sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

A VEZ DA PORSCHE?

Pascal Wehrlein venceu as duas provas na Arábia Saudita e pulou para a liderança do campeonato, mas Jake Dennis esteve bem ali ao seu lado, mostrando que vai incomodar...

            A temporada da Formula-E começou com muitas dúvidas e até certa insegurança, diante dos desafios impostos pelo novo carro Gen3, adotado pela categoria, e que os testes da pré-temporada não tinham sido suficientes para todas as equipes e pilotos conseguirem desvendar seus segredos a contento. Tanto que, na primeira prova, na Cidade do México, todo mundo teve uma postura conservadora, tentando mais chegar inteiro ao fim da corrida do que batalhando por um bom resultado, o que fez com que a corrida de estréia da temporada 2023 fosse sem maiores atrativos, com poucas disputas. A expectativa era que, com um pouco mais de quilometragem, todo mundo arriscasse mais, e as disputas retomassem a tônica das corridas da categoria.

            Dito e feito. Em Diriyah, na Arábia Saudita, em uma rodada dupla, eis que todo mundo começou a se sentir mais à vontade, e se a primeira prova no circuito montado nos subúrbios de Riad ainda foi meio sem sal, já na segunda corrida vimos o pessoal ir mais para o ataque, com o aumento do número de disputas e ultrapassagens em uma pista que, apesar das dificuldades, já oferecia melhores condições de todos se sentirem mais à vontade para batalhar na corrida. Os pilotos também tentaram variar mais suas estratégias de uso do Modo Ataque, procurando otimizar o seu uso de forma a ganhar posições na prova. E apesar de um ou outro percalço, todo mundo brigou com mais intensidade até o fim, com algumas posições sendo definidas somente na bandeirada. Se mantiver essa toada nas próximas etapas, a F-E deve conseguir se redimir completamente da estréia morna que apresentou na Cidade do México. Mas as disputas podem ficar ainda mais emocionantes, conforme os times e pilotos se adaptem melhor às particularidades do novo equipamento, cujo desenvolvimento está apenas em seu início.

            Se é verdade que a temporada da F-E ainda suscita algumas dúvidas, ao menos uma delas parece já ter sido esclarecida: a dos favoritos à luta pelo título da competição. E o que vimos até aqui é que a Porsche está vindo com tudo, pois os alemães venceram tudo até aqui neste início de temporada. A bem da verdade, foram duas vitórias da equipe oficial da marca alemã, mas precisamos lembrar que a vitória na primeira corrida, obtida pela Andretti, também foi um triunfo da Porsche, pois o time passou a usar o trem de força da marca alemã a partir deste ano, em substituição ao equipamento fornecido pela também alemã BMW, que se retirou da competição. Porém, o domínio da Porsche até agora se confirmou apenas com um piloto de cada um de seus times na competição.

            No México, Jake Dennis comandou a corrida com autoridade assim que assumiu a liderança. O piloto inglês da Anfdretti abriu uma grande vantagem, que se manteve firme mesmo depois que Pascal Wehrlein subiu para 2º e tentou chegar mais perto. No ano anterior, a Porsche já havia feito a dobradinha no circuito Hermanos Rodriguez, e agora apenas repetiu a dose, ainda que com dois times diferentes em 1º e 2º. Um bom início de temporada. Mas, com todo mundo disputando em um modo ainda “conservador”, para evitar quebras e conseguir terminar a corrida, ficava a dúvida se o mesmo panorama se manteria para as próximas corridas.

Não importando a posição de largada, Wehrlein veio passando todo mundo na pista, e levando a Porsche a monopolizar a rodada dupla de Diriyah.

            Em Diriyah, já com mais quilometragem e os dados da prova do México, o início dos treinos até pareceu indicar que teríamos outras expectativas para a corrida. Sébastien Buemi ficou com a pole, a McLaren mostrou força com Jake Hiughes, e a Jaguar pareceu ter acordado. Wehrlein foi apenas o 9º, e Dennis, o 12º. Mas, eis que na corrida, ambos vieram voando para cima dos primeiros colocados, até que Pascal assumiu a liderança da prova, e pouco depois, Dennis chegava ao 2º lugar. E vimos o piloto da Andretti pressionar o rival da Porsche, por pouco não conseguindo tomar a liderança, chegando praticamente colado na traseira de Wehrlein na bandeirada. Mesmo resultado do México, em posições trocadas. E nova “dobradinha” dos propulsores da Porsche. Coincidência, ou a marca alemã vinha para ficar mesmo? Com a segunda corrida, o pessoal se entusiasmou de vez, e a prova foi bem mais disputada. Dessa vez, a dupla de vencedores do ano largava na terceira fila, e o que vimos foi um repeteco, ainda que em menor dimensão, da escalada de ambos até novamente assumirem as primeiras colocações, com Wehrlein novamente em 1º, e Dennis em 2º, e assim foi até a bandeirada, com a diferença de que, nesta segunda prova, Pascal abriu alguma vantagem sobre Jake, tendo uma vitória um pouco mais calma, mas nem tanto, já que sua vantagem foi de apenas 1s252 na bandeirada, contra 0s531 da primeira corrida. Um domínio total dos propulsores da Porsche neste início de temporada.

            E Pascal e Jake simplesmente dispararam no campeonato. Wehrlein lidera com 68 pontos, enquanto Dennis vem atrás com 62 pontos. Para dar uma idéia da distância, o 3º colocado é Sébastien Buemi, da Envision, com “apenas” 31 pontos na classificação. Já na disputa de equipes, a situação está mais parelha, com a Andretti liderando com 76 pontos, com a Porsche logo atrás, com 74 pontos. Em 3º lugar vem a estreante McLaren, com 53 pontos. Pode ser prematuro julgar, com apenas 3 provas, que a Porsche parece estar vindo com tudo este ano, aproveitando a nova era dos carros Gen3 para finalmente mostrar a que veio na F-E, onde já era cogitada até a sua saída, antes que o time obtivesse sua primeira vitória, no ano passado. O sucesso, e o favoritismo, pelo menos neste princípio de temporada, para lutar pelo título, devem renovar e fortalecer os laços da marca com a Formula-E.

Jake Dennis levou sua Andretti/Porsche ao pódio em todas as corridas até agora.

            O domínio da Porsche só não é maior porque os outros pilotos de seus times ainda não conseguiram mostrar os mesmos resultados que Wehrlein e Dennis. André Lotterer, estreando pela Andretti, fez uma boa corrida no México, terminando em 4º lugar, enquanto Antonio Félix da Costa, pela Porsche, foi o 7º colocado. Mas na Arábia Saudita, Lotterer só teve um 9º lugar na primeira corrida, terminando a 2º em 12º lugar. Já da Costa ficou totalmente zerado em Diriyah, tendo muitos azares, e vendo de longe o sucesso do companheiro de equipe faturar todo o fim de semana. Ambos também largaram atrás de seus companheiros de equipe, mas não conseguiram empreender a mesma performance na corrida. Mas, a hora que se acertarem, terão condições de vir para cima, e tentar engrossar a disputa, para azar dos concorrentes.

            Neste momento, quem melhor surge como opção para desafiar os carros impulsionados pela Porsche é a Jaguar. Tanto o time de fábrica quanto seu time cliente, a Envision, andaram forte na Arábia Saudita. Buemi fez a pole na primeira corrida, e após um duelo com Sam Bird, quase foi ao pódio. Nick Cassidy foi 6º. Na segunda prova, Buemi manteve o ritmo, com um 6º lugar. A Jaguar, por outro lado, foi ao pódio com Bird na primeira prova, que terminou em 4º na segunda. Mith Evans foi 10º e 7º, respectivamente. E a estreante McLaren conseguiu sua primeira pole com Jake Hughes, e seu primeiro pódio, com René Rast, mostrando um bom início em sua estréia na F-E, conquistando boas posições nos pontos, e ocupando a 3º colocação no mundial de equipes.

            Situação oposta à da Maserati, que até aqui ainda não conseguiu mostrar a que veio, depois de impressionar nos testes de Valência. O time ficou zerado na Cidade do México, e também não conseguiu mostrar nada na primeira corrida, onde ficou até com um carro a menos, devido ao acidente de Maxximilian Gunther na classificação. Na prova de sábado, Edoardo Mortara conseguiu os primeiros pontos da equipe, com um 9º lugar, ainda muito aquém do que o time esperava. E a reformulada DS Penske também vê que terá muito trabalho pela frente, mesmo contando com uma dupla de campeões ao volante. Jean-Éric Vergne até conseguiu um distinto 7º lugar na prova saudita da sexta, mas não passou disso, enquanto Stoffel Vandoorne, o atual campeão, ficou zerado em Diriyah, contando com um 10º lugar no México. A Nissan, por sua vez, vem sendo eclipsada por seu time cliente, a McLaren, e tenta reagir.

            Enquanto alguns estão deitando e rolando, aproveitando seu trabalho bem feito até aqui, outros terão de ralar muito para compensar as deficiências apresentadas. E de 16 corridas, já foram 3, restando 13. Cada prova disputada reduz o tempo, e as chances de uma reação por parte dos rivais, que não podem perder tempo, e precisam tentar virar o jogo, se não quiserem passar a temporada à sombra dos favoritos até aqui. E podem apostar que muita água vai rolar debaixo da ponte até a corrida final. Se conseguirão reverter a situação, é outra história, e todos estamos na expectativa para ver o que irá acontecer.

            Algo que os novos carros ainda não mostraram foi o incremento de performance proporcionado pela maior potência disponível nas baterias. Tomando o ePrix de Diriyah, os carros Gen3 foram mais lentos na corrida deste ano que os modelos Gen2 na prova do ano passado. Na primeira corrida, em 2022, a pole foi marcada por Stoffel Vandoorne, da Mercedes, com o tempo de 1min08s626, enquanto este ano, Sébastien Buemi, da Envision, conquistou a pole com o tempo de 1min09s435. Para a segunda corrida, em 2022, Nicky De Vries, também da Mercedes, largou em primeiro com a marca de 1min07s154; este ano, Jake Hughes marcou sua primeira pole, e da McLaren, na segunda prova, com o tempo de 1min08s693.

Sébastien Buemi, com a Envision (acima) é o 3º colocado no campeonato, que começa a ficar mais animado na pista na segunda prova de Diriyah (abaixo), onde pudemos ver algumas boas disputas, enfim.


            Em ritmo de corrida, a volta mais rápida do ePrix1 de Diriyah em 2022, foi de Nick Cassidy, da Envision, com 1min09s207; neste ano, a primeira prova viu René Rast, da McLaren, virar em 1min10s117. Já na segunda prova, no ano passado, Sam Bird, com a Jaguar, foi o mais rápido, com o tempo de 1min08s723, enquanto este ano, o piloto inglês voltou a ser o mais veloz, também com a Jaguar, mas com o tempo de 1min09s010.

            Isso indica que os times ainda não conseguiram entender a fundo seus novos carros, de modo que a evolução da performance dos novos carros Gen3 ainda pode demorar um pouco para surgir. Não só a aerodinâmica dos novos carros é diferente, mas é preciso levar em conta também os novos pneus utilizados pela categoria, da marca Hankook, diferentes dos Michelin usados até 2022. Os novos pneus têm uma aderência e grau de dureza distintos, e durante toda a corrida, dava para ouvir um nítido ruído de pneus “cantando”, como se todo mundo estivesse derrapando, mesmo com uma pilotagem normal, durante toda a corrida. Com maior quilometragem, equipes e pilotos irão encontrando os novos limites de seus bólidos, certamente. Ainda há muita margem para trabalhar e compreender melhor os novos carros da competição.

            Com relação aos pilotos brasileiros, a temporada vai se mostrando mesmo bem mais complicada do que se previa. Para Lucas Di Grassi, que havia dito que o resultado observado no Autódromo Hermanos Rodriguez não correspondia à realidade, quando fez a pole-position, e terminou no pódio, apesar das dificuldades de gerenciamento de energia, talvez nem ele mesmo imaginasse quão fundo seria o buraco que enfrentaria na Arábia Saudita, onde a Mahindra esteve longe até de disputar posições na primeira metade do grid. Apesar de Lucas ter feito um bom treino inicial, e de ter disputado novamente a classificação no mata-mata, na primeira corrida, o seu desempenho foi minguando conforme a prova se desenvolvia, com Lucas terminando fora da zona de pontuação, em um modesto 13º lugar, sem chances de alcançar a zona de pontos. Situação que foi ainda pior na segunda corrida, onde o brasileiro largou entre os últimos, e quase que ficou por lá durante toda a prova, terminando apenas em 16º, sem demonstrar a mínima condição de lutar por posições mais à frente. E olhe que o brasileiro ainda é o melhor piloto da Mahindra: seu companheiro Oliver Rowland foi apenas o 19º na primeira prova saudita, enquanto na segunda prova ele ficou pelo meio do caminho, abandonando a corrida por problemas no carro, quando faltavam 10 voltas.

            Uma situação indica que o problema não é apenas no desenvolvimento do acerto do carro, mas também no trem de força, já que a ABT, equipe que retornou à categoria, e usa o trem de força indiano, também teve uma performance pífia em Diriyah: Nico Muller abandonou as duas provas, enquanto Kelvin van der Linde foi 16º na primeira corrida, e 19º na segunda. Muller havia sido 14º no México, enquanto Robin Frijns abandonou na primeira volta após ter sido atingido por Norman Nato. A ABT ficou de fora da temporada passada, após o desfazimento da parceria com a Audi, com a qual competiu por sete temporadas na F-E, e com a introdução do modelo Gen3, igual para todos, o time não é exatamente novato, e em tese também partiu do zero para a compreensão do novo carro. Contudo, as posições de largada da escuderia mostram um cenário preocupante. Uma das razões de otimismo para a união técnica entre a Mahindra e a ABT era conjugar esforços para o desenvolvimento do trem de força da marca indiana, e pelo que se viu até aqui, parece que vai ser necessário muito mais esforço para conseguir disputar com os outros times, já que Diriyah deu a impressão de o equipamento do time indiano é praticamente o mais fraco do grid.

            Em relação à NIO, o time parece ter potencial, mas embora tenha obtido boas posições de largada, perde desempenho com a evolução da corrida. Dan Ticktun conseguiu marcar o primeiro ponto do time na última corrida, mas Sérgio Sette Câmara vem dando azar nas corridas, e na última prova, um ajuste errado no seu carro, visando tentar encontrar um acerto melhor, acabou provocando o contrário, privando o brasileiro de chances mínimas de sequer acompanhar o ritmo do companheiro de equipe. O próprio Sérgio já admitiu que ainda precisa achar o seu estilo de pilotagem com o novo carro, mas em alguns treinos, ele mostra que consegue tirar boa velocidade do carro chinês. Resta conseguir melhor constância no ritmo de corrida e, claro um pouco mais de sorte. Mas segue tendo um ano promissor, mas de nenhum resultado até aqui.

            E a Formula-E segue acelerando, e no próximo final de semana, prepara-se para estrear na Índia, onde teremos o ePrix de Hiderabad, um circuito que será novidade para todos, em corrida única, e que pode nos proporcionar novas surpresas na competição da temporada, ou confirmar uma vez mais o favoritismo demonstrado até aqui pela Porsche e pela Andretti. O time dos Estados Unidos já teve um momento de favoritismo algum tempo atrás, quando era equipado com os propulsores da BMW, mas não conseguiu manter o ritmo. Será que agora vai? E a Porsche, conseguirá fazer o mesmo? A conferir já no próximo capítulo, no próximo final de semana...

 

 

Esta semana, faleceu Jean-Pierre Jabouille, ninguém menos que o primeiro piloto a vencer uma corrida de F-1 com a Renault. A marca francesa se notabilizou por apresentar, em 1977, o primeiro motor turbo da história da categoria máxima do automobilismo, que revolucionaria a tecnologia dos propulsores na década seguinte. O triunfo aconteceu justamente na França, em 1979, na pista de Dijon-Prenois. Foi uma vitória 100% francesa, em uma corrida francesa, com um piloto francês, por um time francês, e com pneus franceses (Michelin). A carreira de Jabouille, contudo, foi curta na F-1, tendo obtido uma segunda vitória, no GP da Áustria de 1980, e disputado apenas 49 GPs em 55 tentativas de participação, e dos quais abandonou praticamente 39 deles, por problemas variados. Jabouille tinha 80 anos, e a causa da morte não foi divulgada.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

FLYING LAPS – JANEIRO DE 2023

            Pois bem, mal começamos o ano de 2023, e o mês de janeiro já se foi, dando o início das atividades do mundo da velocidade neste novo ano, que espero traga muitas emoções e disputas nos mais variados campeonatos por todo o planeta. Então, é hora de fazer a mais uma edição da sessão Flying Laps, relatando alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo do esporte a motor neste primeiro mês do ano, com destaque para o rali Dakar, e também as 24 Horas de Daytona, que agitaram a expectativa dos fãs e torcedores pelo sucesso dos pilotos nas competições. Uma boa leitura a todos, e nos encontramos novamente por aqui no próximo mês em mais uma edição da Flying Laps...

Nasser Al-Attiyah venceu a edição deste ano do Rali Dakar, e conquistou seu 5º título na categoria carros do rali mais perigoso do mundo. O piloto catariano já tinha se sagrado campeão na edição do ano passado, defendendo a equipe da Toyota, pela qual foi novamente campeão agora. Nasser Al-Attiyah já tinha vencido o rali nas edições de 2011, 2015, 2019, e 2022. A regularidade foi um grande trunfo do piloto, mantendo sob controle os rivais mais próximos, em especial o francês Sébastien Loeb, da equipe Bahrain Raid Xtreme, que arrepiou a concorrência ao conseguir a incrível marca de seis vitórias consecutivas nas etapas especiais do rali. Não fossem percalços que fizeram o eneacampeão do mundial de rali perder muito tempo no início da competição, ele poderia ter endurecido a disputa com Al-Attiyah, ao invés de ficar a 2ª colocação no rali, com 1hrs.20min49s de atraso para o catariano. Mas quem surpreendeu nesta edição 2023 do Dakar foi a 3ª colocação de Lucas Moraes, da equipe Overdrive, que fez a melhor campanha até hoje de um piloto brasileiro no rali mais famoso do mundo. Até então, a melhor posição de um competidor do Brasil no Dakar havia sido o 8º lugar obtido por Klever Kolberg na edição de 2002. Moraes finalizou o Dakar com 1hrs.38min31s de atraso para o vencedor, e tinha chances de chegar em 2º lugar até, não fosse a escalada monstruosa de Loeb durante várias etapas, que permitiram ao francês superar o carro do brasileiro na reta final. Mas não deixa de ser um desempenho impressionante, e quem sabe com um pouco mais de sorte, não consegue um resultado melhor ainda no futuro? Quem não deu sorte na edição deste ano foi Carlos Sainz. “El Matador” sofreu um forte acidente com seu Audi na etapa do dia 10 de janeiro, o que provocou o seu abandono, e fim das esperanças de tentar o tetracampeonato na competição. Infelizmente, as agruras de Sainz não se limitaram ao abandono. Exames médicos realizados pelo piloto após retornar a Madri apontaram para fraturas em duas vértebras, devido à pancada do acidente. Mas, ao menos por hora, apesar de não indicar um tempo de recuperação, o piloto confirmou que as vértebras estão estáveis, o que indica que não deverá precisar de uma intervenção cirúrgica para corrigir o problema. E que podemos esperar por seu retorno na edição 2024 do Dakar, que seguirá sendo realizado na Arábia Saudita.

 

 

Lamentavelmente, o Dakar voltou a fazer vítimas fatais na edição deste ano. No dia 10 de janeiro, a organização da competição comunicou o falecimento de um torcedor italiano que teria sofrido um acidente em um percurso do rali em uma duna. Mesmo tendo sido levado para o hospital, ele veio a óbito, mostrando que apesar de todas as precauções, as competições off-road sempre podem nos trazer momentos trágicos. E o Dakar tem um grande e triste histórico de vítimas fatais ao longo de suas edições.

 

 

Já na disputa entre os UTVs, o título do Dakar 2023 ficou com o polonês Eryk Goczal, da Energylandia Rally, que fez sua estréia na competição, em parceria com o navegador espanhol Oriol Mena, conseguindo levar o título na categoria praticamente no último dia, superando o rival lituano Rokas Baciuska que vinha na liderança. Aliás, tivemos mais uma participação positiva nesta categoria no Dakar, com o brasileiro Bruno Conti de Oliveira terminando em 6º lugar, em parceria com o português Pedro Prata. Mas disputa apertada mesmo ocorreu na categoria motos, onde a KTM fez a dobradinha na competição, com o argentino Kevin Benavides levando o título do Dakar 2023 por uma diferença de apenas 43s, e para o seu próprio companheiro de equipe, o australiano Toby Price. Benavides já havia sido campeão na categoria motos da edição 2021 do Dakar. Já nos caminhões, o título da competição ficou para o trio Janus Van Kasteren/Darek Rodewald/Marcel Snijders, da equipe De Rooy Iveco. Com a invasão da Rússia na Ucrânia, a Kamaz, tradicional favorita nas competições dos peso-pesados no rali Dakar teve que ficar de fora da competição este ano, após criticar a postura da FIA em relação aos competidores russos.

 

 

Enquanto isso, na estréia da temporada 2023 do Mundial de Rali, o octacampeão Sébastien Ogier deitou e rolou na prova de Monte Carlo, conquistando um novo recorde na categoria: foi sua 9ª vitória na etapa de Monte Carlo. Não estivesse apenas disputando parte das etapas do campeonato, o piloto francês muito provavelmente poderia ir em busca de mais um título. Para seu time, a Toyota, contudo, melhor resultado impossível, pois a equipe fez a dobradinha, já que em segundo lugar ficou Kalle Rovanperä, o atual campeão da categoria. Thierry Neuville acabou fechando o pódio, em 3º lugar. Depois de ser afetado pela pandemia da Covid-19 nos últimos anos, assim como as demais categorias de competição do mundo automobilístico, a temporada do Mundial de Rali deste ano contará com 13 etapas, tendo começado pela etapa de Monte Carlo, nos últimos dias 19 a 22 de janeiro. O encerramento está previsto para os dias 16 a 19 de novembro, com a etapa do Japão. A próxima etapa será o Rali da Suécia, previsto para os dias 9 a 12 de fevereiro.

 

 

Nas 24 Horas de Daytona de 2023, deu novamente vitória da Meyer Shank Racing, competindo com o modelo Acura ARX-06. O carro Nº 60 já tinha ganhado ares de favorito, quando o brasileiro Hélio Castro Neves havia feito o melhor tempo nos treinos livres, e Tom Blonqvist marcou a pole-position para a principal prova do endurance norte-americano. Mas provas de longa duração sempre podem ser uma incógnita, e depois de alguns percalços, mesmo após liderar a maior parte da corrida, a vitória foi garantida por uma margem de apenas 4,19s para o carro Nº 10 da equipe Wayne Taylor, uma margem até pequena, levando-se em consideração que foi preciso reconstruir a vantagem na pista, após a última bandeira amarela na prova, que realinhou o pelotão, e promoveu uma retomada dos pegas na parte final da corrida. Contando com o quarteto Simon Pagenaud, Tom Blomqvist, Colin Braun, e Hélio Castro Neves, a Meyer Shank comemorou o triunfo em Daytona, sendo que a conquista significou a terceira vitória consecutiva de Hélio nas 24 Horas de Dayton, já que ele havia vencido a corrida no ano passado, e também no ano anterior, sendo que em seu primeiro triunfo na prova ele defendeu a equipe Wayne Taylor Racing, que este ano acabou com o 2º lugar, contando com os pilotos Ricky Taylor, Filipe Albuquerque, Louis Deletraz, e Brendon Hartley, competindo também com o modelo Acura ARX-06. O pódio foi fechado pela Ganassi, com seu carro Cadillac V-LMDh Nº 1, com Sébastien Bourdais, Renger van der Zande, e Scott Dixon, que cruzaram a linha de chegada 9s63 atrás do carro vencedor. Ainda na classe GTP, a principal, a Action Express, com o carro Nº 31, também um Cadillac V-LMDh, com o brasileiro Pipo Derani, Alexander Sims, e Jake Aitken, finalizou em 5º lugar, com 12 voltas de desvantagem para a Meyer Shank. Outro brasileiro, Augusto Farfus, terminou em 6º lugar, com a equipe BMW, com o modelo BMW M Hybrid V8, com 15 voltas de atraso, em conjunto com os pilotos Philipp Eng e Marco Wittmann. Ainda na classe GTP, a Penske, com seu modelo Porsche 963, teve vários problemas com seu carro Nº 7, com o trio Matt Campbell, o brasileiro Felipe Nasr, que havia largado em 2º lugar, e Michael Christensen, recebendo a bandeirada em 14º lugar, com 34 voltas de desvantagem.

 

 

Tricampeão nas 24 Horas de Daytona, Helinho não deixou por menos: arrastou seus companheiros de corrida até o alambrado da pista, onde no seu melhor estilo “Homem-Aranha”, escalou a grade, acenando para o público junto dos companheiros. No ano passado, o triunfo do brasileiro na pista de Daytona foi o seu melhor momento no ano, já que na Indycar, os resultados ficaram a desejar, não tendo conseguido nem mesmo repetir a performance exibida nas 500 Milhas de Indianápolis no ano anterior, quando obteve sua 4ª vitória na Brickyard Line. Veremos se Hélio tem melhor sorte este ano, até porque sua performance irá definir a continuidade de sua participação na Indycar em 2024, seja pela Meyer Shank, ou qualquer outra equipe...

 

 

Dentre os pilotos que iriam disputar as 24 Horas de Daytona este ano, Kevin Magnussen e Will Power tiveram que mudar seus planos e desistir de suas participações na corrida. Magnussen precisou operar um dos pulsos, depois de sentir dores no local, onde exames constaram a presença de um cisto, e não teria como se recuperar a tempo para a prova do endurance norte-americano, onde iria correr ao lado de seu pai, Jan Magnussen, pela equipe MDK Motorsports, na classe GTD Pro. Kevin preferiu então concentrar sua recuperação para a temporada da F-1. Já Will Power, que faria sua estréia na famosa corrida, iria participar pela equipe Sunenergy, também na classe GTD Pro, mas preferiu ficar em casa, acompanhando a recuperação de sua esposa, que passou por uma cirurgia nas costas, e acabou passando dois dias na UTI do hospital, tendo ficado praticamente uma semana internada. Necessitando de uma longa recuperação, Will resolveu apoiar sua esposa neste momento difícil, ao invés de participar da corrida.

 

 

Os demais brasileiros na corrida não tiveram um dia muito produtivo. Na classe LMP2, Pietro Fittipaldi ficou classificado em 12º lugar, com 25 voltas de atraso para os vencedores, competindo com o modelo Oreca LMP2-07 da equipe Crowdstrike Racing by APR. Já Daniel Serra, que defendeu mais uma vez a AF Corse, ao volante de uma Ferrari 296 GT3, na classe GTD Pro, ficou pelo caminho, quando o carro apresentou problemas no assoalho, obrigando ao abandono. Melhor sorte no ano que vem.

 

 

O grande duelo das 24 Horas de Daytona neste ano foi a chegada da classe LMP2, com a vitória sendo definida praticamente na linha de chegada, com o carro Nº 55 Oreca LMP2-07 da Proton Competition guiado por James Allen superando o carro Nº 4 da Crowdstrike Racing by APR conduzido por Bem Hanley por míseros 0s16, numa inversão de posição eletrizante, depois de uma corrida tão longa. Os dois carros cruzaram a linha emparelhados, com Allen conseguindo colocar o carro ligeiramente na frente ao cruzar a reta de chegada, para comemoração de seu time, e obviamente frustração da escuderia adversária.

 

 

Depois de uma ausência de praticamente mais de 50 anos, a Ferrari estará de volta ao mundial de corridas de longa duração, na sua principal categoria de competição, no caso do WEC 2023, o Mundial de Endurance, os Hypercars. O novo modelo de Maranello foi batizado de 499P, e a escuderia terá dois carros no campeonato, com as numerações 50 e 51. No carro Nº 50, o trio de pilotos será composto por Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen. Já o carro 51 terá ao volante os pilotos Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi. Na temporada deste ano teremos um total de 13 carros na categoria Hypercars, e além do retorno da Ferrari, teremos também a volta da Porsche, e a participação da Cadillac. Outro nome clássico que estará de volta às competições é a Vanwall, em uma equipe coordenada por Colin Kolles, utilizando o nome da primeira campeã de construtores da história da F-1. Toyota, Peugeot, Glickenhaus, Proton, e Team Jota completam a lista dos times desta categoria, que promete os melhores duelos de que se tem notícia nos últimos tempos para o campeonato do WEC.