E já encerramos o primeiro mês do segundo trimestre de 2026, adentrando agora o mês de maio, e seguindo firme para atingirmos a metade do ano em breve. E, tal como o tempo, i mundo da velocidade não desacelera, e segue em ritmo alto com suas disputas, ainda que algumas categorias, como o Mundial de Endurance, tenha sido impactado pela guerra no Oriente Médio, o que também deixou outros certames, como a F-1, e a MotoGP, entre outras, a terem de riscar do mapa suas etapas programadas para a região. Entramos agora no mês de maio, mas houve muita coisa que ocorreu em abril que precisamos citar, e por isso mesmo, vamos para mais uma sessão da Flying Laps, mencionando algumas ocorrências da MotoGP e da Indycar nas etapas de abril, sempre com alguns comentários a respeito. Uma boa leitura a todos, portanto, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem, com certeza de trazer muitos relatos de fatos deste mês de maio...
A MotoGP iniciou a fase européia da competição, com a etapa da Espanha, na pista de Jerez de La Frontera, na região da Andaluzia, e o fim de semana foi agitado. Depois da etapa de Losail ter sido cancelada/adiada, a classe rainha do motociclismo voltou à ativa na Espanha, e a Ducati, enfim, teve sua redenção em cima da Aprilia, que vinha dominando a competição neste início de temporada, com três vitórias consecutivas de Marco Bezzecchi. Mas a recuperação da Ducati não foi tudo o que se esperava. Se na corrida sprint a equipe de fábrica teve uma dobradinha com vitória de Marc Márquez e o segundo lugar de Francesco Bagnaia, por outro lado, a chuva que caiu na Andaluzia na parte final da corrida curta transformou tudo em uma tremenda loteria, impossível de se fazer uma projeção mais adequada da recuperação da marca de Bolonha. Já na corrida principal, no domingo, enfim, um triunfo de uma Desmosédici, mas da equipe Gresini, e com Álex Márquez, o vice-campeão de 2025, que fez uma corrida irrepreensível e conquistou a primeira vitória de uma moto Ducati no ano. Mas, e o time de fábrica? Foi um desastre: Marc Márquez caiu da moto logo na segunda volta, e Bagnaia precisou abandonar com problemas em sua moto, segundo ele, com problemas de freio que tornavam a condução até perigosa, resultando em um abandono duplo para o time oficial de Borgo Panigale. Mas a Ducati teve motivos para comemorar, pois além do triunfo de Álex, outra Ducati esteve presente no pódio: Fabio Di Giannantonio, da VR46, fez outra boa corrida, e terminou em 3º lugar, mantendo a escrita de ser o melhor piloto Ducati no campeonato até aqui. Mas a Aprilia marcou presença: Marco Bezzecchi fez um sólido 2º lugar, com Jorge Martin, seu companheiro no time oficial da marca terminando em 4º lugar, seguido pela dupla do time satélite da Aprilia, Ai Ogura e Raul Fernandez, da Trackhouse. Em resumo: as quatro motos Aprilia terminaram dentro dos 6 primeiros colocados em Jerez. A Ducati mostrou reação, mas a arquirrival compatriota segue bem na parada, e a disputa tem tudo para se manter por mais tempo do que todos imaginavam…
Com o resultado de Jerez, Marco Bezzecchi segue líder, agora com 101 pontos, contra 90 de Jorge Martin, o vice-líder, de modo que a dupla do time oficial de Noale comanda o campeonato. O terceiro colocado é a redenção da Ducati na temporada: Fabio Di Giannantonio, da VR46, com 71 pontos. Pedro Acosta está levando a KYM nas costas, quase literalmente, ocupando a 4ª posição, com 66 pontos. Marc Márquez é o 6º colocado, com 57 pontos, acossado por Raul Fernandez, da Trackhouse, com 54 pontos. Enquanto a Ducati continua complicada, a Aprilia segue se distanciando. É esperada uma reação, mas a cada corrida que as coisas não se acertam pelo lado da Ducati, a disputa com a compatriota vai ficando mais complicada do que todos imaginavam. Fica a pergunta de até quando a Ducati vai levar para conseguir reagir de fato. Por mais que Álex Márquez tenha vencido em Jerez, o desempenho do mais novo dos irmãos Márquez nas primeiras corridas foi altamente desencorajador, de modo que ele ocupa, no momento, apenas a 7ª posição, com 53 pontos. Ainda tem muito chão pela frente na temporada, claro, mas cada prova onde a Aprilia se distancia é uma oportunidade perdida de reagir, e quanto mais provas forem se passando, diminui as chances de se conseguir brigar pela ponta como se gostaria. Pelo sim, pelo não, a Aprilia não canta vitória, e apenas tenta maximizar seus resultados, esperando sempre por uma reação da rival que, até o presente momento, não se concretizou, mas que não serve de motivo para a casa de Noale baixar a guarda. Tanto que, no teste realizado em Jerez após a corrida, a Aprilia voltou a andar forte, e mostra que, por enquanto, ainda segue com força total na competição, para azar da Ducati, que precisa continuar correndo atrás do prejuízo…
Quem também precisa tentar melhorar é Diogo Moreira. O brasileiro não vem fazendo uma temporada de estréia ruim, e tem conseguido andar relativamente próximo de seu companheiro Johaan Zarco em corrida, em termos de ritmo, mas precisa melhorar nas classificações, pois largar mais à frente sempre é importante para não ter de fazer tanta recuperação de posição nas corridas. E, claro, quanto melhores os resultados, minimiza-se o desgaste dos maus momentos. Em Jerez, contudo, Digo passou o primeiro final de semana completamente zerado na MotoGP. O piloto não vinha conseguindo pontuar nas provas sprints, onde apenas os 9 primeiros colocados marcam pontos, mas nas primeiras corridas, até que se manteve constante, terminando as corridas em 13º lugar, garantindo pontos aqui e ali, em um momento onde a LCR parece sentir mais a inconstância de performance das motos Honda. O brasileiro ainda conta com muito respaldo do time, e isso é positivo, mas claro que resultados contam também, e é preciso continuar dando duro para melhorar sempre. Esperemos que as próximas provas sejam mais favoráveis a resultados mais positivos para nosso novo representante na competição da MotoGP…
Se alguém estava pensando que a temporada 2026 da Indycar poderia ser mais disputada, eles acertaram… Em parte! Depois de vencer com a habitual competência de sempre na estréia da competição, em São Petesburgo, Álex Palou passou duas provas fora do degrau mais alto do pódio, em Phoenix, onde Josef Newgarden (Penske) venceu, e em Arlington, onde Kyle Kirkwood (Andretti) mostrou sua competência para obter mais uma vitória em pistas de rua, e até assumir a liderança do campeonato. Bom, Palou tratou de colocar ordem na casa, e na corrida seguinte, em Barber, no Alabama, o piloto da Ganassi venceu praticamente de ponta a ponta, sem ser ameaçado de fato, e voltando com carga total à disputa. Como desgraça pouca é bobagem, para os adversários, eis que o espanhol voltou a ganhar de novo, agora na pista de Long Beach, o mais badalado circuito de rua da história das categorias Indy, para reafirmar seu domínio, retomando a liderança do campeonato, e claro, o favoritismo para o pentacampeonato, o que deixaria Álex abaixo apenas de A. J. Foyt, com sete títulos na antiga F-Indy; e Scott Dixon, com seis títulos na Indycar, apenas acima dele. E não duvidem se o espanhol chegar lá novamente, enquanto os rivais parecem continuar batendo cabeça, e desperdiçando oportunidades na pista…
Em Long Beach, a corrida foi dominada em sua maior parte por Felix Rosenqvist, da Meyer Shank, que largou na pole-position, e liderou até a última parada nos boxes, mas sempre com Álex Palou mantendo o sueco na alça de mira, apenas controlando a distância. E justamente no último pit stop, a Ganassi foi melhor que a Meyer Shank na parada de box, permitindo a Palou assumir a liderança, que não perderia mais até a bandeirada de chegada, vencendo sem sustos. A festa da Ganassi foi maior porque Scott Dixon fechou o pódio em 3º lugar. O resultado da prova californiana fez o tetracampeão da Ganassi reassumir a liderança da competição, com 205 pontos. Kyle Kirkwood, com a 4ª colocação em Long Beach, caiu para a vice-liderança, com 188 pontos. David Malukas vem segurando a honra da Penske com a 3ª colocação no campeonato, com 142 pontos, à frente de Patricio O’Ward e Christian Lundgaard, da McLaren, em 4º e 5º lugares, com 136 e 131 pontos, respectivamente. Josef Newgarden, da Penske, é o 6º colocado, com 130 pontos, mas já vendo Palou desgarrar na liderança da competição. Neste ritmo, parece que a concorrência vai ver Palou desfilando novamente sozinho rumo ao título, a menos que as coisas mudem, o que até pode acontecer, mas que parece ser difícil de ocorrer, do jeito que as coisas andam na pista…
Palou, aliás, já firmou renovação com a Ganassi. Seu contrato atual ia até o fim da temporada de 2027, e o novo acordo, anunciado recentemente, não especifica a data de duração do mesmo. É um reconhecimento mais do que válido do time e do piloto pela parceria que se estabeleceu desde 2021, e até agora, já rendeu 4 títulos em cinco temporadas, e em vias de poder conquistar mais um, e em tempo recorde de permanência do piloto na competição. Álex Palou já contabiliza 22 triunfos em apenas 103 provas disputadas, o que dá uma média de uma vitória a cada 4,68 provas, um dos índices de aproveitamento mais impressionantes da história das categorias Indy, e que tem tudo para ficar ainda mais expressivo, dada a permanência da performance da Ganassi com o piloto. Anos atrás, Palou se envolveu em uma tentativa de transferência atrapalhada para a McLaren na Indycar, que inclusive gerou uma discussão judicial a respeito da preferência do time em manter o piloto. A discussão se estendeu pelos últimos anos, com processo de indenização e multas exigido pela McLaren, que só se resolveu recentemente. Isso poderia ter queimado a imagem de Palou na competição, e por algum tempo, o piloto perdeu rendimento, na temporada de 2022, justamente quando a confusão se iniciou, o que o fez perder o único campeonato desde que passou a defender o time de Chip Ganassi, no único ano onde o espanhol passou quase em branco a temporada toda, que terminou com o segundo título de Will Power. Naquele ano, Palou venceu apenas uma corrida, a última da temporada, em Laguna Seca, e terminou o campeonato em 5º lugar.
A temporada de estréia de Caio Collet na Indycar segue cheia de percalços. Além da Foyt ter perdido parte da performance exibida no ano passado, o piloto brasileiro também tem tido lá seus azares. Em Long Beach, o problema foi uma punição por exceder a velocidade nos boxes na última parada do piloto, que retornou à pista em 13º lugar, e com possibilidades de tentar avançar para quem sabe, terminar dentro do TOP-10. Mas aí, veio a punição, e como os carros estavam muito próximos pela bandeira amarela que vigorava na pista no momento em que todos foram para os boxes, Caio despencou lá para trás. Ele ainda tentou uma recuperação, mas acabou terminando apenas em 22º lugar. O desempenho da Foyt não tem sido o mesmo até agora, e até Santino Ferrucci, que tem andado melhor que Collet, não está assim tão melhor nos resultados: tirando um 8º lugar no Alabama, Santino tem tido alternâncias com Collet, ora indo melhor, ora não indo. Ferrucci ocupa a 18ª colocação, com 74 pontos, enquanto Caio é o 21º, com 59 pontos, uma diferença de apenas 15 pontos, não muito expressiva após 5 corridas.
A Foyt, contudo, pode surpreender nas 500 Milhas de Indianápolis, ou pelo menos, sonhar com um resultado melhor. Caio liderou a primeira sessão de testes coletivos visando a Indy500, marcando o melhor tempo geral dos dois dias de testes, e confessando estar até surpreso. Mas é preciso manter os pés no chão: foram apenas os primeiros dois dias de treinos, e ainda podemos ter muitas surpresas pela frente. E posição de largada, mesmo sendo importante, não define nada em Indianápolis, onde o ritmo de corrida e a desenvoltura no tráfego são cruciais para um bom resultado na corrida, além de um trabalho afinado nos boxes. Mas claro que o melhor tempo marcado mostra potencial, e isso ajuda a melhorar as expectativas de uma boa performance, e de um bom resultado para o piloto brasileiro, que fará sua primeira edição das 500 Milhas de Indianápolis...
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