sexta-feira, 5 de junho de 2020

O FIM DA WILLIAMS?

Robert Kubica marcou o último ponto da Williams na F-1, na temporada de 2019, quando o time terminou em último lugar na competição. Situação difícil para uma escuderia que já foi a mais poderosa da categoria.

            A notícia não deveria ser exatamente uma novidade, pelo momento difícil que muitos sabiam que o time estava passando. Mesmo assim, o anúncio feito na semana passada, onde a equipe Williams de F-1 praticamente anuncia que está à venda, encerra o último bastião dos garagistas na Fórmula 1, e deixa um ar de tristeza para quem conheceu o time de Frank Williams em seus melhores momentos, e o viu se arrastar na pista na última temporada. Uma situação parecida vivida por outro time emblemático, a McLaren, mas com o atenuante de que, apesar das dificuldades, parece ter iniciado um processo de restruturação com vistas a retornar ao pelotão da frente, de onde anda ausente desde 2012, o que não é o caso do time de Grove.

            Ainda que a escuderia tenha produzido um carro mais competitivo para esta temporada, todos concordam que dificilmente o time sairá da segunda metade do pelotão. Todos os rivais melhoraram, e a Williams precisa não apenas acompanhar esta evolução, como crescer mais do que seus concorrentes, uma situação que normalmente já é difícil, mas fica ainda mais complicada quando as finanças não ajudam. E infelizmente, o balanço geral da escuderia apontou prejuízo no cômputo geral de 2019, e como desgraça pouca é bobagem, a situação da pandemia da Covid-19 prejudicou o fluxo de caixa do time, que ainda por cima, rompeu com seu patrocinador principal, a Rokit, em razão da falta de pagamentos. O orçamento para 2020, que já não era generoso, agora deixa a incerteza se o time conseguirá completar o ano adequadamente. Por mais que a Liberty Media tenha conseguido antecipar alguns pagamentos que as escuderias teriam direito, o fato de ter terminado 2019 na última colocação já deixa o time em situação periclitante neste sentido. E a própria Claire Williams afirmou que, sem corridas, o time não verá dinheiro entrando, o que torna tudo ainda mais difícil.

            Por essas e outras, muitos já não se perguntam se a Williams terá o mesmo destino de outros times icônicos da história da F-1, como Lotus, Brabham, Tyrrel, ou Ligier, mas quando será o seu último suspiro. Todos os times citados tiveram seu momento de glória na história da categoria máxima do automobilismo, mas um a um, todos foram sendo varridos para a vala da história do automobilismo, desaparecendo depois de muitos anos de baixos resultados. E sem terem como conseguirem voltar aos tempos de glória, todos estes times fecharam as portas, deixando muitas saudades em seus torcedores. Em todos eles, uma única certeza: má gestão é um pecado capital, e ele raramente perdoa. Não por acaso, é o que estamos vivenciando atualmente no time de Frank Williams, e não é de hoje.

            Preso a uma cadeira de rodas desde 1986, devido a um acidente de carro, Frank Williams sempre foi um exemplo de determinação e perseverança na criação e desenvolvimento de sua escuderia. Mas sua condição física, que já não era boa, simplesmente se tornou ainda mais pronunciada nesta última década. Era preciso trocar o comando do time, e Frank acabou por escolher sua filha Claire para liderar o time em seu lugar. Todos concordaram que não foi a melhor escolha, e isso não é questão de ser machista nem nada. A filha de Frank não foi mesmo talhada para comandar o time, e infelizmente, isso revelou-se desastroso.

Frank Williams, o fundador, e sua filha Claire, atual chefe da escuderia.
 
            Em 2014, com o início da nova era híbrida turbo, a escuderia deu uma grande sorte por usar a unidade de potência da Mercedes, equipe que dominou a temporada daquele ano. Dispondo de uma unidade de eficiência impressionante, e com um carro decente, a Williams terminou o ano em 3º lugar, ficando atrás apenas da campeã Mercedes, e da Red Bull. Era um bálsamo vermos de novo os carros do time andando entre os primeiros, e quem sabe, poderiam até voltar a vencer uma corrida, não fosse a supremacia da Mercedes. Em 2015, outro ano até bom, com a escuderia voltando a terminar a temporada em 3º lugar. Se era preciso reconhecer que não dava para fazer muito contra o time da Mercedes, ao menos a escuderia inglesa parecia viver um pouco melhores dias. Afinal, quem não queria ver um time clássico voltar a frequentar o pódio, e figurar entre as primeiras colocações? Todo mundo torcia por isso.

            Infelizmente, apesar de um bom patrocínio, uma excelente unidade de potência, e uma dupla de pilotos consistente e de potencial, o time estagnou novamente, e tornou a perder terreno. Contratações equivocadas, falta de coordenação técnica, além de recorrer ao esquema de pilotos pagantes, são muitas as falhas que ficaram visíveis nestes últimos anos, onde vimos o time novamente cair para trás no grid.

            A situação econômica do time se revela ainda mais crítica depois dos empréstimos vultuosos feitos junto a Michael Latifi, pai de um dos pilotos do time para esta temporada, e a bancos britânicos, lembrando ainda que a divisão de tecnologia avançada do grupo foi vendida em fins do ano passado, a fim de se pagar empréstimos feitos algum tempo antes. Com previsão de pagamento dos empréstimos até 2026, entretanto, o fato de terem anunciado que estão procurando novos investidores, com opção de assumirem a integralidade da escuderia, só reforça a sensação de que a Williams está no fim da linha, por mais que Claire Williams tente se manter otimista, ao afirmar que com um novo investidor, o time pode se manter, e até renascer na categoria. Pode até ser, mas não há garantia alguma disso. Quem assumir a direção pode até manter o nome Williams, como fez Ron Dennis ao assumir a equipe McLaren no início dos anos 1980, mas também pode dar outro nome ao time, e se desvincular completamente do histórico que o time tem na F-1, do fim dos anos 1970 até os dias atuais.

Em 2014, o time renasceu na nora era híbrida, terminando a temporada em terceiro lugar, e Felipe Massa conseguiu a última pole da escuderia, na Áustria.

            Ralf Schumacher, que pilotou para o time entre 1999 e 2004, acredita que a Williams só se salvará se renovar completamente seu corpo diretivo, e sendo franco e direto, afirmou que a equipe precisa ficar livre tanto de Frank quanto de sua filha, Claire, que na sua opinião, não tem condições de comandar a escuderia com a competência que os tempos atuais exigem. Não é difícil concordar com ele. Devido à idade avançada, e à sua condição física precária, Frank Williams já não tem mais a clareza das idéias que o permitia dirigir o time. E Claire, como vimos, infelizmente não tem a finesse exigida para coordenar a escuderia. Escolhas erradas foram feitas, várias delas, e agora, já não há como voltar atrás. As cobranças e prejuízos que a falta de resultados e más gestões provocaram vai ceifar o último dos times que ainda resistia. A escuderia, que sempre foi um orgulho familiar, e até mesmo da Inglaterra, dá seus últimos suspiros. Os tempos atuais da F-1, infelizmente, já não são compatíveis com o estilo de gestão ainda preconizado por Frank e seguido por Claire.

            Um fim a se lamentar, claro. Mas, que equipe teve um fim que podemos considerar “decente”? Nenhuma, praticamente. A Lotus sempre dependeu da genialidade e condução de seu fundador, Colin Chapman. Quando este se foi, o time ainda se aguentou mais uns tempos, mas depois, começou a decair mais e mais, e tudo o que conseguiu foi prorrogar o inevitável. Jack Brabham passou seu time adiante, assim como Guy Ligier, em épocas que mostravam que as escuderias já não eram mais as mesmas. Ambas ainda tiveram alguns bons momentos, como quando a Brabham foi novamente campeã com Nélson Piquet, mas logo voltou ao ostracismo, e à decadência. Ken Tyrrel, a exemplo de Frank Williams, nadou contra a correnteza, por muito mais tempo que seu compatriota, mas no fim, capitulou, vendendo seu time para um grupo empresarial, e saindo de cena. Todos os finais foram melancólicos, sem fazer justiça às conquistas alcançadas nas pistas. E a Williams já teve muitos momentos de glória, mas nem isso, infelizmente, evitou que ela chegasse ao estado em que se encontra atualmente. Todo time tem seus altos e baixos, ao longo de sua existência. Infelizmente, a escuderia inglesa tem tido mais baixos que altos nos últimos tempos, por uma série de fatores muito além de uma simples má gestão.

Os bons tempos da Williams: em 1986 e 1987 (acima), Nélson Piquet e Nigel Mansell sobravam sobre a concorrência, com Piquet a ser campeão em 1987. Em 1996 e 1997, Damon Hill e Jacques Villeneuve (abaixo) conquistaram os últimos campeonatos da escuderia.

            Frank Williams também tinha lá suas teimosias. Para alguns, o fato de não aceitar vender seu time para a BMW em meados da década passada foi o ponto fatal que fez a escuderia perder o bonde da história da nova F-1, mas discordo um pouco disso. A BMW, desgostosa, rompeu a parceria com o time de Grove, e comprou a Sauber, assumindo o time suíço, como gostaria de ter feito com a Williams. E com a BMW à frente, a ex-Sauber chegou até a ganhar corrida, mas com a crise econômica de 2008, os alemães puxaram o carro ao fim de 2009, após um ano ruim, devolvendo a escuderia suíça a seu fundador, Peter Sauber, que anos depois, novamente venderia seu time, novamente em crise financeira, a um grupo de empresas, que hoje está sob a batuta da Alfa Romeo, tendo o time sido renomeado. Possivelmente a Williams não estaria melhor do que hoje, quem sabe? Mas talvez Frank tivesse se tocado de que seus métodos de mando no time já não eram os melhores, e poderia ter feito uma transição colocando gente mais capacitada em seu lugar, ao invés de sua filha, como forma de manter o controle ainda 100% familiar. A teimosia em manter tudo “ainda em família” não pode ser ignorada, em que pese que Frank teve a oportunidade de indicar seu filho, Jonathan, para assumir a direção do time. Jonathan tinha, segundo muitos, qualidades para gerir a escuderia muito melhores do que Claire, que acabou escolhida. Talvez sob seu comando, o time estivesse melhor, talvez não. Jamais saberemos. A decisão da escolha sobre quem dirigiria o time parece ter deixado cicatrizes, uma vez que Jonathan acabou “encostado”, e Claire, com um estilo mais autocrático, segundo muitos, começou a fazer a coisa desandar.

            Mas não se pode culpar apenas Claire por isso. Frank quis se manter no controle tanto quanto possível, ou pelo menos, manter a família no controle. Nada de errado se ao menos preparasse sua sucessão devidamente, o que não foi o que vimos. Mas já vimos vários casos de empresas bem-sucedidas que, ao serem assumidas pela prole, levaram o resultado de anos de trabalho arduamente feito por seus genitores virarem poeira. Há pouco tempo, Ron Dennis desligou-se do Grupo McLaren, deixando apenas Frank Williams como último representante de uma era saudosa da F-1. Uma era que agora está com seus dias finalmente se encerrando, mesmo que o time continue existindo sob um novo proprietário, já que tudo indica que Frank e seu legado estão dando seus últimos passos. Esperemos que ao menos o nome Williams permaneça, assim como o nome McLaren vem sendo mantido, para os anais da história da categoria máxima do automobilismo. Pelo menos, algo ainda restará para ser lembrado do que ele significou um dia para a F-1, tendo começado de forma humilde, até ser, em alguns momentos, a escuderia mais poderosa da categoria, quando era o time a ser vencido.

 

E o campeonato da Indycar começa enfim amanhã, com a disputa da prova do Texas, no circuito do Texas Motor Speedway, em Forth Worth. E a melhor notícia para os fãs brasileiros da categoria foi que o Grupo Bandeirantes renovou, ao menos para este ano, o contrato de transmissão das corridas, o que dará aos torcedores a opção de acompanhar em um canal de TV as provas, que até então tinham como única opção a transmissão pelo site de streaming Dazn, que mostrará também os treinos, ao vivo. A prova será exibida ao vivo no canal pago Bandsports, a partir das 21 horas deste sábado. Com a falta de eventos esportivos decorrente da pandemia da Covid-19, os canais esportivos ficaram limitados a reprisar eventos antigos em sua maior parte da grade, e com a perspectiva de poder mostrar algo novo, a emissora paulista resolveu tentar negociar a volta da transmissão da Indycar, cujo contrato havia se encerrado ao fim de 2019, com a emissora anunciando que não o renovaria. Procurada, a direção da Indycar aceitou fazer um novo contrato de transmissão, algo muito apreciado diante dos problemas operacionais que a pandemia causou nos campeonatos esportivos. As corridas devem ser transmitidas apenas pelo canal Bandsports, com exceção óbvia para as 500 Milhas de Indianápolis, que este ano acontecerão em agosto. Mas, dependendo da audiência, outras corridas poderão ser exibidas no canal aberto da Bandeirantes, e quem sabe, o contrato seja renovado para as próximas temporadas. Para quem estava começando a ficar resignado a não termos mais as transmissões da Indycar na TV, trata-se de uma boa notícia. Resta esperar que ao menos a Indycar possa propiciar uma transmissão de imagem e som decentes, e não aquelas imagens de baixa resolução e péssima qualidade de som que vimos nas transmissões da Nascar exibidas no Fox Sports.

Alegando problemas econômicos decorrentes da pandemia da Covid-19, a equipe Carlin anunciou que irá disputar a prova do Texas com apenas um de seus carros, que terá Conor Daly ao volante. Com isso, a perspectiva de Felipe Nasr alinhar com o segundo carro da escuderia, o que iria ocorrer na prova de estréia da competição, em São Petesburgo, ficará adiada. Para os brasileiros, restará o consolo de que Tony Kanaan irá alinhar no grid, já que seu contrato com a Foyt, em seu ano de despedida da categoria, previa sua participação apenas nas corridas em ovais, caso da prova do Texas. O brasileiro, aliás, terá um motivo a mais para se motivar na prova texana: seu carro terá o patrocínio da 7-Eleven, rede de lojas de conveniência, e que foi sua principal patrocinadora por muitos anos na década passada, quando estava defendendo o time de Michael Andretti, como quando foi campeão da Indy Racing League, em 2004. O brasileiro se disse emocionado em poder competir mais uma vez com seu icônico patrocinador, em seu ano de despedida da Indycar. E a prova em Forth Worth traz boas recordações a Kanaan: ele venceu na pista oval em 2004, quando foi campeão, e ainda subiu ao pódio mais oito vezes, cinco delas na 2ª posição, e as outras três em 3º lugar. Resta esperar que ele possa ter satisfação à altura em sua corrida de despedida do circuito, com o carro da Foyt lhe permitindo ter um desempenho muito melhor, ao contrário do que vimos nos últimos dois anos, com a escuderia andando para trás no grid, e arrastando o brasileiro para longe de melhores resultados. Devido à pandemia da Covid-19, a corrida do Texas, assim como a primeira prova no traçado misto de Indianápolis, programada para o dia 4 de julho, ocorrerão com portões fechados, sem público. As provas serão realizadas com a presença mínima de pessoal, e todos os profissionais que trabalharão no circuito serão testados, além de terem de seguir um rígido protocolo de segurança e isolamento. Não é o ideal para se começar a disputa do campeonato, todos admitem, mas é o que dá para ser feito no momento, a fim de viabilizar o início da competição. Todos esperam que, em agosto, para a disputa das 500 Milhas de Indianápolis, já seja possível ter algum público nas arquibancadas, mas ninguém tem certeza de como estará o panorama da pandemia até lá.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

FLYING LAPS – MAIO DE 2020

            E o mês de maio já se foi, e estamos agora em junho. Praticamente metade de 2020 já se passou. Infelizmente, apesar de algumas boas notícias, ainda estamos em um grande panorama de incerteza em muitos lugares do mundo, como o Brasil, ainda envolvido com a pandemia do coronavírus covid-19, que fez todo o mundo entrar em parafuso, com muitas consequências. Os principais campeonatos do mundo do esporte a motor tentam planejar o que podem fazer em relação ao restante de 2020, com o início de algumas disputas já serem retomadas em julho. Enquanto aguardamos o início do segundo semestre, vamos repassar nesta sessão Flying Laps alguns acontecimentos do mundo da velocidade que tivemos neste mês de maio, com alguns comentários rápidos, como de costume. Uma boa leitura para todos, e esperemos ter notícias melhores no mês que vem, com a melhores condições do mundo voltar a ter um pouco de normalidade, e deixarmos este momento cheio de incertezas para trás... Até breve, então...

 O piloto alemão Daniel Abt acabou perdendo o emprego na equipe oficial da Audi na Formula-E, devido a uma burla das regras em uma corrida virtual disputada neste mês de maio. O ePrix virtual de Berlim, que fazia parte de um campeonato de eSports, viu o piloto usar um “dublê” em seu lugar na corrida, no caso, Lorenz Hoerzing, piloto profissional de eSports. O desempenho de Abt na etapa chamou a atenção pelo bom desempenho do piloto, que até então vinha tendo um desempenho medíocre nas etapas disputadas anteriormente, terminando a etapa virtual na terceira colocação. Mas a farsa acabou descoberta. Abt pediu desculpas pelo que fez, e ainda tentou justificar como uma brincadeira, para mostrar o que um piloto de simulador poderia fazer numa competição contra pilotos reais em uma prova virtual, e que não teve nenhuma intenção desonesta de trapacear, alegando que revelaria tudo depois. Os pilotos desconfiaram de como Daniel, de repente, passou a ter um desempenho tão bom, chegando até a liderar o maior número de voltas da corrida virtual disputada no traçado de Tempelhof. O piloto acabou desclassificado, e tomou uma multa de cerca de US$ 10 mil, cujo valor seria destinado a uma instituição de caridade. A princípio, Daniel acabou suspenso pela Audi, enquanto seu “dublê”, Lorenz Hoerzing, foi banido das atividades virtuais desenvolvidas pela Formula-E. Mas, pouco depois, a Audi resolveu dispensar Daniel Abt, cujo contrato ia até o final da atual temporada da F-E, que encontra-se paralisada em razão da pandemia do coronavírus. O desempenho do piloto, que estava bem abaixo de Lucas Di Grassi na atual temporada, já vinha dando margem a boatos de que ele poderia não ter o seu contrato renovado para a próxima temporada. Agora, com sua dispensa imediata, quando o campeonato recomeçar, o piloto brasileiro já terá um novo companheiro de equipe na escuderia da marca alemã. Embora nunca tenha tido os mesmos resultados que Lucas, Daniel até que conseguia ter alguns bons desempenhos, chegando a vencer algumas corridas. A Audi era o único time que manteve a sua dupla de pilotos desde o início da F-E até agora, caso raro de estabilidade na categoria dos carros elétricos.


Por mais que muitos tenham entendido a punição da Audi a Daniel Abt, diversos pilotos, contudo, preferiram contemporizar, criticando o castigo como excessivo. E muitos já pensam em não participar mais destas provas virtuais, com receio de alguma atitude que cometerem acabar lhes custando um castigo desmedido na vida real. De certa forma, não estão errados. As corridas virtuais foram criadas para oferecer aos fãs algum tipo de diversão durante este momento crítico da pandemia do coronavírus, que suspendeu praticamente todos os campeonatos esportivos mundiais, incluídos os de automobilismo. A desclassificação e multa, para muitos, já teria sido punição suficiente para Abt, até porque ele tentou se desculpar publicamente. Infelizmente, para outros, sua atitude foi considerada nociva, uma vez que como piloto da Audi, ele representa a imagem da empresa alemã na competição dentro da pista, e uma trapaça de ter deixado outra pessoa correr em seu lugar aparentemente deixou alguém na cúpula da empresa irritado. E também acho que foi exagerado o que fizeram. Regras são regras, é verdade, mas em uma competição virtual, por vezes acabamos cometendo certos atos que nunca faríamos na vida real. Talvez por ser uma competição “oficial” tenha pesado, e até demais. Muitos pilotos não tem participado destas provas virtuais que vem sendo realizadas, por não terem a mínima vontade, além de não considerarem uma disputa real, e depois de verem o que aconteceu com Abt, apesar da culpa do piloto alemão, irão ficar ainda mais longe de competições de simuladores. Mas campeonatos de esportes virtuais também podem ser levados muito a sério, e quando se concorda em competir em algo assim, é preciso respeitar as condições impostas, sem mencionar que a Audi tem responsabilidade para com seus patrocinadores, e uma trapaça como a que seu piloto fez rende pontos negativos para a empresa, e não vamos esquecer que, há pouco tempo atrás, o Grupo Volkswagen, ao qual pertence a Audi, foi pego em um escândalo em resultados fraudulentos das emissões de gases poluentes de seus carros movidos a diesel, o que rendeu uma multa bilionária ao grupo, além de outros percalços. Portanto, não é de se admirar que a tolerância para atitudes consideradas falsas esteja bem curta. Foi um lapso que infelizmente poderá custar muito caro a Abt, que vinha até então em uma boa relação com a Audi, e que agora, quando as competições voltarem ao normal, terá o trabalho de ter de arrumar uma nova ocupação, e ter esse fato no currículo poderá pesar na decisão de potenciais empregadores para o agora desempregado piloto.

Enquanto a pandemia continua fazendo estragos financeiros no mundo inteiro, pelo menos uma categoria automobilística acabou indo para o vinagre por causa da paralisação causada pelo coronavírus. O Jaguar i-Pace e-Trophy, a categoria de turismo de carros elétricos que vinha tendo etapas disputadas em parte dos fins de semana da F-E, será descontinuada pela marca inglesa ao fim da atual temporada. O campeonato teve agora sua primeira temporada, encerrada no ano passado, tendo como campeão o brasileiro Sérgio Jimenez. A Jaguar justificou sua decisão alegando que a pandemia forçou a empresa a rever seus investimentos mundo afora, e teve também o agravante de que a categoria não conseguiu “pegar” junto ao público, como ocorreu com a Formula-E. Os grids contaram com poucos participantes, e as corridas também não apresentaram toda a emoção que os fãs esperavam, uma vez que os tamanho dos carros competindo nas pistas estreitas dificultavam as ultrapassagens, impedindo que as disputas fossem mais viáveis para quem não largava nas primeiras posições. De fato, se para os monopostos do certame da F-E as pistas já vinham sendo muito “travadas”, os carros de turismo de fato ficavam com as disputas ainda mais difíceis. Infelizmente, com as montadoras tendo suas finanças impactadas de forma contundente pela queda da atividade comercial provocada pela pandemia, não é de admirar que as empresas estejam repensando seus projetos que ainda estivessem para gerar frutos, a fim de se concentrarem no que já está consolidado. E por causa disso, o Jaguar i-Pace e-Trophy acabou sendo o escolhido para se puxar a tomada. A iniciativa era muito válida, e quem sabe pode ser retomada em um futuro breve, repaginada, e com melhores condições de oferecer o show que os fãs do esporte a motor anseiam...

 Enquanto o campeonato da MotoGp não começa, algumas peças se movem para a temporada de 2021. E uma delas foi a contratação de Jack Miller pelo time oficial da Ducati, para guiar para a escuderia italiana no próximo ano. Miller atualmente é piloto da Pramac, time satélite da Ducati. Mas o time ainda não definiu quem será seu companheiro na escuderia, que para este ano conta com Andrea Dovizioso e Danilo Petrucci. Andrea foi vice-campeão nas últimas três temporadas, tendo sido o mais frequente rival para Marc Márquez na classe rainha do motociclismo. Porém, apesar do empenho de Dovizioso, comenta-se que o time estaria começando a ver estas derrotas pelo lado negativo da situação, e não pelo lado positivo. Pela lógica, Petrucci, que chegou ao time no ano passado, seria o mais indicado a ser dispensado, o que acabou se confirmando em uma declaração do piloto nesta semana. Até então, nenhum dos dois pilotos titulares da equipe de Borgo Panigale estava garantido para a temporada do ano que vem. Por outro lado, a Ducati também está jogando no escuro, uma vez que, com o campeonato paralisado pela pandemia do coronavírus, não tem como avaliar o desempenho de seus atuais pilotos. E com isso, o risco de tomar a decisão errada sobre quem seria dispensado aumenta. Restava saber quem iria sobrar nesta história, e acabou sendo Danilo, que agora terá de procurar um lugar para correr na próxima temporada da MotoGP...

 E a classe rainha do motociclismo contabiliza mais duas baixas nas provas potenciais da temporada de 2020, que nem teve chance de ser iniciada pela pandemia do coronavírus. As novas etapas a capitular foram as provas da Grã-Bretanha, que seriam disputadas no circuito de Silverstone; e a etapa da Austrália, no circuito de Phillip Island. Com o governo inglês impondo quarentena de duas semanas a quem vier de fora do país, para controlar a pandemia, acabou-se criando um empecilho que inviabiliza a presença dos profissionais da categoria para a disputa da prova. Por motivos parecidos, mais ligados à logística, e por ainda não haver uma data para reabertura das fronteiras, a corrida na Austrália também ficou complicada de ser realizada neste ano, pelo que os organizadores resolveram tomar a decisão mais factível, e aguardar até o ano que vem para a corrida voltar a ser disputada. O mesmo tipo de decisão que optou por deixar a prova de Silverstone para 2021. Apesar da possibilidade de exceção aberta pelo governo inglês para esportes de elite, que pode ajudar a realização das provas de F-1 em solo inglês programadas para o início de agosto, a MotoGP preferiu o cancelamento da corrida, programada para o fim de agosto. A MotoGP trabalha agora com a chance de dar início à temporada 2020 no mês de julho, inicialmente com duas etapas na Espanha, mas tudo ainda depende do governo espanhol permitir a realização das corridas.


Outra prova da MotoGP que corre risco de não ser disputada em 2020 é a dos Estados Unidos. A corrida seria a terceira da temporada, que acabou suspensa pela pandemia, mas não foi oficialmente cancelada. O problema é que o surto do coronavírus continua em alta nos Estados Unidos, onde a Covid-19 já fez mais de 100 mil mortos, e a reabertura das atividades ainda segue incerta, apesar de algumas liberações já estarem programadas para o mês de junho. Mas Austin, no Texas, cidade onde está o Circuito das Américas, baixou medida proibindo eventos que gerariam aglomeração de pessoas até dezembro, o que pode inviabilizar a realização da corrida, o que também ameaça a prova da F-1. A cidade está sendo bastante cautelosa nos procedimentos de reabertura das atividades comerciais, e apesar de haver um tempo razoável até o fim do ano, ninguém arrisca um prognóstico de como a situação se desenrolará até lá. Pode ser que a pandemia fique controlada, ou continue em alta. Por enquanto, parece que a classe rainha tentará viabilizar o maior número de provas na Europa, onde poderá ter menos problemas com logística, além de ter maior controle sobre o deslocamento de seus profissionais.

A cidade de Toronto, que atualmente abriga a única etapa do campeonato da Indycar fora dos Estados Unidos, ainda deixa em suspense se a corrida deste ano poderá ser realizada. A prova, marcada inicialmente para o mês de julho, foi adiada devido à pandemia da Covid-19. Entre as medidas aprovadas na cidade canadense, estão a proibição de eventos de grande porte até o final de agosto, e mesmo assim, a proibição ainda está sujeita ao desenrolar dos acontecimentos no que tange ao combate à disseminação da pandemia, uma vez que nos Estados Unidos o número de infectados e mortos pela doença são os maiores do mundo. A categoria já cancelou a etapa de Richmond, e fez Road America ganhar uma rodada dupla para compensar. Mas até o presente momento não temos como saber se Toronto ainda terá a sua prova este ano, ou se ela será cancelada definitivamente, para só retornar em 2021.


Pelo seu lado, a IMSA preferiu ser mais prática, e já anunciou que o Wheather Tech Sportscar, o seu campeonato de Endurance, não terá nenhuma prova disputada no Canadá este ano, deixando a etapa de Mosport com retorno programado para 2021. O certame deve ser retomado no início de julho, com uma prova no circuito de Daytona, na Flórida, e depois, em Sebring, em meados do mês, se tudo correr bem.