quarta-feira, 30 de setembro de 2026

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – SETEMBRO DE 2026


Estamos chegando ao final do mês de setembro, e logo estaremos em outubro, iniciando o último trimestre de 2026, que se encaminha para o seu final. O tempo parece mesmo voar, como já mencionei aqui tantas vezes, tão rápido quanto os bólidos de competição que tanto curtimos e admiramos. Portanto, como de costume todo final de mês, é hora de mais uma edição da Cotação Automobilística, com uma avaliação de alguns dos principais acontecimentos e nomes do mundo da velocidade neste mês de setembro, com alguns comentários, e sempre no tradicional esquema já conhecido de sempre: EM ALTA (cor verde); NA MESMA (cor azul); e EM BAIXA (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a próxima Cotação Automobilística, no próximo mês de outubro, com as avaliações dos acontecimentos do mundo da velocidade no próximo mês. Até lá, e cuidem-se bem...

 

EM ALTA:

 

Andrea Kimi Antonelli: O piloto italiano da Mercedes segue firme e imparável rumo à conquista do título da temporada na F-1. Foram duas vitórias, em Monza e Madri, a última com a “sorte de campeão”, como ele mesmo admitiu, e um 5º lugar em Baku, onde Andrea admitiu que, diante das circunstâncias da classificação ruim, pilotou de forma conservadora contendo os danos, algo que a grande vantagem justificou plenamente, de modo a minimizar os prejuízos, e ainda ostentar uma vantagem bem ampla na liderança do campeonato. Cabe a Antonelli agora apenas manter o ritmo e evitar cometer novos erros, e não se acomodar demais administrando a imensa vantagem adquirida até aqui, para se tornar o mais jovem campeão mundial de todos os tempos.

 

Equipe Mercedes: O time de Brackley deu uma pequena balançada nas corridas recentes com a possibilidade da McLaren passar a discutir vitórias na temporada, ainda que fosse muito tardio para entrar na disputa pelo título, mas a escuderia alemã parece ter reencontrado o domínio que vem exibido desde o início do ano, deixando apenas momentos pontuais de sorte para os rivais, e reafirmando que, este ano, ninguém tira mesmo os títulos de pilotos e construtores deles. Foram três vitórias nas últimas três corridas, mesmo que as duas últimas possam ter sido conquistadas em parte na sorte e no sufoco, mesmo que a impressão possa ter sido de dificuldades patentes para a equipe prateada. É o domínio que conta, e mesmo que tenha sido por margens menores do que as esperadas habitualmente, seguem valendo do mesmo jeito.

 

Disputa na MotoGP: A briga pelo título na classe rainha do motociclismo promete fortes emoções nas etapas finais da temporada. Marc Márquez deu uma bela impulsionada com resultados firmes e dominadores em algumas etapas, mas a provável reviravolta não tem garantias. A “Formiga Atômica” até conseguiu assumir a ponta do campeonato, mas Jorge Martin conseguiu retomar a ponta, em uma disputa onde ora a Aprilia mostra força, ora Márquez tira uma competitividade da Ducati que ninguém mais esperaria. Os duelos estão acirrados, e as margens de folga, bem estreitas, de modo que o panorama da competição pode mudar prova a prova, até o fechamento do campeonato, e ninguém pode ser tido como favorito. Jorge Martin tem tudo para se despedir da Aprilia com o bicampeonato, mas Marc Márquez não vai deixar barato, e da mesma maneira, mesmo Marco Bezzecchi, de favorito a azarão no momento, não pode ser deixado de fora. O duelo promete, e a indefinição promete seguir até a corrida final, em Valência.

 

Elfyn Evans: O piloto britânico da equipe oficial da Toyota está muito perto de conquistar finalmente o título no Mundial de Rali. Tendo batido na trave por cinco vezes em sua carreira na principal competição de categoria off-road, Evans viu suas chances aumentarem com o cancelamento do Rali da Arábia Saudita, a última etapa da temporada 2026. Com 17 pontos de vantagem para o vice-líder, Elfym precisa apenas garantir mais 19 pontos na etapa da Sardenha para levar o tão sonhado título na competição, onde está presente desde 2013. Evans ficou como vice-campeão nas temporadas de 2020, 2021, 2023, 2024, e 2025, e agora vê a chance de finalmente desencantar. Mesmo assim, não dá para comemorar antecipadamente, porque tudo pode acontecer em competições off-road, e a vantagem para finandês Sami Pajari, companheiro de equipe, se não é mínima, não é exatamente confortável para relaxar pensando apenas em administrar a liderança. Mas, mais do que nunca, Evans tem a melhor chance da vida de ser campeão do WRC, e precisa agarrar a oportunidade como nunca, pois se sofrer um novo revés, e perder novamente o título, sabe-se lá se a chance estará tão boa em 2027, para não mencionar o possível incômodo com quatro vice-campeonatos consecutivos no currículo...

 

Rafael Câmara campeão da F-2: O piloto pernambucano de 21 anos assumiu a liderança do campeonato da F-2 com os resultados do fim de semana em Baku, e com as etapas seguintes do campeonato, fechando o calendário, programadas para o Oriente Médio, que está instável, o brasileiro pode acabar sendo aclamado campeão, se as etapas forem mesmo canceladas, porque a competição não está vendo com bons olhos a substituição por uma corrida em Ímola. Mas nada está decidido ainda, e Câmara também está bem cotado para assumir a vaga de Esteban Ocon na equipe Haas de F-1, devido ao time estadunidense usar propulsores da Ferrari, e Rafael fazer parte da Academia de Pilotos da Ferrari, já tendo feito alguns testes recentes, inclusive com modelos defasados da Ferrari, e causado excelente impressão, destacando-se por sua velocidade e capacidade de conservação do equipamento, em especial os pneus. Tanto o título da F-2, quando o anúncio de sua contratação para a Haas seguem ainda sem confirmação, mas mesmo assim, projeta um cenário altamente positivo para o brasileiro de poder subir para a F-1 no próximo ano.

 

 

 

NA MESMA:

 

George Russell: O piloto inglês deu uma sobrevida na briga pelo título da temporada 2026 da F-1 com uma vitória competente e firme no Azerbaijão, aproveitando de forma eficiente os problemas vividos pelo companheiro de equipe Andrea Kimi Antonelli, descontando pelo menos 15 pontos da desvantagem apresentada na vice-liderança da temporada. Ainda é pouco diante da necessidade de Russell se reafirmar de fato na briga pelo título, mas foi um triunfo firme e conquistado com esforço e uma pilotagem sem erros, com Max Verstappen fungando no cangote do inglês na bandeirada de chegada de forma bem perigosa. Agora, o problema é George transformar a performance vista em Baku em constante nas próximas corridas, porque o retrospecto anterior, em Monza e Madri foi particularmente desalentador para o piloto inglês, especialmente na Itália, onde tinha tudo para vencer, e foi superado por um inspirado Antonelli que largou do fundo do grid. Há tempo para reagir, mas para isso, Russell terá que conduzir nas próximas corridas como fez em Baku, não importa se Antonelli teve ou não problemas na classificação ou no final de semana. No ano passado, Lando Norris conseguiu reverter a desvantagem para Oscar Piastri na fase final da temporada, levando o título. Será que ele conseguirá repetir o feito do compatriota? A conferir já na próxima corrida...

 

Equipe Ferrari: O time de Maranello parece ter empacado na temporada. Depois de alguns GPs onde brigou pela vitória, os carros vermelhos parecem apenas ameaçar na classificação, mas sem conseguir apresentar ritmo de corrida condizente com as necessidades de brigar por melhores posições. Para piorar, as evoluções da unidade de potência não parecem ter conseguido diminuir as diferenças de performance para as unidades mais potentes da Mercedes, e até da RBPT. Mas, como desgraça pouca é bobagem, mesmo o excelente chassi parece ter encontrado seus limites, e o time italiano se viu severamente ameaçado pela melhora de performance da McLaren, e agora, até da Red Bull, para não mencionar que Charles LeClerc parece disposto a conturbar o clima interno, criando uma rivalidade talvez desnecessária no momento com Lewis Hamilton, temendo ser engolido pelo heptacampeão, o que já resultou em prejuízo claro na Itália, justo a terra da escuderia vermelha. É uma temporada definitivamente melhor que a de 2025, mas mesmo assim, o time rosso parece se mostrar novamente incapaz de discutir o título, o que mais importa para os fãs e torcedores. O clima tem tudo para esquentar no time, e não no sentido positivo da expressão, infelizmente… Resta saber quem irá pagar a conta de mais um ano na fila...

 

Equipe Audi: O time das quatro argolas optou por aprimorar seu propulsor apenas em 2027, concentrando-se em melhorar o seu chassi e acumular maior conhecimento para produzir um carro mais competitivo no próximo ano. Portanto, resolveu apostar no seguro, e manter a dupla atual de pilotos, Nico Hulkenberg e Gabriel Bortoletto por mais um ano, confiando no talento que ambos já demonstraram, e ciente de que eles só não estão fazendo mais por causa do carro limitado que estão conduzindo nesta temporada. Um voto de confiança do time mais do que válido, devido aos problemas do noviciado que a Audi enfrenta em sua primeira temporada de fato como construtora na F-1, onde o time já identificou suas principais falhas, mas resolvê-las é algo um pouco mais complicado, especialmente na unidade de potência, diante das regras esdrúxulas implantadas pela FIA com relação às permissões de evolução dos sistemas, com os ADUOs.

 

Equipe Red Bull: O time dos energéticos não faz a melhor temporada de sua história, mas de certa forma, não está sendo um desastre também. Max Verstappen quase venceu a prova em Baku, apesar das dificuldades, e o holandês renovou contrato para permanecer na escuderia até 2030, pelo menos. E esta semana, o time confirmou a renovação de Isack Hadjar para permanecer como companheiro do tetracampeão Max na próxima temporada, mostrando estar contente com o desempenho do piloto. Dessa forma, o time confia que sua dupla oferece os resultados oferecidos, cabendo ao time lhes providenciar um carro mais competitivo no próximo ano. A estabilidade, depois da mudança de regulamento técnico, e principalmente, das saídas de Christian Horner e Adrian Newey em tempos recentes, é visto como um ativo importante para a escuderia voltar ao topo, sem criar terremotos internos que não trariam ganhos diante das pressões e cobranças.

 

Diogo Moreira: o piloto brasileiro tem sua participação garantida na MotoGP em 2027, diante do contrato que possui com a HRC, mas ainda permanece a dúvida se ele seguirá na LCR, o time satélite onde está atualmente, ou se será promovido para o time de fábrica da Honda, que também contratou David Alonso para ser um de seus titulares na próxima temporada. Seja qual for o cenário, a Honda terá uma dupla totalmente diferente no time oficial em 2027, com a chegada de Fabio Quartararo, vindo da Yamaha, e com a chegada de Alonso ou Moreira. No teste feito na Áustria, Diogo impressionou ao marcar o melhor tempo com a nova moto protótipo de 850cc, com as regras do novo regulamento da próxima temporada, e isso marca pontos importantes a favor do brasileiro na busca para ser efetivado no time de fábrica em 2027. Diogo tem feito uma temporada competente, e mais do que apenas velocidade, Honda e LCR tem dado especial atenção ao feedback fornecido pelo brasileiro na pilotagem, mostrando sensibilidade importante que poderá ser muito útil na avaliação das novas motos do próximo ano.

 

 

 

EM BAIXA:

 

Aston Martin: A estréia de um chassi completamente revisado, aliado a um novo propulsor da Honda com os ADUOs permitidos pelo regulamento deram uma renovada apenas limitada à equipe de Silverstone, reconhecendo que os problemas e a defasagem da escuderia e sua unidade de potência, ainda muito fracos para conseguirem brigar mais à frente por resultados mais tangíveis de acordo com as ambições que o time vem projetando nos últimos anos, mas nunca conseguindo efetivar de modo duradouro. Só que as últimas corridas mostraram que mesmo as atualizações implantadas parecem ter tido vida mais efêmera do que o esperado, com tanto Fernando Alonso quanto Lance Stroll voltando a ter problemas crônicos de desempenho com os carros, a ponto de Alonso ter tido novas reclamações de perda de potência em Baku, pista onde os dois carros da equipe britânica largaram entre os últimos e lá ficaram, sem mostrarem condição alguma de performance melhor. O panorama já faz a Aston Martin especular um plano B, de se tornar cliente da RBPT, e passar a usar as novas unidades de potência da Ford/Red Bull, se a Honda não conseguir mostrar serviço em 2027, enquanto Alonso já chegou a considerar até voltar ao WEC e dar por encerrada sua carreira na F-1, mas ainda deu mais um voto de confiança no time para o próximo ano. Pelo visto, 2026 vai se consolidando como um ano totalmente perdido e catastrófico para a aliança Aston Martin/Honda...

 

Caio Collet: O piloto brasileiro encerrou sua temporada de estréia na Indycar sob o receio de ficar sem lugar para a próxima temporada. Além da relação com a Foyt ter se deteriorado nas últimas corridas, as possibilidades de mudança para times mais competitivos vem ficando cada vez mais restrita. Um acordo potencial com a Meyer Shank foi atropelado pela necessidade de patrocínio mais vultoso, o que fez Mick Schumacher ficar com a vaga. Um acordo potencial com a Juncos parecia encaminhado com apoio da McLaren, que faria parceria técnica com o time, mas que aparentemente, não será mais efetivado, de modo que o brasileiro perde um apoio muito útil. A Foyt briga para ter uma nova dupla diferente em 2027, de modo que Caio ainda tenta aventar uma vaga na Dale Coyne, que também precisa de patrocínios mais vultosos do que os oferecidos por Collet. Pelo visto, a Foyt conseguiu complicar outra promessa brasileira na competição, da mesma maneira como “queimou” Matheus Leist anos atrás...

 

Franco Colapinto: O piloto argentino não está exatamente devendo tanto quanto se poderia imaginar na temporada 2026, mas sua renovação para 2027 é lógica, diante do processo de reconfiguração da Alpine como time cliente da Mercedes. Mas, indiretamente, o piloto argentino tem sido vítima indireta do comportamento abusivo de seus torcedores, o que obrigou Flavio Briatore a dar bastas para esta situação que, infelizmente, podem atingir mais Franco do que os torcedores, como a proibição do piloto de dar entrevistas à imprensa. Fora isso, o strike cometido pelo argentino em Baku deixou o clima meio ríspído pelo modo como tirou não só a si mesmo da prova, como levou junto o companheiro Pierre Gasly e Lando Norris, da McLaren. Se o atual campeão do mundo ficou momentaneamente possesso com a barbeiragem de Colapinto, desculpando-se pelo exagero pouco depois, Flavio Briatore está com a paciência mais curta do que aparente, indicando que alguma medida poderá ser tomada, se Franco “aprontar” mais alguma, ainda que a situação do argentino não pareça assim tão catastrófica...

 

Esteban Ocon: o piloto francês já teve confirmação de que não fica na Haas em 2027, e por isso, até já se “lançou” ao mercado como nome disponível para a temporada do ano que vem, justificando que “merece” continuar na F-1. Pode até ser, o duro é que, oficialmente, apenas Haas e Racing Bulls não tinham nomes confirmados para 2027, e as duas opções são improváveis, porque uma delas é a própria Haas, que pode efetivar o brasileiro Rafael Câmara como novo titular, sendo que Oliver Bearman é nome garantido para permanecer no time, tanto que a escuderia de Gene Haas acabou de confirmar a saída de Ocon. E a Racing Bulls está no momento satisfeita com sua dupla titular, de modo que, com a confirmação da dupla da Red Bull para o próximo ano, a tendência também é de manutenção da dupla titular atual. Muito provavelmente Ocon ficará a pé, ou terá de se contentar com a opção de piloto reserva/testes, enquanto espera por uma nova oportunidade, ou simplesmente muda de categoria...

 

Enrosco da FIA no Oriente Médio: O fim do ano vem chegando, e até o presente momento, não há uma definição oficial sobre o que fazer com as etapas de Abu Dhabi e Qatar, que deveriam ser as últimas provas da competição, no momento afetadas pela guerra no Oriente Médio envolvendo o Irã contra Israel e os Estados Unidos. A FIA já fala em realizar a final da temporada da F-1 possivelmente em Ímola, uma pista tradicional, ainda que opções como Portimão possam parecer mais interessantes pela qualidade da pista lusitana, mas o dilema não se restringe somente à F-1, mas às outras categorias de competição, como a MotoGP, o Mundial de Rali, e como se isso não fosse suficiente, a entidade já divulgou o calendário de 2027 confirmando as etapas do Oriente Médio no próximo ano, mesmo sem saber se a situação será estabilizada o suficiente até lá. A queda de braço se deve às multas contratuais, de modo que quem romper primeiro, tem que pagar as rescisões, e nem parece fazer justificativa dizer que a situação está em guerra localizada próxima, porque as circunstâncias podem parecer normais, mas o fim de semana de GP pode virar um alvo potencial para as forças do Irã, determinadas a marcar posição e causar um prejuízo considerável ao inimigo, como já vem fazendo com ataques localizados a instalações dos EUA nos países da região. Então, a prudência é correta, mas a enrolação em assumir que as provas não podem ser realizadas conforme planejado, não… O problema é empurrar os custos de cancelamento para o outro lado, e vice-versa...

 

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