quarta-feira, 24 de setembro de 2014

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - SETEMBRO DE 2014



            E mais um mês se vai, e o próprio ano de 2014 prepara-se para entrar em sua reta final. Portanto, lá vamos nós para a COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, com a tradicional avaliação de alguns dos acontecimentos deste neste mês de setembro no mundo da velocidade, que nunca pára. Lembrando do velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Então, boa leitura para todos, e até a edição da cotação automobilística do mês que vem...



EM ALTA:

Lewis Hamilton: O campeão de 2008 voltou com a corda toda nas últimas duas etapas do Mundial de F-1. Lewis fez uma prova competente em Monza, e mesmo com a escapada de Nico Rosberg, muito provavelmente seria o vencedor na etapa italiana. Já em Marina Bay, o inglês teve o fim de semana dos sonhos: garantiu mais uma vitória, e ainda viu Rosberg ficar pelo meio do caminho, e de quebra: tomou do companheiro de equipe a liderança do campeonato. Mas, azares de Nico à parte, Hamilton fez uma pilotagem aguerrida e determinada na etapa de Cingapura. Com o moral novamente em alta, o inglês reassume para si o favoritismo da luta pelo título, e pode vir a ser um adversário mais duro do que normalmente já é. Se mantiver o panorama das duas últimas corridas, tem tudo para ser bicampeão este ano.

Valentino Rossi: O grande nome da MotoGP na última década foi o responsável por quebrar o domínio da equipe Honda no atual campeonato. Se é verdade que a queda de Marc Márquez na etapa de Misano facilitou as coisas para o "Doutor", não é menos verdade que essa queda se deveu à perseguição do jovem campeão espanhol ao italiano da Yamaha. O título de 2014 certamente irá para Márquez, mas a disputa do vice-campeonato, entre Dani Pedrosa e Rossi, promete ser eletrizante. E, no que depender do carisma, Valentino deixa Pedrosa comendo poeira, como mostrou seu triunfo na etapa de San Marino, onde Rossi foi ovacionado tanto pelo pessoal de pista quanto pela platéia que lotou o circuito de Misano. Não é qualquer um que consegue emocionar tanta gente com suas performances.

Will Power: O piloto australiano enfim sagrou-se campeão da Indy Racing League, depois de bater na trave nas temporadas de 2010, 2011, e 2012. Mesmo largando na última corrida, na etapa final, o australiano fez uma corrida firme e segura, sem se envolver em disputas desnecessárias, e nem mesmo uma súbita queda de rendimento nas voltas finais foi suficiente para impedir sua conquista. De quebra, fez a Penske também encerrar o seu jejum de títulos, que vinha desde 2006, quando a escuderia havia conquistado seu único título na IRL, com Sam Hornish Jr. A meta agora, mais aliviado com a conquista, mais experiente, e não menos capaz, é lutar pelo bicampeonato em 2015. E podem apostar: ele não vai se contentar com menos...

Lucas Di Grassi: O piloto brasileiro sagrou-se vencedor da primeira corrida de carros elétricos, a F-E, e inicia o campeonato da modalidade na liderança. Mesmo que a vitória tenha caído em seu colo, após o acidente entre Nicolas Prost e Nick Heidfeld, o brasileiro andou sempre entre os primeiros colocados de forma constante, e desde já é um dos favoritos a levar o título da nova categoria de monopostos da FIA. Mas Lucas sabe que a parada não vai ser fácil, e que a competição ainda pode reservar várias surpresas. Mas nem por isso vai dar menos de si. E o brasileiro ainda tem a confiança da Audi no seu trabalho, o que é uma prova da capacidade de Di Grassi, que felizmente soube procurar outros ares para florescer seu talento após sua passagem malsucedida pela F-1.

Pietro Fittipaldi: A dinastia Fittipaldi já tem um novo campeão. Pietro, aos 18 anos, é o campeão da F-Renault Inglesa. O neto de Émerson teve um desempenho excelente na temporada, vencendo nada menos do que 10 corridas em 13 etapas, e conquistou o título com duas provas de antecipação, fechando matematicamente a disputa na segunda corrida disputada no circuito de Croft. É praticamente o segundo ano de Pietro na Europa, onde disputou no ano passado a F-4, e já mostra que tem tudo para honrar com méritos o sobrenome Fittipaldi nas pistas do velho mundo. Logicamente a meta final é a F-1, mas vai precisar, além de mostrar talento, ter a sorte de chegar no time certo, no momento certo. Se não der nenhum passo em falso, vai chegar lá. Mas precisa tomar cuidado com a ovação e esperança da torcida brasileira, sedenta por um novo "campeão" no automobilismo nacional...



NA MESMA:

Marc Márquez: O campeão da MotoGP pode ter tido seu primeiro revés na temporada 2014, ao levar um tombo e perder as chances de chegar entre os primeiros na etapa de San Marino, mas ainda é o favorito disparado para conquistar o bicampeonato. O mais jovem campeão da categoria ainda ostenta 74 pontos de vantagem para o segundo colocado, seu próprio parceiro, Dani Pedrosa, o que equivale dizer, na prática, que mesmo que abandone as próximas 3 corridas, só perderia a liderança se Pedrosa vencesse todas as 3 corridas. Com 5 etapas para fechar a competição, as chances de Márquez fechar a conquista do título em Aragón se foram, mas muito provavelmente em Motegi ele já consiga celebrar a conquista do título, se não tiver nenhum percalço como o de Misano.

Jorge Lorenzo: O piloto espanhol da Yamaha vinha descontando a diferença para o companheiro de equipe no campeonato da MotoGP, mas justo no momento em que seu time conseguiu apresentar uma performance equiparável à da Honda, coube a Valentino Rossi a honra de ser o vencedor da primeira vitória não-Honda de 2014. E ele anda incomodado com a situação, não estando acostumado a ficar tanto tempo atrás do colega de time na classificação do campeonato. Se no ano passado foi Rossi quem ficou sendo um coadjuvante de luxo, esse é um papel que Lorenzo certamente não vai querer passar imagem deste ano. Com a melhora de performance da moto da Yamaha, certamente Jorge vai querer deixar sua marca, a exemplo do que Valentino fez em Misano. E ele tem 5 etapas para tentar ainda. Vontade e determinação ele tem. O problema é combinar com os outros...

Hélio Castro Neves: O piloto brasileiro ficou mesmo com mais um vice-campeonato, ao perder a disputa pelo título com seu companheiro Will Power na Penske. Hélio já tinha uma tarefa difícil, dada a grande desvantagem de pontuação para o parceiro, e até começou bem a corrida de Fontana, largando na pole, e mantendo-se sempre entre os primeiros. Mas Power já havia chegado a uma posição confortável onde não importava o resultado do brasileiro. Ainda assim, Hélio ainda se ajudou a perder a disputa ao errar a passagem na linha inferior da pista e tomar uma punição que o jogou para a segunda metade do pelotão, arruinando por completo suas poucas chances de ainda conquistar o título. Fica agora para 2015, como já tinha ficado em 2013 para este ano. Dois vice-campeonatos consecutivos...será que a sina que perseguia Power será agora do brasileiro? A conferir no próximo ano...

Equipe McLaren: O time de Ron Dennis continua marcando passo neste campeonato, e nas últimas corridas ficou mais notabilizado pelas defesas de posição ultra-acirradas proporcionadas por Kevin Magnussem do que pela performance propriamente dita. E até o presente momento, total indefinição de sua dupla de pilotos para a próxima temporada, que terá a dura tarefa de conduzir o retorno da Honda à F-1. Os japoneses querem um nome forte para o time, mas todos os melhores nomes ou já tem contrato firmado para 2015, ou as possibilidades de um bom desempenho da escuderia inglesa no próximo ano são incertos o suficiente para todos resolverem ficar pelo menos onde estão por mais um ano. A sorte de Ron Dennis, se é que se pode dizer isso, é que no atual campeonato seu time não tem como cair mais na classificação: com 111 pontos, o concorrente mais próximo é a Toro Rosso, com modestos 27 pontos. A meta é terminar o ano pelo menos à frente da Force India, que no momento tem 117 pontos.

Equipe Ferrari: Depois de um novo chefe de equipe, a Ferrari agora tem uma nova direção, com a saída de Luca de Montezemolo. A FIAT quer resultados, e a demissão sem dó do principal executivo da escuderia italiana nas últimas duas décadas é um exemplo de que eles não estão para brincadeiras. O problema é que exigir é mais fácil do que conseguir, e desde que Stefano Domenicalli foi rifado meses atrás, o novo diretor Marco Mattiaci tem se preocupado em conhecer o time a fundo para empreender as mudanças necessárias para voltar a ser um dos protagonistas da F-1. Assim, como era de se esperar, o time italiano este ano está vivendo de brilharecos ocasionais, e já teria até abandonado o desenvolvimento do carro deste ano para se concentrar no monoposto de 2015. Portanto, não dá para esperar nada mais da escuderia rossa neste ano, e para piorar, viu-se superada pela Williams, que após a prova de Cingapura abriu 9 pontos de vantagem no campeonato de construtores, e vai precisar dar duro para conseguir terminar o ano em 3° lugar. Do contrário, melhor irem se acostumando com a 4ª colocação, que só não deverão perder porque Force India e McLaren estão muito atrás. Ah, e tal como a McLaren, o time italiano ainda está balançando com relação à sua dupla de pilotos para o próximo ano, pra não mencionar que a boataria sobre Fernando Alonso segue a toda carga, especulando o destino do espanhol para 2015...



EM BAIXA:

Federação Internacional de Automobilismo: A FIA voltou a aprontar das suas nas regras da F-1, ao querer agora proibir a comunicação por rádio dos pilotos com seus times no que tange às informações que "auxiliem" a pilotagem. Se a idéia na teoria é fazer o piloto pensar mais por si mesmo e definir como controla sua corrida, o que é algo que vai no sentido de valorizar o talento dos pilotos, por outro lado o timming de querer impôr a nova regra foi dos piores, com o campeonato em andamento, e de uma corrida para outra. Para complicar ainda mais, os carros atuais têm diversos sistemas que precisam da monitoração constante do box para informar aos pilotos como proceder para debelar possíveis malfuncionamentos e problemas, uma vez que estes não têm como ficar prestando atenção na pista e no painel do volante a todo instante buscando informações. A entidade recuou um pouco de sua idéia, que só deve entrar pra valer mesmo em 2015, como seria de convir. Mas depois de inventar a proibição do sistema Fric nas suspensões, a FIA poderia passar sem essa para fazer cair ainda mais o seu crédito perante os torcedores e participantes da F-1...

Nico Rosberg: O piloto alemão da Mercedes teve em Cingapura o seu pior momento no campeonato deste ano. Além de ter um problema que arruinou sua participação na corrida, obrigando-o a abandonar pela segunda vez na temporada, ainda viu o companheiro de equipe e rival na luta pelo título assumir a liderança da competição. Dizem que Rosberg tem muito mais cabeça fria e capacidade de reação do que Hamilton, que teoricamente se desestabiliza fácil quando as coisas não correm a seu favor, mas a cara de Nico no paddock de Cingapura não era das melhores. Na Itália, ainda sob a pressão da bronca que levou da direção do time por provocar o toque entre ambos na Bélgica, Rosberg teve duas saídas de pista que facilitaram a vitória de Hamilton. Ainda que digam que tal ato teria sido "combinado" pelo time como uma espécie de "compensação" por Rosberg ter arruinado a corrida do companheiro em Spa, o fato é que sua postura agressiva acabou meio que por voltar-se contra ele, e o clima pesou justamente para seu lado, o que tinha conseguido evitar até então. Cabe a Nico reverter a expectativa e voltar a dar as cartas. E é hora de colocar sua frieza e equilíbrio à prova, mostrando que pode recuperar o controle da situação.

Nico Hulkenberg: O piloto alemão não vem tendo um bom desempenho nas últimas corridas, e mesmo que seu time, a Force India, tenha tido uma queda de performance nesta segunda metade do campeonato, o mexicano Sérgio Perez é quem vem tendo maior destaque nas corridas. Em Cingapura, Nico largou na frente do companheiro, mas acabou terminando atrás do mexicano. Cotado como potencial campeão se estivesse num carro de ponta, a valorização de Hulkenberg vem decaindo este ano, e no pior momento possível, quando justamente a McLaren é um time com vagas em potencial para 2015 ainda a serem preenchidas. O maior consolo de Nico é que seu time de 2013, a Sauber, encontra-se numa situação extremamente complicada, podendo arrastar junto sua dupla de pilotos. Na Force India, pelo menos ele tem condições de efetuar melhores desempenhos. Mas, do jeito que vem vindo nas últimas corridas, vai ver seu cartaz destroçado pelo ex-piloto da McLaren...

Luca di Montezemolo: Quando surgiram os primeiros sinais de que a posição de Montezemolo, que estava na chefia da Ferrari há 23 anos, estava a perigo pelos maus resultados do time este ano na F-1, todo mundo imaginava que 2015 seria o seu canto do cisne, em caso de outro carro ruim decepcionar pilotos e fãs. Bem, a diretoria da FIAT, dona da Ferrari, mostrou estar mais impaciente do que todos imaginavam, e Luca dançou logo depois da prova italiana, onde ele próprio declarou que sua saída não era cogitada. Aparentemente a direção da FIAT ficou bravinha com a atitude prepotente do ferrarista, e resolveu mostrar quem manda na casa de fato. Ninguém vai sentir falta de Montezemolo, a se considerar suas atitudes e posturas extremamente arrogantes e prepotentes, achando que a Ferrari era melhor do que tudo e que todos. Mas certamente a nova direção da marca e da escuderia de F-1, indicada pela FIAT, de alguém "estranho" ao meio automobilístico, certamente não vai ser das mais agradáveis também. Montezemolo, em que pesem seus defeitos, era ferrarista até a alma, e entendia a marca como poucos. Neste quesito ele certamente vai deixar saudades...

Equipe Caterham: O time que era de Tony Fernandes, e que atualmente ninguém sabe direito quem é o novo dono continua na sua espiral de más notícias nesta segunda metade de campeonato. Prevendo a fria que se aproxima, Christijan Albers, que havia sido nomeado chefe da escuderia, pulou fora do cargo e da equipe, alegando motivos pessoais. E como desgraça pouca é bobagem, agora é a Pirelli que estaria dando um ultimato ao time, que estaria devendo o pagamento dos pneus, e que se não for paga, ficarão sem fornecimento para a corrida do Japão. Uma notícia ruim especialmente para Kamui Kobayashi, que não vê a hora de poder se  apresentar novamente ao seu público fiel. O japonês, aliás, já teve um mau domingo em Cingapura, quando seu carro praticamente enguiçou já na volta de apresentação, e Kobayashi nem sequer conseguiu largar para a corrida...

 



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