sexta-feira, 29 de novembro de 2024

UM NOVO TETRACAMPEÃO

Max Verstappen comemorou oficialmente a conquista do tetracampeonato mundial na etapa de Las Vegas.

            Já era praticamente dado como favas contadas, mas agora é oficial: Max Verstappen é tetracampeão mundial de F-1, com o 5º lugar obtido no fim de semana passado em Las Vegas. O holandês precisava apenas marcar 2 pontos a mais que Lando Norris para fechar matematicamente a contenda, e o inglês da McLaren chegou logo atrás, em 6º lugar, resultado que deu o título ao piloto da Red Bull, o seu quarto consecutivo na categoria máxima do automobilismo.

O resultado iguala Verstappen a Sebastian Vettel, que também foi tetracampeão por quatro anos consecutivos com a Red Bull, entre as temporadas de 2010 e 2013. Mas Verstappen tem tudo para ir além de Vettel, uma vez que o piloto alemão, que foi considerado um gênio capaz de desbancar até os feitos de seu compatriota Michael Schumacher, empacou nestes únicos quatro títulos. A nova era turbo híbrida da F-1 mudou a relação de forças na competição, e a Mercedes surgiu como nova força hegemônica, desbancando todo os outros times. Superado por Daniel Ricciardo na Red Bull em 2014, Sebastian migrou para a Ferrari, na esperança de levar o time italiano de volta ao título, um objetivo que ele não conseguiu alcançar. O piloto alemão deixou a F-1 ao fim de 2022, meio que pela porta dos fundos, sem ter conseguido voltar aos tempos de glória vivenciados na equipe dos energéticos.

Curiosamente, fica a expectativa se Verstappen não corre risco similar. A Red Bull perdeu Adrian Newey, e verdade seja dita, o projetista inglês criou todos os carros campeões do time, até mesmo o RB20, carro que começou demolindo a concorrência, mas que depois estagnou, coincidentemente logo após Newey deixar suas funções na escuderia. A Red Bull, aliás, tem dois desafios enormes pela frente nos próximos dois anos: para 2025, é conceber um carro campeão sem a presença de Adrian Newey, tarefa difícil, mas não impossível, se tiver conseguido manter a coesão de sua equipe técnica sem a presença de sua grande estrela; e para 2026, é ver como se dará com sua nova unidade de potência, agora sem a parceria da Honda, e com a Ford por trás dando apoio, enquanto os japoneses se mudarão de mala e cuia para a Aston Martin. Da capacidade de se manter competitiva irá determinar se Verstappen seguirá vencendo corridas, e títulos. Mas há outro aspecto a se considerar também, que é a paciência do holandês, que disse que pode deixar a competição ao fim de seu atual contrato, ao fim de 2028, ou talvez até antes, dependendo de como as coisas se apresentarem a partir do próximo ano.

Independente disso, o tetracampeonato já coloca Verstappen como um dos maiores nomes da F-1 em todos os tempos, abaixo apenas de Michael Schumacher, Lewis Hamilton, e Juan Manuel Fangio, e ao lado de Alain Prost e Sebastian Vettel em número de títulos. Verstappen é o melhor piloto do grid atual, e os rivais mais próximos de seu status de gênio são Fernando Alonso e Lewis Hamilton, que só não puderam fazer mais devido aos carros de que dispõem atualmente. O espanhol padece com uma Aston Martin que não mostrou a que veio em 2024, enquanto o inglês tem tido altos e baixos com o modelo W15 da Mercedes, que ora se mostra competitivo, ora não. Enquanto isso, outros nomes do grid, como Lando Norris, Carlos Sainz Jr., Charles LeClerc, e George Russell, mostram grande potencial para vencerem corridas, mas quanto a serem campeões, ainda é dúvida. Norris ainda mais, depois do que vimos este ano, onde o piloto inglês da McLaren não conseguiu aproveitar, por culpa própria e do time, a chance de ser campeão quando teve o melhor carro na pista.

A Ferrari (acima) prometia vir com força em Las Vegas, mas acabou atropelada pela Mercedes, que fez dobradinha na corrida, com vitória de George Russell (abaixo), que liderou a corrida desde o início, partindo da pole-position.


            A medida de talento de Verstappen pode ser vista pela forma como conseguiu gerenciar a situação da luta pelo título nesta temporada. Se é verdade que a grande gordura na pontuação conquistada na fase inicial do ano foi crucial para o título, não deixa de ser verdade também que o piloto holandês conseguiu superar os adversários desde que deixou de ter um carro dominante a partir do GP de Miami, que computados todos os resultados, ainda o deixariam na liderança do campeonato até aqui. Mas ainda precisando conquistar o título, de forma que a disputa estaria bem mais renhida, e com riscos sérios de sofrer um contragolpe nestas duas provas finais, onde a Red Bull não conseguiu voltar a ter um carro superior frente aos concorrentes. O que salvou Verstappen foi o seu grande talento e capacidade de minimizar os prejuízos nas diversas corridas que vieram depois, aproveitando deslizes dos rivais, que não conseguiram demonstrar a mesma constância do piloto do time austríaco.

            Verstappen conseguiu triunfos importantes no Canadá e na Espanha, e principalmente, no Brasil, onde desmoralizou a concorrência, em especial Norris, com seu show na pista molhada, ainda mais tendo largado em 17º, para vencer a corrida de forma incontestável. Além disso, contou com o duelo entre McLaren, Ferrari e Mercedes, que foram pulverizando os pontos cruciais para que alguém pudesse capitalizar sozinho numa escalada pelo título com o holandês. E como os pilotos destes times não conseguiram manter a constância de resultados, eles também não puderam ameaçar efetivamente Max na pontuação. No campeonato de construtores, contudo, a situação foi diferente, com a McLaren e Ferrari, possuindo duplas mais equilibradas, conseguindo alcançar e superar a Red Bull na classificação, uma vez que no time austríaco, Sergio Perez faz a sua pior campanha deste que se tornou piloto da escuderia. Mas neste ponto, parece que o time dos energéticos tem também uma parcela de culpa além da ineficácia do piloto.

            Não se trata de por em dúvida o talento de Verstappen, mas de tentar entender como Perez não consegue render mais no time. Acredita-se que o modo como a escuderia promoveu a evolução do carro, tornando-o mais complicado de guiar, tenha prejudicado sobretudo o mexicano, que sem ter a mesma capacidade do holandês, não conseguiu acompanhar o ritmo, e ainda caiu pelas tabelas. Um olhar mais profissional, como o expressado por Juan Pablo Montoya, apontou diferenças significativas no comportamento dos bólidos, observando sua performance em pista pelas câmeras onboards de ambos os carros, apontando que há algo mais de diferente no carro de Max e de Sergio do que apenas o piloto e seu talento, algo que obviamente é negado de pés juntos pela Red Bull, que apenas mantém a fritura do piloto mexicano, que é verdade que nunca foi um gênio como Verstappen, mas também nunca foi um braço duro tão ruim assim, tendo superado todos os pilotos dos quais foi companheiro antes de chegar na Red Bull, com exceção de Jenson Button na McLaren em 2013. Não se trata de isentar Perez de sua péssima temporada, apenas de mostrar que a culpa não é inteiramente apenas do piloto, mas é sempre mais fácil criticar o competidor do que o time.

Todo o time da Red Bull comemorou efusivamente a conquista do título de Verstappen.

            Mas Verstappen, por vezes, também mostrou que pode ser suscetível a pressão. O modo como se comportou na prova da Hungria, onde ficou fora da briga pela vitória, lhe custou um potencial resultado no pódio, ao se envolver em manobras um pouco desastradas na pista, que por pouco não resultaram em abandono depois de se enroscar com Lewis Hamilton, um dos poucos pilotos que não se intimidam diante do holandês na pista. E o modo como agiu de forma extremamente agressiva, chegando a jogar Lando Norris para fora da pista junto com ele na etapa do México lhe valeu algumas punições que não precisavam, dada a sua imensa vantagem na pontuação, o que ele soube administrar com maestria em outros momentos, como deveria ser praxe para um piloto de seu quilate. Isso poderia ter feito a disputa pelo título ter se encerrado até antes, mas não creio que ninguém, além do próprio Verstappen, e da Red Bull, se queixem a esse respeito.

            Por outro lado, isso reflete também uma F-1 muito cheia de frescuras, onde há excesso de regras e firulas coibindo uma competição mais livre e solta, de modo que, fosse em outros tempos, onde os pilotos se pegavam na pista, ninguém sairia sem punições a rodo, sendo que várias delas são completamente esdrúxulas. Verstappen deixa o pessoal desconfortável com seu modo de pilotagem, que em certos momentos sim, passa dos limites do que seria uma competição saudável, mesmo ferrenha na pista. Até certo ponto, seu estilo de se jogar em cima dos adversários, colocando para eles a responsabilidade de baterem ou não, é errado. Ou os pilotos endurecem também com ele, ou nada irá mudar. Mas isso não parece tão fácil de fazer como se fala. Basta ver o exemplo de Lando Norris, que quando precisou endurecer nos extremos da disputa, na Áustria, acabou sendo o maior perdedor da contenda, talvez por ser muito “bonzinho” na pista, o que não quer dizer ser desleal ou antidesportivo.

            Isso até pode tirar um pouco do brilho do tetracampeonato de Verstappen, mas não o seu mérito de ter sido o melhor piloto do ano. Enquanto os demais pilotos perderam chances potenciais de melhores resultados, Max conseguiu ser o que errou menos e aproveitou melhor suas oportunidades, e carregou o time nas costas em seus piores momentos. A Red Bull, por sua vez, conseguiu sobreviver a 2024 graças ao holandês, especialmente depois da crise interna que o time vivenciou na primeira metade da temporada, que acabou por se refletir depois na pista. Como Helmut Marko afirmou, nenhum outro piloto teria sido capaz de ser campeão com a Red Bull em 2024, e mesmo sabendo que Marko é puxa-saco-mor do holandês, seu queridinho, não se pode contestar sua afirmação desta vez.

            Max já escreveu seu lugar na história da F-1, e do mundo do esporte a motor, mas sua história ainda está longe de terminar, e teremos novos capítulos por pelo menos mais dois anos, em que sua participação na competição está assegurada, onde ele poderá estender suas conquistas ainda mais. Quando ele fala não ter pretensões de ter sete ou oito títulos na F-1, ele tem todo o direito de escolher o que quer fazer, e se quiser aproveitar a vida, já terá todo o direito de fazê-lo. Não precisa seguir o exemplo de outros para ser feliz, só ser fiel a si mesmo. Suas melhores respostas serão na pista, enquanto correr, e se sentir bem com isso. Agora, é aproveitar a conquista, e vamos ver como será sua história no próximo ano.

            Quanto aos rivais, que se preparem melhor, cometam menos erros, e torçam para seus times lhes darem carros competitivos, além de serem mais competentes fora da pista. Caso contrário, que se acostumem a serem superados por Max. Avisados todos já estão...

 

 

Com 4 edições de seu GP, Las Vegas já ocupa um lugar privilegiado no que tange a decisão de títulos na F-1. As duas corridas realizadas nos anos 1980 também viram a decisão de campeonatos, em 1981 a favor de Nélson Piquet, em seu primeiro título com a Brabham; e em 1982, com o triunfo de Keke Rosberg, no seu único título conquistado na categoria máxima do automobilismo mundial. No ano passado o título não saiu na cidade, mas este ano, Max Verstappen fechou a fatura na pista montada junto à Las Vegas Boulevard, e seus inúmeros cassinos, o que dá 3 decisões de títulos em quatro provas, índice de 75% de decisão de títulos. E ainda com direito a uma incrível coincidência: tanto em 1981 quanto em 1982 e agora em 2024, Piquet, Rosberg, e Verstappen terminaram a corrida na 5ª colocação, posição em que garantiram a conquista dos títulos das respectivas temporadas.

 

 

Esta foi sem dúvida mais uma semana tensa para o time da Williams. A equipe de Grove teve de fazer uma operação de guerra para recuperar seus dois carros após os acidentes sofridos com ambos no Brasil, quando seus dois pilotos bateram, e mais de uma vez no fim de semana chuvoso de Interlagos. A escuderia chegou a Las Vegas aliviada por ver que conseguiria competir com seus dois carros, mas o perigo de um circuito de rua, com seus muros bem próximos à pista, deixava todo mundo ansioso, no caso de um dos pilotos cometer um erro. E a recuperação dos carros, por tabela, ainda dava dor de cabeça, como os problemas no carro de Alexander Albon, que não conseguiu treinar a contento como gostaria. Mas, eis que Franco Colapinto, piloto sensação deste fim de temporada, resolve dar o ar da graça no treino de classificação, e bate forte com o carro, deixando todo mundo com as mãos na cabeça no box da Williams, já vendo que teriam trabalho extra no fim de semana. Felizmente, ninguém bateu na corrida, mas os consertos do carro do argentino, que teve sua participação posta em dúvida na prova, mostraram como o time inglês estava na saia justa com relação a suas peças de reposição e estado do chassi do carro. E tornando a participação aqui em Losail, no Qatar, complicada também, já que a sede precisou providenciar novas peças para qualquer eventualidade, não apenas para a corrida catari, mas também porque, daqui, todo mundo segue para Abu Dhabi na semana que vem, para a prova de encerramento da temporada 2024. As batidas de seus pilotos deixaram a Williams na berlinda na classificação de construtores, tendo perdido a chance de tentar lutar por alguns resultados melhores, e vendo os rivais não apenas tendo menos azar, como passando por larga margem à frente, como a Alpine, que pontuou em Interlagos o que não pontuou em toda a temporada. Agora a Williams encontra-se à frente apenas da Sauber, o pior time do grid. Muito pouco para o que se poderia esperar de um dos times mais tradicionais do grid.

Segunda batida em duas corridas: o piloto argentino começa a suscitar dúvidas a respeito de sua capacidade ao volante de um F-1.

 

 

A F-1 chegou a Losail para sua penúltima etapa da temporada, e a agitação já começa com tudo hoje, diante do fato de termos a última corrida sprint do ano, sendo que haverá apenas um treino livre hoje, seguido depois pela classificação da prova sprint, que será realizada amanhã. E depois iremos para a classificação da corrida de domingo. No ano passado, tivemos vários problemas aqui na pista catari, diante do forte calor do deserto, mesmo com todas as atividades noturnas, a ponto de a Pirelli, tendo problemas com seus pneus ter estabelecido, junto com a FIA, um limite do número de voltas para os pneus, a fim de evitar problemas com os compostos por causa do forte calor. Houve problemas também com uma das curvas, onde os pilotos ficavam extrapolando o limite de pista, numa daquelas confusões ridículas que a FIA criou por causa disso, obrigando a redefinção de parte da largura da pista, a fim de minimizar o problema. E as zebras também estavam dando problemas com os pneus, criando riscos potenciais de estouros dos compostos dos carros que passavam muito em cima das zebras, uma vez que tinham perfis muito altos e potencialmente agressivos para os pneus que porventura passassem por cima delas. Para este ano, estas zebras tiveram um trabalho de raspagem, de forma a serem menos prejudiciais para os pneus. A Pirelli reproduziu o novo perfil das zebras em seu laboratório, e os resultados parecem ter sido positivos com relação à garantia da integridade dos compostos. Agora, vamos ver se a teoria se confirma na prática.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – NOVEMBRO DE 2024


           
E o mês de novembro está indo embora, e vimos as decisões de títulos da Fórmula 1, MotoGP, e Mundial de Rali, entre outros certames do mundo da velocidade mundo afora, e estamos para entrar em dezembro, o último mês de 2024, e logo chegaremos a 2025, com novos campeonatos iniciando suas disputas, apesar de um deles, a Formula-E, já dar partida a seu novo campeonato ainda em dezembro, e aqui em São Paulo, no Brasil. Mas, enquanto dezembro e 2025 não chegam, é hora de mais uma edição da Cotação Automobilística, analisando alguns dos acontecimentos ocorridos neste mês de novembro, com alguns comentários e análises a respeito, no velho esquema de sempre: EM ALTA (cor verde); NA MESMA (cor azul); e EM BAIXA (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a próxima Cotação Automobilística, no fim do mês que vem, com a avaliação dos acontecimentos do mundo da velocidade restantes no mês de dezembro, e quem sabe, 2025 seja um ano muito mais satisfatório e menos sofrido...

 

EM ALTA:

 

Max Verstappen tetracampeão mundial de F-1: O piloto holandês chegou ao tetracampeonato depois de dar um verdadeiro show em Interlagos, sacramentando a conquista virtual do título da temporada, o que foi avalizado na corrida de Las Vegas. Por mais questionável que o piloto da Red Bull possa ter sido em alguns momentos quando perdeu as estribeiras, ou foi agressivo além da conta em algumas provas, ninguém pode negar que Max é o melhor piloto do grid atual, sendo que talvez apenas Fernando Alonso e Lewis Hamilton possam estar no mesmo nível, como mostrou Lando Norris, que até aceitou não ter tido estofo para ser campeão do mundo na disputa deste ano. Se é verdade que Verstappen conquistou o título no início de temporada avassalador que teve, quando a Red Bull tinha o melhor carro, não é menos verdade que o holandês soube manter a vantagem, e até aumenta-la, aproveitando-se da instabilidade dos rivais, que não souberam aproveitar suas chances a contento. Max esteve sempre onde era possível, e em alguns momentos, capitalizou com a indecisão dos rivais para seguir sempre na dianteira, conquistando uma margem de segurança que lhe permitiu administrar os resultados sempre que necessário, mas partindo para o ataque sempre que as oportunidades apareciam. E conseguindo superar o rival mais direto, Norris, em momentos cruciais onde tinha tudo para perder a disputa. E, por mais que se coloque dúvidas a respeito da capacidade da equipe dos energéticos em relação à temporada de 2025 sem a presença de Adrian Newey na equipe técnica, não se pode de modo algum tirar Verstappen da lista de favoritos ao título do próximo ano, ainda que as possibilidades indiquem uma competição bem mais acirrada que a deste ano. Max igualou Sebastian Vettel em seus quatro títulos consecutivos na Red Bull, colocando seu nome definitivamente entre os gigantes na história da F-1. Independente do que vier adiante, o holandês já foi além do que ele próprio esperava como piloto, por suas próprias palavras. Veremos se continuará assim nos próximos anos.

 

Jorge Martin campeão da MotoGP: O piloto espanhol da equipe Pramac bateu firme na trave na disputa pelo título na temporada 2023 da classe rainha do motociclismo, e veio decidido a não repetir os mesmos erros em 2024, na revanche do duelo contra Francesco Bagnaia, do time oficial da Ducati. Martin até cometeu alguns erros este ano, mas de fato em número muito menor do que no ano passado, e soube conter sua impetuosidade em alguns momentos para privilegiar a constância de resultados, evitando alguns confrontos desnecessários na pista quando poderia correr riscos demasiados. E o espanhol chegou para a etapa final da temporada com quase uma mão na taça, precisando dar chances cruciais para o azar para perder a disputa, o que havia acontecido em 2023. Mas Martin não deixou o favoritismo subir à cabeça, e manteve-se firme em terminar a etapa nas posições de pódio para conquistar a taça, levando o título, o primeiro de uma equipe satélite na era da MotoGP, e sendo campeão com todos os méritos. Mas Martin precisou mesmo de muito autocontrole, especialmente a meio da temporada, quando se sentiu traído pela Ducati, quando tudo já estava pronto para sua promoção ao time oficial de fábrica, e viu-se preterido ao ver Marc Márquez ser escolhido em seu lugar. A fúria o fez assinar com a Aprilia para 2025, concretizando sua ameaça de deixar a Ducati se não fosse o escolhido da marca para o time oficial no próximo ano, mas rapidamente o espanhol precisou manter a cabeça fria para não deixar que isso interferisse em sua performance nas corridas, onde erros seriam fatais para suas chances de título. E ele conseguiu se manter firme, apesar das pressões e do desapontamento. Um título com todos os méritos. Mas o maior desafio virá no próximo ano, na Aprilia, onde terá um equipamento menos competitivo para poder defender o seu título, e onde precisará mostrar toda a sua capacidade e velocidade.

 

Felipe Nasr tricampeão no IMSA: Felipe Nasr saiu da F-1 pela porta dos fundos, preterido na Sauber em favor dos patrocínios de Marcus Ericsson, mas refez sua carreira no automobilismo dos Estados Unidos, onde pilotos de talento ainda conseguem mostrar o que valem. E Felipe conquistou o título do campeonato de endurance norte-americano, o IMSA Wheatertech Sportscar, com o carro Nº 7 do time da Porsche Penske Motorsport, ao lado de Dane Cameron, com o terceiro lugar obtido na etapa derradeira da competição, na pista de Road Atlanta. Foi, aliás, o tricampeonato para Nasr, que já havia sido campeão do IMSA em 2018, pela equipe Whelen Engineering Racing, e conquistou seu segundo título na competição em 2021, pelo mesmo time. As boas performances de Felipe chamaram a atenção de Roger Penske, que contratou o brasileiro para seu novo projeto no IMSA, em parceria com a Porsche, onde terminou a temporada de 2023 na 5ª posição, mas neste ano ele não deixou a chance escapar, ainda mais com a dobradinha da Porsche Penske no campeonato, onde ele e Cameron bateram o outro carro do time, com a dupla Mathieu Jaminet e Nick Tandy. Nasr ainda ganhou a chance de participar de uma sessão de testes com o carro da Penske da Indycar na pista de Thermal Club na Califórnia, e o brasileiro terminou o teste com o melhor tempo entre todos que treinaram. Mesmo que a Penske esteja fechada na Indycar para 2025, o desempenho de Felipe pode atrair uma boa chance para 2026, dependendo de como o trio de pilotos titular se portar no time e no campeonato da Indycar na próxima temporada.

 

Thierry Neuville campeão do Mundial de Rali: Quem espera sempre alcança, ou água mole em pedra dura tanto bate até que fura, são dois ditados populares que poderiam resumir a situação do belga Thierry Neuville, que depois de bater na trave em cinco ocasiões, ficando como vice-campeão, finalmente desencantou e conquistou o título do Mundial de Rali este ano. O piloto da Hyundai começou a temporada da competição na frente, ao vencer o Rali de Monte Carlo, e não deixou a liderança desde então, mantendo sempre uma grande constância de resultados, enquanto os rivais tinham altos e baixos nas demais etapas, tanto que o belga só foi vencer mais uma etapa no resto do ano, o Rali da Grécia, enquanto Kalle Rovanpera, por exemplo, venceu 4 etapas no ano, mas ficou apenas nisso, terminando a temporada numa modesta 7ª posição. Até Sebastien Ogier venceu mais, em 3 oportunidades, mas como não disputa mais o campeonato todo, não foi uma ameaça para Neuville, terminando o ano em 4º lugar. Elfyn Evans garantiu, com o triunfo na etapa final, no Japão, o vice-campeonato, salvando a honra da Toyota, enquanto Ott Tanak, companheiro de Neuville no time da Hyundai, até ameaçou a conquista do título do parceiro, mas deu azar no Japão, o que fez o estoniano ser superado por Evans na classificação. Piloto da Hyundai desde 2014 no Mundial de Rali, ele foi vice em 2013, 2016, 2017, 2018, e 2019, e parecia carregar o estigma do piloto talentoso que nunca seria campeão, a exemplo de Stirling Moss na F-1, mas a sorte finalmente sorriu para o belga, que fez sua primeira participação no WRC em 2008, ainda de forma esporádica, até se firmar na competição, e seguir defendendo a mesma marca por uma década, algo que é para poucos.

 

Marc Márquez voltando a vencer na MotoGP: O hexacampeão espanhol tomou uma atitude ousada no ano passado, ao romper seu acordo com a Honda, antes do término, para assumir uma vaga em uma equipe satélite do grid da MotoGP este ano, mas com acesso a uma moto da Ducati, para se provar se ainda era competitivo como antes, algo que estava difícil de saber diante da falta de performance da moto japonesa, que o levou a sofrer vários tombos tentando obter mais do equipamento do que ele poderia oferecer. E a aposta não apenas se pagou, como a “Formiga Atômica” ainda atropelou os adversários, na pista, e fora dela, conquistando o prêmio maior que almejava: uma vaga em um time de fábrica, e justamente na Ducati, dona da melhor moto do grid, deixando até mesmo Jorge Martin na fila de espera, para fúria do piloto espanhol da Pramac, que levou o pênalti aos 45 do segundo tempo, quando tudo já estava praticamente encaminhado para ele ir para a escuderia oficial. Marc Márquez só não disputou o título porque ainda teve algumas corridas no início do ano se adaptando à nova moto, que mesmo não sendo a GP24, era a moto campeã de 2023, e assim que foi pegando a mão, ele voltou a mostrar toda a sua garra e capacidade, e claro, voltando a vencer, depois de um longo jejum. O hexacampeão ainda travou um renhido duelo com Enea Bastiani pelo posto de “melhor do resto”, e venceu a parada, terminando o ano em 3º lugar, atrás apenas de Jorge Martin e Francesco Bagnaia, campeão e vice-campeão do ano. E que agora irá se colocar à prova contra Bagnaia em 2025, mostrando que ainda está em forma, e que pretende voltar a disputar firme o título da competição, e tentar igualar ou superar as conquistas de Valentino Rossi e de Giácomo Agostini como os maiores campeões da motovelocidade.

 

 

 

NA MESMA:

 

Favoritismo na Formula-E 2024/2025: A categoria dos carros monopostos elétricos fez sua pré-temporada na pista de Jarama, e pelos sinais dos resultados apresentados, Jaguar e Porsche devem continuar ditando o ritmo da competição na próxima temporada, que começa aqui em São Paulo. A marca alemã, que foi campeã com Pascal Wherlein mostrou força, mas a marca britânica também se mostrou eficiente. Mas, pelo sim, pelo não, ninguém quis assumir exatamente quem é o favorito para a nova temporada, inclusive com Nick Cassidy chegando a afirmar que a Nissan deve engrossar o bolo das disputas, afirmando que os japoneses conseguiram efetuar melhorias muito mais substanciais em seu trem de força. A se confirmar esse prospecto, poderemos ter pelo menos seis times bem capacitados para brigar por vitórias no novo campeonato, dependendo se eles conseguirem efetuar um bom serviço na preparação de seus carros. De qualquer maneira, testes são testes, e apenas na primeira corrida é que poderemos ter uma idéia mais clara de quem estará dando as cartas no campeonato que marca a estréia do modelo Gen3EVO, evolução do modelo Gen3, melhor desenvolvido e potencialmente bem mais rápido. A disputa tem tudo para ser acirrada e até imprevisível, no estilo que a F-E já demonstrou ter.

 

Ferrari no WEC 2025: O time de Maranello pode não ter conseguido vencer o Mundial de Endurance, mas resolveu não mexer na composição de seus carros na classe Hypercar para a próxima temporada, reconhecendo os esforços das trincas de pilotos, que conquistou, cada uma, uma vitória nas 24 Horas de Le Mans. Dessa forma, o carro Nº 50 continuará tendo Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen, enquanto no carro Nº 51 seguirá com o trio James Calado, Antonio Giovinazzi e Alessandro Pier Guidi. O trio do carro 50 foi vice-campeão de pilotos na temporada deste ano, além de ter vencido em Le Mans. Já a turma do carro 51, vitoriosa em Le Sarthe no ano passado, teve um ano cheio de altos e baixos na competição, terminando apenas em 8º lugar na classificação de pilotos. Mas a cúpula de Maranello decidiu optar pela estabilidade, sabendo que isso dará mais tranquilidade para a escuderia manter seu foco na competição do endurance, com os dois trios já bem entrosados. Mudar os pilotos poderia ser contraproducente, e não resultar em benefícios. De qualquer modo, a Ferrari segue firme em seu novo programa dos Hypercars, e certamente vai querer brigar pelo título em 2025. Cabe agora a seus pilotos justificarem o voto de confiança da escuderia neles, e mostrarem do que são capazes.

Como ficam os times da Red Bull na F-1 em 2025: Sergio Perez continua com sua situação ainda indefinida para a próxima temporada, e com isso, confirmado mesmo está somente Max Verstappen no time principal, uma vez que ainda não se sabe se o piloto mexicano, que continua tendo desempenhos abaixo da média, fica no time, e de sua permanência ou não depende a dupla titular da Visa RB, onde tanto Yuki Tsunoda quanto Liam Lawson estão mirando ir para o time principal. Enquanto fofocas a respeito do alto valor pedido pela Williams para liberar Franco Colapinto circulam, o que em tese coloca o argentino na mira de Helmut Marko, por outro lado, o aporte significativo que Perez traz à Red Bull, estimado em cerca de US$ 30 milhões, fora o salário do mexicano, de cerca de US$ 10 milhões, pode ficar ainda maior em 2025 com a chegada de mais alguns patrocinadores vindos do México, o que tornaria a dispensa de Sergio bem custosa para o time, a ponto de seus aportes chegarem até a compensar uma eventual perda de posição da escuderia no campeonato de construtores. O fato de Perez não incomodar Verstappen no time principal é um fator de tranquilidade para o holandês, de modo a não gerar turbulência nos boxes, uma vez que qualquer outro piloto iria querer medir forças com o novo tetracampeão. Mas uma decisão só será tomada após o encerramento do campeonato, em Abu Dhabi, pelo menos na informação oficial, e portanto, até lá, as expectativas ficam no ar a respeito de quem serão os pilotos das equipes da Red Bull para o próximo ano.

 

Grupo Stelantis na era Gen4 da Formula-E: Prestes a iniciar uma nova temporada, a F-E já contabiliza os passos adiante, quando usará a quarta geração de carros elétricos de sua história, para as temporadas de 2027 a 2030, e este mês o Grupo Stelantis, que abriga as marcas Maserati e DS, que compete com duas escuderias no certame de carros elétricos, confirmou sua permanência nesta nova era da competição. A Maserati absorveu a antiga equipe Venturi, transformando-a no seu time oficial na competição, enquanto a DS, antigamente parceira da Techeetah, agora tem na Penske seu time oficial. Os resultados das duas primeiras temporadas da era Gen3, contudo, não foram das mais entusiasmadas, uma vez que os resultados ficaram na sombra dos principais competidores, Porsche e Jaguar, mas eles confiam em melhorar seu trem de força agora nas duas temporadas de uso do modelo Gen3EVO, e quem sabe, estarem prontas para desafiarem as rivais com tudo quando chegar o modelo Gen4. O compromisso mantém a F-E com uma boa variedade de fornecedores de trens de força, mostrando que as fábricas automotivas, mesmo com certa inquietação no mercado de carros elétricos, ainda vê o desenvolvimento deste tipo de tecnologia como crucial para o futuro próximo da indústria automobilística. Dos fabricantes atuais, resta apenas a Mahindra para confirmar sua permanência.

 

Eric Granado na Moto-E 2025: Apesar de ter tido uma temporada irregular, onde terminou a competição apenas na 10ª colocação, o brasileiro Eric Granado está confirmado no próximo ano do certame de motos elétricas, a Moto-E. O piloto renovou contrato com seu time atual, a LCR, e defenderá a escuderia pelo quarto ano consecutivo. Apesar dos problemas enfrentados em 2024, o time reconhece o talento de Eric, que foi vice-campeão da competição em 2022. Até aqui Granado possui 61 largadas, com 11 vitórias na competição, um currículo bem satisfatório na Moto-E. A temporada de 2024 foi a primeira em que o brasileiro não conseguiu vencer nenhuma corrida, desde sua estréia na primeira temporada do certame, em 2019, mas isso não pareceu incomodar o time na renovação do contrato, confiando em um ano melhor em 2025. Um otimismo compartilhado entre a escuderia e o brasileiro, que agora precisam confirmar isso na próxima temporada.

 

 

 

EM BAIXA:

 

Franco Colapinto: O piloto argentino chegou como um furacão na equipe Williams, substituindo Logan Sargeant, e colocando até a posição de Alexander Albon em xeque no time de Grove, exibindo uma velocidade impressionante, e marcando logo seus primeiros pontos. Tal impressão já deixou alguns times com o argentino na alça de mira, como a Alpine, e a Red Bull. Mas a boa impressão de Franco começa a ser posta em dúvida diante dos fortes acidentes sofridos pelo piloto, que bateu duas vezes no fim de semana do GP de São Paulo, e acertou os muros de Las Vegas no treino classificatório, gerando inúmeros prejuízos ao time, que já estava sobrecarregado pelos desaires da etapa brasileira. E aí, veem à mente o que se viu com Nyck De Vries, que também havia impressionado em sua corrida de estréia, e foi logo arrestado pela Red Bull para a Alpha Tauri, onde infelizmente não conseguiu mostrar o mesmo desempenho. Até a corrida brasileira, o argentino vinha mostrando uma performance bem convincente, mas quando a situação apertou, como na chuva presente na etapa de São Paulo, Colapinto acabou sucumbindo, como seria natural de se esperar de um novato na competição. Mas a nova batida em Las Vegas não ajudou a dissipar a possível má impressão vista em São Paulo, e foi por bater demais que outro piloto, Mick Schumacher, perdeu seu lugar na equipe Haas, que não podia ficar arcando com os prejuízos dos acidentes sofridos pelo piloto. Colapinto ainda tem a seu favor a imensa velocidade demonstrada, mas precisa tomar um pouco de cuidado para não ficar batendo demais, pois do contrário pode espantar os possíveis interessados, que irão preferir optar por alguém que seja mais comedido ao volante, sem perder a velocidade. E em tempos de limite orçamentário, os times não podem se dar ao luxo de ficar batendo seus carros além da conta...

 

Lando Norris: O piloto da McLaren mostrou-se totalmente perdido na corrida de Interlagos no meio da chuva, quando tinha tudo para neutralizar boa parte da vantagem de pontos de Max Verstappen. O inglês, contudo, já vacilou na largada da corrida sprint, quando perdeu a liderança para Oscar Piastri, seu companheiro de equipe, e precisou da ajuda do time para retomar a liderança com a ordem para inverterem posições. E na corrida de domingo, com tudo aparentemente a seu favor, viu Verstappen deitar e rolar na pista, enquanto ele simplesmente rodava e até errava o sentido da pista. Em Las Vegas, o piloto da McLaren acusou o golpe psicológico da corrida anterior, e mesmo com a chance de prorrogar por mais uma etapa a disputa do título, Lando sucumbiu novamente, em uma corrida onde o rival holandês voltou novamente a ter problemas na classificação, mas recuperou-se na corrida, obtendo justamente o resultado necessário para fechar a conquista do título. Norris ao menos confessou que ainda não está preparado para ser campeão, o que foi uma atitude positiva para reconhecer que errou na disputa deste ano. Mas, já se colocando na briga para 2025, antes mesmo de saber quais serão as condições das escuderias no próximo campeonato, já pode estar colocando sobre si uma pressão antecipada que em nada irá ajudar o piloto, que ainda precisa saber se impor mais na pista, e dentro do próprio time, onde foi desafiado por Oscar Piastri mais do que seria aconselhável para um piloto que quer se mostrar como líder e postulante ao título. Será que ele aprendeu de fato as lições dos acontecimentos desta temporada? A conferir em 2025...

 

Honda na MotoGP: E a Honda terminou o ano da classe rainha do motociclismo na lanterna entre os construtores. A marca da asa dourada já tinha sofrido um golpe contundente no ano passado, quando sua grande estrela, Marc Márquez, anunciou a ruptura de seu contrato com a equipe que defendeu pela última década, arriscando ir para um time satélite da Ducati, mas que poderia lhe oferecer uma moto mais competitiva. O resultado não poderia ser outro, e a marca japonesa marcou passo na temporada de 2024, conquistando apenas 75 pontos na competição somando seu time de fábrica e a satélite LCR. Johaan Zarco conquistou a melhor posição de um piloto da marca, com um modesto 8º lugar, além de ter sido o piloto melhor classificado no campeonato, em 17º lugar, enquanto os demais pilotos mal conseguiram passar de 11ª colocações nas corridas, geralmente ficando acima disso, ou até ficando de fora dos pontos, fora que as motos continuaram nervosas e predispostas a lançar seus pilotos no chão em várias oportunidades, sendo Joan Mir um dos que mais caíram da moto durante a temporada. Esforços para tentar melhorar a competitividade do equipamento não surtiram muito efeito, a ponto de a Yamaha, a rival mais direta da Honda na década passada, ter conseguido melhores resultados, deixando a compatriota para trás, e até voltando a ter um time satélite para a próxima temporada. Joan Mir até cogitou aposentar-se da competição, mas acabou convencido a seguir no time da Honda, enquanto Luca Marini fez várias críticas ao desempenho do equipamento, o que demonstra o quão perdida a Honda esteve no ano. E deixando a dúvida se irá reencontrar o seu rumo no próximo ano.

 

KTM em crise: A marca austríaca de motocicletas não conseguiu fazer uma boa temporada, ainda que tenha terminado atrás somente da hegemônica Ducati no campeonato de construtores, mas perdendo novamente a chance de vencer corridas, e ainda por cima tendo tido uma briga renhida com a Aprilia na temporada deste ano, com o fabricante italiano também não fazendo uma boa temporada, mas conseguindo salvar um triunfo com Maverick Viñalez. Mas os problemas foram muito além da pista, com a própria marca KTM enfrentando uma situação financeira catastrófica, a ponto de a empresa ter entrado em modo de autoadministração para evitar a falência, cogitando até interromper a produção de motos para tentar desovar os estoques das concessionárias. O programa da marca na MotoGP, segundo informação oficial, não será afetado pelos cortes e reorganizações promovidas pela diretoria, mas é obvio que as consequências serão sentidas, e isso em tese deve indicar que a KTM não deverá brilhar na competição como se planejava, podendo ficar para trás no desenvolvimento de seu equipamento. Isso já aconteceu este ano, onde a marca austríaca teve mais destaque pelas performances do novato Pedro Acosta do que pelos resultados propriamente ditos, ainda que Brad Binder tenha terminado o ano em 5º lugar, logo à frente de Acosta, em 6º. Com cortes de gastos e de pessoal ocorrendo em todas as áreas da KTM, certamente o desenvolvimento do time de competição poderá ficar aquém do necessário no próximo ano para enfrentar a evolução das marcas rivais, o que pode comprometer seu desempenho, limitando as possibilidades de melhores resultados, o que deverá ser ruim para os pilotos da marca. Para a próxima temporada, o time de fábrica contará com Brad Binder e a sensação Pedro Acosta, enquanto o time satélite da Tech3 terá dois “refugiados” de times de fábrica de 2024, Maverick Viñalez (ex-Suzuki, ex-Yamaha, e ex-Aprilia), e Enea Bastianini (ex-Ducati).

 

Nascar e F-1 sem Long Beach: A corrida de circuito de rua mais famosa dos Estados Unidos seguirá firme no campeonato da Indycar. O anúncio foi feito pela Penske Entertainment, que adquiriu as ações da empresa que organizava a corrida, de forma a manter a prova do badalado balneário californiano no calendário da categoria de monopostos dos Estados Unidos. A Nascar, e até mesmo a F-1, fizeram tentativas de aproximação visando “tomar” o evento para seus certames, e sendo a segunda corrida mais famosa da competição, atrás apenas das 500 Milhas de Indianápolis, poderia ser um revés significativo perder a corrida, já que tanto a Nascar quanto a F-1 gostariam de ter exclusividade sobre a corrida, que completa 50 anos de existência em 2025. Long Beach teve sua primeira corrida em 1975, ainda com a Formula 5000, passando para a Fórmula 1 em 1976 até 1983, quando as altas taxas cobradas pela categoria máxima do automobilismo se tornaram inviáveis para os promotores locais, que mudaram a corrida para o campeonato da F-Indy, onde ficou até o fim da categoria, em 2008, passando a partir de 2009 a integrar o calendário da então IRL, atual Indycar. A Nascar visava manter seu domínio sobre o mercado de competições automobilísticas nos Estados Unidos, onde já chegou até a boicotar a escolha de alguns circuitos por parte da Indycar, quando esta tentou achar novas alternativas de corridas, e claro, tentava “roubar” Long Beach como parte de sua estratégia. E a F-1, claro, chegou a especular outras corridas de rua, como até uma prova em Chicago, além de olhar para Long Beach. Mas agora, tanto uma categoria como a outra terão de se acostumar em ver Long Beach mantida na Indycar, e com validade indeterminada. Nascar e F-1 podem se achar demais como categorias de competição, mas não são tão rainhas como pensar ser, para felicidade dos fãs da velocidade, que ainda podem ver muitas competições nos mais variados locais e categorias.