sexta-feira, 25 de julho de 2025

RED BULL SOB NOVA DIREÇÃO

Christian Horner: demissão depois de 21 anos à frente da equipe Red Bull na F-1.

            O time dos energéticos chegou a Spa-Francorchamps, neste final de semana, para disputar pela primeira vez uma corrida sob nova direção. Christian Horner, que era o chefe da escuderia desde seu primeiro GP, disputado em 2005, foi demitido logo após o GP da Inglaterra, e marca mais um período complicado que a Red Bull vem enfrentando desde o ano passado. E que certamente, não deverá ter momentos mais tranquilos no futuro próximo, uma vez que os boatos a respeito do futuro de Max Versytappen no time continuam em alta, em que pese as projeções mais sóbrias apontarem com mais lógica uma saída para 2027, já que 2026 segue sendo uma completa incógnita, diante dos novos regulamentos técnicos que serão adotados pela categoria máxima do automobilismo.

            Christian Horner era o mais longevo chefe de equipe do grid atual. Afinal, desde que a Red Bull adquiriu a equipe Jaguar, ao final de 2004, ele estava na chefia do novo time dos energéticos, o que dá praticamente 21 anos à frente da escuderia, algo raro nesta época atual da F-1, onde trocas de liderança nos times tem sido frequente. Depois de Horner, apenas Toto Wolf estava há mais tempo na direção de um time, a Mercedes, com mais de uma década. Enquanto isso, só a Ferrari teve várias mudanças desde então na sua condução, só para mostrar como a situação de Horner na Red Bull era bem diferente.

            Mas o clima em tempos recentes no time dos energéticos estava longe de ser pacífico. Herlmut Marko, que coordena o programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull, em tese, dividia com Horner o comando da escuderia, em que pese seu papel focar mais mesmo no programa de pilotos. Amigo pessoal de Dietrich Mateschitz, Marko tinha esse trunfo para por vezes rivalizar com Horner no comando de certas decisões dentro do Grupo Red Bull, que incluía também o segundo time dos energéticos, inicialmente chamado de Toro Rosso, e atualmente, Racing Bulls. Mas com a morte de Mateschitz há alguns anos, a situação ficou mais nebulosa no que tange à divisão de poder na gerência da escuderia de F-1, e Christian Horner, claro, chegou a colocar as manguinhas de fora, a fim de consolidar sua posição de liderança no comando, apoiando-se na parcela tailandesa do Grupo Red Bull, enquanto Helmut Marko tentava se garantir junto à parte austríaca da organização. Esse cabo de guerra nos bastidores pareceu ter arrefecido momentaneamente em tempos recentes, diante do sucesso avassalador da escuderia na temporada de 2023. Mas no ano passado, quando tudo parecia caminhar para a repetição do domínio do ano anterior, tudo pareceu desandar de um instante para o outro.

            Tudo começou com um caso de conduta imprópria de Horner contra uma funcionária da Red Bull, o que detonou uma auditoria interna para avaliar a situação, que acabou resultando em deixar tudo como estava. O temor de que isso poderia desestabilizar o time não surtiu efeito, já que Max Verstappen iniciou o ano de forma avassaladora, dando a impressão de que a Red Bull repetiria o massacre do ano anterior, mas a verdade é que os efeitos só seriam sentidos alguns meses depois, e a partir daí, tudo ocorreria de forma bem mais rápida. O ambiente interno certamente ferveu com este caso de conduta imprópria de Horner, que certamente se apoiou no braço tailandês da Red Bull para manter seu poder e posição, mas o fato é que a briga deve ter sido bem estressante, pois no início de maio, eis que Adrian Newey, o principal nome da área técnica da escuderia, anunciou sua saída do time, de onde estava havia quase vinte anos, e que tinha sido o grande projetista de todos os carros campeões da escuderia. E, coincidência ou não, dali em diante a concorrência não apenas chegou na Red Bull como até passou à frente.

            Outros nomes importantes da Red Bull, como Johnathan Weatley, agora no comando da Sauber, também resolveram sair, e a escuderia passou a sofrer com vários altos e baixos na competição, e não fosse por Max Verstappen, que havia acumulado uma grande vantagem no início arrasador do ano, poderia ter tido o título em perigo. Mas o holandês levou o time nas costas durante a segunda metade da temporada de 2024, enquanto os rivais, agora muito mais fortes, falharam em capitalizar com os problemas que se acumulavam na Red Bull, e assim, o holandês levou seu quarto título consecutivo. Mas não foi uma conquista tranquila. O carro do time revelou-se instável, e com um comportamento arredio ao qual só Verstappen era capaz de conseguir resultados de monta, de modo que Sergio Perez sucumbiu na temporada, o que ajudou a Red Bull a ficar apenas na 3ª colocação no campeonato de construtores. E os problemas se repetiram no início deste ano, quando Liam Lawson, sem conseguir acompanhar Verstappen, acabou rebaixado de volta para a Racing Bulls após apenas duas provas, com Yuki Tsunoda promovido para o segundo carro do time principal, e tendo resultados pífios desde então. Até Verstappen, sempre tirando leite de pedra, dessa vez não conseguiu enfrentar a McLaren, e só não está em situação pior na classificação porque Mercedes e Ferrari também cometeram seus erros e estão piores, ainda que tecnicamente pareçam melhores. E, claro, isso detonou os rumores de que Max, invocando cláusulas de seu contrato, poderia sair do time antes de 2028, o que poderia fazer a Red Bull despencar de vez na F-1. Weatley, aliás, declarou que o ambiente no time da escuderia austríaca piorou muito com a saída de Newey, e a saída do engenheiro inglês também o motivou a sair, e a oferta de trabalho da Audi era praticamente irrecusável. Isso indica que, apesar das aparências, o ambiente interno da escuderia austríaca não andava mesmo em seus melhores dias. E os problemas na pista pareciam a expressão mais óbvia disso.

Oscar Piastri marcou a pole-position para a corrida Sprint neste sábado em Spa-Francorchamps.

            É óbvio que tal acúmulo de problemas teria consequências, e Christian Horner, que até então parecia firme no cargo de direção, acabou sendo o sacrificado nesta história toda. Não ajudou o fato de que, algum tempo atrás, ele tenha tentado até assumir posição societária na Red Bull, de forma a aumentar ainda mais seu poder, e se garantir na disputa de comando frente a Helmut Marko. A demissão, contudo, foi até inesperada, pegando o próprio Horner de surpresa, e claro, todo o restante da categoria, para a qual o dirigente estava se saindo bem, diante dos problemas enfrentados. Em seu lugar, assumiu Laurent Mekies, que até então chefiava a Racing Bulls, e claro, Marko aproveitou para defender o novo chefe, e alfinetar Horner, a quem acusou de “acumular” poderes indevidos na condução da Red Bull, afirmando que Mekies sabe ter melhor definição de suas responsabilidades e do que fazer na direção de um time. Dá para notar a indisposição de Marko para com Horner claramente nesta declaração, ainda mais pela comparação que o velho dirigente fez, referindo-se ao que um time de futebol faz quando não vence, que é demitir logo o técnico, e arrumar outro, dando a entender que Horner era o principal culpado pelos problemas da escuderia.

            Já Max Verstappen, em que pese ter ficado mais ao lado de Marko na disputa interna do time, aproveitou para enfatizar que a gestão de Horner não era um problema, e que o ex-dirigente estava lidando bem com a situação, apesar de tudo. Mesmo assim, ele se declarou ansioso para começar a trabalhar com o novo chefe Laurent Mekies, preferindo não se envolver demais na questão, e se concentrando na pista. E é o que devemos ver aqui na Bélgica, uma pista espetacular, mas cuja previsão do tempo para domingo, com possibilidade de chuva (é a Bélgica, afinal), pode apresentar oportunidades que a escuderia austríaca quer tentar capitalizar.

            Mekies terá muito trabalho pela frente. E resta saber se conduzir a Red Bull será tão fácil quando era com a Racing Bulls, cujas proporções e cobranças certamente eram menores do que no time principal. Mas o novo chefe da escuderia principal dos energéticos diz que está pronto para o desafio, e vê a escuderia de Milton Keynes como o lugar onde os melhores da F-1 trabalham, e que pretende manter esta imagem de time vencedor que a equipe conquistou desde que estreou na F-1. O fato da Red Bull meio que já jogar a toalha na temporada 2025 deve aliviar a cobrança por melhores resultados, diante da supremacia da McLaren, e da luta direta da escuderia rubrotaurina com Mercedes e Ferrari pelas posições subsequentes na classificação. No momento a Red Bull é apenas a 4ª colocada, atrás da McLaren, da Mercedes, e da Ferrari. O grande problema da escuderia dos energéticos é com o segundo carro, que continua não rendendo com Tsunoda, que viu seu sonho de chegar ao time principal virar pesadelo, e tendo enormes dificuldades para conseguir obter desempenho do modelo RB21, enquanto vê seu antigo time, a Racing Bulls, parecer até andar melhor do que ele. Com apenas Verstappen conseguindo resultados para o time, a Red Bull obviamente fica em posição desvantajosa na briga pelo título de construtores, e será preciso mudar essa mentalidade, se a escuderia quiser ter melhores chances na temporada de 2026.

            Mas, por enquanto, o desafio é tentar reagir na briga pelas posições na temporada deste ano. Com Verstappen na 3ª posição na classificação, a meta é impedir que George Russell ou Charles LeClerc ameacem o holandês, e claro, procurar melhorar a posição de Yuki Tsunoda dentro do time, nas corridas que restam ao japonês na competição, já que a Honda, se por um lado declarou que o piloto deve ficar mesmo até o fim do ano, por outro lado já dá mostras de que ele não segue na escuderia no próximo ano. Enquanto isso, Christian Horner irá cumprir o restante do ano na Red Bull, e já se comenta sobre a rescisão contratual que ele deverá levar, uma vez que seu contrato atual iria até 2030, e             que se levar tudo a que tem direito, ele poderá receber até cerca de 60 milhões de libras. Um bom dinheiro, diga-se de passagem, e claro, já torna o dirigente novo alvo de fofocas sobre seu possível futuro para além de 2026, de onde ele poderia ir. Já se falou até mesmo na Ferrari, onde Frederic Vasseur anda meio contestado, depois dos resultados fracos da Ferrari neste ano, se comparados aos do ano passado. O time italiano tem declarado que o dirigente francês segue no time, mas Horner, por sua vez, também era resguardado pela Red Bull, e no final, vimos o que aconteceu. E na Ferrari, o clima é bem mais emocional do que em Milton Keynes, haja visto a rotacionalidade de dirigentes que Maranello tem vivenciado na última década, de modo que onde há fumaça, pode haver fogo, e em se tratando de Ferrari, nada é exagerado neste sentido. Seria interessante ver Horner no time italiano? Certamente, seria, mas vamos aguardar para ver o que acontece...

 

 

Várias equipes começam a definir seus planejamentos para 2026. Mercedes e Ferrari, por exemplo, deram o prazo de fazerem suas atualizações finais para a temporada de 2025 até o GP da Hungria, sendo que neste final de semana, alguns times, como o italiano, trouxeram novidades para Spa-Francorchamps, apesar do formato com corrida Sprint neste final de semana, onde teriam apenas um único treino livre para verificar as novidades. Com o teto orçamentário, e os novos regulamentos que serão introduzidos no próximo campeonato, os times agora devem começar a focar no próximo ano. A Mercedes, por sua vez, parece enfrentar novamente o dilema de não conseguir retomar o protagonismo que viveu até 2021. O novo carro deste ano, apesar de ter já vencido uma corrida com George Russell no Canadá, continua com desempenhos irregulares, e mesmo a temperatura mais amena, que em tese favorecia os carros alemães do ano passado para cá, não tem sido uma aliada como se esperava. Alguns times, como a Williams, já haviam decidido finalizar o desenvolvimento deste ano e começar a focar no próximo ano. A Red Bull também é outro time que deve passar a focar 2026, já se dando conta de que não há o que fazer para tentar desafiar a McLaren este ano. A corrida Sprint terá largada às 07:00 Hrts. Na manhã deste sábado, enquanto a corrida no domingo começará às 10:00 Hrs., pelo horário de Brasília, e com transmissão ao vivo da Bandeirantes.

 

 

A Indycar segue sua maratona de julho no campeonato, e depois da etapa de Toronto domingo passado, os carros entraram na pista de Laguna Seca neste final de semana. A pista, próxima a Monterrey, na Califórnia, é bem seletiva, e de difícil ultrapassagem, o que faz com que as posições de pista sejam bem importantes, assim como a estratégia de corrida. Álex Palou continua deitando e rolando no campeonato, e os adversários, apesar de terem ganho algum fôlego na etapa canadense, ainda estão muito longe para oferecerem qualquer ameaça de fato ao domínio do piloto espanhol da Ganassi na temporada. A TV Cultura, bem como o canal ESPN, e o sistema de streaming Disney+ transmitem a corrida ao vivo neste domingo, a partir das 16:00 Hrs., pelo horário de Brasília.

A pista de Laguna Seca recebe a Indycar neste final de semana.

 

 

A Formula-E chegou ao Excel Arena para o encerramento da atual temporada da competição, que já tem Oliver Rowland como campeão. Mas a briga pelo vice-campeonato promete ser brava. Com cerca de 56 pontos em jogo nas duas provas da rodada dupla na capital britânica, a posição de “melhor do resto” tem muita gente na disputa, até mesmo pelo fato de ninguém ter conseguido manter a constância durante a temporada. Pascal Wehrlein é o atual vice-líder, mas não consegue manter a posição de favorito nesta briga, que tem Taylor Barnard logo atrás, seguido por Antonio Félix da Costa, Nick Cassidy, e vários outros pilotos que, dependendo dos resultados, podem acabar superando o alemão da Porsche. No campeonato de construtores, a Nissan pode tentar desbancar a Porsche, a líder da competição, mas vai depender muito da combinação de posições de seus pilotos, mais débil até aqui do que os da marca alemã, que entra na rodada final em vantagem. Já na disputa de fabricantes, o duelo promete ser mais acirrado, visto que diferença é pequena, e conta com os times que usam os equipamentos. E é claro que, sendo o fim do campeonato, muitos pilotos tentarão dar o seu melhor, em especial aqueles que ainda não tem posições asseguradas para a próxima temporada, e que querem tentar terminar o ano por cima. As disputas tem tudo para ser bem quentes na pista, e vamos ver como os novos carros Gen3EVO se comportarão na pista do Excel Arena, que parece já ter atingido o seu limite para as provas da competição dos carros elétricos no local, diante do aumento de performance dos bólidos da competição. As corridas terão transmissão ao vivo pelo canal do You Tube do site Grande Prêmio, bem como pelo canal por assinatura Bandsports, a partir das 12:30 Hrs., pelo horário de Brasília, tanto para a corrida deste sábado quanto para a de domingo.

O Excel Arena está cofirmado para a próxima temporada da F-E, em 2026, mas a categoria deverá procurar um novo lugar para as corridas na nova era dos carros Gen4.

 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

HAVOC SERIES - A TEMPORADA DE 1987 – PARTE VI

Na Itália, Piquet obteve sua última vitória pela Williams, e a primeira com a suspensão ativa do time, ampliando ainda mais sua liderança no campeonato daquele ano.

            E aqui estamos de volta com a série especial de corridas na íntegra da temporada de 1987, no ano do tricampeonato de Nélson Piquet. Depois de conquistar seus primeiros triunfos na temporada, nas etapas da Alemanha e da Hungria, Piquet havia desferido dois golpes fortíssimos em Nigel Mansell, seu companheiro de equipe, e principal rival na luta pelo título da temporada. Mas o inglês voltou à carga, e obteve uma vitória categórica na Áustria, tentando recuperar o terreno perdido. Mas Nélson, mantendo sua impressionante regularidade no ano, foi novamente 2º colocado, impedindo uma maior aproximação do piloto inglês, que ainda por cima contava com a preferência da Williams para ser campeão, de modo que Piquet não podia baixar a guarda nem por um momento.

            E a etapa seguinte do calendário era em Monza, o palco do GP da Itália. A Williams trazia de novidade o seu próprio sistema de suspensão ativa, sendo o segundo time do grid a correr com esta novidade, imitando a iniciativa da Lotus, que corria com este tipo de recurso desde o início da temporada. Piquet desenvolveu o sistema em testes pela Williams e aprovou o recurso, que na sua opinião ajudava a melhorar a estabilidade do carro. Seja como for, com ou sem suspensão ativa, a Williams dominou a classificação em Monza, com Piquet a obter a pole-position, mas com Mansell logo atrás, separados por praticamente um décimo de segundo. Na segunda fila, Gerhard Berger atiçava as esperanças dos tiffosi da Ferrari, enquanto Ayrton Senna, com a Lotus, fechava no 4º posto, com Alain Prost logo atrás, em 5º ainda sustentando esperanças de voltar a brigar pelo título.

            Após uma primeira largada cancelada, Piquet falhou no arranque da largada, mas recuperou a liderança antes da primeira chicane, enquanto Nigel Mansell, logo depois, começou a ter problemas, sendo superado por Thierry Boutsen, da Benetton, e por Berger, da Ferrari. O brasileiro começou a se distanciar na liderança, enquanto Senna caía para o 6º lugar, e tinha que recuperar as posições perdidas. Na primeira metade da corrida, Piquet foi sustentando a liderança, embora por uma vantagem pequena, de menos de 3s. Mansell, precisando da vitória mais do que nunca, contudo, parecia incapaz de recuperar terreno para se aproximar do brasileiro, que comandava a prova com autoridade. A meio da corrida, a dupla da Williams trocou pneus, e a equipe gastou 2s a mais na parada de Nélson, o que fez o brasileiro ficar diretamente à mercê de Mansell (teria sido intencional, para favorecer o inglês?). Senna, contudo, assumiu a ponta, com a estratégia de não parar, e tentar a vitória. Durante várias voltas, Mansell ficou em cima de Piquet, tentando tudo por tudo para superar o brasileiro, até que Nélson recuperou o ritmo, e voltou a abrir vantagem, escapando do inglês. E ele começou a tirar a vantagem de Senna na liderança, que sem parar para trocar pneus, seguia na frente. Enquanto Piquet começava a andar mais rápido, Mansell ia perdendo contado com o brasileiro, que começava a chegar no compatriota da Lotus. Senna, por sua vez, dava tudo por tudo, e mantinha um ritmo incrível para quem ainda estava com os mesmos pneus da largada. Mas a pressão de Piquet ia aumentando, e a sete voltas do final, Senna escapou na curva Parabólica, e Piquet assumiu novamente a liderança. Ayrton conseguiu evitar de bater, e voltou à pista, ainda em 2º, e mantendo um ritmo infernal, tentando recuperar a liderança, mas não teve jeito. Vitória de Nélson Piquet, sua 3ª vitória na pista de Monza, para delírio da torcida italiana, que idolatrava o piloto brasileiro quase tanto quanto torcia pela Ferrari. Senna foi o 2º, e Mansell, o grande derrotado do fim de semana, apenas fechava o pódio, em 3º. Gerhard Berger deu alento aos tiffosi com a 4ª posição, enquanto Boutsen era o 5º. Prost foi apenas o 15º, e praticamente já dava adeus às chances de título. Confiram então o vídeo completo do GP da Itália de 1987 postado no You Tube pelo usuário MrViniciusF1 no link abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=msC6haj9A4k

 

Algumas semanas depois, a F-1 chegou a Portugal, para a disputa do GP lusitano, no circuito do Estoril. Para Nigel Mansell, a situação chegava ao desespero: com 20 pontos de desvantagem para Piquet após a etapa de Monza, o inglês precisava reverter a situação mais do que nunca, e largar na frente na pista portuguesa era meio caminho andado para voltar a vencer. Mas Gerhard Berger, da Ferrari, roubou a pole position do inglês, que teve de se contentar com o 2º lugar no grid. Na segunda fila, Alain Prost e Nélson Piquet ocupavam a 3ª e 4ª posições. Na terceira fila, Ayrton Senna alinhava a Lotus em 5º lugar, com a Ferrari de Michele Alboreto ao seu lado. Mansell largou bem e assumiu a ponta, mas houve uma confusão com alguns carros após a largada, obstruindo a pista, de modo que foi necessário recomeçar tudo de novo, com alguns pilotos tendo de recorrer a seus carros reservas para disputar a corrida. Nesta nova arrancada, Mansell novamente largou bem, tomando a liderança, mas Berger foi para cima, e logo superava com Mansell, tomando a dianteira da prova, e indo embora, deixando Nigel à mercê dos ataques de Senna vindo logo atrás. Mas as esperanças de vitória do inglês da Williams foram para o espaço quando seu carro apresentou um problema elétrico e ele foi forçado a abandonar.

            Alain Prost, que havia sido conservador na primeira metade da corrida, começou a acelerar, e foi subindo na prova conforme os primeiros colocados faziam suas trocas de pneus. Na parte final da corrida, o francês da McLaren estava chegando em Berger, ainda na liderança. O austríaco sentiu a pressão e saiu da pista com seus pneus já desgastados. Prost assumiu a liderança faltando poucas voltas para o final, e Berger ainda deu sorte de retornar à pista, mas agora a quase 20s do francês. E assim foi, Alain Prost conquistava sua 28ª vitória na F-1, superando o recorde de 27 provas de Jackie Stewart, e assim, tornando-se o piloto com mais triunfos na história da F-1 à época. Piquet fechou o pódio. Senna, que vinha numa pilotagem combativa, teve problemas na sua Lotus, perdeu 2 voltas nos boxes, e retornou à pista para conseguir terminar em 7º, fora da zona de pontos. Confiram então o vídeo completo do GP de Portugal de 1987 postado no You Tube pelo usuário MrViniciusF1 no link abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=XFfcsCi_P7I

 

O resultado do GP de Portugal era o pior possível para os rivais de Nélson Piquet na luta pelo título. Ayrton Senna, por exemplo, ficava 18 pontos atrás, o equivalente a duas vitórias na época, e isso se Nélson não pontuasse, situação quase impossível de acontecer normalmente, diante da grande regularidade que o brasileiro vinha demonstrando no campeonato. Mas para Nigel Mansell o panorama era ainda: o inglês ficava 24 pontos atrás, e com apenas 4 corridas para fechar a temporada, Nigel não precisava apenas vencer, ele tinha de torcer para um azar de Piquet, e o brasileiro tinha tendo uma postura extremamente cerebral na temporada, raramente se envolvendo em confusões na pista. O caso do GP de Portugal foi uma exceção, e mesmo assim, a sorte ainda esteve do lado de Nélson, ocorrendo logo na primeira volta, de modo que ele pode seguir na corrida após reparos leves no carro, podendo participar da segunda largada, e ainda terminar em 3º lugar, o que pode ter parecido pouco, mas uma imensa diferença quando Mansell abandonou logo na primeira parte da corrida, e viu sua situação na luta pelo título bem debilitada. Mas, faltando 4 provas, muita coisa ainda poderia acontecer, e por mais vantagem que Piquet tivesse, nada estava garantido. E vamos ver isso nas próximas postagens que virão muito em breve aqui no blog. Fiquem ligados, para acompanharem as corridas da fase final da temporada de 1987. Até breve!

Com sua vitória em Portugual, Alain Prost quebrava o recorde de triunfos na F-1 até então pertencente a Jackie Stewart.