sexta-feira, 6 de agosto de 2021

O FIM DE UMA ERA

Valentino Rossi comunicou sua aposentadoria da MotoGP, encerrando um era na competição da motovelocidade,

            Saiu o comunicado oficial. Algo que muitos já esperavam, diante dos acontecimentos mais recentes, embora muitos ainda tivessem esperança de que fosse diferente. Mas, enfim, a hora chegou: Valentino Rossi, o “Doutor”, um dos maiores vencedores de todos os tempos do mundo do esporte a motor, anunciou sua aposentadoria, aos 42 anos, ao fim da atual temporada da MotoGP.

            Defendendo o time satélite da Yamaha, a SRT, apesar do apoio do time oficial da fábrica dos três diapasões, a performance do veterano piloto tem sido lastimável, em parte pela forma deficiente como a escuderia tem se comportado nesta temporada, que nem de longe lembra o desempenho exibido em 2020, quando seus pilotos venceram corridas, e foram mais bem-sucedidos que o time oficial. Mas é inegável que Rossi também tem sua parcela de culpa, mas não se pode culpa-lo por querer continuar competindo, mesmo enfrentando pilotos com metade de sua idade no grid atual da classe rainha do motociclismo. Valentino ama o que faz, tinha crédito de sobra junto à Yamaha, e principalmente, junto à MotoGP, onde é desde vários anos, o piloto mais carismático do grid, que arrastava sempre multidões de torcedores em várias etapas do campeonato. Torcedores que, com um pouco de sorte, poderão estar presentes em algumas das etapas restantes da atual temporada, tendo sua oportunidade de reverenciar seu ídolo pela última vez nas pistas na competição em duas rodas.

            Por mais que as últimas temporadas tenham sido abaixo das expectativas, em parte pela queda de competitividade da própria Yamaha, e em parte às falhas e/ou azares de Rossi nas corridas, seu currículo no esporte é gigantesco: nada menos do que 9 títulos, sendo 1 na categoria 250cc, outro na categoria 250cc, e nada menos do que 7 títulos na classe rainha, entre 500cc e MotoGP. E nada menos do que 115 vitórias na competição, sendo 12 na categoria 125cc, 14 na 250cc, e impressionantes 89 triunfos nas 500cc/MotoGP.

            Desde sua estréia na classe 125cc, com apenas 17 anos, em 1996, pela Scuderia ENI, com uma Aprilia, foram até o presente momento 423 corridas: 30 provas nas 125cc; 30 nas 250cc; e o restante na classe rainha do motociclismo. Um total de 65 pole-positions (5 nas 125cc; 5 nas 250cc, e 55 na classe rainha), com nada menos do que 235 pódios (15 nas 125cc; 21 nas 250cc, e 199 na classe rainha), onde marcou 96 vezes a volta mais rápida (9 nas 125cc, 11 nas 250cc, e 76 nas 500cc/MotoGP). Foram 26 anos de competição, uma carreira extremamente longeva e vitoriosa, com poucas exceções. Valentino só não subiu ao degrau mais alto do pódio nas temporadas de 2011, 2012, 2018, 2019, 2020, e na atual, onde pelo que tem demonstrado, muito provavelmente não terá chances de conquistar um último triunfo de despedida. Sendo assim, o jeito é considerar a vitória no GP da Holanda de 2017, em Assen, a sua despedida do degrau mais alto do pódio.

            Sua primeira vitória veio logo em sua temporada de estréia na categoria 125cc, em 1996, no GP da República Tcheca, ano em que terminaria a competição em 9º lugar. Mas no ano seguinte, ele arrasaria a concorrência, agora defendendo a Genesis Racing: foram 11 vitórias em 15 provas, conquistando o título com relativa facilidade. O passo seguinte era a categoria das 250cc, e ele chegou chegando, obtendo 5 triunfos na temporada, e ficando com o vice-campeonato. E, tal como fizera na categoria inferior, no ano seguinte, em 1999, conquistaria o título, com 9 vitórias. Era hora de chegar à classe rainha, que na época ainda era conhecida como 500cc. Estreando pela Nastro Azzuro, time satélite da Honda, Valentino também chegou impondo respeito entre as feras da categoria: venceu 2 provas e terminou vice-campeão, a exemplo do que fizera nas 250cc. Em 2001, ele conquistaria o título pela mesma Nastro Azzuro, averbando 11 vitórias na temporada e deixando todo mundo comendo poeira.

Com as motos da Honda, os primeiros títulos na classe rainha do motociclismo.

            No ano seguinte, a classe rainha passaria a se chamar MotoGP, com motos de 1000cc, uma mudança significativa na área técnica da competição. Mas para Rossi, agora defendendo o time oficial da Honda na categoria, não mudou muita coisa: o italiano conquistou o bicampeonato, com outro cartel de 11 vitórias, e novamente fazendo os rivais baterem cabeça pensando em como vencê-lo. Bem, a concorrência até que tentou, mas em 2003, Valentino arrebatou o tricampeonato, desta vez com “apenas” 9 vitórias no ano. E, a exemplo do que Michael Schumacher fez na F-1 no fim de 1995, quando resolveu ir para a Ferrari comandar a reconstrução do time italiano para voltar a ser campeão, o novo tricampeão da MotoGP mudou-se para a Yamaha para a temporada de 2004, um time que até então não tinha um retrospecto vencedor desde 1992, quando conquistou o tricampeonato com Wayne Rainey. E Rossi nem pareceu ter mudado de time: foi campeão logo em sua temporada de estréia com a marca dos três diapasões, assombrando todo mundo e transformando completamente o time nipônico. Quatro títulos consecutivos! Definitivamente, Valentino Rossi já havia se tornado uma lenda na competição em duas rodas. Mas, por que se impressionar com um tetracampeonato consecutivo? Pois em 2005 Rossi tratou de aumentar o seu currículo, chegando ao pentacampeonato, o quinto título consecutivo, e o segundo pela Yamaha. Já estava ficando feio para a concorrência, que finalmente conseguiu dar uma estancada no apetite de títulos do italiano, que foi “apenas” vice-campeão” em 2006, com Nick Hayden e a Honda a finalmente darem uma resposta. Em 2007, Rossi também não levaria o título, que ficou com Casey Stoner, com a Ducati, mas Valentino perdeu o vice-campeonato por apenas 1 ponto para Dani Pedrosa, da Honda. Rossi sentiu saudades de ser campeão, e em 2008 e 2009, novamente mostraria quem mandava no pedaço, conquistando seus 6º e 7º títulos. Ao fim da temporada de 2010, com o relacionamento intempestivo com o novo companheiro de time Jorge Lorenzo, que levou o título naquele ano, Valentino resolveu se aventurar na Ducati nas temporadas de 2011 e 2012. Não deu certo, e o italiano passou seus primeiros anos sem vencer na MotoGP. De volta à Yamaha em 2013, ele foi reatar seus laços com a escuderia nipônica, voltando a vencer uma corrida. Em 2014, 2015, e 2016, terminou vice-campeão, tendo perdido os títulos para Lorenzo (2015), e para o novo fenômeno da classe rainha do motociclismo, o espanhol Marc Márquez.

            A partir dali, os resultados foram caindo, com a Yamaha perdendo performance nos anos seguintes. O último triunfo viria em Assen, na Holanda, em 2017, ano em que terminou em 5º lugar no campeonato. Em 2018, uma reação, terminando em 3º lugar, mas em 2019, foi apenas o 7º colocado, e em 2020, o 15º. Este ano, Rossi ocupa uma modesta 19ª posição até o presente momento.

            Mas Valentino Rossi não foi um fenômeno apenas por seus números impressionantes de resultados. O italiano possui um caráter ímpar, é extremamente cativante e carismático, e suas comemorações incomuns e gestos espontâneos fizeram com que o piloto ajudasse a popularizar a MotoGP mais do que qualquer outro piloto. E a própria MotoGP aprendeu com Rossi, capitalizando sua popularidade, para se transformar em uma competição das mais emocionantes e disputadas do mundo do esporte a motor. Um feito extremamente incrível, a ponto de, mesmo tendo apresentado resultados bem mais modestos nos últimos tempos, o italiano ainda ser um dos pilotos mais aclamados e populares do grid da categoria. Que o digam seus torcedores, que simplesmente lotavam arquibancadas nos quatro campos do mundo onde a MotoGP se apresenta, ovacionando o Nº 46 onde quer que ele vá.

Na Yamaha, a consolidação de um dos maiores mitos do esporte a motor mundial, que chegou a ser cortejado até pela F-1.

            E ontem, na Áustria, onde a MotoGP faz seu retorno das férias de verão, a notícia da retirada do “Doutor” da competição ao fim do ano gerou uma grande comoção, não apenas entre os fãs, mas também entre diversos nomes da MotoGP, colegas e rivais de pista, entre os profissionais das escuderias, e até mesmo de outras categorias do mundo do esporte a motor. E não é difícil de entender, dada a popularidade do italiano, seu imenso talento, e o fascínio que ele causava. Até mesmo a Fórmula 1 flertou para ter Valentino no grid, com ele chegando a participar de alguns testes com a Ferrari, que buscava um sucessor para Michael Schumacher, que estava para se aposentar da F-1. E Rossi até tinha vontade de competir nas quatro rodas, mas infelizmente, para a F-1, e felizmente, para a MotoGP, ele continuou na competição das duas rodas, onde foi muito feliz e vitorioso. Mas, não pensem que Valentino pretende pendurar o capacete: ele agora está livre para participar de outras competições, e já andou dando uma dica das mais óbvias: aventurar-se nas 24 Horas de Le Mans, certamente já em 2022. E continuaremos a vê-lo no paddock da MotoGP, já que seu time, a VR46, estréia de forma integral na categoria no próximo ano, de modo que o “Doutor” agora estará no lado de dentro do box.

            Havia especulações de que Rossi poderia continuar no grid em 2022. A SRT deve perder Franco Morbidelli, e havia a possibilidade também de Valentino ser titular de seu próprio time, a VR46, sendo que um dos patrocinadores tinha muito interesse em que o “Doutor” comandasse sua equipe tanto dentro quanto fora das pistas. E Rossi também se incomodava com os acontecimentos dos últimos tempos, que em sua opinião não lhe permitiram planejar adequadamente seus planos. Mas, a falta de resultados pesou na decisão do piloto, já que lhe faltava o prazer de poder competir de forma mais digna, de modo que ele já não se divertia tanto quanto antes. Uma decisão difícil, como ele mesmo admitiu, mas o momento é o ideal para fazer isso. Postergar tal atitude poderia até ser fácil, mas o momento do adeus mais à frente poderia não ser tão correta quanto está sendo no presente momento. É simplesmente aceitar, e honrar a decisão de um dos maiores mitos do esporte a motor da história. E, como já mencionei lá atrás, tratar de aproveitar as corridas finais desta temporada para ver as últimas participações do “Doutor” na pista, entendendo o significado do que sua decisão representa para a MotoGP. Todos sentirão sua falta na pista, mas a vida segue em frente, e depois de praticamente 26 anos competindo nas duas rodas, Valentino tem a sorte de ainda estar inteiro, depois dos acidentes que sofreu ao longo da carreira, e que em um esporte como a competição de motos, expõe seus pilotos a muito mais riscos do que a competição de carros. Poder dizer adeus dessa maneira, por vontade própria, após tantos e tantos anos, é um privilégio de que poucos podem se dar ao luxo, e se orgulhar do que fizeram.

            Portanto, é hora de darmos adeus à Valentino Rossi. E vida longa a Valentino Rossi, também. Que aproveite sua vida fora das pistas a partir de 2022...

Com a SRT, na última temporada como piloto da MotoGP.

 

 

Em recuperação devido a uma cirurgia para corrigir uma lesão ocasionada por uma queda antes das férias de meio de ano, Franco Morbidelli, vice-campeão da temporada de 2020, foi liberado pela SRT para substituir Maverick Viñales no time oficial da Yamaha na temporada de 2022. O time oficial dos três diapasões ainda não oficializou nomes cotados para assumir a segunda vaga na escuderia, ao lado de Fabio Quartararo, mas a solução mais óbvia, e prática, para a Yamaha, é promover o ítalo-brasileiro, assim como fez com Quartararo. Seria a justa recompensa a Franco, que ainda competia com uma moto de 2019, que mesmo com atualizações, era um equipamento defasado, se comparado às motos do time de fábrica, e de Valentino Rossi, que dispõe de uma moto igual à de Viñales e Quartararo. Pelo que Morbidelli demonstrou em 2020, a Yamaha não ficará decepcionada com os resultados que ele poderá trazer ao time, que terá sangue “novo” em sua dupla titular no próximo ano, já que Viñales está de saída da equipe. Como Morbidelli deve ficar de fora por mais três provas, incluindo a de domingo, Cal Cruthlow será seu substituto na SRT nestas corridas. Morbidelli esperava estar plenamente recuperado até o fim das férias de verão da MotoGP, mas vendo como Marc Márquez teve uma recuperação difícil por ter tentado apressar o seu retorno, o ítalo-brasileiro preferiu não correr maiores riscos, e ter uma recuperação mais completa para evitar problemas.

 

 

Na contagem regressiva para a despedida de Valentino Rossi da MotoGP, temos o GP da Estíria neste domingo, que será disputado na pista de Zeltweg, o Red Bull Ring, na Áustria. O canal pago Fox Sports exibe a corrida ao vivo a partir das 9:00 Hrs. pelo horário de Brasília. Será a primeira corrida de uma rodada dupla que a MotoGP disputará em solo austríaco, a exemplo do que foi feito no ano passado, tanto pela MotoGP quanto pela F-1, devido à pandemia da Covid-19, que motivou a criação destas rodadas na mesma pista a fim de se obter um número de corridas razoável para as temporadas das categorias. No ano passado, Andrea Dovizioso venceu a corrida com a Ducati, tendo Joan Mir, da Suzuki na 2ª colocação; e Jack Miller, da Pramac, fechando o pódio. A pista de Zeltweg tem sido quase território exclusivo da Ducati nos últimos anos. Será que o time italiano manterá a escrita nesta temporada? A conferir...

 

 

E um conhecido nome da MotoGP estará de volta à pista para disputar o GP da Estíria: é Dani Pedrosa, que havia pendurado o capacete como piloto titular ao fim da temporada de 2018, após anos competindo pela Honda. O piloto espanhol desde então assumiu a posição de piloto de testes da KTM, equipe austríaca, que terá Pedrosa na corrida deste domingo como “wild card”, um piloto extra, que participa apenas eventualmente da competição. Nestes três anos em que ficou longe do grid, Dani nunca teve interesse em participar de alguma prova, mas este ano, a situação mudou, e ele está ansioso para disputar a corrida pela primeira vez com uma moto não-Honda em muito tempo. Apesar de ter competido pelo time oficial da Honda e vencido várias corridas, Pedrosa nunca conseguiu ser campeão, tendo conquistado no máximo os vice-campeonatos de 2007, 2010, e 2012.

 

 

E a Indycar está de volta, depois de suas férias de verão, em parte pela ausência da etapa de Toronto, no Canadá, cancelada por causa da pandemia da Covid-19, uma vez que o Canadá não abrandou as restrições de entrada no país, o que inviabilizou a realização do GP. E a prova deste domingo é em Nashville, no Tenesse, em um circuito urbano montado nas ruas da cidade, com 3,49 Km de extensão, e 11 curvas, sendo que um trecho do circuito é montado em uma ponte que cruza o Rio Cumberland, com pista nos dois sentidos. A corrida será disputada em 80 voltas. A TV Cultura exibirá a corrida al vivo, a partir das 18:30 Hrs. deste domingo, pelo horário de Brasília. E teremos um grid cheio, com 27 carros, entre eles o de Hélio Castro Neves, que retoma sua participação no campeonato deste ano da Indycar com a Meyer Shank, depois do triunfo nas 500 Milhas de Indianápolis em maio último.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

FLYING LAPS – JULHO DE 2021

            E já estamos no mês de agosto, seguindo firme pela segunda metade do ano de 2021, ainda aos trancos e barrancos, com os percalços da pandemia ainda varrendo boa parte do mundo, e complicando nossas vidas em muitos aspectos, mas com a esperança de dias melhores com a vacinação seguindo em frente em muitos lugares, inclusive aqui no Brasil, apesar de todos os pesares que estamos passando. E o mundo da velocidade segue em frente, com o andamento de seus campeonatos aqui e ali, com alguns deles, como o da MotoGP e da Indycar tendo uma pequena pausa de meio de ano, mas prontos para retomarem as atividades muito em breve. E já que estamos no início de um novo mês, é hora de mais uma costumeira sessão Flying Laps, reportando alguns acontecimentos do mundo do esporte a motor mundial ocorridos neste último mês de julho, sempre com alguns comentários rápidos a respeito, desta vez com mais enfoque no campeonato da F-E, que se encerra neste mês de agosto. Portanto, novamente desejo uma boa leitura a todos, e espero vocês por aqui na próxima sessão Flying Laps no mês de setembro...

 

Maximilian Guenther faturou a vitória na primeira corrida da rodada dupla de Nova Iorque da Formula-E. O piloto da equipe BMW Andretti se aproveitou de um enrosco nos momentos finais da prova entre Jean-Éric Vergne e Nick Cassidy para assumir a primeira posição, e seguir firme até a bandeirada de chegada. Cassidy, que liderava a corrida até então, acabou caindo para a 4ª posição, possibilitando ao brasileiro Lucas Di Grassi subir para a 3ª posição, enquanto Vergne conseguiu manter a 2ª colocação. Cassidy havia largado na pole-position, e desde o início sempre foi acossado por Vergne, que largara na primeira fila, em 2º lugar. Foi o 2º triunfo do time de Michael Andretti na atual temporada da F-E, com Jake Dennis tendo vencido uma das provas na pista e Valência, na Espanha. Sérgio Sette Câmara teve mais um dia para esquecer, levando uma punição por seu carro estar com o mapa de aceleração de seu carro irregular, derrubando-o para o fim do pelotão, onde acabou recebendo a bandeirada de chegada em último lugar.

 

 

Na segunda corrida da F-E em Nova Iorque, Sam Bird foi a grande estrela, com o piloto da Jaguar largando na pole-position, e praticamente dominando a prova de ponta a ponta, apesar de alguns duelos com seu companheiro de equipe Mith Evans, que largara em 2º lugar e acabou perdendo a disputa, sendo que no final da corrida acabou perdendo várias posições depois de um toque no muro, terminando apenas em 13º lugar. Lucas Di Grassi, na disputa por posições para avançar na corrida, acabou tocando no carro de Sébastien Buemi, e por causa disso, tomou uma punição de 10s, fazendo com que o piloto brasileiro fosse apenas o 14º colocado. Quem também não teve motivos para comemorar foi Sérgio Sette Câmara, que largou bem, na 5ª posição, porém foi perdendo rendimento durante a corrida, tendo finalizado em 11º lugar, fora da zona de pontos. Nick Cassidy desta vez não deixou o pódio escapar, terminando a corrida em 2º lugar, enquanto Antonio Felix da Costa fechou o pódio com a 3ª posição. Depois de subir ao pódio em 2º lugar na primeira corrida, Jean-Éric Vergne ficou fora de combate na segunda prova, tendo de abandonar logo no início com problemas no seu carro, que ficou parado no grid de largada. Maximilian Guenther, que vencera a primeira prova, foi apenas o 10º colocado nesta segunda corrida. E se teve um time que passou completamente zerado nas duas corridas da “Big Apple” foi a Mercedes: Nick De Vries e Stoffel Vandoorne terminaram fora dos pontos.

 

 

Depois de alguns anos, a F-E retornou a Londres, para disputar mais uma rodada dupla, e o grande destaque foi o novo local da corrida, ocupando o Excel Centre, um pavilhão de exposições na capital britânica, com parte do traçado montado dentro do pavilhão, e o resto do lado de fora. Lembrando uma pista de kart indoor tamanho família, os pilotos foram unânimes em dizer que o circuito não seria favorável às ultrapassagens, pedindo por mudanças no traçado para a prova em 2022. E, de fato, apesar da idéia ter sido interessante, e do traçado, pelo menos no papel, parecer viável, as corridas ficaram marcadas pelas confusões resultantes nas ultrapassagens, com poucas disputas ocorrendo sem que houvessem toques ou enroscos entre os competidores. Na primeira corrida do fim de semana, Alex Lynn largou na pole-position, com Jake Dennis logo atrás. Mas o piloto da BMW Andretti conseguiu fazer bom uso do moto ataque para superar o rival da Mahindra, e uma vez na liderança, foi-se embora, garantindo uma vantagem folgada que Lynn não conseguiria mais tirar. Pior, Alex acabou sucumbindo na disputa com Nick De Vries, que com uma corrida combativa, parecia ter uma receita exclusiva de ultrapassagens no circuito, tendo largado em 9º lugar para finalizar em 2º. Enquanto não conseguia avançar mais à frente, tendo largado em 7º, e terminado apenas em 6º, Lucas Di Grassi viu seu companheiro de equipe René Rast sair em 13º para terminar numa satisfatória 5ª posição. Sérgio Sette Câmara, por outro lado, viu outra excelente classificação com o 4º lugar no grid virar fumaça no domingo, enfrentando problemas no carro, e despencando para trás durante toda a corrida, que finalizou apenas em 17º lugar. E a Nissan e.dams viu sua dupla de pilotos acabar sendo desclassificada por ter usado mais energia que o permitido durante a corrida. Quem também zerou foi a Jaguar, com Sam Bird a abandonar a corrida logo no início, e Mith Evans ter ficado fora da zona de pontos.

 

 

A segunda corrida da rodada dupla da F-E em Londres teve o brasileiro Lucas Di Grassi, da equipe Audi, como principal destaque, mas não de forma positiva. O brasileiro e sua equipe tentaram uma manobra que, apesar de não ser exatamente proibida, era tremendamente desleal: em um momento onde a corrida estava com o Safety Car na pista, Lucas, então 6º colocado, aproveitando que o ritmo atrás do carro de segurança era muito lento, entrou nos boxes, com a Audi argumentando que seria para investigar um possível pneu furado. Mas Di Grassi tão logo parou, já retornou à pista, mas como o limite de velocidade no pit lane era superior ao ritmo na pista sob o Safety Car, o brasileiro voltou ao traçado praticamente na frente, tornando-se o novo líder da corrida. E lá ficou, tão logo a prova foi reiniciada. Mas, manobra tão descarada logo ficou na mira da direção de prova, que certamente não iria deixar isso passar batido daquela maneira. E veio o comunicado, com a punição de um drive through para Lucas. Mas a Audi não informou seu piloto sobre a punição, tentando argumentar que a parada no box seguiu as regras, só que, para ser bem exato, o brasileiro não parou o seu carro completamente no pit lane na posição que deveria, de modo que sua parada no local não foi total. Isso deu a brecha para a punição ao piloto brasileiro, apesar da equipe alegar que, com o piso do lugar, o carro teria escorregado lentamente, o que justificaria sua parada não ter sido total. Bem, a FIA não engoliu a desculpa, e na pista, Di Grassi seguiu firme liderando a corrida, e recebendo a bandeirada na frente de Alex Lynn, da Mahindra. Mas, por não ter cumprido a punição do drive through, Lucas acabou punido com a adição de 20s ao seu tempo de corrida inicialmente, derrubando-o para o 8º lugar, e coroando Lynn o vencedor da prova, tendo Nick de Vries da Mercedes terminando em 2º lugar, e Mith Evans, da Jaguar, fechando o pódio. Mas a situação envolvendo Di Grassi e a equipe Audi ainda não havia terminado: havia a possibilidade de desclassificação do piloto, e isso veio se confirmar algumas horas depois. Allan McNish, chefe de equipe da Audi, confessou que a manobra foi feita para o brasileiro ganhar posições, e que a passagem pelo box não era proibida pelo regulamento. A equipe e o piloto acabaram multados pela FIA, e isso deixa uma bela mancha na reputação tanto da Audi quanto de Di Grassi, pela tentativa de ganhar posições de forma irregular. A FIA e a direção da F-E devem modificar as regras do regulamento que deram essa brecha a fim de evitar que tal situação ocorra novamente. E é importante frisar um detalhe curioso: normalmente os trechos de pit lane costumam ser mais extensos que o trecho de pista logo em frente. No caso da F-E, seus circuitos montados em áreas urbanas geralmente costumam ter áreas de pit lane muito extensas em relação à pista onde estão, de modo que tal procedimento nunca seria viável, já que, mesmo com velocidade limite maior eventualmente do que a velocidade na pista atrás do Safety Car, por ser o trecho no box mais longo, não haveria como ganhar posições assim. A manobra em Londres só foi possível porque o circuito montado no Excel Centre tinha a particularidade do setor de box ser praticamente rente à pista, com uma extensão praticamente igual, de modo que a velocidade maior no pit lane realmente trazia um ganho em relação aos carros na pista atrás do carro de segurança. E o fato desse pit lane ser praticamente igual em tamanho em relação à pista é porque não havia espaço para dar um traçado diferente e mais longo dentro do pavilhão. Foi um dia ruim para a Audi e seus pilotos, já que René Rast, voltas antes, havia se estranhado com Sébastien Buemi, com os dois pilotos tocando seus carros, e levando Rast a abandonar a prova. Mas Rast sai ileso dos acontecimentos do fim de semana, depois desta manobra pouco esportiva por parte da Audi, com complacência de Lucas Di Grassi, que talvez pudesse ter evitado sair queimado do episódio se a equipe o tivesse comunicado a respeito do drive through, e que cumprindo a punição, ao menos evitaria o vexame de ser desclassificado, como ocorreu depois. Para a Audi, que deixa a F-E após a rodada dupla de Berlim, que encerra a atual temporada da categoria de carros elétricos, pode ser que tal mancha não interfira muito com os projetos da montadora alemã, mas Di Grassi, que ainda quer permanecer na competição, ter participado deste tipo de manobra pouco esportiva pode acabar com suas chances de obter um lugar em outro time par seguir na F-E em 2022. E, até o presente momento, Di Grassi não tem lugar para ficar na F-E 2022...

 

 

Com o resultado da segunda prova em Londres, Nick de Vries assumiu a liderança do campeonato da F-E, com 95 pontos. Robin Frijns, com o 4º lugar, foi para a vice-liderança, com 89 pontos. Sam Bird, que chegara a seu país na liderança da competição, caiu para a 3ª posição, mantendo seus 81 pontos, empatado com Jake Dennis. Antonio Felix da Costa poderia estar melhor do que a 5ª posição e seus 80 pontos, mas o português acabou prensado no muro por Andre Lotterer quando tentava ultrapassar o piloto da Porsche, tendo de abandonar a corrida. Com a vitória, Alex Lynn passou a ocupar a 6ª colocação, com 78 pontos. Entre os brasileiros, Lucas Di Grassi é o 14º, com 62 pontos. Sérgio Sette Câmara conseguiu finalmente voltar a marcar pontos, com um 8º lugar, e é apenas o 22º colocado, com 16 pontos. Resta agora apenas a rodada dupla em Berlim para fechar a temporada de 2021, no circuito montado dentro do antigo aeroporto de Tempelhof. As corridas na capital alemã, aliás, voltarão a usar o diferencial de cada uma das corridas ser disputada em um sentido da pista, com a segunda corrida sendo realizada no sentido inverso, de forma a diferenciar as provas, e proporcionar mudanças na disputa entre os times e pilotos. Serão 58 pontos em jogo, sendo 50 pela vitória, seis pelas pole-positions, e mais dois pontos pelas melhores voltas, se o piloto terminar dentro dos 10 primeiros colocados.

 

 

Hélio Castro Neves acertou o seu retorno integral à Indycar para 2022. A Meyer Shank firmou contrato com o piloto brasileiro para correr toda a temporada do próximo ano como titular da escuderia, onde estreou este ano com uma vitória espetacular nas 500 Milhas de Indianápolis. O acordo para este ano previa disputar 6 provas, e Hélio estará de volta à competição já na próxima corrida, em Nashville, e indo junto com a escuderia até o encerramento da temporada, em Long Beach, com exceção da corrida em Gateway. A Meyer Shank está se estruturando para correr a temporada de 2022 com dois carros em tempo integral, mas o time não terá seu atual piloto Jack Harvey no próximo ano, uma vez que o contrato não foi renovado. E o Brasil terá representantes no grid em todo o restante da atual temporada, já que em Gateway, última pista em oval do ano, teremos a presença de Tony Kanaan e de Pietro Fittipaldi, competindo respectivamente pelas equipes Ganassi e Dale Coyne. Para 2022, não se sabe se algum dos dois irá disputar alguma corrida até o presente momento, mas é bom ver que depois de dois anos com presenças apenas pontuais dos pilotos brasileiros, a Indycar voltará a ter um de nossos representantes competindo em todo o campeonato com Hélio Castro Neves, que mostra que ainda tem muita gasolina para queimar, antes de pensar em pendurar o capacete...