quarta-feira, 6 de setembro de 2023

FLYING LAPS – AGOSTO DE 2023

            E já estamos no mês de setembro, seguindo firme pelo segundo semestre do ano de 2023. Portanto, hora de relacionar aqui alguns acontecimentos do mês de agosto, em mais uma edição da sessão Flying Laps, como é de praxe no início de cada mês, sempre com alguns comentários rápidos sobre os eventos citados. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps no início do próximo mês, já em outubro, já avançando firme rumo ao fim de 2023...

Campeonato encerrado, a Formula-E inicia sua preparação para a temporada de 2024, e isso inclui algumas mudanças de pilotos para o próximo campeonato. Como era de se esperar, a Nissan resolveu não renovar o contrato de Norman Nato, apesar dos melhores resultados do piloto na temporada deste ano, preferindo manter Sacha Fenestraz para o próximo ano. E o novo companheiro dele será alguém já familiar à escuderia: Oliver Rowland, que havia rescindido seu contrato com a Mahindra a meio da última temporada, desgostoso com a pouca competitividade da equipe indiana. Rowland venceu sua única corrida na F-E pela equipe Nissan, e agora retorna para tentar renascer sua carreira no certame, depois da má experiência da passagem pela Mahindra. Mas não é apenas a Nissan que recebe de volta um antigo piloto. A Envision, que perde Nick Cassidy para a Jaguar no próximo ano, terá de volta Robin Frijns, que volta ao antigo time depois de uma passagem sem nada a comemorar pela ABT, cujo desempenho na temporada 2023 também foi sofrível, devido ao pouco competitivo trem de força da Mahindra, que também afetou negativamente o desempenho da escuderia, de volta ao grid da categoria de carros monopostos elétricos depois da saída da parceira Audi. Frijns terá Sébastien Buemi como companheiro de equipe na Envision em 2024, e espera-se que o piloto suíço recupere sua forma, depois de ter sido amplamente batido por Cassidy na temporada deste ano, com o neozelandês inclusive sendo vice-campeão, com 4 vitórias na temporada, enquanto Buemi segue sem vencer há algumas temporadas. E a McLaren, que estreou este ano na competição, também terá novidades no seu time: Jake Hughes foi mantido na escuderia, que terá como reforço o inglês Sam Bird, que perdeu seu lugar na Jaguar diante dos maus resultados demonstrados este ano no time, em comparação com o parceiro Mith Evans. René Rast, que defendeu a equipe, já tinha planos para o DTM e Mundial de Endurance, que eram suas metas para 2024, sendo certa sua saída do time. O Mundial de Endurance, por sua vez, também é o destino de André Lotterer, que deixou o time da Andretti, onde ficou muito abaixo de Jake Dennis, que se sagrou campeão da temporada. Ainda há algumas escuderias que não confirmaram suas duplas de pilotos para a próxima temporada, o que não deve demorar muito para ocorrer, já que a pré-temporada de 2024 já foi definida para o fim do mês de outubro, mais uma vez no Circuito Ricardo Tormo, em Valência, na Espanha, e todos os times deverão finalizar seus titulares até a presente data, para iniciarem os trabalhos de preparação da nova temporada.

 

 

Lucas Di Grassi e Sergio Sette Câmara já estão com suas presenças em 2024 garantidas na F-E, onde continuarão defendendo seus atuais times, a Mahindra e a NIO, respectivamente. Depois de uma temporada sem quase nenhum resultado positivo, Lucas espera que a Mahindra recupere seu desempenho para o próximo ano, possibilitando lutar por melhores resultados. A parceria com a ABT, que deveria agilizar os trabalhos de desenvolvimento do trem de força indiano não deu os resultados esperados, muito pelo contrário, a ABT foi puxada para o buraco de desempenho deficitário da Mahindra, terminando a temporada como pior time do grid. Já a NIO teve alguns momentos de bom desempenho, mas não conseguiu uma constância de resultados, e Sergio acabou mais afetado por isso do que seu companheiro de time Dan Ticktum, que terá o piloto brasileiro novamente como companheiro de equipe. Já a Mahindra ainda não definiu quem será o companheiro de Di Grassi na próxima temporada. E quem pode engrossar o grid no próximo ano é Felipe Drugovich. O piloto, que começa a ter seu nome ventilado para ser o possível substituto de Guanyou Zhou na Sauber no próximo ano, ainda está no radar dos times da Maserati e Andretti para a próxima temporada da F-E, já que impressionou positivamente nos testes de que participou com o carro da equipe italiana, e teoricamente, terá muito melhores condições de competição na F-E do que na F-1, já que o desempenho da Sauber na temporada deste ano vem sendo das mais fracas, enquanto os times que podem contar com Felipe na F-E tem potencial para vencer corridas e até batalhar pelo título. As chances são maiores na Andretti do que na Maserati, mas conforme mencionado, os times devem decidir logo suas duplas de pilotos para 2024, a fim de estarem já completos para iniciar os treinos da pré-temporada na pista de Valência no final de outubro.

 

 

Álex Márquez, irmão caçula do hexacampeão Marc Márquez, conseguiu vencer pela primeira vez na MotoGP, mesmo que sendo uma corrida Sprint, no caso, a do GP da Inglaterra, em Silverstone, no retorno das férias de verão da classe rainha do motociclismo. Álex, que deixou a LCR para competir pela Gresini, um dos times satélites da Ducati, largou na 3ª posição e travou um duelo renhido com Marco Bezzecchi, da VR46, pelo degrau mais alto do pódio da prova curta, com o pódio sendo completado por Maverick Vinãlez, da Aprilia. Já na corrida principal, quem brilhou foi a Aprilia, que tendo sido uma das sensações da temporada passada, vinha devendo na temporada 2023 da MotoGP, ficando bem abaixo das expectativas. Mas em Silverstone, a dupla da marca italiana pareceu voltar aos tempos impressionantes de 2022, e Aleix Spargaró travou um duelo ferrenho com Francesco Bagnaia pela vitória, com o piloto da Aprilia conseguindo roubar a liderança do atual campeão da classe rainha praticamente na última volta, para sacramentar seu primeiro triunfo na temporada, e a segunda vitória dele e da Aprilia na MotoGP. O pódio foi completado por Brad Binder, da KTM. O bom momento da vitória da Aprilia foi reforçado com o 4º lugar de Miguel Oliveira, da RNF, time satélite da marca italiana, enquanto Maverick Viñalez terminou em 5º lugar. E Marc Márquez continuou com sua sina de não completar as corridas principais na temporada, tendo tido outro abandono por tombo, o que já deixa ainda mais complicada sua relação com a Honda, time pelo qual foi seis vezes campeão, mas que não consegue apresentar evolução na atual temporada da classe rainha do motociclismo.

 

 

Se perdeu a chance de vencer em Silverstone, na etapa seguinte, em Zeltweg, na Áustria, Francesco Bagnaia tratou de mostrar que a pista da Estíria é território da Ducati pra ninguém botar defeito. E o atual campeão mostrou isso vencendo em dose dupla, tanto a prova Sprint como a corrida principal, no domingo. E marcando a pole-position das duas provas. Na corrida curta, o piloto da Ducati teve um duelo com Brad Binder, da KTM, que tentava dar ao time da casa a honra de vencer em terras austríacas. E, na prova principal, Binder foi novamente o maior desafiante ao domínio de “Peco” no fim de semana. Mas, por mais que tentasse, o atual campeão mundial dominou as duas provas, liderando desde o início, sem cometer erros, e também sem forçar demais, preferindo abrir uma vantagem paulatinamente, conservando o equipamento para manter o ritmo constante, enquanto Binder não conseguiu manter a pressão conforme as corridas avançavam. Na corrida Sprint, Jorge Martin, da Pramac, fechou o pódio com a 3ª colocação, garantindo à Ducati a presença de dois pilotos no pódio austríaco. Já na prova principal, o pódio foi fechado por Marco Bezzecchi, da VR46, outro time satélite da Ducati, que mais uma vez fez maioria no pódio. Depois de brilhar em Silverstone, a Aprilia não foi capaz de repetir a performance na Áustria, tendo ficado sem conseguir disputar a vitória. De positivo, Marc Márquez finalmente recebeu a bandeirada de uma prova aos domingos na temporada 2023, com a “Formiga Atômica” finalizando a corrida na 12ª colocação, colocando um fim aparentemente à rotina de quedas nas provas principais. O resultado da prova da Áustria deixou Francesco Bagnaia, do time oficial da Ducati, com uma grande folga na liderança do campeonato, com 251 pontos, contra 189 de Jorge Martin, da Pramac, time satélite da Ducati. Marco Bezzecchi, da VR46, outro time satélite dos italianos, é o 3º colocado, com 183 pontos. Brad Binder, da KTM, é o 4º colocado, com 160 pontos. Johaan Zarco, da Pramac, ocupa a 5ª posição, com 125 pontos, seguido de Luca Marini, da VR46, com 120 pontos, em 6º lugar. Apesar da vitória na Inglaterra, Aleix Spargaró, da Aprilia, é apenas o 7º colocado, com 117 pontos.

 

 

E o mercado de pilotos da MotoGP começa a se movimentar para 2024. A Yamaha confirmou que não renovará o contrato de Franco Morbidelli para a próxima temporada, e já anunciou a contratação de Álex Rins para seu lugar. Rins segue fora das últimas corridas, ainda se recuperando de um acidente sofrido na etapa de Mugello, mas já haviam sinais de que ele não permaneceria na LCR para 2024, e os sinais de que poderia seguir para o time dos três diapasões vinham se fortalecendo nas últimas semanas. O destino de Morbidelli deve ser a Pramac, que já confirmou a permanência de Jorge Martin no próximo ano, mas dispensou Johaan Zarco, que por sua vez, já anunciou sua ida para a LCR. O francês tinha uma opção de renovação com a Ducati, mas este não o interessava porque a marca italiana tinha planos de deslocá-lo para competir no Mundial de Superbike, enquanto a Honda ofereceu um contrato de dois anos na LCR, com extensão de mais um ano, a depender dos resultados. Na Yamaha, Fabio Quartararo ainda não se sente motivado a seguir com a escuderia, diante dos maus resultados da atual temporada, e poderia resolver mudar de ares já em 2024. Da mesma maneira, na Honda, apesar de garantir que tem um contrato a cumprir, ninguém sabe se Marc Márquez se manterá no time, ainda que boatos de ida para a KTM, marca que o hexacampeão já andou elogiando, tenham sido desmentidos. E uma vaga potencialmente disputada seria na Gresini, que até o presente momento tem garantido apenas Álex Márquez para o próximo ano, sem ter definido quem será o outro piloto da escuderia satélite da Ducati. Muita água ainda pode correr nas próximas semanas, ainda mais com a perspectiva dos testes de Honda e Yamaha com protótipos de suas máquinas para o ano que vem, que devem ter importância fundamental para as pretensões de Fabio Quartararo e Marc Márquez na competição.

 

 

Hélio Castro Neves vai encerrar sua participação como piloto de temporada completa na Indycar. O piloto brasileiro, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 4 edições, está assumindo uma posição de sócio no time da Meyer Shank, que lhe garantirá um carro extra para que Hélio possa continuar disputando a Indy 500 em 2024, com o objetivo de alcançar uma inédita 5ª vitória na famosa corrida, o que faria do brasileiro o maior vencedor da história da Brickyard Line. Hélio assumirá uma posição minoritária na participação acionária do time, tornando-se também embaixador da escuderia. Hélio não estará pendurando o capacete, já que além de continuar disputando as 500 Milhas de Indianápolis, ele também seguirá participando de algumas provas do IMSA Weather Tech Sportscar, o campeonato de Endurance dos Estados Unidos, como as 24 Horas de Daytona, prova que já venceu competindo pela própria Meyer Shank este ano. Helinho estreou pela escuderia na Indycar em 2021, justamente nas 500 Milhas de Indianápolis, e surpreendeu vencendo a corrida, na única vitória da Meyer Shank até hoje na Indycar. Naquela temporada, o brasileiro ainda disputou mais 5 provas na temporada, sendo que em 2022 ele voltou a competir em toda a temporada da Indycar. Os resultados, contudo, não surgiram como o esperado, e a Meyer Shank estagnou na competição, de modo que Hélio foi apenas o 18º colocado na temporada, com 263 pontos, tendo o 7º lugar na Indy500 como melhor resultado no ano. O único pódio da equipe foi de Simon Pagenaud, que conseguiu um 2º lugar no Grande Prêmio de Indianápolis e terminou o ano em 15º lugar, com 314 pontos. Este ano, o desempenho da equipe caiu ainda mais, e Hélio é apenas o 19º colocado, com 183 pontos, tendo um 10º lugar como melhor resultado, no oval no Texas. Simon Pagenaud é apenas o 28º colocado, com 88 pontos, tendo se ausentado da competição após sofrer um forte acidente em Mid-Ohio onde inclusive capotou com o carro ao escapar da pista. A escuderia desde então tem apelado para pilotos como Tom Blomqvist, Linus Lundqvist e Conor Daly substituindo o lesionado piloto francês, que até o presente momento não retornou.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

O CAOS DE ZANDVOORT

Faça sol ou faça chuva, só dá Max Verstappen na temporada 2023, superando as adversidades na corrida caótica de seu país.

        Não é de hoje que se fala que com chuva, uma corrida adquire outra personalidade, e vimos um exemplo clássico disso domingo passado em Zandvoort, onde São Pedro aprontou novamente das suas, vindo e indo com a chuva e deixando pilotos e equipes desnorteados, resultando por apresentar a melhor corrida de toda a temporada até aqui. Só não foi um caos totalmente completo porque, para variar, Max Verstappen e a Red Bull levaram mais uma, como se fosse a coisa mais natural da temporada, igual a tantas outras provas deste ano, ainda que a situação tivesse ficado complicada em alguns momentos até para o bicampeão holandês, que buscava a terceira vitória consecutiva diante de sua torcida.

        A classificação já tinha sido meio bagunçada pela chuva, que tornava cada ida à pista um verdadeiro salve-se quem puder, já que o asfalto ia ficando mais seco, porém fora do traçado passava a ser extremamente traiçoeiro, o que vitimou alguns pilotos, enquanto outros safaram-se com maestria. E Verstappen, fiel a seu estilo arrojado, botou ordem na casa para arrebatar a pole-position moistrando que nem as incertezas da pista podiam detê-lo. Mas mesmo assim, foi no último momento, quando muitos já achavam que a pole não ficaria com o holandês. E por fim, tivemos a corrida mais agitada do ano até aqui, novamente cortesia de São Pedro mandar água justo para parte da corrida. Não que o perigo não fosse previsto, mas mesmo com todos os recursos que as equipes possuem hoje em dia, não dá para prever tudo. E eis que a chuva vem tão logo a largada é dada, de modo que nem os pilotos completaram a primeira volta e tudo já estava sob chuva forte. E aí, começou a bagunça dos times, que mesmo com todo aquele temporal, erraram feio a hora de chamar seus pilotos para troca de pneus. E isso embaralhou a ordem dos pilotos. Enquanto Sergio Perez, numa chamada de sorte da RedBull, pegou logo pneus intermediários e foi para a ponta, a Mercedes jogou seus pilotos praticamente para as últimas colocações, obrigando-os a ter de remar muito para voltarem à frente, em um circuito onde ultrapassar não era lá um de seus pontos fortes.

        Mas a chuva também permitiu a alguns pilotos mostrarem sua capacidade em piso molhado. Verstappen, obviamente, foi um deles, e mesmo tendo caído para meio do grid, veio passando todo mundo, e lá pelas tantas, já reassumia a liderança, e voltávamos todos à mesmice das demais provas da temporada. Fernando Alonso foi outro, dando um show de pílotagem no molhado, ultrapassando onde bem entendesse. A pancada de chuva havia parado, mas o piso molhado continuava dificultando as coisas, e levou um tempo até se comprovar que os pneus de seco já podiam ser usados, o que amainou um pouco as disputas da corrida. Mas, na parte final, depois das nuvens pesadas ali por perto sempre estarem na ameaça, eis que elas voltaram a despejar água na pista, bagunçando de novo com o andamento da prova, forçando os pilotos a terem de fazer seus malabarismos para não perderem a mão dos carros. Mas claro que, num circuito apertado como Zandvoort, alguém escaparia, e não foi Guanyou Zhou a encher sua Alfa Romeo no muro de pneus da curva Tarzan? Bandeira vermelha, depois de alguma hesitação, e suspensão da prova até o temporal passar, além de resgatarem o carro do chinês e repararem a barreira de pneus. Poderia ter terminado por aí, já haviam cumprido bem mais do que os 75% do percurso da corrida, e dado por encerrado, mas a direção de prova resolveu que todos relargariam para as voltas finais, e tome mais emoção, porque a chuva até diminuiu, mas não parou.

Não demorou nem completarem a primeira volta para a chuva vir e bagunçar com times e pilotos, diante do aguaceiro que desabou sobre Zandvoort.

        E aí, claro, mais disputas. Perez, que fez uma parada tenebrosa com a Red Bull demorando mais de 10s para trocar seus pneus, perdeu a vice-liderança para Alonso, e ainda tomou uma punição por velocidade acima do permitido no box, arruinando suas chances de terminar no pódio. Melhor para o espanhol, que levou a Aston Martin de volta ao pódio pela primeira vez desde o Canadá, e para Pierre Gasly, que numa corrida cheia de altos e baixos, não errou e foi recompensado com um pódio, o seu primeiro pela Alpine. Perez ficou em 4º, enquanto Carlos Sainz salvava a Ferrari de uma humilhação com um firme 5º lugar, defendido a unha contra Lewis Hamilton, que recuperou para 6º. A McLaren, depois de brilhar nos treinos, foi outra que se atrapalhou na estratégia, e poderia ter brigado pelo pódio, tendo de se contentar com um 7º lugar de Lando Norris, enquanto Alex Albon, em outro show com a Williams, finalizou em 8º. Oscar Piastri salvou o 9º lugar para a McLaren, enquanto Esteban Ocón redimiu a Alpine também com o 10º lugar. Todo mundo teve muito trabalho para se segurar na pista, alguns mais do que outros, de forma nem foi possível mensurar direito como cada time voltou das férias de verão, algo que poderemos ver com mais clareza neste fim de semana, aqui na Itália, noi cultuado circuito de Monza.

        A prova de Zandvoort em parte me lembrou de outra prova que virou o caos por causa da chuva, que ia e vinha, e deixava times e pilotos malucos com a instabilidade do tempo, e que a exemplo da prova holandesa deste ano, exibiu também um show de pilotagem, no caso do saudoso Ayrton Senna, na prova do GP da Europa, em Donington Park, em 1993. Naquela corrida, o brasileiro mandou e desmandou na corrida, deixando os rivais da então toda-poderosa Williams, Damon Hill, e principalmente Alain Prost, em situação ridícula, a ponto de o piloto francês só ter assegurado o pódio com a 3º posição devido ao fato de a Jordan ter errado o cálculo de combustível de Rubens Barrichello e o piloto ficar com pane seca a poucas voltas do final, quando tinha tudo para fechar o pódio naquela corrida.

        A chuva ia e voltava naquela prova, e às vezes nem mesmo o piloto tinha trocado de compostos, e já tinha que voltar para o box para efetuar nova troca. Senna, com sua capacidade de pilotagem em piso molhado, fez duas paradas a menos que os rivais da Williams, e chegou a deixar Prost mais de uma volta atrás. Sua primeira volta, tendo caído para 5º na largada, e assumido a liderança já no fim da volta inicial, foi uma das mais impressionantes da história da F-1, perdendo apenas para a primeira volta de Barrichello na mesma prova, onde Rubinho ganhou 8 posições antes de completar o giro inicial, mas acabou ignorado pelas câmeras que estavam focadas apenas em Ayrton.

As equipes ficaram meio perdidas quando a chuva veio, com uma correria nos boxes (acima) que ajudou alguns pilotos e prejudicou outros. Já Fernando Alonso (abaixo) mostrou toda a sua categoria ao dar show e terminar atrás somente de Verstappen.


        Verstappen não deu show semelhante em Zandvoort, mas nem precisava, e só terminou com pouco mais de 3s de liderança sobre um exuberante Alonso porque a prova tinha sido interrompida, devido ao acidente de Zhou, e todo mundo relargou para as voltas finais com pneus iguais, o que não significa que ela não tenha dominado a situação com maestria similar. A F-1 ganhou sua melhor prova do ano graças à chuva, mas precisa resolver o que quer fazer em provas deste tipo, já que muitas vezes acaba até interrompendo uma corrida debaixo de chuva por excesso de prudência, para não mencionar que o regulamento, idiota neste aspecto, proíbe que os pilotos possam ajustar seus carros à condição de pisto molhado, quando fazem a classificação no seco, o que daria maior segurança para eles disputarem no molhado, para não mencionar que a Pirelli precisa melhorar seus compostos de chuva, mas enfrenta dificuldades de cooperação da F-1 e das equipes, com suas regras imbecis de restrição de testes.

        A F-1 já foi mais ousada em provas sob chuva, e os mais prudentes, dizendo que isso não é mais aceitável nos dias de hoje, só procuram desculpas para justificar uma covardia por vezes demasiada das corridas na água, que como podem ver, são capazes de oferecer excelentes provas, desde que se possa competir sem tanto medo de encarar a água, e claro, que se possa oferecer melhores condições de pilotagem aos pilotos, permitindo-lhes acertar o carro para as novas condições de piso molhado quando isso for necessário. Claro que só a chuva não irá transformar as corridas em shows automaticamente, é preciso que ela pegue a todos de surpresa, como ocorreu em Zandvoort, quando em determinados momentos vimos o caos na prova, para que se possa oferecer um espetáculo, e os pilotos justifiquem seus salários na pilotagem em pista molhada.

        Quem sabe a F-1 ainda tome jeito, e assuma os desafios das corridas de chuva com a ousadia necessária para tanto, e volte a nos brindar com estes espetáculos, sem cair na frescurada de parar tudo quando cai um pouco de água nos circuitos? Esperemos, portanto...

 

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E acabou o mistério na Mercedes. O time alemão renovou os contratos de sua dupla de pilotos até o fim da temporada de 2025, de modo que Lewis Hamilton garante mais duas temporadas na categoria máxima do automobilismo, e duas novas chances de tentar buscar o oitavo título e se tornar o maior vencedor da história da F-1 no que tange a campeonatos, estando atualmente empatado com Michael Schumacher neste quesito. O anúncio foi feito nesta quinta-feira aqui em Monza, e comenta-se que o novo contrato dá a Lewis um aumento de cerca de 10 milhões de libras por ano ao que já ganha atualmente no time germânico, o que faria seus rendimentos chegaram à incrível marca de cerca de US$ 50 milhões por ano. E, claro, os haters do piloto, que até se recusam a chamá-lo disso, preferindo termos mais pejorativos como “ativista”, “vegano”, “farsa”, entre outros, não demoraram para criticar a decisão de Toto Wolf, inclusive dizendo que a equipe é “refém” do piloto, e que George Russell “matou” sua carreira a curto prazo na F-1 por ter de se condicionar a ser um mero segundo piloto, entre outras “certezas” de alguns palpiteiros que parecem conhecer o novo contrato dos pilotos melhor do que os próprios e a equipe germânica. Confesso que me dá vontade de rir dessa turma que fez objeto de vida defenestrar Lewis Hamilton, que gostem ou não se tornou um dos maiores nomes do esporte a motor de toda a história, e ganha rios de dinheiro, sem que esse haterismo doente vá fazer o piloto inglês perca o sono. Ninguém é obrigado a gostar de Hamilton, mas a maneira como tentam desmerecer qualquer coisa a seu respeito beira uma obsessão sociopata. Imagino que esta gente vai cair em desespero quando Hamilton pendurar de fato o capacete, pois perderão seu propósito de vida, que é criticar tudo e qualquer coisa que diga respeito ao inglês...

 

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Felipe Drugovich teve nova chance de pilotar para a Aston Martin, ocupando o carro de Lance Stroll no primeiro treino livre neste sábado. Depois de ter seu nome ventilado pelas equipe Maserati e Andretti na Formula-E, o brasileiro passou a ser um nome considerado para a Sauber, que poderia dispensar o chinês Guanyou Zhou da próxima temporada da escuderia, fazendo dupla com o finlandês Valtteri Bottas. A Alfa Romeo, que patrocina e dá nome ao time sediado em Hinwill, vai se tornar o time oficial da Audi em 2026, e até lá, as expectativas de performance da escuderia, que já vem tendo uma temporada muito ruim, não são lá muito animadoras. Como a perspectiva de se tornar titular na Aston Martin são remotas (até porque o time anunciou que Lance Stroll renovou seu contrato para manter a dupla atual do time com Fernando Alonso em 2024, algo tremendamente óbvio), é mesmo bom que Felipe busque novas oportunidades em outros certames, e pela perspectiva, as oportunidades na F-E parecem muito mais palpáveis para o brasileiro, que seja pela Maserati ou Andretti, iria dispôr de carros capazes de vencer corridas no certame dos carros monopostos elétricos, enquanto as chances de a Sauber melhorar seu desempenho para o ano que vem são muito menos críveis. Pode não valer a pena tentar se manter a ferro e fogo na F-1, se tiver chances de correr de forma mais competitiva em outras categorias...

 

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Depois de vencer o GP de Indianápolis 2, Scott Dixon voltou a dar show, agora na prova de Gateway, último circuito oval da temporada 2023 da Indycar, obtendo mais uma vitória, e sendo o único que ainda se mantém na luta pelo título contra Álex Palou, seu companheiro de time na Ganassi, que ainda ostenta folgados 74 pontos de vantagem sobre o neozelandês, e tem boas chances de conquistar o título neste domingo, na pista de Portland, em Oregon. No grid, a Rahal/Letterman/Lanigan terá Juri Vips nas duas etapas finais do campeonato, no carro que era de Jack Harvey até o GP de Indianápolis 2, quando o inglês acabou dispensado. E Simon Pagenaud encerrou sua participação na temporada, ficando de fora mesmo, com a Meyer Shank colocando Tom Blonqvist no carro que era do francês até a etapa de Mid-Ohio, quando ele se acidentou e ficou de fora deste então, com problemas de concussão, tendo sua participação vetade pelos médicos. Linus Lundqvist, que correu algumas etapas no lugar de Pagenaud, já acertou sua posição para 2024, quando assumirá o carro que era de Marcus Ericsson na Ganassi. Ericsson, por sua vez, irá para a Andretti no próximo ano, que até o fechamento desta coluna ainda não havia definido a situação de Romain Grosjean, que pode perder sua vaga na escuderia para a próxima temporada. A corrida de Portland terá transmissão ao vivo pela TV Cultura, e pelo canal pago ESPN4, além do sistema de streaming Star+, a partir das 16:00 Hrs. deste domingo.

A pista de Portland pode ver a decisão do título da temporada 2023 da Indycar.

 

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E a MotoGP acelera firme neste fim de semana, na pista de Barcelona, para o GP da Catalunha. Francesco Bagnaia vem de uma atuação irretocável na pista da Áustria, tendo vencido tanto a prova Sprint quanto a corrida principal no domingo, reafirmando o domínio da Ducati no circuito. Mas agora vamos ver como o atual campeão irá se posicionar no circuito espanhol. As corridas, Sprint e principal, terão transmissão ao vivo pelo canal pago ESPN4, e pelo sistema de streaming Star+, com largada programada para as 10:00 Hrs. no sábado (Sprint) e 09:00 Hrs. deste domingo (corrida principal).