
Montreal viu o primeiro duelo mano a mano entre Alain Prost e Ayrton Senna na temporada de 1988, e deu Senna, depois de perder a ponta na largada.
E aqui vamos nós para mais uma
postagem de vídeos das corridas completas da temporada de 1988. Depois de
quatro provas, o painel da temporada mostrava uma preferência clara de Alain Prost
como favorito no campeonato. Com quatro corridas, o francês da McLaren já tinha
3 vitórias, contra apenas uma de Ayrton Senna, que ainda por cima, tinha
abandonado a corrida de Mônaco por um erro bizarro do próprio piloto, além da
desclassificação por trocar de carro depois do permitido no GP do Brasil. Mas claro
que, uma hora, a situação se inverteria, e Ayrton voltaria à carga. Não
aconteceu no México, mas no Canadá, as coisas seriam diferentes...
Em primeiro lugar, a etapa canadense voltava ao campeonato depois de um ano de ausência. E também em nova data, a meio do ano, fazendo junção de viagem com a corrida do México, e em pleno verão da América do Norte. O palco era o mesmo de sempre, o Circuito Gilles Villeneuve, na Ilha de Notre Dame, no meio do Rio São Lourenço, que corta a grande metrópole canadense de Montreal. Mas a pista estava modificada: havia todo um novo conjunto de boxes e paddock montado em um ponto mais favorável do circuito, com a exclusão de uma curva que criou um belo trecho de reta onde foi criada as novas posições de largada, muito mais amplas e confortáveis do que os antigos boxes, todos improvisados, que fixavam próximos do Hairpin antigamente. Fora isso, o traçado ainda era basicamente o mesmo, com muros muito próximos, e com boas chances de punição para pilotos que errassem além do ponto.
A McLaren dominou novamente a classificação, com Ayrton Senna anotando mais uma pole-position, com Prost logo a seu lado. A segunda fila era ocupada por Gerhard Berger e Michele Alboreto com a Ferrari. A terceira fila era ocupada por Alessandro Nanini, mostrando cada vez mais a força da Benetton, em 5º lugar, com Nélson Piquet ainda tentando arrancar tudo o que a Lotus não era capaz de oferecer largando em 6º. Na largada, contudo, Prost saiu melhor, e assumiu a liderança já na primeira curva, enquanto Thierry Boutsen, com a outra Benetton, passava Piquet, que caiu para 7º lugar. O francês comandou a prova inicialmente, mas com Senna logo atrás, pressionando seu colega de time, até que na 19ª volta o brasileiro assumiu a primeira posição, na freada do Hairpin, e não a perderia mais até a bandeirada, que recebeu com cerca de aproximadamente 6s de vantagem para Prost, que até tentou recuperar a liderança, mas não conseguiu. Os abandonos começaram a pegar o pessoal da frente. Nanini, que vinha firme em 4º, quebrou à 15ª volta, no que foi seguido por Gerhard Berger, que tentou como nunca pressionar Senna quando era o 3º, até perder rendimento e ser superado pela dupla da Benetton. Nigel Mansell, da Williams, que vinha travando uma disputa férrea com Piquet, também ficou pelo meio do caminho a meio da corrida. Basicamente, dos 26 carros que largaram, apenas 13 pilotos receberam a bandeirada de chegada. E claro que com a segunda vitória de Senna na temporada. Prost garantiu mais uma dobradinha para a McLaren, enquanto o pódio foi fechado por Boutsen com a Benetton remanescente. A Ferrari, assim como a Williams, teve um GP para esquecer, com os dois carros a abandonarem a corrida.
Piquet, depois de sobreviver à disputa com carros aspirados, foi um encorajador 4º lugar, depois de dois abandonos nas corridas anteriores, e pelo menos tendo um resultado razoável, mesmo tendo terminado uma volta atrás do vencedor Senna, para mostrar como o desempenho da Lotus vinha sendo cada vez mais sofrível, não por piorar propriamente, mas pelos concorrentes melhorarem, começando a deixar o tricampeão vigente cada vez mais complicado nas corridas. O vídeo completo da corrida pode ser visto no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Rodrigo Thiago Forell:
https://www.youtube.com/watch?v=wVO8eSkmOzc
Após a prova de Montreal, o palco seguinte seria ali perto, em Detroit, nos Estados Unidos, para o GP da terra do Tio Sam. E, motivado pela vitória obtida no Canadá, e ainda mais à vontade do que nunca em um circuito de rua, Ayrton Senna mais uma vez marcou a pole-position, só que desta vez não tinha a companhia de Alain Prost na primeira fila, que teve a Ferrari de Gerhard Berger na 2ª posição. O francês, veja só, foi quase 1s5 mais lento que o brasileiro, o que o relevou para a 4ª posição no grid, atrás até de Michele Alboreto, com a outra Ferrari. Piquet, mostrando novamente o calvário da Lotus, foi apenas o 8º colocado, enquanto seu companheiro Satoru Nakajima mais uma vez ficava sem conseguir largar, apenas com o 27º tempo onde largavam apenas 26 carros.
Senna arrancou bem da pole, ainda que Berger tenha quase discutido a primeira curva com o brasileiro. Prost, por outro lado, acabou sendo superado por Thierry Boutsen, da Benetton, e ficava atrasado em 5º lugar, enquanto Ayrton ia à frente, com a dupla da Ferrari tentando pressionar a McLaren pela liderança da corrida. Mas Alain se aprumou, tratou de deixar Boutsen para trás, e começava sua recuperação. O calor forte, mais o asfalto tenebroso do circuito, que ainda dividiu o fim de semana com uma prova da Can-Am, começaram a fazer vítimas, com vários pilotos abandonando. Detroit nunca foi fácil, uma pista estreita em vários pontos, com piso ondulado, e pontos de ultrapassagem complicados. Prost seguia em sua recuperação, enquanto oponentes com a dupla da Ferrari, Berger e Michele Alboreto, foram ficando pelo caminho. O francês recuperou até a 2ª posição, mas aí, Senna já tinha uma vantagem imensa para ser tirada, e o brasileiro recebeu a bandeirada com cerca de 38s de vantagem para Prost. Em seis corridas no ano, três vitórias de Senna, contra três de Prost. Depois de um início com alguns percalços, Ayrton iniciava de fato a caça à liderança do campeonato, em uma altura do certame onde as chances de triunfo dos demais times na pista se mostrava cada vez mais limitado.
A pista de Detroit foi, mais uma vez, demolidora para os carros, com apenas 9 competidores recebendo a bandeirada de chegada. Seria a última prova da F-1 ali, já que no ano seguinte a corrida mudaria de cidade e de Estado, indo para Phoenix, no Arizona, em outra pista urbana que não era muito boa, mas ainda assim, melhor que a de Detroit, que a partir do ano seguinte passaria a integrar o calendário da F-Indy, ficando mais vários anos no calendário desta competição. Recentemente, Detroit voltou a sediar corridas Indy, agora da atual Indycar, mas em uma pista diferente daquela dos anos 1980, embora corra na mesma região da cidade.
Apesar dos pesares, a McLaren fez mais uma dobradinha, com Senna a vencer mais uma vez, com Prost em 2º lugar, e Thierry Boutsen, da Benetton, a conquistar mais um pódio. A quebradeira de carros proporcionou surpresas nos demais lugares pontuáveis, com Andrea De Cesaris a conseguir um impressionante 4º lugar com a Rial, seguido de Jonathan Palmer com a Tyrrel em 5º, e Pierluigi Martini, com a Minardi, em 6º. Nélson Piquet ficou pelo caminho, da mesma maneira que Maurício Gugelmim, que abandonava mais uma prova, a exemplo do que acontecera no Canadá. O vídeo completo da corrida pode ser visto no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Rodrigo Thiago Forell:
https://www.youtube.com/watch?v=Nhfqh_I2tSQ
Após seis corridas, Alain Prost ainda gozava de uma satisfatória vantagem na liderança do campeonato, com 45 pontos, mas Ayrton Senna vinha chegando, agora com 33 pontos, 12 de desvantagem, em uma época onde o vencedor levava 9 pontos, e ainda tinha os descartes dos piores resultados. Gerhard Berger mantinha o 3º posto na classificação, mas com apenas 18 pontos, enquanto Thierry Boutsen e Nélson Piquet empatavam em 11 pontos, mostrando a discrepância de resultados no ano, onde a dupla da McLaren deixava todos comendo poeira, e com aparente facilidade. Uma realidade que se manteria até o final da temporada, em um dos maiores domínios que já se viu na história da F-1 em todos os tempos... Então, fiquem ligados na próxima postagem desta série aqui no blog trazendo todas as corridas completas da temporada que deu o primeiro título mundial a Ayrton Senna...
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| A pista de Detroit despediu-se da F-1 com mais uma dobradinha da McLaren, e com a segunda vitória consecutiva de Senna na temporada de 1988. |

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