quarta-feira, 11 de novembro de 2020

ARQUIVO PISTA & BOX – MARÇO DE 1999 – 26.03.1999

            E aqui estou novamente com um de meus antigos textos, no caso, a coluna publicada no dia 26 de março de 1999. O assunto principal era o início do campeonato da F-Indy original, chamada à época de F-CART, e aqui no Brasil, de F-Mundial. A primeira corrida, no circuito de Homestead, em Miami, deu a sensação de que Greg Moore e a equipe Forsythe poderiam ser uma força na temporada daquele ano. Mas, mesmo considerando a competitividade da categoria, que costumava ser muito maior do que a da F-1, o resultado visto na primeira prova infelizmente foi fogo de palha, com o time de John Forsythe ficando longe da esperada disputa pelo título, que acabou acontecendo entre Juan Pablo Montoya, da equipe Ganassi, e Dario Franchiti, da Green. Depois de vencer em Homestead, Greg Moore subiria ao pódio em apenas mais duas provas naquele ano, ficando bem abaixo do que todos esperavam. O piloto canadense terminaria o ano apenas em 10º no campeonato em que não viu a bandeirada final, tendo falecido vítima de um pavoroso acidente na etapa final, em Fontana, um fim trágico para a mais nova promessa canadense no automobilismo, que tinha tudo para despontar na equipe Penske no ano seguinte, com o contrato já firmado à altura da última prova.

            Os pilotos brasileiros foram ligeiramente melhor do que no ano anterior, mas novamente ficaram longe da disputa pelo título, com Gil de Ferran e Christian Fittipaldi terminando apenas em 8º e 7º lugares, respectivamente, na classificação. E a Ganassi continuaria seu reinado, iniciado em 1996 com o título de Jimmy Vasser e o bicampeonato de Alessandro Zanardi, com seu novo piloto Juan Pablo Montoya sendo campeão em sua primeira temporada na categoria, que vivia um excelente momento. Curtam o texto, e boa leitura a todos. Em breve, trago mais antigas colunas por aqui...

FORSYTHE NA FRENTE

            A equipe Forsythe mostrou a sua força domingo passado na abertura do campeonato da F-CART, em Homestead, na Flórida. Greg Moore venceu a corrida, depois de largar na pole-position e ainda liderar o maior número de voltas. O piloto canadense saiu com tudo na frente, marcando todos os pontos possíveis. Para completar, Patrick Carpentier, o outro piloto do time Forsythe, ficou em 7º lugar, depois de uma corrida combativa onde chegou a andar em último lugar. Em determinado momento da prova, Moore e Carpentier duelaram pela liderança da corrida com boa margem de vantagem para os demais competidores.

            Sem dúvida, isso dá uma condição de favorito a Moore para a disputa do título, mas é preciso ver se o jovem canadense de 24 anos não vai desandar no meio do campeonato. Ano passado, Moore também surgiu de início como fortíssimo candidato ao título, especialmente depois de sua arrojada vitória no Brasil, onde deu um baile de ultrapassagem sobre Alessandro Zanardi. Só que, logo depois, o canadense cometeu uma série de barbeiragens na pista nas etapas seqüentes, perdendo diversas oportunidades de pontuar e ficando de fora da luta pelo título.

            No que tange a Patrick Carpentier, fica a dúvida se o piloto, também canadense, terá a cabeça fria para aproveitar o excelente equipamento que a equipe lhe dá. Ano passado Carpentier também aprontou muito nas pistas, tendo um desempenho até inferior ao de seu ano de estréia, na Bettenhausen, uma equipe sem muitos recursos. Se tanto Moore quanto Carpentier colocarem a cabeça no lugar, a equipe Forsythe será forte candidata ao título da categoria este ano.

            Enquanto isso, a Ganassi, tricampeã nos últimos 3 anos, teve uma performance satisfatória em Miami. Jimmy Vasser ficou em 4º, com o estreante Juan Pablo Montoya a fazer boa performance durante a corrida, terminando em 10º lugar. Mas não se pode considerar a Ganassi fora do páreo, pois em 98 o time também começou o campeonato um pouco devagar, mas depois deslanchou com Zanardi.

            A Newmann-Hass teve um bom desempenho em Miami com Michael Andretti chegando em 2º lugar. Na primeira corrida com os pneus da Firestone, que a equipe ainda não conhece bem, foi um bom resultado, e levando-se em conta que o chassi Swift rende mais nos circuitos mistos, as perspectivas de lutar pelo título são muito boas.

            Outro time com bom desempenho em Homestead foi a Green. Dario Franchiti terminou em 3º lugar, mas pressionou os líderes durante boa parte da corrida e sempre andou muito forte. Levando-se em conta que Franchiti costuma andar melhor nos circuitos mistos, podem esperar boas performances do escocês para este campeonato.

            No que tange aos pilotos brasileiros, tivemos uma estréia com alguns problemas. Raul Boesel nem teve tempo de mostrar nada, pois ficou logo na 1ª volta em decorrência do acidente causado por Naoki Hattori, o mesmo valendo para Luiz Garcia Jr. Já Tony Kanaan não esteve com seu carro em condições de correr pra valer, ficando pelo meio do caminho com uma pane em seu motor Honda. Maurício Gugelmim fez uma prova razoável, mostrando que a PacWest ainda não reencontrou-se de todo, enquanto Christian Fittipaldi correu apenas para chegar ao final.

            Só Gil de Ferran, Hélio Castro Neves, e Cristiano da Matta tiveram chance de brilhar em Miami. Gil largou em último e fez uma corrida combativa, chegando a liderar a prova depois de ultrapassar todo mundo. Acabou em 6º e mostrou a velha garra de sempre. Tinha chances de ganhar se não tivesse largado tão lá atrás. Hélio Castro Neves foi um fenômeno na corrida, andando no mesmo ritmo dos líderes e levando novamente o chassi Lola a liderar uma prova na F-CART. A excelente corrida de Helinho terminou por problemas elétricos em seu carro. Cristiano também foi fabuloso em Miami: utilizando o motor Toyota, tecnicamente mais fraco que os Mercedes, Honda e Ford, obteve a 6ª posição no grid e andou sempre entre os 10 primeiros, superando amplamente seu companheiro de equipe, o veterano Scott Pruett, que acabou a prova no muro. Com isso, Cristiano já conseguiu mudar o seu status na equipe Arciero-Wells, que era inicialmente de segundo piloto.

            Problemas à parte, o início do campeonato mostra que nossos pilotos têm condições de brilhar bastante. Resta torcer para que os problemas não voltem a frustrar nossas expectativas. E, no que tange ao restante do pelotão, a briga e as disputas estão mais do que garantidas, e a emoção também!

 

 

O “perigo japonês” voltou a atacar com tudo na F-CART em Homestead. Os dois novos pilotos japoneses na categoria botaram pra quebrar, literalmente. No treino livre de sexta-feira, Shigeaki Hattori destruiu seu carro ao bater no muro na curva 4. A pancada foi violenta, acusando uma desaceleração de aproximadamente 150 Gs. O piloto da Bettenhausen não participou da corrida por causa disso, ficando em observação. Já no domingo, Naoki Hattori bateu forte logo na primeira volta, prensando Al Unser Jr. contra o muro e provocando o abandono de mais alguns pilotos. O balanço do acidente: Al Unser Jr. quebrou a perna direita, enquanto o japonês quebrou a perna esquerda. Operado em Indianápolis, Al Jr. deve ficar dois meses fora de combate. Naoki quebrou a perna em dois lugares e deve ficar de molho um bom tempo. Praticamente ambos os pilotos japoneses não terão como participar da próxima etapa, que por coincidência, é justamente no Japão, o que já representa um alívio para os demais pilotos na categoria...

 

 

Neste fim de semana a F-Indy (IRL) disputa sua segunda etapa, no circuito oval de Phoenix, no Arizona. Eddie Cheever, vencedor da primeira etapa, em janeiro, no oval da Disney, lidera o campeonato. A Bandeirantes mostra a corrida ao vivo no domingo.

 

 

Quanto à TVS/SBT, a transmissão que fez da prova de abertura da F-CART em VT até que foi razoável. Mas duvido que a audiência tenha sido lá essas coisas, ainda mais porque no mesmo horário estava sendo mostrada a Festa do Oscar, e com um filme brasileiro na disputa por pelo menos duas estatuetas, nem se fala... E pode até piorar, caso a Globo decida mostrar, nos flashes esportivos do Fantástico, quem venceu a corrida nas próximas oportunidades, o que poderia esvaziar ainda mais a audiência...

 

 

Ano passado, houve quem amaldiçoasse Frank Williams por não ter contratado Rubens Barrichello para correr por sua equipe este ano, pois anseava-se pela volta de um piloto brasileiro a um time de ponta na F-1. Depois do que aconteceu na Austrália, veja o que ocorreu nos testes desta semana: enquanto a Stewart, mesmo com alguns problemas de confiabilidade, quebrou o recorde da pista de Barcelona para carros modelo 99, a Williams precisou recolher-se à fábrica para redesenhar o FW21, pois o desempenho do carro em Melbourne, apesar do pódio de Ralf Schumacher, foi sofrível. E a Stewart está confiante em ter seus problemas de durabilidade resolvidos até o GP do Brasil, enquanto a Williams virou uma dúvida para o restante do campeonato. A vingança da torcida está sendo boa...

 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O DINHEIRO MANDA...

Jeddah, na Arábia Saudita, será o palco do mais novo Grande Prêmio adicionado ao calendário da F-1, em 2021.

             E a Fórmula 1 continua fazendo seus planos para o calendário de 2021, com ou sem pandemia, e entre boatos de que a temporada pode chegar a 23 corridas, tivemos o anúncio de que a categoria máxima do automobilismo irá correr na Arábia Saudita, em uma pista que será montada nas ruas de Jeddah, cidade litorânea do Mar Vermelho. Será uma prova noturna, no mesmo estilo da corrida de Singapura, o primeiro GP noturno da história da categoria. A prova, se tudo der certo, deve ser realizada no dia 28 de novembro de 2021, e deve antecipar o GP de Abu Dhabi, que costuma fechar a temporada.

            O plano dos sauditas é promover seu país, e diversificar sua economia, quase toda dependente da indústria petrolífera, uma vez que suas reservas, apesar de estarem entre as maiores do mundo, podem acabar um dia, e portanto, é necessário se preparar o quanto antes para quando isso acontecer. E, claro, a futura eletrificação da frota veicular também pode causar uma queda colossal no consumo do líquido negro, conforme avancem as mudanças no panorama da indústria automotiva mundial. E, com dinheiro para gastar a rodo, no atual momento, eles andam “comprando” o que podem a fim de passar a imagem de um país mais “moderno” e dinâmico ao resto do mundo, e com isso, atrair mais investidores dispostos a colocar seu dinheiro lá.

            Não por acaso, o esporte a motor tem sido a investida mais recente com este objetivo. A Formula-E já corre nas cercanias de Riad, a capital do país, há cerca de duas temporadas, e o rally Dakar, cuja etapa deste ano foi disputada nas areias sauditas, firmou contrato com o país para sediar o mais famoso rali do planeta por nada menos do que cinco anos, depois de abandonar a América do Sul, onde competiu na última década. E agora, vem o filé mignon, a Fórmula 1, cuja direção da categoria já confirmou o anúncio feito pelos sauditas, oficializando a realização da corrida para a próxima temporada.

            Só que a imagem da Arábia Saudita não é a de um país “dinâmico”, e muito menos “moderno” exatamente. Muito pelo contrário, possui um histórico nada agradável quando o assunto são costumes e direitos humanos. Basta lembrarmos de como as mulheres são tratadas no país, precisando de permissão para praticamente quase tudo, sendo reduzidas a meras “propriedades” dos homens. Só para se ter uma idéia, apenas agora as mulheres estão conseguindo obter o direito de dirigirem, e olhe lá. Quando se fala em opressão religiosa no mundo islâmico, muitos apontam o dedo para o Irã, que de fato tem uma ditadura teocrática desde a revolução islâmica de 1979, e tem uma série de defeitos, onde os religiosos literalmente “mandam” no país, com o aiatolá sendo a autoridade máxima do país. Mas a Arábia Saudita não fica atrás, e ainda tem um problema tão ou mais grave do que o Irã: é uma monarquia absolutista, onde o rei manda, e manda muito, e pior, defende uma visão da religião islâmica extremamente conservadora.

            Mas, então, porque tanta malhação em cima do Irã, e um tratamento digamos, menos ostensivo e tolerante com os sauditas? Basicamente, se resume ao fato de a Arábia Saudita ser aliada dos Estados Unidos, e o Irã, não. Isso faz muita diferença. E, quando acusam os iranianos de fomentarem o radicalismo islâmico no Oriente Médio e mundo afora, os sauditas não ficam atrás, muito pelo contrário. Na verdade, Irã e Arábia Saudita travam um duelo político-religioso pelo domínio da religião islâmica, defendendo vertentes diferentes dos ensinamentos dados por Maomé, o profeta sagrado. Quem já ouviu falar das rixas entre sunitas e xiitas já deve estar mais por dentro deste assunto, e nem vale a pena entrar em detalhes por aqui. Basta dizer que existem radicais de ambas as vertentes, e para eles, a única convivência pacífica é se o outro grupo for exterminado. Se o Irã se mete em assuntos de seus vizinhos, a Arábia Saudita faz o mesmo, e em tese com muito mais conivência da comunidade internacional, o que não a faz nem um pouco mais santa que seus rivais iranianos, o que é uma tremenda injustiça, pois tanto um quanto o outro deveriam ser condenados de modo igual e decidido.

            E, infelizmente, o esporte acaba sendo usado como arma política neste sentido, com os sauditas a patrocinarem várias atividades esportivas, de modo a “comprar” a passividade dos demais países. E, lamentavelmente, a F-1 vai acabar se tornando a mais nova modalidade esportiva a ser usada com esse intento, como já vem ocorrendo com a F-E e agora com o Dakar. A intenção é silenciar as críticas ao regime e costumes sauditas, usando os esportes para serem seus aliados e defensores. Mas a F-1 não deveria se surpreender com isso, uma vez que já esteve envolvida com violações de direitos humanos antes, e levou um bom tempo para se mobilizar, o que só ocorreu diante da pressão externa sobre a categoria.

Enquanto o mundo protestava contra o Apartheid, a F-1 não se furtava a competir na África do Sul, pelo menos, até 1985.

            Trata-se de quando a F-1 competiu na África do Sul, que até o início dos anos 1990 tinha uma política oficial, chamada Apartheid, de segregação e discriminação dos negros, que compunham a grande maioria de sua população, e a quem eram negados muitos direitos, que eram exclusivos da minoria branca que vivia no país. Inúmeros casos de desrespeito aos direitos humanos eram cometidos e assumidos pelo governo sul-africano, e a F-1 tinha uma etapa no país, disputada na pista de Kyalami. Choviam críticas à categoria por correr no país, o que Bernie Ecclestone, que já havia assumido a liderança comercial da F-1, relevava, ao afirmar que não se devia misturar esporte com política, e que a categoria máxima do automobilismo não tinha pelo que se envolver nas questões do país. Só que eles foram ficando isolados nessa posição, uma vez que muitas outras modalidades esportivas, em repúdio à política do Apartheid, foram deixando de participar de atividades com a África do Sul, que chegou a ser banida de certas competições, como forma de pressionar o país para rever tal atitude discriminatória e desumana para com a maioria de sua população. A pressão sobre a F-1 fez a categoria tirar a África do Sul do calendário, a partir de 1986, retornando apenas em 1992, quando esta política já estava em vias de ser extinta, graças às pressões mundiais, sendo oficialmente revogado por volta de 1994. A F-1 correu na África do Sul até 1993, quando o país sediou sua última corrida, deixando de participar por questões de custos de realização da prova.

            Muitos afirmam que a F-1 deveria usar de sua posição para cobrar mudanças de fato nos costumes da Arábia Saudita, já que eles querem tanto que a categoria corra lá. Em um ano onde a F-1 embarcou na campanha contra o racismo, com seu slogan “We Race as One”, e as atitudes iniciadas por Lewis Hamilton em prol do fim da discriminação e punição daqueles que destratam as pessoas pela cor de sua pela, teria muito a ganhar se de fato a F-1 se engajasse como fica apregoando. Só que a direção da categoria, assim como a FIA, já andam incomodadas com o ativismo de Hamilton, tendo questionado até seu uso de camisetas com mensagens a respeito, e até agora, não me parece que irá exigir melhores atitudes e compromissos do governo saudita a fim de justificar sua ida para lá, a não ser unicamente pelos petrodólares que a prova irá render para a Liberty Media. E isso é preocupante, mas não inesperado.

            Afinal, quando foi que a F-1 se preocupou de fato com algo fora de seu “circo”? Talvez só na época da chamada “Primavera Árabe”, quando diversos países da África e Oriente Médio passaram por diversas ondas de manifestação popular, que chegaram a derrubar até governos, e com isso, cancelaram a corrida do Bahrein de 2011, uma vez que o país não tinha como garantir a segurança da realização da corrida, frente aos protestos que ocorriam no pequeno país. Mas foi muito mais para se preservar do que aumentar ainda mais a tensão do que ocorria por lá, já que a categoria retornou ao país no ano seguinte, e segue realizando seus GPs por lá até hoje, inclusive com uma rodada dupla programada para daqui a algumas semanas, antes de seguirem para Abu Dhabi, que encerrará a temporada em dezembro.

A China, outro país com ficha suja no que tange ao respeito aos direitos humanos, recebe a F-1 há anos, e a categoria nem fica incomodada com isso...

            E ainda temos o lance da F-1 correr em países que não são exatamente o melhor exemplo em se tratando de direitos humanos. Se em 1986, o fato de correr na Hungria foi visto como um grande feito, que ajudaria a corroer a chamada “Cortina de ferro” conhecida por envolver a União Soviética e os países socialistas da Europa, que viviam sob o jugo de ditaduras comunistas, hoje temos a categoria correndo na China (à exceção deste ano, e por causa da pandemia da Covid-19), um país governado por uma ditadura de um partido único, e que comete também várias barbaridades, muitas das quais nem ficamos sabendo, pela censura que o país impõe, e que vem ficando cada vez mais forte nos últimos tempos. Mas alguém está defendendo o fim do GP da China por causa disso? E ainda temos algo similar no GP da Rússia, que sempre foi explorado por Vladimir Putin, candidato a novo “czar” (ainda que informal) do país, que sempre foi bajulado por Bernie Ecclestone desde que a prova estreou no calendário da F-1. Não se pode dizer que o presidente russo seja um exemplo de bom governante, muito pelo contrário. Só que também não vejo pregação de boicote à prova russa, exceto por aqueles que detestam a pista de Sochi, que raramente oferece uma boa corrida em termos de disputas e emoções. E só.

            E agora, a F-1 vai para a Arábia Saudita, e perde uma excelente oportunidade para tentar se mostrar relevante em ao menos condenar as violações de direitos humanos que ocorrem no país. Mas como fazer isso, quando a maior empresa de petróleo do país, e do mundo, a Aramco, é patrocinadora oficial da categoria, em um campeonato onde foi preciso encontrar fontes de financiamento, depois de ser abalada pela pandemia da Covid-19, que virou de cabeça para baixo o campeonato originalmente proposto? A Liberty Media nem é o problema, uma vez que Bernie Ecclestone já tinha por seu ideal ir “onde está o dinheiro”, tendo passado a cortejar governos, e não promotores que queriam sediar provas da F-1, e isso lá no final dos anos 1990. Esperava-se talvez uma gestão um pouco mais diferente quando a categoria passou a ser gerida pelo grupo dos Estados Unidos, mas ao que parece, fomos tolos ou ingênuos demais em acreditar que fariam algo nesse sentido.

Bernie Ecclestone e Vladimir Putin. O ex-mandatário da F-1 elogiava o presidente russo, a quem bajulava bastante durante os GPs da categoria em Sochi, mesmo com os ímpetos ditatoriais de Putin, que não era flor que se cheirasse...

            Não que seja algo fácil. Por mais que o projeto dos sauditas tenha alguns pontos positivos em querer modernizar de fato o país, eles não fazem o esforço necessário para mudar de fato seus comportamentos, e nem desejam fazer isso tanto assim. Os costumes religiosos estão enraizados no modo de pensar e agir deles, de modo que se sentem no mais divino direito de fazer o que fazem, e dão de ombros para quem pensa diferente, o que é o grande motivo para os radicais islâmicos terem se tornado uma dor de cabeça em escala mundial, perpetrando atentados e outros malefícios mundo afora, tentando impor sua visão estreita do que consideram islamismo. Mas, por isso mesmo, tivesse mais brios, a F-1 poderia dificultar sua ida ao país árabe, a fim de marcar posição, e demonstrar que está de fato preocupada com o bem-estar das pessoas, nem que fosse um pouco. Mas, o dinheiro manda, então...

            Quem sai perdendo é a F-1, cuja credibilidade já não anda lá essas coisas, e mesmo assim, perde a oportunidade de fazer a diferença, mesmo que pouca, em um país que ainda trata boa parte de sua população de modo retrógrado e injusto, unicamente por causa do sexo. Em tantos contos de ficção científica de antigamente, costumavam colocar o século XXI como tempo em que teríamos grandes avanços e a civilização estaria bem mais desenvolvida, mas ainda encontramo-nos diante de comportamentos pueris e aparentando estarmos retrocedendo ao invés de evoluir. Triste mundo, esse que estamos vivenciando atualmente... Triste mesmo...

            Seria pedir demais que a F-1 criasse vergonha na cara até a realização desta corrida, mas quem sabe ainda acontece algum milagre nesse sentido? Sonhar ainda é possível, por mais improvável que seja o que estamos desejando ocorrer... Quem sabe?

 

 

Na volta da Fórmula 1 à pista de Ímola, no domingo passado, até que tivemos alguns bons duelos na pista, mas a corrida em si não foi tão empolgante como se poderia imaginar. E isso por um motivo mais do que óbvio, que foi a modificação das curvas Tamburello e Villeneuve, que ganharam chicanes que “mataram” suas essências, inutilizando-as como trechos de ultrapassagens que eram até 1994. Até aquele ano, o trecho da reta dos boxes até a freada da curva Tosa oferecia um percurso longo onde os pilotos podiam tentar ultrapassagens, algo que ficou inviável em sua maior parte com as chicanes que foram colocadas na Tamburello e na Villeneuve. Obviamente que eram necessárias obras para garantir maior segurança naqueles trechos, especialmente depois dos acidentes trágicos ocorridos naquele ano, com os falecimentos de Ayrton Senna e Roland Ratzemberger. Mas, passado tanto tempo, e depois do circuito ter passado por reformas, que criaram uma renovada área dos boxes e paddock, não poderiam ter encontrado meios de contornar, ou ao menos minimizar os efeitos das duas chicanes criadas naqueles setores, a fim de permitir melhores chances de disputa nas corridas? O retorno de Ímola valeu pela nostalgia, e a pista agradou muito os pilotos, mas conforme Lewis Hamilton apontou nos treinos, é um circuito que não oferece bons pontos de ultrapassagem. Tanto que o inglês, que caiu para 3º lugar na largada, nem se deu ao trabalho de tentar discutir uma ultrapassagem com Max Verstappen e Valtteri Bottas, que estavam à sua frente. Foi muito mais efetivo, e inteligente, ficar mais tempo na pista, depois que ambos foram aos boxes, e pisar fundo com a pista livre à frente, para assumir a liderança após sua parada de box. Claro que sua tarefa acabou facilitada depois pelo safety car virtual quando Esteban Ocón parou seu carro à beira da pista, mas o inglês já havia conseguido abrir vantagem suficiente para voltar na liderança da corrida, firme para vencer pela 93ª vez na F-1, e pronto para fechar matematicamente a conquista do seu sétimo título na próxima corrida, na semana que vem, no retorno de outra pista já utilizada pela categoria, a da Turquia, um dos raros autódromos projetados por Hermann Tilke que agradaram aos pilotos que lá correram...

 

 

A MotoGP disputa nesse domingo sua primeira corrida na rodada dupla que fará no ricuito Ricardo Tormo, em Valência, com o nome de GP da Europa. Valentino Rossi fez um novo teste de Covid-19, e enfim teve resultado negativo, mas precisaria passar por novo teste hoje cedo na pista espanhola, e se der novamente negativo, poderá participar da corrida. O “Doutor” esteve ausente da rodada dupla realizada em Aragón por ter sido diagnosticado com o coronavírus.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

FLYING LAPS – OUTUBRO DE 2020

             E já estamos no mês de novembro. O fim de 2020, um ano cheio de percalços e problemas inesperados, devido à pandemia da Covid-19, que parece insistir em complicar tudo ainda por um bom tempo, está chegando ao fim, e com ele, alguns campeonatos também vão chegando às etapas finais, enquanto alguns outros já estão se encerrando. E todo início de mês é hora de mais uma sessão Flying Laps, com tópicos rápidos sobre acontecimentos diversos do mundo da velocidade que não deu para comentar nas colunas semanais regulares do último mês, com foco maior na Formula-E e na MotoGP. Portanto, uma boa leitura a todos, com muito boa saúde, e cuidem-se, uma vez que não podemos nos descuidar com relação à Covid-19, que ainda está causando muitos estragos pelo mundo inteiro, especialmente na Europa, que está vendo os casos aumentarem de modo tenebroso, assim como o número de mortos em alguns lugares. Esperemos por melhores notícias sempre, mas ainda teremos muito tempo de condição complicada pela frente, ao que parece. Mantenhamos a torcida por melhores dias, e até a próxima coluna Flying Laps.

 

E o ano de 2020 nem acabou, e a temporada de 2021 da Formula-E já sofre alterações em seu calendário, uma vez que a pandemia da Covid-19 ainda está deixando o mundo meio sem rumo, especialmente agora que a Europa está sofrendo a segunda onda de infecções, e deixando vários países com os nervos à flor da pele. No caso do calendário da F-E, que era de fato provisório, já que não tinha como se prever como a situação estaria exatamente, as etapas programadas para a Cidade do México, e em Sanya, na China, foram adiadas. Em contrapartida, a etapa que abriria a temporada 2021, na cidade de Santiago, no Chile, passou a ser uma rodada dupla, que será disputada nos dias 16 e 17 de janeiro. A rodada dupla será disputada sem público, com portões fechados, já que não se tem uma previsão segura de como estará a pandemia no país no início do ano que vem. A Arábia Saudita terá sua rodada dupla nos dias 26 e 27 de fevereiro, e a esperança é ter algum público presente na cidade de Diriyah, na Grande Riad. O mês de março segue em provas, com a competição retornando em 10 de abril, com o ePrix de Roma, seguido pelo ePrix de Paris no dia 24 de abril. No dia 8 de maio, está marcado o ePrix de Mônaco, e de lá a categoria dos carros elétricos parte para Seul, na Coréia do Sul, próxima etapa, no dia 23 de maio. A data do dia 5 de junho permanece em aberto, sem um local definido, com a corrida de Berlim vindo logo a seguir no dia 19 de junho. No dia 10 de julho, está marcado o ePrix de Nova Iorque, e por fim, nos dias 24 e 25 de julho, o ePrix de Londres, em rodada dupla, fechando a temporada. Mas não se descartam novas mudanças no calendário, dependendo da situação da pandemia. As apostas continuam sendo unicamente na confirmação da vacina, que está sendo desenvolvida por várias empresas ao redor do mundo, para se normalizar a situação. Aguardemos para ver...

 

 

O belga Jerôme D’Ambrosio perdeu sua vaga na F-E, mas continuará na categoria de carros elétricos na próxima temporada. O piloto decidiu aposentar o capacete, após se ver sem oportunidade de guiar em 2021, e agora assumirá função de chefe-adjunto na equipe Venturi, dando início a uma nova fase profissional. Em seis anos competindo na F-E, D’Ambrosio venceu três provas e subiu ao pódio em nove ocasiões. Jerôme havia disputado a temporada de 2011 da F-1 pela equipe Marussia, sem obter bons resultados diante do fraco desempenho da escuderia. O agora ex-piloto afirma que terá um novo desafio do lado de fora das pistas, e agradece à Venturi pela oportunidade.

 

 

A Audi confirmou oficialmente que Lucas Di Grassi e René Rast serão seus pilotos titulares para a temporada 2021 da F-E. O brasileiro está presente no time desde a primeira corrida da categoria, sendo praticamente um dos únicos pilotos a ter participado de todas as provas do certame de carros monopostos totalmente elétricos. Espera-se agora que a Audi melhore seu equipamento para a próxima temporada, já que na última, não conseguiu vencer nenhuma corrida, e pela primeira vez, Di Grassi terminou o ano fora do TOP-3 na classificação, finalizando apenas em 6º lugar, com 77 pontos, tendo como melhores resultados um 2º e um 3º lugares nas corridas da temporada, que teve como campeão o português Antonio Félix da Costa, da Techeetah, com 158 pontos. René Rast vem disputando o campeonato do DTM, mas com a saída da Audi da competição, o seu time na categoria encerrará suas atividades, deixando o francês livre para competir no certame de carros elétricos. Rast substituiu o alemão Daniel Abt a partir das provas em Berlim, devido à polêmica de Abt ter “competido” com um dublê em uma etapa virtual de competição da F-E, o que o levou a ser demitido da escuderia alemã, onde estava presente desde a primeira temporada. Abt acabou participando das provas de Berlim defendendo o time da Nio, que ainda não fechou sua dupla de pilotos para a temporada de 2021.

 

 

Não é apenas a Audi que manterá sua dupla para a próxima temporada. Mais três escuderias da F-E optaram pela continuidade de seus atuais pilotos titulares. O time campeão, a Techeetah, continua com o francês Jean-Éric Vergne, bicampeão da categoria, ao lado do atual campeão Antonio Félix da Costa. A Nissan também continua com Sébastien Buemi e Oliver Rowland. A Mercedes também comunicou a manutenção de sua dupla, Stoffel Vandoorne, vice-campeão da última temporada, e Nyck de Vries. Nos demais times, haverá mudanças em alguns nomes. Na Venturi, Edoardo Mortara terá Norman Nato como novo companheiro de equipe, em substituição ao brasileiro Felipe Massa, que havia anunciado em Berlim seu desligamento do time. A Jaguar continua com Mith Evans, e agora terá Sam Bird como novo colega de time. Na Virgin, Robin Frijns correrá ao lado de Nick Cassidy. Na Andretti, Maximilian Gunther ainda não teve divulgado seu novo colega de time, em substituição a Alexander Sims, que defenderá a Mahindra em 2021. Entre os nomes que podem entrar na disputa por vagas nos times que ainda não definiram seus pilotos está a atual dupla da equipe Hass na F-1, Kevin Magnussen e Romain Grosjean, que já admitiram a possibilidade de correr na categoria, depois que foram comunicados pela escuderia de F-1 que não estarão no time para o próximo ano. Os dois pilotos também cogitam buscar vagas na Indycar, e estão verificando as possibilidades de competição para o próximo ano.

 

 

O campeonato da MotoGP em 2020 vai colecionando vencedores diferentes. Desta vez, foi Danilo Petrucci que recebeu a bandeirada de chegada na frente no GP da França, disputado no traçado Bugatti da pista de Le Mans, que teve uma corrida para lá de atribulada, graças à chuva que caiu um pouco antes da largada, que embaralhou as estratégias dos competidores. Enquanto alguns pilotos deram azar com o piso molhado, entre eles Valentino Rossi, que acabou caindo e abandonou pela 3ª vez consecutiva uma corrida neste ano. Em compensação, Alex Márquez fez uma prova para calar os críticos, escalando o pelotão, e chegando a disputar a vitória com Petrucci nas voltas finais. O irmão mais novo do hexacampeão Marc Márquez levou a Honda de volta ao pódio, e começa a mostrar que, se não é um gênio como seu irmão mais velho, está longe de ser ruim como os resultados vinham demonstrando na temporada. Pol Spargaró fechou o pódio, em mais um bom resultado para a KTM, enquanto Andrea Dovizioso foi o 4º colocado, ainda mantendo esperanças na luta pelo título. Quem não se entendeu direito com o piso molhado também foi Fabio Quartararo, que da pole-position, foi caindo para trás, e teve trabalho para conseguir finalizar em 9º lugar, imediatamente à frente de Maverick Viñalez, que também perdeu posições na pista úmida. Franco Morbidelli foi outro que acabou no chão, em um dia onde os pilotos da Yamaha não tiveram muito o que comemorar.

 

 

Mas, se teve um piloto que ficou praticamente zerado neste mês de outubro, foi Valentino Rossi. O “Doutor” caiu da moto na etapa da França, e alguns dias depois, acabou apresentando resultado positivo para o teste de Covid-19, tendo de ficar em isolamento, e com isso, perdendo a chance de disputar a rodada dupla na pista de Aragón, na Espanha, nos dias 16 e 23 de outubro. A Yamaha acabou correndo estas duas etapas apenas com Maverick Viñalez, e não cogitou substituir o italiano. Jorge Lorenzo, que ocupa a função de piloto de testes do time dos três diapasões, acabou não sendo convocado para correr nas provas devido a estar sem pilotar desde o teste da pré-temporada, pelo que o time alegou que o espanhol não teria ritmo de corrida para fazer apresentar um desempenho competitivo como a escuderia gostaria de ter. Recuperado, Valentino deveria disputar a etapa do GP da Europa, antepenúltima prova do campeonato, no próximo dia 6 de novembro, no circuito Ricardo Tormo, em Valência, que também sediará no dia 13 de novembro o GP da Comunidade Valenciana, mas até o fechamento deste texto, o teste de Covid de “Doutor” ainda estava dando positivo para o vírus, o que colocava sua participação em dúvida. E também preocupa o aumento dos casos de Covid-19 na Espanha, que já ultrapassou a marca de um milhão de casos, motivando o governo espanhol a adotar novas medidas restritivas, com o objetivo de deter a escalada dos novos casos e mortes que vem ocorrendo nos últimos dias.

 

 

Líder do campeonato da MotoGP, Fabio Quartararo, da equipe SRT, teve uma rodada dupla para esquecer no circuito de Aragón, na Espanha. O piloto largou na pole-position na primeira corrida, mas conforme a prova se desenvolvia, o piloto ia ficando mais e mais para trás, vítima da escolha equivocada de compostos de sua moto, acabando por terminar a prova em um distante 18º lugar, fora da zona de pontuação. E a vitória da corrida foi de outro piloto que ainda não tinha vencido na temporada, Alex Rins, da Suzuki, que teve um duelo mais do que renhido com Alex Márquez, que mais uma vez fez uma corrida espetacular, agora no piso seco, sem circunstâncias anormais, para terminar novamente em 2º lugar, e por pouco não obtendo sua primeira vitória na classe rainha do motociclismo. Mas para azar de Quartararo, Joan Mir fechou o pódio em 3º, e com isso assumiu a liderança do campeonato, no qual vinha chegando pouco a pouco nos primeiros colocados, sem despertar muito a atenção, mas demonstrando uma constância e regularidade que estava faltando nos líderes da pontuação. Um exemplo é de Andrea Dovizioso, que era considerado potencialmente o adversário mais perigoso, mas que terminou a corrida num modesto 7º lugar, sem conseguir diminuir tanto sua desvantagem para Quartararo. Maverick Viñalez, outro que tenta se colocar firme na luta pelo título, foi o 4º colocado, e procura se manter entre os primeiros colocados, mas que também tem tido altos e baixos além do que seria recomendável na disputa do título da competição, à mercê da instabilidade que parece afetar o desempenho das motos da Yamaha nas corridas. Tudo caminha para um final de temporada dos mais equilibrados e disputados dos últimos anos, especialmente por Marc Márquez ter ficado de fora da competição, com seu retorno ocorrendo somente em 2021.

 

 

Na segunda prova em Aragón, o GP de Teruel, Franco Morbidelli também mostrou que quer ir à luta pelo título, e venceu a corrida, resgatando a honra da Yamaha e da SRT. Maverick Viñalez até tentou manter a constância, mas terminou em 7º lugar, bem à frente de Quartararo, que ao finalizar em 8º, minimizou um pouco os prejuízos, ao menos para impedir uma aproximação de Andrea Dovizioso, que foi um magro 13º colocado, ficando mais distante da liderança do campeonato, que foi reforçada com mais um 3º lugar de Joan Mir, em um pódio que contou também com Alex Rins, mostrando que a Suzuki também vai entrar firme na briga pelo título de 2020.

 

 

Faltando três corridas para encerrar o campeonato da MotoGP, Joan Mir lidera a competição com 137 pontos. Fabio Quartararo ainda mantém a vice-liderança, com 123 pontos, mas está com Maverick Viñalez perigosamente em seus calcanhares, com 118 pontos. Com a vitória na etapa de Teruel, Franco Morbidelli assumiu a 4ª posição, com 112 pontos, superando Andrea Dovizioso, com 109. E Alex Rins, companheiro de Mir na Suzuki, é o 6º, com 105 pontos, mas que pode vir para cima, se a equipe nipônica manter o desempenho visto no Motorland Aragón. Ainda temos 75 pontos em jogo, e os 14 pontos de Mir para Quartararo não são uma vantagem confortável, diante do que tem acontecido no campeonato até aqui. Basta uma corrida ruim de Mir para tudo mudar, e o favoritismo trocar de mãos, com mais gente chegando para tentar a sorte na reta final. Vejamos quem se dará melhor nas provas que faltam para fechar o campeonato. A emoção está mais do que garantida...