sexta-feira, 5 de agosto de 2022

ACABOU O CAMPEONATO?

Max Verstappen venceu pela oitava vez na temporada, e está cada vez mais inalcansável. Bi é questão de tempo?

            A Fórmula 1 vai para as férias de agosto com a sensação de que o campeonato já acabou, não obstante ainda reste nove etapas para fechar o calendário de 2022. Mas, depois de Max Verstappen obter domingo passado na Hungria a sua oitava vitória do ano, e abrir nada menos do que 80 pontos de vantagem para o rival mais próximo, no caso, Charles LeClerc, como contestar a sensação de que tudo já está mais do que encaminhado na direção do bicampeonato do holandês?

            O que era para ser uma prova de redenção da Ferrari, depois do que vimos em Paul Ricard, acabou se transformando em mais uma derrota fragorosa para a Red Bull, que só não foi pior porque a dupla ferrarista ainda marcou pontos, minimizando o prejuízo. Mas, como se pode falar em minimizar um prejuízo, quando na disputa de pilotos, LeClerc ficou 80 pontos atrás de Verstappen, e a Ferrari, por sua vez, despencou 97 pontos atrás da Red Bull? Certo, tivessem abandonado, como ocorreu em Baku, o baque seria ainda pior, mas mesmo assim, não houve como deixar de sentir uma frustração retumbante pelo resultado visto em Hungaroring.

            A Ferrari, que começou o ano dando pinta de grande favorita, com uma Red Bull posando de desafiante com problemas, agora se vê como a maior inimiga de si mesma, ora na pista, ora dentro dos boxes. E, como desgraça pouca é bobagem, o time de Maranello está agora apenas 30 pontos à frente da Mercedes, que começou o ano em sua pior forma em uma década, mas vem paulatinamente se recuperando na competição. No campeonato de pilotos, LeClerc ainda é o vice-líder, mas com apenas 5 pontos de vantagem para Sergio Perez, que nem vem andando muito bem nas últimas corridas, só para exemplificar como a situação do time italiano está. E George Russell, com uma temporada impressionante, vem chegando rápido, e Lewis Hamilton vem a reboque, diminuindo a diferença a cada GP, com Carlos Sainz Jr. a ser engolido pela dupla ferrarista no ritmo em que as coisas andam.

            O pior é que o time ferrarista vem tropeçando em si mesmo, com erros tanto de seus pilotos quanto da escuderia em si. Se na França foi Charles LeClerc quem entregou uma corrida que tinha grandes chances de vencer por um erro seu, na Hungria foi o time quem fez uma aposta equivocada de pneus no carro do monegasco, além do momento errado de parada do mesmo na prova, o que o tirou de um pódio aparentemente garantido para terminar numa 6ª posição pouco condizente com quem precisa tirar a diferença para Max Verstappen. Mattia Binotto prometeu que a Ferrari teria condições de vencer todas as corridas restantes da temporada, mostrando que a desvantagem na pontuação para os rivais não é intransponível. O problema é que, pelo andar da carruagem, vai ser muito difícil vencer todas as provas. E a promessa já foi quebrada justamente na Hungria, já que havia sido feita depois da prova da França. Então...

Além de colocar os pneus menos recomendados, Ferrari ainda chamou Charles LeClerc prematuramente aos boxes, deixando o monegasco contrariado.

            Verstappen pode se dar ao luxo de apenas administrar a vantagem daqui por diante, mas quem conhece o holandês sabe que isso é mera ilusão. Max parte sempre para o ataque, e se tiver chance de vitória, ele irá para cima, até mesmo quando a situação parecer não tão propícia assim, como ocorreu na Hungria. Largando em 10º, devido a um problema no motor, e com a Ferrari largando na frente, apesar da surpreendente pole de George Russell, todos viam a chance perfeita da Ferrari e seus pilotos saírem de Hungaroring com menos desvantagem na classificação do campeonato. Mas, nada saiu como se esperava. E agora, na melhor das hipóteses, o time ferrarista precisaria que Verstappen abandonasse as próximas três corridas, e que LeClerc vencesse todas, e mesmo assim, ainda ficaria atrás do piloto holandês, algo muito difícil de ocorrer. Mesmo que ocorra algum abandono do atual campeão do mundo, a falha capital já foi cometida, deixando que o rival abrisse vantagem tão grande na pontuação, o que lhe dá ampla tranquilidade para relevar reveses de um ou dois abandonos. E nisso, ainda é preciso ver se a Ferrari e seus pilotos se acertam na pista e nos boxes.

            No caso da Hungria, Binotto fala que o tempo frio no domingo provocou mudanças na performance dos carros, deixando-os menos competitivos do que se esperava. Tem sua lógica, afinal, Carlos Sainz acabou poupado do erro dos pneus mais duros, mas mesmo assim o espanhol ficou de fora do pódio, atropelado por Lewis Hamilton na parte final da corrida, quando ambos usavam o mesmo tipo de composto, o macio. No caso de LeClerc, o time deveria ter visto o comportamento dos pilotos da Alpine, que largando com os pneus duros, não conseguiram avançar na corrida, e visto que estes pneus não iriam dar certo, afinal, se eles vissem que mesmo com os compostos macios o carro não rendia a mesma coisa, o que os fez imaginar que com pneus mais duros a situação seria melhor? Nem LeClerc entendeu o motivo de se usar os compostos duros, e aqui o piloto também se mostrou passivo demais perante o time, quando poderia ter se imposto, mostrando que ainda tinha performance com os pneus macios, e continuado na pista, tentando abrir vantagem, o que vinha conseguindo paulatinamente, e insistir também em não usar este tipo de pneus. Não havia necessidade de parar naquele momento, com a Ferrari preocupada em demasia com Verstappen e sua parada, temendo o undercut. O tiro acabou saindo completamente pela culatra. Pode ser fácil afirmar que LeClerc deveria ter se imposto mais e recusado a proposta da Ferrari de parar naquele momento, e do tipo de composto de pneus, como convém a um piloto forte e candidato ao título, mas depois do erro crasso do monegasco em Paul Ricard, a confiança do time no piloto poderia não ser lá essas coisas para lhe dar moral de peitar a estratégia do time, para não mencionar que o próprio Charles crucificou a si mesmo pelo erro, ao afirmar que, se continuasse errando daquele jeito, não tinha direito de ser campeão. Resumindo, tanto piloto quanto time precisam afinar sua sintonia, para evitarem cometer erros que poderiam facilmente ser evitados.

Lewis Hamilton (acima) fez uma prova combativa para terminar em 2º lugar pela segunda corrida consecutiva. George Russell (abaixo) conseguiu uma surpreendente pole-position, e deu trabalho para ser superado na pista.


            No cômputo geral da temporada, entre erros e acertos, é a Ferrari quem tem maior culpa no cartório até aqui, pois LeClerc teve dois erros no ano: em Ímola, quando rodou na caça a Sergio Perez; e em Paul Ricard, quando bateu sozinho na liderança da corrida. Já a Ferrari se embananou na estratégia prejudicando Charles em Mônaco e na Inglaterra, além agora da Hungria. Some-se a isso duas quebras de motor, em Barcelona e em Baku, onde a responsabilidade do time é relativa, já que Verstappen também teve dois abandonos por problemas de motor no ano, e mesmo assim, depois de ficar muito atrás de LeClerc após a prova da Austrália, não apenas reagiu como já conseguiu aplicar praticamente um nocaute fulminante nos rivais.

            A Ferrari também parece se complicar nas prioridades dos pilotos. Carlos Sainz acabou favorecido pelo time com as trapalhadas de Mônaco e Silverstone, e até o presente momento, o time italiano não tem dado preferência explícita a nenhum dos dois pilotos. Se por um lado é louvável, depois dos anos de política de “um piloto, dois carros”, onde o primeiro piloto tinha tudo, e o segundo ficava com as sobras, não deixa de ser positivo o time italiano oferecer condições realmente iguais à sua dupla de pilotos. O problema é que, nesse intento, a escuderia acaba por prejudicar a ambos nas corridas quando bate cabeça na estratégia de corrida, de modo que nem Carlos Sainz Jr. ou Charles LeClerc conseguem tirar tudo o que poderiam render. O pior de tudo é que a performance está lá, e o carro, apesar dos problemas de confiabilidade apresentados, é veloz, e o departamento técnico tem conseguido apresentar evoluções no SF-75 que realmente melhoram seu desempenho, mas boa parte destes avanços tem sido comprometido pela falta de coordenação estratégica, quando não por erros dos pilotos.

            Ainda há tempo para reagir, mas a cada GP que passa, o tempo se esgota, e a vantagem de Max Verstappen e da Red Bull já lhes permite jogar com segurança na administração de resultados, embora seja difícil imaginar que farão isso, quando tiverem chance de vencer, mas para a Ferrari, passa a ser um tudo ou nada, e as chances de darem em nada crescem cada vez mais. E ainda que o desenvolvimento da Mercedes possa parecer insuficiente para desafiar os ferraristas de fato, a verdade é que, a persistir o panorama das últimas corridas, a Ferrari corre de fato sério risco de acabar superada no final pela Mercedes e seus pilotos, um cenário de tragédia para quem começou o ano mostrando um favoritismo que não se via no time vermelho há muito, muito tempo.

            Pior é que Maranello já tem um histórico de se perder em duelos pelo título. Mattia Binotto nunca foi tão contestado no time como seus antecessores, mas a paciência com o diretor pode estar se acabando. Estas vão ser férias tensas em Maranello...

 

 

Max Verstappen declarou recentemente que, entre o duelo de 2021 e o deste ano, prefere o da atual temporada, indicando que a disputa atual se dá em nível muito mais “civilizado” do que o visto no ano passado contra a Mercedes e Lewis Hamilton, alegando também que, por conhecer melhor Charles LeClerc, sabe muito bem o que esperar do seu atual rival na disputa. Poderia se entender que ele está gostando mais da disputa deste ano porque a Ferrari e LeClerc tem conseguido a proeza de facilitar as coisas para ele e a Red Bull, tropeçando em si mesmos na disputa, o que permitiu ao holandês abrir uma vantagem nunca vista antes em sua carreira. Já no ano passado, a Mercedes e Hamilton conseguiram reagir e endurecer a disputa na reta final, para não mencionar a questionável decisão de Michael Masi a respeito dos retardatários no final da corrida em Abu Dhabi, que acabou influindo na disputa, e ajudando Verstappen a conquistar um título que já parecia ir para Hamilton no andar normal da corrida. Se LeClerc conseguir efetuar a mesma reação, o que parece bem mais difícil, dada a vantagem de Max na pontuação, muito provavelmente ele não terá a mesma opinião... Aguardemos para ver o que vai acontecer se a disputa ficar de fato mais renhida, e o que o holandês e a Red Bull vão achar disso...

 

 

A Aston Martin não perdeu muito tempo para escolher o substituto de Sebastian Vettel, que anunciou às vésperas do GP da Hungria que vai pendurar o capacete ao fim da atual temporada. Enquanto muitos especulavam quem poderia ocupar o cockpit do carro verde, com nomes como Oscar Piastri, Daniel Ricciardo, Nyck De Vries, etc, o time sediado ao lado do autódromo de Silverstone anunciou a contratação de Fernando Alonso, atualmente na Alpine/Renault, para o lugar do tetracampeão. Uma escolha que faz sentido diante das necessidades do time, de um piloto forte, experiente, e acima de tudo, vencedor. E Alonso não escondeu um dos motivos para se transferir para o time inglês, que é a vontade de vencer. Claro que houve também outras questões, como a duração do contrato, uma vez que, se renovasse com o time francês, a proposta era de apenas uma temporada, enquanto na Aston Martin, Alonso acertou por dois anos, com opção de renovação para um terceiro, e certamente um salário generoso também. O problema, em teoria, é que a Aston Martin no momento esbanja recursos e falta competência. No ano passado, o time não soube desenvolver a contento seu carro, derivado do da Mercedes, e esperava-se que, com as novas regras técnicas deste ano, a equipe evoluísse, mas que acabou ocorrendo exatamente o contrário. Agora, a promessa é de crescer, mais uma vez, no próximo ano. A sede em Silverstone foi completamente reformada e ampliada, e passado o período de reformulação da escuderia, é de se esperar que as coisas entrem mais nos eixos, até porque o projeto de Lawrence Stroll é fazer o time ser de fato uma escuderia vencedora na categoria máxima do automobilismo, e a vontade de vencer é inequívoca, precisando apenas acertar o projeto do carro para o time evoluir. Fernando Alonso mostrou que mesmo depois de ter passado dois anos fora da F-1 que ainda está em plena forma aos 41 anos, e pilotando em alto nível, e já demonstrou nas poucas vezes em que o carro da Alpine foi mais competitivo, que pode sonhar novamente com vitórias na categoria, se o bólido lhe der chances disso. E, diga-se de passagem, enquanto Sebastian Vettel raras vezes se mostrou competitivo como antigamente nos últimos tempos, o asturiano continua com todo o gás, e pode render mais na Aston Martin do que o tetracampeão alemão, se este continuasse no time. Claro que, se o time não errar no projeto do carro novamente, podemos até ver Fernando voltar a incomodar os ponteiros do grid, e quem sabe, voltar a vencer na F-1, lembrando que seu último triunfo data de 2013, quando venceu o GP da Espanha, em Barcelona.

 

 

A ida de Alonso para a Aston Martin deveria facilitar as coisas para a Alpine promover Oscar Piastri a titular do time em 2023, fazendo parceira com Estéban Ocon, que passaria a ser o líder da equipe nas pistas, e mentor do jovem australiano, que temia ficar “encalhado” pela falta de opções na F-1, após ter sido campeão da F-2 no ano passado. E assim o time o fez, mas para surpresa da escuderia francesa, Piastri declarou que não vai correr pela Alpine no ano que vem, complicando a situação, de maneira semelhante ao caso de Álex Palou na Chip Ganassi na Indycar, quando o time anunciou a permanência do espanhol, apenas para ser desautorizada momentos depois pelo seu piloto, que anunciou que iria para a McLaren. O caso de Palou foi parar na justiça dos Estados Unidos, com Chip Ganassi processando o piloto, e a situação segue indefinida até o presente momento. Oscar Piastri, em movimento similar, também já teria carta assinada com outro time, no caso, também a McLaren, que poderia “rifar” Daniel Ricciardo, uma vez que o australiano até hoje não rendeu o que se esperava no time de Woking. E, apesar de ter contrato garantido para o próximo ano, o fato de ter sua posição em perigo no time inglês já fez Ricciardo iniciar contatos com a própria Alpine, por onde correu em 2019 e 2020, quando o time se chamava Renault, que por sua vez, não vê problemas em contar novamente com seu ex-piloto. Quando se imaginava um burburinho para se ver quem iria ocupar o lugar de Sebastian Vettel na Aston Martin, isso acabou acontecendo justamente na Alpine, já que o time de Silverstone agiu rápido junto com Fernando Alonso para resolver sua situação. Agora é a Alpine quem tem que desenrolar o nó que se formou com seu piloto...

 

 

A Mercedes conseguiu em Hungaroring seu segundo pódio duplo da temporada, repetindo resultado visto na prova de Paul Ricard, com Lewis Hamilton ficando em 2º lugar, e George Russell fechando o pódio em 3º. É verdade que a Mercedes ainda está devendo em performance a ponto de poder efetivamente desafiar Red Bull e Ferrari, mas estão começando a chegar mais perto, e aproveitando-se dos problemas alheios, vai subindo cada vez mais, a ponto de não ser nada impossível ainda vencerem alguma corrida este ano. Vai ser difícil, sim, mas pode acontecer... Os rivais que fiquem atentos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

FLYING LAPS – JULHO DE 2022

            Pois é, chegamos ao mês de julho, e num piscar de olhos, ele já foi embora, entrando agora no mês de agosto, na no segundo mês do segundo semestre de 2022. Mais da metade do ano já se foi, e vamos seguindo adiante, com os campeonatos do mundo do esporte a motor seguindo firmes em suas disputas, sendo que a MotoGP esteve em seu período de férias de meio do ano, retornando apenas agora no mês de agosto, mas não sem ter algumas notícias de realce, que são tratadas agora em mais uma edição da seção Flying Laps, relatando também alguns outros acontecimentos do mundo da velocidade neste último mês de julho, como a Formula-E, sempre com alguns comentários rápidos a respeito de cada um deles. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início do próximo mês...

Andrea Dovizioso anunciou que irá pendurar o capacete na MotoGP. O piloto italiano declarou que não faria sentido continuar na categoria se não estivesse se sentindo competitivo, e a atual temporada, onde compete pela equipe RNF, time satélite da Yamaha, sucessora da SRT, não vem sendo das mais inspiradas, em que pese o equipamento não estar sendo de fato competitivo, pois seu companheiro de equipe, Darryn Binder, está empatado com ele na pontuação do campeonato, cada um com 10 pontos cada. O piloto italiano, contudo, não anda contente com o equipamento, que segundo ele, pede uma pilotagem mais específica, e que não estaria batendo com sua postura de pilotar. E, sentindo que já cumpriu com sua trajetória na MotoGP, resolveu anunciar a aposentadoria ao fim da atual temporada, preferindo cuidar de outros projetos para 2023, declarando que nem chegou a procurar outro time para defender na próxima temporada. Assim, Andrea Dovizioso deixará a competição após 22 anos de participação, tendo estreado em 2001, na categoria 125cc, pela equipe RCGM Rubicone Corse, com uma moto Aprilia. Mas só no ano seguinte ele estrearia de fato, competindo por toda a temporada, com a equipe Scot Racing Team, onde permaneceu até 2004, sendo campeão finalmente da classe de acesso. No ano seguinte, agora na categoria 250cc, ele permaneceu na Scot Racing Team, até 2007, acumulando dois vice-campeonatos, em 2006 e 2007. No ano de 2008, ele ascendeu à classe rainha, disputando a primeira temporada ainda com a Scot Racing Team. Em 2009, ele passaria a defender o time oficial da Honda, permanecendo por lá até 2011, quando obteve sua melhor classificação no campeonato até então, terminando em 3º lugar. No ano seguinte, transferiu-se para o time de fábrica da Yamaha, onde permaneceu por apenas um ano, indo para a equipe Ducati em 2013, onde ficou até 2020. Dispensado do time italiano, Andrea começou 2021 desempregado, voltando à MotoGP na segunda metade da temporada, no time SRT, satélite da Yamaha, em substituição a Franco Morbidelli, que havia sido promovido ao time de fábrica com a dispensa de Maverick Viñalez. A escuderia mudou de estrutura e proprietário para 2022, passando a se chamar RNF.

 

 

Os melhores anos de Dovizioso certamente foram defendendo o time oficial da Ducati, com especial destaque para as temporadas de 2017 a 2019, quando o italiano surpreendeu a categoria, e mostrando uma Ducati completamente reformulada e competitiva, entrou firme na luta pelo título da competição, em especial em 2017, quando levou a disputa com a estrela máxima da categoria, o espanhol Marc Márquez, da Honda, até a última etapa, perdendo para o piloto do time japonês. Em 2018 e 2019, a Ducati continuou sendo defendida com maior expressão por Andrea, que mais uma vez terminou o ano com o vice-campeonato, mas sem conseguir pressionar Marc Márquez com mais efetividade. Ao fim de 2020, foi dispensado sumariamente pela escuderia italiana, que achou que o piloto não se esforçava o suficiente para levar a Ducati de novo ao título, em que pese alguns desmandos da escuderia na condução da temporada. Foram 15 vitórias na classe rainha, com 7 pole-positions, três vice-campeonatos, e um 3º lugar na classificação final de temporada. Não são números exatamente ruins para a carreira de um piloto. Infelizmente, apesar de seus esforços para levar o título, sua melhor chance foi apenas em 2017, pois nos dois anos seguintes Marc Márquez conseguiu se impor de maneira contundente, eliminando a oposição na pista, e estigmatizando o italiano como “segundão”, o que pesou na sua avaliação junto à Ducati, colaborando em sua dispensa ao fim de 2020, quando a escuderia da marca italiana resolveu trocar toda a dupla de pilotos para 2021.

 

 

Com a saída da Suzuki da MotoGp ao fim da atual temporada, sua dupla de pilotos, Álex Rins e Joan Mir, precisaram se lançar no mercado, em busca de um novo lugar para competir em 2023, uma vez que ambos tinham pretensões de renovar com a escuderia japonesa, tendo sido pegos de surpresa, assim como todo mundo, com o anúncio da saída da competição feito pela marca nipônica. Rins já definiu sua posição para o próximo ano: vai defender a LCR, time satélite da Honda, em um acordo válido pelas próximas duas temporadas. Álex vai ocupar a vaga que era de Alex Márquez, irmão caçula de Marc Márquez, que irá defender a Gresini em 2023. Até o presente momento, a situação de Joan Mir ainda está indefinida, mas fala-se que o campeão de 2020 estaria negociando para ocupar o lugar de Pol Spargaró na Honda para 2023, mas nenhum comunicado oficial surgiu até agora. Mas, se a situação dos pilotos parece mais ou menos encaminhada ou resolvida, o mesmo não se pode dizer dos funcionários da escuderia, que terão de procurar emprego com o fechamento da escuderia. E não estão sobrando muitas vagas por aí em times de competição, sendo que a Suzuki parece não ter planos de realocar o pessoal, até porque está encerrando sua participação no certame de endurance de motos, e sem perspectiva de retorno a curto prazo.

 

 

A Ducati ainda espera para definir quem será o companheiro de Francesco Bagnaia no time de fábrica da MotoGP em 2023. Jorge Martin e Enea Bastianini são os favoritos para a posição, uma vez que a marca italiana já teria se posicionado sobre manter Johaan Zarco na Pramac, onde faz excelente temporada. Quem perder a disputa deverá ser o novo colega de time de Zarco no time satélite, enquanto a vaga da Bastianini na Gresini já tem um substituto para o próximo ano, Álex Márquez. Mas, ocupando a 3ª posição no campeonato, promover Zarco para o time de fábrica não é algo que esteja fora das possibilidades. A Ducati prometeu anunciar suas decisões depois da prova da Áustria, em agosto.

 

 

A Yamaha manterá sua atual dupla de pilotos para 2023, formada pelo francês Fabio Quartararo, atual campeão mundial, e lutando pelo bicampeonato, e pelo ítalo-brasileiro Franco Morbidelli, apesar da atuação pífia do piloto até aqui no ano, revelando ter inúmeras dificuldades para conseguir extrair da moto o mesmo desempenho do colega de time. Mas a marca dos três diapasões encolherá sua participação na próxima temporada, uma vez que a equipe RNF, que neste ano compete com motos da marca japonesa, cansou do desempenho do equipamento, e vai competir com motos da Aprilia, muito mais competitivas no momento. Com isso, a Yamaha fica apenas com seu time oficial de fábrica na competição mesmo, posição que também era da Suzuki, que só equipava seu time de fábrica. A Ducati é a marca com maior participação no grid da classe rainha do motociclismo, tendo, além do time oficial de fábrica, as equipes satélites da Pramac, Gresini, e VR46, que competem com as motos Desmosédici de Borgo Panigale.

 

 

A Formula-E dispoutou a rodada dupla do ePrix de Nova Iorque, e a primeira corrida teve vitória de Nick Cassidy, da Envision, que largou na pole-position e não deu chance aos rivais que vinham atrás na corrida, conseguindo vencer de ponta a ponta. Mas o neozelandês teve que se defender dos ataques de Lucas Di Grassi, da Venturi, e de Stoffel Vandoorne, da Mercedes, que ficaram embutidos em sua traseira na maior parte da prova, que acabou um pouco antes do previsto por causa da chuva que caiu sobre o circuito e encharcou a pista. O acúmulo de água provocou a aquaplanagem de alguns carros, enquanto outros se engavetaram. Os líderes da prova, inclusive, perderam o controle dos carros, seguindo reto em uma das curvas e batendo logo após, alguns, como Di Grassi, com muita força, mas felizmente sem ferimentos além do dolorido das pancadas dos carros. A corrida recebeu bandeira vermelha, e até se cogitou o seu reinício, mas devido ao número de carros batidos, e às poucas voltas que ainda poderiam ser realizadas tão logo a chuva foi embora, forçaram a direção de prova a optar pelo encerramento da corrida. Assim, Cassidy obteve o seu primeiro triunfo na F-E. Lucas de Grassi voltou ao pódio com a 2ª colocação, enquanto Robin Frijns garantia o 3º lugar, e a maioria do pódio para a Envision, que vinha tendo um desempenho apenas mediano na temporada 2022. Entre os postulantes ao título, Vandoorne terminou em 4º lugar, enquanto Edoardo Mortara, da Venturi, finalizou em 9º. Mith Evans, da Jaguar, foi apenas o 11º. E Jean-Éric Vergne, da Techeetah, que vinha se mantendo na luta graças à regularidade na temporada, sofreu o seu primeiro revés, ao terminar apenas em 18º, ficando sem pontuar pela primeira vez no ano.

 

 

Se Cassidy teve a sorte sorrindo para ele na corrida de sábado, a prova de domingo já foi outra história. O piloto da Envision até conquistou novamente a pole-position, mas por ter sido obrigado a trocar o trem de força e mais algumas peças do carro, acabou sendo punido, e tendo de largar em último, além de ter de cumprir um drive through durante a corrida. O resultado não poderia ser outro: Cassidy largou em último, e foi terminar apenas em 16º, na prova que acabou vencida por Antonio Félix da Costa, da Techeetah, que herdou a pole, e da mesma maneira que Nick havia feito na corrida do sábado, fez valer o fato de largar na frente, e foi-se embora, comandando a corrida de ponta a ponta, mas não sem sofrer pressão de Stoffel Vandoorne, que só não conseguiu concretizar seu ataque devido a uma bandeira amarela provocada por Lucas Di Grassi na parte final da corrida após o brasileiro se estranhar com Jean-Éric Vergne em uma tentativa de ultrapassagem. Vandoorne acabou terminando em 2º, com Mith Evans espantando o azar do dia anterior, e subindo ao pódio em 3º. Edoardo Mortara mais uma vez ficou aquém do que ele esperava, terminando apenas em 10º, devido aos problemas que o time enfrentou para consertar o carro batido na corrida do dia anterior, e com isso perdendo a liderança do campeonato para Vandoorne. Já Vergne, com o toque sofrido por conta de Lucas, abandonou a corrida, e sem marcar pontos mais uma vez, praticamente deu adeus às suas expectativas de tentar lutar pelo título, mesmo faltando quatro corridas para encerrar a temporada.

 

 

Os brasileiros, aliás, tiveram momentos distintos na rodada dupla de Nova Iorque da F-E. Sergio Sette Câmara nem chegou a participar da primeira corrida, pois bateu seu carro logo no início da classificação, e a Dragon não conseguiu consertar o carro a tempo para a corrida. Na segunda corrida, Sergio fez milagres ao conseguir a 4ª posição no grid de largada, mas na corrida, acabou novamente vítima da falta de ritmo de seu carro, caindo pelas tabelas conforme a prova avançava, acabando por ficar de fora da zona de pontuação, mais uma vez. Já Di Grassi, apesar de ter conseguido o 2º lugar na primeira prova, teve um domingo para esquecer: acabou ficando menos tempo que o mínimo exigido pelo regulamento no box por erro da equipe, e com isso teve suas voltas mais rápidas deletadas, obrigando-o o largar de 18º, numa pista onde as ultrapassagens eram muito complicadas. Dito e feito: Lucas mal conseguiu chegar à zona de pontuação, e numa das disputas, acabou tendo um incidente com Jean-Éric Vergne, acabando por tocar no carro do francês, e desencadear uma bandeira amarela na pista, perdendo praticamente todo o esforço feito até então, resultando no abandono de ambos. Vergne, aliás, ficou muito chateado com o incidente, e ficou ainda mais irritado quando a direção de prova considerou o caso apenas um incidente de corrida, quando esperava por uma punição ao piloto brasileiro. Melhor sorte nas próximas etapas...