sexta-feira, 5 de março de 2021

LARGADA DA F-E 2021

A Formula-E realizou as primeiras corridas noturnas de sua história, e Nicky de Vries largou na pole-position e venceu a primeira corrida da nova temporada.

            E a Formula-E, o campeonato dos carros monopostos 100% elétricos, deu sua largada para a temporada de 2021, a sétima da categoria, desde que surgiu em 2014. O palco, a cidade de Diriyah, na Grande Riad, capital da Arábia Saudita, na edição deste ano, fez com que as provas da rodada dupla se tornassem as primeiras corridas noturnas da categoria, seguindo o exemplo que já é praticado pela Indycar, MotoGP, e claro, a F-1. No Brasil, aconteceu outra novidade: depois de ter suas primeiras temporadas transmitidas pelo canal pago Fox Sports, a nova temporada contou com uma inédita dupla transmissão, tanto em TV aberta quanto na TV fechada, para alegria dos fãs do esporte a motor que curtem essa competição.

            A TV Cultura, que havia surpreendido quando anunciou que transmitiria as provas da F-E, até que se saiu bem, procurando fornecer uma cobertura didática para quem não tinha conhecimento a respeito da competição dos carros elétricos. Marco de Vargas saiu-se bem na narração, ainda que em certos momentos tenha deixado escapar um certo ufanismo de torcida pelos pilotos brasileiros na competição, e Fábio Seixas cumpriu bem sua função como comentarista. Nada mal para a estréia da emissora na transmissão das corridas. A audiência não foi lá essas coisas, mas para a primeira vez, é preciso relativizar. O Ibope melhorou na segunda corrida, no sábado, mas ainda é cedo para dizer se a audiência melhorou por ser durante o fim de semana ou não, já que a primeira prova da rodada dupla foi em plena sexta-feira. Apesar de ser uma emissora com alcance nacional, a TV Cultura nunca foi de ter audiências que competissem efetivamente com os demais canais abertos, em que pese ter travado boas brigas com RedeTV, TV Gazeta, e até mesmo a Bandeirantes, em certos horários, em alguns momentos. E ainda temos o revés da Formula-E ser uma categoria praticamente desconhecida do grande público, já que somente foi transmitida pela TV por assinatura, e é uma competição relativamente nova, tendo disputado até aqui seis campeonatos. E o público especializado em automobilismo ainda não morre de amores exatamente pelo certame, com muitos reclamando da falta de velocidade e barulho de motor, mesmo que algumas corridas tenham sido bem agitadas e emocionantes.

            Outra surpresa foi o anúncio do SporTV, quase às vésperas do primeiro treino livre na Arábia Saudita, de que iria transmitir a categoria em TV fechada, sucedendo o Fox Sports. No canal por assinatura do Grupo Globo, a dupla Bruno Fonseca e Rafael Lopes comandou a transmissão, que em nível de entretenimento, ficou um pouco inferior à da TV Cultura, mas teve o mérito de iniciar a transmissão bem antes, tentando apresentar a categoria ao seu público, antes acostumado à F-1, mostrando algumas matérias explicativas a respeito de como é a F-E e o seu estilo de competição, mas deixando tudo legendado, e não dublando a narração explicativa. Antes ignorando praticamente o certame de carros elétricos, já que era um produto de um canal concorrente, espera-se que o SporTV ajude a tornar a categoria mais conhecida entre seu público cativo por automobilismo, que ficou praticamente órfão com a perda dos certames da MotoGP e da Fórmula 1. A tendência é que o certame se torne um pouco mais conhecido do grande público, já que as provas serão mostradas tanto na TV aberta quanto na fechada, como já afirmei. E ainda tem outro atrativo, que é a presença de pilotos brasileiros no grid.

Zerado na primeira prova, disputada na sexta-feira, Sam Bird (acima) teve melhor sorte na segunda corrida, vencendo a corrida após uma grande disputa com seu ex-parceiro na equipe Virgin, Robin Frijns (abaixo), que largara na pole-position da corrida do sábado.



            Mas talvez o maior atrativo seja mesmo ter corridas mais disputadas e imprevisíveis do que a F-1, que nos últimos anos se acostumou a ver apenas um time vencendo quase tudo. No certame dos carros monopostos elétricos a disputa é mais democrática, e há bem mais pegas e disputar que na categoria máxima do automobilismo. Tem lá seus defeitos também, com alguns momentos de corrida maçantes, mas no cômputo geral, o resultado é mais animador, com maior possibilidade de pilotos diferentes se destacando.

            E isso pudemos ver nesta rodada dupla que abriu a competição. Na primeira prova, na sexta-feira, quem andou surpreendendo foi Nick de Vries, da Mercedes, que anotou a pole-position, e na corrida, simplesmente liderou de ponta a ponta, apesar de um pouco de pressão nas voltas iniciais. Mas o piloto holandês abriu vantagem, e as disputas ficaram para seus perseguidores, com Edoardo Mortara, da Venturi, terminando em 2º lugar, e Mith Evans, da Jaguar, fechando o pódio, em 3º lugar. René Tast, da Audi, até que tentou se manter no pódio, mas acabou superado, fechando a prova em 4º lugar. E Pascal Wehrlein, estreando pela Porsche, também flertou com os degraus do pódio, mas terminou em 5º lugar.

            Para os brasileiros, situações distintas. Sérgio Sette Câmara teve uma prova cheia de dificuldades, após bater no treino de classificação, e depois ainda tomou uma punição por um erro cometido por seu time, a Dragon/Penske, de modo que o piloto não teve qualquer chance de um bom resultado. Já Lucas Di Grassi, tendo feito a classificação na primeira tomada, quando a pista está normalmente mais suja, teve de largar em 16º e fazer uma corrida de recuperação para marcar míseros 2 pontos com um 9º lugar, batalhando muito para conseguir ultrapassar na pista montada nas ruas de Diriyah, cujo traçado infelizmente não é muito propício em pontos de ultrapassagem.

            E não foi só o piloto brasileiro da Audi que teve este tipo de problema: o time campeão do ano passado, a Techeetah, viu seus dois pilotos largarem lá atrás para também terem de fazer provas de recuperação que não lhes permitiu chegarem entre os que pontuam, também tendo tido muitas dificuldades para conseguirem ganhar posições. Outro que penou foi Sébastien Buemi, que também largou lá de trás para ficar sem marcar pontos com a e.dams. E a dupla da Virgin também amargou não conquistar nenhum ponto, depois de também largarem lá no fundo do grid. O ritmo incrivelmente parelho dos carros fez com que as posições de largada tivessem muita influência nas possibilidades de bons resultados da corrida, já que as ultrapassagens foram sempre complicadas.

Depois de uma corrida um pouco conservadora na sexta, os pilotos foram mais ofensivos no sábado, com mais disputas na pista, e com alguns toques entre os competidores, com direito até a perda de um pedaço ou outro da carenagem.

            Se a primeira corrida foi um pouco enfadonha em parte, a segunda prova, no sábado, foi bem mais agitada. A começar pela troca dos protagonistas nos treinos, e por alguns reveses inesperados para outros. Depois de Edoardo Mortara bater forte no treino livre, com o piloto da Venturi tendo inclusive sua participação vetada na prova por ordens médicas, em um acidente causado por defeito no software que afetou o freio, os times da Mercedes e da Venturi, uma vez que esta equipe usa o trem de força dos alemães, foram proibidos de participar dos treinos, e só conseguiram largar depois de confirmarem ter alterado seus programas nos carros para evitar a ocorrência de um novo acidente. Mas, sem ter feito o treino de classificação, o time prateado, que vencera a primeira corrida, largaria nas últimas posições, uma diferença tremenda para o time que havia vencido de ponta a ponta no dia anterior.

            Em compensação, a Virgin arrebatou a pole com Robin Frijns, depois de ficar no zero na primeira prova. A dupla da Techeetah largava entre os dez primeiros, enquanto as surpresas eram as duplas dos times da Dragon/Penske e da Nio, com ótimas posições de largada. Lucas Di Grassi, por outro lado, continuava no seu calvário nas classificações, largando novamente lá atrás, e vendo seu parceiro René Rast também ficar na parte de trás do grid. E nesta segunda corrida as disputas foram mais acirradas, com os pilotos forçando mais nas ultrapassagens, e procurando melhores posições. Talvez tivessem sido mais conservadores na corrida de sexta, para não detonarem seus carros, já que havia a corrida do sábado. E nesta, sem ter outra prova logo no dia seguinte, não era necessário ter tanto cuidado. Mas este acirramento, claro, acabou proporcionando alguns acidentes, entre eles a impressionante capotagem de Alex Lynn, da Mahindra, que acabou fechado por Mith Evans, da Jaguar, tendo tocado no muro, encavalado no bólido de Evans, e decolado, arrastando-se de cabeça para baixo por dezenas de metros.

Um toque entre Mith Evans, da Jaguar,  e Alex Lynn, da Mahindra, fez este decolar e capotar na parte final da corrida, mas felizmente sem maiores consequências para o piloto além do grande susto.

            Felizmente nada de mal aconteceu com o piloto, mas isso acabou forçando a direção da F-E a encerrar a corrida alguns minutos mais cedo, já que não conseguiriam liberar a pista dentro do tempo restante. E assim, Sam Bird conquistou a vitória, a sua primeira pela Jaguar, seu novo time, e mantendo a escrita de sempre vencer ao menos uma corrida em todas as temporadas da categoria, desde o seu primeiro ano. Bird, aliás, travou um belo duelo com seu ex-companheiro Robin Frijns, da Virgin, que largou na pole mas não conseguiu distanciar-se na liderança da corrida como Nicky de Vries fizera na corrida da noite anterior. Jean-Éric Vergne e Antonio Félix da Costa fizeram corridas combativas, e terminaram em 3º e 4º lugares, mas o francês acabou punido por não fazer uso do Moto Ataque pela segunda vez, e acabou caindo para 12º, e vendo seu companheiro e atual campeão ficar com o último lugar do pódio. Nick Cassidy também acabou punido, caindo de 5º para 14º. Estas punições acabaram beneficiando Sérgio Sette Câmara, que conseguiu andar forte na corrida, tendo largado na primeira fila, com um tempo excepcional para o carro da Dragon/Penske. O brasileiro acabou sendo superado no fim, terminando em 6º lugar, mas recuperando para 4º com as punições de Vergne e Cassidy.

            Quem também ganhou algumas posições com isso foi Lucas Di Grassi, que teve uma corrida difícil, tentando sair lá de trás e batalhando por posições, e terminou classificado em 8º lugar, marcando mais alguns pontinhos. Vencedor da primeira corrida, Nicky de Vries também acabou beneficiado, terminando em 9º, e marcando alguns pontinhos cruciais para se manter na liderança da competição após essa rodada dupla inicial. E alguns pilotos que haviam ido bem na sexta tiveram um sábado para esquecer, como foi o caso de Mith Evans, que acabou envolvido no acidente que fez Alex Lynn capotar, enquanto outros que foram mal na sexta acabaram indo bem no sábado, como foi o caso da dupla da Dragon/Penske, e de Oliver Turvey, da Nio. O resultado disso tudo foi que ninguém conseguiu sair da Arábia Saudita com algum tipo de vantagem explícita na competição. A Mercedes andou forte nas duas corridas, mas venceu apenas a primeira, não tendo conseguido anular o revés de largar lá atrás no sábado por conta de não ter podido participar da classificação. Nicky de Vries lidera com 32 pontos, mas Sam Bird é o vice-líder, com 25 pontos, graças ao seu triunfo na segunda corrida, e só não deu um aperto maior em De Vries porque o inglês sofreu um acidente e ficou zerado na primeira corrida. Robin Frijns é o terceiro colocado, com 22 pontos, seguido de Edoardo Mortara, com 8 pontos. Entre as equipes, a Jaguar foi quem se saiu melhor na rodada dupla, e lidera a competição com 40 pontos, seguida pela Mercedes com 36. Já mais atrás, a Virgin vem em 3º com 22 pontos, empatada com uma surpreendente Dragon/Penske, que já marcou até agora 20 pontos a mais do que em toda a temporada passada.

Depois de uma corrida frustrante na sexta-feira, Sérgio Sette Câmara surpreendeu no sábado, largando em 2º, e terminando no final na 4ª posição, um resultado altamente satisfatório para o piloto brasileiro e mais ainda para o seu time, a Dragon/Penske.

            Sérgio Sette Câmara mostrou o seu cartão de visitas à categoria, e mesmo que seu resultado tenha sido em parte por ter largado nas primeiras posições, sua volta na classificação foi excepcional, considerando-se o carro ainda incipiente da Dragon. Mas o piloto brasileiro andou forte durante a segunda corrida, e só capitulou mais para o final, quando finalmente sofreu pressão de pilotos com carros melhores. Mesmo assim, Sérgio terminou em 6º na pista, uma colocação de respeito, e que virou um 4º lugar com as punições de Vergne e Cassidy. Quando as oportunidades surgem, é preciso agarrá-las, e Sérgio fez o seu papel. Cabe agora a seu time lhe entregar um carro mais competitivo para que ele não precise esperar por outras oportunidades, mas que seja capaz de cria-las por si mesmo. Quanto a Lucas Di Grassi, é um pouco difícil estimar suas possibilidades. O brasileiro continua combativo na pista, mas não dá para saber ainda em que ponto a Audi está na equação de forças. Seu colega René Rast, em que pese ter feito boa prova na primeira corrida, quase chegando ao pódio, por outro lado, também teve uma atuação apagada largando lá de trás, não tendo conseguido recuperar posições na pista como Di Grassi havia feito.

            Quanto aos regulamentos, a F-E ainda precisa corrigir detalhes cruciais, que são as punições que são aplicadas por vezes muito tempo depois da bandeirada final das corridas. O torcedor gosta de ver o resultado da corrida na bandeirada, e ficar descobrindo que algum tempo depois o resultado acaba sendo modificado não é algo muito apreciável. O formato das corridas, com tempo de 45 minutos, mais uma volta, de duração atual, sofre quando temos a entrada do safety car, em bandeira amarela em todo o circuito, uma vez que as remoções de carros e/outros fatores que levaram à utilização da bandeira amarela em toda a pista têm demorado mais do que o desejável. Como o cronômetro continua andando, o tempo de corrida restante diminui consideravelmente, e para piorar, eles adotaram a regra de todos os pilotos perderem um percentual de energia de suas baterias a cada minuto de bandeira amarela inteira na pista, como forma de evitar que algum piloto se beneficie do período, economizando energia. Isso acabou levando ao encerramento antecipado da segunda corrida em Diriyah, que poderia ter rendido mais algumas disputas, se não fosse demorar a limpeza da pista e remoção dos carros envolvidos no acidente entre Evans e Lynn.

            Uma alternativa seria parar o cronômetro e manter o nível de energia, de forma que, quando a bandeira verde fosse mostrada, todos ainda tivessem o tempo restante de prova inicial de antes de ocorrer o incidente. E mesmo que todos conservassem o nível de energia, este não se manteria igual, já que os carros ainda consumiriam um pouco da carga durante as voltas em bandeira amarela. E estas, se fossem muitas, poderiam provocar uma perda de energia que, aliado ao tempo restante inicial, obrigaria os pilotos a ter de ser ainda mais cuidadosos com seu gerenciamento de força, sob o risco de não conseguirem completar a corrida.

            Outro detalhe que precisa ser considerado é o formato dos circuitos, que em alguns casos ainda são críticos em relação aos pontos ideais de ultrapassagem, como em Diriyah. Como compete em circuitos urbanos, não há como ter uma pista ideal para ultrapassagens, mas algumas mudanças neste sentido seriam úteis. Algo assim começou a ser feito no ano passado, com resultados animadores, resultando em provas com mais disputas de posição, diante das melhores chances de ultrapassagens. Na pista da cidade saudita também foram efetuadas algumas mudanças, como a saída dos boxes, mas com razões mais de segurança do que para facilitar ultrapassagens propriamente. Algumas curvas foram modificadas também, mas sem um ganho de permitir melhores disputas. A categoria já anunciou um circuito diferente para o ePrix de Roma, que parece ter agradado aos pilotos no papel. Vejamos como se dará na prática, em termos de potencial de disputa.

            Mesmo com as saídas anunciadas de Audi e BMW como times de fábrica, a F-E continua crescendo e estas duas marcas confirmaram que continuarão fornecendo seus trens de força para times clientes na categoria, que está na mira de outros grupos interessados na competição, como McLaren, Lotus, e até mesmo Alfa Romeo. Mesmo com algumas correções aqui e ali, o futuro ainda promete ser elétrico. Vamos ver como chegaremos até ele...

 

quarta-feira, 3 de março de 2021

FLYING LAPS – FEVEREIRO DE 2021

            E estamos iniciando o mês de março de 2021. A situação mundial continua complicada, devido à pandemia, e mesmo que se vislumbre a esperança de melhoras, com o início da vacinação contra a Covid-19 em vários países, as perspectivas para o Brasil são sombrias, pelo descalabro de nossas autoridades, em especial a de Brasília, mas também pela falta de responsabilidade e insensibilidade de muitas pessoas que teimam em ignorar o perigo ainda existente. E infelizmente, nossa vacinação vai demorar, de modo que será preciso muita paciência, com os efeitos só começando a aparecer depois de vários meses. Não dá para marcar bobeira com relação à pandemia. Enquanto isso, é hora de vermos alguns acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridos neste mês de fevereiro, onde tivemos algumas novidades interessantes do mundo da velocidade para reportarmos em tópicos rápidos com breves comentários, em mais uma sessão da Flying Laps. E neste mês de março deveremos ter o início de vários campeonatos do mundo do esporte a motor, os quais esperamos que possam ocorrer tomando os maiores cuidados ante a pandemia. Portanto, boa leitura a todos, e até a próxima coluna Flying Laps do próximo mês...

Romain Grosjean irá participar da temporada 2021 da Indycar, tendo firmado contrato para correr pela Dale Coyne, depois de encerrar definitivamente sua carreira na Fórmula 1 ao fim da temporada de 2020. Mas o piloto abriu mão de competir nas etapas em circuitos ovais do calendário, como Texas e Indianápolis. O piloto, contudo, estaria analisando correr na etapa de Gateway, dependendo das circunstâncias. E Grosjean já fez sua estréia na nova categoria, ao participar do teste coletivo dos times na pista de Barber, no Alabama. E, bem... O ex-F-1 ainda precisa desencanar um pouco, já que acabou terminando com o último tempo entre os que treinaram, e ainda por cima, bateu com seu novo carro, no último dia 23 de fevereiro, após rodar e escapar da pista na curva 1 do circuito do Alabama. Felizmente, foi um acidente leve, e Grosjean fez questão de elogiar o estilo de pilotagem exigido do carro, completamente diferente dos F-1 que conduziu nos últimos anos. Romain afirmou que o carro permite ao piloto impor melhor sua pilotagem pessoal, e o fato de possuir maior aderência mecânica em relação aos F-1 o deixa empolgado com as maiores possibilidades de conseguir fazer uma boa corrida. O piloto ainda se recupera do forte acidente sofrido na pista de Sakhir, no Bahrein, onde seu carro saiu da pista e colidiu com o guard-rail, desencadeando uma bola de fogo com o rompimento do tanque de combustível no impacto. Sua mão esquerda, que sofreu queimaduras, ainda não está completamente recuperada. Sobre não disputar as etapas nos ovais do Texas e em Indianápolis, ele fez questão de frisar que é um pai de família, com três filhos, e preferiu minimizar um pouco os riscos, especialmente depois do forte acidente que sofreu no fim do ano passado, que deixou todo mundo na expectativa se ele escaparia ou não ileso. O forte acidente, aliás, fez com que Gene Haas, dono da escuderia de F-1 onde o piloto competia, desistisse de lhe dar apoio para competir na Indy este ano, alegando que não queria ver o piloto tentar se matar com seu apoio. Bom, se o medo de Haas era que Romain sofresse um novo acidente, a escapada em Barber pode ter deixado seu ex-patrão com a pulga atrás da orelha, mas agora é torcer para que nada pior aconteça. Grosjean não é o primeiro piloto a preferir não se arriscar nos circuitos ovais: nos últimos tempos, alguns pilotos egressos da Europa que tentaram competir na Indycar fizeram preferência parecida. Mas, se o temor é de sofrer novos acidentes, os circuitos mistos e de rua também tem lá seus perigos, e não é pela velocidade ser menor que ele pode relaxar muito. Mas fica a expectativa de quem estiver a seu lado na pista, considerando o seu currículo recente de confusões na F-1...

 

 

O carro de Romain Grosjean, aliás, já tem dono para as etapas nos circuitos ovais onde o ex-F1 não irá estar presente. E é um nome conhecido dos brasileiros, e do próprio Grosjean: Pietro Fittipaldi fez um acerto coma Dale Coyne para assumir o carro nas provas em pistas ovais, e com isso, marcará presença em algumas corridas na Indycar, como fez há alguns anos atrás, antes de se tornar piloto reserva da equipe Haas na F-1. Aliás, Pietro substituiu Grosjean nas duas corridas finais da temporada passada após o acidente do piloto em Sakhir, e agora, irá novamente rendê-lo nas etapas onde ele optou por não correr no campeonato Indycar, entre elas as 500 Milhas de Indianápolis, a prova mais importante do calendário. Paralelamente a isso, o neto de Émerson Fittipaldi continuará a exercer sua função de piloto de testes e piloto reserva da escuderia de Gene Haas na F-1, estando de prontidão para substituir algum piloto do time se necessário. A Haas terá como dupla titular o alemão Mick Schumacher e o russo Nikita Mazepin, uma dupla de novatos na competição.

 

 

Pietro não é o único Fittipaldi que volta a olhar para os Estados Unidos como opção de carreira este ano. Seu irmão Enzo, que disputou no ano passado a F-3 com a equipe HWA Racelab, tendo terminado a competição em 15º lugar, resolveu mudar de ares, e vai disputar o campeonato da Indy Pro 2000, uma das categorias de acesso da Indycar nos Estados Unidos. Ele irá competir pela RP Motorsport, com apoio do time da Andretti, sendo que a primeira corrida da competição é em abril, como prova preliminar da Indycar no circuito de Barber, no Alabama. Enzo fez questão de frisar que, apesar de ir competir nos Estados Unidos este ano, ele ainda tem como meta chegar à F-1. Com este objetivo em vista, o piloto, que fez parte da Academia de Pilotos da Ferrari, foi campeão da F-4 italiana em 2018, e vice-campeão da Formula Regional Européia em 2019. Sua passagem pela F-3, contudo, foi um pouco mais complicada, sem obter os mesmos resultados. Por isso, uma mudança de ares pareceu bem-vinda, para ter um ano melhor aproveitado. Que seja um ano de melhores possibilidades profissionais para a carreira de mais um neto de Émerson Fittipaldi.

 

 

Ainda não será desta vez que a Ferrari irá se aventurar na Indycar. Nos últimos meses, o nome da tradicional marca de carros esporte foi ventilada como um dos novos reforços que a categoria de monopostos dos Estados Unidos estaria tentando atrair para dar maior diversidade de conjunto técnico e apoio à competição. Mas Mattia Binotto, chefe da tradicional escuderia de F-1, declarou que neste momento a equipe de competição está focada em recuperar sua competitividade na categoria máxima do automobilismo, e por isso, não seria prudente dividir as atenções com uma participação no certame dos Estados Unidos. Nos anos 1980, desgostoso com algumas políticas da F-1, e vendo seu time perder parte da importância que já teve na competição, Enzo Ferrari ameaçou retirar seu time da F-1, e mudar-se para a antiga F-Indy. Um carro com as especificações dos monopostos da categoria norte-americana até foi construído, mas no final, a ameaça não se concretizou, com a Ferrari permanecendo na F-1, onde está até hoje. Binotto admitiu que, para o futuro, tudo ainda é possível, abrindo uma esperança de que em algum momento a Ferrari possa considerar participar da Indycar, mas não tão já. O jeito é esperar...

 

 

Enquanto isso, a escuderia de Maranello anunciou que irá disputar as 24 Horas de Le Mans a partir de 2023, bem como participar do Mundial de Endurance (WEC) na nova categoria dos hipercarros, que estréiam na competição este ano, em substituição aos antigos protótipos LMP1. Nos últimos anos, a Ferrari se manteve presente na competição do Mundial de Endurance, mas na categoria GT. A nova empreitada levaria a fábrica italiana a voltar a competir na principal divisão, sendo que a Ferrari possui 9 vitórias nas 24 Horas de Le Mans. O projeto está sendo desenvolvido, e por enquanto, a Ferrari não divulgou os nomes que farão parte do projeto na pista.

 

 

E a Stock Car Brasil terá um novo astro internacional em seu grid nesta temporada. Tony Kanaan, campeão da Indy Racing League em 2004, irá disputar a competição de forma integral. O piloto, que resolveu adiar a sua aposentadoria da Indycar para este ano, onde disputará apenas 4 provas pela Ganassi, todas em circuitos ovais, firmou contrato com a equipe Texaco Racing, em parceria com a Fulltime, equipe onde está Rubens Barrichello. Ambos foram companheiros de equipe na Indycar na temporada de 2012, quando correram pela KV Racing no certame dos Estados Unidos, após Rubinho ficar sem lugar na F-1. A parceria só não continuou em 2013 porque Barrichello precisava levar patrocínio, mas tendo recebido proposta para competir na Stock, e ganhando para isso, Rubens resolveu se estabelecer por aqui, onde está competindo até hoje, e já tendo um título no currículo. E agora terá novamente a companhia de Kanaan, que desde que foi competir na Europa no início dos anos 1990 não corria no Brasil, tendo participado como convidado de apenas duas provas da Stock na temporada de 2012. Aos 46 anos, e tendo uma situação bem confortável após anos de carreira competindo nos Estados Unidos, Kanaan revelou que foi uma surpresa o convite para correr na Stock, e que tudo se acertou em poucos minutos, e não escondeu o entusiasmo do novo desafio que o espera em seu retorno profissional em terras brasilis: “É uma fase nova da minha vida. A Stock Car, nunca foi segredo pra ninguém, era uma categoria que eu gostaria de disputar. As expectativas são grandes. Vamos chegar numa das melhores equipes da Stock Car, com a Texaco, um patrocinador lendário na categoria, então eu espero aprender bastante. Das pistas da Stock, tem quatro ou cinco que eu não conheço. Vou ter de aprender as pistas, o carro e como funciona a dinâmica da categoria. Mas a expectativa é muito boa”, declarou o piloto.

 

 

Kanaan não será o único nome de destaque do automobilismo internacional a estrear em tempo integral na Stock Car este ano. Felipe Massa, depois de participar das últimas duas temporadas da Formula-E, é outro piloto que fará sua estréia como piloto integral da competição, defendendo o time da R. Matheis. Assim como Tony, Felipe também já havia participado de duas provas da competição, em 2018, de modo que não será, assim como seu compatriota, um total novato no certame. Mas, competindo como convidado é uma história, e como piloto efetivo é outra, de modo que os desafios que ambos enfrentarão serão grandes, especialmente com os nomes já estabelecidos na competição, entre eles Rubens Barrichello, que está lá desde 2013, e hoje é uma das estrelas da competição. O campeonato da Stock Car Brasil 2021 começa no dia 28 de março, na pista do Velopark, e estão previstas 12 provas em 10 finais de semana, mas o andamento do campeonato dependerá das condições sanitárias e do comportamento da pandemia da Covid-19. A Bandeirantes transmitirá todas as corridas ao vivo na TV aberta, enquanto o SporTV fará a transmissão em TV fechada.

 

 

O mundo da MotoGP sentiu neste mês de fevereiro a perda de Fausto Gresini, ex-piloto e atualmente dono da equipe que leva seu nome. Ele estava internado desde o dia 27 de dezembro, em decorrência da Covid-19, e infelizmente, não teve muita sorte na luta com o coronavírus que já ceifou a vida de inúmeras pessoas no mundo inteiro. Internado desde então na UTI do hospital Maggiore, em Bolonha, seu estado de saúde até apresentou alguma melhora, mas insuficiente para fazê-lo vencer a luta pela vida, falecendo no último dia 23 de fevereiro. Gresini competiu por 12 temporadas na classe 125cc, entre 1983 e 1994, tendo sido bicampeão nas temporadas de 1985 e 1987, acumulando um total de 21 vitórias, 47 pódios e 17 pole-positions durante este período. Em 1997, ele fundou sua equipe, competindo na então categoria 500cc, antiga classe rainha da atual MotoGP, onde chegou a ser vice-campeã três vezes, duas com Sete Gibernau e uma com Marco Melandri. Mas foi na última categoria de acesso que seu time conquistou o título: em 2001 com o japonês Daijiro Kato, na antiga categoria 250cc; em 2010, já na Moto2, com o espanhol Toni Elias; depois em 2018 na Moto3, com o espanhol Jorge Martín; e pela última vez em 2019, na MotoE, com o italiano Matteo Ferrari. Na classe rainha, a Gresini competia com equipamento da Honda, até que em 2015, começou a correr com motos da Aprillia. A Gresini também participava das categorias Moto2 e Moto3, além de ter participado do certame da MotoE, de motos de competição elétricas. Todos sentiram a perda de Fausto Gresini, após sua família e a escuderia confirmarem sua morte. Entre 1997 e 1998, o brasileiro Alexandre Barros defendeu o time de Gresini na classe 500cc do Mundial de Motovelocidade, tendo conquistado três pódios e marcado duas voltas mais rápidas.