sexta-feira, 3 de maio de 2019

SENNA, 25 ANOS

Fãs visitaram o circuito de Ímola na última quarta-feira, quando diversos atividades foram promovidas na pista onde 25 anos atrás Ayrton Senna morreu (acima). E em Interlagos, no mesmo dia, ocorreu o Senna Day, com diversas atividades lembrando do piloto, entre elas exposição de seus macacões (abaixo).

            Completou-se nesta última quarta-feira, dia 1º de maio, nada menos do que 25 anos que o mundo da Fórmula 1 perdeu um de seus maiores nomes, Ayrton Senna. Duas décadas e meia atrás, no circuito Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, durante a disputa do Grande Prêmio de San Marino, pequeno principado encravado no meio da Itália, o piloto brasileiro liderava a corrida, quando acertou o muro externo da curva Tamburello, sofrendo graves lesões que o levaram à morte, algumas horas depois, no hospital para onde fora levado, em Bolonha.
            Foi o fim de semana mais negro da história da categoria máxima do automobilismo. Um fim de semana ruim que começou já na sexta-feira, com o violento acidente de Rubens Barrichello, da Jordan, que acabou levando o piloto para o hospital. Rubinho, apesar da violência da batida, sofreu poucos ferimentos, mas acabaria vetado para correr o GP. No sábado, ele ainda participou da transmissão do treino de classificação junto com Reginaldo Leme e Galvão Bueno, e no domingo de manhã voltaria para a Inglaterra, para descansar e se recuperar do acidente sofrido. E, curiosamente, Barrichello foi o mais sortudo dentre os pilotos acidentados naquele final de semana. No sábado mesmo, o novato Roland Ratzemberger, da igualmente novata equipe Simtek, acertou o muro de proteção da curva Villeneuve, sofrendo ferimentos que o levaram à morte. Aquilo, por si só, já era traumático: desde 1982 que a Fórmula 1 não via a morte de um piloto em atividades de fim de semana de corridas. A morte do piloto austríaco só não ganhou maior repercussão por se tratar de um novato praticamente desconhecido. Impactou, mas a vida segue. Para muitos que assistiam pela TV, foi sensação parecida. Mas, no domingo, tudo iria pelos ares, com a perda de Senna. Uma corrida que começou com confusão, com um dos carros no grid não conseguindo arrancar na largada, e sendo atingido por outro carro que veio de trás, despedaçando partes de ambos os carros, e fazendo voar pedaços deles para todos os lados, com os estilhaços a causarem ferimentos em várias pessoas próximas. Foi preciso a intervenção do Safety Car para limpar a pista, e quanto a corrida foi recomeçada, tudo parecia mais ou menos bem, até a Williams de Ayrton, liderando a prova, seguir reto na Tamburello. E aí, o mundo desabou para muita gente.
            Desnecessário repetir o ocorrido no autódromo e mundo afora naquele momento, e nas horas que se seguiram. Para os fãs do esporte, uma perda monumental. Para os brasileiros, era quase a razão de viver, torcer por um brasileiro que mostrava ao mundo que nós podíamos ser vencedores também, em um mundo no qual nosso país nunca era visto como uma nação séria. Pior que não haviam motivos injustificados para isso. Éramos descrentes de nossos políticos, de nossa economia, e quase nada nos dava algum alento frente às desilusões e más notícias vividas dia após dia. Ver Senna vencendo num esporte elitista mundial como a Fórmula 1 fazia muitos esquecerem essa realidade que vivíamos. Não que vencer na F-1 fosse algo estranho ou anormal. Émerson Fittipaldi e Nélson Piquet já haviam dado muitas alegrias ao povo torcedor com seus triunfos e títulos, mas ninguém soube projetar uma imagem tão “patriótica” e fixada ao Brasil como Senna. Seu gesto de erguer a bandeira nacional em várias de suas vitórias ajudou muito nisso, assim como a fixação da sua imagem de vencedor pela TV Globo nas transmissões, com seu principal narrador, Galvão Bueno, chegando a torcer descaradamente pelo piloto em muitas oportunidades.
Em 1994, Senna realizou o sonho de correr pela Williams, mas que acabou se tornando um pesadelo para o piloto e para seus fãs.
            Morrer liderando uma corrida, no auge da carreira, também ajudou a transformar Senna, que já era um fenômeno da velocidade e do esporte, reconhecido no mundo todo, em um mito, quase um santo, e isso teve suas boas e más consequências. Diria que a má é principalmente o sentimento de muitos torcedores, para os quais a F-1 passou a não ser mais boa como era, e do sentimento de orfandade que se abateu sobre estas pessoas. Algumas vezes, dá a impressão de que para estas pessoas Senna, se estivesse vivo, ainda estaria correndo e vencendo GPs e conquistando títulos... Mesmo que ele tenha partido agora há 25 anos atrás. E a TV Globo, por vezes, parece a maior órfã a exibir este sentimento, com muitas referências e citações a Senna durante todo este tempo, numa demonstração inequívoca de saudade daqueles tempos. Tempos que foram bons para muitos torcedores nacionais, e claro, também estrangeiros, que puderam ver um dos maiores gênios do mundo do automobilismo pilotar. Mas tempos que já ficaram no passado, e assim deveriam ser tratados. Não esquecidos, claro. Mas lembrados e recordados nos devidos momentos. E tratados com respeito e consideração, mas também com sobriedade. Como em momentos como agora. Afinal, Ayrton nos deixou há um quarto de século. Nem parece que foi há tanto tempo, mas foi. Vinte e cinco anos não é uma data corriqueira. E este tipo de data merece sim suas considerações e lembranças, como as que houve na quarta-feira, em Interlagos, e ao mesmo tempo, na Itália, em Ímola, onde o autódromo onde Senna correu pela última vez esteve com uma programação especial em memória ao piloto brasileiro, com suas portas abertas a todos que lá estiveram. Em ambos os lugares, muitas pessoas estiveram presentes, para honrar a memória do piloto, o que ele significou para seus torcedores, e chorar sua perda, como se fosse um ente querido da família que todos perderam ao mesmo tempo, naquele fatídico momento do choque na curva Tamburello.
A rivalidade com Alain Prost na McLaren ganhou ares de guerra declarada. E o piloto francês viraria o "inimigo público Nº 1" dos torcedores brasileiros.
            Uma data que também não passou esquecida para muitos daqueles que conviveram com Senna, dando suas declarações nas redes sociais sobre sua convivência com o piloto brasileiro, como jornalistas, profissionais das equipes da época, além de comentários também daqueles que nunca conheceram ou viram Ayrton ao vivo e em vida, mas o reverenciam pelo que ele foi nas pistas, como o atual campeão Lewis Hamilton, que tem em Senna seu grande ídolo e inspirador. E nenhum deles está indiferente ou desrespeitoso para com a vivência que tiveram com o tricampeão mundial de F-1, ou sua memória. Igualmente, vários sites especializados, brasileiros e internacionais, dedicaram matérias à esta data, recordando em maior ou menor grau o que foi Ayrton Senna no automobilismo mundial, com inúmeros destes profissionais do meio dissertando seus pontos de vista sobre o piloto.
            A morte de Senna e Ratzemberger, este quase esquecido pelo azar de ter falecido no dia anterior ao brasileiro, ao menos gerou um grande legado, que foi o aumento das condições de segurança da F-1, com novos padrões e exigências que se estenderam a inúmeras outras categorias, ajudando a tornar pistas e bólidos muito mais seguros. Desde o falecimento de Ayrton, a F-1 perdeu apenas um piloto nestes últimos 25 anos: Jules Bianchi, devido a um acidente sofrido em Suzuka, quando seu carro atingiu um trator de serviço que retirava um carro parado próximo à pista. Mais do que uma fatalidade, pelo azar que o piloto da equipe Marussia teve, foi uma recordação de que o automobilismo é ainda um esporte perigoso. Como era também na época de Senna. Mas os acidentes que os pilotos sofriam tinham tido uma sorte tremenda de não gerar falecimentos, por mais violentos que fossem. Os carros não eram inseguros, mas precisavam de aperfeiçoamentos em vários pontos, para serem muito mais eficazes na proteção dos pilotos. Esta priorização da segurança segue firme até hoje, ainda que em nome deste objetivo a F-1 exagere em certos momentos além do que precisaria ser feito, como se todos na pista parecessem um bando de incapazes, deixando muitos torcedores desapontados pelo excesso de zelo demonstrado.
Apesar de conquistando suas primeiras poles e vitórias com a lendário Lotus preta e dourada (acima), foi com a McLaren e seu icônico visual vermelho e branco que Senna atingiu o cume de sua carreira, onde conquistou seus três títulos, além de dois vice-campeonatos (abaixo).
            Para o Brasil, ter de encarar a realidade, sem ter mais o alento de ver um compatriota vencendo mundo afora, foi muito duro. A única compensação foi o futebol, onde depois de 24 anos, voltávamos a ser campeões mundiais, na Copa dos Estados Unidos, naquele mesmo ano, e chegando ao pentacampeonato em 2002. Tivemos algumas alegrias no automobilismo nesse período também, com as vitórias de nossos pilotos na antiga F-Indy, onde nosso pioneiro campeão, Émerson Fittipaldi, abriu as portas para uma nova geração de pilotos que, sem conseguir chegar à F-1, foi exibir seu talento nas terras do Tio Sam. Mas a mentalidade da grande maioria, em parte moldada pela Globo, só enxergava a F-1, e lá, a mudança foi brutal: de protagonistas, viramos apenas coadjuvantes. Para alguns pilotos, ficou tudo pior do que já era naturalmente, com todos exigindo o surgimento de um “novo” Senna para nos fazer ficar novamente no topo da ribalta, algo que nunca mais aconteceu. Rubens Barrichello e Felipe Massa eram apenas bons, e mesmo vencendo algumas corridas, e chegando a dar algumas alegrias momentâneas, nunca foram “novos” Sennas para a maioria, que exigia vitória e títulos, por vezes mesmo quando eles não tinham condições técnicas para tanto. Pior: eles passaram a ser tratados como “vendidos” por cumprirem ordens de equipe destinadas a favorecer seus parceiros quando estavam na Ferrari, o que só aumentou a desilusão para com eles. Sempre vinha a discussão sobre isso: “Senna jamais aceitaria ordens de equipe!”, bradavam.
            Outra coisa que nunca arrefeceu foi a rivalidade Senna X Piquet, com muitos torcedores de ambos os pilotos a defenestrar uns aos outros, nas inúmeras discussões sobre quem foi maior ou melhor entre eles. Infelizmente, por ambos terem personalidades fortes, nunca foram amigos, como muitos desejavam. E até o contrário: para apimentar ainda mais a situação, era preciso haver rivalidade, e não apenas com Alain Prost, que se tornaria o “inimigo nacional público Nº 1” do Brasil a partir de 1989. E Nélson Piquet, que não ligava a mínima para marketing, também ajudou a incendiar essa disputa pela preferência do público. Seu estilo franco e sincero, e por vezes polêmico, ao passo que Senna era um pouco mais preocupado com sua imagem, sabendo ter um pouco mais de charme junto ao público, era um grande revés para nosso primeiro tricampeão. Não era difícil o público passar a amar mais Ayrton, cuja carreira a bordo da McLaren atingia as alturas na F-1. Já Piquet, com um carro muito ruim em 1988 e 1989, perdeu qualquer chance de igualar a disputa pela preferência da torcida, que até 1987 pendia a seu favor, pela conquista do tricampeonato. Piquet só voltaria a vencer corridas no fim de 1990, mas sem conseguir recuperar seu prestígio junto à imensa maioria da torcida, para a qual só existia Senna e nada mais, contra o “inimigo declarado” Prost, e qualquer um que se colocasse no seu caminho, embora Nigel Mansell, que superou o brasileiro em 1992, nunca tenha sido eleito um adversário com tanto entusiasmo (ou poderia se dizer “ódio” dos torcedores). Talvez o fato de saberem que a Williams tinha um carro imbatível ajudasse o inglês a não ser tão visado, mas bastou Alain Prost ser confirmado em 1993, e ainda por cima, vetado a contratação de Senna, para o francês ser candidato a ser queimado na fogueira em praça pública pelos torcedores, que esqueciam que seu ídolo já tinha também vetado a contratação de piloto quando estava na Lotus.
            Isso acende a preocupação de Senna ser visto quase como um super-homem, um santo, um ser perfeito, sem defeitos, o que não é verdade. O brasileiro era por vezes arrogante e prepotente, e seus chiliques em 1992, quando exigia para si ter o direito de pilotar o melhor carro da categoria, como se fosse uma afronta guiar um carro menos competitivo, nada ficava a dever às queixas ouvidas em tempos recentes por Fernando Alonso, em situação similar, sem conseguir disputar títulos. E Senna também cometia erros, mesmo que com o passar do tempo fosse ficando cada vez mais afiado na pilotagem, como em 1993. É preciso descer um pouco para a realidade do que foi realmente Ayrton Senna: um piloto fantástico, e um dos maiores nomes da F-1 em todos os tempos. Um grande ídolo nacional, e que conseguiu fãs e respeito no mundo inteiro. Que infelizmente teve um destino trágico. E que, em vida, teve seu lado gentil e carinhoso, e solidário, tendo ajudado várias instituições, algo que mantinha com total discrição, para não gerar picuinhas e fofocas sobre seus gestos, no que tinha muita razão de fazer. O Instituto Ayrton Senna, desde sua criação, até os dias atuais, procura tentar seguir os seus preceitos, usando os direitos de sua imagem para diversos fins, algo que deve ser visto com o devido respeito, mas sem endeusar a memória de Senna, como muitos fazem.
Ídolo também no Japão, Ayrton ganhou até uma série de mangá sobre a temporada de 1991.
            E é preciso, sobretudo, deixar Senna descansar também. Há menções até demasiadas sobre ele, especialmente por parte da Globo, que parece teimar em querer manter sempre seu nome em evidência. Há razões para isso, a maior parte delas comercial, já que sem um brasileiro cativando os torcedores, a audiência das corridas estancou, nunca mais atingindo os índices que se via quando Ayrton disputava vitórias e o título. Mas é uma história que já passou. Algo que deve ser recordado e lembrado, sim, mas não com exagero, e aquele estilo típico de ufanismo que a emissora já fez virar praxe em suas transmissões esportivas, e não apenas me referindo ao automobilismo. A imagem de Ayrton Senna deve ser vista à luz da realidade, com seus bons e maus momentos, em um relato objetivo e imparcial, que mostre tudo o que ele realizou, bem como os períodos que possam ser questionáveis em sua conduta e feitos. Não se trata de demonizar o piloto, como alguns alegam, nem de diminui-lo, mas apenas de apresentar os fatos reais ocorridos. Senna foi um ser humano como todos nós, com suas virtudes e defeitos, que devem ser devidamente relatados.
            Algo que parece ser meio complicado atualmente, em especial pelo exponencial alcance da internet e redes sociais, onde certas discussões facilmente descambam para guerras verbais e brigas virtuais que não ajudam nem um pouco a manter um saudável debate sobre os mais variados assuntos. E nisso também se enquadra a memória de Ayrton Senna, que para alguns deve ser glorificada e santificada até, mesmo partindo de pessoas que nunca o viram pilotar, ou nasceram após sua morte. As chamadas “viúvas” de Ayrton Senna muitas vezes transformam simples e racionais questionamentos sobre alguns atos não tão virtuosos a respeito do piloto em linchamentos virtuais, numa defesa que em certos momentos parece beirar o fanatismo. Não é algo generalizado, felizmente. Mas é tremendamente dispensável, por que tal atitude apenas vilipendia a memória de Ayrton, que não merece este tipo de torcida ardorosa, e certamente não a aceitaria, ainda estivesse entre nós.
            Ayrton continua vivo na memória de todos. E assim deve ficar. Sem exageros ou glorificações demasiadas. Apenas lembrado, e respeitado. É o que melhor podemos fazer para honrar sua memória, e todo o legado que seu falecimento gerou de positivo para o mundo do esporte a motor.


Não há muito o que se dizer a respeito da corrida em Baku este ano da Fórmula 1. Apenas resumindo o básico: a Mercedes fez mais uma dobradinha, agora com Valtteri Bottas à frente de Lewis Hamilton; e a Ferrari acabou decepcionando novamente. Para alguns, o time vermelho já jogou 2019 fora, e seria melhor pensar já em 2020... Exagero, claro, mas que representa a frustração com o que o time italiano tem se apresentado até agora na competição...

quarta-feira, 1 de maio de 2019

FLYING LAPS – ABRIL DE 2019


            E já chegamos no mês de maio. Um terço de 2019 já foi embora, e todo início de cada mês é tempo da sessão Flying Laps, comentando alguns dos acontecimentos do mundo da velocidade ocorridos no mês anterior, que não puderam ser citados nas colunas semanais regulares. Portanto, curtam o texto, enfocando as provas da MotoGP, Formula-E, e Indycar, com os tradicionais comentários sobre cada uma delas. Um bom feriado para todos, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem...
 

A disputa no campeonato da MotoGP segue embalada em 2019. Marc Márquez tinha tudo para manter sua supremacia no GP dos Estados Unidos, em Austin, pista que só viu a “Formiga Atômica” vencer desde que Marc estreou na classe rainha. E tudo parecia conspirar para o piloto espanhol e atual campeão mundial reprisar mais uma vez o seu domínio na pista texana, ao marcar a pole-position e dominar a corrida com seu tradicional estilo. Márquez vinha dominando a corrida, quando na décima volta, de um total de 20, acabou caindo sozinho, e dando adeus à competição. Valentino Rossi, que vinha na segunda posição, assumiu a liderança, mas acabou não levando a vitória. Alex Rins, da Suzuki, já vinha assediando o “Doutor”, e com uma manobra precisa, conseguiu arrebatar a liderança da corrida, deixando o piloto da Yamaha para trás, depois de uma reação de Rossi, mas prontamente rechaçada pelo piloto da Suzuki. Valentino até tentou retomar a liderança, mas Alex conseguiu manter-se na dianteira, cruzando na bandeirada com uma vantagem de 0s462. O pódio foi completado por Jack Miller, da Pramac, time satélite da Ducati, que chegou imediatamente à frente do time oficial da fábrica, com Andrea Dovizioso na 4ª posição. A Honda, aliás, teve seu pior GP em muito tempo: além de Márquez abandonar por um erro de si próprio, Jorge Lorenzo continuou seu calvário na nova equipe, ao experimentar um abandono por problemas mecânicos em sua moto, em mais um fim de semana onde ficou longe da performance do companheiro de equipe. Quem também continuou tendo resultados abaixo da média foi Maverick Viñalez, que acabou punido por queimar a largada, e acabou cumprindo uma punição equivocada, o que o levou a perder ainda mais tempo, e a ter de fazer uma corrida de recuperação que acabou com quaisquer chances de um bom resultado, terminando em 11º lugar. A vitória de Rins devolveu a Suzuki ao degrau mais alto do pódio, onde esteve pela última vez no GP da Inglaterra de 2016, quando a marca japonesa venceu em Silverstone com Maverick Viñalez. A Suzuki mostra que evoluiu para este ano, e com uma Yamaha que ainda se mostra com uma performance claudicante para desafiar Honda e até mesmo a Ducati, o time dos três diapasões agora ainda precisa se ver às voltas com mais uma rival compatriota, que quer seu lugar ao sol na classe rainha do motociclismo. E pelo que vimos nas corridas até agora, já se sente no pleno direito de sonhar com tais aspirações.


Com o 4º lugar no GP dos Estados Unidos, Andrea Dovizioso assumiu a liderança do campeonato da MotoGP. O piloto da equipe de Bolonha tem 54 pontos, com Valentino Rossi como vice-líder na classificação, com 51 pontos. O triunfo em Austin catapultou Alex Rins para a 3ª posição, com 49 pontos, enquanto o abandono fez Márquez despencar da liderança para a 4ª colocação, com 45 pontos. Em 5º lugar, um pouco mais distanciado, vem Danilo Petrucci, que até o presente momento ainda não chegou a empolgar na Ducati, mas vem pontuando com certa constância, ainda que precise chegar um pouco mais à frente para o equipamento de que dispõe, anotando 30 pontos até o momento. Com o pódio de Austin, Jack Miller é o 6º colocado, colado em Petrucci na classificação, com 29 pontos. Na Yamaha, enquanto Rossi vem tirando leite de pedra da moto, Maverick Viñalez é apenas o 12º colocado, com 14 pontos, bem longe dos 51 pontos obtidos pelo “Doutor”. Mas não é o único em situação embaraçosa, bastando lembrar das posições da dupla da Honda, com Márquez em 4º, com seus 45 pontos, enquanto Jorge Lorenzo ocupa a 17ª posição, com apenas 7 pontos. O ponto positivo é que até o presente momento o campeonato não viu Márquez desgarrar como ameaçava fazer, e seus adversários ganharam um respiro para engrossar a disputa, que terá novos rounds que prometem bastante na chegada da MotoGP à Europa em breve.


A temporada da Formula-E continua pra lá de disputada. Na etapa de Roma, quem triunfou foi o neozelandês Mith Evans, que se tornou o 7º vencedor diferente no campeonato, e com o 7º time diferente a vencer, neste caso, a Jaguar, que obteve sua primeira vitória desde que estreou na competição. Evans havia largado na 2ª posição, ao lado do pole-position André Lotterer, da Techeetah, e os dois travaram uma bela luta pela liderança da corrida, com o piloto da Jaguar conseguindo finalmente dar o bote e superar Lotterer faltando cerca de 15 minutos para o fim da corrida. O alemão tentou dar o troco, inclusive com o “Modo Ataque”, mas Evans conseguiu resistir às investidas, para cruzar a linha de chegada em primeiro lugar. Stoffel Vandoorne também fez uma boa corrida, e fechou o pódio, o primeiro da nova equipe HWA, que tinha visto seu outro piloto, Gary Paffet, ser o primeiro a abandonar a corrida. Robin Frijns acabou em 4º lugar, após uma boa disputa com Sébastien Buemi, que finalizou em 5º. Para os pilotos brasileiros, a corrida não foi das melhores. Felipe Massa abandonou por problemas no seu carro, em uma corrida onde a Venturi ficou pelo meio do caminho, com Edoardo Mortara também abandonando. Lucas Di Grassi, com um carro que não rendia o esperado, ainda deu alguma sorte, e terminou em 7º lugar, conseguindo pontos importantes para o campeonato, que com o resultado desta corrida, estava ficando cada vez mais embolado, com nada menos que 9 pilotos separados por 12 pontos. Felipe Nasr, com compromisso no IMSA Wheater Tech Sportscar, em Long Beach, foi substituído na Dragon por Maxximilian Gunther, piloto que ele havia substituído a partir da etapa do México.


Depois de 7 vencedores diferentes nas 7 primeiras corridas da atual temporada, as apostas para a etapa de Paris da F-E passaram a ser se teríamos mais um piloto vencendo na temporada, e o triunfo de mais alguma equipe. Bem, a única escuderia com um retrospecto que justificaria a aposta em engrossar a lista de vencedores do ano seria a e.dams, que já foi campeã da categoria com Sébastien Buemi. Mas não foi dessa vez que a escuderia, agora time oficial da Nissan, desencantou no ano. Mas tivemos, sim, mais um piloto vencendo na competição, e desta vez os louros da vitória foram para Robin Frijns, que também venceu pela primeira vez na F-E, e deu à Virgin sua segunda vitória na temporada, uma vez que já havia vencido com seu outro piloto, Sam Bird. O triunfo do holandês na etapa francesa o levou para a liderança da competição, com 81 pontos, e o resultado dos demais pilotos ajudou a espalhar um pouco os melhores colocados no campeonato, em uma corrida onde a F-E teve pela primeira vez a chuva caindo forte durante uma etapa, que ajudou a bagunçar a situação dos pilotos na pista, com algumas rodadas e toques. Frijns conseguiu sobreviver às confusões e venceu a corrida, depois de uma bandeira amarela e de muita briga nas voltas finais. André Lotterer, da Techeetah, foi mais uma vez ao pódio, e subiu para a vice-liderança do campeonato, com 80 pontos. O pódio foi completado por Daniel Abt, da Audi, com seu companheiro Lucas Di Grassi chegando logo atrás, em 4º lugar. Continuando a substituir Felipe Nasr na Dragon, Maxximilian Gunther foi um excelente 5º colocado, à frente de Jean-Éric Vergne. Felipe Massa teve uma prova cheia de percalços, primeiro com a chuva, com a viseira vazando água dentro, e depois ainda levando um toque na pista molhada, que o fez cair várias posições, finalizando em 9º lugar. Jerôme D’Ambrosio acabou não marcando pontos, e com isso, de líder na classificação, caiu para a 5ª posição, com seus 65 pontos. Antonio Félix da Costa foi apenas o 7º colocado, mas conseguiu se manter em 3º na classificação, com 70 pontos. Lucas Di Grassi está empatado com o português, com 70 pontos, mas classificado em 4º, por ter vencido depois de Antonio. E quem não deu sorte foi Sam Bird, que terminou em 11º, e começa a ficar para trás na pontuação, ocupando a 9ª colocação, com 54 pontos. Mas, depois do que vimos nestas oito provas, tudo pode mudar na próxima corrida, dependendo dos resultados, e não dá para fazer nenhuma previsão do panorama da competição. O campeonato segue o mais imprevisível possível, e apesar da boa colocação dos líderes atualmente nas primeiras posições da tabela, tudo pode mudar nas próximas etapas. Quem será o campeão da temporada, depois de tudo isso? Não dá para fazer a menor idéia... Todo mundo entre os 10 primeiros, em tese, pode conseguir chegar lá, na combinação de resultados... Vai ser muito interessante acompanhar essa briga...


E deu vitória de Takuma Sato na etapa do Alabama pelo campeonato da Indycar. O piloto japonês largou na pole-position na pista de Barber, e tratou de fazer bom uso da posição de honra do grid, comandando a corrida com autoridade, e não se deixando ameaçar pelos rivais. A comemoração da equipe Rahal/Letterman/Lannigan, que fez dobradinha na primeira fila só não foi completa porque Graham Rahal, o outro piloto do time, ficou pelo meio do caminho, com problemas no seu carro. Scott Dixon, que largou em 3º, terminou em 2º, marcando pontos importantes para o campeonato. Mas quem deu show foi Josef Newgarden, da Penske, que largou em 16º, e veio superando os adversários na pista, para receber a bandeirada em 4º lugar, atrás de Sebastien Bourdais, da Dale Coyne. Tony Kanaan e Matheus Leist tiveram outra corrida sofrível com o péssimo rendimento do carro da Foyt, terminando apenas em 18º (Kanaan) e 20º (Leist). Colton Herta, depois da glória da primeira vitória em Austin, foi direto ao inferno em Barber, sendo o primeiro piloto a abandonar a corrida, panorama bem distinto do vivido na corrida no Circuito das Américas. Alexander Rossi foi outro piloto que saiu do Alabama com um resultado bem aceitável, tendo terminado a corrida em 5º lugar.


Na Indycar, a opinião é de que Long Beach é a prova mais badalada da temporada, depois das 500 Milhas de Indianápolis. Mas já faz algum tempo que o circuito citadino ao sul de Los Angeles não vem proporcionando corridas que levantem o grande público presente em suas arquibancadas, e este ano a situação também não diferente. Alexander Rossi, da Andretti, largou na pole e venceu a corrida de ponta a ponta. Sem questionar o mérito da pilotagem de Rossi, mas a corrida em si foi a mais maçante da temporada até aqui, com poucas disputas e menos ultrapassagens ainda. Rossi, à exceção das relargadas, pouco foi ameaçado durante a corrida, que viu outro bom resultado de Josef Newgarden, que com o 2º lugar, abriu mais vantagem na classificação do campeonato. Scott Dixon acabou fechando o pódio, após Graham Rahal ser penalizado pela direção de prova, acusado de ter fechado o neozelandês com uma bloqueada quando disputavam posição. Rahal acabou caindo para 4º, à frente de Ryan Hunter-Reay, que finalizou em 5º. Matheus Leist, apesar de um toque na parte inicial da corrida, decorrente de um percalço com Zach Veach, fez sua melhor corrida no ano, para terminar em 15º. Tony Kanaan foi apenas o 19º, e teve uma prova mais complicada que o de costume depois de sofrer um acidente no treino de classificação, que lhe causou fortes dores no joelho e nas costas. O piloto baiano precisou passar por uma avaliação médica no domingo, e acabou liberado para participar da corrida, mas as sequelas da batida não o deixaram render o seu melhor.


Com a vitória, Alexander Rossi assumiu a 2º colocação na classificação, com 138 pontos, 5 a mais que Scott Dixon, na 3ª posição. Josef Newgarden segue em primeiro, com 166 pontos. Agora, a Indycar parte para as corridas na pista de Indianápolis, com a prova no traçado misto, e as tradicionais Indy500...