quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

FLYING LAPS – DEZEMBRO DE 2025

            E começamos o ano de 2026, deixando 2025 definitivamente para trás. Mas, antes que entremos a fundo neste novo ano que se inicia, e com algumas competições já em ação, como o famoso rali Dakar, vamos antes rever alguns dos acontecimentos do último mês do ano passado, em mais uma edição da Flying Laps, com destaque para a etapa inicial da nova temporada da Formula-E, que começou novamente aqui em São Paulo, em uma prova cheia de emoções, como deve ser mais uma vez a temporada do certame dos carros monopostos elétricos. Portanto, uma boa leitura a todos, e até a próxima Flying Laps no mês que vem...

A Formula-E iniciou sua nova temporada com mais uma corrida cheia de alternativas no ePrix de São Paulo, no mês de dezembro. E com direito até a capotagem, mais uma vez, relembrando o que ocorreu no ano de 2024 quando a prova brasileira também teve um acidente feio. Desta vez o enrosco aconteceu com o novato Pepe Martí, que não notou a desaceleração dos carros à sua frente, motivado pela bandeira amarela da batida de Mith Evans na barreira de proteção próxima à entrada dos boxes, e atingiu com força a traseira dos carros de Nico Muller e Antonio Felix da Costa, fazendo seu carro decolar e cair de cabeça para baixo, mas felizmente, sem ferimentos em nenhum dos pilotos envolvidos. No final, a prova ainda foi reiniciada para a volta final, culminando na vitória de Jake Dennis, da Andretti, que inicia a temporada na dianteira, comprovando a competitividade do trem de força da Porsche, que fez a 4ª e 5ª posições com Pascal Wehrlein e Nico Muller. Oliver Rowland, o atual campeão da competição, fez uma corrida segura, aproveitando-se das oportunidades das disputas entre os pilotos para marcar um sólido 2º lugar, mas preferindo não jogar o favoritismo sobre si mesmo na possível luta pelo bicampeonato. Nick Cassidy, estreando em sua nova equipe, a Citroen, fechou o pódio com um resultado extremamente positivo, ainda mais pelo fato do time, agora reestruturado e de propriedade do grupo DS, começa bem a competição. Quem não deu sorte foram os pilotos brasileiros. Lucas Di Grassi, lutando novamente contra o pouco competitivo carro da ABT Lola/Yamaha, batalhava para se manter na zona de pontuação, até se estranhar com Edoardo Mortara, da Mahindra, acabando por danificar seu carro após o entrevero deixar o piloto suíço no muro. E Felipe Drugovich fez uma excelente corrida de estréia efetiva na F-E como piloto da Andretti, terminando a prova na 5ª posição, mas como acabou fazendo uma ultrapassagem sob bandeira amarela, tomou uma punição que o derrubou para fora da zona de pontos, ficando classificado apenas em 12º lugar.

 

 

Depois da espetacular vitória em São Paulo em dezembro de 2024, com Mith Evans largando de último para vencer de forma magistral, desta vez a Jaguar ficou na sobra: Antonio Felix da Costa vinha para conseguir um bom resultado, até ser atingido por Pepe Marti, resultando em danos no seu carro e perda de posições, enquanto Mith Evans bateu sozinho na proteção de pneus perto da entrada dos boxes, após uma raspada com Joel Erickson. O ponto positivo é que a Jaguar mostrou competitividade, resta saber agora se, como ocorreu na temporada passada, o time inglês não vai se perder durante a competição, perdendo a chance de disputar o título, mais uma vez, apesar de contar com uma dupla de pilotos extremamente forte.

 

 

Novo ano de calvário? A ABT entra em sua segunda temporada com a associação Lola/Yamaha no fornecimento de seu trem de força, e infelizmente, a classificação deu a entender que o time não vai deslanchar tão rápido como se imagina. Na corrida, Lucas Di Grassi soube usar o Modo Ataque para sair lá de trás e chegar no pelotão da frente, onde precisou obviamente começar a brigar para se manter na zona de pontuação, o que ele vinha até conseguindo fazer com maestria, dando a entender que, apesar de tudo, houve alguma evolução da temporada passada para cá, quando a péssima classificação já condenava o fim de semana inteiro. Infelizmente, o entrevero com Edoardo Mortara colocou tudo a perder. O suíço acabou no muro, e não poupou críticas ao piloto brasileiro, chamando-o de “sujo”, entre outros adjetivos menos elogiosos. Di Grassi, obviamente, não poupou também o suíço, acusando-o de tentar manter a posição em um ponto impossível onde Lucas, com o segundo Modo Ataque ativado, vinha muito mais rápido e iria superar o piloto da Mahindra facilmente. De fato, Di Grassi vinha fazendo uma excelente prova, contudo, com o enrosco entre ambos, o carro do brasileiro sofreu danos que o levaram ao abandono, repetindo um cenário de dificuldades aparentes que pode vir a ser a tônica de mais um ano, ou talvez não, se a ABT Lola Yamaha confirmar que o bom ritmo demonstrado pelo brasileiro pode ser reprisado nas demais corridas do ano…

 

 

Mortara, aliás, deveria olhar para dentro de seu próprio time. A Mahindra, depois de excelentes performances na pré-temporada, tinha tudo para obter bons resultados na prova de São Paulo, tendo sido inclusive o único time a avançar para os duelos com seus dois pilotos. Mas logo na largada, Mortara acabou se estranhando justamente com seu companheiro de equipe Nyck De Vries, que acabou empurrando o suíço para fora da pista em um toque, que comprometeu a corrida de Mortara, que dali em diante precisou fazer uma prova de recuperação. De Vries teve um pouco mais de sorte, e ainda terminou a corrida em 9º lugar, lamentando a situação, mas também não assumindo explicitamente a culpa pelo enrosco que causou. Uma oportunidade certamente perdida pela Mahindra, que desde a temporada passada vem demonstrando ter recuperado a competitividade de seu equipamento, mas vem tendo percalços e azares que a tem impedido de capitalizar efetivamente o seu potencial de performance, e certamente, a nova temporada não começou da forma como se poderia esperar… Resta saber se o clima interno não vai desandar entre seus pilotos se outros enroscos como esse acontecerem… Mortara detonou Lucas Di Grassi pela batida que causou sem abandono, mas deveria ter olhado também para a manobra atabalhoada de De Vries no início da prova, que certamente afetou o desempenho dos dois pilotos na prova de São Paulo…

 

 

Enquanto isso, na Andretti, Roger Griffiths, chefe da escuderia, elogiou positivamente a postura e performance de Felipe Drugovich em sua estréia pela escuderia. Apesar das dificuldades enfrentadas pelo brasileiro, que acusou que o carro de seu novo time é bem diferente daquele que conheceu na temporada passada, quando disputou a rodada dupla de Berlim pela Mahindra. Mesmo largando mais atrás, Felipe fez boa prova de recuperação, e até o surgimento da bandeira amarela motivada pela batida de Mith Evans, Drugovich vinha firme para batalhar até mesmo por um lugar no pódio, o que acabou não ocorrendo, relegando-o à 5ª posição final, que depois acabaria perdida pelo erro da ultrapassagem feita em bandeira amarela. Grifiths ressaltou que este erro não comprometeu a imagem de Felipe no time, e que o brasileiro está garantido até para a próxima temporada, e que a performance exibida pelo piloto foi o que todos esperavam, confirmando a impressão que tinham dele quando de sua contratação. Resta esperar que Drugovich consiga fazer bom proveito das oportunidades que surgirem, e da competitividade do carro da escuderia, já que Jake Dennis venceu a prova brasileira, numa amostra de que o desempenho está disponível. A briga, contudo, promete ser acirrada, em qualquer vacilo pode significar um resultado mais substancial ou menor. Mas não deixa de ser um indicativo positivo do potencial de Felipe, que ao abarcar o desafio da F-E, pelo menos retom a carreira a fundo, depois de ficar em compasso de espera na Aston Martin na F-1, esperando por uma chance de titularidade que dificilmente se concretizaria…

 

 

A Stock Car Brasil sofre duas baixas para a temporada 2026. Ipiranga e Mobil, duas marcas de combustíveis e óleos, amplamente envolvidas com a categoria havia muitos anos, anunciaram sua saída do certame para o ano de 2026. Embora os anúncios oficiais não falem a respeito, é sabido que as condições precárias de segurança dos novos carros da competição certamente não causou uma boa impressão nas duas companhias, que temendo serem envolvidas nos problemas apresentados, teriam pensado seriamente na questão do custo-benefício de seu envolvimento no campeonato, e optado por pularem fora discretamente. Shell e Petronas, outras petrolíferas envolvidas na competição, também teriam até optado em sair, mas preferiram permanecer, em que pese a decisão ter estado na balança. Uma má notícia para a Stock Car, sem dúvida.

 

 

A categoria, aliás, teve um campeonato tumultuado com o uso dos novos SUVs, que enfrentaram diversos problemas de confiabilidades, fornecimento de peças, além das suspeitas de condições de segurança duvidosas, com direito até a processo de piloto que se acidentou contra as condições de segurança duvidosas dos carros. Em meio a tudo isso, Felipe Fraga consagrou o bicampeonato apesar dos pesares, uma vez que o competidor nada tinha a ver com isso, mas o modo como a temporada foi conduzida certamente deixou o título do piloto ofuscado pelas confusões e problemas enfrentados, algo que até poderia ser compreendido em uma categoria de baixa relevância, mas não na principal categoria do automobilismo nacional, de onde se espera pelo menos um padrão profissional e mais competente. O que não impede, claro, que algumas coisas saiam erradas, o que foi o visto neste último ano. A temporada 2025 da Stock Car era cercada de muitas expectativas, uma vez que trocava os tradicionais sedãs equipados com os já conhecidos e batidos motores V8 para atender às tendências do mercado e dar espaço aos novos e mais modernos SUVs com motores de quatro cilindros turbinados. Com a entrada da Mitsubishi, junto às já presentes Chevrolet e à Toyota, aumentando o número de montadoras engajadas no esporte, tudo parecia perfeito, mas os problemas não demoraram a aparecer, antes mesmo do início do campeonato, já pudemos ver que o buraco se avizinhava de uma forma jamais esperada, ainda mais em se tratando da Stock Car. Falta de peças, falta de confiabilidade, problemas diversos, tudo pareceu surgir de uma só vez, mostrando que o campeonato seria muito mais complicado do que se imaginava. Pilotos que reclamaram dos problemas, como Felipe Massa e Bruno Baptista foram multados em R$ 100 mil por criticarem a situação, sob acusação de “denegrirem” a competição, com base nas regras autoritárias da competição de coibir críticas dos participantes. A situação chegou a tal ponto que a organização do campeonato se viu obrigada a adiar a etapa do Velocitta, de 27 a 29 de junho, pra 20 de julho. O campeonato seguiu, mas impossível de não ressaltar os problemas que surgiram em todas as etapas, que até foram sendo minimizados, mas nunca eliminados. De fato, foi um ano conturbado, que obrigou até mesmo a direção da categoria optar pela volta dos velhos motores V-8 para 2026, para tentar mitigar os problemas. Resta saber se vai funcionar a contento..


 

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