sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O ANO DA FÓRMULA 1 2025

Lando Norris sagrou-se campeão da temporada 2025 da Fórmula 1, mas apenas na corrida final, e pela margem mínima de dois pontos. Uma disputa apertada que ninguém esperava ver...

            Não há como negar que a temporada de 2025 da Fórmula 1 nos entregou mais emoção do que esperávamos. Quando o campeonato começou, em março, a supremacia da McLaren na pista confirmou que seria um campeonato onde dificilmente os carros de Woking seriam ameaçados nas corridas. Mesmo o resultado da prova da Austrália não tendo entregue uma óbvia dobradinha do time inglês era uma mera expectativa ocasional diante da chuva que caiu durante a prova. E até as exuberantes performances de Max Verstappen não seriam suficientes para brecar o domínio papaia. No final, acabamos de fato surpreendidos positivamente, com uma decisão de título que acabou vindo apenas na corrida final, em Abu Dhabi, onde Lando Norris confirmou de fato o título, mas Max Verstappen quase chegou lá, e por uma margem tremendamente mínima de apenas dois pontos de diferença.

            A McLaren fez um grande campeonato, conquistando o título de construtores até com antecipação, e a rigor, foi o time que teve a dupla mais parelha da competição, com cada piloto vencendo 7 provas cada um, e dominando a maior parte da temporada. Contudo, não foi uma campanha irrepreensível, e especialmente na reta final da temporada, cometeu diversos erros, time e pilotos, que quase colocaram em risco o campeonato de pilotos, que voltou para Woking depois de 17 anos de ausência – o maior jejum da McLaren em termos de títulos de pilotos de sua longa história na F-1.

            Tecnicamente falando, o modelo MCL39 não teve rivais durante o ano. Versátil e competitivo, mesmo em seus momentos mais “baixos”, o carro entregou a seus pilotos performance incontestável para disputarem vitórias e pódios em todas as corridas, e quando isso não aconteceu, foi por motivos alheios a seu controle, ou erros do time e/ou dos pilotos. Houve apenas uma falha técnica em todo o ano, na Holanda, quando o propulsor de Lando Norris o deixou a pé a poucas voltas do fim da corrida, quando caminhava para um tranquilo 2º lugar. No resto da competição, abandonos foram ocasionados por erros dos pilotos, fora a desclassificação em Las Vegas por desgaste excessivo no skid-block, a peça de madeira que fica no assoalho do carro para medir a altura, e se garantir que os carros não ficassem demasiado baixos, além do permitido pelo regulamento.

            Oscar Piastri apresentou-se como maior favorito ao título na primeira metade do ano, enquanto Lando Norris, mesmo vindo bem nas demais provas, se mostrava sistematicamente batido pelo australiano. Até então, a política de igualdade na McLaren dava seus frutos, e tudo indicava que o título de pilotos ficaria restrito a Norris e Piastri, apesar de erros pontuais dos pilotos. Mas aí, a partir de setembro, não apenas a McLaren começou a errar, como seus pilotos também exageram no não-aproveitamento de oportunidades que ofereceu uma brecha monstruosa que permitiram a Max Verstappen, numa Red Bull renascida, vir para a disputa, e até colocar em risco o título de pilotos. Por algumas provas, Piastri deixou de ser aquele piloto focado e decidido da primeira metade do ano, e Norris, mesmo cometendo menos erros, só foi apresentar desempenho digno de candidato ao título no México e no Brasil, tomando a liderança da competição para não mais perdê-la, é verdade, mas flertando com o perigo a cada etapa.

            As famosas “regras papaias” também deram o que falar, e o que se viu foi o time se complicando sozinho na sua política de igualdade de condições aos pilotos, que poderiam ter sido melhor gerenciadas, especialmente na parte final da temporada, o que deu a sensação quase descarada de que o time privilegiou Lando Norris na disputa, apesar da promessa de igualdade. Pode até não ter rolado nada, mas certamente, a imagem repassada publicamente ficou dando essas insinuações, o que nunca é bom para a imagem de competição aberta que a McLaren vinha apregoando. O time ter uma margem de erros não foi exatamente uma falha, exceto que erros mais cruciais foram acontecer justamente quando não deveriam acontecer, em Las Vegas, e em Losail, que quase custaram o título de pilotos, e certamente, custou pelo menos o vice-campeonato para Oscar Piastri.

Numa reviravolta quase épica, Max Verstappen veio para a briga nas etapas finais, e quase levou mais um título...

            De positivo, foi de fato reconfortante ver a McLaren no topo novamente, especialmente depois de uma década onde o time foi ao fundo do poço, e conseguiu se recuperar, e voltar a ocupar o lugar de destaque que sempre mereceu, diante de sua história de sucessos na competição, e evitando repetir o mesmo destino da Williams, que não vence um campeonato há quase 30 anos, seja de pilotos, seja de construtores, e onde a última vitória já data de 2012. Resta ver se o time de Woking manterá sua força no novo regulamento técnico que se inicia em 2026. E especialmente se sua dupla de pilotos, apesar do sucesso este ano, mostrará mais fibra de verdadeiros campeões, o que ainda ficou faltando demonstrar efetivamente em 2025, pelo simples fato de que, mesmo com um carro inferior, Max Verstappen quase levou mais um caneco, mostrando que tanto Oscar Piastri como Lando Norris ainda estão devendo como pilotos realmente vencedores e campeões, mesmo com o título de Norris.

            A Mercedes manteve seu nível. Não voltou de fato, mas também não decaiu. George Russell conseguiu fazer uma grande temporada diante do que tinha nas mãos, e quando surgiu a oportunidade de vitória, ele a aproveitou com louvor. Mas o time, que na opinião de alguns, estava “empacado” por “culpa” de Lewis Hamilton, mostrou que coisa não é bem assim, e sem que o heptacampeão tivesse participação no feedback para o carro deste ano, uma vez que já estava comprometido com a Ferrari para 2025, revelou que a Mercedes de fato nunca se encontrou direito nesta era do efeito-solo, sendo que ainda perdeu uma temporada e meia no conceito do carro zeropod que não trouxe os ganhos esperados.

            Andrea Kimi Antonelli fez uma temporada regular para um estreante, com boas performances entremeadas por alguns desempenhos ruins, comuns a qualquer estreante na competição. E em algumas corridas próximas do fim do ano chegou a andar até à frente de Russell, o que deixou o inglês irritado, ou pelo menos, incomodado, uma vez que agora ele é o “líder” da escuderia prateada na pista, e provavelmente quer as benesses do posto.

            Curiosamente, em termos de pontuação, a Mercedes anotou apenas mais um ponto do que o conquistado em 2024, e se ficou com o vice-campeonato de construtores, foi mais pelo fato de Red Bull e Ferrari terem despencado do que por evolução própria do carro, uma vez que, se no ano passado venceram 4 provas, este ano ficaram com apenas dois triunfos, e olhe lá. Alguns podem dizer que se Hamilton tivesse ficado em Brackley, os resultados talvez fossem melhores, e isso é verdade, uma vez que Lewis teria tido performance mais comparável à de Russell do que de Antonelli, mas isso não alteraria a relação de forças em relação ao que vimos. A verdade é que, após seu reinado de 2014 a 2021, a Mercedes deixou de comandar o show, e agora aposta suas fichas no novo regulamento técnico de 2026 para voltar a brilhar como gostaria.

A McLaren e seus pilotos cometeram erros em demasia na reta final da temporada e quase jogaram o título de pilotos pela janela...

            A Red Bull viveu um ano de altos e baixos, com a diferença de que o impressão de ser um time de um carro só ficou ainda mais acentuada do que em 2024. Se no ano passado demitiram Sergio Perez, rompendo o contrato do espanhol para 2026 por ele não ter conseguido acompanhar o ritmo de Max Verstappen com um carro que claramente não o favorecia, a escuderia dos energéticos viveu um panorama muito mais complicado em 2025, com Liam Lawson a ser rebaixado de volta à Racing Bulls após apenas duas provas, e Yuki Tsunoda, que enfim ganhou sua tão sonhada promoção para o time principal virando um verdadeiro pesadelo que enterrou sua carreira na F-1 propriamente dita, com ambos os pilotos ficando muito, mas muito longe do que Perez costumava oferecer no ano passado. Fora isso, o time ainda despediu Christian Horner, depois de praticamente 20 anos na chefia da escuderia de Milton Keynes, promovendo Laurent Mekies ao posto, e que conseguiu o milagre de reorganizar um time que estava meio à deriva, acertando o desenvolvimento do modelo RB21 de modo que Max, que vinha capengando no campeonato, apesar de todos os seus esforços, ascendeu à luta pelo título de forma que ninguém esperava, muito por méritos da Red Bull ter melhorado seu carro, e por parte do aguerrido piloto holandês, mas também pelos erros cometidos pela McLaren e seus pilotos, o que não desmerece os feitos do holandês, que terminou o ano como o piloto que mais venceu corridas (oito), que não foi pentacampeão por míseros dois pontos.

            E a Ferrari? O time italiano era cercado das maiores expectativas desde o início do ano passado, quando havia anunciado a contratação de Lewis Hamilton, de modo que ninguém queria saber exatamente o que se passaria na temporada de 2024. Mas, após quase conquistar o título de construtores contra uma renascida McLaren, óbvio que as expectativas e apostas para 2025 cresceram de forma significativa. Mas aí, eis que a Ferrari comete o maior erro crucial de todos: ao invés de desenvolver o bólido que terminou em alta a temporada de 2024, aproveitando a base competitiva e forte, resolvem mudar o conceito do bólido, ainda mais quando 2025 seria o último ano do atual regulamento técnico, totalmente ao contrário do que fez a McLaren, que apenas evoluiu o excelente carro de 2024, e veio ainda mais forte em 2025, enquanto a Ferrari… Bem, ficou completamente de fora da luta por vitórias, e passou absurdamente longe da luta pelo título, e ainda se viu batida no campeonato de construtores pela Red Bull, que literalmente foi um time de um carro só.

Mercedes: mais um ano onde o "retorno" prometido não veio. Talvez em 2026...

            Se Charles LeClerc ainda conseguiu alguns lampejos de competitividade e conseguiu alguns pódios, Lewis Hamilton só não foi um desastre completo porque ainda teve alguns momentos razoáveis, como a vitória na prova sprint em Shanghai, onde até aquele momento, parecia estar se encontrando em sua nova casa, prometendo pelo menos andar no ritmo do monegasco. Não foi o que aconteceu. O heptacampeão teve provas tenebrosas, conseguiu o vexame de ser eliminado em várias corridas logo no Q1, e terminou o ano com uma desvantagem de pontos abismal para LeClerc, e isso nem pode ser atribuído somente ao carro, que apresentou janelas de acerto muito rígidas e inconstantes, e mesmo assim, sem oferecer ameaça efetiva à dupla da McLaren, e em alguns momentos, nem mesmo à Mercedes ou a Max Verstappen. Hamilton teve sua pior temporada na competição, e mesmo que se esperasse que ele enfrentasse dificuldades, naturais para quem mudava de ambiente após competir toda a carreira em times ingleses, e os últimos 12 numa mesma equipe, ainda assim foi muito aquém do que se esperava do maior recordista da história da F-1. O único consolo do time italiano foi que a fanática torcida rossa soube ver que a maior parte das culpas pelo ano abaixo do esperado foi mais do time em si do que de seus pilotos, que foram poupados de críticas pelos tiffosi mesmo quando John Elkaan, presidente do Grupo Ferrari, chegou a dizer para seus pilotos “falarem menos e pilotarem mais”, no que foi plenamente criticado pelos fãs, e até pela imprensa especializada. Cientes de que a temporada não seria salva, redirecionarem os recursos para o carro de 2026 não foi exatamente um erro, restando saber apenas se o sacrifício feito em 2025 será compensado no próximo ano.

            A Williams teve sua melhor temporada em vários anos, principalmente por ter tido uma dupla de pilotos efetiva, o que não vinha acontecendo nos últimos tempos, onde uma das vagas era ocupada invariavelmente por um piloto pagante que, embora compreensível em se tratando de reforçar o orçamento do time, certamente deveria haver opções melhores no mercado. Isso fazia a escuderia de Grove, que já foi um dos times de ponta da F-1, sofrer o dilema de competir a fundo com apenas um piloto, não podendo contar com o segundo piloto de forma efetiva para ajudar nos pontos do campeonato de construtores. Franco Colapinto mostrou isso no ano passando quando foi colocado no lugar de Logan Sargeant, e só não ficou porque o time, acertadamente, precisava de outro nome experiente e comprovado para 2025, optando por Carlos Sainz Jr., que até teve problemas para se ajustar ao time, notadamente na primeira metade do campeonato, mas com o espanhol crescendo bastante na segunda metade, e conseguindo dois pódios para a escuderia, que não sabia o que era ter um piloto no pódio efetivamente numa corrida normal há quase uma década. O 5º lugar na competição, ficando somente atrás das “grandes” escuderias reforça também o bom trabalho de James Vowles na reestruturação do time em 2024, quando este trabalho de bastidores não se refletiu na pista, até porque só podiam contar com Alexander Albon neste quesito, mas que pode ser aproveitado a pleno em 2025 contando não apenas com o anglo-tailandês, mas com a capacidade comprovada de Carlos Sainz.

            Mesmo assim, o time fundado por Frank Williams teve alguns desempenhos oscilantes ao longo do ano, mostrando que ainda há trabalho por fazer para reconstruir o potencial da Williams em tentar retornar à condição de um time de ponta. Albon terminou o ano à frente de Sainz, mas foi o espanhol quem conseguiu os melhores resultados individuais em um momento onde Alexander decaiu de rendimento enquanto Carlos finalmente se encontrava mais à vontade em seu novo time, e os esforços do espanhol certamente foram cruciais para ajudar a Williams neste crescimento, sem desmerecer Albon. Mas, com a perspectiva de rivais como Aston Martin, e talvez a nova equipe Audi, aumentarem o nível de competição para a temporada de 2026, a Williams precisa mostrar que a evolução deste ano não é um caso isolado, mas o primeiro passo confiável do processo de crescimento do time para voltar a ocupar o lugar de direito que já ostentou na história da F-1.

A Ferrari resolver reinventar a roda na temporada 2025 e jogou a temporada pelo ralo.

            A Racing Bulls fez uma temporada honesta, e até conseguiu um pódio com Isack Hadjar, que foi um dos destaques da temporada, sendo que, em determinado momento, o time “B” da Red Bull parecia ter um carro mais consistente do que o do time principal, que se debatia com problemas de performance que eram mitigados pelo talento indiscutível de Max Verstappen. Hadjar teve uma estréia comprometida na Austrália, mas o piloto encontrou seu rumo, e fez uma temporada de estréia com muitos méritos. Liam Lawson, por sua vez, certamente não achou boa a experiência de defender o time principal, sendo rebaixado após somente duas provas, e precisando reencontrar o rumo quando retornou à Racing Bulls, o que demorou algumas provas, até que Lawson voltasse a mostrar resultados, conseguindo pontuar com alguma sorte, quando o carro da escuderia ficou vivendo mais de lampejos ocasionais do que de desempenho propriamente dito, ficando para trás de times que só não terminaram o ano melhor porque começaram muito mal, como foi o caso da Aston Martin. Yuki Tsunoda, que já havia se tornado o líder da Racing Bulls, certamente teria contribuído mais se não tivesse sido “promovido” para a Red Bull, já que o nipônico não conseguiu nem terminar o ano à frente de Hadjar, e sendo superado até mesmo por Lawson na classificação do campeonato, mostrando como ficar no segundo time não era exatamente um mal negócio. Yuki tinha criado uma boa imagem liderando a Racing Bulls, que foi completamente desmoralizada depois da temporada completamente pífia quando passou a defender a equipe principal.

            E a Aston Martin? O time que surpreendeu há dois anos perdeu a mão quando precisou desenvolver um conceito que, na prática, tinha sido desenvolvido pela Red Bull, mas na hora de compreender o que precisava ser feito, se perdeu. Agora, o time tenta dar uma nova cartada, mais certeira, ao ter contratado o mago da área técnica da escuderia dos energéticos, Adrian Newey, mas que só poderia trabalhar para o projeto do carro de 2026. Isso já indicava que 2025 seria um ano de transição, com o time tentando cumprir tabela, e tentando pelo menos não fazer feio na pista, no último ano do atual regulamento técnico. Bastava tentar manter posição, que já seria o bastante, mas nem isso foi possível. O carro nasceu complicado, e com apenas alguns rompantes de competitividade que nunca se mantiveram plenamente, e pior, com falhas de confiabilidade que comprometeram os resultados de Fernando Alonso em várias corridas, a ponto de o espanhol ficar até atrás de Lance Stroll na primeira metade da temporada, apesar dos resultados pífios do canadense, que cada vez mais sustenta-se na F-1 apenas por ser filho do dono da escuderia sediada em Silverstone. Ele deu sorte e mostrou competência em alguns momentos, mas foram brilhos ocasionais, que não repetiu na maior parte da temporada.

            Na parte final da temporada, o carro deu uma boa melhorada, especialmente na confiabilidade, e Alonso começou a obter os resultados potenciais que seu talento sempre lhe cadencia, deixando Stroll na saudade, e ajudando a impedir que a escuderia esmeralda despencasse ainda mais na classificação. Mesmo assim, foi um ano medíocre para a Aston Martin, que em 2026 inicia não apenas em um novo regulamento, mas começa a parceria como time oficial da Honda, além de receber o primeiro carro concebido por Adrian Newey, o que deve impulsionar o desempenho da escuderia, e com Fernando Alonso, teoricamente, tendo a chance de fazer uma despedida mais digna da F-1, se não permanecer na competição para 2027.

            A Haas teve um ano bem satisfatório, com alguns bons desempenhos, e com Oliver Bearman ficando cada vez mais conceituado na F-1, com alguns prevendo que em breve ele poderá estar na Ferrari, diante das dúvidas da dupla de pilotos do time italiano em relação a 2027. Mas Estéban Ocon também não fez feio, em que pese o francês ter sido ofuscado pelo companheiro mais novo em diversas corridas. Tal como os demais times do segundo pelotão, o desempenho da escuderia estadunidense variou muito durante o ano, ora andando bem, ora arrastando-se pelas tabelas na pista. O ponto alto foi na Cidade do México, onde Bearman terminou em 4º, e só não chegou lá porque Max Verstappen veio atropelando nas voltas finais, garantindo seu TOP-3, e acabando com o melhor momento do time de Gene Haas no ano. Não se pode dizer que foi uma temporada ruim, embora tenha terminado na 8ª posição de construtores, quando no ano passado havia sido a 7ª colocada, mas tendo cerca de 20 pontos conquistados a menos. A escuderia tem chances de melhorar seu desempenho com a nova parceria que está firmando com a Toyota, que pode até resultar, a longo prazo, no retorno do fabricante japonês ao grid da competição, mas por enquanto, pode-se dar por satisfeito por ter uma dupla de pilotos que soube entregar o que podiam, dadas as limitações existentes, e pelo menos, não se envolverem em confusões.

O Brasil voltou ao grid da F-1 com Gabriel Bortoleto, que fez um ano de estréia bem razoável, enquanto a Sauber manteve a dignidade ao se despedir da competição...

            A Sauber, cumprindo tabela para despedir-se da F-1 após mais de três décadas de competição, até que conseguiu uma despedida digna. A escuderia que terminou em último lugar em 2024, iniciou 2025 novamente no fundo do grid, sem perspectivas efetivas de evolução, e de apenas cumprir tabela, enquanto 2026, e a sua transformação no time oficial da Audi, não chegava. Seria um ano de aprendizado para o time em reestruturação para sua nova titularidade, assim como para o brasileiro Gabriel Bortoleto, fazendo o Brasil voltar a ter um representante no grid após vários anos. Mas, a boa surpresa, é que a escuderia não ficou parada como muitos esperavam, e atualizações no carro a meio da temporada proporcionou uma melhora de performance significativa, dando chance a seus pilotos de brigarem efetivamente por pontos em várias corridas, e até de chegarem ao Q3 nas classificações. Nico Hulkenberg havia pontuado de forma heroíca na primeira prova do ano, disputada com chuva, na Austrália, em um misto de competência e sorte por parte do piloto alemão, que muitos imaginavam não se repetiria sem novos momentos adversos. Mas a melhora do carro inverteu esse panorama, e Hulkenberg alcançou enfim seu primeiro pódio na carreira – e o da Sauber em vários anos, com o 3º lugar em Silverstone. E Gabriel Bortoleto também deu seus shows, em que pese os vários erros cometidos pelo brasileiro no ano, normais para um novato, mas que nem por isso deixou de receber as merecidas críticas nestes momentos. O desempenho, porém, foi inconstante, onde em certas pistas batalhar por pontos era crível, enquanto em outros, isso era meta impossível. Mas o time também errou feio em várias corridas no quesito estratégia, e Bortoleto acabou quase sempre sendo o mais prejudicado, como na prova de encerramento em Abu Dhabi, onde Gabriel largou entre os 10 primeiros e lá estava conseguindo se manter, até os momentos de troca de pneus que infelizmente derrubou sua performance, e o fez ficar sem pontuar, enquanto ocorreu o oposto com Nico Hulkenberg. Mesmo assim, a Sauber terminou o ano na penúltima posição, mas poderia ter terminado um pouco mais acima, se tivesse tido mais sorte, e se não errasse tanto em algumas estratégias, que comprometeram resultados de seus pilotos, os quais também tiveram seus erros durante o ano. Agora, com a história da Sauber encerrada, começa a saga da Audi na F-1, e os alemães não vem para serem coadjuvantes… Resta esperar que tenham aproveitado todas as lições auferidas neste ano de despedida da Sauber...

            A Alpine encerrou a história da Renault na F-1 de forma deprimente, ao ficar em último lugar no campeonato de construtores, uma vez que, com o anúncio da saída ao fim de 2025 já tendo sido feito em 2024, já se sabia que os propulsores não teriam desenvolvimento este ano, e por isso mesmo, os resultados poderiam ser fracos. Mas o carro da escuderia acompanhou o declínio do time, e se Pierre Gasly ainda conseguiu fazer alguns milagres, marcando todos os 22 pontos do time na temporada. Mas o time se notabilizou mais por “queimar” Jack Doohan, como todos já sabiam que iria acontecer, para substituí-lo pelo argento Franco Colapinto, que havia surpreendido em algumas provas pela Williams ano passado, e causou certo rebuliço no mercado de pilotos, sendo rapidamente cooptado por Flavio Briatore, com óbvias intenções que demonstraram que seus métodos questionáveis não haviam mudado. Só que Colapinto se tornou uma troca do “seis pelo meia-dúzia”, com os resultados piloto argentino ficando longe de corresponderem ao que se esperava, em que pese os problemas de competitividade do carro, que claro, nunca ajudou. Embora tenha conseguido até andar no nível de Gasly em algumas provas, isso não evitou que Franco terminasse o ano completamente zerado, e só ganhou renovação para 2026 graças a seus patrocinadores, que garantiram a permanência do argentino no grid até o fim da temporada de 2025, e para 2026.

            E assim, foi a temporada deste ano na F-1, encerrando o atual regulamento técnico. O que o futuro nos reserva em 2026, com as novas regras para carros e propulsores? Por enquanto, ficamos na expectativa, então… Que venha 2026!

 

 

Depois de um ano exaustivo, é hora de dar uma pequena pausa, para descansar, e recuperar as energias para o próximo ano, então… Boas festas para todo mundo, e nos vemos no próximo campeonato… Cuidem-se, e bom descanso para todos..

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