sexta-feira, 5 de setembro de 2025

NORRIS A NOCAUTE?

Duas realidades opostas no GP da Holanda: Oscar Piastri (acima) comemora mais uma vitória; já Lando Norris (abaixo) amarga um abandono por quebra de motor a poucas voltas do fim, e vê o companheiro de equipe disparar na liderança do campeonato.


            O Grande Prêmio da Holanda deste ano até que foi bem agitado, diante de alguns percalços ocorridos, o que resultou em uma prova com várias alternativas e algumas surpresas, que se não mudaram o panorama geral da temporada, ao menos conseguiu oferecer algumas opções interessantes nas disputas, ainda que nem todas tenham terminado da melhor forma possível, como se pode conferir.

            A McLaren voltou as férias de verão dominante como sempre, oferecendo poucas opções de real disputa, pelo menos em Zandvoort, de uma briga pelas primeiras duas posições na pista. Max Verstappen, sempre ele, até que tentou dar uma agitada, mas foi fogo de palha, diante da diferença de equipamento entre o time de Woking e a esquadra de Milton Keynes, que já teve seus momentos de domínio avassalador com o holandês, e em tempos bem recentes. Como diz o ditado popular, um dia é da caça, outro, do caçador…

            E a disputa entre Lando Norris e Oscar Piastri é o que temos para nos distrair em termos de disputa pelo título, ou tínhamos, depois do desaire que foi a quebra do carro do piloto inglês, quase no final da corrida, dando um verdadeiro banho de água fria nas expectativas de um duelo mais renhido pelo título da temporada, que agora tem Oscar Piastri mais favorito do que nunca, diante dos 34 pontos de vantagem abertos pelo australiano na classificação. É verdade que ainda temos muitas corridas pela frente, e cantar vitória, a esta altura, é totalmente precipitado. O problema é que, pelo retrospecto da temporada até aqui, Norris precisaria de um desastre similar ocorrendo com Piastri para poder reequilibrar a disputa, do contrário, daqui em diante ele precisará partir para o ataque sempre e com tudo, se quiser inverter as expectativas. E a questão é que, nessa forçada, tudo pode acontecer.

            Piastri, por sua vez, parece ter gasto toda a sua cota de azar logo no início do ano, justamente em sua terra natal, na Austrália, quando rodou no piso molhado e caiu lá para trás, algo que foi evitado por Norris, que venceu a corrida e dava pinta de que poderia quase já correr para o abraço do troféu de campeão. Só que, desde então, o australiano não mais cometeu erros daquela envergadura, colocou o foco e a cabeça em ordem, e dali em diante, virou o jogo e está comandando a temporada, tendo deixado Lando desnorteado em algumas provas, onde o inglês surgia como favorito, mas errava nos momentos decisivos. Nas últimas corridas, Norris até veio revertendo a tendência do favoritismo do companheiro de equipe, algo mais do que necessário, especialmente depois do erro crasso cometido em Montreal, onde numa tentativa estabalhoada de ultrapassagem sobre o próprio companheiro de equipe, acertou o muro dos boxes e ficou por lá, deixando Piastri abrir grande vantagem na pontuação, que a muito custo o inglês foi conseguindo reduzir nas últimas corridas, aumentando as perspectivas de duelo pela liderança do campeonato.

Na comemoração da McLaren por mais uma vitória, enquanto Piastri está todo sorridente, Norris se esforça para demonstrar felicidade, depois do revés sofrido.

            E agora, o abandono em Zandvoort, o primeiro da McLaren em muito tempo. Acabou o campeonato para o inglês, alguns disseram. Não chega a tanto, mas como mencionei, tirar toda essa diferença exigirá uma postura completamente diferente de Lando, que terá de partir para o ataque, pura e simplesmente. Se considerarmos a obtenção de dobradinhas, seriam necessárias cinco corridas, com Norris vencendo, e Piastri chegando em segundo, e ainda assim, o inglês ficaria à frente do australiano apenas por um ponto. Ele consegue? Até consegue, mas faltará combinar com Piastri, que dificilmente vai deixar a situação correr desta maneira. Norris precisará engatar uma sequência de triunfos, sem deixar espaço para Piastri reagir, só que o australiano é quem tem a melhor sequência de triunfos no ano. E especialmente, quem tem deixado menos oportunidades escaparem, ao contrário de Norris.

            Vejamos: tirando a etapa da Austrália, o ponto fora da curva de Piastri, apenas em Mônaco o australiano ficou “longe” de Norris na bandeirada final, terminando a corrida no principado em 3º lugar, enquanto Norris foi o vencedor. Nas demais provas, quando Norris vencia, Piastri estava logo atrás, em 2º lugar. No Japão, no triunfo de Max Verstappen, Piastri também ficou “colado” em Norris, que terminou em 2º, com o australiano em 3º, fechando o pódio. Com efeito, podemos ver o australiano, quando superado, chegando logo atrás do companheiro de equipe, e com isso, minimizando os prejuízos da pontuação menor, com as exceções já citadas acima.

            Por outro lado, Norris não tem conseguido fazer o mesmo, e das sete vitórias de Piastri no ano, em apenas quatro o inglês conseguiu terminar logo atrás. No Bahrein, George Russell terminou em 2º, com Norris, em 3º, ficando “distante” do triunfo do parceiro Piastri. Logo em seguida, na Arábia Saudita, o resultado foi pior, com Lando terminando em 4º, vendo Max Verstappen e Charles LeClerc ficarem entre ele e Oscar. E, claro, domingo passado, tudo se encaminhava para mais uma dobradinha da McLaren, até o propulsor Mercedes do carro de Norris deixar o inglês a ver navios a poucas voltas do final.

            Para alguns, o inglês precisou forçar o ritmo para quebrar a vantagem acumulada por Piastri no início da prova, quando o australiano, partindo da pole, foi embora, e Lando, em uma dividida com Verstappen, acabou preso atrás do holandês, o que permitiu a Piastri acumular mais de 4s de dianteira que, logicamente, ele passou a administrar durante o restante da prova, controlando as investidas de Norris. Até mesmo nas intervenções de bandeira amarela o inglês não deu sorte, com a McLaren parando os dois pilotos juntos, e claro, com Piastri à frente, mantendo a dianteira. Mas o argumento é apenas parcialmente correto, se lembrarmos que com as intervenções do Safety Car, as diferenças foram neutralizadas, e nas relargadas, Piastri sempre conseguiu retomar o controle da prova, impedindo que Norris tentasse um ataque para brigar pela posição. Mesmo assim, se Lando precisou impôr um ritmo que forçou o propulsor, para tentar brigar com o companheiro de equipe, não foi bem-sucedido, porque ele nunca chegou perto o suficiente para tentar uma manobra de ultrapassagem. Claro que não podemos ignorar que a pista holandesa não é exatamente o circuito mais favorável para ultrapassagens, mas se Norris quer de fato brigar pelo título, ele precisava ser incisivo neste objetivo. Mas mesmo que tivesse já resignado a terminar em 2º lugar, minimizando o prejuízo, a quebra do motor foi algo completamente inesperado, potencializando um cenário que ainda não era tão dramático, a esta altura do campeonato, mas que agora pode ter um impacto ainda mais significativo.

            Para alguns, o ocorrido em Zandvoort, guardadas as proporções, pode ter o mesmo efeito sofrido por Lewis Hamilton em 2016, quando o inglês, em recuperação no campeonato, vinha para vencer na Malásia, quando seu motor também quebrou, deixando seu então companheiro de equipe, Nico Rosberg, com uma liderança folgada na classificação, que o alemão foi controlando nas corridas restantes da temporada. Não adiantou Hamilton vencer todas as corridas restantes da temporada, quando Rosberg apenas se concentrou em terminar as provas logo atrás, administrando a situação, e evitando se expor a problemas, o que resultou no título de Nico. Ainda temos muito mais tempo e corridas para fechar o ano, mas diante do que temos visto em termos de desempenho entre Oscar Piastri e Lando Norris, não podemos dizer que a situação do australiano é desconfortável.

            Primeiro porque o desempenho dos dois pilotos, em seus melhores momentos, é bem parelho, onde nenhum deles tem uma vantagem significativa sobre o outro em ritmo de corrida. Mas, por isso mesmo, quando ocorre um erro, seja na classificação, seja em algum momento da prova, torna-se mais complicado descontar a diferença, sem forçar o equipamento mais do que o necessário. E como isso tem ocorrido mais com Norris do que com Piastri, quando o australiano consegue obter uma vantagem, ele raramente perde essa vantagem, a menos que ocorra algo fora de seu controle, como por exemplo, ter problemas maiores com o tráfego na hora de superar retardatários, ou algum imprevisto na parada de box. Já com Norris, não é que ele esteja mais vulnerável do que Piastri, mas diante do que vimos no ano até aqui, se ele começa a corrida em desvantagem, tem se mostrado mais difícil em reverter esse panorama, pelo menos na totalidade do que se necessitava. Foi o que vimos em Zandvoort: Norris dominou os treinos com aparente facilidade, parecendo que ditaria o ritmo em todo o final de semana, enquanto Oscar parecia ter maiores dificuldades para acertar o carro e o ritmo, mas na classificação, foi Piastri quem saiu na frente, mesmo que por uma margem mínima, e Lando não conseguiu dar o troco. Na largada, apesar de não ter largado mal, acabou permitindo o ataque de Verstappen, com o holandês assumindo a vice-liderança da corrida, e com isso, Norris viu Piastri escapar livre na ponta por aproximadamente 10 voltas, enquanto ele perdia tempo tentando superar Verstappen, o que só não comprometeu totalmente a prova do inglês diante das oportunidades das bandeiras amarelas que neutralizaram a vantagem que Piastri acumulara até então. Mas o australiano, ciente do que precisava fazer, soube cumprir com perfeição a sua missão, relargando com competência tão logo a pista era liberada, e não deixando brechas para sofrer uma inversão de posição com Norris, que por sua vez, tinha de se preocupar com uma investida mais agressiva por parte de Max Verstappen, e não permitir uma repetição do que ocorrera na largada. Daí que isso fazia o inglês ver o australiano escapar com mais facilidade.

Isack Hadjar foi o grande nome da prova da Holanda: conquistou o 3º lugar e foi ao pódio com uma performance firme, coroando sua temporada de estréia na F-1.

            Basicamente, quem largar na frente, lá costuma ficar. Piastri e Norris não tem feito disputas de posição durante a temporada, e não estão proibidos de fazê-lo, mas a McLaren só impõe uma regra: que eles não batam um no outro. Na Hungria, quase que eles se estranharam em determinado momento, mas para desilusão da torcida, que queria ver um duelo mais apimentado, não passou de um momento isolado. A menos que um deles cometa um erro crasso, as posições dificilmente mudarão na pista em uma briga de posição. Por isso mesmo, as largadas tem sido muito mais decisivas. E principalmente Piastri já mostrou que tem sido mais eficaz neste quesito do que Norris, que volta e meia ainda sofre com as lembranças de 2024, quando largar mal virou uma de suas falhas capitais no campeonato. Um erro de estratégia de corrida sempre pode acontecer, e virar a esperança de Norris ou Piastri mudarem o rumo da prova, mas com o domínio acachampante que o time de Woking tem imposto na competição, deslizes neste quesito tem sido muito difíceis de acontecer, tanto que nas poucas provas onde Max Verstappen discutiu a vitória, não houve um esforço válido da McLaren para reverter a desvantagem, até porque isso ocorreu muito na primeira parte do campeonato, e o time inglês, ciente da vantagem técnica que desfrutava, podia se dar ao luxo de não arriscar em estratégias alternativas para mudar a situação da corrida, o que não quer dizer que tenham abdicado de vencer a prova, apenas não era necessário arriscar além de certo ponto.

            Hoje, aqui em Monza, o panorama mais uma vez começou favorável a Lando Norris, que comandou o segundo treino livre, com Oscar Piastri ficando em 4º. Mas a diferença entre a dupla da McLaren não foi significativa, apenas 0s181. E vamos lembrar que Piastri iniciou a sexta-feira em Zandvoort parecendo estar bem mais complicado. É amanhã, na classificação, que iremos ver se o australiano dará novo bote no inglês, e se colocará em xeque uma possível reação de Norris. A pista de Monza, de alta velocidade, em tese facilita as ultrapassagens, mas alguns carros, como a Williams e a Ferrari, e até mesmo a Red Bull com Verstappen, podem aproveitar as brechas que surgirem, e se intrometerem no meio dos dois pilotos, podendo complicar os planos de quem, por algum motivo, ficar para trás. Uma nova derrota para Piastri, em caso de dobradinha do time de Woking, elevaria a desvantagem de Lando para 41 pontos, e com uma corrida a menos, começaria realmente a complicar a posição do inglês no duelo pelo título, se nada de anormal ocorrer com Piastri. E aí, Norris poderia ir mesmo a nocaute no campeonato.

            E a partir daí iremos ver quem de fato consegue manter o foco na competição. Se Norris conseguir inverter a situação, e diminuir a desvantagem, Piastri certamente não vai se abalar com isso, pela vantagem que ainda irá possuir, exceto se algo inesperado ocorrer, como o que houve com Norris em Zandvoort. Mas, e se Piastri aumentar ainda mais sua dianteira? Como Lando irá encarar isso nas próximas corridas? O australiano, como já mencionei, tem conseguido se manter mais frio e focado este ano, em comparação com Norris. E Lando, se sentir a situação fugindo do controle, manterá a cabeça no lugar, ou começará a pipocar na competição? Monza pode responder a estas questões, dependendo do que acontecer na pista. Ou não… Veremos quem sairá vencedor no embate deste final de semana, e como isso poderá definir de forma contundente a disputa do título da temporada entre a dupla do time papaia...

 

 

Desgraça pouca é bobagem, diz o ditado, e no caso de Lewis Hamilton, isso parece estar virando regra, e não a exceção. O heptcampeão ainda está devendo na Ferrari, e na Holanda, teve um revés duplo: cometeu um erro de principiante (apesar das reclamações do carro) e bateu, e pior ainda, vai perder 5 posições no grid domingo aqui em Monza, por ter passado acima do limite de velocidade permitido em regime de bandeira amarela. O ditado, contudo, também pode ser aplicado à Ferrari, que em nenhum momento se viu em condições de brigar pelo pódio, tendo passado a corrida inteira sem conseguir superar a excelente atuação de Isack Hadjar com a Racing Bulls, e numa briga de foice com a Mercedes, que no caso de Charles LeClerc, cortou bravo na barbeiragem de Andrea Kimi Antonelli, que ao tentar superar o monegasco logo que este saiu dos boxes, acabou atingindo a Ferrari, e provocando o abandono de Charles, culminando em um abandono total da Ferrari na corrida, para desespero dos ferraristas, e claro, dos torcedores, e ainda mais sendo uma corrida anterior justamente à da Itália, onde o time de Maranello tem obrigação de dar satisfações à torcida, depois do fiasco nos Países Baixos. O problema é que o modelo SF-25 parece não ajudar muito, o que não torna mais fáceis a situação para sua dupla de pilotos. As maiores esperanças, claro, estão em LeClerc, especialmente pelo desempenho do piloto na temporada, onde foi o único a subir ao pódio pelo time (a corrida sprint da China, vencida por Hamilton, não é considerada “pódio”) com performances mais firmes. Claro que não se pode menosprezar Lewis Hamilton, mas será que o inglês desencanta, enfim? Tomara, porque será muito necessário, ainda mais em Monza, e até para compensar a punição de 5 posições que tomou, o que vai exigir recuperar posições na corrida…

Charles LeClerc: desilusão da Ferrari após receber um toque de Andrea Kimi Antonelli.

 

 

Uma no cravo, outra na ferradura: a FIA continua um acinte no que tange a algumas punições, e na Holanda, a discórdia foi a respeito da punição aplicada a Carlos Sainz Jr., depois do toque que teve com Liam Lawson, onde a culpa foi muito menos do espanhol do que do piloto da Racing Bulls, e mesmo assim, foi Carlos a receber a punição, completamente sem entender o motivo, e claro, arruinou sua corrida, onde tinha tudo para brigar por resultados pontuáveis, como se já não tivesse perdido tempo nos boxes precisando trocar a asa dianteira… Sainz é outro que precisa se benzer, porque o azar vez ou outra vem dando mole em cima dele, enquanto seu companheiro de time, Alexander Albon, vai comandando a Williams na pista, deixando o companheiro de equipe cada vez mais para trás. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

FLYING LAPS – AGOSTO DE 2025

            Já chegamos ao mês de setembro, e o tempo parece estar voando, tão ou até mais rápido do que os bólidos de competição que vemos nas mais diversas categorias de competição pelo mundo agora, entrando no último mês do terceiro trimestre de 2025. E todo início de mês é hora de mais uma nova sessão da Flying Laps, com alguns comentários de alguns acontecimentos no mundo da velocidade ocorridos nesse último mês de setembro, desta vez com parte dos acontecimentos da Formula-E, e um pequeno apanhado da MotoGP. Portanto, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no próximo mês, trazendo notas sobre os acontecimentos deste mês de setembro. Até lá, então, pessoal...

A Formula-E começa a definir o line-up de pilotos de alguns times para a próxima temporada da competição, que terá início no final do ano, aqui em São Paulo. A Envision, time cliente dos trens de força da Jaguar, anunciou a renovação de contrato do suíço Sébastien Buemi, em mais um daqueles contratos “plurianuais”, valorizando a experiência do piloto, apesar da má fase que tem vivido em tempos recentes. Por outro lado, Robin Frijns, que fez parceria com Buemi nestes dois últimos anos, deixou o time, e até o fechamento desta coluna, ainda não tinha sua situação certa para a próxima temporada da competição dos carros monopostos totalmente elétricos. E vale lembrar: com a saída da McLaren, o grid encolheu, ficando agora com apenas 10 times, e 20 carros, o que torna mais difícil a manutenção de certos pilotos na competição. Na disputa pelo segundo carro da Envision, o nome de Joel Eriksson ganhou força na concorrência contra Stoffel Vandoorne e Jake Hughes, que também miram o lugar vago, e pode ser o escolhido, uma vez que o time já tem o seu piloto experiente. Mas é claro que ambos não podem ser descartados nesta escolha. Veremos quem irá ganhar esta parada.

 

 

Quem também não fica no mesmo time para a próxima temporada é Antônio Félix da Costa, que anunciou que está deixando o time oficial da Porsche, depois de defender a escuderia alemã pelos últimos três campeonatos. Da Costa nunca escondeu que gostaria de disputar também o Mundial de Endurance – WEC, mas a Porsche exigia comprometimento exclusivo com a Formula-E, o que desagradava o português, que apesar de ter tido desempenhos oscilantes na equipe, tinha contrato para seguir no time pelo próximo campeonato. Mas, com o clima ruim entre o piloto e o time, e ainda mais com Pascal Wehrlein, com quem já não vinha se dando bem há tempos, Antônio preferiu sair em busca de melhores alternativas, e uma delas pode ser a Jaguar, que perdeu Nick Cassidy para o novo time da Citroen, que deve ser o novo nome da Maserati no grid, que em dificuldades financeiras, será assumido pela Stellantis, que tem desejo de promover a marca na competição. O time britânico continua com Mith Evans, e terminou a última temporada em alta, finalmente se acertando na competição, após uma temporada complicada onde foi uma das maiores decepções, ficando longe de disputar o título como prometia fazer. A Porsche, aliás, diante do desempenho oscilante de Da Costa, tinha contratado Nico Muller, que tinha feito uma temporada impressionante com o fraco carro da ABT na temporada retrasada, encaixando-o na Andretti, seu time cliente, com vistas a coloca-lo no lugar do português no time principal, mas Muller fez uma temporada decepcionante no último campeonato, ficando completamente à sombra de Jake Dennis na Andretti, e sua ida para o time da Porsche agora é posta em dúvida, embora ainda não tenha sido completamente descartada.

 

 

Enquanto isso, a Stellantis prepara-se para aumentar efetivamente sua participação na Formula-E. O conglomerado já atua na Penske com a sua marca DS, e com a Maserati afundada em dívidas, está assumindo a escuderia – que já foi a Venturi, para promover a entrada de outra marca do grupo na competição, a Citroen, marca que já teve grande sucesso no Mundial de Rali. E a dupla do novo time terá ninguém menos que Jean-Éric Vergne, que está deixando o time de Jay Penske para apostar na nova empreitada da Stellantis, que também terá Nick Cassidy, que deixou a Jaguar, depois de uma temporada irregular pelo time inglês, preferindo buscar novos caminhos. Mas a investida da Stellantis é muito maior do que apenas assumir o time da Maserati e trocar seu nome. Muitas mudanças serão feitas na escuderia, sendo que inclusive, deverá deixar suas atuais instalações em Mônaco para provavelmente se mudar para perto de Paris, para desenvolver suas atividades na era dos carros Gen4 da Formula-E, e com a intenção de ser um time de ponta, e disputar o título. São grandes metas, vamos ver se eles conseguirão promover este crescimento todo que dizem que vão promover...

 

 

Marc Márquez tem feito a temporada 2025 da MotoGp parecer um campeonato de um piloto só. Apesar de ter travado algumas boas disputas, a maior parte delas com o próprio irmão caçula Álex, pela vitória em algumas provas, a “Formiga Atômica” tem deitado e rolado na competição, e teoricamente quem mais poderia lhe fazer frente, Francesco Bagnaia, justamente seu companheiro de equipe na Ducati, tem ficado pelo caminho, e cada vez mais vê sua temporada ficar ridícula, quando deveria estar não apenas brigando pelo título, mas está perdendo até mesmo a disputa pelo vice-campeonato. Na etapa da Áustria, enquanto vimos um Marc Márquez decidido e determinado, que arrancou a vitória tanto na prova Sprint quanto na corrida de domingo, o bicampeão italiano ficou pelo caminho na corrida curta, e na prova principal, um mediano 8º lugar que só serviu para deixá-lo ainda mais longe na classificação, uma vez que Álex Marquez abriu mais 7 pontos de vantagem para Bagnaia, que só não está pior no campeonato porque o resto da concorrência não consegue se aprumar para aproveitar devidamente os percalços dos pilotos do time oficial da Ducati. Na prova Sprint em Zeltweg, o duelo pela vitória se deu novamente entre os irmãos Márquez, com novo triunfo para o irmão mais velho, sobre o caçula, que faz sua melhor temporada na MotoGP, e é o vice-líder da competição, defendendo a Gresini, time satélite da Ducati. Já no domingo, Marc Márquez também precisou tirar o doce da boca de um piloto da Gresini, neste caso, de Fermin Aldeguer, que bem que tentou resistir, mas não foi páreo para o hexacampeão. Quem também foi muito bem no fim de semana da MotoGP na Estíria foram Pedro Acosta e Marco Bezzecchi, que terminaram as corridas em posições invertidas: Acosta foi 3º colocado na prova Sprint, e 4º na corrida de domingo; já Bezzecchi foi 4º na corrida curta, e 3º na prova de domingo. Em depois de fazer seu retorno à competição na etapa da República Tcheca, Jorge Martin terminou a prova Sprint da Áustria em 10º, quase marcando ponto em sua reestréia na temporada, enquanto no domingo, as coisas não fluíram muito bem, e ele acabou abandonando a corrida, mas pelo menos dando a entender que os humores do piloto com a Aprilia parecem superados, depois que o atual campeão deu a entender que queria pular fora do time já para 2026, no que a Aprilia bateu o pé e disse que exigira o cumprimento integral do contrato do espanhol, prometendo ir aos tribunais para fazer valer o seu direito.

 

 

E a MotoGP enfim estreou a pista nova da prova da Hungria, o circuito de Balaton Park. Mas, se fora da pista as coisas eram diferentes, com o pessoal se acostumando com as instalações, e o traçado do novo circuito do calendário, dentro dela a situação continuou a mesma de sempre: Marc Márquez fez novamente tudo o que havia para ser ganho no fim de semana húngaro, com novas vitórias tanto na corrida Sprint quanto na corrida de domingo, não dando chance a ninguém. A “Formiga Atômica” teve a companhia da dupla da VR46 no “pódio” da prova curta, com Fabio Di Giannantonio em 2º lugar e Franco Morbidelli em 3º. E com o 9º lugar, o atual campeão Jorge Martin marcou seu primeiro ponto na temporada 2025, o seu primeiro na Aprilia. E quem fez uma boa corrida curta foi Luca Marini, com um 4º lugar encorajador com a Honda oficial. Quem não fez grande coisa, mais uma vez, foi “Pecco Bagnaia”, que teve um desempenho sofrível na prova curta, terminando apenas em 13º lugar. E perdendo mais terreno na briga com Álex Márquez, que foi o 8º colocado, um resultado mediano, mas ainda assim, marcando mais 2 pontos, e indo-se embora do bicampeão italiano. Está ficando feio mesmo para Bagnaia esse momento...

 

 

Como desgraça pouca é bobagem, o bicampeão não foi lá muito melhor na corrida principal, recebendo a bandeirada com um morno 9º lugar. Mas, se “Pecco” teve de ver seu companheiro de equipe vencer a corrida, ao menos ele retirou alguns pontos do déficit que possui em relação a Álex Márquez, que não foi bem na corrida principal, terminando em um inesperado 14º posto, perdendo assim 5 pontos da dianteira que possui em relação a Bagnaia. Mesmo assim, é uma consolação vã: Álex Márquez segue firme na vice-liderança do campeonato, com nada menos do que 280 pontos, enquanto Bagnaia tem “apenas” 228, um diferença de 52 pontos. OK, quando foi campeão pela primeira vez, “Pecco” precisou tirar uma diferença muito maior de Fabio Quartararo, mas o francês corria com uma Yamaha que já começava a ficar claudicante, enquanto o italiano contava com a ascendente Ducati, que passava a ser a moto dominante na competição. Aqui, a parada é mais complicada, porque ambos os pilotos competem com motos da Ducati, sendo que Bagnaia conta com a GP25, enquanto Álex, na Gresini, corre com a GP24, que foi campeã no ano passado com Jorge Martin, na Pramac. A diferença entre as duas motos tem sido pequena, mas para piorar, Bagnaia parece se complicar a cada final de semana, e não tem conseguido tirar a diferença para o mais novo dos irmãos Márquez, e assim, vemos o bicampeão em uma situação inusitada, e nada agradável, sendo um coadjuvante de luxo na temporada, completamente à sombra dos irmãos Márquez, que vem dominando a competição com o mais velho, e vendo o mais novo deitar e rolar com a sua melhor campanha na classe rainha do motociclismo.

 

 

E Jorge Martin finalmente fez uma corrida digna do seu status de campeão da MotoGP. O espanhol já tinha conseguido marcar seu primeiro ponto na corrida de sábado, mas no domingo, voltou a mostrar a velha forma, e terminou em um merecido 4º lugar, em um dia onde a Aprilia brilhou na pista de Balaton Park, com Marco Bezzecchi terminando em um excelente 3º lugar, fechando o pódio, atrás de Pedro Acosta, da KTM. Jorge ainda está se familiarizando com a nova moto, e por isso mesmo, o desempenho é encorajador, mostrando que o atual campeão, depois dos percalços vivenciados desde o início da pré-temporada, parece que vai recuperando a forma e a velocidade, e está pronto para tentar se reerguer na Aprilia, seu novo time, que certamente espera ver o piloto em ascenção nas provas que restam nesta temporada, que acabou ficando completamente comprometida diante dos problemas enfrentados pelo espanhol. E é o que a Aprilia espera do piloto, que contratou para comandar o time na pista, buscando conseguir desafiar a supremacia da conterrânea Ducati. E Marco Bezzecchi, que já conseguiu vencer uma corrida este ano, mostra que a moto não é tão ruim como Martin chegou a insinuar que poderia ser, quando deu mostras de querer abandonar o barco sem ter estreado devidamente. A Aprilia ainda não é a Ducati, mas quem sabe possa vir a ser no futuro próximo. É o que todos esperam...