com folga confortável sobre sua mais próxima concorrente, a Hyundai (97 a 61, respectivamente), com os demais times ficando cada vez mais para trás. A próxima etapa da competição é o Rali da Argentina, que será disputado nos dias 21 a 24 deste mês de abril.


As equipes do Mundial de Endurance estiveram presentes durante dois dias no mês de março para testes de pré-temporada do campeonato, que começa neste mês de abril. E o que se viu foi a Porsche dominar todos os treinos, impondo diferenças preocupantes para os principais concorrentes, Toyota e Audi, que ao que parece, irão comer poeira dos carros campeões de 2015. Em apenas um dos treinos, no segundo dia, um rival chegou mais perto, ficando a cerca de 0s387, no caso o modelo Toyota TS050 N° 5, pertencente ao trio Stéphane Sarrazin/Mike Conway/Kamui Kobayashi, na perseguição ao modelo Porsche 919 com o trio Timo Bernhard/Mark Webber/Brendon Hartley, campeão no ano passado. Foram 5 treinos durante os dois dias, e nos dois últimos o carro do trio campeão finalizou na frente, ficando o carro N° 2 da Porsche, sob comando do trio Romain Dumas/Neel Jani/Marc Lieb na frente durante todos os outros treinos. A disputa pelo segundo lugar promete ser acirrada entre Toyota e Audi, a julgar pelos tempos obtidos nestes dois dias de testes. Os alemães foram 2° colocados em apenas um dos treinos, enquanto os japoneses foram os vice-líderes dos treinos restantes. O melhor tempo veio no último treino, com 1min37s445, obtido pelo Porsche N° 1 nos 5,791 Km do circuito de Paul Ricard, em Le Castellet. O melhor tempo da Toyota foi obtido no 4° treino, obtido pelo carro N° 5, com 1min38s273. Pelo seu lado, a Audi marcou seu melhor tempo no último treino, com 1min38s827, obtido pelo carro N° 7, sob comando do trio Marcel Fassler/Andre Lotterer/ Bénoit Tréluyer. Logo atrás do trio Porsche/Toyota/Audi veio a Rebellion, mas com tempos cerca de 4 a 5s mais lentos que os Porsches oficiais da fábrica, indicando que teremos praticamente dois níveis dentro da categoria LMP1. É esperar que Audi e Toyota possam oferecer mais oposição à Porsche durante o campeonato, porque a se repetir o que se viu nestes testes, os atuais campeões tem tudo para arrasar seus adversários neste campeonato.


Jorge Lorenzo começou a temporada de 2016 na frente, na busca pelo seu 4° título na MotoGP. O piloto da equipe Yamaha largou na pole-position na prova inaugural do campeonato deste ano, no circuito de Losail, no Qatar, e conseguiu vencer a corrida, mas não teve vida fácil: a dupla da equipe oficial da Ducati mostrou força e durante a parte inicial da corrida, esteve disposta a discutir a vitória com o atual tricampeão da categoria. No final, Andrea Iannonne acabou caindo de sua moto, dando adeus à competição, enquanto Andrea Dovizioso resistiu por várias voltas à pressão de Lorenzo, que acabou por reassumir a liderança e rumar firme para a bandeirada. Dovizioso terminou a corrida em 2° lugar, comprovando que a marca italiana está muito mais forte nesta temporada, e que vai brigar para voltar a vencer na categoria rainha do motociclismo. Marc Márquez acabou fechando o pódio em 3° lugar, e Valentino Rossi, o vice-campeão do ano passado, começou a temporada com um 4° lugar, sem subir ao pódio no Qatar, resultado desfavorável no seu duelo com Lorenzo, com quem divide a equipe oficial da Yamaha.


Se perdeu na pista para Jorge Lorenzo, na primeira corrida do campeonato deste ano da MotoGP, nos bastidores, Valentino Rossi saiu na frente, ao anunciar, antes da disputa da prova do Qatar, a sua renovação com a equipe dos três diapasões por mais duas temporadas, garantindo sua vaga na escuderia nipônica até o fim da temporada de 2018, quando provavelmente irá pendurar o capacete e deixar de competir. Atualmente com 37 anos, Rossi estará com 39 no encerramento do novo contrato, e muitos consideram improvável que ele estenda sua carreira além disso. Rossi busca seu 8° título da MotoGP, que o levaria a ter 10 títulos no motociclismo. Se realmente for encerrar sua carreira ao fim do novo contrato, ele terá apenas mais 3 chances de tentar mais um título. Mas o duelo não será fácil, uma vez que Jorge Lorenzo é um oponente difícil de ser derrotado, e Marc Márquez, da Honda, também não pretende desistir de lutar pelo título enquanto for titular da principal escuderia rival da Yamaha. O desafio está lançado. Será que o "Doutor" será novamente campeão? Que ele vai tentar, isso vai? Podem apostar... Se vai conseguir, é outra história...
 



sexta-feira, 1 de abril de 2016

DUELO NAS AREIAS DO DESERTO



Etapa do Bahrein poderá confirmar se a Ferrari poderá mesmo desafiar a Mercedes neste campeonato. Expectativa é de um bom duelo.

            A Fórmula 1 prepara-se para a disputa de sua segunda prova da temporada 2016 com a expectativa de ver um duelo nas areias do deserto de Sakhir, onde está o autódromo que serve de palco para o GP do Bahrein, pequena nação árabe insular no Golfo Pérsico. Se a Ferrari apresentou indícios de poder complicar a situação da favorita Mercedes, é aqui nesta pista que eles precisarão confirmar o que podem realmente fazer. O carro da Mercedes ainda é superior em todos os aspectos ao carro da escuderia italiana, mas a diferença de performance em corrida parece ter ficado mais parelha, a ponto de talvez não permitir a Lewis Hamilton e Nico Rosberg travarem apenas sua disputa pessoal, ignorando o restante dos competidores na pista.
            Ao contrário do Albert Park, uma pista de rua montada dentro de um parque, com características próprias, Sakhir é um autódromo de verdade, onde poderemos ter uma idéia mais exata da relação de forças das equipes da F-1 para esta temporada. Mercedes e Ferrari tem tudo para protagonizarem um bom duelo nos treinos e na corrida, mas isso se o time italiano conseguir realmente encostar de vez nas flechas prateadas. Se Hamilton e Rosberg largarem na frente sem cometerem o mesmo deslize da largada da Austrália, contudo, as chances de assistirmos a uma boa corrida, pelo menos na frente, poderá ser reduzida ao duelo entre os dois pilotos do time alemão, ficando até mesmo a Ferrari comendo poeira. Mas, isso não quer dizer que a batalha pela vitória estará perdida.
            A nova regra de disponibilizar mais um tipo de composto para as equipes poderá ajudar a deixar a disputa menos previsível, com os times a variarem suas estratégias para a corrida, dependendo de como estes se comportarem nos treinos. Na Austrália, as diferenças de estratégias mostraram que podem tanto ajudar quanto prejudicar os times, se estes não souberem fazer o melhor uso da nova opção de composto extra que as escuderias podem utilizar. Como é apenas a segunda corrida com esta nova opção, é normal os times ainda estarem tendo de aprender a usar melhor as variáveis de opções, ainda mais porque os treinos livres em Melbourne foram marcados pela chuva, enquanto classificação e corrida foram em pista seca, o que ajudou a embaralhar os dados do aprendizado da melhor opção dos pneus. Aqui no Bahrein isso deverá ser um problema a menos para os times, que poderão aprender muito mais sobre como usarem da melhor forma possível os compostos que poderão utilizar. E, dependendo disso, talvez vejamos algumas surpresas.
            No ano passado, Kimi Raikkonem fez aqui sua melhor prova na temporada, para chegar em 2° lugar num ritmo bem forte que deu até a impressão de que poderia ter roubado a vitória de Lewis Hamilton. Considerando que o modelo SF16-H é muito melhor que o carro de 2015, e que ele costuma ser mai dócil com os pneus, quem sabe não esteja mesmo na hora da Ferrari surpreender a Mercedes? Claro, falta combinar com os alemães, mas tanto Hamilton quanto Rosberg precisarão se concentrar para não repetirem a largada falhada de Melbourne, que ajudou a deixar a corrida mais interessante em sua primeira metade.
            Tirando Mercedes e Ferrari, a situação do restante do grid não muda, com a perspectiva de vermos um bom duelo entre todos os outros times, exceção à Manor, claro, que melhorou bastante sua performance, mas ainda é a nanica do grid, em que pese poder estar com a companhia da Sauber, a se confirmar a péssima performance exibida pelo time suíço no Albert Park. A escuderia de Felipe Nasr e Marcus Ericsson não conseguiu mostrar a performance esperada na Austrália, e se confirmar novo resultado fraco em Sakhir, isso significa que temporada poderá ser tenebrosa para o time suíço, cujas finanças já não permitem que o carro seja devidamente desenvolvido como deveria.
            Quem também espera uma melhora é a Williams, que vai estrear um bico novo para esta corrida, mas a peça só deverá estar disponível neste sábado. O novo aparato, inspirado no da Mercedes, deve dar um incremento de cerca de 0s3 na performance, se não mais, e é visto como um dos trunfos para o time se consolidar como 3ª força do campeonato, posição que tende a ser contestada por Red Bull e Force India, e até pela Toro Rosso, que andou bastante forte na Austrália, e quer confirmar isso no Bahrein. A Red Bull já confirmou que tem um grande carro, e se não fosse a falta de potência da unidade motriz da Renault, certamente estaria desafiando Mercedes e Ferrari nas primeiras colocações, mas mesmo assim, tem condições, dependendo do circuito, de complicar a vida de Felipe Massa e Valtteri Bottas. A Force India não andou o que esperava na Austrália, mas vem determinada a mostrar que os bons resultados da pré-temporada não foram fogo de palha.
            A McLaren, que foi notícia na Austrália mais pelo pavoroso acidente de Fernando Alonso do que pela melhora de performance propriamente dita, está desfalcada justamente do espanhol nesta corrida. O exame médico da FIA, feito ontem de manhã, revelou uma fissura numa costela, consequência do violento acidente sofrido no Albert Park. Por medida de segurança, Alonso foi vetado, e a McLaren precisou chamar seu piloto reserva, Stoffel Vandoorne, às pressas no Japão para substituí-lo. O piloto belga já tinha a expectativa de ser promovido a titular do time inglês na próxima temporada, mas agora vai ter a chance de fazer uma estréia antecipada, e quem sabe, correr mais de uma prova, uma vez que Alonso ainda é dúvida para a corrida seguinte, na China. Se o espanhol não estiver plenamente recuperado, Stoffel poderá ter outra chance de mostrar serviço. Mas ele que se prepare, porque a parada vai ser dura, e a McLaren ainda tem de convencer a todos de que está mesmo se recuperando na categoria.
            Hass e Renault também tem expectativas de fazerem corridas melhores do que as da Austrália. Se para o time norte-americano, novato na categoria, isso pode ser meio difícil, já que conseguiu uma bela 6ª posição logo em sua corrida de estréia, para a fábrica francesa o desafio não será menor: o novo carro precisa melhorar em todos os aspectos se quiser pelo menos disputar a zona de pontuação.
            Se a corrida permite termos a expectativa de uma prova bem disputada, em certos parâmetros, um item que continua errado, na opinião dos pilotos e de muita gente, incluído eu, é no formato da classificação, com seu sistema de eliminação implantado na Austrália mantido, com os pilotos mais lentos sendo rifados a cada 90s em cada um dos Qs, após determinado número de minutos. Apesar de um início mais agitado na Austrália, o sistema foi minguando no Q2, e virou mico no Q3, onde perdeu-se toda a empolgação da disputa da pole. Espero que o sistema volte para o modo anterior já na corrida da China, porque se algo precisa mudar na categoria, não é o treino de classificação em si. Desnecessário dizer que os pilotos não gostaram de ver o novo formato de treino mantido, e lhe dou inteira razão. Todo mundo deve ter direito a um tempo igual disponível na pista para tentar seu melhor tempo, algo que o novo sistema não permite. Vejamos o que acontece desta vez...
            Aguardemos, então, como se dará o duelo do deserto neste ano. Todo mundo espera que a corrida seja boa. Se isso vai confirmar ou não a supremacia da Mercedes é outra história. Há dois anos atrás, tivemos aqui uma das melhores corridas dos últimos tempos, com a dupla da Mercedes se digladiando intensamente na luta pela vitória, com os times restantes promovendo duelos a rodo nas posições restantes, deixando o público sem fôlego acompanhando todas as disputas, que ocorriam em todas as posições. Será que poderemos ver algo parecido este ano? A confirmar...


Hoje começam os treinos para a segunda etapa do campeonato da Indy Racing League. Depois das apertadas ruas de São Petesburgo, os pilotos da categoria disputarão a primeira prova em oval do ano, no Phoenix International Raceway, circuito trioval de apenas uma milha, na capital do Estado do Arizona. Juan Pablo Montoya é o líder do campeonato, com a vitória na primeira corrida, e a Penske terá o retorno de Will Power, que não disputou a prova na Flórida por problemas de saúde, mesmo tendo participado dos treinos e conquistado a pole-position. A Penske, aliás, tentará novamente mostrar sua força, depois de ter feito os 4 melhores tempos para a largada em São Petesburgo e ter feito dobradinha com Montoya e Simon Pagenaud. Nostestes feitos no circuito há algumas semanas, Hélio Castro Neves marcou o novo recorde extra-oficial do circuito, o que mostra que seu time deverá vir muito forte para a corrida. A prova será transmitida pelo canal Bandsports neste sábado, ao vivo, a partir das 22:15, e a exemplo da etapa do Texas, também será noturna, um atrativo a mais para os fãs. Pelo pequeno tamanho do circuito, e com curvas fechadas, a corrida deverá ser bastante movimentada, uma vez que os líderes não tardam a encontrar os retardatários pela frente depois de um número relativamente reduzido de voltas. A prova terá duração de 250 voltas.
O pequeno oval de Phoenix está de volta ao campeonato da IRL.


A etapa da Indycar em Phoenix marca o retorno do pequeno circuito oval ao calendário da categoria após uma década de ausência, tendo sediado uma prova do certame pela última vez em 2005, com vitória de Sam Hornish Jr., repetindo o triunfo obtido em 2001. Entre os pilotos brasileiros, três já venceram no circuito: Émerson Fittipaldi, em 1994 (F-Indy original); Hélio Castro Neves, em 2002; e Tony Kanaan em 2003 e 2004 (IRL). A primeira corrida Indy no circuito foi realizada em 1964, com vitória de A. J. Foyt.


A MotoGP inicia hoje os treinos para sua segunda etapa do campeonato, em Termas de Rio Hondo, na Argentina. Jorge Lorenzo defende a liderança do campeonato, depois de sua vitória em Losail, no Qatar. Derrotados pelo atual campeão, o espanhol Marc Márquez quer mostrar que a Yamaha não vai dominar a competição como imaginam. Por sua vez, Valentino Rossi quer nada menos do que a vitória, depois de ficar de fora do pódio na primeira corrida da temporada. E a Ducati, que deu um belo susto tanto na Yamaha quanto na Honda, pretende continuar à espreita para aproveitar a chance de voltar a vencer. A moto italiana mostrou grande velocidade na pista de Losail, e embora o circuito de Rio Hondo tenha alguns trechos travados, possui também uma grande reta onde as Ducati poderão criar problemas para as duas principais forças da classe rainha do motociclismo. O circuito tem 4,8 Km de extensão, com 14 curvas, e a prova terá 25 voltas, com transmissão ao vivo do canal pago SporTV, a partir das 16 horas deste domingo, logo depois da exibição, também ao vivo, das provas das categorias Moto3 e Moto2.


A Formula-E chegou a Long Beach, na California, para a disputa de sua etapa nos Estados Unidos, que será realizada neste sábado, no traçado modificado que normalmente é utilizado pela Indycar para suas provas. A corrida este ano terá 41 voltas, ao contrário das 39 da prova da temporada passada, dando sequência ao desafio de fazer os pilotos continuarem equilibrando desempenho com economia com a nova potência das baterias dos carros. No ano passado, foi na pista do balneário californiano que Nelsinho Piquet começou sua arrancada rumo ao título da categoria, obtendo uma vitória histórica na mesma pista onde seu pai vencera pela primeira vez na F-1, 35 anos antes, em 1980. Infelizmente, a situação do atual campeão é bem distinta da vivida no ano passado. A China Racing não conseguiu montar um pacote técnico decente para a nova temporada, e em consequência disso, Nelsinho se vê impossibilitado de defender o seu título de forma decente. Até o momento, o piloto brasileiro tem largado quase sempre da metade do grid para trás, e mesmo esforçando-se ao máximo para tentar economizar seu equipamento, ou aplicar estratégias mais distintas dos concorrentes, não tem conseguido se impor, marcando até o presente momento apenas 4 pontos no campeonato, enquanto Sébastien Buemi lidera a competição com 98 pontos. O canal pago Fox Sports 2 transmite a prova ao vivo a partir das 18 horas (Horário de Brasília), com direito a um apanhado geral dos treinos.
Traçado da F-E para a prova de Long Beach, na Califórnia.


Todos os pilotos brasileiros na F-E tentam um recomeço em Long Beach. Se para Nelsinho Piquet, que venceu na pista no ano passado, a meta é tentar pelo menos voltar a marcar pontos regularmente, para Lucas Di Grassi é o primeiro round visando sua recuperação no campeonato na luta pelo título contra Sébastien Buemi, depois de perder a vitória brilhantemente conquistada na etapa da Cidade do México, com a desclassificação sofrida por seu carro estar abaixo do peso mínimo. Di Grassi está 22 pontos atrás de Buemi, e pela performance que o piloto da e.dams vem demonstrando no campeonato, recuperar o prejuízo será bem complicado, e talvez Buemi já possa até ficar quase isolado na disputa pelo título da categoria. Para Bruno Senna, assim como Piquet, a meta é crescer no campeonato e sair da sombra do companheiro de equipe, Nick Heidfeld, que já marcou 27 pontos, enquanto Bruno tem míseros 12 pontos.