quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

FLYING LAPS – DEZEMBRO DE 2020

             Ano novo, vida velha. Depois de um ano conturbado como 2020 foi, infelizmente a situação não anda muito melhor neste início de 2021, por mais que algumas boas notícias se apresentem. É preciso um pouco de paciência para ver como a situação se desenvolverá, e não adianta ter pressa para comemorar vitória. Continuemos com todos os cuidados necessários, e vamos tentar tocar a vida, sem irresponsabilidades e com mais bom senso, o que parece ser muito difícil para algumas pessoas, que lamentavelmente continuam a se comportar como imbecis e retardadas, e simplesmente reafirmando isso com todas as letras. Deixando esse assunto de lado, vamos à primeira sessão da Flying Laps deste ano, mas relatando alguns acontecimentos do último mês de dezembro, onde tivemos algumas notas interessantes do mundo da velocidade para reportarmos, antes de adentrarmos definitivamente em 2021. Portanto, boa leitura a todos, e até a próxima coluna Flying Laps do próximo mês...

O ano de 2021 nem havia começado, mas os problemas de 2020 continuam a persistir, no que tange à pandemia da Covid-19, que bagunçou o dia-a-dia das competições automobilísticas em todo o planeta, assim como inúmeras outras atividades, e que mostra que tão cedo não vamos voltar à normalidade desejada. E a primeira consequência já surgiu, na Formula-E, cuja nova temporada começaria neste mês de janeiro. A rodada dupla que abriria a nova temporada, marcada para os dias 16 e 17 de janeiro, seria realizada na cidade de Santiago, no Chile, aqui na América do Sul. Mas infelizmente, o recrudescimento dos casos do coronavírus na Europa, prejudicados ainda mais pela descoberta de uma variante do vírus que ninguém sabe se é mais letal, mas já se descobriu ser muito mais contagiosa, provocou o adiamento da etapa em solo chileno pela direção da categoria, em conjunto com as autoridades da capital do Chile, que deverá ser disputada ainda neste primeiro semestre, mas ainda sem data definida. Com vários times sediados na Inglaterra, país que agora está enfrenando um novo lockdown e diversas medidas restritivas para conter a nova variante do coronavírus, não seria possível às escuderias viajarem para o exterior, sem mencionar que o Chile fechou novamente suas fronteiras, em especial para vôos procedentes do Reino Unido. Com o adiamento da etapa de Santiago, o campeonato deverá começar na Arábia Saudita, em outra rodada dupla, marcada para os dias 26 e 27 de fevereiro, em Diriyah, nos subúrbios da capital Riad. Mas todo o restante do calendário fica em suspenso praticamente, à espera de como se dará a evolução da pandemia. Com vários países europeus começando em breve seus esquemas de vacinação com os imunizantes desenvolvidos contra a Covid-19, pode haver esperança de uma normalização de parte da situação no Velho Continente, mas ainda é cedo para afirmar isso. Por enquanto, será necessário aguardar e ver como a situação estará até lá, caso contrário, até mesmo a rodada dupla de Diriyah pode vir a ser adiada, como ocorreu com a rodada de Santiago...

 

 

Com um crescimento contínuo desde que estreou seu primeiro campeonato, em 2014, a Formula-E veio colecionando mais e mais times, pilotos, e fabricantes neste período, chegando a contar com um grid maior e com maior número de fabricantes engajados do que a Fórmula 1, que inclusive irá perder a Honda ao fim da temporada desde ano de 2021. Mas, uma hora teria de acontecer, e a primeira debandada da categoria de carros monopostos totalmente elétricos finalmente vai acontecer. Audi e BMW anunciaram no mês de dezembro que a nova temporada deste ano será o último em que estarão presentes como times oficiais na competição. É algo diferente do que ocorreu com a saída da Renault há algum tempo atrás, quando o grupo nipo-francês simplesmente substituiu a marca francesa pela Nissan na F-E, continuando a parceria com o time da e.dams. Audi e BMW apenas declararam que seus objetivos no certame já foram alcançados, e que agora pretendem partir para novos desafios em outras áreas. No caso da Audi, a marca das quatro argolas afirmou ter planos de disputar o rali Dakar no próximo ano, e a volta ao Mundial de Endurance (WEC) também está sendo cogitada, com a implantação do novo regulamento dos hipercarros. Em tese, isso significaria que o grid da categoria perderia dois times, e ficaria com quatro carros a menos, mas não deve ser exatamente assim. A Andretti, time associado à BMW, já declarou que deve continuar na competição, mesmo sem o apoio da marca alemã. E nada impede que a Audi/ABT, time oficial da Audi no certame, também siga adiante de forma independente, como era no seu primeiro ano de competição, quando todos os times competiam com carros e um pacote padrão de equipamento. A Audi ainda fornece o seu trem de força para a equipe Virgin, e deve manter o fornecimento para as temporadas de 2022 e 2023, o que indica que a equipe ABT poderia muito bem seguir adiante, usando os trens de força alemães. Lucas Di Grassi, piloto da escuderia, que está presente na competição desde a primeira corrida, já declarou que quer continuar competindo na F-E. Ainda não está certo, porém, se a escuderia voltará ao status de time independente, mesmo que siga utilizando o equipamento da marca alemã, mas a possibilidade não está descartada.

 

 

Mas, mesmo perdendo duas marcas de renome, o campeonato da F-E não deve ficar enfraquecido como se imagina, e já tem novos interessados em fazer parte da competição em um futuro breve. Com 12 times, e 24 carros, o grid da categoria está fechado no momento, uma vez que impuseram essa ridícula limitação de participantes. Se a F-1 tinha até 26 carros largando em seus bons tempos, com 13 times, bem que poderiam ter estabelecido esse limite, ao invés de 12 times e 24 carros. Mas, caso acabe perdendo um time, pelo menos um grupo já tem planos de ocupar essa eventual vaga: a McLaren. Sim, o time de Woking, que na temporada passada retornou oficialmente à uma categoria Indy, em associação com o time de Sam Schmidt, anunciou que tem interesse em fazer parte da categoria de carros monopostos elétricos. O plano, porém, é para o futuro próximo, devido a dois empecilhos. Um deles é que no momento não há vaga para um 13º time no grid. Mas, a se confirmar a saída de um dos times oficiais da Audi ou da BMW, a organização sediada em Woking deve ocupar a vaga. O outro problema é que, no atual momento, por ser a fornecedora oficial dos sistemas de baterias utilizados por todos os times da competição, a McLaren não pode participar das corridas como equipe. Mas a categoria já fez sua licitação para fornecimento de novas baterias para o novo carro a ser adotado a partir de 2022/2023, o Gen3, escolhendo o Departamento de Tecnologia da Williams como nova fornecedora. Assim, a McLaren poderá ingressar no grid, tão logo deixe de ser a fornecedora das baterias. Os custos bem mais acessíveis de competição na F-E também são atrativos para a McLaren se envolver na disputa, como já faz a Mercedes, que volta a ser parceira do time na F-1 a partir desta temporada. Com isso, é muito provável que o grid da categoria continue a contar com 12 times e 24 pilotos, o que seria muito bom para todos os envolvidos. Aguardemos o que irá acontecer.

 

 

Marc Márquez precisou passar efetivamente por uma nova cirurgia no braço direito, fraturado em um acidente logo na primeira corrida disputada na temporada 2020, em Jerez de La Fronteira. A recuperação do piloto, muito mais lenta do que o esperado, estava deixando todo mundo preocupado. Márquez forçou um retorno às pistas menos de uma semana após a cirurgia feita para corrigir o osso fraturado com uma placa de titânio, chegando até a fazer exercícios. Mas a dor forte no membro o fez desistir da empreitada. Porém, o stress sofrido pela placa certamente contribuiu para sua ruptura dias depois, obrigando o hexacampeão a passar por uma nova intervenção cirúrgica e deixando-o definitivamente fora da temporada 2020, procurando concentrar forças em sua recuperação. Porém, a nova cirurgia revelou uma infecção no local lesionado, o que complicou o novo procedimento médico, que apesar de ter sido bem sucedido, necessitou até da implantação de um pedaço de osso de seu quadril no local da fratura. E, para uma recuperação completa, são estimados pelo menos seis meses, o que já coloca em dúvida uma eventual participação da “Formiga Atômica” no campeonato de 2021. Afinal, se tudo correr como o planejado, a temporada deve começar em 28 de março no Qatar, apenas cerca de quatro meses após a operação, o que o levaria a ficar pelo menos mais dois meses de molho, antes de poder retornar. E, depois do percalço sofrido ao tentar apressar o seu retorno, a Honda não vai querer arriscar que seu piloto force a barra novamente, e se complique mais uma vez. Sem Marc Márquez, a escuderia nipônica virou coadjuvante na temporada 2020, mostrando-se não apenas incapaz de vencer, como de disputar o título, mostrando como estava dependente de seu principal piloto. E eles não vão querer que Marc faça novas estripulias, de modo que seu período de recuperação terá de ser cumprido integralmente. Caso contrário, outro passo em falso, e Márquez poderia ficar de fora também de toda a temporada 2021, ou no caso pior, ter até de encerrar a carreira, se os danos ao braço se revelarem um limitador decisivo para que Marc volte a pilotar no alto nível exigido pela categoria. E isso é algo que precisa ser evitado a qualquer custo, tanto por parte da Honda, como por parte de Márquez, que precisa criar juízo, e manter a paciência, até que esteja em condições plenas de retorno.

 

 

Com um retorno de Marc Márquez adiado, e até o presente momento, sem data certa para retornar, ganha força a possibilidade de Andrea Dovizioso, que foi três vezes vice-campeão pela Ducati, ser o substituto da “Formiga Atômica” no time oficial da Honda na temporada 2021. Dovizioso não renovou com a fábrica italiana, preferindo tirar um ano sabático em 2021, mas possivelmente já prevendo que seu rival nas temporadas de 2017 a 2019 não conseguiria retornar tão já às competições como gostaria. A Honda só tem confirmado Pol Spargaró, que defendeu a KTM em 2020, e esperava poder contar novamente com sua grande estrela, tanto que, antes mesmo da temporada 2020 começar efetivamente, já rebaixara seu irmão Alex para o time da LCR. De fato, o irmão caçula de Marc começou a temporada devendo, mas cresceu na reta final, a ponto de conseguir dois pódios, depois que a marca introduziu mudanças na moto que a deixaram com melhor dirigibilidade, uma queixa que já vinha dos demais pilotos da marca nos últimos anos, mas que era praticamente ignorada diante do sucesso de Márquez, vencendo corridas e títulos. O time japonês irá precisar de um nome confiável para iniciar não apenas a disputa do campeonato, mas também participar dos testes da pré-temporada. Para Dovizioso, seria lucro de pelo menos poder correr, mesmo que parte da competição, em um time de fábrica e de ponta, do que ficar completamente parado. E com a expectativa, otimista, de talvez ficar a temporada inteira, caso a recuperação de Marc Márquez exija mais do que o esperado. Mas, o problema é se Dovizioso realmente aceitaria a posição de “piloto-tampão” na Honda, que seria imediatamente sacado, tão logo Marc Márquez se mostrasse recuperado e pronto para voltar à competição. Não seria possível para a Honda alinhas três motos no grid, se quisesse manter os três pilotos, e a Dorna, em comunicado, já adiantou que não daria permissão para o time japonês contar com três pilotos no grid. Em outras palavras, a escuderia teria de optar entre Dovizioso e Márquez para o restante do campeonato. E aí, fica a dúvida: e se numa provável situação, Dovizioso vencesse as corridas presentes na Honda, e se lançasse na luta pelo título? O time iria tirá-lo para a volta de Márquez, que teria de recuperar o terreno porventura perdido na competição, ou o espanhol teria de ficar de fora, para não comprometer a situação? Ou, se fosse o caso, a Honda tirasse Pol Spargaró da outra moto, para permitir o retorno de Márquez, sem comprometer a posição de Dovizioso? Dúvidas que certamente passam pela cabeça da direção da Honda, quanto às possibilidades que podem ocorrer, e que certamente eles desejam evitar, embora não possam ignorar a situação vivida pelo time, que caso não possa contar com Márquez, precisa de outro piloto para completar o time na pista. Ou será que eles considerariam um retorno de Jorge Lorenzo, depois do que aconteceu na temporada de 2019, quando o tricampeão foi um dos maiores vexames da temporada, defendendo o time nipônico?

 

 

Juan Pablo Montoya estará de volta à equipe McLaren em 2021, mas nas 500 Milhas de Indianápolis. O colombiano correrá pelo terceiro carro do time na Indycar na mítica corrida, ao lado dos pilotos regulares da escuderia, Patrício O’Ward e Felix Rosenqvist, que irão defender o time nas demais corridas da temporada, que deve começar em março, e terminar em setembro, se tudo correr bem. Na F-1, Montoya defendeu a McLaren nas temporadas de 2005 e 2006, antes de ser despedido por Ron Dennis, e deixar a categoria máxima do automobilismo em definitivo.

 

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

HAVOC SERIES – ANIMES EM ALTA VELOCIDADE – PARTE 3

 

            Ano novo, vida velha, já que os problemas que nos acompanharam em 2020 continuam mais do que presentes, mostrando que tão já não conseguiremos nos livrar deles. E começamos 2021 com mais uma postagem de vídeos, mostrando as séries de animação japonesa voltadas ou abrangendo o tema do esporte a motor em suas histórias. E aqui vamos nós para um texto sobre uma série que os mais moralistas gostariam de excomungar somente pelo seu nome, sem dar nenhuma chance da produção sequer ser veiculada na TV por causa de preconceitos e atitudes radicais de muita gente que se acha no direito de dar lições de moral nos outros...

 

CAPETA


 

            Pois é. Esse é o nome da série, e também o do seu protagonista, que se chama simplesmente Capeta Taira, um jovem que, a exemplo do que vimos na série abordada anteriormente, Arrow Emblem, busca seu destino nas competições do mundo do automobilismo. A diferença é que aqui o herói começa do básico: Capeta é um jovem de 10 anos solitário e de poucos amigos na escola. Ele perdeu a mãe muito pequeno, e é criado com dificuldades pelo pai, que trabalha em uma empresa de pavimentação, e por isso não tem muito tempo para dedicar ao garoto, que tenta ajudar como pode, suportando o sofrimento de ficar sozinho a maior parte do tempo, para não causar problemas ao seu pai.

            Tudo muda quando ele vê em uma loja um carro de montar com peças tipo lego, e seu pai, vendo o brilho nos olhos do filho, compra o brinquedo para ele. Mais adiante, vendo que o filho demonstra paixão pelo pequeno carrinho, resolve presenteá-lo com um kart. Mas, sem dinheiro para isso, o que ele consegue é montar um kart com peças que seriam descartadas do kartódromo das redondezas. Mas, concluída a máquina, os olhos do pequeno Capeta mais do que brilham: eles ficam encantados com a máquina, mesmo montada com sucata de outros karts. E o garoto, aos trancos e barrancos, acaba tendo a chance de participar de um teste no kartódromo, onde está sendo realizado também testes de uma equipe profissional, a Autohouse, com seu piloto prodígio, Naomi Minamoto, de 11 anos. E não é que no meio da pista, Minamoto, mesmo em alto ritmo, acaba levando uma ultrapassagem do destemido Capeta Taira, que vai descobrindo os limites de condução de um kart logo de cara? Isso mexe com os brios de Naomi, que acelera absurdamente, devolvendo a ultrapassagem, e fazendo Capeta comer poeira.

Capeta ganha um kart montado por seu pai com peças usadas, e descobre os desafios e o prazer da competição dos esportes a motor.


            O jovem tem então o seu primeiro choque de realidade, ao ver que seu kart não é tudo aquilo que lhe parecia, afinal, viu a velocidade real de um kart preparado profissionalmente. Mesmo assim, ele jura que irá vencer Minamoto um dia, e que irá competir para alcançar este objetivo. Minamoto, com uma expressão séria, e sem sorriso, apenas diz que Capeta não tem talento para desafiá-lo, e diz que nem em 100 anos ele poderia fazer isso. Lógico que o pequeno Capeta fica possesso, e diz que irá vencer Naomi, que na verdade, quer muito ver o que o jovem um ano mais novo que ele pode fazer se passar a competir de verdade, em um esquema profissional, e com mais experiência. Capeta passa a participar de diversas corridas das categorias básicas de kart, com a ajuda de seu pai, do gerente da pista do kartódromo, e dos amigos de escola Nobu e Monami, componto a “Equipe Capeta”. E o jovem vai em busca de seu sonho de desafiar e vencer Minamoto em algum momento do futuro.

            A série dá um pulo de 4 anos, e encontramos Capeta agora como um talento até consagrado no kart, tendo vencido o Campeonato Nacional Júnior. Mas, conforme o tempo passa, as dificuldades crescem também. O esquema de equipe praticamente amadora, com poucos recursos, e equipamento defasado, vão cobrando seu preço. Apesar de tudo, é graças à falta de recursos que Capeta desenvolve ainda mais sua técnica de pilotagem, mostrando grande talento para ser um verdadeiro corredor profissional. Mas Naomi Minamoto, por ser mais velho, e ser um grande ás, está sempre à frente, e os reveses e complexidade do mundo do automobilismo impede que o duelo entre ambos aconteça, o que também frustra o piloto da Autohouse, que por mais que pareça um sujeito frio e arrogante, quer ser desafiado por alguém que ponha todo o seu coração na pilotagem de uma máquina de corrida.

Capeta, o protagonista da série, que não tem nada a ver com o diabo, como o nome sugere a princípio.

            “Capeta” foi uma série animada produzida em 2005 e 2006 pelo Estúdio Comet, tendo sido exibida pela TV Tokyo no Japão. A animação é baseada no mangá criado por Masahito Soda, publicado pela Editora Kodansha, na revista Monthly Shōnen Magazine entre 2003 e 2013, contando com um total de 32 volumes encadernados. A versão em anime contou com um total de 52 episódios, adaptando apenas um terço do mangá. Na animação, a história termina quando Capeta consegue disputar sua primeira corrida na Fórmula Stellar, fazendo sua estréia oficial em provas de monopostos. Ele consegue ganhar a corrida, com seu motor estourando a metros da reta de chegada, em um final dramático. Assim como Arrow Emblem, Capeta também uma série onde o protagonista tem de enfrentar muitos desafios em busca de seu grande sonho.

            O jovem Capeta passa por vários apuros e dificuldades, e apesar de conseguir experimentar o doce sabor da vitória em diversas corridas, também sente o amargor da derrota, e especialmente as frustrações de ver como apenas o seu talento não basta para seguir em frente sozinho. Ele precisa da ajuda de seus amigos e daqueles que confiam nele para ajudá-lo a seguir competindo, e em vários momentos, as dificuldades parecem ter tudo para acabar com o seu grande sonho. Embora o ritmo da história pareça meio arrastado (o evento de uma corrida chega a durar mais de dois episódios), o nível de fidelidade técnica da série é muito bom, e vez por outra, somos apresentados a detalhes do mundo do esporte a motor, cujo ápice é a Fórmula 1, obviamente, onde Capeta aprende que, se quiser voar sempre mais algo, precisa pensar sempre mais alto ainda. Se no início seu objetivo é vencer Naomi Minamoto, por ter zombado dele na primeira vez que se conheceram, mesmo mais velho, ele aprende a reconhecer as qualidades de Minamoto, reconhecendo o seu talento ímpar como piloto. Mas mesmo assim, seu desejo de poder competir com ele só aumenta, quando passa a almejar também a F-1, objetivo de Naomi, que pode parecer até o “vilão” do protagonista, mas se revela uma pessoa honesta, e que apenas não gosta de fantasiar sobre o mundo do automobilismo, que é na verdade um lugar cruel, onde só os mais fortes sobrevivem, e que se você não tiver força para aguentar isso, está buscando o sonho errado. E Capeta logo descobre que terá de vencer muitos outros pilotos, antes de poder desafiar Minamoto, vendo que terá de medir forças com muitos outros competidores que podem ser tão bons, ou até mesmo melhores do que ele. Mas, se ele quiser alcançar seu objetivo maior, terá de superar a tudo e a todos. Como é falado pelos instrutores numa aula sobre automobilismo numa escola de pilotagem aos alunos, eles estão em busca de vencedores, e é assim que o mundo do esporte a motor age.

Minamoto, o grande "rival" de Capeta.

Trabalho duro na pista, e também fora dela, com vários desafios a serem superados.


            Nada mais realista, afinal, milhares e milhares de crianças começam a competir no kart, muitos deles sonhando com carreiras, por vezes gloriosas, e se tornando grandes ídolos, mas a verdade é que muito poucos realmente alcançarão este sonho, por mais talento e capacidade que tenham. E Capeta, em sua jornada, vai crescendo sempre, e tendo de aprender também duras lições a respeito do mundo das competições. A valorização do trabalho em conjunto de uma equipe, os sacrifícios que os pais e amigos fizeram para que ele pudesse sempre dar um passo adiante, especialmente quando o dinheiro acabava de vez, etc. E por vezes tendo de dar um passo atrás, para conseguir dar dois passos adiante. Para quem é fã do mundo da velocidade, é um anime altamente recomendado. Tanto no mangá quanto no anime, os karts e demais máquinas de competição são representados com grande detalhismo, e as transmissões de corridas também são feitas de forma igual, apresentando narrações com o objetivo de empolgar o público, que torce pelos pilotos conforme suas performances na pista. Uma pena que nunca fizeram uma continuação do anime, de modo que o único modo de saber como a história se desenrola é lendo o mangá original. Infelizmente, Capeta nunca chegou a passar por aqui, e com esse nome, como já mencionei, muita gente proibiria a série nem nem saber do que se trata, e embora o nome do protagonista pareça estranho, é preciso lembrar que estamos falando de uma animação japonesa, e o nome “Capeta” não tem o significado que tem em português na cultura da Terra do Sol Nascente. Nada que uma adaptada nos nomes, como já ocorreu com outras séries de animes, não resolvesse.

            Mas, infelizmente, nem mesmo no auge do velho canal pago Animax, que trouxe inúmeras séries de animes para o Brasil em meados da década passada, antes da Sony desvirtuar a proposta do canal, Capeta teve chance de passar por aqui. E olhe que até tinha um assunto pertinente, o automobilismo, que tantas glórias havia nos dado, e que naquele momento, tínhamos a presença de Rubens Barrichello (2005) e Felipe Massa (2006 a 2013) defendendo o mais tradicional time da categoria máxima do automobilismo, a Ferrari. O canal até chegou a passar alguns animes de esporte, mas estranhamente, Capeta ficou de fora. A única exceção acabou sendo Initial D, outra série que tem carros como tema de competição, onde os protagonistas participam de provas com carros em ruas, ou falando mais francamente, disputas de rachas, que ocorriam também em estradas nas montanhas nipônicas.

Disputas acirradas, pressão dos pilotos adversários (acima), e ultrapassagens arrojadas (abaixo) são mostradas nas corridas da história.


Os amigos de Capeta estão sempre prontos a torcer por ele, que dá o máximo que pode na pista, para corresponder à confiança deles.


Momentos difíceis, como escapadas ou rodadas, impõem desafios a Capeta nas corridas, que precisa aprender a lidar com isso, e sem jamais desistir.

            Capeta teve duas aberturas diferentes. Confiram a primeira delas, no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário The Animephile. Dentre as duas aberturas, esta é a melhor música, na minha opinião. As cenas se concentram no início e posterior desenvolvimento da história com Capeta nos karts:

 

https://www.youtube.com/watch?v=w46yjJR8Mao

 

A segunda abertura tem uma música mais “bruta”, mas as cenas são muito boas, mostrando Capeta e os demais personagens já adolescentes, e com o protagonista iniciando seu desafio nos carros fórmula, os monopostos. A postagem no You Tube é do usuário BJac2012:

 

https://www.youtube.com/watch?v=LO3RPGM38r4&t=1s

 

A série teve quatro encerramentos diferentes. Aqui está o primeiro, postado no You Tube pelo usuário The Animephile:

 

https://www.youtube.com/watch?v=x5zeKQ2Ws1Y

 

E aqui, o segundo encerramento, postado no You Tube pelo usuário DubinessM:

 

https://www.youtube.com/watch?v=uUwcHYET7cw

 

Não achei um vídeo do terceiro fechamento, mas em compensação, eis aí o quarto e último encerramento da série, postada também pelo usuário The Animephile no You Tube:

 

https://www.youtube.com/watch?v=MSY6ET4V0s0

Já adolescente, Capeta começa a competir em monopostos (acima), o passo seguinte da carreira de piloto após o kart. E também enfrenta grandes desafios na nova modalidade de competição, tendo disputas difíceis com os demais pilotos que buscam o mesmo sonho que ele (abaixo).




Momento dramático, com o motor explodindo logo na reta de chegada (acima). Mas Capeta consegue vencer a corrida, seguindo em frente com os desafios em busca de seu sonho (abaixo, no pódio com os demais competidores).



 

FICHA TÉCNICA DA SÉRIE

 

Diretor: Shin Misawa

Criador: Masahito Soda

Composição da série: Tsutomu Kamishiro

Character design: Tadayoshi Okimura

Diretor de arte: Kazuhiro Takahashi

Diretor de animação: Tadaharu Okimura

Diretor de som: Kazuzou Hamano

Diretor de fotografia: Seiichi Morishita

Diretor Assistente: Hisaya Takabayashi

Coordenação de cores: Yuko Tsumori

Produtor musical: Yuhichiro Takabata; Yusuke Kono

Planejamento: Yoshiro Kataoka

Pós-produção: Yuji Mitsuya

Efeitos sonorous: Takashi Endo

 

Com um pouco de sorte, é possível achar a série, legendada em português por fansubbers, na internet, em alguns sites. Toda a série foi traduzida. Com sorte, também dá para achar capítulos do mangá original traduzidos em inglês, e até em português, mas sem ter toda a série, que também nunca foi lançada no Brasil por nenhuma editora até os dias atuais.

 

Antes de fechar a postagem, entretanto, alguns fãs fizeram montagens curiosas, usando o tema musical, e até cenas da série Capeta, com a F-1. O primeiro abaixo pega a abertura oficial da F-1 de 2019 com a música-tema da primeira abertura, e foi postada no You Tube pelo usuário Gabrielxdxd4:

 

https://www.youtube.com/watch?v=BsBcSnVytvg&t=15s

 

O próximo vídeo é a mesma coisa, mas com a abertura oficial da F-1 de 2018, postada pelo usuário Alesk Sukairain:

 

https://www.youtube.com/watch?v=rEVVw_3AzSQ

 

E aqui encerro esta postagem. Espero que tenham gostado, e em breve espero trazer mais alguns textos sobre outras séries de animação que tiveram o mundo das corridas como tema ou inspiração. Esperemos por um ano muito melhor do que 2020 foi...

Monami e Nobu estão sempre prontos a ajudar Capeta a seguir adiante em seu sonho de ser piloto(acima). As pistas mostradas na série são mostradas com grande riqueza de detalhes (abaixo).


Capeta tem de encarar muitos desafios, especialmente por competir com kart de segunda mão, sentindo as dificuldades da falta de recursos.


Carros da F-1 são vistos em alguns episódios da série, facilmente reconhecíveis aos fãs da categoria máxima do automobilismo.



Os desafios de correr na chuva, e as emoções de uma prova nestas condições também estão presentes na série.


Freadas e tomadas de curva, além das ultrapassagens são reproduzidas com grande fidelidade (acima), bem como a perspectiva das tomadas "on board" dos carros de competição (abaixo).