sexta-feira, 6 de outubro de 2023

UM NOVO DESAFIO À FRENTE

Acabou o casamento entre Marc Márquez e a Honda, depois de mais de uma década de muitas conquistas, mas de muitas frustrações nos últimos dois anos.

         Se o campeonato da MotoGP pegou fogo nas últimas corridas, com o azar do atual campeão Francesco Bagnaia, que escapou por pouco de sofrer lesões mais sérias no atropelamento que sofreu na etapa da Catalunha, em Barcelona, e a ascensão fulminante de Jorge Martin, com ambos separados na classificação por míseros 3 pontos, e com seis corridas ainda para encerrar a competição de 2023, o grande assunto da semana na classe rainha do motociclismo passou a ser o anúncio da ruptura de Marc Márquez com a equipe oficial da Honda, com a “Formiga Atômica” anunciando que tomará novos rumos em 2024, muito provavelmente defendendo a Gresini, embora a escuderia ainda não tenha se pronunciado oficialmente sobre a chegada do piloto para o próximo ano. O acordo já era mais do que esperado, diante da falta de perspectivas de Márquez, que não viu melhoras significativas no teste do protótipo de 2024 realizado há poucas semanas, além do fato também da Gresini adiar a informação de qual seria sua dupla de pilotos para a próxima temporada. Pesava principalmente como o hexacampeão resolveria seu assunto contratual com a escuderia nipônica, já que em outros momentos ele havia declarado que cumpriria integralmente o acordo firmado ainda em 2020, se bem que, diante do desgaste da relação vivenciada este ano, o próprio time também se pronunciou dizendo que não se oporia à saída de seu piloto, caso isso ocorresse.

         Mas piloto e equipe chegaram a termo para encerrar o vínculo, que ia até o fim da temporada de 2024, ao fim da atual temporada. Com isso, devidamente confirmado, o hexacampeão voltará a formar dupla com seu irmão caçula Álex Márquez, com quem dividiu o time de fábrica da Honda na temporada de 2020, nas poucas etapas em que pode competir naquele ano. O assunto já está gerando o maior burburinho entre fãs e imprensa especializada, no que tange às possibilidades de Marc com a melhor moto do grid, mas há muitos detalhes a serem considerados nisso. Primeiro, o próprio Marc Márquez não fala em restabelecer sua hegemonia, como foi nos seus tempos áureos na Honda. A Gresini é um time satélite da Ducati, e até informação em contrário, ela recebe as motos de competição do ano anterior, que em 2024, deverá ser a Desmosédici GP23, enquanto o time de fábrica de Borgo Panigale terá à sua disposição a nova GP24, modelo que também estará disponível para a Pramac, seu principal time satélite. Em termos de equipamento, a Gresini está equiparada à VR46, que também utilizará a GP23 no próximo ano.

Com uma moto errática e imprevisível, nem mesmo Márquez tem conseguido extrair performance, mesmo andando até acima do limite, e com isso, veio caindo bastante na atual temporada, e chegando a se machucar em algumas quedas.

        Segundo, é preciso reconhecer que Marc Márquez é decididamente um dos gigantes da história da MotoGP, e o seu grande destaque da última década. O piloto ainda é relativamente novo, e poderá ter várias temporadas pela frente, mas isso não significa que ele irá arrasar novamente a concorrência. Quem garante que não haja no grid atual pilotos que possam igualar-se à “Formiga Atômica” em talento e capacidade? Grandes nomes do grid atual, como Fabio Quartararo, Brad Binder, Jorge Martin, e até mesmo o atual campeão, “Pecco” Bagnaia, não seriam capazes de equilibrar a briga com o futuro ex-Honda? É verdade que vimos diversos shows de pilotagem do piloto, mas ele competiu com uma moto Honda que era um equipamento bastante competitivo, senão a melhor moto do grid em algumas temporadas, e conseguia extrair do equipamento uma performance absurda, que nenhum de seus companheiros de time conseguiu igualar. Porém, é preciso considerar que a moto japonesa tinha nos últimos anos um comportamento nervoso que Márquez conseguia domar com maestria, o que não acontecia com seus colegas de time. Mas, e como se dará essa performance do hexacampeão, se os rivais contarem com motos competitivas que lhe permitam extrair também o máximo delas?

        Terceiro, como estará a competitividade da Desmosédici no próximo ano? É praticamente certo que a Ducati ainda será o melhor equipamento do grid, se os rivais não conseguirem apresentar um equipamento mais evoluído do que os atuais, e neste caso, se a Gresini tiver de fato o modelo GP23, teremos uma boa e talvez uma má notícia. A boa notícia é que o modelo GP23 vai ser uma moto campeã, que certamente fará o vencedor da temporada atual, e portanto, será um equipamento competitivo, fiável e bem testado, muito melhor do que a moto da Honda, pela expectativa, ou falta dela, em relação ao modelo do próximo ano. A má notícia, e que ainda não pode ser mensurada, é qual será o desempenho do novo modelo GP24, que será uma evolução da GP23, enquanto a moto mais nova ficará com o time oficial e a Pramac. Por esse parâmetro, a competitividade da GP23 ano que vem será determinada pelo desempenho de sua sucessora, mas principalmente, do que os concorrentes poderão apresentar. Se formos ver o campeonato deste ano, vemos que a Ducati realmente está dominando o campeonato. Os três primeiros colocados na classificação usam motos Ducati, com o atual campeão, Francesco Bagnaia, liderando a competição com a equipe oficial de fábrica. Logo atrás, na vice-liderança, em uma arrancada impressionante nas últimas etapas, está Jorge Martin, com a mesma Ducati do time de fábrica, mas defendendo a Pramac, time satélite. E com uma diferença mínima entre eles, devido à combinação do mau momento de Bagnaia nas últimas provas, e do excelente momento de Martin. Um pouco mais atrás, vem Marco Bezzecchi, com outra Ducati, mas o modelo GP22, do também time satélite VR46.

Irmão mais novo, Álex Márquez deve voltar a fazer dupla com seu irmão Marc na Gresini em 2024, depois de serem companheiros de equipe no time oficial da Honda em 2020.

         O primeiro “intruso” da dinastia Ducati é Brad Binder, na 4ª colocação, com a KTM, mas com o sul-africano distante 118 pontos do líder Bagnaia, e 64 pontos atrás de Bezecchi, ilustrando o abismo na pontuação. Na 5ª posição vem Aleix Spargaró, da Aprilia, que não vem fazendo uma temporada tão impressionante quando a de 2022, 30 pontos atrás de Binder. E daí para baixo, todo mundo é coadjuvante no campeonato, sem chance alguma de incomodar o TOP-3. Podemos supor, portanto, que a GP22 ainda é competitiva, mas não podemos negar que os concorrentes também estão negando fogo em apresentar maior competitividade a seus equipamentos, em especial a Aprilia, que foi uma das sensações da temporada passada, enquanto a KTM, apesar de estar relativamente bem, não parece conseguir ir além do que já mostrou este ano, também não se configurando uma ameaça que tire o sono dos pilotos do TOP-3 da classificação. E não basta ter o equipamento em mãos, é preciso saber trabalhar com ele devidamente.

Álex Márquez, atual piloto da Gresini, é apenas o 11º colocado na classificação do campeonato, mostrando que a Gresini no momento não está brilhando como se poderia esperar, perdendo para a VR46 por larga margem, considerando que os dois times usam a mesma GP22. Mas, isso não significa que a escuderia não possa melhorar no próximo ano, lembrando que no ano passado, Enea Bastianini, que era piloto da Gresini, venceu várias corridas e chegou até a entrar na briga pelo título, terminando a temporada em 3º lugar. Se o time conseguiu esse desempenho, pode voltar a consegui-lo, mas isso é uma possibilidade, não uma certeza. Vai depender de como Marc Márquez se adaptar à Desmosédici. Por mais que a “Formiga Atômica” tenha conseguido se sobressair com uma moto Honda cujo comportamento nervoso vitimou outros pilotos de talento renomado do grid, com Dani Pedrosa e Jorge Lorenzo, não sabemos se ele irá se encaixar rapidamente no estilo de pilotagem da moto italiana, depois de tantos anos acostumado ao comportamento da moto japonesa. Ele pode se adaptar rapidamente, ou pode ter dificuldades. Jorge Lorenzo, tricampeão com a Yamaha, levou mais de meia temporada para se encaixar no estilo de pilotagem da Ducati quando chegou ao time italiano anos atrás, e mesmo depois de “pegar” a mão da Desmosédici, ele não conseguiu brilhar como esperava, ficando nas duas temporadas que lá esteve na sombra de Andrea Dovizioso, que nunca foi considerado um piloto TOP, mas chegou até a disputar o título contra Marc Márquez, tendo sido vice-campeão por três anos consecutivos. Marc Márquez não é Jorge Lorenzo, e muito menos Andrea Dovizioso, mas não se pode negar a possibilidade do hexacampeão, por algum destes motivos estranhos que por vezes ocorrem no mundo esportivo, não se “encaixar” com o novo equipamento. Se ele tirar de letra, ótimo para ele, e uma possível dor de cabeça para os rivais na pista, até porque ele mesmo declarou que seu objetivo é voltar a ser “o maior de todos”. Nada contra sua meta, mas faltará combinar com os rivais na pista.

         Some-se a isso o fato de Marc Márquez estar desembarcando na Gresini praticamente em vôo solo. O time satélite da Ducati não teria permitido que ele trouxesse nenhum engenheiro ou técnico da Honda, a fim de garantir que seus segredos não “vazem” para a concorrência, já que o contrato do piloto, a princípio, seria apenas para a temporada de 2024. Isso conduz a novas especulações sobre qual pode ser o destino da “Formiga Atômica” em 2025, se ele seguiria na Gresini, ou se a Ducati apostaria em coloca-lo no time oficial de fábrica. Ainda há a hipótese do hexacampeão migrar para a KTM, mudança que não seria possível em 2024, uma vez que a fábrica austríaca está completamente sem vagas disponíveis no momento, mas poderia ser viabilizado para o ano seguinte.

         Há outra variável que pode ocorrer, que seria a Gresini receber a nova GP24, para uso exclusivo de Márquez, mas a cúpula da Ducati dificilmente tomaria tal decisão, para evitar “desbalancear” o equilíbrio de importância de seus pilotos, e até de seus times satélites, o que poderia criar rinhas internas que seria indesejáveis. A adição de Marc Márquez seria um reforço mais do que bem-vindo, mas a própria Ducati tem seus talentos, e dar um tratamento preferencial ao hexacampeão seria desvalorizar seus contratados. Não que isso não possa mudar futuramente, mas para tal acontecer, Marc Márquez precisaria mostrar desde já a sua capacidade diferenciada que o fez hexacampeão da classe rainha do motociclismo, e isso só poderia ser visto ao fim da temporada de 2024, onde tudo pode acontecer, onde o futuro ex-Honda pode até voltar a arrebentar, mas também pode não fazer nada demais.

Situações diferentes nos times satélites da Ducati: a Pramac (acima) corre com a mesma moto do time oficial, enquanto a VR46 (abaixo), assim como a Gresini, utiliza a Desmosédici da temporada anterior.


         Mas, alguns fãs parecem tão entusiasmados que não estão nem aí para estas particularidades. Alguns já falam até que Márquez já seria o campeão de 2024, porque com a melhor moto do grid não teria para ninguém, enquanto alguns falam que seria covardia o piloto correr com a Ducati no momento atual da marca. Cal Cruthlow, que foi piloto da Honda alguns anos atrás, até reforçou essa impressão, de que com a Ducati nas mãos, Márquez voltaria a ser imbatível na pista, esquecendo-se que já se passaram alguns anos de lá para cá. Dá até a impressão de que o campeonato de 2024 já acabou antes mesmo de começar, ignorando completamente todos os pormenores relatados acima, que sim, farão diferença no andamento da competição. E não vamos esquecer que o Marc Márquez de agora, mesmo estando completamente recuperado, pode não ser o mesmo que arrasava os concorrentes na pista. Embora tenhamos visto sinais de sua conhecida genialidade e talento, precisamos ver como ele estará de fato com uma moto mais competitiva de forma regular e constante em termos de performance, algo que faltou na Honda nos últimos tempos.

         Marc Márquez passou por maus bocados nos últimos anos, desde que sofreu aquele acidente na primeira corrida de 2020 em Jerez de La Frontera, lesionando o braço. Na pressa de tentar voltar já no fim de semana seguinte, forçou demais o braço recém-operado, o que levou a complicações que exigiram várias outras cirurgias, e muitos meses de afastamento, onde precisou aprender a ter paciência, e a ouvir mais os médicos a respeito dos riscos de uma recuperação malfeita. O piloto também acabou tendo reveses inesperados, como os tombos que sofreu que lhe causaram diplopia, exigindo mais tempo de afastamento. Basicamente, só no início deste ano Márquez parece ter voltado completamente recuperado. Mas aí, os problemas da moto arisca, para não mencionar algumas manobras arriscadas e outras atabalhoadas, acabaram provocando alguns machucados que fizeram com que o piloto perdesse novamente mais algumas provas. Acostumado a pilotar sempre no limite, o número de tombos, e o retrospecto recente de agruras sofridas parecem ter convencido o piloto de que não poderia continuar mais arriscando andar no fio da navalha sempre, até porque por mais que se esforçasse, o desempenho atual da RC213V não correspondeu ao esperado. Muito pelo contrário: nunca Márquez caiu tanto da moto em tão pouco tempo.

         Depois de uma década, com boa parte dela repleta de glórias, títulos e marcas impressionantes obtidas na classe rainha do motociclismo, Marc Márquez inicia uma nova fase em sua carreira, disposto a recuperar o protagonismo perdido nos últimos anos. E todos querem ver como ele estará de fato, voltando a duelar com uma moto mais competitiva. Ele decidiu que não haveria tempo para esperar a Honda voltar a ser competitiva como gostaria, pois o tempo não espera por ninguém, e se ele se sentia capaz de aceitar o desafio de correr por outra marca, o momento é agora, pois mais para frente, as dificuldades poderiam ser ainda maiores, para não mencionar que, quanto mais tempo se passa sem bons resultados, você já não impressiona as pessoas como costumava fazer, mesmo que o talento e a capacidade ainda estejam lá. Agora, a bola está com o hexacampeão, e que ele consiga se mostrar à altura do novo desafio que encara em sua carreira de piloto na MotoGP. Veremos em 2024 se ele será bem sucedido ou não...

 

 

A Fórmula 1 inicia hoje os treinos oficiais para o Grande Prêmio do Qatar, no reformado circuito de Losail, e sendo mais uma prova com corrida Sprint, a perspectiva é de que Max Verstappen encerre aqui nas areias catarianas a conquista do tricampeonato, já que precisa apenas de poucos pontos para fechar a disputa matematicamente, não importa o que façam seus adversários. Mais uma corrida noturna na temporada, a prova Sprint terá largada às 14:30 Hrs. deste sábado, enquanto a corrida no domingo será disputada às 14:00 Hrs., ambas com transmissão ao vivo da TV Bandeirantes.

A pista de Losail recebeu a F-1 em 2021, e o GP do Qatar volta ao calendário este ano para ficar.

 

 

Liam Lawson ganhou mais uma chance de mostrar o que sabe na pista, defendendo a Alpha Tauri. Daniel Ricciardo teve seu retorno postergado, com o australiano devendo voltar à competição somente nos Estados Unidos, de modo que Lawson, que deverá ocupar o posto de piloto de testes da Red Bull durante a temporada de 2024, continuará sendo o companheiro de Yuki Tsunoda neste fim de semana em Losail. Liam sabe que toda oportunidade para estar na pista é crucial, já que a Red Bull não garantiu onde alocará o piloto em 2025, apenas afirmou que ele será “considerado” entre as opções. Dependendo do rendimento de Ricciardo na temporada do ano que vem, é possível que Daniel volte para a Red Bull em 2025, com Lawson assumindo titularidade na Alpha Tauri, então. Já Sergio Perez, que tem contrato até o fim de 2024, precisará mostrar serviço no próximo ano, se quiser garantir seu emprego, sendo que alguns especulam que, se o mexicano cair de produção novamente, como ocorreu este ano, o retorno de Ricciardo à Red Bull pode até ser antecipado, com o mexicano sendo “rebaixado” para o time B dos energéticos, e dispensado totalmente em 2025, obrigando-o a ter de procurar outra equipe para se manter no grid.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

FLYING LAPS – SETEMBRO DE 2023

            E já chegamos ao mês de outubro, e nem parece que o mês de setembro passou tão rápido como foi. Já passamos da metade do segundo semestre do ano de 2023, e o ano se encaminha para sua reta final, com uma velocidade que parece tão ou até maior do que a dos bólidos de competição. Portanto, com mais um início de mês, é hora de relacionar aqui alguns acontecimentos deste mês de setembro que se foi, em mais uma edição da sessão Flying Laps, como é de praxe, sempre com alguns comentários rápidos sobre os eventos citados. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início do mês que vem, mais uma vez avançando firme rumo ao fim de 2023...

Mudanças nas equipes da Formula-E para a temporada de 2024. A Maserati, que inicialmente tinha sua dupla de pilotos atual garantida para o próximo campeonato, resolveu rescindir o contrato de Edoardo Mortara, que fazia parte do time desde os tempos da Venturi, antigo nome da escuderia. Com isso, o time sediado em Mônaco em teoria abriria uma vaga para ser o companheiro de Maximilian Gunther, que poderia ser preenchida por um brasileiro, Felipe Drugovich, que fez dois testes este ano pelo time, e surpreendeu terminando ambos com o melhor tempo do dia. Vale lembrar que Felipe também era cogitado pela Andretti, que ficava com um lugar vago com a saída de André Lotterer para competir em tempo integral no Mundial de Endurance, mas acabou optando pela contratação de Norman Nato para a posição, não confirmando o interesse de contar com Drugovich. Outro nome potencial na disputa poderia ser o de Nyck De Vries, dispensado pela Alpha Tauri na F-1, e que inicialmente já seria o piloto do time da marca italiana na F-E, quando preferiu aceitar o desafio de ser titular na categoria máxima do automobilismo, e obrigou o time a ir atrás de Gunther para a posição. Mas a escuderia já se pronunciou sobre quem será seu novo piloto, que será Jehan Daruvala, fechando então as portas Felipe Drugovich, que agora fica na esperança de ocupar a vaga de Logan Sargent na equipe Williams de F-1, apesar de a escuderia de Grove afirmar que pretende manter o estadunidense no time em 2024.

 

 

Mais uma mudança, esta até inesperada na F-E: Lucas di Grassi, que tinha contrato para permanecer na Mahindra em 2024, também rescindiu seu acordo com o time indiano, depois da pior temporada vivida pelo piloto em quase uma década competindo no certame de carros monopostos elétricos. É a segunda baixa da Mahindra no ano, uma vez que Oliver Rowland, o outro piloto da escuderia, já havia pedido para sair durante a temporada, insatisfeito com a falta de performance do carro indiano, que foi o pior do grid de toda a temporada 2023. Rowland acabou substituído por Roberto Merhi, que não ficaria no time para o próximo ano, de modo que agora, com a saída de Lucas, ficava com suas duas vagas em aberto, além da grande dúvida que é se irá conseguir recuperar a competitividade de seu trem de força para o próximo ano, se quiser ter chances efetivas de buscar melhores resultados. Só que a Mahindra não perdeu tempo, e já fechou sua dupla titular para o próximo campeonato. Edoardo Mortara, dispensado da Maserati, fará dupla com ninguém menos que Nyck De Vries, ex-Alpha Tauri na F-1, marcando então o retorno oficial do piloto ao certame dos carros monopostos elétricos depois de um ano de ausência de sua investida infelizmente fracassada na F-1.

 

 

E qual seria o destino de Lucas Di Grassi? Campeão da categoria, vencedor da primeira corrida da história da F-E, e um dos recordistas de vitórias na competição, Lucas viveu este ano seu pior momento no certame, conseguindo apenas uma pole-position e um pódio logo na prova inaugural da temporada, na Cidade do México, antes que a competitividade real da Mahindra viesse à tona, e condenasse Lucas a um ano de martírio e poucas satisfações na pista. Um dos destinos possíveis seria a ABT, time pelo qual o brasileiro já competiu quando a escuderia era associada à Audi. O time retornou este ano à F-E como equipe independente, com um acordo para utilizar o trem de força da Mahindra, e tal como o time oficial, fez uma temporada muito aquém de qualquer satisfação, e perdeu Robin Frijns para 2024, com o piloto retornando ao seu antigo time, a Envision, e contando apenas com Nico Muller como piloto para 2024. Lucas seria bem-vindo para defender novamente a escuderia, que pode ter ainda outro rompimento: o da parceria com a Mahindra, que ainda é válido para o próximo ano, mas certamente não será estendido além, com a equipe buscando um equipamento mais competitivo, e segundo alguns boatos, a Porsche poderia ser a nova fornecedora de trem de força para a ABT, o que resolveria seu problema de contar com um trem de força pouco competitivo, para a temporada de 2025. E não deu outra: a contratação de Di Grassi já foi confirmada pela escuderia, reafirmando a parceria de que desfrutaram juntos por sete temporadas na F-E, e que agora entrará em uma nova fase. Com isso, Di Grassi garante sua permanência na F-E, tornando-se o piloto mais experiente do grid, e tendo esperanças de obter melhores dias na próxima temporada, confiando que a Mahindra consiga melhorar o seu equipamento, para obter um desempenho mais aceitável. Lucas fala em acertar um passo de cada vez. E com a confirmação de Lucas na ABT, o Brasil continua com dois pilotos brasileiros no grid, já que Sergio Sette Câmara renovou com a NIO, e seguirá no time em 2024.

 

 

Enquanto aguarda a definição de seus times para compor o grid da próxima temporada, a Formula-E já sofreu uma perda para 2024: a prova de Hyderabad, na Índia, que fez sua estréia este ano no calendário da competição, estaria fora do páreo para ter uma segunda edição. O problema seria o financiamento do evento, que este ano foi promovido pela empresa Greenko, que atua no setor de energias renováveis. A Greenko teria retirado seu apoio à corrida, de forma que sem o dinheiro do grupo indiano, a corrida tem poucas chances de ocorrer novamente. O governo do Estado de Telangana também patrocinava a corrida, mas em menor escala do que a empresa do setor de energias renováveis. O cancelamento da corrida ainda não foi feito de forma oficial, mas as chances da corrida se manter no calendário ficam bem reduzidas. A F-E já havia divulgado um calendário provisório da temporada de 2024, e uma das datas em aberto era reservada para a prova indiana, mas diante do novo dilema, agora terá de ser ocupada por outro evento. Uma das possibilidades seria o retorno de Sanya, na China, onde a F-E deixou de correr nos últimos anos devido às restrições da pandemia de Covid-19, mas que poderia retornar no próximo ano, agora que o país levantou as restrições até então vigentes sobre o coronavírus...

 

 

A Indycar anunciou o seu calendário para a temporada de 2024, e as novidades são o retorno de Milwaukee, em rodada dupla na competição. Mas, se o tradicional oval de West Allis faz o seu retorno, o Texas Motor Speedway, por outro lado, ficou de fora, devido a conflitos de datas com o pessoal da Nascar. Outra novidade será a corrida All-Star, que será uma prova extra-campeonato, sem contar pontos, mas que distribuirá um prémio de US$ 1 milhão ao seu vencedor, e será realizada no The Termal Club, um circuito montado em um condomínio, e que já sediou recentemente testes de pré-temporada. Esta prova está marcada para o mês de março. Ainda não será desta vez que a Indycar terá um calendário mais amplo, continuando a iniciar-se no mês de março, e encerrando-se na primeira metade de setembro. Roger Penske vem fazendo esforços para ampliar a extensão do campeonato, com vistas a terminar a competição pelo menos em outubro, e deixar um espaço maior entre as corridas, de forma a não pressionar tanto o trabalho dos times. Pelo menos em termos oficiais, a prova da Argentina, que seria realizada em Thermas de Rio Hondo, não ocorrerá, se bem que a previsão inicial poderia ser para uma prova extra-campeonato, então sua realização ainda poderá vir a ocorrer, mas sem garantias de acontecer mesmo no próximo ano. Até porque a categoria esperava poder viabilizar uma prova no Brasil, mesmo sendo também extra-campeonato, e com isso, diluir os custos do transporte para a América do Sul, vindo participar de duas corridas, e não apenas de uma. O calendário contará ainda com 17 provas válidas, com Iowa, outra pista oval, também em rodada dupla, e a temporada será encerrada desta vez em Nashville, que terá um novo traçado urbano devido a obras numa região próxima ao traçado utilizado até então. Confiram então as datas da velocidade da Indycar 2024: 10/03 - GP de São Petesburgo (urbano); 24/03 - Corrida All-Star(extra-campeonato); 21/04 - GP de Long Beach (urbano); 28/04 - GP do Alabama (misto); 11/05 - GP de Indianápolis (misto); 26/05 – 500 Milhas de Indianápolis (oval); 02/06 - GP de Detroit (urbano); 09/06 - GP de Elkhart Lake (misto); 23/06 - GP de Laguna Seca (misto); 07/07 - GP de Mid-Ohio (misto); 13/07 - GP de Iowa 1 (oval); 14/07 - GP de Iowa 2 (oval); 21/07 - GP de Toronto (urbano); 17/08 - GP de Gateway (oval); 25/08 - GP de Portland (misto); 31/08 - GP de Milwaukee 1 (oval); 01/09 - GP de Milwaukee 2 (oval); 15/09 - GP de Nashville (urbano).

 

 

Com uma vitória na primeira corrida na etapa do Velopark, e um satisfatório 7º lugar na segunda prova, Gabriel Casagrande está firme na liderança do campeonato da Stock Car Brasil. O piloto da equipe A. Mattheis Vogel agora contabiliza 217 pontos, contra 196 de Rubens Barrichello, da Full Time, o vice-líder, que fez um 8º e um 3º lugar na etapa disputada no Rio Grande do Sul. Ricardo Zonta, da RCM Motorsport, vem logo na cola de Rubinho, com 194 pontos, depois de conseguir um 2º lugar na segunda prova do Velopark. Mas os dois pilotos não podem baixar a guarda, pois Daniel Serra, da Eurofarma-RC, está bem atrás, com 190 pontos, na 4ª colocação, mesmo deixando de ter resultados satisfatórios na corrida. A 5ª posição da classificação é de Thiago Camilo, da equipe Ipiranga, com 180 pontos, seguido de Rafael Suzuki, da Pole Motorsport, em 6º lugar, com 172 pontos. Gianluca Petecof (Full Time Sports), com 164 pontos; Felipe Fraga (Blau Motorsport), com 160 pontos; Cesar Ramos (Ipiranga), com 158 pontos; e Guilherme Salas (KTF Racing), com 155 pontos, completam o TOP-10 da classificação do campeonato, cuja próxima corrida será neste final de semana, marcando a volta da categoria brasileira a Buenos Aires, na Argentina, e ao Autódromo Oscar y Juan Galvez, que já sediou o GP da Argentina de F-1 há décadas atrás. Depois, ainda restarão mais 3 etapas na competição até o fechamento da temporada, dia 17 de dezembro, em Interlagos, São Paulo.

 

 

A organização da Stock Car, contudo, precisou fazer uma alteração na programação das corridas restantes do calendário deste ano. Como as obras no autódromo de Brasília ainda prosseguem, sem garantia de que terminem a tempo da data estipulada para a corrida no circuito, a Vicar resolveu mudar de local, para evitar ter de cancelar uma corrida do certame, caso ficasse impossibilitada de competir no autódromo. Assim, ao invés de Brasília, a Stock Car terá sua etapa de 26 de novembro, que seria a penúltima do calendário, em Cascavel, no Paraná. A direção da competição lamentou ter de sacar a capital federal do calendário, lembrando que a meta é voltar a competir no Distrito Federal, mas que o ritmo do andamento das obras no autódromo não ofereciam segurança de se poder correr lá em novembro, e um cancelamento da etapa seria prejudicial à competição na luta pelo título, de forma que optou-se por voltar ao autódromo paranaense, onde a Stock já competiu este ano, em junho, e teve boas corridas, além de que a estrutura do circuito é muito boa. Este mês de outubro, além do retorno da categoria a Buenos Aires, na Argentina, a Stock também terá nova etapa no circuito de Velocitá, em Mogi Guaçu, no dia 29, onde também já correu este ano, em agosto.

 

 

Principal categoria do automobilismo brasileiro, a Stock Car evidencia falta de opções de competição diante da repetição de locais em seu calendário. Interlagos, por exemplo, é palco de três etapas na competição, enquanto Cascavel, Goiânia e Velocitá sediam duas etapas cada um. Por mais que Cascavel tenha uma segunda corrida este ano diante da impossibilidade de se correr em Brasília, nota-se que a categoria precisa ser mais versátil e competente em buscar novos locais de competição, o que nem sempre é fácil. Mas sendo o principal campeonato do Brasil, também não deveria ser tão complicado arrumar novas etapas, ainda mais vendo opções de corridas que até foram muito bem aceitas pelo público em tempos recentes, como a prova disputada no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. E etapas em circuitos de rua também poderiam retornar à competição, ajudando a levar a Stock para outros lugares do país onde nunca esteve, mas possui muitos fãs. Um assunto a ser discutido pela organização da competição, e que possa trabalhar para oferecer novas corridas e diversificar o calendário, ajudando a popularizar ainda mais a categoria.