quarta-feira, 4 de novembro de 2020

FLYING LAPS – OUTUBRO DE 2020

             E já estamos no mês de novembro. O fim de 2020, um ano cheio de percalços e problemas inesperados, devido à pandemia da Covid-19, que parece insistir em complicar tudo ainda por um bom tempo, está chegando ao fim, e com ele, alguns campeonatos também vão chegando às etapas finais, enquanto alguns outros já estão se encerrando. E todo início de mês é hora de mais uma sessão Flying Laps, com tópicos rápidos sobre acontecimentos diversos do mundo da velocidade que não deu para comentar nas colunas semanais regulares do último mês, com foco maior na Formula-E e na MotoGP. Portanto, uma boa leitura a todos, com muito boa saúde, e cuidem-se, uma vez que não podemos nos descuidar com relação à Covid-19, que ainda está causando muitos estragos pelo mundo inteiro, especialmente na Europa, que está vendo os casos aumentarem de modo tenebroso, assim como o número de mortos em alguns lugares. Esperemos por melhores notícias sempre, mas ainda teremos muito tempo de condição complicada pela frente, ao que parece. Mantenhamos a torcida por melhores dias, e até a próxima coluna Flying Laps.

 

E o ano de 2020 nem acabou, e a temporada de 2021 da Formula-E já sofre alterações em seu calendário, uma vez que a pandemia da Covid-19 ainda está deixando o mundo meio sem rumo, especialmente agora que a Europa está sofrendo a segunda onda de infecções, e deixando vários países com os nervos à flor da pele. No caso do calendário da F-E, que era de fato provisório, já que não tinha como se prever como a situação estaria exatamente, as etapas programadas para a Cidade do México, e em Sanya, na China, foram adiadas. Em contrapartida, a etapa que abriria a temporada 2021, na cidade de Santiago, no Chile, passou a ser uma rodada dupla, que será disputada nos dias 16 e 17 de janeiro. A rodada dupla será disputada sem público, com portões fechados, já que não se tem uma previsão segura de como estará a pandemia no país no início do ano que vem. A Arábia Saudita terá sua rodada dupla nos dias 26 e 27 de fevereiro, e a esperança é ter algum público presente na cidade de Diriyah, na Grande Riad. O mês de março segue em provas, com a competição retornando em 10 de abril, com o ePrix de Roma, seguido pelo ePrix de Paris no dia 24 de abril. No dia 8 de maio, está marcado o ePrix de Mônaco, e de lá a categoria dos carros elétricos parte para Seul, na Coréia do Sul, próxima etapa, no dia 23 de maio. A data do dia 5 de junho permanece em aberto, sem um local definido, com a corrida de Berlim vindo logo a seguir no dia 19 de junho. No dia 10 de julho, está marcado o ePrix de Nova Iorque, e por fim, nos dias 24 e 25 de julho, o ePrix de Londres, em rodada dupla, fechando a temporada. Mas não se descartam novas mudanças no calendário, dependendo da situação da pandemia. As apostas continuam sendo unicamente na confirmação da vacina, que está sendo desenvolvida por várias empresas ao redor do mundo, para se normalizar a situação. Aguardemos para ver...

 

 

O belga Jerôme D’Ambrosio perdeu sua vaga na F-E, mas continuará na categoria de carros elétricos na próxima temporada. O piloto decidiu aposentar o capacete, após se ver sem oportunidade de guiar em 2021, e agora assumirá função de chefe-adjunto na equipe Venturi, dando início a uma nova fase profissional. Em seis anos competindo na F-E, D’Ambrosio venceu três provas e subiu ao pódio em nove ocasiões. Jerôme havia disputado a temporada de 2011 da F-1 pela equipe Marussia, sem obter bons resultados diante do fraco desempenho da escuderia. O agora ex-piloto afirma que terá um novo desafio do lado de fora das pistas, e agradece à Venturi pela oportunidade.

 

 

A Audi confirmou oficialmente que Lucas Di Grassi e René Rast serão seus pilotos titulares para a temporada 2021 da F-E. O brasileiro está presente no time desde a primeira corrida da categoria, sendo praticamente um dos únicos pilotos a ter participado de todas as provas do certame de carros monopostos totalmente elétricos. Espera-se agora que a Audi melhore seu equipamento para a próxima temporada, já que na última, não conseguiu vencer nenhuma corrida, e pela primeira vez, Di Grassi terminou o ano fora do TOP-3 na classificação, finalizando apenas em 6º lugar, com 77 pontos, tendo como melhores resultados um 2º e um 3º lugares nas corridas da temporada, que teve como campeão o português Antonio Félix da Costa, da Techeetah, com 158 pontos. René Rast vem disputando o campeonato do DTM, mas com a saída da Audi da competição, o seu time na categoria encerrará suas atividades, deixando o francês livre para competir no certame de carros elétricos. Rast substituiu o alemão Daniel Abt a partir das provas em Berlim, devido à polêmica de Abt ter “competido” com um dublê em uma etapa virtual de competição da F-E, o que o levou a ser demitido da escuderia alemã, onde estava presente desde a primeira temporada. Abt acabou participando das provas de Berlim defendendo o time da Nio, que ainda não fechou sua dupla de pilotos para a temporada de 2021.

 

 

Não é apenas a Audi que manterá sua dupla para a próxima temporada. Mais três escuderias da F-E optaram pela continuidade de seus atuais pilotos titulares. O time campeão, a Techeetah, continua com o francês Jean-Éric Vergne, bicampeão da categoria, ao lado do atual campeão Antonio Félix da Costa. A Nissan também continua com Sébastien Buemi e Oliver Rowland. A Mercedes também comunicou a manutenção de sua dupla, Stoffel Vandoorne, vice-campeão da última temporada, e Nyck de Vries. Nos demais times, haverá mudanças em alguns nomes. Na Venturi, Edoardo Mortara terá Norman Nato como novo companheiro de equipe, em substituição ao brasileiro Felipe Massa, que havia anunciado em Berlim seu desligamento do time. A Jaguar continua com Mith Evans, e agora terá Sam Bird como novo colega de time. Na Virgin, Robin Frijns correrá ao lado de Nick Cassidy. Na Andretti, Maximilian Gunther ainda não teve divulgado seu novo colega de time, em substituição a Alexander Sims, que defenderá a Mahindra em 2021. Entre os nomes que podem entrar na disputa por vagas nos times que ainda não definiram seus pilotos está a atual dupla da equipe Hass na F-1, Kevin Magnussen e Romain Grosjean, que já admitiram a possibilidade de correr na categoria, depois que foram comunicados pela escuderia de F-1 que não estarão no time para o próximo ano. Os dois pilotos também cogitam buscar vagas na Indycar, e estão verificando as possibilidades de competição para o próximo ano.

 

 

O campeonato da MotoGP em 2020 vai colecionando vencedores diferentes. Desta vez, foi Danilo Petrucci que recebeu a bandeirada de chegada na frente no GP da França, disputado no traçado Bugatti da pista de Le Mans, que teve uma corrida para lá de atribulada, graças à chuva que caiu um pouco antes da largada, que embaralhou as estratégias dos competidores. Enquanto alguns pilotos deram azar com o piso molhado, entre eles Valentino Rossi, que acabou caindo e abandonou pela 3ª vez consecutiva uma corrida neste ano. Em compensação, Alex Márquez fez uma prova para calar os críticos, escalando o pelotão, e chegando a disputar a vitória com Petrucci nas voltas finais. O irmão mais novo do hexacampeão Marc Márquez levou a Honda de volta ao pódio, e começa a mostrar que, se não é um gênio como seu irmão mais velho, está longe de ser ruim como os resultados vinham demonstrando na temporada. Pol Spargaró fechou o pódio, em mais um bom resultado para a KTM, enquanto Andrea Dovizioso foi o 4º colocado, ainda mantendo esperanças na luta pelo título. Quem não se entendeu direito com o piso molhado também foi Fabio Quartararo, que da pole-position, foi caindo para trás, e teve trabalho para conseguir finalizar em 9º lugar, imediatamente à frente de Maverick Viñalez, que também perdeu posições na pista úmida. Franco Morbidelli foi outro que acabou no chão, em um dia onde os pilotos da Yamaha não tiveram muito o que comemorar.

 

 

Mas, se teve um piloto que ficou praticamente zerado neste mês de outubro, foi Valentino Rossi. O “Doutor” caiu da moto na etapa da França, e alguns dias depois, acabou apresentando resultado positivo para o teste de Covid-19, tendo de ficar em isolamento, e com isso, perdendo a chance de disputar a rodada dupla na pista de Aragón, na Espanha, nos dias 16 e 23 de outubro. A Yamaha acabou correndo estas duas etapas apenas com Maverick Viñalez, e não cogitou substituir o italiano. Jorge Lorenzo, que ocupa a função de piloto de testes do time dos três diapasões, acabou não sendo convocado para correr nas provas devido a estar sem pilotar desde o teste da pré-temporada, pelo que o time alegou que o espanhol não teria ritmo de corrida para fazer apresentar um desempenho competitivo como a escuderia gostaria de ter. Recuperado, Valentino deveria disputar a etapa do GP da Europa, antepenúltima prova do campeonato, no próximo dia 6 de novembro, no circuito Ricardo Tormo, em Valência, que também sediará no dia 13 de novembro o GP da Comunidade Valenciana, mas até o fechamento deste texto, o teste de Covid de “Doutor” ainda estava dando positivo para o vírus, o que colocava sua participação em dúvida. E também preocupa o aumento dos casos de Covid-19 na Espanha, que já ultrapassou a marca de um milhão de casos, motivando o governo espanhol a adotar novas medidas restritivas, com o objetivo de deter a escalada dos novos casos e mortes que vem ocorrendo nos últimos dias.

 

 

Líder do campeonato da MotoGP, Fabio Quartararo, da equipe SRT, teve uma rodada dupla para esquecer no circuito de Aragón, na Espanha. O piloto largou na pole-position na primeira corrida, mas conforme a prova se desenvolvia, o piloto ia ficando mais e mais para trás, vítima da escolha equivocada de compostos de sua moto, acabando por terminar a prova em um distante 18º lugar, fora da zona de pontuação. E a vitória da corrida foi de outro piloto que ainda não tinha vencido na temporada, Alex Rins, da Suzuki, que teve um duelo mais do que renhido com Alex Márquez, que mais uma vez fez uma corrida espetacular, agora no piso seco, sem circunstâncias anormais, para terminar novamente em 2º lugar, e por pouco não obtendo sua primeira vitória na classe rainha do motociclismo. Mas para azar de Quartararo, Joan Mir fechou o pódio em 3º, e com isso assumiu a liderança do campeonato, no qual vinha chegando pouco a pouco nos primeiros colocados, sem despertar muito a atenção, mas demonstrando uma constância e regularidade que estava faltando nos líderes da pontuação. Um exemplo é de Andrea Dovizioso, que era considerado potencialmente o adversário mais perigoso, mas que terminou a corrida num modesto 7º lugar, sem conseguir diminuir tanto sua desvantagem para Quartararo. Maverick Viñalez, outro que tenta se colocar firme na luta pelo título, foi o 4º colocado, e procura se manter entre os primeiros colocados, mas que também tem tido altos e baixos além do que seria recomendável na disputa do título da competição, à mercê da instabilidade que parece afetar o desempenho das motos da Yamaha nas corridas. Tudo caminha para um final de temporada dos mais equilibrados e disputados dos últimos anos, especialmente por Marc Márquez ter ficado de fora da competição, com seu retorno ocorrendo somente em 2021.

 

 

Na segunda prova em Aragón, o GP de Teruel, Franco Morbidelli também mostrou que quer ir à luta pelo título, e venceu a corrida, resgatando a honra da Yamaha e da SRT. Maverick Viñalez até tentou manter a constância, mas terminou em 7º lugar, bem à frente de Quartararo, que ao finalizar em 8º, minimizou um pouco os prejuízos, ao menos para impedir uma aproximação de Andrea Dovizioso, que foi um magro 13º colocado, ficando mais distante da liderança do campeonato, que foi reforçada com mais um 3º lugar de Joan Mir, em um pódio que contou também com Alex Rins, mostrando que a Suzuki também vai entrar firme na briga pelo título de 2020.

 

 

Faltando três corridas para encerrar o campeonato da MotoGP, Joan Mir lidera a competição com 137 pontos. Fabio Quartararo ainda mantém a vice-liderança, com 123 pontos, mas está com Maverick Viñalez perigosamente em seus calcanhares, com 118 pontos. Com a vitória na etapa de Teruel, Franco Morbidelli assumiu a 4ª posição, com 112 pontos, superando Andrea Dovizioso, com 109. E Alex Rins, companheiro de Mir na Suzuki, é o 6º, com 105 pontos, mas que pode vir para cima, se a equipe nipônica manter o desempenho visto no Motorland Aragón. Ainda temos 75 pontos em jogo, e os 14 pontos de Mir para Quartararo não são uma vantagem confortável, diante do que tem acontecido no campeonato até aqui. Basta uma corrida ruim de Mir para tudo mudar, e o favoritismo trocar de mãos, com mais gente chegando para tentar a sorte na reta final. Vejamos quem se dará melhor nas provas que faltam para fechar o campeonato. A emoção está mais do que garantida...

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

DIXON HEXACAMPEÃO

Josef Newgarden bem que tentou, mas mesmo vencendo a última corrida da temporada, viu Scott Dixon conquistar o título, e chegar ao hexacampeonato.

            A temporada 2020 da Indycar encerrou-se no último domingo, coroando o seu mais novo campeão, e ele é Scott Dixon, que faz história nas categorias Indy, por ser este o seu sexto título na competição, desde que alinhou pela primeira vez uma corrida Indy, na temporada de 2001, defendendo a equipe PacWest. Ele permaneceria no time no ano seguinte, nas primeiras provas da competição, quando se mudou para a Ganassi, ficando por lá em suas últimas corridas na F-Indy original. Quando a Ganassi mudou para a Indy Racing League no ano seguinte, Dixon foi junto, e como se costuma dizer, tanto ele quanto seu time chegaram “chegando” no novo certame, sendo campeões logo de cara, no que se tornou o primeiro título levantado pelo neozelandês na categoria. Foi o início de uma parceria que dura até os dias atuais, algo pouco comum, mesmo nas competições dos Estados Unidos, que ocorre somente com grandes pilotos e grandes campeões.

            E some-se a isso o fato de Chip Ganassi ser um dono de time com pouca paciência, exigindo sempre resultados de seus pilotos. Desde que se tornou dono de equipe, talvez ele considere à altura de Dixon apenas Alessandro Zanardi, que foi bicampeão por seu time na antiga Indy em 1997 e 1998; Juan Pablo Montoya, campeão em 1999; e Dario Franchiti, que foi tricampeão pela Ganassi nas temporadas da atual Indycar de 2009, 2010, e 2011. Não por acaso, os companheiros do neozelandês nestes últimos anos nunca conseguiram permanecer na escuderia, do qual o mais recente exemplo é o sueco Felix Rosenqvist, que defenderá a McLaren em 2021, após não ter tido o seu contrato renovado com a Ganassi, que não ficou satisfeita com seus resultados este ano, mesmo com o piloto tendo vencido uma corrida.

            Somando as estatísticas da F-Indy original e a atual Indycar, Scott Dixon assume um lugar de destaque nas categorias Indy, ficando abaixo, em termos de títulos, apenas de Anthony Joseph Foyt Jr., o lendário A.J. Foyt, que foi nada menos do que heptacampeão da Indy original nas temporadas de 1960, 1961, 1963, 1964, 1967, 1975, e 1979. Dixon tem agora seis títulos, e amplas condições de igualar, e até ultrapassar o velho campeão, uma vez que segue firme em atividade, e não tem planos de se aposentar tão cedo. Em termos de títulos, ele já havia deixado para trás Mario Andretti, Sebastien Bourdais, e Dario Franchiti, todos com quatro campeonatos no currículo, e os maiores campeões depois do neozelandês e de Foyt. E abaixo destes, tivemos pilotos que foram “apenas” tricampeões, como Rick Mears, Al Unser, Bobby Rahal, Sam Hornish Jr., Jimmy Brian, Louis Meyer, e Ted Horn.

Em 2001, ano de sua estréia na antiga F-Indy, Dixon conseguiu sua primeira vitória (acima) com a equipe PacWest de Bruce McCaw. No ano seguinte, iria para a Ganassi, que em 2003 mudaria para a IRL, e o neozelandês conquistaria seu primeiro título já no ano de estreia (abaixo).


            Em termos de corridas disputadas, Dixon ainda está um pouco longe do recordista, que é Mario Andretti, que tem 407 provas disputadas. O segundo colocado é o brasileiro Tony Kanaan, com 383 largadas. A.J. Foyt vem a seguir, com 369 provas. Outro brasileiro, Hélio Castro Neves, vem com 351 corridas, e então temos Scott, com 335 corridas, até a prova de São Petesburgo domingo passado. Em termos de vitórias, o maior vencedor é Foyt, que triunfou em 67 corridas em suas participações. O vice-líder é Mario Andretti, com 52 vitórias, e o chefe do clã Andretti está perto de perder sua posição já no ano que vem, pois Dixon já tem nada menos do que 50 vitórias, e mantida a sua média de triunfos por temporada, deve assumir a segunda posição em 2021, se nada de anormal acontecer, já que até hoje, desde que disputa a IRL/Indycar, só deixou de vencer corridas em 2004, no que foi seu segundo pior ano na competição, quando terminou a temporada apenas em 10º lugar.

            O neozelandês, contudo, não é o que se pode chamar de pole-man: tem “apenas” 29 poles na carreira até hoje, número “modesto” se comparado às 65 poles conquistadas por Mario Andretti, o recordista no ranking, mas também perto de ser superado em 2021 pelo segundo colocado, Will Power, que já tem 62 largadas na posição de honra das corridas. Hélio Castro Neves é o 3º colocado, com 54 poles, superando A.J. Foyt, com 53, com Bobby Unser logo atrás, com 52. Mas o importante não é largar na frente, mas chegar na frente. Tanto que nesta temporada onde venceu seu sexto título, Scott não marcou uma pole sequer, mas em contrapartida, venceu 4 provas, o mesmo número de triunfos de Josef Newgarden, que terminou com o vice-campeonato, mas saiu de cabeça erguida de uma temporada onde chegou a estar mais de 100 pontos atrás de Dixon, e conseguiu reverter a desvantagem, para terminar o ano com apenas 16 pontos a menos que o piloto da Ganassi. E se não dá para vencer, Dixon costuma lutar pelo melhor resultado possível. Sua habilidade de conseguir preservar seu equipamento e poupar combustível, além de cometer poucos erros, e não se envolver em confusões na pista, são grandes trunfos em uma categoria onde a competitividade é forte, e detalhes costumam fazer grande diferença. Com pontuação que vai do vencedor até o último colocado, Dixon sempre tenta manter a constância de seus resultados, especialmente quando o carro não está em condições de vencer. Hábil em analisar a situação de corrida, ele tenta estar sempre na posição certa no momento certo, para surpreender os adversários, e obter resultados que normalmente não seriam possíveis para um piloto de menos quilate. Quando menos se espera, eis que Dixon está lá, nas primeiras posições, ou muito próximo a elas.

            Uma prova disso é que ele é o segundo colocado em... segundos lugares, no ranking das categorias Indy. Ele terminou 48 provas em segundo lugar, atrás somente de Mario Andretti, que obteve 56 segundos lugares em sua carreira. A regularidade em 3ºs lugares é um pouco menor, mas não desprezível: foram 24 provas terminadas no degrau mais baixo do pódio. Neste ranking, Tony Kanaan é o recordista, com 40 3ºs lugares, seguido de Mario Andretti com 33, e Dario Franchiti com 31. Al Unser (pai) tem 28, enquanto Bobby Rahal teve 27. Nesta temporada, Dixon esteve no pódio em praticamente metade das corridas: além das 4 vitórias, foi 2º colocado em duas provas, e 3º em uma. Mas como o importante nas categorias Indy é manter a constância, Dixon também colecionou 26 4ºs lugares, além de ter fechado em 5º em outras 26 corridas (Al Unser Jr. é quem terminou mais vezes em 4º: 33 provas; Já Hélio Castro Neves é quem terminou mais vezes em 5º: 27, e está perto de ficar para trás neste ranking). E, além destes números, Dixon também ostenta em seu currículo uma vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, a mais famosa prova das Américas, obtida em 2008. Ele também já largou três vezes na pole-position da Indy500, sendo que neste ano, terminou a mítica prova na segunda colocação, logo atrás do vencedor, Takuma Sato.

Scott Dixon e Chip Ganassi: uma parceria tão icônica (acima) como foi o da escuderia com o patrocínio da rede de lojas Target (abaixo), presentes em quatro das conquistas do neozelandês.


            Não foi uma temporada tão fácil para Dixon como pode parecer à primeira vista. Em virtude da pandemia do coronavírus, a competição, que deveria ter tido início em março, acabou se iniciando apenas em junho, com várias provas canceladas, e a adoção de rodadas duplas em alguns circuitos para fazer um número de etapas razoável para termos uma temporada de fato. A Ganassi e Dixon conseguiram se acertar muito mais rápido nas primeiras corridas, de modo que o neozelandês venceu as primeiras três provas, disparando na liderança, que jamais perderia até o final. Com os outros times tentando se ajustar, Dixon estabeleceu uma vantagem confortável que poderia gerenciar, caso houvesse necessidade, até porque, em algum momento, poderia ter problemas, ou o azar que acometeu primeiro seus rivais na pista. Mas só a partir da segunda prova em Gateway é que Scott começou a ter problemas mais sérios, com a Ganassi, e ele próprio, tendo dificuldades para obter um bom rendimento de seu carro, ou pelo menos, a performance mais aceitável para poder minimizar prejuízos quando os adversários tinham melhores resultados. O próprio Dixon reconheceu que perdeu pelo menos três oportunidades de obter melhores resultados por causa de erros próprios dele, onde o mais evidente foi visto na segunda prova de Mid-Ohio, onde o piloto rodou sozinho na luta por posições, arruinando as chances de terminar a prova na luta pelo pódio, e oferecendo aos adversários uma excelente oportunidade de diminuir sua desvantagem. A rodada dupla realizada no traçado misto de Indianápolis também não ocorreu da maneira que o piloto e a equipe esperavam, e Josef Newgarden e a Penske, que haviam começado o campeonato de forma meio claudicante, foram se organizando e se colocando como ameaças reais na luta pelo título da competição, com o então atual bicampeão tendo de assumir uma tocada agressiva na pista para compensar a performance de seu carro, tal como fazia em seus tempos na equipe Carpenter.

            O resultado foi que o piloto da Penske conseguiu levar a decisão para a última corrida do ano, em São Petesburgo, ainda que os 32 pontos de vantagem de Dixon constituíssem uma folga até cômoda para garantir o título. Largando apenas em 8º lugar, não restava a Josef outra opção senão partir para o ataque, para tentar o melhor resultado possível, a vitória. Mas ele precisaria contar com um resultado ruim de Dixon, que precisava apenas de um 9º lugar para liquidar a conquista do título. O neozelandês largava em 11º, e a rigor, bastava marcar Newgarden para impedir que ele conseguisse eliminar sua desvantagem na pontuação. Mas, apesar de não ser uma tarefa tão difícil para Dixon terminar em 9º, tudo poderia acontecer na etapa final. Sendo uma corrida em circuito de rua, um eventual azar poderia nocautear o piloto da Ganassi e complicar tudo. Ou poderia até facilitar ainda mais a conquista, se Newgarden acabasse tendo problemas. Na primeira parte da prova, Dixon se manteve sempre atrás, mas próximo de Josef, de modo que, terminando daquela maneira, seu hexacampeonato estaria sacramentado. Mas, as tradicionais confusões de circuitos citadinos começaram a surgir, com pilotos tocando o muro, batendo uns nos outros, obrigando o acionamento das bandeiras amarelas, que poderiam ter complicado a estratégia de corrida tanto de Newgarden quanto de Dixon.

Josef Newgarden terá de esperar até o ano que vem para tentar chegar ao tricampeonato na Indycar. Isso se Dixon não resolver conquistar seu sétimo título.

            Mas seus times foram eficientes e não deixaram a peteca cair, de modo que mesmo com o ganho de posições de Newgarden, Dixon mantinha-se bem próximo, pronto para garantir seu título. Na parte final da corrida, Newgarden partiu para a liderança, e mesmo Dixon precisou se arriscar um pouco nas disputas de posição, a fim de tentar minimizar as possibilidades de perder o título. Newgarden venceu, mas Scott fechou o pódio com uma atuação sólida, como é sua característica principal, nunca tendo perdido o rival de vista, e lhe permitindo tomar o controle da situação de forma a comprometer sua liderança na pontuação. Uma conquista com todos os méritos, assim como foi também a performance de Josef, que mesmo com o vice-campeonato, demonstrou uma campanha determinada para lutar por mais um título, que seria o seu terceiro, caso Dixon não tivesse conseguido terminar dentro das posições necessárias para garantir seu título.

            Aos 40 anos, e com muita lenha para queimar ainda, Dixon lembra os velhos tempos da antiga Indy, onde os pilotos, mesmo veteranos, mostravam que podiam dar conta da situação, e disputavam firmemente os títulos. Os tempos atuais são outros, e a maioria dos pilotos do grid da Indycar hoje é formada de jovens talentos, com poucos “veteranos” presentes. Scott é uma honrosa exceção, e um incentivo para os novatos candidatos a novas estrelas da categoria. Afinal, o neozelandês também já foi um novato, e aos poucos, galgou o estrelato, em especial nesta última década, onde conquistou quatro de seus seis títulos. E estamos falando da Indycar, onde o equilíbrio entre os times é bem maior do que na Fórmula 1. Mesmo competindo por um time de ponta, a Ganassi, a disputa é bem mais parelha do que na categoria máxima do automobilismo, pois os times de ponta rivais, como Penske, e Andretti, estão sempre à espreita, e com a chance de outros times, como Rahal, e agora até mesmo a retornada McLaren, se acertarem, e entrarem na briga, ampliando o rol de desafiantes na pista, onde a mínima vantagem de um piloto pode fazer uma diferença imensa nos resultados.

            Se estamos tendo a oportunidade de testemunhar Lewis Hamilton fazer história na F-1, rumo ao posto de maior campeão da história da categoria, Scott Dixon não faz por menos na Indycar, indo ao encalço dos recordes dos campeonatos Indy, com uma determinação e talento que não ficam a dever a que o inglês da Mercedes vem fazendo. E, quem sabe, podemos ver o neozelandês fazer história em 2021, caso seja novamente campeão, igualando o recorde de A. J. Foyt, da mesma maneira como Hamilton está prestes a fazer com o número de títulos ganhos por Michael Schumacher. É um outro gênio do esporte a motor, como poucos, e que poderá ainda fazer muito em sua carreira... Só o tempo dirá... Por enquanto, parabéns a Scott Dixon, hexacampeão da Indycar!!

 

 

E o que se previa, aconteceu: com sua vitória no GP de Portugal, disputado domingo passado no belo circuito de Portimão, Lewis Hamilton obteve sua 92ª vitória na F-1, tornando-se o novo recordista absoluto de vitórias na categoria máxima do automobilismo, deixando Michael Schumacher definitivamente para trás, com o alemão agora caindo para a segunda posição no ranking de triunfos. E, da mesma maneira como o alemão expandiu o recorde de vitórias em sua época, que era de 51 triunfos de Alain Prost, chegando a 91 vitórias, Hamilton pode agora expandir essa marca, ultrapassando as 100 vitórias, algo que certamente veremos na próxima temporada, onde a Mercedes ainda deve seguir como força dominante na F-1, e Lewis, o seu grande astro. E não adianta os nervosinhos de costume apregoarem que Hamilton só faz o que faz por estar no melhor carro da categoria, esquecendo que por vários anos Schumacher também teve o melhor carro da competição. Aceitem que Lewis é o maior piloto da F-1 atual, e um dos gigantes da história do automobilismo mundial. Não é achismo algum, só os fatos, pura e simples...

 

 

Hoje deveria começar os treinos oficiais para a prova da Emília-Romana, nome que a corrida que marca o retorno da F-1 ao circuito Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, terá no campeonato deste ano. Mas a FIA resolveu fazer uma experiência, limitando as atividades ao sábado e ao domingo, numa tentativa para ver se isso pode deixar as coisas mais imprevisíveis, e quem sabe, proporcionar uma corrida mais disputada, com as escuderias tendo menos tempo para se acertarem ao circuito. A Liberty Media tem intenção de aumentar o número de GPs, mas os times são contra a adição de mais provas, devido ao esforço logístico que isso acarreta. Se as corridas passarem a ter atividades apenas de dois dias, ao invés de três, isso poderia servir de argumento para se colocarem mais provas no calendário. Vai depender de como as coisas acontecerão neste final de semana, e do que as escuderias acharão disso. Pode até ser algo válido, mas nada garante que teremos corridas exatamente melhores por causa disso. Vejamos o que acontece...