Trago hoje novamente uma de minhas antigas colunas, sendo que esta foi publicada no dia 25 de agosto de 2000, e tinha como tema central o equilíbrio da disputa da F-CART, a F-Indy original, pelo título daquela temporada, onde faltando 6 corridas para o final da temporada, nada menos do que oito pilotos estava com chances de chegarem ao título, matematicamente falando. A categoria de monopostos dos Estados Unidos sobrava no quesito competitividade, ainda que os campeonatos anteriores tivessem sido conquistados pela Chip Ganassi, de modo que mesmo assim, as disputas eram infinitamente melhores do que as da rival F-1, em que pese naquele ano a categoria máxima do automobilismo ter tido uma disputa mais renhida que terminou com o então tricampeonato de Michael Schumacher. No final, deu Gil de Ferran como campeão, o primeiro brasileiro a repetir o feito de Émerson Fittipaldi na categoria norte-americana, em um ano que trouxe muitas alegrias para os pilotos brasileiros no certame, com as primeiras vitórias de Hélio Castro Neves, Roberto Moreno, e Cristiano da Matta na F-CART. De quebra, alguns tópicos rápidos de alguns acontecimentos do mundo da velocidade naquela semana. Uma boa leitura para todos, e até 2026...
EQUILÍBRIO TOTAL
Com a fama de possuir o campeonato mais equilibrado de todas as categorias top do automobilismo mundial, a F-CART este ano está com a corda toda. Com a vitória do canadense Paul Tracy em Elkhart Lake no domingo passado, o campeonato da categoria embolou de vez, tendo agora nada menos do que 8 pilotos com chances de disputar o título da categoria. Do líder, Michael Andretti, com 125 pontos, até o oitavo piloto na classificação, Hélio Castro Neves, com 81 pontos, há uma diferença de apenas 44 pontos, o que equivalente à pontuação máxima de duas corridas. Com 6 etapas ainda para o término do campeonato, muita água ainda vai rolar até que a situação esteja matematicamente decidida, mas é arriscado apontar favoritos dentre os oito primeiros colocados no campeonato, pois tudo pode acontecer.
O campeonato deste ano está sendo um dos mais equilibrados da categoria nos últimos anos, desde que a Chip Ganassi passou a exercer sua supremacia na F-CART, supremacia que desapareceu este ano quando a equipe mudou seu pacote técnico. Em contrapartida, a equipe Penske praticamente renasceu, conquistando até o momento, 4 vitórias e tendo seus dois pilotos em condições de vencer o campeonato potencialmente, embora até o presente momento todas as fichas da equipe devam ser depositadas em Gil de Ferran, terceiro colocado no mundial. Mas Hélio, oitavo colocado no campeonato, também não pode ser descartado, embora suas hipóteses de luta pelo título devam-se mais aos azares dos demais a partir de agora, para reverter os 44 pontos de desvantagem para Michael Andretti.
Dentre os 6 primeiros colocados, a situação está mais ferrenha, com apenas 25 pontos de diferença entre eles. Além da Penske, a Patrick Racing também está em situação cômoda teoricamente, pois tem seus dois pilotos na luta pelo título: Roberto Moreno, vice-líder do certame, e Adrian Fernandez, 4º colocado no campeonato. A equipe até o momento tem duas vitórias, uma com cada um de seus pilotos, e a regularidade tem sido o forte de seus pilotos este ano, especialmente Moreno, que faz o melhor campeonato desde sua conquista da F-3000 internacional em 1988.
Enquanto isso, a Green deposita todas as suas fichas no canadense Paul Tracy, que já acumula 2 vitórias no atual campeonato e tem deixado o vice-campeão de 99, Dario Franchiti, na sobra dentro da equipe de Barry Green. Apesar de alguns percalços, o impetuoso canadense, cujo nome foi por muito tempo sinônimo de encrenca na pista, parece ter encontrado o maior equilíbrio entre o arrojo e o talento que possui, e é um forte candidato ao título.
Enquanto isso, na liderança do mundial, está o veterano Michael Andretti, praticamente o último dos nomes mais tradicionais da categoria, desde a aposentadoria de Al Unser Jr. e de Bobby Rahal. Defendendo mais uma vez a equipe Newmann-Hass, Andretti aparece novamente em condições de levar o seu time ao título da categoria, como o fez em seu primeiro e único título na CART, em 1991, também pela Newmann-Hass.
Correndo por fora nesta luta de gigantes encontra-se o mineiro Cristiano da Matta, sétimo piloto na classificação e o melhor piloto com motor Toyota no campeonato. Talento não falta ao intrépido mineirinho, o problema é sua equipe, a PPI Motorsports, que apesar de estar surpreendendo este ano, conseguindo até uma vitória com Cristiano, ainda é um time médio, e apesar de toda a competitividade da categoria, Da Matta vai depender muito mais de azares da concorrência do que de suas performances para almejar o título. Todos os demais times têm estruturas muito fortes e tecnicamente superiores à modesta PPI. Mas isso não quer dizer que ele vá abandonar a luta, muito pelo contrário.
No campo técnico, desenrola-se outra luta nos bastidores da categoria. Depois de 4 anos de domínio avassalador do motor Honda, a Ford é a marca de motor com mais chances de conquistar o título de 2000, pois tem nada menos do que 4 pilotos entre os oito primeiros, sendo que Michael Andretti e Roberto Moreno, respectivamente líder e vice-líder do campeonato, usam os motores XF turbo V-8 da fábrica americana. Adrian Fernandez e Kenny Brack também correm com os Ford, enquanto o restante dos primeiros colocados, com exceção de Da Matta, usam os motores Honda turbo que foram campeões dos últimos campeonatos. A briga promete pegar fogo e tanto a Penske quanto a Green vão usar de todos os seus recursos para chegar novamente ao título.
No que tange à briga por equipes, a coisa vai ser acirrada. A Penske quer encerrar um jejum de títulos que já dura desde 94, quando Al Unser Jr. foi bicampeão, e a Green quer repetir a dose de quando era associada à Forsythe, quando conquistou o título de 95 com o canadense Jacques Villeneuve. Já a Newmann-Hass quer voltar ao topo, onde já esteve em 91 com Andretti. Mas o maior jejum mesmo é da Patrick, campeã pela última vez em 1989 com Émerson Fittipaldi.
No campo dos chassis, a Reynard luta para manter sua hegemonia e conquistar o seu 6º título consecutivo. Desde o título com Villeneuve que a fábrica de Adrian Reynard dita as normas de competitividade na categoria. A Reynard ainda é a favorita, equipando a maioria das equipes, mas o líder do campeonato usa um Lola, marca que anos atrás era sinônimo de confiabilidade e competitividade na F-CART e depois entrou em descrédito com duas temporadas desastrosas e problemas financeiros. A Lola passou por uma profunda reestruturação e voltou a oferecer um pacote competitivo, e vem dando mostras disso este ano, embora ainda esteja em posição inferior à Reynard.
Como se pode ver, a luta promete ser boa e vai agitar as etapas restantes do campeonato até o encerramento na prova de Fontana, na Califórnia. Vão ser 6 corridas para fã nenhum botar defeito. A emoção está garantida. E que vença o melhor.
Hoje começam os treinos oficiais para o Grande Prêmio da Bélgica de F-1. A Ferrari tenta dar uma reação no campeonato, depois de perder a liderança para a McLaren em Hungaroring. Entretanto, o que dominou o padock ontem aqui na Bélgica foram discussões sobre a segurança do circuito, que tem alguns pontos falhos. E, pelo menos em um ponto tanto Mika Hakkinen como Michael Schumacher concordaram: é preciso fazer algo para melhorar a segurança da pista belga, a mais bonita e desafiadora do calendário. Mas as discussões sobre segurança na F-1 já são uma tremenda novela nos últimos tempos, e com alguns resultados meio duvidosos, se bem que os cartolas da categoria tentam mostrar vontade de lutar por mais segurança...
Algumas novidades para 2001: Mika Salo vai ser piloto de testes da Toyota no próximo ano. O piloto finlandês aceitou a proposta da fábrica japonesa para desenvolver o projeto de equipe completa da Toyota com vistas a estrear como piloto titular da nova equipe Toyota que estréia em 2002. Com isso, abre-se uma nova vaga na Sauber. Uma das vagas é praticamente certa com Pedro Paulo Diniz, já a outra vaga tem entre seus pretendentes o brasileiro Ricardo Zonta.
Jenson Button assinou por dois anos com a equipe Benetton para ser o companheiro de Giancarlo Fisichella. Com isso, Frank Williams ainda o mantém sob contrato, pois o contrato da jovem nova esperança britânica foi apenas de empréstimo, a exemplo do que a McLaren fez com Ricardo Zonta, emprestado à BAR nos últimos dois anos. A Jordan vai manter seus dois pilotos para 2001, Heinz-Harald Frentzen e Jarno Trulli. Na Prost, Alesi é nome praticamente garantido no próximo ano, quem vai dançar é Nick Heidfeld, que até agora fez mais confusões na pista do que pilotagem propriamente dita. Alesi que o diga...
Para os aficcionados em F-1 e que gostam de sentir as emoções de pilotar uma máquina da categoria, já está nas lojas de informática o jogo Grand Prix 3, continuação do mega sucesso Grand Prix 2, da Brasoft Games. O novo jogo, baseado no campeonato real da F-1, possui as mais realistas simulações de um carro de F-1, permitindo ao jogador mexer em todo o setup do carro, escolher as condições do tempo, além de poder jogar via internet com outros jogadores. Emoção garantida para quem quer dominar carros como McLaren e Ferrari e mostrar seus dotes de piloto. O jogo, entretanto, pede uma máquina de respeito, com processador Pentium III 450 MHz ou AMD K-6 II equivalente, com pelo menos 64 MB de memória operacional. Se sua máquina possui estes requisitos, o jogo é diversão garantida para os amantes da velocidade. Quem já conhece a versão 2 do jogo não vai ter do que reclamar, exceto, claro, do preço do jogo, em torno de aproximadamente 70 reais...
O brasileiro Bruno Junqueira pode conquistar neste fim de semana aqui em Spa o título da F-3000 Internacional. É a última etapa do campeonato e, com 7 pontos de vantagem sobre o segundo campeonato, Bruno precisa apenas de um 3º lugar para liquidar a fatura e conquistar mais um título da F-3000 para o Brasil. Hoje acontece o treino de classificação. A corrida é amanhã, logo após o treino classificatório da F-1. Boa sorte, Bruno.
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