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| Max Verstappen: show na etapa dos Estados Unidos, e já colocando a dupla da McLaren na alça de mira... |
Se a McLaren ainda se sente segura para conquistar o título de pilotos na temporada de 2025, é melhor começar a ficar atenta. Com três vitórias nas últimas 5 corridas, tendo terminado todas no pódio, Max Verstappen vem chegando na dupla papaia com uma velocidade que inspira cuidados, e temor. E não pode ser subestimado, do contrário, todo mundo será pego no contrapé, e que nunca poderão alegar ignorância do fato, só a incompetência mesmo…
Desde o retorno das férias de verão, a Red Bull, sob comando de Laurent Mekies, que assumiu a condução do time após a demissão de Christian Horner, promoveu junto ao setor técnico melhorias no modelo RB21, que melhoraram a performance do carro, a ponto de permitir ao piloto holandês voltar a brigar na frente. E Max voltou com tudo, ou quase tudo: foi 2º colocado na Holanda, venceu em Monza e em Baku, foi novamente 2º em Singapura, e acabou de aplicar um fim de semana perfeito em Austin, no Texas, no fim de semana passado, vencendo tanto a corrida sprint quanto a prova de domingo, anotando todos os pontos possíveis. Em outras palavras, ele vem chegando, e com fome de mais um título no currículo. A diferença para Oscar Piastri, o líder da temporada, que era de 104 pontos, despencou para apenas 40, e com 141 pontos em jogo nas provas finais ainda a serem disputadas, o sinal amarelo já ressoou em Woking com força. Cabe à McLaren evitar que o sinal fique vermelho, o que está muito perto de acontecer, se equipe e pilotos não se cuidarem e tratarem do assunto com a devida seriedade.
Piastri, que até Zandvoort fazia uma temporada impressionante, a ponto de todos darem quase como favas contadas o título do piloto australiano, o primeiro na F-1 desde Alan Jones, em 1980, se não perdeu o rebolado, ficou perto. Acabou sendo passivo na Itália, bateu de forma amadora em Baku, acabou surpreendido por Norris em Singapura, e teve uma atuação azarada e apagada nos Estados Unidos. O resultado é que, com o tetracampeão surgindo no retrovisor, ainda que com alguma diferença razoável na pontuação, não dá mais para ficar administrando a vantagem, do contrário, o desastre é certo, mesmo que, em teoria, Max precise fazer das tripas coração para demolir essa dianteira do australiano.
Até porque, outro fator a ter de ser considerado, é o fator azar, algo que pode comprometer totalmente um final de semana do piloto. Se em Zandvoort foi Norris a ser premiado com a quebra de seu propulsor, promovendo Verstappen ao 2º lugar final da corrida, e impactando na campanha do inglês na temporada, em Austin o resultado da sprint foi desastroso quando Oscar tentou uma manobra demasiado otimista na primeira curva, tocando em Nico Hulkenberg em trajetória correta, e sendo catapultado para atingir Norris, e deixando os dois carros da McLaren fora de combate, o que rendeu ali 8 pontos entregues de lambuja para Max. E a sorte, por incrível que pareça, foi isso ter acontecido na prova Sprint, uma vez que o prejuízo seria ainda maior se tivesse ocorrido na corrida de domingo, onde felizmente a dupla da McLaren se comportou melhor, e evitou repetir o mesmo desastre.
O holandês, independentemente dos percalços alheios, simplesmente foi-se embora, e venceu as duas provas do fim de semana. E ele vem chegando, e não aos poucos, indicando que a situação, nesse aspecto, tem tudo para se complicar de verdade para a dupla da equipe de Woking. E ainda podemos ter outras situações inesperadas, como foi o GP do Brasil no ano passado, quando na chuva, o holandês simplesmente humilhou a concorrência, que já tinha carros melhores que a Red Bull, especialmente Ferrari e McLaren, além de em determinados momentos até a Mercedes se mostrar melhor. Agora, a situação é mais restrita: se antes apenas a McLaren parecia imbatível, mesmo cambaleantes e com desempenhos inconstantes, Ferrari e Mercedes conseguiam dificultar a situação do time rubrotaurino, que só não afundava de vez graças a Verstappen, que tirava do carro o que ele parecia incapaz de oferecer efetivamente. Agora, com o carro dos energéticos tendo encontrado seu caminho, ainda que não tenha se igualado ao modelo MCL39 em performance bruta, já permite a Max tirar o sono dos adversários. Basta ver que até Yuki Tsunoda começou a ter resultados mais satisfatórios, com o japonês tendo marcado pontos com um 6º lugar no Azerbaijão, e um 7º na prova principal dos Estados Unidos, desempenhos muito mais aceitáveis do que os vistos na maioria das corridas desde que o nipônico passou para o time principal dos energéticos, onde até então ele mal conseguia chegar nos pontos, e várias vezes nem conseguiu chegar ao Q2 nas classificações, o que mostra que o carro, sim, melhorou significativamente. Não é o melhor carro, claro, mas já permite que Verstappen consiga diminuir a diferença de performance no braço, e isso ele já mostrou que tem de sobra… Mas e a dupla da McLaren?
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| Desastre para a dupla da McLaren na prova sprint em Austin: toque na largada e abandono dos dois pilotos. |
O carro da McLaren, o melhor do time já produzido em quase 20 anos, sem atualizações para o resto da atual temporada, já com o título de construtores conquistado por antecipação em Singapura, ainda é o carro a ser batido, mas infelizmente, no que tange aos pilotos, eles claramente não parecem os pilotos a serem batidos. Se Lando Norris conseguiu ser veloz em Austin, ter ficado preso atrás de Charles LeClerc na primeira parte da corrida, se não comprometeu definitivamente, dificultou seriamente suas chances de lutar pela vitória com Verstappen. Quando finalmente se livrou do monegasco da Ferrari, ele já não conseguia ter condições de atacar o piloto da Red Bull, que segui para mais um triunfo firme e convincente. Isso também é claro para mostrar que Lando pode reviver o pesadelo de 2024, onde mesmo com o melhor carro, o inglês arriou na disputa com Verstappen. Lando poderia ter aproveitado para crescer ali, de forma a crescer como piloto, mas parece que desperdiçou a oportunidade. E Verstappen, bem ao seu estilo “matador”, vem mostrando na pista o que é ter atitude e determinação, atitudes que Norris ainda parece carecer de demonstrar na pista.
Mas e Oscar Piastri? O australiano desandou em Baku, cometendo um erro primário de uma temporada onde até então só tinha ficado abaixo da crítica na Austrália, enquanto Norris vinha cometendo erros mais crassos, em especial nas classificações, condicionando muitas vezes seus resultados nas corridas por largar mais atrás. Mas Oscar tem ficado abaixo de Norris nas últimas corridas, e coincidentemente, parece começar a não gostar do carro, o qual até um tempo atrás, parecia muito melhor. Teria sido dificuldades pontuais com os circuitos, ou algo mais? Ele não teve exatamente um comportamento de performance discrepante com Norris, deixando inviabilizada uma possível diferença de carro entre os dois pilotos, mostrando que ambos contam com o mesmo equipamento. Mas é inegável que muitos na McLaren tem uma certa preferência por Norris, e não seria estranho isso resultar em algumas inconsistências na pista, como Piastri agora ter se mostrado ligeiramente mais lento que Lando nas corridas, sem conseguir manter a vantagem acumulada durante o ano.
Enquanto a McLaren se dá por satisfeita com o desempenho de seu carro, a Red Bull, claro, está jogando tudo em promover atualizações para promover as chances de Verstappen chegar com tudo e roubar o título de pilotos, mesmo que isso, em teoria, possa comprometer o desempenho inicial do time no próximo ano, quando muda o regulamento técnico, alegando que mesmo os desenvolvimentos do carro atual poderão ser um aprendizado útil para o projeto de 2026, e que o time não sofrerá tanto quanto se imagina. Mas ninguém deveria se surpreender com isso, pois a Red Bull é 100% focada unicamente em Verstappen, o que já lhes custou o título de construtores no ano passado, e estão dispostos a repetir a dose este ano, se Max chegar lá. Enquanto isso, a McLaren segue dividida, e tirando uma rusga eventual aqui entre essa dupla, eles ainda não chegaram a se estranhar exatamente na pista, a ponto de provocar uma briga séria de fato. E, em tese, isso não é um problema: ter os dois pilotos fortes na disputa é um trunfo, enquanto na Red Bull, Tsunoda é completamente dispensável, e até inútil para influenciar neste aspecto.
Mas este é o momento decisivo onde Piastri e Norris precisam mostrar que tem estofo de campeões. Até a etapa da Holanda, o desempenho superior do carro lhes deu uma vantagem quase absoluta, com poucas derrotas factíveis no ano, que foram encaradas com naturalidade, sob a alegação de que “isso acontece”, e melhor ocorrer aqui e ali, do que comprometer a campanha da temporada rumo ao título. Nos raros momentos em que a McLaren não venceu até ali, não foi preciso se preocupar, pois o desempenho no cômputo geral ainda lhes dava vantagem significativa, não sendo necessário arriscar além do necessário, com boa parte da temporada ainda pela frente. Este tipo de atitude poderia ter funcionado até Monza, onde Verstappen, surpreendendo a todos com uma pole, e mais do que isso, veio com uma vitória contundente, como nos tempos de superioridade da Red Bull. A McLaren ficou logo atrás, em dobradinha, e por isso, ainda dava para relevar.
Baku, contudo, já deveria começar o pessoal a ficar mais atento. Se é verdade que a classificação bagunçada pela chuva impediu uma classificação melhor por parte de Norris e Piastri, o desempenho na corrida inspirava cuidados. Piastri, batendo logo no início, infelizmente não nos deu parâmetros de como ele andaria caso tivesse continuado na prova. O desempenho de Norris, contudo, ficando longe da briga pela vitória já seria merecedor de críticas, por desperdiçar uma oportunidade de ouro de demolir a desvantagem do colega de time, que tinha abandonado, de modo que o resultado não foi muito abonador, apesar do inglês ter lucrado no episódio. Só que, quem venceu de novo, e de forma também determinada e forte, foi novamente Max Verstappen, demonstrando uma performance em uma pista muito diferente da de Monza, apesar de contar com o mais longo trecho de reta e aceleração máxima da F-1 atual. Alegar que o holandês ainda estava longe não estava errado, exatamente, mas depois de duas derrotas, era preciso começar a prestar mais atenção, por menor que fosse o perigo.
E agora, duas corridas depois, com nova vitória contundente de Max, sendo que em Singapura ele também foi superior à dupla da McLaren, é o sinal definitivo de que o tetracampeão entrou definitivamente no retrovisor de Oscar Piastri, e principalmente, de Lando Norris. Ou os dois pilotos reagem na pista, ou vão levar a invertida mais contundente dos últimos tempos, o que seria não só uma humilhação mas uma desmoralização completa de ambos e da própria McLaren, por subestimarem a concorrência, permitindo uma reviravolta que ninguém imaginava até o mês de setembro.
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| A McLaren venceu pela última vez na Holanda, com Oscar Piastri. |
Está mais do que na hora de ambos os pilotos mostrarem fibra para serem campeões, e nada melhor do que isso do que entrarem em uma briga ferrenha, onde saibam se impôr, e mostrem atitude e disposição de brigar firme, indo, se necessário, para o tudo ou nada. Verstappen já mostrou há muito tempo que vai para cima, e raros são os pilotos do grid que ousam peitar o holandês numa dividida de curva onde precisam demarcar posição. No ano passado, Norris perdeu a imensa maioria das disputas com Max, mesmo quando tinha um carro potencialmente mais competitivo, mas perdeu no braço, e por vezes, na competência também. Piastri, se quiser ser campeão, também precisa reagir e voltar a ser o piloto frio e focado da primeira metade da temporada, mostrando que aquele desempenho não se dava apenas pelo carro superior que possuía. É o momento de confirmar isso em uma briga unha a unha, se necessário, para ser campeão. Quanto a Max, para quem entrou na temporada desacreditado de brigar por um novo título, diante de uma Red Bull que tinha apresentado seu pior carro desde 2019, o que vier é lucro. E ele não vai hesitar, ainda mais agora, com perspectivas, ainda que poucas, de inverter as posições e conquistar um título ainda mais espetacular do que o de 2020.
A McLaren, que tanto demonstrou controle e capacidade de reagir nos boxes, fora da pista, às pressões externas, atuando em plena sintonia, e coordenando suas atuações com seus pilotos, também precisa se portar como uma equipe verdadeiramente campeã, capaz de reagir à ameaça e mostrar de novo a velha verve e fibra que a levaram a ser um dos times mais vencedores da F-1, e que após mais de uma década, está de volta ao topo, e com o status e força moral que sempre demonstrou em suas disputas pelo título na categoria máxima do automobilismo, algo que ela ainda não conseguiu demonstrar efetivamente, cometendo alguns equívocos nos últimos tempos, mas recebendo agora a chance de mostrar que está efetivamente de volta, não apenas no aspecto técnico, mas na determinação e força de vontade de vencer como uma verdadeira campeã.
Do contrário… Eles que se preparem para o pior… Zak Brown diz que eles estão preparados para isso, mas ainda assim, será uma das maiores desmoralizações dos últimos tempos de um time de competição… E não terá sido por falta de aviso...
Depois do que vimos nos Estados Unidos, a disputa pela vitória aqui no México fica na expectativa de mais um provável show de Max Verstappen, se a McLaren bobear novamente no fim de semana. O time inglês parece confiante, e diz que ainda não irá privilegiar Piastri na disputa, o que em termos esportivos, é até correto. Mas subestimar o piloto da Red Bull é algo que não pode ser feito, independentemente de haver ou não jogo de equipe. A Bandeirantes exibe a corrida ao vivo no domingo, com largada programada para as 17:00 Hrs. Deste domingo, pelo horário de Brasília.
A Ferrari teve em Austin seu melhor desempenho nas últimas etapas da temporada. Charles LeClerc foi o 3º colocado, seguido por Lewis Hamilton, e a escuderia de Maranello voltou a encostar na Mercedes na briga pelo vice-campeonato de construtores, com a vantagem do time alemão reduzida a 7 pontos. Mas tanto Ferrari quanto Mercedes já estão na alça de mira da Red Bull, que graças à arrancada fulminante de Max Verstappen nas últimas provas, entrou definitivamente na briga pelo vice-campeonato de construtores, mesmo com a falta de resultados de Yuki Tsunoda na briga, um panorama onde a Mercedes também se ressente de melhores resultados de Andrea Kimi Antonelli, enquanto a Ferrari tem tido uma dupla mais equilibrada neste sentido, com LeClerc e Lewis Hamilton pelo menos tendo conquistado bons pontos nos últimos GPs. O time de Maranello diz que o heptacampeão parece começar a finalmente se sentir à vontade no carro da escuderia, mas prefere manter os pés no chão com relação à possibilidade de um novo bom resultado no México..





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