sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

LIÇÕES APRENDIDAS

Uma cena há muito tempo não vista na F-1: A bola de fogo (acima) que envolveu o cockpit da Hass de Romain Grosjean após colidir com o guard-rail na primeira volta do GP do Bahrein (abaixo), com o piloto ainda lá dentro, deixou todo mundo em suspense, enquanto as equipes de socorro tentavam prestar ajuda.


 

            A imagem que ficou do Grande Prêmio do Bahrein, no domingo passado, foi a do pavoroso acidente sofrido por Romain Grosjean, que bateu forte com sua Hass no guard-rail logo na primeira volta da corrida, com consequências assustadoras, como há muito não se via na categoria máxima do automobilismo. Houve uma bola de fogo após o impacto com as lâminas de metal, em virtude do carro ter literalmente se partido ao meio, o que gerou angústia e suspense em todos que assistiam pela TV, e nos monitores no autódromo.

            Felizmente, o pior foi evitado. Grosjean, depois de alguns momentos, surgiu inteiro, e ileso, praticamente, pulando o guard-rail, saindo das chamas, e sendo conduzido ao carro médico, onde havia surgido primeiro sua imagem, tranquilizando a todos, que ficaram no escuro após a cena da explosão de fogo, temendo pelo que pudesse ter sofrido o piloto. O acidente foi impressionante: Grosjean perdeu o controle do seu carro ao tocar na Alpha Tauri de Danill Kvyat, indo direto contra o guard-rail. Romain tentou desviar, quando os carros à sua frente desaceleraram momentaneamente, com o piloto indo para a direito, sem notar que o russo estaria logo ali ao lado. Na colisão, o carro do francês furou a proteção metálica, atingindo o espaço entre as placas do guard-rail, e a cabeça do piloto só não foi atingida pelas placas de metal porque o halo cumpriu com sua função. A força cinética do choque, de cerca de 53g, frente ao “enrosco” no guard-rail, simplesmente rachou o monoposto, que foi parar alguns metros adiante, enquanto a parte frontal do cockpit era envolta em chamas pela combustão da gasolina do tanque, que estourou com o fortíssimo impacto. Da pancada até Grosjean conseguir sair efetivamente, foram 29s em meio às chamas, que para o piloto e boa parte dos expectadores, pareceu certamente uma eternidade.

            A violência do acidente traz de volta à tona os questionamentos a respeito das normas de segurança implantadas pela F-1, que desde o fim de semana trágico do GP de San Marino de 1994, desencadeou um processo de evolução sem precedentes da segurança da categoria como um todo, impondo novas regras tanto para pilotos, carros, e principalmente autódromos, que tiveram de ser seguidas à risca. Mas por mais segurança que se coloque na categoria como um todo, ainda é preciso lembrar que o automobilismo é um esporte de risco, e acidentes como o sofrido por Grosjean nos lembram desse perigo inerente ao esporte a motor, bem como dos resultados da implantação das medidas de segurança, por mais polêmicas que algumas pudessem ser.

Com a força do impacto, o carro quebrou ao meio, com a parte traseira ficando a alguns metros longe (acima), enquanto a parte frontal do cockpit ficou presa no guard-rail, e envolta pelo fogo originado do tanque de combustível rompido. Foram quase 30 segundos até Grosjean conseguir sair do habitáculo (abaixo), para surpresa do médico que foi em seu socorro.


            E o consenso geral é que, ao menos neste caso, as lições decorrentes de experiências anteriores foram aprendidas. A mais significativa, a implantação do halo, estrutura de segurança que visa a proteção da cabeça do piloto, que para muitos, desvirtuou o design dos monopostos, afrontando a estética e beleza deste tipo de carros de corrida. Não há como negar que a FIA poderia ter sido menos truculenta na implantação do dispositivo, de forma a evitar bate-bocas desnecessários, até porque ninguém ignorava a necessidade de se aumentar a proteção da cabeça dos pilotos, depois do acidente sofrido por Jules Bianchi no GP do Japão de 2012. E, depois de implantado, o dispositivo continuou a ser questionado, não apenas pela estética duvidosa, mas pelo espaço que, em tese, ainda ficava sem proteção, como no caso de algum estilhaço, ou pedaço pequeno de algo, que voasse na direção do piloto, e ainda fica com o capacete exposto ao vento. Para muitos, a Indycar, com seu windscreen, seria uma opção melhor do que o halo, até por uma questão estética, bem mais harmoniosa com o visual do carro. A discussão não era exatamente sem propósito, por mais ardorosa que fosse.

            Mas, estética à parte, não há como negar que o halo, queiram ou não, foi vital para a sobrevivência de Grosjean neste acidente assustador. A peça impediu que a cabeça do piloto fosse atingida pela lâmina do guard-rail, que poderia ter sido arrancada do resto do corpo na pior das hipóteses, não existisse o dispositivo. A construção do monocoque, programada para se desintegrar e absorver, tanto quanto possível, a energia da desaceleração súbita, e o impacto contra um obstáculo, além das proteções internas do cockpit, foram cruciais também para que Romain não perdesse a consciência, o que foi o seu grande golpe de sorte, além da proteção do halo. Tivesse o piloto desmaiado com a batida, o que não seria difícil de ocorrer, ele possivelmente não teria sido resgatado sem vida, uma vez que o socorro, diante das enormes chamas que envolveram o pedaço do cockpit onde o piloto estava, estava com dificuldades de se aproximar devido à intensidade das chamas e o calor das mesmas. O primeiro fiscal de pista, sem um capacete especial, não conseguiu se aproximar mais, o que só foi feito pelo médico do carro de segurança, Ian Roberts, que junto com outras pessoas, acionou com mais determinação os extintores, permitindo um alívio momentâneo das chamas e a chance de Grosjean saltar para fora, em cenas dramáticas que correram o mundo da velocidade e o planeta nesta última semana.

            A vestimenta especial dos pilotos, como o macacão de nomex, foram cruciais para que Grosjean escapasse apenas com queimaduras nas mãos e em um dos pés, que ficou sem a sapatilha. A viseira do capacete chegou a derreter no calor do fogo, e os vários segundos até que o piloto conseguisse se evadir, jogavam contra a resistência da vestimenta do piloto, que apesar de resistente às chamas, têm duração limitada, que podia ser atingida, tornando a situação crítica. Felizmente, o pior não ocorreu, mas poderia ter sido uma verdadeira tragédia.

Os restos do cockpit do carro (acima), após extinção do fogo, e corte do guard-rail para soltar a peça. Romain Grosjean foi transferido para um hospital, mas felizmente já recebeu alta, e foi ao autódromo cumprimentar os fiscais que o acudiram (abaixo). 


            Depois de ser levado ao centro médico do autódromo, o piloto ainda foi encaminhado de helicóptero a um hospital em Manama, capital do Bahrein, a cerca de 30 Km do circuito. Felizmente, o piloto recebeu alta já na quarta-feira, e agora se ocupa de sua recuperação, tendo em vista participar do GP de Abu Dhabi, na semana que vem. E a FIA prometeu uma grande investigação para analisar o acidente, e claro, tirar as melhores lições deste momento que deixou a todos assustados.

            Primeiro porque o guard-rail não deveria se entortar daquele modo, prendendo o monoposto. O tanque de combustível, feito de um material especial, que deveria manter sua integridade, para evitar que o combustível vazasse, e produzisse cenas como as que vimos, também precisará ser estudado, a fim de verificar o que pode ser feito para impedir que algo assim ocorra novamente. Para este final de semana, os guard-rails no autódromo de Sakhir já passaram por algumas mudanças, a fim de aumentar o grau de segurança. No local onde houve a batida domingo passado, inclusive, foram adicionadas duas fileiras de pneus ao guard-rail, para diminuir uma possível nova batida.

            Novos estudos sobre a posição das barreiras de proteção, sua composição, colocação de zebras, além da estrutura do monocoque, e os dispositivos de proteção do piloto, serão realizados. Todos concordam que, mesmo com as medidas de segurança em vigor, o acidente poderia ter sido muito mais grave, e portanto, não devem medir esforços para tentar encontrar soluções para as falhas e detalhes ocorridos, os quais não podem se repetir. E não estão errados. Por melhores que sejam as medidas de segurança, basta uma conjunção de elementos fora do lugar para todo o esforço parecer inútil, e termos uma tragédia do mesmo jeito. Grosjean mesmo disse que nasceu de novo, opinião compartilhada por muitos, diante da gravidade do ocorrido, e se o piloto ainda tinha alguma dúvida sobre a eficácia do halo, ela se dissipou, sabendo que a peça impediu que o guard-rail o atingisse em cheio, conclusão que muitos críticos da peça deveriam aceitar, diante das evidências.

A parte traseira do carro de Grosjean (acima), partido ao meio na pancada que abriu um rombo no guard-rail (abaixo), onde a parte frontal do carro ficou presa.


            Hoje, quando entrarem novamente na pista de Sakhir, mais do que nunca, os pilotos e o público sabem como o perigo pode estar à espreita de todos. Basta um passo em falso, e podemos ver o pior ocorrer. O que nos acalenta é saber que a FIA está de olho, e fazendo bem o que lhe cabe para promover incrementos e evolução na segurança da competição. É verdade que em determinados momentos ela parece exagerar, mas na maioria das vezes, as preocupações tem razão de ser, e razões muito válidas. Dizer que os pilotos não encaram o perigo hoje em dia como faziam seus predecessores décadas atrás é ofender a profissão. Se é verdade que os pilotos de antigamente exibiam uma coragem ímpar de competir em carros cuja segurança era mínima, se comparada às condições dos carros atuais, por outro lado, mesmo com toda esta proteção atualmente disponível, o perigo ainda existe, e pode ser fatal, se as condições para tanto permitirem. Talvez os riscos atuais sejam ainda mais perigosos por serem sutis, uma vez que o imenso grau de proteção existente por vezes pode dar a impressão de que não há riscos relevantes aos pilotos, e por isso mesmo, chocarem ainda mais quando algo acontece, porque se mesmo assim houve um acidente de monta, é porque ele foi realmente grave e tenebroso, como vimos domingo passado. É preciso respeitar o que os pilotos fazem, sem desmerece-los diante do que os antigos pilotos faziam.

            A Fórmula 1 tem seus problemas, mas falta de segurança, definitivamente, não é um deles. E pelo modo como a FIA tem procurado trabalhar o assunto, empenho para melhorar o que já é bom não falta. O acidente de Grosjean será tratado com a devida seriedade, para se obter o maior número de dados possível a fim de que tal não se repita. E é com essa garantia que os pilotos entram na pista para cumprir sua obrigação, sempre torcendo para nunca precisarem confirmar na prática os resultados deste serviço.

 

 

A Hass fechou sua dupla titular para a temporada 2021, e fez o que todos esperavam: Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, será um dos pilotos do time, indicado obviamente pela Ferrari, que fornece as unidades de potência utilizadas pela escuderia. O outro piloto será o russo Nikita Mazepin, que já havia sido anunciado um pouco antes, e traz consigo o apoio financeiro de seu pai, o bilionário Dmitry Mazepin. Os dois assumirão os cockpits que foram de Romain Grosjean e Kevin Magnussen nas últimas temporadas. Conforme já se esperava, as opções de Pietro Fittipaldi se tornar titular na escuderia eram praticamente inexistentes, apesar do time declarar que o piloto brasileiro é um membro importante do time, pelo trabalho de desenvolvimento que tem feito, especialmente no simulador da equipe, já que em termos de testes de pista mesmo, Pietro não tem tido oportunidade de guiar o carro do time. Mas é preciso lembrar que, por conta das restrições de gasto decorrentes da pandemia da Covid-19, os times irão utilizar em 2021 os mesmos carros deste ano, com poucas atualizações, de modo que a nova dupla de pilotos do time de Gene Hass vai ter um carro problemático nas mãos, que este ano andou quase sempre na segunda metade do grid para trás, com poucas chances de pontuar, panorama que não deve ser muito diferente no próximo ano.

 

 

E o GP de Sakhir, cujos treinos começam hoje no circuito barenita, utilizando o traçado externo da pista, terá um desfalque imenso: Lewis Hamilton foi diagnosticado com Covid-19, e por conta dos protocolos de segurança instituídos pela FIA, não poderá disputar esta prova, tendo de ficar em isolamento obrigatório. Felizmente, o heptacampeão tem apresentado apenas sintomas leves da doença, e com sorte, talvez esteja apto a participar da prova de Abu Dhabi, na semana que vem, que encerra a temporada da F-1 em 2020. Mas para isso, o piloto terá de se submeter a novos exames e testes que confirmem que ele está recuperado da doença, assim como ocorreu com Sergio Pérez, que perdeu as duas provas em Silverstone este ano, por ter sido contaminado pelo novo coronavírus. Na pior das hipóteses, Hamilton pode não poder disputar a última corrida também, caso não consiga apresentar testes negativos de Covid-19 até lá. Mas não fará muita diferença, já que o inglês já conquistou o título da temporada por antecipação, assim como a Mercedes também já se garantiu no Mundial de Construtores. Para substituir Hamilton neste final de semana, a Mercedes acertou acordo com a Williams, e terá George Russell ao volante do carro alemão. Russell é piloto ligado à Mercedes, que fornece as unidades de potência ao time inglês com desconto, em troca do posto de titular ocupado pelo inglês. E será a grande chance de George de mostrar do que é capaz, uma vez que o piloto até tem brilhado em alguns treinos de classificação este ano, mas não tem tido condições de obter resultados, diante da falta de competitividade do carro da Williams, o pior do grid nestas duas últimas temporadas, a ponto de Russell não ter conseguido pontuar desde que estreou na competição, no ano passado. Russell já participou de alguns testes com o carro da Mercedes, e nestas oportunidades, andou muito forte. É sua grande chance de mostrar do que é capaz, e isso pode criar uma saia justa com Valtteri Bottas. O finlandês luta pelo vice-campeonato contra Max Verstappen, depois de ter perdido, mais uma vez, o duelo interno no time alemão contra Lewis Hamilton. Se é verdade que Bottas teve alguns azares, não se pode ignorar que o piloto andou apresentando algumas performances decepcionantes em algumas corridas. Se perder o duelo do fim de semana, tanto em classificação quanto em corrida, para Russell, pode ficar com uma bela mancha no currículo, por ser superado pelo piloto titular da Williams, que em tese não está tão à vontade com o carro de Brackley quanto Valtteri. A Williams colocará Jack Aitken, piloto reserva do time, no lugar de Russell neste final de semana, e no próximo, caso George ainda tenha que ocupar o lugar de Hamilton. Toto Wolf exaltou a cooperação da Williams, que liberou Russell para ocupar o lugar de Hamilton neste momento, lembrando que eles poderiam ter vetado a participação de seu piloto, o que obrigaria a Mercedes a utilizar outro nome, sendo que Nico Hulkenberg e Stoffel Vandoorne, este piloto da Mercedes na F-E, foram nomes considerados para ocupar o cockpit do carro de Hamilton.

 

 

A prova no anel externo do autódromo de Sakhir será realizada completamente à noite, em horário diferenciado da corrida no traçado tradicional da pista. A TV Globo, por causa disso, como tem feito nos últimos anos quando as corridas são no horário da tarde aqui no Brasil, não exibirá a corrida ao vivo, deixando essa incumbência para o canal pago SporTV2, que mostrará a prova a partir das 14 horas deste domingo. O treino de classificação será realizado no mesmo horário, neste sábado, também com transmissão ao vivo do SporTV2.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

FLYING LAPS – NOVEMBRO DE 2020

            E chegamos ao mês de dezembro. O ano de 2020 aproxima-se de seu final, no que foi um ano cheio de percalços e problemas inesperados, devido à pandemia da Covid-19, e que tudo indica ainda irá fazer muitos estragos também em 2021, na pior das hipóteses. E enquanto avançamos pelo último mês do ano, vamos ver alguns dos acontecimentos do mundo da velocidade deste mês de novembro que não deu para comentar nas colunas semanais regulares das últimas semanas, mais uma vez com foco maior na Formula-E e na MotoGP. Então, uma boa leitura a todos, com muito boa saúde, e com o aumento dos casos de Covid-19 recentemente, cuidem-se. Não é o momento de baixarmos a guarda, uma vez que a Covid-19 ainda está por aí, e ainda não temos medicamentos que proporcionem um tratamento eficaz para a doença, que ainda está causando muitos estragos pelo mundo inteiro. Esperemos por melhores notícias em breve, e que a esperança de tudo voltar à normalidade no próximo ano se concretize. Portanto, vamos nos proteger, e torcer por melhores dias em 2021, então, até a próxima coluna Flying Laps, já no mês de janeiro...

 

Com o fim da temporada 2020 da MotoGP, Cal Cruthlow despediu-se da LCR, e em 2021, será piloto de testes da equipe de fábrica da Yamaha, no lugar de Jorge Lorenzo, que aparentemente não gostou da idéia de ser substituído na função, que passou a ocupar este ano, após “pendurar” o capacete no ano passado, quando sua temporada na equipe oficial da Honda foi um verdadeiro desastre em termos de resultados, não conseguindo andar perto de Marc Márquez em momento algum. A pandemia da Covid-19 certamente estragou os planos de Lorenzo, que não pôde testar tanto quanto deveria ser possível. E sua falta de ritmo certamente foi levada em consideração pelo time dos três diapasões, quando Valentino Rossi, diagnosticado com o coronavírus, teve de ficar ausente da rodada dupla em Aragón, a ponto da escuderia nem ter escalado o tricampeão espanhol para substituir o “Doutor” nestas etapas. Certamente pesou a falta de performance que Lorenzo demonstrou em Portimão, quando andou longe dos ponteiros. Houve até um bate-boca entre Lorenzo e Cruthlow, travado pelas redes sociais, iniciado por Jorge, quando este afirmou que a Yamaha estava trocando “ouro por bronze”, referindo-se a seu currículo muito mais proeminente do que o do inglês, a quem definiu como um piloto com “mais quedas do que vitórias”, fora questionamentos sobre a capacidade de cada um para ser piloto de testes. Seja como for, Cruthlow irá desempenhar o papel de piloto de testes do time dos três diapasões, enquanto o destino de Lorenzo para o próximo ano é completamente incerto, perpetuando o calvário do piloto desde que deixou a equipe oficial da Yamaha e foi para a Ducati em 2017, uma vez que desde então não teve nenhum ano sem provocar alguma polêmica ou apresentar falta de resultados.

 

 

Começam a surgir dúvidas a respeito da recuperação de Marc Márquez, após as cirurgias feitas pelo piloto após o acidente sofrido na primeira corrida da MotoGp deste ano, em Jerez de La Fronteira. O úmero, osso que Marc fraturou no braço direito, teria sido lesionado mais do que o necessário, segundo se comenta, com o esforço do piloto em tentar voltar a competir já no fim de semana seguinte, após passar pela primeira cirurgia, e chegando a entrar na pista na segunda prova da rodada dupla do circuito da Andaluzia, na Espanha. Márquez, contudo, sentiu que não daria para competir como gostaria, e desistiu de retornar, o que fez corretamente. Mas, para outros, o esforço de tentar voltar, sem uma consolidação correta do osso, já teria provocado sequelas, de modo que isso poderia explicar a segunda cirurgia que o piloto precisou passar, algum tempo depois, por motivos de “stress” na peça de metal que foi implantada no braço, com o objetivo de auxiliar na recuperação da fratura. E desde então, o retorno do hexacampeão se tornou uma incógnita, primeiro se especulando que ele poderia voltar nas etapas finais do campeonato, neste mês de novembro. Mas as semanas se passavam, e nenhum indício mais concreto de tal retorno voltou a ser discutido, muito pelo contrário. Com a desculpa de que Marc já não teria condições de tentar lutar pelo título da temporada, em virtude do equilíbrio que vimos entre vários pilotos, começou a cogitar-se o retorno da “Formiga Atômica” somente para 2021, enfatizando que isso também lhe proporcionaria uma recuperação mais completa e tranquila. Nada difícil de se acreditar, afinal, com o ano já perdido, porque se arriscar a voltar? Márquez ainda é novo, e com seis títulos no currículo, esperar para se recuperar por completo, e voltar em 2021 com a velha forma e lutar novamente pelo título não parecia nada muito complicado. Michael Schumacher, quando se acidentou em 1999 e quebrou a perna no GP da Inglaterra daquele ano, tencionava voltar só em 2000, completamente recuperado, já que não teria mais chances de lutar pelo título naquele ano, e só voltou para as etapas finais porque a Ferrari, sabendo que o piloto já estava recuperado, precisava dele para reforçar sua disputa, se não pelo título de pilotos, pelo título de construtores, o que ele acabou fazendo, ajudando o time rosso a ser campeão de construtores de 1999, mesmo tendo perdido o mundial de pilotos. Com a temporada perdida por completo este ano, porque a Honda iria forçar Marc a um retorno desnecessário, se sua volta pouco adiantaria para o time na competição deste ano?

 

 

Só que, nas últimas semanas, surgiram notícias de que Márquez pode precisar passar por uma nova cirurgia, que envolveria um longo período de recuperação, o que coloca em dúvida até mesmo o retorno de Marc à competição no início de 2021. Embora não tenha sido dada nenhuma informação oficial, especula-se que ao forçar sua participação na segunda corrida, Márquez não teria apenas comprometido o resultado da operação sofrida para tratar da fratura decorrente do acidente da primeira corrida, como também a integridade do osso fraturado, o que teria feito necessário a segunda operação, que poderia não ter solucionado o problema devidamente, de modo a se considerar, agora, uma nova intervenção cirúrgica para tratar a questão. E, se o osso quebrado ainda não ficou bom, isso dá margem a várias interpretações, e várias delas não muito promissoras, como a idéia de que o osso do úmero estaria com sua integridade comprometida, a ponto de não ser possível, ou ser muito difícil, sua completa recuperação, o que forçaria a uma operação bem mais complicada para resolver a situação. Fala-se até em ter de fazer um implante ósseo, para recuperar a resistência do úmero, entre outros detalhes, que obviamente não foram confirmados, mas traçam um perfil preocupante sobre a recuperação completa do piloto. Uma preocupação que fica ainda maior, se levarmos em conta que nenhum detalhe é dado, ou sequer confirmado, tanto pelo piloto, como pela própria Honda, o que significa que algo sério deve ter ocorrido, do contrário, não haveria justificativa para tanto sigilo sobre a condição do hexacampeão. Márquez iria anunciar sua decisão de fazer ou não uma nova cirurgia, e quem sabe, dar maiores detalhes a respeito de sua condição, e a recuperação que um novo procedimento poderá demandar, e se isso irá atrasar ou não o seu retorno às pistas previsto para 2021. Aguardemos este aviso, então.

 

 

Mas diz o popular ditado que “onde há fumaça, há fogo”, e começam a surgir também especulações de que, ao não firmar contrato com nenhum time para 2021, o italiano Andrea Dovizioso poderia estar fazendo uma jogada calculada para assumir o lugar de Marc Márquez na Honda, caso o hexacampeão efetivamente não consiga se recuperar a tempo de iniciar a temporada do próximo ano, se tiver que passar por esta nova cirurgia, e ela realmente exigir vários meses de repouso para uma completa recuperação do piloto, o que poderia fazer com que Marc perdesse várias etapas, ou até mais do que isso, no início do próximo campeonato. Ao não se comprometer com nenhum outro time, seja como piloto titular, ou até mesmo como piloto de testes, Dovizioso se tornaria um perfeito substituto para socorrer a Honda, caso o time da marca nipônica precise encarar a falta de sua grande estrela também em 2021. Andrea foi o principal rival de Márquez entre 2017 e 2019, e o piloto estaria facilmente disponível para assumir a empreitada, estando em plena forma, já que só a partir de agora, com o fim da temporada deste ano, ele está “desempregado” e ocioso. Isso poderia indicar que o italiano está a par de detalhes que não vieram a público, e ao não prolongar contatos com outros times, e até categorias, alegando estar tirando um “ano sabático”, estaria apostando firme em acreditar que Márquez não volta tão já às corridas, ou até mesmo, na pior das hipóteses, se voltará às competições. Resta saber se, caso isso realmente aconteça, se a aposta não se tornaria um pesadelo, diante de uma possível falta de adaptação ao comportamento da moto da Honda, como o que ocorreu com Jorge Lorenzo, que não conseguiu se entender com o equipamento, e apanhou de lavada de Márquez no ano em que foram companheiros do time oficial da fábrica japonesa. Mas, se Dovizioso conseguir domar a RC213V, caso tenha a oportunidade, poderia ser uma chance tremenda de dar a volta por cima depois de ter ficado sem lugar na Ducati, e na própria MotoGP. Vejamos o que poderá acontecer, quando toda esta situação a respeito de Marc Márquez ficar melhor esclarecida...

 

 

O Brasil terá mais um representante na Formula-E na temporada 2021. Com a saída de Felipe Massa, que não renovou com a equipe Venturi, o único garantido na próxima temporada da categoria de carros monopostos 100% elétricos era Lucas Di Grassi, que segue firme na equipe da Audi, mas que agora terá um compatriota no grid: será Sérgio Sette Câmara, que irá defender a equipe Dragon por toda a próxima temporada. Sérgio defendeu o time na rodada de seis provas realizadas em Berlim, substituindo Brendon Hartley, e passou uma imagem positiva para a escuderia, melhorando seu entrosamento com a equipe e com o carro a cada corrida disputada. A decisão de rumar para a F-E indica que Sergio preferiu um compromisso mais efetivo do que ser piloto reserva da Red Bull e da Alpha Tauri na F-1, que a rigor não garantiam a possibilidade de assumir um cockpit a curto prazo, uma vez que o brasileiro também não era considerado uma prioridade para a direção de ambas as equipes. A Dragon, que pertence a Jay Penske, filho de Roger Penske, passará a se chamar oficialmente Dragon Penske na próxima temporada, e espera-se que melhore o seu desempenho, algo que tem faltado à escuderia nos últimos tempos, tendo muito poucos resultados na comparação com os demais times na competição. Até o presente momento, a Dragon ainda não definiu quem será o companheiro do piloto brasileiro na temporada 2021, mas a decisão não deve demorar muito, já que a temporada começa, pela previsão original do calendário divulgado, em janeiro de 2021, com uma rodada dupla em Santiago, no Chile, nos dias 16 e 17. Resta saber se, com a pandemia da Covid-19 apresentando um recrudescimento em vários países, inclusive na América do Sul, a programação não sofrerá novas mudanças, diante do quadro da situação no país, que só recentemente reabriu suas fronteiras, depois de meses de fechamento.

 

 

O segundo carro da equipe Dragon Penske é o único posto vago entre as equipes que irão disputar a temporada 2021 da F-E, que já definiram todos os seus pilotos. A Mercedes manteve Stoffel Vandoorne e Nick de Vries, assim como a Audi reafirmou Lucas Di Grassi e René Rast. A e.dams manteve Sébastien Buemi e Oliver Rowland, assim como a Techeetah continua com Antonio Félix da Costa e Jean-Éric Vergne. A Jaguar continua com Mith Evans, e terá agora Sam Bird. A Virgin manteve Robin Frijns e terá Nick Cassidy. A Nio manteve Oliver Turvey e trouxe Tom Blomqvist. A Andretti continua com Maximilian Günther e terá Jake Dennis. Na Venturi, Edoardo Mortara segue firme, tendo agora a companhia de Norman Nato. Por sua vez, a Porsche terá André Lotterer e Pascal Wehrlein. E fechando a relação, a Mahindra terá Alexander Sims e Alex Lynn. Entre as escuderias, apenas Venturi e Virgin usarão trens de força desenvolvidos por terceiros. A Virgin segue usando o powertrain da Audi, enquanto a Venturi continuará usando o da Mercedes. Todos os demais times utilizam equipamentos próprios.

 

 

E o campeonato 2021 da F-E já projeta novidades. A organização da categoria anunciou que a rodada dupla que será disputada em Diriyah, na Grande Riad, será noturna, nos dias 26 e 27 de fevereiro, com a pista sendo iluminada por lâmpadas LED de baixo consumo e alta eficiência, com emissão zero de carbono, uma vez que a energia será fornecida por geradores movidos a óleo vegetal hidrogenado certificado de baixo carbono e alto desempenho feito de materiais sustentáveis. Será a primeira prova noturna da categoria de carros elétricos, que segue os passos de categorias como a Indycar, F-1, MotoGP, e WEC. E tem tudo para serem corridas bem interessantes, se tudo correr bem até lá, no que tange à pandemia da Covid-19, e o campeonato puder seguir sem sobressaltos...