quarta-feira, 4 de novembro de 2026

ANTONELLI ÀS PORTAS DE UM TÍTULO HISTÓRICO

Por problemas operacionais, está sendo publicada hoje a coluna da última sexta-feira, dia 30 de outubro, tal como foi fechada originalmente.

Promessa da Mercedes, Andrea Kimi Antonelli vem arrasando na temporada de 2026 da F-1, prestes a se tornar o mais jovem campeão da história.

 

A temporada de 2026 da Fórmula 1 está prestes a testemunhar uma das conquistas mais impressionantes de toda a sua história: a possibilidade de Andrea Kimi Antonelli conquistar seu primeiro campeonato mundial já neste final de semana, no Grande Prêmio da Cidade do México, com apenas 20 anos e em sua segunda temporada na categoria máxima do automobilismo. E isso não depende nem mesmo de ele vencer a corrida, subir ao pódio ou sequer terminar entre os cinco primeiros: basta terminar em nono lugar para assegurar matematicamente o título, independentemente do resultado dos adversários.

Diferentemente de Lewis Hamilton, que quase foi campeão em sua temporada de estréia, o que teria sido um resultado ainda mais incrível, o inglês também conquistou seu primeiro título em sua segunda temporada na competição, em 2008, mas em uma decisão dramática na última corrida, e por muito pouco. Antonelli, por outro lado, está perto de ser campeão com uma campanha incrível, e acima de qualquer dúvida, onde o jovem piloto italiano conseguiu se destacar sobremaneira sobre todos os demais pilotos do grid, e mesmo dispondo do melhor equipamento, despachou seu companheiro de equipe, George Russell, com uma facilidade que ninguém esperava praticamente.

Com 123 pontos de vantagem sobre Russell, o que equivale praticamente quase à pontuação máxima de cinco provas, só um desastre completo pode impedir que Andrea seja campeão, e mesmo assim, isso seria extremamente impossível de acontecer, mesmo na pior das hipóteses. Mesmo que ele abandonasse o GP, seria necessário que Russell vencesse a corrida, e mesmo assim, apenas adiaria a decisão para a corrida em São Paulo, em outro resultado amplamente favorável às chances de liquidar a fatura automaticamente na etapa brasileira, se não viesse a ocorrer na capital mexicana.

O problema é que Kimi, na temporada, não cometeu nenhum erro que comprometesse seus resultados em uma corrida, como por exemplo, envolver-se em um acidente, ou um problema de pilotagem que abalasse sua performance de modo contundente. Muito pelo contrário, o piloto da Mercedes demonstrou oportunidade de aproveitar as chances que se apresentaram em diversos GPs, mesmo quando aparentava estar fora da briga pela vitória, garantindo resultados importantes para a campanha do título. Ele só abandonou uma corrida no ano, em Barcelona, e por problemas mecânicos no seu carro, sem que ele tivesse qualquer culpa pelo ocorrido. Ele terminou a etapa da Inglaterra apenas em 15º, mas havia vencido a corrida Sprint no sábado, de modo que não saiu zerado do fim de semana. E, das 18 provas realizadas até aqui, Antonelli venceu 9, metade delas, a última em Austin, domingo passado, com mais uma atuação perfeita, da pole-position à bandeirada final, executando com perfeição sua estratégia de corrida, como convém a um campeão de destaque, mesmo que sua vantagem na classificação lhe permitisse correr por resultados, sem a necessidade de arriscar muito. Aliás, as chances do piloto ter encerrado a conquista na pista do Texas já eram muito favoráveis, de Lewis Hamilton e George Russell conquistaram apenas o mínimo necessário para adiar a decisão aqui para a pista da capital mexicana.

A pista do autódromo Hermanos Rodriguez deverá ver a decisão do título da temporada.

Na hipótese de termos as etapas finais do campeonato, com a corrida mexicana, teríamos 125 pontos em disputa, contra uma vantagem de 123 pontos de Antonelli sobre Russell, e 124 pontos à frente de Hamilton. Muito difícil que Andrea não conquiste os dois pontos que faltam para liquidar a fatura. Mas, claro, tudo pode ocorrer, só que mesmo que ele abandone a prova, ainda assim exigiria vitórias tanto de Russell quanto de Hamilton, e não dá para termos os dois vencendo, de modo que quem não triunfasse na corrida estaria fora da disputa. E, claro, temos também outros competidores, como Max Verstappen, que se não está na briga pelo título, embolou a disputa pelo vice-campeonato, e se tiver chance, não vai dar moleza.

Caso confirme o campeonato, Antonelli estabelecerá marcas especialmente relevantes na história da F-1. Ele se tornará o mais jovem campeão da história: aos 20 anos e 61 dias, e superaria o recorde de Sebastian Vettel, campeão de 2010 aos 23 anos e 134 dias. Seria também o primeiro italiano a ser campeão desde 1953, encerrando um intervalo de 73 anos desde o segundo título de Alberto Ascari. Ele igualaria os feitos de Jacques Villeneuve e Lewis Hamilton, campeões em suas segundas temporadas pelos times que estrearam na competição. Villeneuve, pela Wiliams, em 1997; e Hamilton pela McLaren, em 2008. E de ressaltar que, como eles, Antonelli estreou na competição por um time de ponta. Villeneuve defendeu a Williams, o melhor time à sua época, perdendo a disputa em 1996 para Damon Hill. Hamilton perdeu a disputa em 2007 para Kimi Raikkonen, da Ferrari, cometendo erros cruciais nas duas últimas provas do ano, depois de quase liquidar a fatura por antecipação.

Antonelli, no caso, poderá ser campeão com quatro provas de antecipação. Esse último aspecto merece atenção, porque embora o domínio de Antonelli tenha sido patente, ainda assim ele não superaria a marca de outros pilotos que conquistaram antecipadamente o título da F-1, onde os recordistas neste quesito são Michael Schumacher, em 2002; e Max Verstappen, em 2023, quando ambos asseguraram seus títulos com seis GPs de antecedência. Nigel Mansell, em 1992, também levou o título com cinco provas restantes no campeonato. Isso, claro, não desmerece em nada a conquista do piloto italiano, ainda mais porque ele se tornará o mais jovem campeão de toda a história da F-1, o que por si só, já merece um reconhecimento enorme pelo feito. E devemos lembrar que, na comparação com Villeneuve e Hamilton, seus respectivos times disputaram efetivamente o campeonato em suas temporadas de estréia dos dois pilotos na competição, mas no ano passado, quando Antonelli chegou à F-1, a Mercedes foi apenas figurante na disputa pelo título, que ficou entre McLaren e Red Bull.

Depois de virar coadjuvante de luxo nos últimos anos, a Mercedes voltará a ser campeã na F-1. George Russell era o grande favorito no início, mas perdeu o rumo durante a temporada de 2026.

            A Mercedes, depois de alguns anos sem ter a mesma força do domínio imposto entre 2014 e 2020, voltou a ser a equipe a ser batida, mas também não foi um massacre como poderia de se imaginar. McLaren, Ferrari, e Red Bull, venceram duas provas cada uma, o que mostra que a temporada não foi tão hegemônica assim dos carros alemães. Mas, não se pode menosprezar que, mesmo que não tenha sido tão acachapante, foi de fato um domínio, já que o time de Brackley venceu 12 das 18 corridas. Só que, deste domínio, apenas 3 vitórias foram contabilizadas por Russell, que todos imaginavam que, após o triunfo em Melbourne, na estréia do campeonato, fosse nadar de braçada rumo ao título do ano. Mas os problemas do inglês começaram logo na segunda corrida, na China, com o primeiro triunfo de Antonelli na temporada, e na F-1. E dali em diante, bem, o italiano sim, nadou de braçada rumo ao título, enquanto George passou de favorito a azarão do ano, mesmo dispondo do melhor carro da competição. E tendo vários percalços e azares, mas que não foram os únicos motivos de ele ter perdido o duelo. Em várias etapas, Russell de fato não guiou como poderia. O fato do companheiro italiano ter se adaptado melhor ao carro deste ano infelizmente pesou contra Russell, que várias vezes exibiu a mesma competência, fora os azares, como os abandonos em Montreal e Sepang, que foram um duro golpe no piloto.

            O que lhe resta agora é pelo menos brigar firme pelo vice-campeonato, em um momento onde Lewis Hamilton está em calcanhar, e junto vem Charles LeClerc e Max Verstappen, enquanto Antonelli se prepara para entrar para a história da F-1, e dos anais do automobilismo mundial com todos os méritos. Que venha o nascimento do mais novo campeão da F-1 em todos os tempos, portanto.

 

 

Sergio Perez disputa justamente em casa uma marca histórica em sua carreira: o GP da Cidade do México, é a 300ª prova de F-1 de “Checo”, que apesar dos altos e baixos, tem uma carreira até respeitável na categoria máxima do automobilismo, onde estreou em 2011 pela Sauber, atual Audi. Mesmo tendo chegado à competição pelos belos patrocínios mexicanos, Perez mostrou que não era um mero piloto pagante, conseguindo demonstrar muita capacidade na conservação do equipamento. Isso o levou à McLaren em 2013, em um momento onde o time de Woking começava a sofrer para se manter competitiva no grid, de modo que “Checo” não vingou na escuderia inglesa como se esperava. Ele conseguiu uma vaga na Force India, e ali se reencontrou, permanecendo na escuderia até 2020, quando acabou dispensado pela nova chefia e proprietária da equipe, que a transformaria na atual equipe Aston Martin. Mas, em 2020, Perez conquistaria uma vitória contundente no GP de Sakhir, no Bahrein. Isso acabou convencendo a Red Bull a contratar o mexicano, diante de desilusões com alguns dos pilotos que ela própria havia promovido à F-1. Checo não decepcionou, mas também não vingou como se imaginava. Ele conseguiu poles e vitórias, mas em proporções tremendamente modestas em um time onde tudo girava ao redor de Max Verstappen, e com uma concepção de carro cada vez mas arredia que apenas o holandês conseguia extrair potencial. Recentemente, Christian Horner, que chefiava a Red Bull naquele período, confirmou que o desenvolvimento do carro para Verstappen prejudicou deliberadamente Sergio, que acabou, dessa maneira, até injustamente demitido ao fim de 2024, ficando sem competir no ano passado. Resgatado pela Cadillac, o mais novo time da F-1, que precisava de nomes experientes para seu primeiro ano de empreitada na categoria máxima do automobilismo mundial, Perez retornou à F-1, ao lado de Valtteri Bottas, que também ficou sem lugar na competição em 2025. As dificuldades da Cadillac são patentes, sem que seus pilotos tenham conseguido pontuar até aqui, e até mesmo a fiabilidade do carro não é das melhores, com vários abandonos. Mas, em termos comparativos, Sergio Perez vem mostrando muito mais desempenho que Valtteri Bottas, sendo que o finlandês, em tese garantido para 2027, pode muito bem estar disputando seus últimos GPs de F-1 nesta temporada, com a possibilidade do time promover Colton Herta à posição de titular, enquanto Sergio já teve confirmada até a renovação de seu contrato com a escuderia estadunidense até 2029, ou seja, Perez terá mais três temporadas pela frente, em teoria. A direção da escuderia exalta o bom trabalho do mexicano, que tem se mostrado muito confiante, e ajudando todos a encontrarem o melhor caminho possível diante das limitações do time no presente momento. Isso resgata a imagem que o mexicano havia promovido quando defendeu a Sauber, e posteriormente, a Force India, e parece que ele agora está replicando situação similar na Cadillac. O anúncio, feito às vésperas do seu GP caseiro, dá um sentido muito mais comemorativo à marca de 300 GPs disputados pelo piloto mexicano, que irá comemorar não apenas esta marca significativa de corridas disputadas, como a extensão de sua carreira até o fim da atual década, e diante de sua própria torcida. O piloto mexicano adiantou que pretende se aposentar da F-1 ao fim da temporada de 2029, ao cumprir o contrato com a Cadillac, mas se o time começar a obter sucesso, que sabe ele se anime e resolva continuar? Ainda é cedo para especular qualquer coisa, até porque até lá, a Cadillac pretende estrear sua própria unidade de potência, e ninguém sabe ainda se ela será adequadamente competitiva no grid, para não falar de quanto tempo ela irá durar, diante das discussões levadas a ferro e fogo da FIA para trazer de volta as unidades V-8 à competição...

Sergio Perez completa 300 GPs de F-1 em casa, e tem contrato renovado até 2029 com a equipe Cadillac.

 

 

A situação no Oriente Médio segue incerta, mas a F-1 parece teimar em forçar a barra, ao dizer que as provas do Qatar e Abu Dhabi serão realizadas. Mas os recentes ataques dos Houthis ao aeroporto da capital Riad, na Arábia Saudita, mostra que o problema não fica restrito à troca de agressões entre o Irã e Israel e Estados Unidos. O grupo sediado no Yêmem já mantém há anos ligações com o regime teocrático iraniano, e por meio dele, se tornou um grupo perigoso em seu próprio país, o Yêmem, como para o Mar Vermelho, além de criar hostilidades com a Arábia Saudita, e Israel, a mando de Teerã. E a Arábia Saudita está escalando seu confronto com o grupo do Yêmem por razões próprias de segurança. Isso reforça o clima de instabilidade e insegurança, ainda que, no presente momento, muitas atividades na região tenham se normalizado. O problema é que um evento esportivo amplamente conhecido pode ser mote de um ataque para potencializar a ameaça que tanto os Houthis quando o regime teocrático iraniano querem fazer a quem se atreve a enfrentá-los. E os riscos podem ficar tremendamente altos. Diferente da F-1, alguns outros certames preferiram não pagar para ver aonde isso vai dar. O Mundial de Endurance (WEC) cancelou suas corridas na região. O Rali da Arábia Saudita foi cancelado, etapa válida pelo Mundial de Rali. E o Dakar, o mais famoso rali do mundo, que nos últimos anos estava sendo realizado no país saudita, já anunciou que não disputará a prova em 2027 em terras sauditas, anunciando que ele será realizado em outro lugar, que acabou de ser divulgado, entre Espanha e norte da África, como era antigamente. A MotoGP enfrenta insatisfação de vários pilotos, que já assinaram um abaixo assinado para se recusarem a ir a Losail, de modo que, até o presente momento, não se sabe se a prova do Qatar, programada para 8 de novembro, será ou não realizada. A F-E também está na berlinda, pois o calendário que abre a nova era dos carros Gen4 programou o início para dezembro, em uma rodada dupla em Jeddah, e tudo fica agora em aberto, se a corrida terá condições ou não de ser realizada. A F-1, com tudo, parece confiar na sorte de que poderá realizar ambas as corridas, que serão as últimas do campeonato, mas o tempo segue seu curso, e em algum momento, será preciso decidir se resolverão arriscar, ou não, e enfrentar as consequências, caso o pior ocorra. Mas alguns certames e eventos resolveram mostrar mais bom senso do que a F-1, enquanto a MotoGP tem um impasse nas mãos a resolver ainda mais breve.

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