quarta-feira, 1 de abril de 2026

FLYING LAPS – MARÇO DE 2026

            E já encerramos o primeiro trimestre de 2026, adentrando o mês de abril, e seguindo firme ano adiante, tendo visto neste mês de março o início de vários campeonatos, como a Indycar, MotoGP, e Fórmula 1, entre outros. O mundo da velocidade não desacelera, e segue em ritmo alto com suas disputas, ainda que algumas categorias, como o Mundial de Endurance, tenha sido impactado pela guerra no Oriente Médio, o que também deixou outros certames, como a F-1, e a MotoGP, entre outras, a terem de riscar do mapa suas etapas programadas para a região. Já deixamos o mês de março para trás, mas houve muita coisa acontecendo que precisa dar uma recapitulada rápida, com comentários a respeito, e por isso, vamos para mais uma sessão da Flying Laps, mencionando sobre a Indycar e a Formula-E. Uma boa leitura a todos, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem, com certeza de trazer muitos relatos de fatos deste mês de abril...

Álex Palou iniciou a temporada 2026 da Indycar com a corda toda, indicando que vai, sim, em busca de mais um título na categoria de monopostos dos Estados Unidos. O piloto espanhol da Ganassi começou com o pé direito, do acelerador, vencendo com categoria na primeira corrida da temporada, em São Petesburgo, fazendo uma corrida estratégica, assumindo a liderança após parte da prova, e seguindo firme na liderança para vencer, e claro, deixar os adversários novamente com a pulga atrás da orelha, imaginando outro passeio como o visto no ano passado, quando Palou foi empilhando triunfos que deixaram o piloto literalmente como protagonista único do certame, deixando todos os demais competidores como meros coadjuvantes. O receio, porém, foi desmistificado em Phoenix, segunda prova do ano, onde o espanhol cometeu um erro crasso, ainda que raro, ao fechar um piloto durante a corrida no pequeno circuito oval do Estado do Arizona, e danificar o carro, tendo de abandonar a prova, e dando um grande alento aos rivais. Mas, claro, erros pontuais de Palou são raros, de modo que na terceira corrida, em Arlington, o espanhol da Ganassi voltou à plena forma, e mesmo que não tenha vencido, terminou no pódio, retomando a rotina de bons resultados na competição. E, para que ninguém pudesse comemorar antecipadamente uma possível “má fase” de Álex, ele tratou de dar um banho de água fria nos concorrentes na quarta prova, em Barber, no Alabama, ao cravar a pole-position, e dominar a corrida praticamente de ponta a ponta, com exceção dos momentos de parada para troca de pneus e reabastecimento nos boxes, e vencendo com autoridade, a segunda vitória em quatro corridas na competição, mostrando que, mesmo que Palou não esteja, até o presente momento, impondo o mesmo domínio do ano passado, isso não significa que o piloto da Ganassi esteja menos eficiente. Um campeonato como o da Indycar é feito de equilíbrio em termos de resultados, de modo que um dos requisitos a serem observados é a constância de performance e resultados, e com 2 vitórias, 1 pódio, e um abandono, Palou ainda é o nome de referência a ser batido no campeonato, e por isso mesmo, não pode ser subestimado. Os rivais que fiquem atentos e não baixem a guarda, se não quiserem ser novamente pegos com as calças arriadas diante do tetracampeão da Ganassi, a menos que queiram ver um novo pentacampeão na competição ao fim desta temporada.

 

 

O Brasil voltou a ter um representante em tempo integral no grid da Indyar com Caio Collet, defendendo o time da Foyt. As quatro primeiras corridas de nosso novo piloto na competição, contudo, foram recheadas de dificuldades, em que Caio sofreu para conseguir extrair performance do carro, fora alguns erros do piloto, e de estratégias do time que não foram as melhores. Em São Petesburgo, Caio terminou apenas em 17º, sendo seguido por um ainda mais modesto 19º lugar em Phoenix, marcando sua estréia em pistas ovais na Indycar. Em Arlington, porém, Caio mostrou mais categoria e combatividade, e obteve um 12º lugar. Já no Alabama, contudo, o 21º lugar não foi dos mais inspiradores. O brasileiro, contudo, vê pelo lado positivo os maus bocados, afirmando que tudo são experiências importantes para ganhar mais intimidade com a categoria e com o carro, aprendendo sempre a cada fim de semana. Um ponto positivo é Caio ter escapado de se envolver em acidentes, o que sempre é positivo para se evitar maiores confusões. Collet precisa melhorar, claro, a fim de evitar ser ofuscado por Santino Ferrucci na escuderia, e pelo menos neste aspecto, apesar de tudo, Caio não tem ficado distante na classificação do campeonato. Caio ocupa a 20ª posição na classificação, com 51 pontos, enquanto Ferrucci é o 15º, com 62 pontos, uma diferença de 12 pontos, o que não é muita coisa. Em termos da competição de novatos, ele está melhor que Mick Schumacher, que ocupa a última colocação, em 25º, com apenas 31 pontos, em que pese a Rahal/Leterman/Lanigan viver uma gangorra em termos de performance nos últimos anos. E não está distante de Dennis Hauger, que ocupa a 17ª posição, com 57 pontos, com uma Dale Coyne onde ele está conseguindo ficar à frente do colega de equipe, que é ninguém menos que Romain Grosjean, que está em 19º lugar, com os mesmos 51 pontos de Collet, mas classificado à frente por ter um 8º lugar como melhor resultado. Por este ângulo, Caio não está ruim, mas não pode se acomodar de modo algum. Ser superado por Santino Ferrucci não é um resultado aceitável, se Caio quiser ser visado a postos melhores. Foi assim no ano passado quando David Malukas se destacou na Foyt, e foi promovido para a Penske. É verdade que, em termos de classificação, Malukas terminou a temporada passada em 11º, com 318 pontos, enquanto Ferrucci foi o 16º, com 288 pontos, uma diferença de apenas 30 pontos em toda a temporada. Os dois conseguiram um pódio cada, e posições no TOP-5. Para este ano, infelizmente, a Foyt parece ter decaído, mas indiferente a isso, Caio precisa manter-se firme, e se enturmar o máximo possível com o carro e suas reações e comportamentos, a fim de não ficar na sombra de Santino. Capacidade e talento ele tem. Vamos ver como vai ficar nas próximas etapas…

 

 

Estreando em sua nova casa, a equipe Andretti, Will Power tem mostrado força, mas também uma dose de azar que o tem impedido de conquistar resultados melhores na competição, pelo menos, neste início do campeonato. O bicampeão da Indycar sofreu vários acidentes e percalços até aqui nestas primeiras quatro corridas. O australiano bateu nos treinos e abandonou a corrida em São Petesburgo. Brigou pelas primeiras posições em Phoenix, até se enroscar com Christian Rasmussen e despencar para 16º na bandeirada. Em Arlington, Power enfim teve um fim de semana mais limpo, e fechou o pódio em 3º lugar, coroando a maioria da Andretti no pódio da nova prova, que teve Kyle Kirkwood como vencedor. No Alabama, Power bateu forte nos treinos e largou em posição não muito boa, obrigando-o a uma prova de recuperação que terminou apenas na 12ª posição. Power é, até agora, o piloto pior classificado da Andretti no campeonato, que tem a liderança de Kyle Kirkwood, com 156 pontos. Marcus Ericsson, cujo contrato termina no fim deste ano, ocupa por enquanto a 8ª posição, com 99 pontos. Power é apenas o 13º colocado, com 77 pontos. O consolo é que a Andretti parece estar mais forte que a Penske no campeonato, uma vez que o ritmo dos pilotos, no cômputo geral, tem ficado, na média, melhor do que os carros de Roger Penske. Mas não basta ter performance, é preciso capitalizar resultados, e até o presente momento, Power infelizmente está devendo neste quesito. O australiano mostra que está em forma, e quem sabe, assim que terminar a fase de azar, ele consiga mostrar a que veio propriamente…

 

 

A Jaguar obteve uma espetacular dobradinha no ePrix de Madri, nova prova do calendário da Formula-E, disputada neste mês de março. Antonio Felix da Costa venceu a segunda corrida consecutiva, e começa a escalar a classificação, prometendo entrar firme na briga pelo bicampeonato mundial da competição. Mith Evans foi o segundo colocado, um resultado incrível se levarmos em conta que o neozelandês partiu da 16ª posição. Pascal Wehrlein, da Porsche, garantiu o 3º lugar no finalzinho da prova, superando Dan Ticktum na última curva, e desalojando o inglês da Kiro da tão sonhada posição no pódio. A pista de Jarama, estreando no calendário, já tinha sediado os testes de pré-temporada em 2024, substituindo Valência devido às chuvas torrenciais que haviam caído na região, obrigando a categoria a ir para o circuito nas proximidades de Madri. E a corrida foi cheia de alternativas, com muitas brigas e disputas, e sem percalços na prova, que não teve nenhuma intervenção do safety car. Edoardo Mortara bem que tentou chegar novamente à vitória, mas novamente a Mahindra não deu sorte, e o suíço acabou finalizando na mesma posição de largada, o 5º lugar. Sebastien Buemi terminou em 6º, mas por ter jogado Jake Dennis fora da pista quando disputavam posição, o piloto da Envision tomou uma punição, caindo para a 7ª posição, enquanto Dennis, da Andretti, ficou com a 6ª posição. Nico Muller garantiu alguns pontos com o 8º lugar, seguido pela estrela local, Pepe Marti, da Kiro, em 9º. Joel Erikson, da Envision, finalizou a zona de pontuação em 10º lugar.

 

 

Os brasileiros tiveram mais uma corrida sem pontos. Lucas Di Grassi largou na última fila, e mesmo tendo chegado quase a liderar a prova, quando ativou o Modo Ataque, ele não conseguiu manter-se dentro dos pontos diante da performance deficiente da Lola/Yamaha. Já Felipe Drugovich, que havia largado também na última fila, chegou até mesmo a liderar a prova, quando usou o Modo Ataque, mas a estratégia da Andretti acabou não sendo a mais adequada, e Felipe despencou na prova, terminando também fora da zona de pontos, e continuando sem marcar pontos na competição. Se Di Grassi tem o problema da falta de desempenho de seu carro, Drugovich começa a ficar devendo, pois tem carro com capacidade para brigar pelas primeiras posições, e seu companheiro de Andretti, Jake Dennis, chegou a vencer a primeira corrida do ano. Não fosse uma ultrapassagem em bandeira amarela que o fez ser punido, Drugovich teria mantido o 5º lugar em São Paulo, e garantido 10 pontos. Agora, não apenas a Andretti perdeu parte do rendimento demonstrado naquela corrida, como Felipe tem ficado bem aquém de seu companheiro de time. Para piorar, em Miami, onde Drugovich brilhou na classificação e na corrida, ele jogou tudo a perder quando acabou se acidentando e acertando Antonio Felix da Costa na pista molhada do circuito, tendo perdido a melhor oportunidade de pontuar até então, e até de subir ao pódio, e quem sabe, disputar a vitória.

 

 

Nyck Cassidy largou na pole em Jarama, mas não conseguiu fazer uma boa prova, mostrando que a Citroen também tem seus problemas de noviciado na competição, ficou de fora dos pontos com seus dois pilotos. Mas times veteranos e campeões também tiveram um dia para esquecer em Jarama, como a Nissan, que ficou com sua dupla de pilotos completamente fora da zona de pontuação.

 

 

A Stellantis anunciou suas medidas para a nova era Gen4, com início no final do ano, quando começará a nova temporada da competição. A boa notícia é que o grupo confirmou que terá um novo time no grid, que será com a marca Opel, de longa tradição de ligação com o automobilismo. Assim, ao lado da atual Citroen, o grupo terá a propriedade de dois times no grid, a exemplo do que a Porsche pretende fazer também, com a inclusão de uma segunda escuderia para estar no grid, o que levará a Formula-E a um total de 12 escuderias no próximo campeonato. Mas haverá uma baixa também: a marca DS, presente na competição há anos, deixará o grid. A DS foi campeã com a equipe Techeetah, com o bicampeonato de Jean-Éric Vergne, e o título de Antonio Felix da Costa. Com o fim da Techeetah, a marca DS uniu-se à Dragon Penske, formando a atual equipe DS Penske, que conta, nesta temporada, com Taylor Barnard e Maxximilian Gunther como pilotos. A saída da DS simplesmente implica que o time de Jay Penske ficará sem trem de força para o próximo ano, sendo necessário buscar um novo fornecedor, que pode ser a Mahindra, que atualmente equipa apenas seu próprio time na competição. A Porsche terá um segundo time próprio no grid, deve encerrar sua parceria com a Andretti, que deve migrar para a Nissan como nova fornecedora de trem de força. Já a Lola/Yamaha, confirmada também na era Gen4, por enquanto não possui interessados em usar seu powertrain, diante do desempenho no momento inferior aos demais equipamentos presentes no grid.

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