sexta-feira, 23 de junho de 2017

FRUSTRAÇÃO E SUPERAÇÃO


Largada das 24 Horas de Le Mans de 2017. A Toyota monopolizou a primeira fila e o carro Nº 7 não tinha rival à altura. Mas não foi dessa vez que o time nipônico conquistou Sarthe.

            Para os amantes do automobilismo, o fim de semana passado foi para ninguém botar defeito. A 85ª edição das 24 Horas de Le Mans apresentou, como de costume, um festival de emoções a rodo que satisfez a sede de disputa, em maior ou menor grau, de quem aprecia uma corrida. Lógico que nem todo mundo pode ter gostado do resultado, afinal, não dá para agradar a todos. Mas ninguém pode negar: a mítica de Sarthe esteve novamente presente, transformando uma das provas mais famosas do mundo do esporte a motor num desafio de proporções épicas. Houve um pouco de tudo em Le Mans.
            Para as principais estrelas do show, os times da classe LMP1, os mais avançados protótipos a estarem presentes na pista, a sensação este ano era de um pouco de tristeza: com o abandono da Audi, e a decisão da Rebellion de descer para a categoria LMP2, o grid da categoria mais badalada esteve bem reduzido, com apenas 6 carros presentes: 3 da Toyota, 2 da Porsche, e 1 da ByKolles, que foram os primeiros a abandonar a corrida, com apenas 7 voltas disputadas. Para Porsche e Toyota, foram um misto de frustração e superação. Frustração para a marca japonesa, que novamente chegou a Sarthe como grande favorita, e viu suas chances de vitória desmoronarem de maneira incrível pelo caminho. Para a fábrica alemã, uma performance épica que serviu para gravar mais uma vez na história das 24 Horas o nome da Porsche como maior recordista de vitórias na pista de Sarthe.
            É difícil mensurar a desilusão da Toyota em Le Mans este ano. O destino não foi tão cruel quanto no ano passado, quando a marca japonesa viu sua vitória virar poeira a 5 minutos do fim de uma corrida de 24 horas, mas de que isso importa? Eles tinham o carro mais veloz na corrida, e não havia rivais que pudessem ameaçar seu domínio, que só não era perfeito porque um dos Porsches estava heroicamente resistindo na 2ª posição. Mas, parece que os japoneses e Sarthe tem algum quê de destino incompatível: foi duro para a marca, ainda mais com a presença de Akio Toyota, o CEO do grupo Toyota, ver dois de seus carros irem a nocaute em poucos minutos, dando um adeus completo às esperanças de vencer em Le Mans, até porque seu terceiro carro também teve problemas e, depois de mais de duas horas de reparos nos boxes, conseguiu voltar à prova para terminar em 8º, com 9 voltas de desvantagem para o vencedor.
De praticamente últimos na pista à uma vitória que parecia improvável: A Porsche escreve outro capítulo dramático de sua saga vencedora em Le Mans, com sua 19ª vitória.
            Para a Porsche, vencer em Le Mans parecia um sonho, diante da performance absurda demonstrada especialmente pelo carro Nº 7 dos japoneses, que com Kamui Kobayashi ao volante, trucidou um recorde que já durava mais de 3 décadas, e colocava mais de 2s de vantagem sobre o segundo colocado, e que, enquanto esteve na pista, não deu chances a ninguém. Mas Le Mans não é apenas velocidade, é também fiabilidade, e para chegar em primeiro, primeiro é preciso chegar, e a Toyota não conseguiu. Mas a Porsche também viveu quase o mesmo drama: com o abandono dos favoritos nipônicos, o carro Nº 1 de Sttutgart assumiu a dianteira, e chegou a ter mais de 10 voltas de vantagem para o segundo colocado, da classe LMP2. E, por incrível que pareça, mesmo andando em um ritmo mais conservador, para justamente poupar o equipamento, eis que o carro também quebra. Pesadelo para os alemães, a exemplo dos japoneses. E delírio para a classe LMP2, que de repente tornavam-se as estrelas principais da corrida. Seria o dia deles, enfim?
            Não... Não seria, por incrível que possa parecer. O Porsche Nº 2, que já tinha tido problemas no início da corrida, e perdido mais de uma hora nos boxes efetuando reparos, ainda estava na pista. Mas, fechada a 6ª hora de corrida, eles eram apenas o 54º colocado na prova, vindo entre os últimos colocados, com uma desvantagem de 18 voltas para o líder. Conseguiriam voltar às primeiras posições, muitos perguntavam. Podiam, e não podiam conseguir. Mas, sem quase nada a perder, era hora de acelerar fundo. E foram conseguindo se recuperar na corrida. Andando a um ritmo em média 10s mais rápido que os carros da LMP2, as chances de recuperarem posições eram boas (a comparação com os carros GT seria ridícula), desde que nada mais de ruim acontecesse. Era preciso pisar fundo, e tomar cuidado com o carro, para evitar percalços. E, quando os líderes começaram a ficar pelo caminho, o carro Nº 2 foi galgando posições: do 50º lugar ao final da 7ª hora de prova, eles já haviam alcançado a 6ª posição, faltando apenas 4 horas para o fim da prova, com 16 voltas de desvantagem para seus companheiros de time, e 3 de desvantagem para o líder da classe LMP2.
            Com a quebra do carro Nº 1, a desvantagem reduziu-se sobremaneira, e ao fim da 21º hora, o carro Nº 2 já era o 2º colocado, com uma volta de desvantagem para o novo líder, o carro Nº 38 da equipe Jackie Chan DC Racing, da LMP2. Mantendo o mesmo ritmo forte, e tirando desvantagem a cada volta, e lembremos do tamanho da pista de Sarthe, em algum momento, eles chegariam lá. Mas se manteriam firmes? Nada de errado aconteceria? A tensão e expectativa só cresciam, conforme a prova encaminhava-se para seus momentos finais. Ao fim da 22ª hora, o carro Nº 38 ainda liderava, mas já começava a sentir a pressão da Porsche, que vinha 2min45s504 atrás, já estando na mesma volta. Todos ainda se perguntavam se um carro LMP2 venceria a corrida, apesar da cavalgada dos remanescentes de Sttutgart. Afinal, já eram mais de duas horas na liderança da corrida, e apesar da diferença de equipamento, mantinham um ritmo forte. E quem sabe ainda acontecesse algo com o Porsche restante?
A noite cai em Le Mans, mas na pista, os bólidos continuam acelerando firme. A mítica das 24 Horas esteve mais presente do que nunca na corrida francesa.
            Mas, não deu: ao fim da 23ª hora de prova, o carro Nº 2 da equipe alemã já havia assumido a liderança, com cerca deum minuto e meio de vantagem para o Nº 38. Mas, Le Mans é Le Mans: quem sabe o que ocorreria na hora final da corrida? Bom, sonhar não custava, e a vitória realmente não veio para o carro da Jackie Chan DC Racing, que fechou mesmo a prova em 2º lugar na classificação geral com seu modelo Oreca 07 com motor Gibson, com uma volta de desvantagem para a Porsche, que com seu carro sobrevivente, obteve talvez a mais improvável de todas as suas vitórias em Sarthe, dada a condição em que seu trio de pilotos chegou a figurar durante a fase inicial da corrida. Uma pilotagem impecável do trio Timo Bernhard, Earl Bamber e Nick Tandy, um excelente trabalho de box dos mecânicos no conserto do bólido, e depois nas paradas no pit-line, e uma dose de sorte de não se meterem em nenhuma confusão depois, ou enfrentarem nenhum outro percalço mecânico. Um feito de superação, após tudo ser considerado perdido. Foi mesmo um dia daqueles, sem conseguiu respirar direito até a bandeirada de chegada.
            Para o time da Jackie Chan DC Racing, um dia de glória: além de liderar as 24 Horas com autoridade, até serem superados, eles ainda fizeram 2º e 3º lugares no resultado final, coroando o bom trabalho desenvolvido, mesmo que um deles tenha chegado na realidade em 4º lugar. E vitória da classe LMP2 para o trio Ho-Pin Tung/Thomas Laurent/Oliver Jarvis, que comandou o carro Nº 38. Com 3 voltas a menos, o outro carro do time, o Nº 37, com o trio David Cheng/Alex Brundle/Tristan Gommendy, também tem do que se orgulhar, tendo chegado uma volta à frente do próximo rival, o carro Nº 35 da Signatech-Alpine, pilotado por Nelson Panciatici, Pierre Ragues, e o brasileiro André Negrão.
            E, para quem fala que corridas de longa duração costumam ser chatas, devia pensar melhor: os momentos finais da prova na classe LMGTE-Pro viu o clima pegar fogo na disputa pela vitória entre a Aston Martin e a Corvette, que já vinha acirrado desde o início da prova. Acabou dando a marca inglesa, com o seu carro nº 17, com a trinca Darren Turner/Jonathan Adam/Daniel Serra praticamente na volta final, quando o Corvette Nº 63, pilotado pelo trio Jan Magnussen/Antonio Garcia/Jordan Taylor acabou capitulando, vítima de problemas nos freios, que ocasionou uma saída de pista, e um pneu furado, fazendo-o perder 2 posições. Melhor também para a Chip Ganassi, que levou seu modelo Ford GT Nº 67 com os pilotos Andy Priaulx, Harry Tincknell, e o brasileiro Pipo Derani ao 2º lugar na classe, superando o 63 também na última volta.
Nos momentos finais, Sarthe viu o duelo entre a Corvete e a Aston Martin se decidir com a vitória desta última na volta final, após disputarem durante todas as 24 Horas da corrida.
            Outros pontos positivos das 24 Horas de Le Mans este ano foi o fato de não termos chuva durante todo o fim de semana. Os pilotos puderam acelerar seus carros à vontade, sem que São Pedro viesse deixar tudo mais complicado do que normalmente já é. E também tivemos poucos acidentes, e os ocorridos, foram de baixa gravidade, com todos os pilotos praticamente ilesos, e como maior prejuízo algumas avarias mecânicas leves também, apesar de uma ou outra batida um pouco mais forte, mas felizmente, sem maiores consequências. Com poucos acidentes, tivemos também um índice de quebras relativamente baixo, com 49 dos 60 carros que largaram chegando ao seu final, um número muito expressivo para uma corrida de longa duração como as 24 Horas, onde a resistência dos equipamentos é colocada a toda prova. E tivemos também um pouco de paz com a F-1: a largada da prova foi dada por Chase Carey, manda-chuva do grupo Liberty Media, que controla agora a categoria máxima do automobilismo, e quem sabe, possa ser um sinal de possibilidade de pilotos da F-1 participarem de Le Mans mais facilmente, como ocorreu com Nico Hulkenberg há dois anos atrás. No ano passado, Bernie Ecclestone jogou a corrida do Azerbaijão para o mesmo final de semana de Sarthe, e o resultado foi uma audiência pífia para a etapa da F-1, que também não teve uma boa corrida, e viu um público mirrado nas arquibancadas da cidade de Baku. Neste ano, a prova não coincidiu com aF-1, mas a falta de vagas impediu que os pilotos pudessem se divertir na França. Quem sabe isso ocorra no ano que vem?
            Sim, porque já começou a contagem regressiva para a 86ª edição das 24 Horas de Le Mans, com data marcada para os dias 16 e 17 de junho do ano que vem. A prova de 2017 já ficou para trás, com todas as suas emoções. Que venha a corrida de 2018! E quem sabe a zica da Toyota com o circuito de Sarthe finalmente chegue a bom termo...? Pelo sim, pelo não, os japoneses que comecem a fazer todo tipo de reza brava e a orar para todos os deuses que conhecem... Porque os deuses do automobilismo... Ah, estes já mostraram que ainda não foram conquistados pelos nipônicos...


Nelsinho Piquet foi o brasileiro melhor classificado na chegada das 24 Horas de Le Mans este ano, ao terminar em 3º lugar na classificação geral, e em 2º da classe LMP2, com o carro Nº 13 da Rebellion, juntamente com seus parceiros David Hanson e Mathias Beche. Mas a equipe teve seu bólido desclassificado por ter feito um buraco na carenagem do carro, a fim de poder ajudar a dar partida no motor de arranque, que estava com problemas. Como a carroceria é um item que precisa ser homologado, esta modificação, proibida pelo regulamento, acabou sendo encarada como irregularidade técnica, e mesmo que não tenha influído na performance da pista, bastou para o carro ser excluído do resultado da prova, o que foi comunicado somente no dia seguinte. Piquet e seus companheiros haviam subido ao pódio e comemorado muito o bom resultado, meritório, do trio e do time na corrida. Foi um tremendo balde de água fria para todos. Coincidência ou não, o carro utilizado pelo trio usava o número 13 na carenagem... Podem colocar azar mesmo nisso...


Todos os brasileiros presentes em Sarthe este ano receberam a bandeirada nas 24 Horas de Le Mans. Nelsinho Piquet tinha sido 3º colocado geral e 2º na LMP2, antes de sua desclassificação. André Negrão foi o 4º colocado na geral, e 3º na LMP2. Rubens Barrichello, uma das atrações da prova este ano, foi o 13º colocado geral, e 12º na LMP2, resultado até bom para o pouco competitivo chassi Dallara de seu time. Bruno Senna foi o 16º classificado na geral, e 15º na LMP2. Na classe LMGTE-Pro, Daniel Serra fez parte do trio vencedor da categoria, ocupando a 17ª colocação geral; Pipo Derani ficou logo atrás, na 2ª posição na classe, e 18º no geral; Tony Kanaan foi o 6º colocado na categoria, e 22º no geral. Apenas Fernando Rees, nosso único representante na classe LMGTE-Am, teve uma corrida sem brilho: largando praticamente na pole de sua categoria, seu carro infelizmente foi perdendo performance ao longo da corrida, sofrendo inclusive uma saída de pista, e comprometendo qualquer chance de um bom resultado, o que explica ter ficado em 48º lugar na classificação geral, sendo o último colocado que recebeu a bandeirada de chegada. A todos eles, meus cumprimentos pelos esforços demonstrados na pista, e boa sorte na próxima volta a Le Mans, em 2018.


A F-1 inicia hoje as atividades do Grande Prêmio do Azerbaijão, no circuito de rua montado nas ruas de Baku, capital do país. No ano passado, esta foi uma das corridas mas fracas da temporada em termos de público, e também de emoção na pista. O circuito conta com a maior reta da categoria atualmente. Com os novos carros, quem sabe isso resulte em algumas boas disputas? A conferir no domingo... A Globo transmite a corrida ao vivo a partir das 10 da manhã.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

HAVOC SERIES – OS LOUCOS DA ILHA DE MAN

As belas paisagens da Ilha de Man sediam a mais louca competição de motos do mundo. E já completa um século de existência...


            De volta com uma postagem de vídeos, hoje falo um pouco de uma das mais tradicionais provas de motociclismo do mundo: a Isle of Man Tourist Throphy, ou simplesmente Troféu Turístico da Ilha de Man. Para quem não conhece, a Ilha de Man é um pequeno arquipélago situado entre o Reino Unido e a Irlanda. É formado por uma ilha principal, e várias ilhotas menores, com uma área total de 572 Km e uma população residente de pouco mais de 80 mil habitantes.
            Oficialmente, é uma Dependência da Coroa Britânica, mas com autonomia administrativa, com direito a governador e parlamento próprios. A capital é a cidade de Douglas, que junto com Ramsey e Castletown, compõem as únicas “cidades” de fato da ilha, que possui ainda diversos vilarejos, ou vilas rurais espalhadas pelo território da ilha. A ilha dispõe de uma linha ferroviária com alguns ramais ligando suas cidades, e várias rodovias. E é nestas rodovias que cortam a ilha que acontece, há praticamente um século, a prova mencionada acima.
            Tudo começou quando o governo britânico, através do Parlmento, instituiu em 1903 um limite de velocidade de 32 km/h no Reino Unido, o que inviabilizaria disputas automobilísticas nas vias públicas britânicas. A solução foi recorrer ao governo da pequena ilha e transferir as corridas para lá, o que foi feito. Assim, em 1907, foi realizada a primeira edição da Tourist Trophy, e a corrida nunca mais parou de ser realizada, até hoje, sendo suspensa apenas por ocasião das duas Grandes Guerras Mundiais, tanto que a edição deste ano, realizada durante os dias 27 de maio a 9 de junho, foi a 98ª edição da competição, que conta praticamente com uma semana de treinos, e outra de corrida, atraindo diversos participantes, e fãs da velocidade do mundo inteiro.
            O que diferencia esta corrida das demais provas do motociclismo é que ela é feita inteiramente em vias públicas, sejam elas rurais, ou urbanas. O percurso utilizado para a prova tem nada menos do que 60 Km de extensão, e mais de 200 curvas em toda a sua extensão, e é chamado de Snaefell Mountain Course. E com um detalhe bem interessante, e arrepiante: boa parte da pista não tem áreas de escape, e nem mesmo guard-rails de proteção. É isso mesmo: os pilotos passam com suas máquinas por vezes a centímetros da calçada, muros, e quaisquer outros obstáculos. Há subidas e descidas, e não é raro os competidores “voarem baixo” com suas máquinas, no sentido literal da palavra. Em outras ocasiões, é preciso domar as motos com maestria, como se estivesse em cima de um cavalo xucro. E dá-lhe saltos e balançadas, algumas no limite do possível. Um erro, e o piloto já era, dependendo da situação, o que não é difícil de ocorrer. Os pilotos atingem facilmente os 300 Km/h de velocidade em vários trechos. Na seleção de vídeos abaixo, é possível ver a velocidade que eles atingem, e ficar até assustado com as “finas” que eles tiram durante o percurso.
O traçado da prova do Tourist Trophy. Só para os destemidos... Ou doidos de pedra, na opinião de muitos...
            Sim, é o que vocês estão pensando: a segurança é mínima em vários trechos. Não por acaso, a prova, que já chegou a fazer parte do Mundial de Motovelocidade, acabou excluída justamente por estas condições de segurança primárias. E a exclusão não é sem motivo: até o ano passado, a corrida já tinha vitimado, entre pilotos, espectadores, funcionários e outros, cerca de 266 pessoas. E olha que, nos últimos tempos, para poder participar da corrida, os organizadores estabeleceram a regra de o candidato ter de participar de outras corridas, a fim de provar ter a capacidade de dirigir em alta velocidade e saber dominar o seu veículo de competição. Antigamente, praticamente qualquer um podia se inscrever, o que só aumentava a admiração (ou o receio) de ver aqueles loucos acelerando suas máquinas por aquelas ruas e estradas. Durante o evento, em um domingo é aberta a pista para qualquer um tentar a sorte, por sua conta e risco, obviamente, já que não há limite de velocidade imposto. Este dia acabou sendo chamado de “Mad Sunday”, ou o “Domingo Maluco”, e se a competição já é uma loucura com pilotos qualificados, imagine então com pessoas “comuns”. Doideira pura...
            É praticamente uma disputa pela emoção. A premiação em dinheiro nem é tão significativa, perto do que se vê em outras categorias de disputa do mundo do esporte a motor, mas quem lá compete está presente pelo desafio e a adrenalina. E a prova nem é disputada como as corridas convencionais: A largada é individual e cada piloto sai com 10 segundos de intervalo uns dos outros. A disputa não é para quem chega primeiro, e sim para quem termina a corrida no menor tempo relativo. Não basta simplesmente vencer os seus oponentes: é uma questão de vencer a pista. O que não impede os pilotos de acabarem travando duelos acirrados durante o percurso, devido às diferenças de ritmo que acabam surgindo entre alguns competidores, mais ousados e arrojados (ou simplesmente pinéis), que acabam alcançando o piloto que saiu imediatamente antes. E nesta hora, o bicho costuma pegar até mais.
Os competidores "voam baixo" no sentido literal da palavra, e sem aliviar no acelerador... Adrenalina a mil, para quem compete, e para quem assiste...
            São praticamente 9 “categorias” de equipamentos e classes, assim divididas: RST Superbike; Sure Sidecar Race #1; Monster Energy Supersport Race #1; RL360 Superstock; Monster Energy Supersport Race #2; Bennetts Lightweight; SES TT Zero; Sure Sidecar Race #2; e a PokerStars Senior. Todas elas com seus participantes e resultados. E tomem participantes: só na RST Superbike tivemos este ano 42 participantes, número repetido na maioria das outras categorias, sendo que as classes de sidecar tiveram 19 participantes cada um. Mas é preciso lembrar que um sidecar leva duas pessoas, então, consideremos aí 38 participantes, em duplas. Só lembro de ver quase tanta gente assim em um evento nas provas da endurance, e olhe lá...
            E, como não poderia deixar de haver, o Isle Of Man TT também tem seus recordistas. Quem venceu mais vezes a prova foi o piloto Joey Dunlop, com nada menos do que 26 triunfos, o que muitos consideram um feito estrondoso. O segundo mais vitorioso nesta corrida maluca foi John McGuinness, com 20 vitórias, enquanto Mike Hailwood fica em 3º lugar no ranking, com 14 vitórias. Haja coração! E o recorde da volta no circuito pertence a Michael Dunlop, com o tempo de 16min53s929, obtido no ano passado, pilotando uma BMW S1000RR. Devido à extensão da pista, as corridas tem poucas voltas, variando entre as diferentes categorias.
            Mas esta é uma postagem de vídeos, portanto, vamos ao que interessa, e confiram abaixo algumas imagens do que é esta prova, com algumas cenas alucinantes, seja pela velocidade com que os competidores passam na frente da câmera, ou da postura do público acompanhando a prova. O primeiro vídeo, postado no Yuo Tube pelo usuário Lockk9 TT Racing, dá uma pequena amostra do que é esta prova, e dos belos locais por onde os competidores passam. Vejam só:



            O vídeo seguinte, postado pelo usuário žan zaponšek, mostra algumas imagens da prova disputada neste ano, com alguns competidores acelerando mais fundo do que nunca. Observem, e vejam como são os lados da pista em vários locais. É preciso ter alguns parafusos a menos para acelerar daquele jeito, ou alguns dizem que é melhor mesmo jogar o cérebro fora... Tirem suas próprias conclusões:



            Mas esta é uma corrida perigosa, e o vídeo a seguir mostra alguns dos percalços enfrentados pelos pilotos na edição deste ano, com alguns pilotos tendo sorte de não se acidentarem de forma grave, enquanto outros literalmente saíram voando no pior sentido da palavra. O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário MotorHome. Vejam como o pessoal se estrumbica nesta competição:



            Ah, sim... Eu mencionei que também tem as categorias sidecar, não? Portanto, confiram o vídeo abaixo, do usuário TheAhwa, que mostra como é acelerar estas bagaças pelo traçado da Ilha de Man. Se já parece loucura com as motos, não fica menos doido com os sidecars. A velocidade é um pouco menor, mas o resto... Vejam por si mesmos:



            No próximo vídeo, postado pelo usuário Bike Throttle no You Tube, voltamos às quedas, tombos, e vários infortúnios enfrentados pelos competidores, com resultados pra lá de variados. A descrição fala que ninguém morreu nestas cacetadas, o que é um alívio, mas tem algumas cenas que deixam a gente em dúvida sobre isso, dada a violência de certas pancadas. Vejam:



            Fechando esta postagem de vídeos, encerro com esta reportagem que mostra um pouco sobre a história da prova, com algumas cenas de disputa ao longo de um século de disputas, e alguns dos acidentes, com citações àqueles que não tiveram sorte em seus azares na competição. O vídeo foi postado pelo usuário ali çalhan, e ajustando as configurações, dá para ativar legendas e uma tradução pra lá de deficiente em português sobre o que é falado, masé um vídeo interessante sobre a corrida. Confiram:



            Por hoje é só. Apreciem os vídeos, e até a próxima sessão Havoc Series.