sexta-feira, 21 de abril de 2017

TEMOS UM CAMPEONATO!


Sébastian Vettel cruza a linha de chegada em primeiro no GP do Bahrein e mantém liderança do campeonato, derrotando novamente a Mercedes e Lewis Hamilton.

            Depois de três etapas da competição disputadas, podemos enfim dizer com alegria que teremos um campeonato de F-1 pra valer este ano. Depois de vermos disputas apenas entre os pilotos da Mercedes nos últimos três anos, a briga agora é entre Mercedes e Ferrari, com Lewis Hamilton e Sébastien Vettel dando tudo de si na luta pelo título. O carro da Mercedes ainda é mais veloz em uma única volta, conforme se vê no resultado dos treinos de classificação, em especial na etapa do Bahrein, onde o terceiro colocado, justamente Vettel, ficou a quase 0s5 de distância do tempo da pole alcançada por Valtteri Bottas, dando um susto na concorrência, que temia que a dupla prateada sumisse na frente e deixasse o pessoal a ver navios em se tratando de luta pela vitória. Mas o carro da Ferrari mostra possuir um ritmo de corrida melhor, e ainda assim, a estratégia de prova na pista barenita foi melhor executada pelo time de Maranello.
            Junte uma boa estratégia a um piloto como Vettel, novamente inspirado e lutador, e a Mercedes já viu que terá uma encrenca potencial por toda a temporada. Foi a 2ª vitória do alemão da Ferrari, que lidera a competição com 68 pontos, 7 a mais do que Lewis Hamilton, que venceu a etapa da China. Aliás, a Mercedes acusou o golpe de tal forma que precisou apelar para “ordens de equipe” para Bottas ceder sua posição a Hamilton, a fim de dar ao tricampeão chances de luta efetiva com Vettel na corrida. Um erro de Lewis, que entrou no box muito lento, a fim de não perder tempo em seu pit stop, uma vez que que o time ainda atendia Bottas, bloqueou Daniel Ricciardo, que vinha logo atrás, e com isso o inglês perdeu 5s como punição, em uma manobra que em nada prejudicou o piloto da Red Bull, que saiu na frente de Hamilton de seu pit stop com relativa folga, já que Hamilton teve de esperar Bottas sair para fazer sua troca. Sem tal punição, poderíamos ter visto um embate nas voltas finais entre Hamilton e Vettel, numa disputa que poderia ser eletrizante pela vitória, e quem sabe, até com outro resultado. Mas, da mesma maneira como Hamilton tinha sobras na China na parte final da prova, Vettel também as tinha em Sakhir, controlando sua vantagem para o piloto da Mercedes.
            Um esperado duelo roda a roda entre ambos é esperado a qualquer momento, e pode acontecer já na próxima corrida, na Rússia. Até aqui, as diferenças de estratégia e/ou intervenções do Safety Car impediram uma luta frente a frente nos momentos decisivos das corridas, mas ele irá acontecer mais cedo ou mais tarde, e coincidência ou não, ambos são os mais conceituados pilotos do grid da categoria, o que mostra que o novo regulamento técnico, pelo menos até aqui, está conseguindo fazer com que os melhores pilotos se destaquem com mais efetividade. Na Mercedes, Bottas ainda precisa andar mais parelho com Hamilton. No Bahrein, ele conseguiu a pole, mas na corrida, não conseguiu o mesmo ritmo, devido a uma calibragem errada nos seus pneus, e como resultado, teve de dar passagem ao parceiro duas vezes durante a corrida. Na Ferrari, Kimi Raikkonen ainda não mostrou a grande forma dos testes da pré-temporada, e vem levando um passeio de Vettel, o que faz a Ferrari já começar novamente a questionar a permanência do finlandês para 2018, que se parecia remota, começa a ficar cada vez mais certa a sua saída do time italiano e da F-1.
"Sai da frente!" Mercedes teve de apelar para ordens de equipe para que Valtteri Bottas deixasse Lewis Hamilton lutar diretamente com Vettel. Lá se foi a esportividade que o time alemão tanto dizia prezar...
            Só dá pena mesmo do melhor piloto do grid, Fernando Alonso, estar alijado de poder competir, uma vez que a McLaren e a Honda continuam batendo cabeças e o espanhol até agora andou mais do que o carro, só para ver este quebrar no final da corrida, e em posições que não condizem com o esforço despendido pelo bicampeão. Estivesse Fernando lá na frente, em um carro competitivo, e poderíamos ter um duelo ainda melhor do que o que já estamos tendo. A esperança é que Bottas e Raikkonen acordem e mandem ver, ajudando a apimentar a disputa, mas o receio de muitos é que seus times os deixem de fora à força, para se focarem apenas em Hamilton e Vettel, como o time alemão precisou fazer em Sakhir, algo a meu ver, totalmente desnecessário, pois até pelo ritmo superior de Lewis, ele não demoraria a superar Valtteri. A imagem de esportividade da Mercedes, que nos últimos 3 anos deixou a luta liberada entre seus pilotos, sucumbe no primeiro momento de sufoco? Pegou mal para muitos.
            Aliás, o período de supremacia da Mercedes deixou o time de Brackley mal acostumado com as vitórias e concorrência apenas ocasional. A Ferrari está junta na parada, e qualquer vacilo pode ser desastroso, portanto, sem desmerecer o empenho de Vettel, e a competência do time vermelho, a Mercedes cometeu pequenos erros, seus ou se seus pilotos, que se mostraram cruciais para perder as vitórias em Melbourne e Sakhir. A equipe ainda tem um excelente carro, e uma dupla forte de pilotos, mas precisa se acertar em detalhes que estão deixando passar que acabam fazendo a diferença. Se Toto Wolf e Niki Lauda quiserem ter noites menos conturbadas, eles devem começar desde já a trabalhar para sanar estes pequenos percalços, pois Maranello e Vettel já mostraram que não perdoarão qualquer vacilo que eles cometerem.
            Quem esperava ter um melhor rendimento e até agora não conseguiu incomodar o duo Mercedes-Ferrari é a Red Bull. Além do novo propulsor da Renault ainda estar se acertando, com a promessa de uma evolução substancial a partir da etapa do Canadá que promete diminuir o déficit de performance, o novo chassi RB13 ainda precisa ser desenvolvido a contento, e o que se viu até aqui é que eles já um certa tem folga em relação ao resto do grid, mas não muita, ao mesmo tempo em que ainda estão distantes do quarteto Hamilton-Vettel-Bottas-Raikkonen. Se o time tinha esperanças de disputar o campeonato, agora terá de se contentar em poder vencer corridas, o que já será muita coisa, pois a diferença de andamento ainda está significativa. E desta vez eles não podem culpar somente a Renault pelo déficit de desempenho apresentado neste início de temporada. Adrian Newey é o projetista mais conceituado da F-1 atual, mas nem ele é infalível. A área de projetos de Milton Keynes está tendo de trabalhar mais do que se esperava, a fim de tentar recuperar o tempo perdido, o que não é fácil.
A Williams é a 4ª força da F-1 no momento, mas não pode vacilar. Os concorrentes estão logo atrás e podem surpreender a qualquer momento.
            A Williams tinha expectativa de começar o campeonato em melhor posição do que terminou o último ano, e pelo menos neste sentido, o time está sendo bem-sucedido. Tirando a etapa chinesa, que evidenciou que o carro continua não rendendo no molhado, assim como Felipe Massa, o brasileiro fez corridas seguras tanto na Austrália quando no Bahrein, conquistando as melhores posições disponíveis, e ficando à frente do resto do grid. Mas o time de Grove precisará trabalhar direito para desenvolver o FW40 a contento, de forma a não permitir que os concorrentes evoluam melhor seus bólidos e acabem superando o time de Frank Williams na segunda metade do ano, como aconteceu em 2016. Nas classificações, inclusive, eles já tomaram sustos de Romain Grosjean, da Hass, e de Nico Hulkenberg, da Renault. E outros concorrentes, como Force India e Toro Rosso estão logo ali à espreita para complicarem a vida da Williams, seja no grid, seja na corrida. O que infelizmente pesa muito mais neste momento é a situação conturbada do novato Lance Stroll, que tem tido vários azares, alguns por culpa própria, outros nem tanto. Em Sakhir, o canadense foi o culpado menor no toque com Carlos Sainz Jr. que tirou ambos da corrida, mas com isso, todos os pontos do time até agora foram conquistados por Felipe Massa, que tem feito o que pode. Mas na classificação de construtores, isso já se manifesta na Force India ocupar a 4ª posição, com 17 pontos, e a Williams a 5ª, com 16, uma vez que no time de Vijay Mallya tanto Sérgio Perez quanto Esteban Ocon tem marcado pontos em todas as corridas até aqui. É preciso ficar de olho neste detalhe, e torcer para Stroll pegar logo o jeito da coisa e se manter longe de encrencas.
            Toro Rosso, Renault e Hass tem mostrado desempenhos irregulares até aqui. Em parte por problemas dos pilotos, em parte complicações com os carros. Mas os três times mostram potencial para avançar à frente e travar um duelo ferrenho pelas últimas posições da zona de pontos. Não dá para estabelecer nenhuma hierarquia de forças entre eles, e essa disputa é extremamente interessante. Com um pouco de sorte, eles certamente podem até complicar a situação da Force India e até da Williams, se capricharem no desenvolvimento de seus carros e nas suas estratégias de corrida.
Fernando Alonso mais uma vez tirou leite de pedra do carro da McLaren, e mais uma vez, o carro o deixou na mão...
            A Sauber até está conseguindo alguns brilharecos neste início de temporada, quase pontuando, o que é digno de nota. Mas conforme a temporada avança, os rivais deverão melhorar seus carros, e a diferença de performance, que até agora conseguiu ser aliviada no braço de seus pilotos, só deverá aumentar. E aí será necessário não apenas um golpe de sorte do time para conseguir pontuar, mas uma atuação exuberante de seus pilotos na mesma ocasião, situação que pode até acontecer, mas fica incerto se o time conseguirá aproveitar a oportunidade. E da McLaren nem se pode falar coisa alguma. Fernando Alonso conseguiu levar o carro deste ano nas costas, quase conseguindo pontuar logo na Austrália, mas o conjunto está tão ruim que não permite qualquer prognóstico de melhores dias. Só não deve terminar em último no mundial porque tem mais recursos e piloto do que a Sauber, e mesmo assim, o ano será um calvário dos grandes.
            O ponto positivo da competição é que, em pistas de verdade, as dificuldades de ultrapassagens diminuíram um pouco. Não estão sendo tão fáceis como no ano passado, mas menos complicadas do que vimos na Austrália, e com vários pilotos conseguindo “jogar” o carro por dentro nas curvas nas divididas de posição. Isso tem gerado bons duelos, que se espera sejam a tônica maior de todas as pistas da temporada, e pelo menos as etapas da China e Bahrein mostraram corridas bem interessantes. E isso é muito bom para a atratividade da competição, além dos duelos entre os pilotos. Portanto, que venham as próximas corridas, pois temos realmente um campeonato a ser disputado! E que vençam os melhores, com muitos duelos e emoção na pista!


Um dos assuntos mais discutidos do fim de semana no Bahrein foi a reclamação de Max Verstappen de que teria sido atrapalhado por Felipe Massa na sua tentativa de classificação, o que o impediu de largar em melhor posição, mas que nem se daria ao trabalho de tirar satisfações com o piloto da Williams por ele ser “brasileiro”, então... Foi o bastante para o piloto holandês receber uma saraivada de críticas nas redes sociais, em especial de torcedores brasileiros, detonando a crítica a seu compatriota. E após a corrida, a conversa que passou a rolar é que o pessoal tascou uma macumba no piloto da Red Bull como vingança, uma vez que após o pit stop, sabe-se lá por qual motivo, o freio dianteiro do carro de Max travou e ele foi direto contra a proteção de pneus, saindo da pista. Bateu de leve, nada mais, só o suficiente para ficar por ali e dar adeus à corrida. Isso é que é macumba tiro e queda, e Verstappen deverá tomar mais cuidado ao criticar os brasileiros daqui para frente... Pelo sim, pelo não, o holandês já se desculpou e teria resolvido tudo com Massa. E a vida segue... Mas, se foi macumba ou não, a piada até que foi boa...


A MotoGP chegou a Austin para a disputa do Grande Prêmio das Américas. Na pista, Marc Márquez quer manter a invencibilidade no circuito texano, onde acumula 4 poles e 4 vitórias. A parada este ano promete ser dura. A Yamaha tem claramente a moto mais competitiva, e para piorar o quadro, Maverick Viñales promete ser um ferrenho competidor, tendo vencido as duas provas disputadas até agora, no Qatar e na Argentina, onde Márquez até começou na frente, mas levou um tombo e deu adeus à corrida, tendo que correr atrás do prejuízo agora. Maverick tem 50 pontos, e lidera a competição com 14 pontos de vantagem para Valentino Rossi, seu companheiro de equipe, e que tem tudo para andar muito forte, depois do resultado ruim do ano passado, quando caiu e deu adeus à corrida. Andrea Dovizioso ocupa a 3ª posição na competição, tendo os melhores resultados da Ducati até aqui neste início de temporada, uma vez que Jorge Lorenzo não conseguiu render o que sabe no time italiano, e precisa reagir o quanto antes. O Circuito das Américas tem uma extensão de 5,5 Km, com 20 curvas, e a prova será disputada em 21 voltas neste domingo com transmissão pelo canal pago SporTV, a partir das 16:00 Hrs.


O campeonato Indy volta a acelerar neste final de semana. O palco é o autódromo de Barer Motorsport, no Alabama, um belo traçado misto cheio de subidas e descidas, e bem complicado de se ultrapassar, o que proporciona emoções fortes quando os pilotos entram decididos a dividir uma curva e raramente não se tocam e complicam a situação. Largar na frente é essencial para escapar de algumas confusões que costumam ocorrer no pelotão intermediário nestas disputas. Na pista, o francês Sébastien Bourdais, da pequena Dale Coyne, se mantém firme na liderança depois da vitória em São Petesburgo e de outro impressionante bom resultado em Long Beach, onde subiu novamente ao pódio, e possui 93 pontos. James Hinchcliffe, da Schmidt-Peterson, que venceu a prova californiana, é o vice-líder da competição, com 74 pontos. Logo atrás, uma disputa ferrenha entre o atual campeão, Simon Pagenaud, da Penske, com 71 pontos; e Scott Dixon, da Ganassi, com 70. A corrida terá transmissão ao vivo da Bandeirantes e do Bandsports, a partir das 16:15 Hrs.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

HAVOC SERIES – TÃO AMIGOS QUE NÓS SOMOS NA F-1



            A F-1 felizmente caminha para uma temporada mais interessante do que foram nos últimos três anos. As novas regras técnicas conseguiram dar uma sacudida e deixar o panorama de forças da categoria máxima do automobilismo um pouco menos previsível, e onde o piloto consegue fazer um pouco mais a diferença. Claro que, obviamente, nem tudo sai como se espera, e algumas das disputas, que agora devem ser bem mais acirradas nas tentativas de ultrapassagens, podem dar chabu e ambos os pilotos se azararem, como foi o caso entre Carlos Sainz Jr. e Lance Stroll no último domingo na pista do Bahrein, com erros de ambos os pilotos em dividir a curva logo após a reta dos boxes. Mas em 2016 mesmo, já tínhamos alguns problemas com isso. Batidas são algo tão natural quanto a primeira prova que foi disputada no mundo do esporte a motor, há mais de um século. Confiram alguns vídeos que mostram como o pessoal da F-1 se estranhou e se azarou na pista nos últimos tempos, nesta nova postagem da série Havoc:

Para começar, vamos a um vídeo com uma compilação das melhores batidas da temporada passada, com destaque para a capotagem de Fernando Alonso na Austrália, que deixou o espanhol abalado o suficiente para não conseguir alinhar na etapa seguinte, no Bahrein. Felizmente, a segurança dos carros hoje em dia é tremenda, e o piloto, felizmente, saiu relativamente ileso. Mas os acidentes não deixam de preocupar e assustar, mesmo assim. O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário crambno29 R:



O vídeo seguinte é mais curto, e é exclusivo sobre as derrapadas, rodadas, e outras confusões que rolaram no GP do Brasil de F-1 do ano passado. Destaque para o “cameramen” Fernando Alonso, que protagonizou uma cena tão antológica quanto a do ano anterior. O vídeo é do You Tube, postado pelo usuário Aldo Volpi:



O próximo vídeo é uma bela relação dos acidentes sofridos em décadas de F-1 da Ferrari. Assim como acontece com mais frequência na Nascar, com seus famosos “big ones”, em muitas ocasiões a F-1 também viu algumas enroladas quase tão épicas quanto, guardadas as devidas proporções. Afinal, por que bater sozinho? Tudo fica muito mais legal quando é compartilhado, não é o que sempre dizem? Não devemos ser egoístas, portanto, se você vai rodar, arrume pelo menos um companheiro para dividir a experiência... Assim pelo menos não ficara praguejando horas a fio pelo azar sozinho. Claro, duvido muito que quem entrou de gaiato nestas furadas tenha a mesma opinião... O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário hutterjoel:



No próximo vídeo, vimos que a corrida de F-1 na Austrália, que abriu a temporada, teve lá seus momentos que renderam horas extras de trabalho aos mecânicos nos boxes, que certamente gostariam de não ter perdido tantas horas de sono. Mas, o automobilismo é um meio camarada, e para não deixar a F-1 monopolizar as atenções quando o assunto era testas os limites da pista, eis que a categoria local, a V-8 Supercars, também andou dando o seu showzinho... Afinal, o mundo do esporte a motor não se resume somente à F-1. E os torcedores australianos presentes no autódromo puderam confirmar como os pilotos da categoria são durões, se bem que não se pode dizer o mesmo de seus carros, depois de algumas encostadas mais íntimas nas barreiras de proteção e outros lugares... Mas tinha espaço para todo mundo se divertir na pista, dando suas escapadas, escorregões, e o que mais dava na telha ao volante dos bólidos, como podem ver. O vídeo é do usuário sportcrash71, postado no You Tube:



Para fechar esta postagem, este último vídeo compila algumas das confusões e cacetadas que os pilotos da F-1 proporcionaram em diversas largadas através dos anos, com direito a algumas carambolas que fariam os sucateiros de monopostos os homens mais felizes do planeta. Tem pra todo tipo e todo mundo. E quando eles dizem que os pilotos voam baixo, tem momentos em que essa expressão se torna praticamente literal, com os mais variados resultados, indo de carros que tiveram que passar por um completa sessão de funilaria e lanternagem para correr na próxima prova, ou outros que ficaram literalmente no bagaço (com exceção do piloto, felizmente). Ah, sim... Não parei para contar quem foi que deu mais cambalhotas neste vídeo, mas fiquem à vontade para tentar descobrir... Mais um vídeo postado no You Tube pelo usuário crambno29 R, que sempre faz uma boa seleção de cenas para deixar todo mundo com o coração na mão:


sexta-feira, 14 de abril de 2017

ALONSO ROUBA A CENA


Sem perspectivas de bons resultados com o carro capenga da McLaren, Alonso surpreendeu o mundo da F-1 com o anúncio de que irá disputar as 500 Milhas de Indianápolis em maio agora, no lugar do GP de Mônaco.

            Depois de assistirmos a uma boa corrida da Fórmula 1 na China, com uma ajudinha providencial de São Pedro, que molhou a pista e ofereceu as condições imprevisíveis que sempre ajudam a categoria máxima do automobilismo a oferecer corridas muito mais interessantes do que o esperado, eis que a categoria chegou ao Bahrein para a disputa da terceira corrida da temporada, com expectativas em alta de vermos outra prova com bons duelos e emoções, a confirmarem que o que vimos na Austrália não será a tônica da competição em 2017. Mas, as expectativas para o fim de semana ficaram em segundo plano com o anúncio de Fernando Alonso disputar as 500 Milhas de Indianápolis deste ano, em um acordo com a equipe Andretti Autosport, Honda, e a própria McLaren. Não se fala em outra coisa aqui no paddock barenita, e a sensação é mais do que compreensível.
            Fernando Alonso é destaque na temporada por estar correndo com um carro pouco competitivo, fruto de uma união que até agora não rendeu o que todos esperavam. Mesmo assim, o bicampeão espanhol deu show nas duas corridas disputadas até agora, levando no braço um carro que não lhe dá a mínima chance de disputar as primeiras posições. E ainda por cima, abandonando por problemas mecânicos. Tudo indica que, se a performance não melhorar, o espanhol pula fora em 2018. Para onde? Muitos gostariam de saber, e pelo sim, pelo não, Lewis Hamilton já tratou de enaltecer seu atual parceiro de equipe Valtteri Bottas, como o melhor companheiro que poderia ter, procurando resguardar seu terreno e garantir que a cúpula da Mercedes, que sabe que a presença de Alonso poderia tumultuar a equipe, sim, mas que dependendo do rendimento do finlandês, pode ser necessário garantir o poderio do time na pista. E com Fernando no box ao lado, Hamilton pode ter alguns pesadelos nada agradáveis...
            O que começou como uma brincadeira ganhou ares sérios quando os contatos começaram a ser feitos. E tudo está acertado para a participação do espanhol em Indianápolis. Logicamente, ele perderá o Grande Prêmio de Mônaco, que é disputado no mesmo dia, mas pelo modo como a McLaren está pouco competitiva, o sacrifício não parece tão ruim assim. Em Indy, Alonso terá a seu dispor um chassi igual ao de todos no grid, e com um motor Honda que vem dando as cartas no momento na competição da categoria estadunidense, como mostram as vitórias de Sébastien Bourdais e James Hinchcliffe nas duas provas até agora disputadas, em São Petesburgo e Long Beach. E a participação de Alonso também marcará o retorno da McLaren à célebre corrida, onde já competiu nos anos 1970, onde obteve três vitórias no famoso oval de Indiana.
            Tudo acabou acertado neste final de semana passado na China, e Alonso irá alinhar inclusive um carro com a famosa pintura laranja original da McLaren, em homenagem ao fundador do time, Bruce McLaren. E a equipe Andretti é a atual campeã de Indianápolis, tendo vencido a corrida no ano passado, com o novato Alexander Rossi. E justamente por isso fica a expectativa do que Alonso poderá conseguir na Indy500. Se um novato considerado um “zé ninguém” por muitos até então conseguiu essa proeza, o que o asturiano, tido como piloto mais completo da F-1, não poderá conseguir? Claro, convém ir devagar um pouco com a empolgação, mas a chance de uma vitória existe, sim. Mas Indianápolis tem suas nuances, e Fernando, apesar de seu talento, precisará dominar os segredos e particularidades da pista oval, e contar com uma boa estratégia de box, e se garantir na pista. E convenhamos: as chances de um bom resultado em Indy serão potencialmente muito maiores do que em Mônaco, dado o atual estado de competitividade da McLaren, que já adiantou que deverá contar com Jenson Button na corrida monegasca, substituindo o espanhol.
            Alonso quer conquistar a Tríplice Coroa do Automobilismo, como são encaradas as 24 Horas de Le Mans, as 500 Milhas de Indianápolis, e o Grande Prêmio de Mônaco de F-1. Fernando já venceu duas vezes no famoso principado, e nunca escondeu que gostaria de estar em Le Mans. Há dois anos, surgiu uma chance, mas Ron Dennis e a Honda vetaram a participação do espanhol, que foi convidado pela Porsche para integrar o seu terceiro carro na corrida. E o veto ficou ainda mais amargo quando o piloto viu Nico Hulkenberg, escolhido em seu lugar, vencer a corrida, e garantir fama pelo restante do ano. Felizmente, a direção da McLaren hoje está a cargo de outra pessoa, Zak Brown, e ele tem uma mentalidade diferente, e está muito empolgado em proporcionar essa chance a Alonso, que pode marcar o retorno efetivo da McLaren ao circuito oval. É verdade também que a Honda, ciente de que está devendo, e muito, melhores resultados na F-1, tem nesta participação de Alonso na Indy500 uma forma de compensação ao piloto, que vem tirando leite de pedra de um carro e motor pouco competitivos, e ajudando a minimizar um pouco a vergonha que a fábrica nipônica está tendo de encarar na F-1. Uma vergonha que felizmente não existe na Indy, onde seus times estão muito competitivos no momento, tendo apenas a Penske como time capaz de enfrentá-los.
Graham Hill (no carro), ao lado de Parnelli Jones e Jim Clark. Hill foi o único piloto a vencer a Indy500, Mônaco na F-1, e as 24 Horas de Le Mans.
            Apenas um piloto conseguiu até hoje vencer a Tríplice Coroa: Graham Hill. Outros pilotos campeões da F-1 já disputaram a Indy500, mas sem obter vitória em todas as outras provas. Jim Clark, no ano de 1965, também sacrificou sua participação no GP de Mônaco para estar presente em Indianápolis, e venceu a corrida. O escocês voador ainda venceria 6 corridas na F-1, faturando o bicampeonato de maneira incontestável. Émerson Fittipaldi foi duas vezes campeão em Indianápolis, mas nunca venceu em Mônaco. Mario Andretti também tentou, e não conseguiu. Nélson Piquet não conseguiu vencer em nenhuma das duas corridas, assim como Nigel Mansell. Jacques Villeneuve venceu a Indy500 antes de ir para a F-1, mas acumulou dois abandonos no principado nas temporadas de 1996 e 1997, quando tinha carro para discutir a vitória. Dos pilotos que estarão no grid de Indianápolis este ano, Juan Pablo Montoya, mesmo não tendo sido campeão da F-1, já venceu em Mônaco, e é bicampeão da Indy500. Falta ao colombiano disputar a corrida em Sarthe para tentar completar a lista de conquistas.
            A parada de Alonso em Indianápolis, entretanto, não deve ser tão fácil como muitos imaginam. O mítico circuito oval tem seus segredos, e mais do que tudo, exige respeito daqueles que o desafiam. Que Alonso é talentoso e tudo o mais, não se discute, mas só o talento não garantirá que o espanhol chegue e vença na Brickyard Line. Fernando precisará se aplicar nos treinos livres para aprender a dinâmica da pilotagem no circuito oval, em especial a arte de andar no meio do pelotão, que é onde os pilotos costumam passar mais tempo durante a prova. E as reações do carro no circuito também são diferentes das reações que um monoposto apresenta em um circuito misto. Nos velhos tempos, quando a Indy fazia um mês de treinos praticamente no circuito, todo mundo já largava “calejado” para as 200 voltas na pista. Atualmente, os treinos são bem mais reduzidos, e se isso, por um lado ajuda Alonso a manter seus compromissos na F-1, perdendo apenas os compromissos relativos à etapa de Mônaco, por outro lado reduz substancialmente o tempo de treinos que poderiam lhe dar maior experiência para encarar a corrida.
            Será preciso ver também como será a preparação do carro da Andretti para o espanhol. E, mesmo que a escuderia apresente um carro bem acertado, capaz de proporcionar a Fernando disputar a vitória, ele não estará sozinho na pista. Vários outros pilotos com capacidade e equipamento para vencer também estarão na parada, e não se pode nunca ignorar a chance de surgir um acidente pela frente. Indianápolis não costuma perdoar ninguém, e não é um calouro ou um veterano que deixará de ir para o muro se algo inesperado surgir e colocar tudo a perder. Pelo sim, pelo não, Alonso sai daqui do Bahrein direto para os Estados Unidos, onde irá à sede da Andretti Autosports, em Indianápolis, para conhecer a escuderia e o carro que irá conduzir. Fernando também estará presente no próximo final de semana na etapa seguinte do campeonato da Indy, em Barber, no Alabama, para conhecer o modo de trabalho do time na pista, e já ir se familiarizando com os procedimentos e modo de agir do time. Em seguida, Alonso volta para a Europa, para a disputa do GP em Sochi, na Rússia. Volta depois para se familiarizar mais com a estrutura da Indy, e retorna para a disputa do GP da Espanha, em Barcelona. As próximas semanas serão de ritmo intenso para Alonso.
Peter Revson, no carro, ao lado de Denis Hulme, no carro da McLaren preparado para a disputa das 500 Milhas de Indianápolis de 1971.
            Antigamente, com a direção de Bernie Ecclestone, dificilmente Alonso poderia disputar a prova americana sem criar algumas escaramuças. Ecclestone colocaria toda sorte de empecilhos para barrar tal iniciativa, pois no seu entender, Alonso está dando valor a uma prova de uma categoria rival, e para o velho Bernie, a F-1 é tudo. Ele podia até reconhecer o valor de uma Indy500 ou de uma 24 Horas de Le Mans, desde que não criassem concorrência com o seu campeonato. Ele não gostou do cartaz que Nico Hulkenberg ganhou por sua vitória nas 24 Horas de Le Mans há dois anos, tanto que no ano passado, marcou a prova do Azerbaijão para o mesmo final de semana, para podar as idéias de qualquer um que quisesse fazer o mesmo. Na sua concepção, quem está comprometido com a F-1 não deveria competir em nenhuma outra categoria. Felizmente, Bernie não está mais mandando na F-1, e o próprio Liberty Media acha o projeto de Alonso e da McLaren bem interessante, pela divulgação que cria para ambos. Novos tempos que por enquanto deixam a F-1 menos estressante e mais respirável, enfim.
            Boa sorte a Alonso em seu novo desafio. Ele só tem a ganhar. E a F-1 e a Indycar também.


Pascal Wehrlein volta enfim ao cockpit da Sauber aqui no Bahrein. Antonio Giovinazzi, que o substituiu nas duas corridas realizadas até aqui fez um excelente trabalho na Austrália, surpreendendo a muitos, especialmente pelo fato de ter andado apenas no terceiro treino livre e ido direto para a classificação, além de ter recebido a bandeirada de chegada sem cometer um erro sequer. Infelizmente, o italiano conseguiu também a proeza, negativa, de bater forte com o carro duas vezes no fim de semana na China, o que certamente não ajudou muito a garantir sua boa imagem da primeira prova. De qualquer maneira, a Sauber até que conseguiu andar razoavelmente bem para o equipamento de que dispõe, mas a cada corrida os times rivais devem melhorar sua performance, e as chances de pontuar, que já são ruins, devem ficar ainda piores, tanto faz com qual dos pilotos o time alinhe na pista. E na China, Marcus Ericsson foi o último colocado a receber a bandeirada, e olhe que a chuva no início da corrida até que poderia ter dado uma força para o time suíço...


Felipe Massa e pisos molhados definitivamente não se entendem. Depois de fazer uma prova competente em Melbourne, Massa realizou outro treino de classificação dentro das possibilidades da Williams, sendo o melhor piloto do “resto” do grid, fora Mercedes, Ferrari e Red Bull. Mas bastou a corrida começar para ver que não apenas o piloto brasileiro não conseguiu capitalizar o ambiente anormal de pista molhada que se apresentava de início como mesmo com a corrida prosseguindo e o asfalto ficando cada vez mais seco, como o próprio carro da Williams demonstra ter neste tipo de condição um ponto fraco que já deveria ter sido devidamente estudado e, no mínimo, corrigido. Com Lance Stroll em mais um dia negativo, agora abandonando por toque com outro carro, as chances do time de Grove de pontuar literalmente foram para o vinagre com Felipe andando para trás nas posições, sendo superado até mesmo por Fernando Alonso com o carro problemático da McLaren. Massa finalizou a corrida em 14° lugar, a uma volta do vencedor, e só não ficou em último porque a Sauber estava muito pior. Mas, com um carro que é teoricamente a quarta força do grid, a equipe técnica da Williams terá de redobrar seus esforços para amenizar este problema que já aflige seus projetos nos últimos anos...


Lewis Hamilton e Sébastian Vettel chegaram a Sakhir com uma vitória cada um e o mesmo número de pontos: 43. Pelo critério de desempate, Vettel lidera a competição por ter sido o primeiro a vencer na temporada. O desempate se dará aqui nas areias barenitas, e todo mundo quer ver novamente o pega que deve ser a tônica do campeonato deste ano. Na Austrália, Vettel e a Ferrari conseguiram se dar melhor e surpreender a Mercedes para confirmar que a boa forma dos testes da pré-temporada não eram fogo de palha. Na China, foi a vez de Hamilton dar o troco e comandar a corrida com mão firme e não permitir que o alemão da Ferrari desse bote semelhante. Aliás, a Ferrari, dessa vez, não foi tão eficiente quanto na Austrália, o que deu uma ajuda ao piloto inglês. Mas, apesar de Sébastian ter sido segundo e andado muito forte, ele nunca conseguiu ameaçar Lewis diretamente no circuito chinês. Aliás, para alguns, Hamilton poderia ter andado até mais forte do que andou em Shanghai, mas preferiu não forçar demais para poupar o equipamento. Blefe ou realidade? A Ferrari joga que a Mercedes ainda é o melhor carro. Quanto disso é tática para aliviar a pressão ou disfarçar o real potencial do time italiano ainda é preciso saber com precisão. A Mercedes parece mais veloz em voltas lançadas, enquanto a Ferrari parece mais eficiente em ritmo de corrida. Domingo teremos outra chance de aferirmos nova relação de forças entre as duas escuderias.