quarta-feira, 6 de abril de 2022

FLYING LAPS – MARÇO DE 2022

            Pois é, o mês de março veio, e já se foi, testemunhando o início de vários campeonatos do mundo do esporte a motor, como a MotoGP, Fórmula 1, entre outros, e cá estamos nós já avançando pelo mês de abril, com as etapas de vários certames sendo realizadas em todos os lugares. E, no início de cada vez, é hora de mais uma edição da sessão Flying Laps, relatando alguns acontecimentos do mundo da velocidade que tivemos neste último mês, sempre com alguns comentários rápidos a respeito. Então, desejo a todos uma boa leitura a todos, e até a próxima edição da Flying Laps no mês de maio...

Rubens Barrichello teve um fim de semana impecável na rodada dupla de Goiânia, no campeonato da Stock Car Brasil. A prova, disputada no anel externo do circuito da capital de Goiás, viu Barrichello arrancar a pole-position para a primeira prova do fim de semana, e Rubens fez valer o privilégio de largar na frente para comandar a corrida de ponta a ponta, recebendo a bandeirada em primeiro lugar. Mesmo as entradas do Safety Car não conseguiram ser aproveitadas pelos rivais para desbancar o piloto da Fulltime da primeira colocação. Barrichello ainda foi ao box para a parada obrigatória sem perder a liderança, mas teve sempre alguém nos calcanhares, impedindo-o de abrir maior vantagem e ir embora na frente. Cesar Ramos, da equipe Ipiranga, chegou bem perto, mas Rubens se manteve no controle o tempo todo, recebendo a bandeirada de chegada com 2s de vantagem. Julio Campos, da Lubrax Podium, fechou na 3ª colocação. Ricardo Zonta, que vinha em uma corrida combativa, teve de pagar uma punição por ter queimado a largada, despencando para o 21º lugar ao fim da corrida.

 

 

Mas o bom momento de Barrichello na etapa de Goiânia não ficou apenas na vitória da primeira corrida do fim de semana. Com o grid invertendo as 10 primeiras posições da chegada da primeira corrida, para a largada na segunda prova, Rubens partiu em 10ª, e foi para cima dos concorrentes à sua frente, ganhando posições na prova. E logo, o piloto já estava de novo na liderança da corrida, após aproveitar todas as oportunidades que se apresentaram para superar os concorrentes. Na parte final, ainda teve uma entrada do Safety Car, devido a um toque entre Lucas Foresti e Renato Braga, que acabou motivando o encerramento da segunda corrida em bandeira amarela, e garantindo o segundo triunfo consecutivo de Barrichello em Goiânia, com o piloto da Fulltime acumulando agora oito triunfos na pista. Ricardo Maurício terminou em 2º lugar, com Diego Nunes fechado o pódio em 3º lugar. Daniel Serra, que vinha numa forte recuperação na parte final da prova, teve que se contentar com o 4º lugar, sem ter como discutir a posição final do pódio com Nunes, devido à bandeira amarela que encerrou a corrida. Com um 5º lugar na primeira corrida, e um modesto 16º posto na segunda corrida, Gabriel Casagrande saiu de Goiânia ainda na liderança do campeonato, com 63 pontos, um à frente de Thiago Camilo, que fez um 6º e um 5º lugares nas corridas do fim de semana, chegando aos 62 pontos, e por pouco não assumindo a liderança da competição. Com os pontos das duas vitórias em Goiânia, Rubens Barrichello foi para a 3ª colocação no campeonato, com 56 pontos, superando Daniel Serra, que ocupa a 4ª colocação, com 54 pontos. Cesar Ramos vem na 5ª posição, com 46 pontos. A próxima corrida da Stock Car será no Rio de Janeiro, no circuito que será montado nas pistas do Aeroporto do Galeão, um traçado inédito na categoria, comemorando o retorno da Stock Car à capital do Estado, que estava de fora do calendário da competição desde a destruição do autódromo de Jacarepaguá há anos atrás, perpetrada pelas picaretagens dos cartolas que acabaram com a pista para a construção da vila olímpica para os jogos pan-americanos e olímpicos, e cujas estruturas atualmente encontram-se bem deterioradas, num claro descaso para com o esporte como um todo...

 

 

A Penske segue invicta na Indycar 2022. Depois de Scott McLaughlin ter faturado sua primeira vitória na categoria, nas ruas de São Petesburgo, na Flórida, na corrida de início da temporada, foi a vez de Josef Newgarden vencer a segunda corrida, no circuito oval do Texas, em Forth Worth. E foi um triunfo na última curva da última volta, com o bicampeão conseguindo superar justamente McLaughlin na linha de chegada, impedindo o líder do campeonato de vencer pela segunda vez e abrir ainda mais vantagem na classificação. E a Penske por pouco não monopolizou o pódio na pista oval: Will Power terminou em 4º lugar, com Marcus Ericsson, da Ganassi, tendo fechado o pódio com o 3º lugar na corrida. Com os resultados das duas corridas disputadas até aqui, Scott McLaughlin segue líder do campeonato, com 97 pontos. Will Power é o vice-líder, com 69 pontos, uma diferença de 28 para o companheiro de equipe. Na terceira colocação vem o atual campeão, Álex Palou, com 67 pontos, seguido por Josef Newgarden, com 65 pontos, recuperando-se depois de um desempenho aquém das expectativas na primeira corrida. Marcus Ericsson vem logo atrás, com 58 pontos, em 5º lugar. Scott Dixon é o 6º colocado, com 55 pontos. Depois de ter tido um resultado bem aceitável em São Petesburgo com Colton Herta e Romain Grosjean, a prova do Texas foi decepcionante para o time da Andretti: Herta foi um modesto 12º lugar na corrida, enquanto Alexander Rossi, que fora apenas 20º classificado na primeira corrida, abandonou a prova logo no início, e pouco tempo depois, ainda viu Grosjean também retirar-se da competição com problemas mecânicos no carro. Isso derrubou os pilotos do time na classificação do campeonato, com Colton Herta ocupando a 7ª colocação, com 50 pontos, e Romain Grosjean vindo em 10º, com 35 pontos. Rossi é apenas o 27º, com apenas 16 pontos. O time ainda tem Devlin DeFrancesco, que vem em 28º, com 14 pontos. Parece que a Andretti vai ter alguns problemas para desafiar a Penske e a Ganassi este ano, mais uma vez...

 

 

Se o time de Michael Andretti resolveu dispensar Ryan Hunter-Reay depois de anos de baixos resultados na escuderia, trocando-o por Romain Grosjean, o que até aqui pareceu ter sido uma boa troca de titulares, o mesmo não se pode dizer da contratação de Devlin DeFrancesco no lugar de James Hinchcliffe, pelo menos no que se viu nestas duas primeiras corridas. O canadense mostrou o seu noviciado em São Petesburgo, terminando a prova apenas em 20º lugar, algo compreensível. Mas, no Texas, DeFrancesco chamou a atenção pelas confusões que arrumou na pista. Primeiro acabou dando uma leve fechada que levou Kyle Kirkwood a pisar na “faixa da morte” do composto PJ1 que deixou um trecho do circuito texano escorregadio como sabão, fazendo o piloto da Foyt ir parar no muro. Depois, Devlin ainda forçou para tentar ultrapassar Graham Rahal, tocando no carro do rival, que por sua vez, acabou acertando o carro de Hélio Castro Neves, com os três pilotos indo parar no muro, e dizendo adeus à corrida, o que certamente deve ter deixado os demais pilotos mais tranquilos pelo canadense ter ficado fora da prova também. Helinho não ficou nada contente com a atitude do novato, e disse que ele precisa aprender a ser mais responsável na pista. Graham Rahal também estava bastante irritado com o ocorrido. E o canadense também arrumou confusão com Takuma Sato, completando um dia pra lá de atribulado no Texas. Helinho enfatizou ainda que a manobra tentada pelo novato seria compreensível se fosse nas voltas finais da corrida, quando a disputa se torna mais intensa por posições, mas com a corrida pela metade, não era hora de arriscar daquele jeito. Vejamos como o novo reforço da Andretti vai se posicionar nas próximas corridas...

 

 

Se Devlin DeFrancesco mostrou comportamento questionável na corrida do Texas, por outro lado a primeira corrida da Indycar em circuito oval serviu para lavar a alma de Jimmie Johnson, heptacampeão da Nascar, e que resolveu dar novo rumo à sua carreira na Indycar, onde teve uma temporada de aprendizado difícil no ano passado, andando sempre na parte final do grid, tentando se acostumar ao modo de condução dos carros monopostos da categoria. Decidido a também correr nas pistas ovais este ano, Jimmie retornou a um ambiente mais familiar à antiga categoria: os circuitos ovais, e pelo menos em Forth Worth, o piloto mostrou a que veio: terminou em 6º lugar, logo atrás de ninguém menos que Scott Dixon, que foi o 5º colocado, depois de fazer uma corrida combativa e arrojada, fazendo todo mundo esquecer as performances fracas vistas até agora nos circuitos mistos e de rua onde competiu. O piloto ainda afirmou que precisou ser conservador na parte final da corrida, porque deu pane na telemetria, e ficou sem os dados de consumo de combustível, de modo que precisou aliviar um pouco para evitar de sofrer uma pane seca. Modéstia à parte, o piloto pareceu ter tirado um grande peso das costas, e agora terá pela frente o maior desafio do campeonato em se tratando de pistas ovais: as 500 Milhas de Indianápolis, no mês de maio. Mas Johnson afirma que está bem mais aliviado, sem pressão, e que a experiência da corrida em Forth Worth certamente será mais do que útil para encarar o Indianapolis Motor Speedway, que felizmente terá várias sessões de treinos que irão ajudar a se aclimatar com mais facilidade para a disputa da corrida mais famosa do calendário da Indycar. Mas, enquanto isso, ele terá as provas de Long Beach e do Alabama, além do GP de Indianápolis, para ir evoluindo sua performance ainda abaixo das expectativas em pistas mistas e urbanas. Mas Jimmie já mostrou que seu talento está lá, como sempre esteve. Agora, é ver se consegue terminar de pegar o jeito para conseguir mostrar a mesma desenvoltura nos demais circuitos do campeonato...

 

 

Por problemas de logística, além de contenção de custos para todas as equipes, a direção da Indycar, de comum acordo com todos, resolveu adiar novamente a introdução dos novos propulsores híbridos na categoria. Antes previstos para 2023, data que já havia sido postergada em virtude da pandemia da Covid-19, agora os novos motores farão sua estréia somente na temporada de 2024. Honda e Chevrolet, os atuais fornecedores da Indycar, gostaram do adiamento, uma vez que poderão desenvolver com mais calma o projeto, e o tempo adicional também lhes proporcionará condições para melhorar o fornecimento das peças de alta tecnologia necessárias para seus respectivos projetos, cuja cadeia de fornecimentos ainda não foi normalizada, apesar do arrefecimento da pandemia do coronavírus. Apesar do adiamento, foi levado a cabo na pista de Indianápolis o primeiro teste com as novas unidades, contando com a participação das equipes Penske e Ganassi. Mesmo com as condições desfavoráveis – fazia um frio danado, e até choveu, o que motivou a extensão do teste de 2 para 3 dias, os profissionais envolvidos de ambas as equipes e fornecedores relataram que a experiência foi muito proveitosa, e que todos conseguiram obter excelentes feedbacks para seus projetos. A Indycar usa atualmente propulsores V-6 biturbos de 2,2 litros, que serão substituídos por novas unidades V-6 de 2,4 litros com tecnologia híbrida, similar à utilizada na F-1, mas em uma configuração bem mais simples e menos custosa. A mudança das regras de propulsores também visa trair novos fornecedores para a competição, que há anos está restrita à Honda e Chevrolet fornecendo motores para todas as equipes. O adiamento em um ano da introdução dos novos sistemas também é visto como mais uma oportunidade para fabricantes potenciais se decidirem por investir na Indycar, a exemplo do que a F-1 vem fazendo, com a perspectiva de Audi e Porsche ingressarem na categoria máxima do automobilismo em 2026, quando o regulamento das unidades de potência mudará. Há algum tempo atrás, o Grupo Lotus chegou a fornecer propulsores para a Indycar, mas a performance era tão ruim que os poucos times que arriscaram utilizar o equipamento logo rescindiram seus contratos, diante da falta de competitividade dos motores, correndo atrás dos já confiáveis e competitivos Honda e Chevrolet. O esforço da categoria para atrair novos fornecedores é válido, e nos seus tempos áureos, a antiga F-Indy, nos anos 1990, contava com um bom leque de fornecedores na competição, entre eles a Chevrolet e a Honda, além da Ford e Toyota, tendo tido também participações menores da Judd e da Porsche, que acabaram encerrando suas participações na categoria justamente pela falta de resultados de seus equipamentos. Seria positivo a atual Indycar conseguir pelo menos mais um fornecedor de motor. Resta esperar que alguém se interesse em entrar na parada, e ajuda a diversificar o leque de equipamentos da categoria...

 

 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

CONQUISTANDO A AMÉRICA

Mais um Grande Prêmio de F-1 a caminho para 2023, agora em Las Vegas, nos Estados Unidos, a capital mundial do jogo.

            O campeonato da Fórmula 1 sempre foi considerado a maior categoria de competição do esporte a motor do mundo, ainda que não seja exatamente a mais disputada e competitiva de todas. Mesmo assim, a fama e o prestígio da “categoria máxima” do automobilismo, como costuma ser chamada, estendeu sua fama e popularidade a todo o planeta, embora nem sempre tenha sido popular ou muito conhecida em alguns lugares. Um destes lugares era justamente a maior potência econômica do mundo, os Estados Unidos, onde por muito tempo a F-1 demorou para emplacar e conquistar os fãs da velocidade do país, sendo conhecida apenas por pequena parcela do público amante das competições do esporte a motor. Mas, os tempos mudam, e esta semana a Liberty Media, atual proprietária da categoria, acabou de anunciar a realização de mais um Grande Prêmio de F-1 em terras do Tio Sam, e desta vez será em Las Vegas, cidade conhecida como capital mundial do jogo, devido ao grande número de cassinos presentes no lugar.

            Sobre a corrida, foi definido que será um traçado urbano, montado nas ruas de Las Vegas, com uma extensão de cerca de 6,12 Km, e 50 voltas de duração, com data prevista para o dia 25 de novembro, fazendo sua estréia no calendário de 2023 da F-1, o que fará com que os Estados Unidos tenham três corridas na temporada do ano que vem. E isso porque este ano, em maio, estréia o tão aguardado Grande Prêmio de Miami, segunda corrida no país, que continuará tendo o Grande Prêmio dos Estados Unidos disputado no Circuito das Américas, em Austin, no mês de outubro.

            A grosso modo, não é a primeira vez que os Estados Unidos sediam três Grandes Prêmios em uma mesma temporada da F-1. Na verdade, durante algum tempo, foi muito comum a categoria correr em mais de um GP por lá no mesmo ano. Entre 1976 e 1984, a F-1 sempre correu mais de uma vez nos Estados Unidos, e em 1982, foram três corridas realizadas por lá, realizadas nas cidades de Long Beach, Detroit, e Las Vegas, vejam só, justamente para onde a categoria retornará no próximo ano. Mas, os momentos de antigamente, e atualmente, são bem diferentes.

            Na época, a F-1 até tinha razoável popularidade nos Estados Unidos, que contavam com um nome de peso na categoria máxima, Mario Andretti, que já tinha no currículo títulos na antiga F-Indy, e chegou a ser campeão da F-1, pela Lotus, em 1978. Até Roger Penske tinha um time na categoria máxima do automobilismo, que infelizmente durou pouco tempo diante da falta de resultados. E essa popularidade acabou motivando a realização de mais um GP por ano em terras do país da América do Norte, a princípio mantendo o GP já disputado no circuito de Watkins Glen, e uma nova corrida, em circuito de rua, no balneário de Long Beach, ao sul de Los Angeles, na Califórnia. E as duas corridas, que passaram a ser chamadas, respectivamente, de GP dos EUA-Leste, e GP dos EUA-Oeste, sempre atraíram bom público. E o sucesso destas corridas, claro, motivou Bernie Ecclestone a tentar ampliar o leque de provas por lá. Com a saída de Watkins Glen do calendário, a F-1 acabou perambulando por pistas de rua, montadas nas cidades de Detroit, Dallas, e Las Vegas. Mas, ao contrário da prova de Long Beach, que era um sucesso entre público, e entre equipes e pilotos, as demais pistas, todas urbanas, não conseguiram cativar e conquistar o público, e muito menos o pessoal da F-1. Detroit, além de não ter um traçado agradável, possuía um asfalto tenebroso, e Dallas padeceu de problemas similares, durante muito pouco no calendário, com apenas uma prova realizada por lá, em 1984. Mas ruim mesmo acabou sendo a pista de Las Vegas, montada, vejam só, no estacionamento do hotel Caesars Palace,com um traçado pra lá de horroroso e sem graça, para não falar de um asfalto ainda mais tenebroso.

Las Vegas já sediou duas provas da F-1 nos anos 1980, em um circuito improvisado no estacionamento de um hotel, e não deixou saudades em quem participou das corridas.

            Não tinha como dar certo. E, infelizmente, a ganância de Ecclestone em cobrar mais pela realização da corrida fez Long Beach desistir da F-1, e entrar para o calendário da antiga F-Indy, uma categoria muito mais barata, e que oferecia disputas melhores do que a F-1, já naquela época. Detroit até aguentou mais um tempo no calendário, mas as queixas dos pilotos motivaram a saída da categoria da capital do automóvel após 1988, indo encontrar refúgio breve nas ruas de Phoenix, no Arizona, onde mais três provas foram realizadas, até 1991. Com o prestígio em queda, provocado pelas péssimas pistas de rua por onde andou, a F-1 deixou os Estados Unidos de fora do calendário da competição, até porque havia muitos interessados em sediar GPs, e que pagavam os valores impostos por Ecclestone, que apesar disso, nunca desistiu de reincluir o país no calendário, até porque não se podia ignorar o maior mercado consumidor do mundo. Mas não foi fácil promover um retorno. A antiga F-Indy tinha crescido muito, e era um certame não apenas mais barato de se realizar e promover do que a F-1, mas também apresentava corridas muito mais emocionantes, com vários pilotos vencendo corridas, e mais postulantes ao título do que na categoria máxima do automobilismo. Nem era preciso pensar muito para ver qual competição o fã estadunidense de automobilismo preferia. E a F-Indy começava a crescer a ponto até de incomodar a F-1, algo que Bernie Ecclestone não estava disposto a permitir, e por isso, o esforço para reincluir os EUA no calendário.

No belo Circuito das Américas, no Texas, a F-1 voltou a encantar os torcedores dos Estados Unidos.

            Isso foi conseguido no ano 2000, com uma prova a ser realizada em um traçado misto criado dentro do traçado oval do autódromo de Indianápolis, palco das famosas 500 Milhas, e que passou a receber a F-1 de verdade, uma vez que, nos seus primórdios, a F-1 incluía da famosa corrida em oval como parte de seu campeonato numa manobra “para inglês ver”, e justificar seu status de campeonato mundial. A competição até fez sucesso por alguns anos, mas a malfada edição de 2005, com apenas 6 carros, devido a problemas dos compostos da Michelin na curva 1 do circuito oval, naquele ano, desgastou a imagem da F-1, levando os Estados Unidos a ficaram novamente de fora do calendário da competição, o que só foi solucionado em 2012, quando a F-1 estreou em um circuito construído especialmente para receber de novo a categoria máxima do automobilismo em terras do Tio Sam, no belo Circuito das Américas, em Austin, no Texas, num dos raros trabalhos de Hermann Tilke que agradaram aos pilotos, e que pelo menos permitia a realização de boas corridas. Foi um renascimento da popularidade da F-1 nos Estados Unidos, com o país deixando de realizar uma corrida apenas em 2020, devido à pandemia da Covid-19.

            Nessa última década, não faltaram iniciativas de Ecclestone para tentar emplacar outras corridas em solo estadunidense. Falava-se, principalmente, em uma corrida em Nova Iorque, mas o projeto, assim como outros imaginados nesse período, nunca foram para frente, em especial diante das altas taxas que o então chefão da FOM queria cobrar dos organizadores, o que assustou e desestimulou todos eles a seguir em frente. Com a mudança de propriedade da F-1, passando às mãos da Liberty Media, não por acaso um grupo sediado nos Estados Unidos, que assumiu as rédeas da competição, e “aposentou” Ecclestone, o clima para se arregimentar novas corridas nos EUA mudou. Foi crucial para melhorar a atratividade da F-1 as boas corridas disputadas em Austin, que sempre atraíram grande público, apesar do problema das altas taxas, mas mostrando que havia sim, um grande público interessado na categoria máxima do automobilismo por lá. A produção da série “Drive To Survive”, da Netflix, numa empreitada assumida pelo serviço de streaming e a direção da Liberty Media, serviu para apresentar a F-1 a um novo grupo de fãs que pouco conhecia a categoria, ajudando a popularizá-la ainda mais. Ajudou também a mentalidade diferente da Liberty Media no trato de acordos para tentar despertar interesse em novas corridas no país, sendo mais maleáveis e flexíveis do que o velho Bernie.

Detroit (acima) até tentou, mas não conseguiu seduzir o pessoal da F-1, que gostava de Long Beach (abaixo), até a pista resolver trocar a corrida para o campeonato da F-Indy devido aos altos custos.


            E enfim, os esforços frutificaram, com o anúncio, ainda no ano passado, do novo Grande Prêmio de Miami, após superarem inúmeros obstáculos visando criar um interessante traçado na cidade da Flórida, que fará sua estréia no próximo mês de maio, para felicidade dos fãs da velocidade, mas principalmente do Liberty Media, que tinha como ponto de honra conseguir emplacar uma nova corrida em seu país natal, ao lado da já firme prova no Circuito das Américas, que no ano passado, após ficar ausente em 2020, registrou seus recordes de público no fim de semana de GP, comprovando o sucesso da etapa. Um sucesso que a Liberty espera repetir em Miami, claro. E, futuramente, em Las Vegas.

            Mas, diferente de como foram feitas as corridas por lá anteriormente, hoje tudo é feito com muito mais planejamento e antecedência, de modo que as condições, hoje consideradas malucas e completamente displicentes, daquela época, e que ajudaram a contribuir para o fracasso das etapas, não se repitam. Tudo é muito mais estudado e calculado, de modo que as novas corridas possam oferecer o que há de melhor em estrutura para a competição da F-1, e também para o público que estará presente. Para a criação do traçado de Miami, foram necessários estudos e muitas negociações com as autoridades locais e associações de moradores, a fim de criar uma pista aceitável para todos, além de criar diferenciais que façam o público ficar empolgado com o que irão ver, na pista, e fora dela.

            Para a corrida de Las Vegas, o cuidado em tornar a prova diferenciada também está sendo grande. Começando pelo seu dia de disputa, que será na noite de sábado, às 22 horas locais, em mais uma etapa noturna no campeonato. Será a primeira corrida de F-1 disputada em um sábado desde o Grande Prêmio da África do Sul de 1985, a última a ser disputada em um dia que não fosse domingo. Até então, era comum alguns GPs serem realizados aos sábados. A partir de 1986, a FIA e a FOCA padronizaram as regras, de modo que as corridas passaram a ocorrer somente aos domingos desde então. O traçado montado pela Liberty Media nas ruas da capital do jogo contará com 3 trechos de retas principais, e um total de 14 curvas, numa extensão de 6,12 Km, com a prova sendo disputada em 50 voltas. Estudos indicam que os carros de F-1 poderão atingir mais de 340 Km/h de velocidade máxima nos trechos de reta. E, segundo Stefano Domenicalli, atual CEO da Liberty Media, o horário escolhido para a corrida fará parte do show que a F-1 quer se mostrar, ainda mais em uma cidade onde a noite é efervescente, e boa parte da audiência nos Estados Unidos certamente poderá acompanhar o GP.

            Pelo visto, desta vez a F-1 se programou melhor do que nunca para conquistar a América, e tem bons motivos para comemorar.

 

 

Marc Márquez vai desfalcar a Honda na etapa deste final de semana da MotoGP, na Argentina, e certamente também na próxima corrida, que já é semana que vem, nos Estados Unidos. O hexacampeão sofreu um forte acidente durante o treino do warm-up na etapa da Indonésia, sendo levado para o hospital onde se verificou ter sofrido uma concussão, e felizmente, não sofreu nenhum ferimento. Mas, ao chegar em casa, constatou o retorno da diplopia, a visão dupla, que o acometeu após sofrer uma queda durante um treino de motocross em outubro do ano passado, também devido a uma concussão. Apesar dos médicos afirmarem que o caso é menos grave que o daquele momento, Márquez ficou em repouso, e a Honda tratou logo de comunicar sua ausência da etapa em Termas do Rio Hondo, neste final de semana, onde será substituído por Stefan Bradl, que fez a mesma função nas etapas onde Marc teve de se ausentar no ano passado. Como o tempo entre a prova da Argentina e a dos Estados Unidos é de apenas uma semana, é praticamente certo que o espanhol irá ficar de fora também da próxima corrida, com a equipe japonesa já planejando seu retorno para a prova seguinte, em Portimão, no dia 24 de abril, visando dar ao seu piloto um tempo de recuperação sem sobressaltos. Pelo visto, a sina de Marc Márquez segue complicada, e não são poucos os que dizem que, infelizmente, o hexacampeão pode ter sua carreira comprometida na classe rainha do motociclismo, depois de tantos percalços, e do risco potencial do que futuros acidentes podem desencadear no piloto...

 

 

A MotoGP se complicou na viagem da Indonésia para a Argentina, devido a problemas na logística de transporte, azares, e até mesmo o conflito Rússia-Ucrânia, o que fez com que os materiais de equipes e da própria Dorna atrasassem para chegar ao circuito de Termas do Rio Hondo, onde será disputada a etapa deste fim de semana. Com parte da carga chegando ao seu destino apenas hoje, a Dorna precisou cancelar as atividades da sexta-feira na pista argentina, transferindo os treinos para o sábado, e alterando toda a sistemática do final de semana, preocupando-se em manter os horários das corridas do domingo inalteradas. Com os treinos livres remarcados para a manhã deste sábado, o treino de classificação será realizado um pouco mais tarde, e com o cancelamento de um dos treinos livres, a Dorna optou por aumentar um pouco o tempo do warm-up no domingo, como forma de compensação. O transporte do material da MotoGP é realizado em cinco aviões, e dois deles apresentaram problemas nas escalas feitas entre Mandalika, na Indonésia, e a Argentina. Mas a Dorna garante que, apesar do atraso, tudo correrá normalmente no sábado e no domingo, com a realização das corridas da MotoGP, Moto2 e Moto3 ocorrendo dentro dos conformes. E olhe que a MotoGP ainda deu sorte, pois a prova da Indonésia foi há duas semanas atrás, mas e se esse problema ocorresse no intervalo de apenas uma semana entre uma corrida e outra, como é o caso das etapas da Argentina e dos Estados Unidos? Isso já seria muito mais complicado de se resolver...

 

 

Mick Schumacher está “invicto” no Grande Prêmio da Arábia Saudita. O filho de Michael Schumacher havia batido forte com sua Haas na corrida do ano passado, e desta vez ele acabou repetindo a dose no treino de classificação, o que desencadeou uma bandeira vermelha, e a remoção do piloto para o hospital, felizmente, por precaução, onde teve alta, e só não pode correr na prova porque a Haas não tinha condições de reparar completamente o carro, que ficou ainda mais destruído do que na pancada de 2021. Felizmente para a escuderia, Kevin Magnussen fez outra excelente corrida, terminando a prova de Jeddah em 9º lugar, e garantindo mais alguns pontos para a escuderia, que ocupa a 5ª posição no Mundial de Construtores, com 12 pontos marcados até o presente momento, obtidos nas duas primeiras corridas da temporada. Em comtrapartida, os gastos de recuperação do carro destruído por Mick foram estimados em cerca de US$ 920 mil, um prejuízo que certamente será sentido pelo time, especialmente depois de ter ficado sem o patrocínio da empresa Uralkali, do pai de Nikita Mazepin, ex-piloto da equipe, demitido depois dos problemas desencadeados pela guerra da Rússia contra a Ucrânia.