sexta-feira, 4 de outubro de 2024

OCASO DE UM PILOTO

Daniel Ricciardo deixa a F-1 pela porta dos fundos, com muito poucas chances de um eventual retorno.

            Daniel Ricciardo está fora da F-1 em 2024. O anúncio, confirmando os rumores que já circulavam dias antes, se confirmou logo após a etapa de Singapura, quando a Red Bull praticamente sacramentou o destino do piloto no resto da temporada, cujo lugar na Visa RB, o time “B” dos energéticos, será ocupado por Liam Lawson nas seis etapas restantes do campeonato. O motivo é óbvio: o australiano não rendeu o que se esperava, de modo que a Red Bull precisou fazer a fila andar, diante de uma complexa situação que envolve, claro, a posição de Sergio Perez no time principal, sobre o qual surgem boatos de uma “aposentadoria” a ser anunciada no GP do México, sua terra natal, e a consequente substituição do mexicano, seja por Lawson, ou até mesmo por Yuki Tsunoda no próximo ano, como companheiro de Max Verstappen no time principal.

            E assim, a Red Bull vai rifando seus pilotos, não havendo histórico de um time que tenha substituído tantos titulares desde que chegou à categoria máxima do automobilismo. Mas seria a esquadra dos energéticos assim tão impiedosa com seus pilotos? A resposta é sim, e não, a depender das circunstâncias. O problema não está na cobrança de resultados, algo que é sempre implacável na F-1, e na imensa maioria de seus times. Talvez o problema seja o modo como a Red Bull frita seus pilotos, muitas vezes sem dó nem piedade, submetendo-os a um calvário público que poderia ser dispensado. Mas já tratei disso em outros momentos, e basicamente, não é o caso de Ricciardo, por incrível que pareça.

            O que é triste é ver o ocaso de um piloto, que em seus melhores momentos já chegou a ser considerado um campeão mundial em potencial, e que quando chegou a um carro de ponta, a Red Bull em 2014, simplesmente superou um tetracampeão mundial, o reinante Sebastian Vettel, que vinha de quatro conquistas consecutivas. Por mais que falem dos problemas que Vettel teve com os carros naquele ano, entre outras justificativas, não dá para ignorar o feito do australiano, que venceu 3 provas, sendo o único além da dupla da hegemônica Mercedes a subir ao degrau mais alto do pódio naquele ano, deixando, assim, Sebastian nas sobras no time onde até então ele deitava e rolava. Tanto que o piloto alemão nem quis tentar a revanche no ano seguinte: bandeou-se para a Ferrari, mostrando que o impacto da competição interna no time dos energéticos sinceramente não foi de seu agrado.

No confronto com Yuki Tsunoda, o australiano perdeu o duelo com o japonês, e as chances de uma redenção na F-1.

            Seria o australiano um talento assim tão grande? Ou Vettel, afinal, não era tudo o que se diziam dele? Em 2012, em seu primeiro ano na Toro Rosso, Ricciardo fpoi superado pelo companheiro Jean-Éric Vergne por 10 a 16 em favor do francês, com ambos terminando aquele campeonato em 17º e 18º. Em 2013, a situação se inverteu, com Vergne a perder a disputa para Ricciardo, por 13 a 20 a favor do australiano, com eles terminando em 14º e 15º no campeonato. Se levarmos em conta que, após ter sido injustamente dispensado da F-1, Vergne se tornaria bicampeão da Formula-E, podemos dizer que o duelo foi equilibrado, se levarmos em conta as performances meio instáveis da Toro Rosso.

            Na temporada de 2015, contudo, a disputa interna na Red Bull foi igualmente parelha, mas Ricciardo terminou o ano atrás de Daniil Kvyat, por uma diferença de apenas 3 pontos, com o russo terminando o ano em 7º e Daniel em 8º. Isso poderia ter um grande efeito negativo, se levarmos em conta como Kvyat caiu em desgraça na Red Bull no ano seguinte, ante a sanha de Helmut Marko de subir Max Verstappen, o novo queridinho do dirigente, de qualquer maneira para o time principal. Se Ricciardo ainda esperava ter maiores chances de disputar um título na Red Bull algum dia, tudo acabou com a chegada do holandês como companheiro de time, que em sua primeira corrida já chegou vencendo no time principal, e mostrando as garras.

Depois de disputar alguns GPs mostrando resultados em 2023, Liam Lawson será testado neste final de temporada. Visa RB ou Red Bull para ele ano que vem?

            Não haveria problemas, não fosse a preferência praticamente descarada por Verstappen por parte de Marko. Ricciardo era quase tão rápido quanto o holandês, mas compensava com maior visão de corrida, saber poupar o equipamento, e principalmente, não se envolver em confusões. Isso equilibrava o duelo entre os pilotos, e o australiano, junto com Max, formava uma das duplas mais fortes da competição. Não havia motivos para um tratamento desigual no trato com os pilotos, apesar das negativas oficiais da Red Bull nesse sentido, embora, na prática, todo mundo visse que Daniel começava a se ver escanteado dentro da escuderia, ainda que de maneira sutil, mesmo tendo melhores resultados. Portanto, não se pode culpar Ricciardo por tentar apostar em outras paragens, diante das perspectivas de não ver sua posição valorizada dentro da Red Bull, que passou a enxergar apenas Max Verstappen dali em diante, ainda mais passando pano para suas estripulias na pista, mesmo quando ele ferrava com tudo na pista.

            Afinal, a vida é feita de apostas, certas ou erradas. Na teoria, seria dar um passo para trás e depois dar novos passos à frente. Àquela época, a Renault tinha um projeto bem mais definido de querer voltar a ser protagonista na F-1, tanto que resolveu até encerrar seu projeto na Formula-E, para se concentrar apenas na categoria máxima do automobilismo. Mas é claro que ainda assim, comparado à forma da Red Bull, os resultados decairiam. Ricciardo teve alguns problemas de adaptação no seu primeiro ano no time francês, mas assumiu a liderança do time, e melhorou muito em 2020. Mas viu que as promessas de evolução do time, bem como de seu propulsor, não viriam da maneira como se esperava, com a Renault a começar a errar em seus trabalhos para de fato voltar a ser uma força real na F-1. Então, mudou-se para um time de potencial declarado muito maior, a McLaren. E foi no time de Woking que infelizmente as coisas começaram a desandar, ao invés do piloto voltar a crescer como se esperava.

Na chegada à Red Bull em 2014, desbancou ninguém menos que o tetracampeão Sebastian Vettel, surpreendendo a todos.

            O confronto com Lando Norris foi desfavorável ao australiano, que teve como único ponto positivo o triunfo no GP da Itália de 2021, um resultado circunstancial, mas que serviu de compensação em um ano onde Ricciardo não se adaptou ao carro, situação que foi até enfatizada por Norris ao afirmar que o bólido laranja era mesmo complicado de se conduzir. Mas, em 2022, com a estréia de um novo regulamento técnico, com o retorno do efeito-solo, o que deveria ter sido o momento de virada para o australiano, onde todo mundo começaria com carros novos, em supostas igualdades de condições entre todos eles, tentando entender os novos carros, confirmou-se exatamente o oposto. O desempenho de Ricciardo despencou ainda mais, a ponto de a McLaren resolver encerrar prematuramente o seu contrato que previa três temporadas, dispensando-o ao final do ano, após apenas dois no time, substituindo-o por um conterrâneo, Oscar Piastri, numa negociação meio complicada com a Renault, mas que foi assumida pela McLaren, para dar uma amostra de quão desiludida ela ficou com Daniel.

            O mundo do automobilismo por vezes é imprevisível. E em determinados momentos, mesmo certas condições de estabilidade não são suficientes para contemplar as necessidades de um piloto. Todos fazem escolhas, algumas óbvias, outras mais arriscadas. Algumas dão certo, outras não, e em alguns casos, algumas decisões acabam sendo até catastróficas, arruinando a carreira de um competidor. Mas é fácil falar depois de um tempo, enquanto na época, certas condições davam até razão para se avalizar algumas destas decisões. Mas é claro para muitos afirmarem que Ricciardo errou ao deixar a Red Bull. Só que não dá para acusar apenas o australiano por isso, dada a maneira como o time passou a dar pano ilimitado para Verstappen como andava fazendo. Mas é claro que ele também poderia ter comprado a briga, e quem sabe, até mesmo colocado a condição do holandês em dificuldades, uma vez que, mesmo sendo um talento muito maior, o australiano dava combate a Max dentro do time. Resta saber como isso se daria, e o quanto ele conseguiria manter a luta em equilíbrio, ou não. De qualquer forma, nunca saberemos. E para a Red Bull, a contragosto ou não, eles tiveram uma certa “paz” na escuderia, pois os substitutos de Ricciardo desde então nunca andaram perto de Verstappen como o australiano conseguia fazer. Tivesse mantido o duelo, sabe-se lá quão tumultuado o ambiente na escuderia dos energéticos poderia ter ficado com essa disputa interna. Ele quis tentar algo diferente. Infelizmente, não deu certo. Mas, e se tivesse dado? Tudo são escolhas. Da mesma maneira quando Lewis Hamilton trocou a McLaren pela Mercedes em 2013, muitos disseram que era uma loucura, mas no caso dele, deu certo. Mas poderia ter dado errado também. E vamos lembrar que naquela época a McLaren era um time muito mais forte que a Mercedes. Quem poderia imaginar que a situação se inverteria como ocorreu algum tempo depois? No caso de Ricciardo, não deu, e eis que ele deixou a McLaren completamente desacreditado.

As estripulias de Max Verstappen, que não se importava nem em atropelar o próprio companheiro de equipe numa corrida, pesou na insatisfação do australiano para com o time, que tolerava as confusões do holandês em demasia para seu gosto.

            Fora da F-1, Daniel ainda deu sorte de voltar à Red Bull, mesmo que apenas como piloto de testes, já que o time dos energéticos raramente dava segundas chances a seus pilotos. E foi em um destes trabalhos como piloto de testes que Ricciardo aparentemente mostrou que ainda poderia ser o piloto que era nos velhos tempos da escuderia austríaca, que resolveu dispensar Nyck de Vries da Alpha Tauri e colocar o australiano lá como um teste para ver se ele ainda poderia ser de fato o piloto que andava no nível de Verstappen anos antes. Sergio Perez tinha um momento fraco na competição no time principal, mesmo com o carro dominante da escuderia, e poderia ser substituído por Daniel para 2024, se o australiano se mostrasse capaz. De fato, uma chance que não se poderia desprezar. Seria a oportunidade de redenção de Ricciardo? Ele voltaria a ser o piloto de antes, ou a forma demonstrada na McLaren, menos vistosa e eficiente, ainda se manteria?

            O resultado foi duvidoso. Primeiro porque, ao sofrer um acidente e machucar o pulso em uma batida em Zandvoort, Ricciardo teve de ficar de fora de várias corridas, o que complicou sua situação. A Red Bull teve de lançar mão de Liam Lawson, que se mostrou combativo nas corridas que disputou ao lado de Yuki Tsunoda, chegando até a pontuar. No seu retorno, Ricciardo teve como ponto positivo apenas o GP do México, onde teve grande atuação, mas que acabou devendo nas demais provas. O resultado foi que Perez acabou mantido para 2024 na Red Bull, e Ricciardo, com um resultado inconclusivo, ganhou uma chance mais efetiva sendo mantido na Alpha Tauri este ano, com vistas a ser novamente avaliado, em caso de nova queda de performance de Sergio Perez.

            E, lamentavelmente, o australiano perdeu o duelo para Tsunoda, que apesar de estar pilotando bem, nunca foi considerado um talento diferenciado pela Red Bull. E essa medida com o japonês foi o prego no caixão de Ricciardo, que até durou bastante na Alpha Tauri, mas viu suas chances chegarem ao fim justamente por causa de uma situação similar este ano ao que promoveu seu retorno no ano passado. A situação de Perez na Red Bull para 2025 é incerta, e o time precisava fazer nova avaliação sobre Lawson, para ver quem será titular no próximo ano, ao lado de Max Verstappen. E Daniel, pura e simplesmente, não se mostrou mais o piloto que era quando defendia a Red Bull de 2014 a 2018. Infelizmente, ele não conseguiu aproveitar a chance que lhe foi dada, em que pese os azares e percalços que passou. Para muitos, ele teve até muito mais chances do que deveria por parte da Red Bull, que já rifou vários pilotos por muito menos em sua história na F-1.

            E assim, até o presente momento, Daniel Ricciardo despediu-se da F-1 com um currículo até bem razoável, com 8 vitórias, 3 pole-positions, 1329 pontos marcados, e 17 voltas mais rápidas, em um total de 258 GPs na competição. Ele já declarou que não pretende voltar à posição de piloto de testes da Red Bull, e no momento, a equipe dos energéticos estuda tê-lo como embaixador da escuderia, ainda demonstrando apreço pelos serviços que ele prestou, algo até raro diante do retrospecto do time para com seus pilotos. Não se pode ignorar seu histórico: de todos os pilotos da Red Bull em seu histórico na F-1, Ricciardo fica atrás apenas de Max Verstappen e Sebastian Vettel, que foram campeões pela escuderia. No time principal, apenas os três pilotos, além de Sergio Perez, venceram corridas pela escuderia. Em termos de popularidade, Ricciardo conquistava a todos pelo seu sorriso fácil e extremo carisma, algo que certamente era muito bem valorizado pelo pessoal da Red Bull, talvez por isso a paciência que tiveram com ele nesta nova chance.

            Mas, diante das necessidades da escuderia, apenas carisma e popularidade não são suficientes. E a velocidade que faltou a Ricciardo, especialmente no confronto interno com Yuki Tsunoda, foi fatal. E nada havia a ser feito quanto a isso. Assistimos ao ocaso de um piloto que já foi considerado um campeão em potencial, se tivesse a chance. Mas a história da F-1 está cheia de pilotos com as mesmas características, que prometiam muito, mas nunca chegaram lá. Daniel não foi o primeiro, e dificilmente será o último nesta relação de grandes talentos que, pelas mais diversas razões, não conseguiram vingar como se esperava.

Na McLaren, o último bom momento de Daniel Ricciardo, com a vitória no GP da Itália de 2021, um resultado circunstancial que nunca mais se repetiu (acima e abaixo).


            Difícil dizer onde Ricciardo se perdeu. Alguns pilotos perderam performance e desempenho depois de sofrerem alguns acidentes fortes na carreira, mas isso não é o caso do australiano. As novas regras técnicas a partir de 2022, com a introdução dos novos carros de efeito-solo, podem ser uma explicação para o fato de ele não conseguir mais andar com o mesmo empenho. Helmut Marko disse que Daniel perdeu seu “instinto assassino” de pilotagem, aquela agressividade que todo piloto precisa ter na busca de performance. E claro, temos também a idade, embora isso seja algo relativo, variável de piloto a piloto. Com 35 anos, Ricciardo era um dos mais velhos do grid, ainda que essa idade não seja tão limitadora. Fernando Alonso, com mais de 40 anos, ainda pilota em nível extremamente alto, assim como Lewis Hamilton, o segundo piloto mais velho do grid. Mas eles são exceções à regra no ranking de talentos do grid da F-1, uma classe à qual Daniel nunca foi exatamente considerado, ainda que viesse a ser campeão com todos os méritos.

            Em um momento onde a F-1 toma a medida cretina de praticamente proibir a entrada de novos times na competição, pelos motivos mais vergonhosos possíveis, infelizmente o número de vagas diminui, o que também compromete a ascenção de novos talentos no grid, por mais vencedores e talentosos que possam ter sido nas categorias de acesso, inflamando uma legião de fãs para os quais pilotos como Ricciardo passaram a ser nada mais do que “pesos mortos” no grid, e portanto, defendendo a expulsão deles de todos os times, a fim de dar lugar a pilotos “de verdade” (alguns mais exagerados falam isso), como se eles não fossem mais pilotos de competição.

            Mas o mundo do automobilismo é amplo e vasto. Daniel Ricciardo pode ter encerrado sua passagem como piloto pela F-1, mas não no mundo do automobilismo, onde pode tentar se acertar em outras categorias de competição, dando um novo rumo à sua carreira, e quem sabe, encontrar sua redenção em outro lugar, como tantos ex-pilotos de F-1 já fizeram em tempos passados. Indycar, IMSA, WEC, DTM, há muito lugar por aí onde o australiano pode dar sequência à sua carreira, e ser relativamente feliz. E ter um final de carreira mais digno. Não se pode dizer que apenas os campeões possam ter tido carreiras de sucesso. Mas cabe a cada um conseguir fazer o seu melhor, seja por onde puder competir.

            Boa sorte a Ricciardo em tentar achar um novo lugar para competir, e que aceite pelo menos ser embaixador da Red Bull, num raro reconhecimento do time à sua contribuição na escuderia dos energéticos. Que consiga dar um fim digno à sua carreira, como muitos fizeram.

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

FLYING LAPS – SETEMBRO DE 2024

            Já chegamos ao mês de outubro, e praticamente metade do segundo semestre de 2024 já se foi, e entramos na reta final do ano, seguimos firme com vários campeonatos do mundo da velocidade ocorrendo mundo afora, com várias disputas entre os seus pilotos e times. E, todo início de mês é hora de mais uma edição da Flying Laps, recapitulando alguns dos acontecimentos ocorridos neste mês de setembro, com menção especial à MotoGP, cujo campeonato segue pegando fogo, com comentários rápidos a respeito dos tópicos, como é de costume neste espaço. Uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps, no início de novembro, seguindo firme no último trimestre do ano, com um relato de alguns dos acontecimentos deste mês de outubro, com muita água ainda prometendo rolar por baixo da ponte em se tratando de acontecimentos no mundo das corridas...

A MotoGP oficializou o seu calendário para a temporada de 2025. Serão 22 etapas, todas com corridas sprints, a exemplo do que tem sido feito desde o ano passado. Entre as confirmações, a etapa da Índia realmente não voltará a competição, pelo menos no próximo ano. Ameaçado, Portugal conseguiu se manter no calendário, mas ficará para o fim do ano, antecedendo a etapa final da competição, em Valência, otimizando o deslocamento do pessoal. Várias etapas tiveram suas datas alteradas, de forma a deixar o encaixe entre as corridas mais fluido e menos desgastante. Entre as novidades, a volta da etapa da República Tcheca, na pista de Brno, e a entrada, enfim da nova pista da Hungria na competição, no circuito de Balaton. Quem também retorna é a etapa da Argentina, que acabou cancelada este ano diante dos percalços junto ao novo governo, mas que está garantido no próximo ano. Confiram as datas e etapas da temporada 2025 da classe rainha do motociclismo: 02.03 – Tailândia (Circuito Internacional de Chang); 16.03 – Argentina (Termas de Río Hondo); 30.03 – Estados Unidos (Circuito das Américas); 13.04 – Qatar (Circuito Internacional de Lusail); 27.04 - Espanha (Circuito de Jerez de La Frontera); 11.05 – França (Le Mans); 25.05 - Grã-Bretanha (Circuito de Silverstone); 08.06 -         Aragón (MotorLand Aragón); 22.06 – Itália (Autódromo Internacional de Mugello); 29.06 – Holanda (Circuito de Assen); 13.07 – Alemanha (Sachsenring); 20.07 - República Tcheca (Automotodrom Brno); 17.08 – Áustria (Red Bull Ring-Spielberg); 24.08 – Hungria (Circuito de Balaton Park); 07.09 – Catalunha (Circuito de Barcelona); 14.09 - San Marino e Riviera de Rimini (Circuito Mundial de Misano); 28.09 – Japão (Twin Ring Motegi); 05.10 – Indonésia (Circuito Internacional Pertamina Mandalika); 19.10 – Austrália (Circuito de Phillip Island); 26.10 – Malásia (Circuito Internacional de Sepang); 09.11 – Portugal (Autódromo Internacional do Algarve); 16.11 - Comunidade Valenciana (Circuito Ricardo Tormo).

 

 

A classe rainha do motociclismo também fechou o seu grid para a próxima temporada. Faltava apenas um lugar ainda vago, na Pramac, que já tinha acertado com Miguel Oliveira, e agora fechou sua dupla titular com o australiano Jack Miller, ex-KTM, que assim, se manteve no grid da MotoGP para 2025. Quem dá adeus ao grid é Takaaki Nakagami, que vinha defendendo a equipe LCR, satélite da Honda nos últimos anos. O time continuará com Johaan Zarco, mas para o lugar do japonês terá a estréia do tailandês Somkiat Chantra. Nakagami ficará como piloto de testes da escuderia. Já Chantra vem de uma carreira até demasiado longa da Moto2, onde já disputou seis temporadas, sem exibir grande destaque na competição. Quem também fechou sua formação para o próximo ano é a Gresini, que terá a estréia de Fermín Aldeguer. A Trackhouse também definiu seus pilotos, e além de continuar com Raul Fernandez, terá a estréia do japonês Ai Ogura, depois de 4 temporadas disputando a Moto2, onde é o líder do campeonato no presente momento, mantendo a presença de um piloto japonês no grid da competição. Entre as novas formações do grid, destaque para a Tech3, time satélite da KTM, que contará com dois pilotos que já venceram corridas, e estiveram em times de fábrica oficiais: Maverick Vinalez, que já defendeu Suzuki, Yamaha, e Aprilia; e Enea Bastianini, que correu os dois últimos anos no time oficial da Ducati. Yamaha e Honda mantiveram suas atuais duplas para a próxima temporada.

 

 

E a MotoGP segue assistindo ao duelo entre Jorge Martin e Francesco Bagnaia. Na segunda prova realizada em Misano, Bagnaia levou a melhor na corrida Sprint, enquanto o espanhol da Pramac ficou em 2º lugar. Enea Bastianini fechou com o 3º lugar, enquanto Marc Márquez foi o 4º colocado. Já na corrida principal, Bagnaia infelizmente sofreu uma queda a poucas voltas do final, e abandonou a prova, oferecendo a Martin a chance de deslanchar ainda mais na liderança do campeonato da classe rainha. Mas o piloto da Pramac viu seu triunfo ser arrancado no final da prova com uma ultrapassagem agressiva de Bastianini, que com isso garantiu mais um triunfo para o time de fábrica da marca italiana, que aliás, foi a 100ª vitória da Ducati na MotoGP, o que deu um significado todo especial por ter sido conquistada em uma pista italiana, e ainda por cima, com um piloto italiano, e com o time oficial de fábrica, algo que não teria o mesmo efeito se tivesse vindo por um de seus times satélites. Mas, diante deste momento de festa, Jorge Martin disparou contra Bastianini, uma vez que na ultrapassagem, o italiano do time oficial acabou se encontrando com Martin, que tentou retomar a trajetória quando Enea já havia ocupado espaço. O encontro de ambos acabou fazendo com que Martin fosse para fora da pista, como tentativa de evitar de cair. Com isso, Jorge terminou em 2º lugar, e o pódio foi completado por Marc Márquez, da Gresini, em mais uma excelente corrida da “Formiga Atômica”. Mas Martin disparou também contra a MotoGP, por ter deixado a ultrapassagem sem uma punição, que na opinião dele foi forçada demais. Mas a direção de prova tratou como simples incidente de corrida. Martin abriu uma brecha, e Enea, que vinha embutido na traseira do espanhol, simplesmente entrou por dentro. Martin tentou fechar a porta, e aí ambos se tocaram, no que o piloto da Pramac precisou abrir a trajetória e sair da pista para não cair, enquanto Bastianini seguiu firme para vencer a corrida. A decisão foi correta, a meu ver. Curiosamente, um dos que apoiaram a visão de Jorge Martin foi justamente Marc Márquez, que cansou de fazer ultrapassagens neste mesmo estilo, atirando-se contra os oponentes, e forçando-os a sair da frente para evitar uma colisão. De qualquer forma, com o resultado da segunda etapa em Misano, Jorge Martin abriu nada menos que 24 pontos para Francesco Bagnaia na disputa pelo título, em um momento onde o bicampeão não pode se dar ao luxo de jogar resultados fora como ocorreu nesta prova. Ele tinha tudo para fechar o pódio, mas a queda, segundo ele, foi estranha, por não ter feito nada de anormal na pilotagem.

 

 

Curiosamente, sobre a performance de Francesco Bagnaia na segunda prova em Misano, a meio da corrida seu desempenho caiu estranhamente, para depois ele recuperar o ritmo, mas meio que já sem chances de alcançar Jorge Martin, ou mesmo Enea Bastianini. A Michelin, fornecedora dos pneus, também não conseguiu achar algo que justificasse a queda de rendimento do italiano, que estranhou o comportamento dos pneus de sua moto em determinado momento da corrida. Não é a primeira vez que algo assim acontece, mas Bagnaia preferiu apenas apontar que as coisas ficaram estranhas, precisando ser estudada a situação. Já Jorge Martin, quando passou por situação parecida no ano passado, saiu acusando a fabricante de pneus de jogar a favor do time de fábrica da Ducati, insinuando que a fornecedora de pneus esta tomando partido de Bagnaia na disputa pelo título. Nada de estranho foi encontrado na época, e a própria fabricante alegou que podem haver situações estranhas de vez em quando na performance dos pneus, a depender do ajuste da moto, e das condições de pista e de corrida, algo que pode ter acontecido desta vez com Bagnaia. Mas o italiano preferiu não polemizar sobre o assunto, preferindo tocar a vida a seguir.

 

 

Mas, nada como uma no cravo, outra na ferradura. E na chegada da MotoGP à Ásia, no GP da Indonésia, eis que foi Jorge Martin a errar feio logo na primeira volta da prova Sprint na pista de Mandalika. O espanhol da Pramac começou o fim de semana disposto a mandar ver para abrir ainda mais na liderança do campeonato, e para isso, marcou a pole-position na etapa, com um novo tempo recorde para a pista. Francesco Bagnaia parecia incapaz de fazer frente ao rival, mas fez uma boa largada, e já se posicionou logo atrás de Martin na briga pela liderança da corrida, até que o piloto da Pramac caiu sozinho na curva 16. Ele ainda deu sorte, e conseguiu voltar à prova, ainda que em último lugar, mas perdeu a chance de controlar a vantagem para o bicampeão, que venceu a corrida curta, e reduziu pela metade sua desvantagem na pontuação. Enea Bastianini fechou a dobradinha do time oficial da Ducati, enquanto Marc Márquez fez mais uma vez uma boa prova, largando a meio do grid, para terminar em 3º lugar. Na corrida principal, contudo, os ventos foram mais favoráveis a Jorge Martin, que largou na frente, e desta vez por lá ficou. Bagnaia fez uma largada ruim e precisou recuperar terreno com um desempenho que não era dos melhores. E pelo menos, conseguiu minimizar o prejuízo, com o 3º lugar do pódio, o que fez com que sua desvantagem aumentasse para 21 pontos. Pedro Acosta, depois de várias corridas com resultados ruins, voltou ao pódio com uma bela 2º colocação. E desta vez, quem caiu sozinho durante a corrida foi Enea Bastianini, que ainda tentava uma aproximação à dupla de postulantes ao título. A corrida da Indonésia, aliás, foi uma prova de sobrevivência, onde apenas 12 pilotos receberam a bandeirada. Logo na largada, quatro competidores ficaram fora da prova numa carambola, e durante a corrida, mais alguns pilotos ficaram pelo meio do caminho. Marc Márquez, por exemplo, viu sua Ducati pegar fogo, e teve de abandonar a corrida vendo o clima esquentar feio para o seu lado. A próxima corrida da MotoGP é no dia 6 de outubro, com a etapa do Japão, na pista de Motegi, e seguiremos vendo os próximos rounds do duelo na briga pelo título da temporada entre Jorge Martin e Francesco Bagnaia. Erros de um lado e de outro, vencerá quem conseguir errar menos. E o páreo está complicado, e sem favoritismo de nenhum dos lados. E A Ducati também já avisa: não irá interferir na luta, de modo a favorecer seu time de fábrica, de modo que a Pramac e Jorge Martin lutarão com as mesmas armas que Francesco Bagnaia no time oficial da Ducati. O que pode favorecer Bagnaia é o fato de ter um companheiro de time, Enea Bastianini, que está andando muito mais forte do que o companheiro de Martin na Pramac, o ítalo-brasileiro Franco Morbidelli, que apesar de estar crescendo de produção nas provas mais recentes, não tem conseguido ficar próximo de Jorge para poder ajuda-lo na pista. Por outro lado, o papel de Bastianini pode ser relativizado, já que ele está de saída da Ducati, e portanto, pode não ser tão suscetível a auxiliar Bagnaia numa eventual briga pelo título com Martin. Em outras palavras, o duelo deve continuar sendo homem a homem, entre Martin e Bagnaia. E que vença o melhor...

 

 

Na Formula-E, a equipe ABT fechou a contratação de Zane Maloney para ser o companheiro do brasileiro Lucas Di Grassi na próxima temporada da categoria de carros monopostos 100% elétricos. Maloney entra no lugar de Nico Muller, que foi para o time da Andretti. Agora, resta apenas a ERT que ainda não confirmou sua dupla titular para o próximo campeonato, mas há boas chances de manter seus pilotos das últimas duas temporadas, Dan Ticktum, e o brasileiro Sergio Sette Câmara, ainda mais agora que o time chinês firmou acordo para receber os trens de força da Porsche, ainda que em versão mais antiga do que a que será utilizada pela Andretti e pelo time oficial da marca. Mesmo assim, os equipamentos defasados da marca alemã deverão proporcionar mais competitividade do que o trem de força usado pela equipe nos últimos anos, que foi um dos mais fracos e ineficientes do grid da competição. Curiosamente, a Porsche já tinha se manifestado pela recusa em fornecer seu trem de força a mais de dois times na competição, quando a ABT tentou negociar o uso do equipamento da marca alemã. A Porsche aparentemente voltou atrás, mas mesmo assim, apenas para fornecer uma versão anterior de seu trem de força, provavelmente a usada para fazer Pascal Wehrlein ser campeão este ano, o que não deixa de ser um equipamento a ser desprezado.