quarta-feira, 27 de setembro de 2023

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – SETEMBRO DE 2023


E já estamos encerrando o mês de setembro, e se preparando para entrar no último trimestre de 2023, nos aproximando do fim de mais um ano. Então, com o fim de mais um mês, não percamos tempo, e vamos para mais uma edição da Cotação Automobilística, com uma pequena avaliação de alguns dos diversos e vários acontecimentos e personagens do mundo da alta velocidade que pudemos vivenciar neste mês, sempre com alguns comentários, no velho esquema de sempre: Em Alta (menções no quadro verde); Na Mesma (quadro azul); e Em Baixa (quadro laranja). Portanto, aproveitem o texto e tenham todos uma boa leitura, e até a próxima edição da Cotação Automobilística no final do mês de outubro, avançando firme pelo último trimestre de 2023...

 

 

EM ALTA:

 

Equipe Red Bull campeã de construtores e de pilotos: Se em 2022 tivemos até uma primeira metade de temporada boa, com Ferrari e Red Bull prometendo briga pelo título, antes que o time dos energéticos desembestasse na segunda metade do ano, em 2023 não teve para ninguém, e a Red Bull conquistou já na etapa do Japão o título de construtores com nada menos do que seis etapas de antecipação, deitando e rolando em cima das demais escuderias. Mérito de todo o time, e da excelência de Adrian Newey, o projetista mais vitorioso da história da F-1, que encontrou no time dos energéticos uma proeminência até então nunca vista em sua já longa carreira na categoria máxima do automobilismo, que soube executar com perfeição os ditames técnicos concebidos pelo mago das pranchetas, sabendo também executar como ninguém as estratégias de corrida com um dos maiores talentos deste século, que parece fazer com facilidade o massacre dos adversários na pista. Desde já, é o time a ser batido em 2024, e os rivais que tratem de trabalhar direito, se não quiserem tomar outra lavada histórica do time austríaco, que tem sido simplesmente mais competente e habilidoso que todos os demais.

 

Equipe Ganassi campeã novamente: O time de Chip Ganassi foi mais uma vez vitorioso na Indycar, conquistando o título de pilotos e fazendo também o vice-campeão da temporada, e de quebra, vencendo 9 das 17 provas do ano. Se não é um domínio como o da Red Bull na F-1, não deixa em nada a dever em termos de competência, ainda mais em um certame muito mais equilibrado como é a categoria norte-americana de monopostos, sabendo deixar os adversários comendo poeira graças ao talento de seus dois principais pilotos, Álex Palou e Scott Dixon, e também sabendo fazer uma excelente preparação dos carros nos boxes e executando com maestria as estratégias de corrida. Na última década, a Indycar tem virado um duopólio de disputas entre Penske e Ganassi pelos títulos da competição, e se no ano passado foi a Penske quem fez o campeão, vingando-se da Ganassi, que tinha ganho o campeonato de 2021, desta vez foi o time de Chip novamente a levantar o caneco, e deixar o time do “capitão” chupando dedo, e lamentando o baile levado durante a temporada, em que pese ter levado a vitória na Indy500, algo que por sí só equivale a vencer o campeonato, mas que mostra apenas que no frigir dos ovos, não basta um triunfo mais vistoso, quando a escuderia se perdeu em várias outras etapas, enquanto a Ganassi conseguiu mostrar serviço com apenas metade de seus pilotos e ainda sobrou na pista. E podem apostar que eles estarão firmes e fortes de novo em 2024, lutando por mais um título na Indycar. Alguém duvida?

 

Álex Palou: O piloto espanhol conquistou o bicampeonato da Indycar em grande estilo, com 5 vitórias na temporada, tendo um desempenho completamente irrepreensível durante o ano. Evitando confusões na pista, partindo de forma decidida para vencer nas oportunidades que teve, e acima de tudo, mostrando também sorte, sem a qual ninguém é campeão. O único deslize de Palou foi fora da pista, ao novamente arrumar treta com relação ao contrato anteriormente assinado com a McLaren para defender o time de Woking na Indycar, já visando uma transferência para a F-1 em futuro breve. Mas, vendo que as portas da categoria máxima do automobilismo se fecharam para ele no momento, e com o desempenho da McLaren na categoria e monopostos norte-americana inferior ao da Ganassi na temporada deste ano, Álex preferiu não cumprir com o acerto feito, e resolveu dar o dito pelo não dito, arrumando uma nova zica com a McLaren prometendo ir aos tribunais para resolver a questão e buscando reparação financeira diante dos gastos feitos com o comprometimento futuro do espanhol para com a escuderia. Garantido na Ganassi para 2024, pelo menos até vermos como vai se desenrolar a ação na justiça, Palou é desde já o nome a ser batido na próxima temporada, sendo o principal nome do time de Chip Ganassi, e uma das estrelas da competição. Afinal, conquistar dois títulos em apenas 4 temporadas completas na Indycar é para poucos, e Álex já é visto como o grande sucessor de Scott Dixon no time de Chip Ganassi, mesmo que o neozelandês, hexacampeão da Indycar, ainda não esteja pensando em aposentadoria...

 

Equipe McLaren: O time de Woking começou a temporada 2023 de F-1 completamente no fundo do poço, largando nas últimas colocações, e parecendo completamente perdida no projeto de seu carro para a atual temporada. Mas, conseguiu dar uma das mais impressionantes reviravoltas na competição dos últimos tempos, com atualizações e modificações no carro, especialmente a partir de Silverstone, que colocaram sua dupla de pilotos não apenas no rumo de pontuar, mas até de brigar pelo pódio, só não vencendo corridas porque a Red Bull continua imbatível com Max Verstappen. Não tivesse começado o ano tão ruim, a escuderia laranja certamente estaria disputando o 2º lugar de construtores com Mercedes e Ferrari, mas que ninguém duvide que eles vão chegar perto, a ponto de tirar o sono destas duas escuderias. No Japão, Lando Norris e Oscar Piastri conseguiram um pódio duplo para a escuderia inglesa, deixando todos os outros comendo poeira, à exceção do vencedor Verstappen. Piastri, que teve uma contratação complicada pela escuderia no ano passado, começa a se mostrar uma excelente aposta, e se não está ainda no nível de Norris, certamente vai incomodar o inglês em algumas disputas na pista, como vimos em parte da prova japonesa. Na escalada para se recuperar na competição, o time laranja pode até desbancar a Aston Martin, que empacou e não vem mais rendendo o que demonstrava no primeiro semestre. E é candidato a ser o maior rival da Red Bull neste final de temporada, podendo até sonhar com uma vitória, se o time dos energéticos der algum azar.

 

George Martin na luta pelo título na MotoGP: Se no ano passado um dos grandes destaques da classe rainha do motociclismo foi a campanha de Enea Bastianini durante a temporada na luta pelo título, com várias vitórias sendo conquistadas pelo piloto da Gresini, time satélite da Ducati, este ano quem anda surpreendendo é Jorge Martin, da também satélite Pramac, que entrou firme na briga pelo título após o GP da Índia, estando praticamente na cola do atual campeão Francesco Bagnaia, que vem enfrentando azares nas últimas corridas. Por mais que diga que não pensa em título, não há como negar que Martin cresceu nas últimas etapas, e mesmo que tenha sido à custa de azares do principal rival, o espanhol da Pramac também tem muito mérito nas performances apresentadas, brigando entre os primeiros colocados e se colocando como um dos favoritos na luta pelo título, que a rigor só tinha mesmo o atual campeão Bagnaia, que vinha rumando para a conquista de um segundo título até com alguma tranquilidade. É cedo para dizer que o atual campeão não vai reagir, mas Martin vem mostrando a que veio, e se Bagnaia não se cuidar, ele vai dar o bote a qualquer momento, e quem sabe, até assumir a liderança do campeonato, prometendo incendiar a disputa pelo título da temporada, tal qual Franco Morbidelli, em 2020, quando o piloto da então SRT, time satélite da Yamaha, deixou o time de fábrica comendo poeira para brigar pelo título da temporada com a Suzuki, perdendo a disputa somente na reta final da temporada. Depois de muito esforço, a Ducati conseguiu seu segundo título, e uma conquista da Pramac não seria de todo ruim, já que a escuderia utiliza as motos italianas, e portanto, seria também uma conquista da Ducati. A diferença de Martin para Bagnaia no momento é de 13 pontos, e faltando oito corridas para encerrar a temporada. A disputa promete esquentar no ritmo atual, e Martin com certeza vai vir para cima... Segura o espanhol!

 

 

NA MESMA:

 

Equipe Mercedes: O time de Brackley já se concentra no carro de 2024, depois de se dar conta de que não há mais nada que se possa extrair do modelo W14, que mesmo depois de revisado e abandonando o conceito zeropod, ainda tem um desempenho aquém do esperado, e nas últimas etapas, vem sendo atropelado pelo desempenho superior de McLaren e Ferrari, só não ficando mais para trás pelo desempenho de seus pilotos, que tem conseguido aproveitar quase todas as oportunidades para manter o time alemão na vice-liderança do campeonato de construtores, mas vendo a Ferrari chegar rapidamente especialmente depois do GP de Cingapura, onde o time italiano conseguiu ser a única escuderia a vencer uma prova além da Red Bull na atual temporada e de ver a Mercedes amargar o abandono de George Russell por erro do piloto na última volta, perdendo não apenas o pódio como pontos valiosos na briga do campeonato.

 

Max Verstappen: Não há muito mais para onde Max Verstappen poderia ir. Depois de um percalço no GP de Cingapura, onde ficou fora da luta pela vitória e até mesmo pelo pódio pela primeira vez na temporada, o bicampeão holandês fez questão de massacrar a concorrência na etapa seguinte, no Japão, para mostrar que é ele quem manda no campeonato, e que a conquista do tricampeonato é mera questão de tempo. Aproveitou ainda para alfinetar críticos de que seu time teria algo fora do regulamento pelo desempenho inferior em Marina Bay, e ainda tachou-os de “não fãs” de F-1. De fato, o momento é todo de Verstappen na categoria máxima do automobilismo, e ele está aproveitando para desancar quem não está gostando do atual momento de supremacia da Red Bull e dele. Resta à concorrência fazer melhor o seu trabalho, e oferecer de fato maior desafio ao domínio da parceria Verstappen-Red Bull no próximo ano, se não quiserem ver o piloto se sentindo o rei da cocada preta do momento, o que está no seu pleno direito. Então, aguentem as declarações atravessadas do virtual tricampeão de F-1...

 

Alpha Tauri renova sem mudar para 2024: Quem ainda estava na expectativa de com qual dupla o time B dos energéticos alinharia no grid no próximo ano já viu que nada irá mudar em Faenza. A Apha Tauri aproveitou o GP do Japão para anunciar que Yuki Tsunoda segue no time por mais uma temporada, e confirmou que Daniel Ricciardo será seu companheiro de equipe, colocando fim às pretensões de Liam Lawson de ser efetivado na vaga como titular, pelo menos por enquanto. Ricciardo deu azar de machucar a mão ao bater em um treino na prova da Holanda, sendo substituído por Lawson desde então, sendo que o piloto vem fazendo um bom trabalho, e já conseguiu até pontuar na prova de Cingapura, mas mesmo assim a direção da Red Bull resolveu colocar o piloto como reserva para 2024, quando terá mais tempo para analisar a situação para a temporada de 2025, quando então poderá decidir se Max Verstappen terá Ricciardo novamente como colega de time, ou se Liam será efetivado no time principal. Ou alguns apostam que, dependendo do rendimento de Sergio Perez no próximo ano, o mexicano poderia ser “rebaixado” para a Alpha Tauri e Daniel promovido antecipadamente para voltar ao time principal. Mas é verdade também que o time B dos energéticos terá um ano decisivo em 2024 para ver se ainda continuará sendo tocado pelo Grupo Red Bull, que pode até decidir vender o time, se ele não apresentar resultados melhores na competição, e para isso, é necessário alguma estabilidade, o que poderia ser a principal razão pela manutenção da dupla de pilotos. Resta esperar que a escuderia produza um carro mais competitivo para oferecer a seus titulares a chance de obter estes resultados que a Red Bull está exigindo...

 

Equipe Andretti marcando passo na Indycar: Mais de uma década já se passou desde que o time de Michael Andretti foi campeão na categoria de monopostos dos Estados Unidos. Desde então, a escuderia tem ficado à sombra das disputas vencidas ou pela Penske ou pela Ganassi, com raros momentos em que conseguiu efetivamente entrar na briga pelo título. E nos últimos anos, o time tem ficado à sombra até mesmo da McLaren, que ficou atrás apenas das duas gigantes, fazendo a Andretti despencar para o meio do grid, e cair mais um pouco na tabela do campeonato. Em 2023, mais uma vez a escuderia ficou fora da briga pelo título. Obteve apenas duas vitórias com seu novo piloto Kyle Kirkwood, e várias pole-positions, que não conseguiu converter em melhores resultados, devido a azares alheios, e erros de seus próprios pilotos, como Romain Grosjean, que nunca mostrou a que veio na escuderia, depois de impressionar na Dale Coye, perdendo portando seu assento na escuderia, que será ocupado por Marcus Ericsson, ex-Ganassi. Quem também brilhou em determinados momentos mas também não conseguiu entregar o que pretendia foi Colton Herta, que se viu batido por estratégias ruins de corrida que não lhe permitiram voar mais alto. Desse modo, o piloto melhor classificado foi Colton Herta, em 10º lugar, com Kirkwood logo atrás, na 11ª colocação, enquanto Grosjean foi o 13º classificado, e Devlin DeFrancesco apenas o 22º colocado. A escuderia deve competir com apenas 3 carros no próximo ano, esperando poder se concentrar melhor em menos carros e produzir melhores resultados na competição.

 

Como está fica na VR46 para 2024 na MotoGP: Enquanto os times satélites da Ducati apresentam mudanças de pilotos para a próxima temporada da MotoGP, pelo menos um deles segue com a atual dupla titular, a VR46, time de Valentino Rossi, que já confirmou que contará novamente com Marco Bezzecchi e Luca Marini em 2024. Bezzecchi já havia sido confirmado no time, que só precisava mesmo se manifestar a respeito da permanência de Marini na escuderia, o que foi feito neste mês de setembro. Enquanto isso, a Pramac dispensou Johaan Zarco, manteve Jorge Martin, e contratou Franco Morbidelli para o próximo ano, enquanto a Gresini só tem Álex Márquez confirmado, mas quase todos apostam que Marc Márquez deixará a Honda para ocupar a outra moto Desmosédici da Gresini para 2024. O time oficial da Ducati também mantém a dupla de pilotos, com o atual campeão mundial, Francesco Bagnaia, e Enea Bastianini, que vem dando um azar tremendo na temporada deste ano, já tendo ficado de fora de mais algumas provas decido à nova queda sofrida na primeira curva da pista de Barcelona, algumas semanas atrás, que ocasionou novos ferimentos, obrigando o piloto a ter de se ausentar novamente da competição, como havia ocorrido nas provas iniciais da temporada, depois de se machucar na etapa de Portimão.

 

 

EM BAIXA:

 

Logan Sargent: O piloto norte-americano caminha a passos rápidos para encerrar sua participação na temporada sem uma renovação de contrato para 2024. Desde o retorno das férias de verão, Logan tem mostrado uma pilotagem bem inconstante, e pior, tem batido além da conta, sendo o mais recente percalço na classificação para o GP do Japão, o que fez com que a Williams tivesse que literalmente construir um novo carro para o piloto, o que certamente consumiu recursos que o time não pode ficar dispendendo com frequência, se quiser evoluir sua performance. Com o posto em jogo, e com alguns pilotos já sendo especulados para o lugar, não é de se estranhar que Sargent esteja sob pressão. A sua sorte é que a Williams não é a Red Bull, que costuma rifar pilotos a torto e a direito, de modo que ele deve terminar a temporada como titular sem maiores problemas, mas que possa esquecer ter outra chance na competição. A Williams avaliou a sua contratação no ano passado apostando em criar um ídolo para os torcedores dos Estados Unidos, já que a Liberty vem tentando popularizar a F-1 no maior mercado consumidor do planeta, mas o critério da escolha do piloto falhou consideravelmente, quando haviam outras opções que poderiam ser melhores para a competição. Sargent tem perdido todas as disputas com Alexander Albon, e com as batidas, coloca definitivamente uma pá de cal em suas pretensões de permanecer na categoria máxima do automobilismo. Sua dispensa já é certa, restando saber apenas quem vai substituí-lo no último cockpit vago para a próxima temporada... Seria um contrassenso para a Williams mantê-lo para o próximo ano, se pretende de fato sair das últimas posições do grid, como vem conseguindo fazer este ano graças a Albon...

 

Equipe Aston Martin: O time sediado em Silverstone começou a temporada 2023 com força total, surpreendendo a concorrência, e colocando-se como segunda força do grid, perdendo apenas para a invicta Red Bull. Tal situação foi obtida em boa parte pela excelente pilotagem de Fernando Alonso, que depois de muito tempo, fez uma aposta certeira, deixando uma claudicante Alpine para se fixar numa promissora escuderia que tem um projeto de vencer a médio prazo. Mas o andar da temporada apresentava o óbvio desafio de saber evoluir e desenvolver o carro, algo no que a competência da Aston Martin seria colocada à prova. E muitos duvidavam da capacidade técnica da escuderia de fazer isso. E eis que os temores se concretizaram, com a queda de performance do time nas últimas corridas, que mesmo com a pilotagem aguerrida do bicampeão espanhol, parou de disputar posições perto do pódio para apenas marcar poucos pontos por corrida, vendo os adversários se mostrarem mais fortes e competentes na evolução de seus carros. E não demorou para Fernando Alonso passar a cobrar o time por trabalhos mais competentes para manter o nível da escuderia, que já está na alça de mira de uma surpreendente evoluída McLaren que pode engolir a posição do time esmeralda no campeonato de construtores, enquanto Alonso já perdeu a 3ª colocação do campeonato para Lewis Hamilton. É verdade que parte dos bons resultados da Aston Martin conquistados este ano só eram esperados para 2024, mas o time precisa aproveitar a temporada atual para mostrar que não basta apenas fazer um bom projeto de carro, mas também saber evoluí-lo ao longo da competição, se quiser de fato bater de frente com os melhores e brigar por vitórias e até pelo título.

 

União Marc Márquez-Honda na MotoGP: um dos casamentos mais vitoriosos da história da motovelocidade parece estar em seus capítulos finais. Hexacampeão pela equipe oficial da Honda na MotoGP, Marc Márquez não consegue disfarçar a frustração de ver, pelo segundo ano consecutivo, não ter um equipamento competitivo para sequer lutar por vitórias como costumava fazer. Muito pelo contrário, forçando cada vez mais o ritmo da moto, a “Formiga Atômica” vem colecionando um número extremamente alto de quedas durante a temporada, já tendo até que se ausentar de algumas corridas para se recuperar dos incidentes de pista. Com a pouca perspectiva de uma melhora por parte da equipe japonesa, cujo protótipo para a moto do próximo ano não deixou o piloto entusiasmado, chegando a classificar como inferior até mesmo à moto de que dispõe atualmente, os rumores de um desfecho prematuro do feliz casamento de uma década entre piloto e escuderia crescem cada vez mais, indicando inclusive que ele pode rumar para a Gresini em 2024, time satélite da rival Ducati, onde voltaria a fazer dupla com seu próprio irmão caçula, Álex Márquez, e voltaria a dispor de uma moto mais competitiva, uma vez que a moto italiana domina a temporada, seja com seu time de fábrica, seja com seus times satélites, como a Pramac ou VR46. A Gresini, por sua vez, não se manifesta sobre quem será o parceiro de Álex na escuderia no próximo ano, ajudando a esquentar os rumores de mudança do hexacampeão, que ainda tem contrato válido para 2024 com a Honda, mas com o time já declarando que não iria se opôr à sua saída, caso fosse o caso. Resta saber se a promessa será cumprida, e de que forma isso se efetivaria, para o mais velho dos irmãos Márquez seguir outro rumo no próximo ano. E um anúncio, que poderia ser feito na próxima corrida, promete colocar mais lenha na fogueira, até porque o próximo GP é no Japão, e em Motegi, pista que pertence à Honda, então...

 

Despedida de Hélio Castro Neves na Indycar: Tetracampeão das 500 Milhas de Indianápolis, Hélio Castro Neves encerrou uma fase em sua carreira, despedindo-se como piloto em tempo integral da Indycar, onde a partir de agora se dedicará apenas a correr a Indy500, em busca de uma inédita quinta vitória na mítica corrida do continente americano. Mas a temporada e principalmente a última corrida de Helinho ficaram a dever bastante. A Meyer Shank já tinha ficado devendo no ano passado, e nesta temporada, decaiu ainda mais, com o piloto brasileiro ficando impossibilitado de obter resultados mais satisfatórios nas corridas. Mas não foi só a má forma da equipe que minou as chances do brasileiro, que também teve um azar além da conta em diversos momentos, para não mencionar que também cometeu vários erros tentando andar mais do que o carro, como em Laguna Seca, onde escapou da pista na classificação, e ainda rodou e atingiu Colton Herta durante a corrida. Protagonista da competição quando defendia a Penske, seu retorno pela Meyer Shank só teve como ponto positivo a quarta vitória na Indy500 em 2021. De lá para cá o piloto não conseguiu nenhum destaque na competição, e certamente, merecia uma despedida mais digna como piloto em tempo integral. Hélio ainda não pendurou o capacete em definitivo, de modo que ainda o veremos por mais algum tempo na Indy500, e em outras provas como o IMSA Weather Tech, mas o melhor de seu tempo nas pistas certamente já passou, e ele tem muito do que se orgulhar de sua longa carreira no automobilismo, ainda que tenha saído por baixo da principal categoria onde competiu nestas últimas duas décadas de participações.

 

Francesco Bagnaia na luta pelo bicampeonato na MotoGP: Campeão na temporada 2022, Francesco “Peco” Bagnaia conseguiu devolver à Ducati a posição de campeã do mundo de pilotos na classe rainha do motociclismo, feito que havia sido realizado apenas uma única vez, com Casey Stoner. E o italiano veio construindo uma temporada bem competente na briga pelo bicampeonato, mesmo cometendo alguns erros evitáveis em algumas provas. Mas, o caldo pode ter engrossado na prova da Catalunha, quando “Peco” acabou atropelado após cair da moto, e por pouco não sofreu ferimentos mais sérios, escapando de perder corridas por motivo de recuperação da condição física. Assim, Bagnaia fez uma contenção de danos na prova de Misano, onde lutou para se manter nas melhores posições mesmo com uma condição física ainda não ideal diante do acidente de Barcelona, mas importante para não deixar sua vantagem na classificação despencar diante dos concorrentes. Mas, na etapa da Índia, ainda sentindo as sequelas do acidente, e em uma pista mais traiçoeira, ele deu azar, inclusive voltando a cair, tendo problemas em controlar sua moto, devido a um problema no equipamento que não lhe permitiu guiar como gostaria. Desculpa válida ou não, o fato é que s dificuldades decorrentes da prova da Catalunha já se traduziram em dois abandonos e boas chances de pontuar perdidas, com um dos rivais, Jorge Martin, se aproximando perigosamente, a ponto de já ter até condições de tomar a liderança no próximo GP, a depender das circunstâncias das corridas do fim de semana, e colocar em risco uma campanha pelo bicampeonato que vinha sendo cumprida, se não com maestria e espetáculo, com muita competência, sendo devidamente encaminhada, até ser colocada em xeque diante dos azares ocorridos nos últimos três GPs. E com oito etapas ainda para o fim do campeonato, a disputa ficou perigosamente aberta e imprevisível, a persistir o azar e a chance de novos erros por parte do atual campeão mundial, que vai ter de trabalhar duro para retomar o controle da situação, antes que ela sofra uma inversão de papéis, com Bagnaia passando á condição de azarão, e não de favorito, como vinha acontecendo. Há tempo para retomar o controle do campeonato, mas nada é certo, e a disputa, antes até meio previsível, agora pode pegar fogo completamente, e sofrer uma reviravolta até inesperada para muitos. Hora de “Peco” mostrar que não foi campeão por acaso, e fortalecer sua condição de atual campeão mundial da classe rainha do motociclismo, se ele puder realmente conseguir cumprir o que é necessário...

 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

PONTO FORA DA CURVA

Carlos Sainz: pole e vitória da Ferrari em Cingapura, quebrando a sequência invicta de vitórias da Red Bull.

         Se dizem que não há domínio que sempre dure, a F-1 respirou ares diferentes no último fim de semana, em Cingapura, quando tivemos interrompido, enfim, a hegemonia da Red Bull na atual temporada da categoria máxima do automobilismo. Correndo o risco de ver o time dos energéticos ganhar todas as corridas do atual campeonato, e vendo Max Verstappen disparar cada vez mais na liderança, após um novo recorde de 10 vitórias consecutivas, não há como negar que o interesse pelo atual campeonato tem enfrentado desafios para se manter no público amante da velocidade, exceção óbvia aos fãs do bicampeão holandês. Mas, Cingapura nos mostrou uma face que até então era desconhecida em 2023: a de um GP sem que a Red Bull fosse favorita em um GP.

         E tivemos vitória da Ferrari, com Carlos Sainz, que numa pilotagem cerebral e calculada, obteve seu segundo triunfo na F-1, e ajudou a encerrar a sequência de triunfos consecutivos da Red Bull, que em momento algum se mostrou capaz de disputar as primeiras colocações. Parecia até a Red Bull de alguns anos atrás, quando o time sofria para vencer corridas devido a hegemonia da Mercedes, e a Ferrari aparecia como principal desafiante. Não faltaram quem apontasse coincidências com a temporada de 1988, amplamente dominada pela McLaren, mas que falhou em vencer um GP, que foi também vencido pela Ferrari naquele ano. Mas, na Itália, naquela temporada, o triunfo se deveu mais a um erro crasso de Ayrton Senna, que se afobou ao ultrapassar um retardatário e acabou batendo nele, do que a um mérito maior do time de Maranello, enquanto no fim de semana passado não houve azares que justificassem a performance menos competitiva da Red Bull, dando um valor ainda maior ao triunfo conquistado pelos ferraristas, que só não foi maior porque Charles LeClerc teve um pouco de azar e foi apenas o 4º colocado.

         Por incrível que pareça, a Red Bull não se achou em Marina Bay. O modelo RB19, que vinha deitando e rolando em cima da concorrência durante todo o ano, não ofereceu a seus pilotos o desempenho de sempre no circuito urbano da cidade-Estado do sudeste asiático, tanto que Verstappen, o virtual tricampeão mundial, nem conseguiu chegar ao Q3 na classificação, tendo largado em 11º, com Sergio Perez, seu colega de time, e que costuma andar bem em pistas de rua, saindo em 13º, situação inimaginável, em condições normais, há quase dois anos. Ficava a dúvida se os carros rubrotaurinos se recuperariam na corrida, algo que não se poderia descartar, uma vez que já tínhamos visto Verstappen vencer mesmo largando em posições menos favoráveis, algo que também poderia se aplicar a Perez, se o mexicano voltasse a mostrar sua classe em pistas de rua. Descartar ambos da briga pelas primeiras posições seria prematuro, para não mencionar que Cingapura sempre teve seu ar de imprevisibilidade por se tratar de uma pista de rua, onde acidentes sempre estão à espreita, forçando a entrada do Safety Car, e com isso podendo bagunçar as estratégias de times e pilotos.

Azarados em Cingapura: Lance Stroll bateu forte na classificação (acima) e nem participou da corrida; já George Russell estava com o pódio garantido quando bateu na última volta (abaixo).


         E o grande nome da corrida foi sem dúvida Carlos Sainz. O espanhol já havia feito uma corrida forte em Monza, na etapa anterior, quando deu trabalho à dupla da Red Bull e garantiu o 3º lugar do pódio, tendo largado na pole-position, posição que repetiu em Marina Bay. Conseguiria o time de Maranello repetir a performance em um circuito tão diferente da pista italiana? O tempo da pole, mais o 3º lugar de LeClerc no grid mostraram que a Ferrari não vinha de um fogo de palha na etapa anterior, mas mesmo assim, pairavam as dúvidas, em especial no consumo de pneus, um ponto ainda deficitário do carro rosso. Largar na frente, em uma pista de difícil ultrapassagem, era um ponto positivo, mas não tão decisivo, dependendo do que ocorresse na prova.

         Mas Sainz soube controlar a corrida com incrível maestria. Não perdeu a ponta na largada, e como LeClerc assumiu a 2ª posição, a Ferrari conseguiu tomar o rumo da prova desde a primeira volta, com o monegasco protegendo o espanhol dos rivais que vinham atrás, em especial George Russell e Lando Norris, muito rápidos na pista de Marina Bay. Mas aí entrou o modo de controle extremo de Sainz, que nunca abriu vantagem significativa na liderança, sempre estando na alça de mira dos rivais. E podia se ver exatamente o motivo para isso: controlar ao máximo o desgaste de pneus. Mesmo quando ficou com Russell no cangote, Carlos acelerava apenas o suficiente para tirar o inglês da Mercedes da zona de DRS, impedindo que ele tivesse o uso da asa móvel para tentar algo nas retas do circuito. Não foram poucas as voltas em que Russell até teve a vantagem do DRS ativa, mas mesmo assim, não conseguiu fazer uso dela, com o piloto da Ferrari acelerando nos momentos cruciais.

         O Safety Car provocado pelos detritos deixados na pista por Logan Sargent após bater o bico do carro provocou a ida de quase todos aos boxes para a única troca de pneus, o que em tese complicaria os planos de Sainz, já que a parada veio antes do planejado. Mas tudo correu bem, e o espanhol manteve-se impassível dali em diante, tendo cuidado redobrado para fazer seus pneus durarem o máximo possível. Carlos afirmou no rádio que tinha algo como um segundo de folga potencial para usar, caso necessário, e em alguns momentos em que foi mais acossado, o ferrarista mostrou não ser blefe, abrindo distância rapidamente, para depois voltar a controlar o ritmo, evitando que seus pneus se desgastassem além da conta. E a estratégia ia dando certo. Apenas LeClerc deu azar na parada, caindo de 2º para 4º lugar, devido ao movimento no box. A dúvida era se Carlos conseguiria conservar seus pneus até o fim da corrida, onde um desgaste prematuro poderia transformá-lo em presa fácil para Russell e Norris, que seguiam na cola. Mas, durante um Safety Car virtual, a Mercedes resolveu mudar de tática, chamando seus pilotos para trocar novamente os pneus, e com compostos mais novos, partir para cima dos líderes e tentar a vitória, já que poderiam andar muito mais rápido. E assim fizeram.

         E foi o que fizeram: com pneus novos, Russell e Hamilton voavam na pista, passavam os rivais e comiam a diferença de Carlos Sainz, o líder, e de Lando Norris, o vice-líder. Faltando menos de 10 voltas para o final, os pilotos da Mercedes já haviam encostado nos dois da frente, e ficava agora o desafio de conseguir ultrapassar. Mas Sainz, mais uma vez de forma muito inteligente, se deixava ficar na alça de mira de Norris, permitindo ao piloto da McLaren usar o DRS, e assim, com o piloto da McLaren se protegendo da dupla da Mercedes, que também já podia usar a asa móvel. Com os quatro pilotos circulando juntos, seria questão de tempo até alguém tentar algo na briga para tirar a vitória de Sainz. Mas Norris, com os pneus já desgastados também, como o ferrarista, meio que já se contentava em terminar em 2º. Restava a Mercedes, e o risco de um erro não estava fora das opções que poderiam acontecer. E ele veio, a poucas curvas da bandeirada, com Russell a tocar no muro e perder o controle do carro, indo parar na barreira de proteção, e deixando para Hamilton a 3ª posição e mais um pódio.

Lando Norris sofreu forte pressão da dupla da Mercedes (acima), mas com uma ajudinha de Carlos Sainz, garantiu o 2º lugar e o pódio. Já a Red Bull (abaixo) ficou sem conseguir disputar as primeiras posições pela primeira vez no ano, mas mesmo assim conseguiu pontuar.


         Mesmo diante dos percalços da prova, a Red Bull ainda conseguiu terminar razoavelmente bem, com Verstappen em 5º e Perez em 6º, conseguindo mais pontos no campeonato. Na Alpine, festa para Pierre Gasly com o ótimo 6º lugar, e desilusão para Esteban Ocón, que abandonou com quebra do carro quando vinha até à frente do compatriota. Dsaire para a Aston Martin, que depois de ficar sem Lance Stroll para a corrida devido ao canadense bater forte na classificação, ainda errou com Fernando Alonso e terminou completamente fora dos pontos pela primeira vez na temporada, em que pese o espanhol também ter tido sua cota de erros no GP. O resultado foi que Fernando acabou superado por Hamilton na classificação do campeonato, com o heptacampeão ficando agora atrás apenas da dupla da Red Bull na pontuação. LeClerc salvou um satisfatório 4º lugar, enquanto Oscar Piastri, com a outra McLaren, fez um bom 7º lugar. Mas festa mesmo teve na Alpha Tauri, com o excelente 9º lugar do novato Liam Lawson; e na Haas, com o 10º lugar de Kevin Magnussen, devolvendo o time à zona de pontuação.

         Foi o melhor GP da temporada até aqui, onde até a bandeirada, qualquer um dos quatro primeiros colocados poderia ter ganho a prova. A aposta da Mercedes quase se pagou. Russell errou na volta final, e ele não conseguiu pressionar Norris o suficiente para tomar-lhe a posição, mesmo com pneus em melhor estado. E Hamilton ficou na dele, pressionando, mas não tentando nada muito ousado, diante do risco de um erro, que acabou ocorrendo com seu parceiro de time. Norris, com a mesma estratégia de pneus de Sainz, teve de escolher entre manter sua posição a tentar a vitória, já que uma manobra errada poderia fazê-lo ser ultrapassado pela dupla da Mercedes. Para alguns, foi um “trenzinho” chocho sem disputas, e um anticlímax para o GP, opinião não compartilhada pela maioria, para os quais vencer uma corrida não se resume somente a acelerar. Sainz poderia ter aberto mais vantagem na liderança, mas isso consumiria seus pneus demasiadamente, e ele poderia ficar completamente à mercê dos rivais nas voltas finais. Ele conseguiu manter sua velocidade e conservar os pneus o suficiente para que pudesse ainda ter chances de se defender, e soube usar Lando Norris como escudo para evitar que tanto ele quanto o piloto da McLaren fossem superados pela dupla da Mercedes. Uma vitória tática e estratégica, muito positiva para a Ferrari, que precisava de um alento depois de ficar completamente perdida na primeira metade da temporada, e que agora, com o resultado de Marina Bay, entra em luta direta com a Mercedes no vice-campeonato de construtores, e potencialmente em disputa direta com Lewis Hamilton e Fernando Alonso na tabela de pilotos, pois ainda temos muitas corridas pela frente. Para a McLaren, mais uma etapa na busca para recuperar o imenso tempo perdido também na primeira metade da temporada, e terminar o ano de cabeça erguida, e com alguma sorte, talvez até á frente da Aston Martin, que precisa dar uma boa revisada em seus trabalhos, se não quiser terminar o ano em baixa. No cômputo geral, Cingapura foi uma boa dose de ar fresco no campeonato de 2023, mostrando que a pista de Marina Bay, palco da primeira corrida noturna da história da F-1, é mesmo um lugar diferenciado. Ah, sim, os pilotos também gostaram da mudança que criou um novo trecho de reta no circuito, oferecendo um novo ponto de disputa para ultrapassagens. Ele está mantido para os próximos anos, porém ainda de forma provisória, até que acabem as obras de reforma na zona portuária ali ao lado, quando se aventa a possibilidade de voltar ao traçado antigo, com mais curvas. Esperemos que o novo layout seja mantido assim mesmo, oferecendo uma pista menos travada e mais veloz.

         Foi um ponto fora da curva na temporada, que vinha assistindo a um massacre acachampante do time dos energéticos, e principalmente, do piloto holandês, sem adversários na temporada, e dentro do próprio time. Porém, que não mudou muita coisa no campeonato. A Red Bull ainda pode fechar matematicamente o campeonato de construtores aqui em Suzuka, neste final de semana, e Verstappen só não vai sair com o tricampeonato se um verdadeiro desastre acontecer, pois mesmo com o “modesto” 5º lugar em Marina Bay, ele ampliou ainda mais sua vantagem na temporada, abrindo mais de 150 pontos para Perez, que foi o 8º colocado. Com sete corridas para terminar o ano, Max só não liquida a fatura em Suzuka porque ainda temos os pontos das voltas mais rápidas, e ainda três etapas com corridas Sprint. Mas a fatura deve ser liquidada até o GP dos Estados Unidos.

         E o que esperar neste fim de semana em Suzuka? Será que a “queda” da Red Bull vai se manter, ou o caso de Cingapura foi algo isolado, como muitos acreditam ter sido? Para alguns, o que vimos em Marina Bay poderia ter sido o fato da Red Bull já não se empenhar em evoluir o seu carro, com os títulos, tanto de construtores quanto de pilotos praticamente garantidos, e dessa forma, já canalizar recursos para o carro de 2024, como inclusive declarou o próprio Christian Horner, lembrando ainda que o time foi penalizado em perda de tempo de uso do túnel de vento e outros detalhes pelo “estouro” do teto de gastos em 2021, de modo que seria lógico não dispender mais recursos no carro deste ano, depois de todo o domínio visto até aqui. Com os demais times ainda se digladiando pelas posições restantes no campeonato, isso poderia também explicar parte de sua melhor performance, tanto que a Ferrari anunciou novidades no carro aqui para Suzuka, uma vez que o time briga com Mercedes pelo vice-campeonato de construtores, e de pilotos com Lewis Hamilton e Fernando Alonso.

         Mas o mais provável é que vejamos o time dos energéticos dando novamente o ar da graça, talvez não com a mesma força, mas ainda assim, diante da força já exibida durante todo o ano até aqui, ainda muito competitiva, a ponto de ainda vencer corridas, se não com facilidade, mas com capacidade suficiente para isso, a exemplo do que a Mercedes fazia em seus anos de domínio, quando já passava a se concentrar somente no ano seguinte, vendo que as conquistas já estavam garantidas, embora ainda não fechadas, o que dava a chance de alguns dos outros times engrossarem a disputa nas provas finais, como a própria Red Bull fazia naquela época, o que não significava que os alemães não vencessem mais provas. Provavelmente é o que veremos daqui em diante, até Abu Dhabi, um pouco mais a favor do time dos energéticos, talvez um pouco menos. Ou voltar a estarem em forma arrasadora como sempre com Verstappen...

         Veremos parte da resposta a essas expectativas neste final de semana, aqui no Japão. Adiante, então...

 

 

A MotoGP inicia hoje os treinos oficiais para sua mais nova prova do calendário: o Grande Prêmio da Índia, cujo palco será o Circuito Internacional de Buddh, que já sediou provas da F-1 na década passada. Com uma extensão de 5,01 Km, a prova da MotoGP será disputada em 24 voltas, enquanto a corrida Sprint, neste sábado, terá 12 voltas. Ambas as provas terão largada a partir das 07:00 Hrs. da manhã, com transmissão ao vivo do canal pago ESPN4, e do sistema de streaming Star+. Mas o pessoal da classe rainha do motociclismo, bem como da turma das categorias Moto2 e Moto3, viveu momentos de tensão nos últimos dias, devido à falta de documentação, especialmente vistos, para poder viajar para a Índia. Quase todos os times dos três certames tiveram parte de seu pessoal recebendo os documentos necessários para poderem viajar quase às vésperas do fim de semana, quando o normal é todo mundo já chegar ao país de uma etapa fora da Europa geralmente na terça-feira antes da prova. Com alguns times tendo quase todos os seus integrantes viajando de última hora devido ao atraso dos documentos, parte da preparação para o GP acabou sendo feita na correria. O governo indiano fez uma operação de guerra para conseguir providenciar toda a documentação necessária para que os integrantes da motovelocidade pudessem embarcar a tempo, enquanto aqueles que já tinham os documentos necessários e puderam viajar antes tiveram trabalho dobrado para conseguir ir aprontando as coisas da maneira que fosse possível. Mas parece que nem tudo foi resolvido, já que um conflito entre o Azerbaijão e Armênia afetou vôos que se dirigiam da Europa para a Índia, complicando a chegada de parte do pessoal restante que já estavam atrasados. Agora, com todo mundo presente ou não, vamos ver como a turma das duas rodas se sairá no circuito indiano, em mais uma etapa do campeonato das três categorias.

Ex-sede do GP da Índia de F-1, a pista de Buddh estréia no Mundial da MotoGP neste fim de semana.

 

 

Ainda sentindo os efeitos do atropelamento sofrido em Barcelona, Francesco Bagnaia fez um grande esforço para competir na etapa de Misano, onde conseguiu marcar pontos importantes na luta pelo título, onde quem mais aproveitou foi Jorge Martin, da Pramac, com vitória tanto na prova Sprint como na corrida principal, assumindo firme a vice-liderança da competição, estando apenas 36 pontos atrás do atual campeão mundial, o que em tese poderia representar uma ameaça a Bagnaia na luta pelo título, já que dos demais rivais, Marco Bezzecchi está muito atrás, em 3º lugar, 29 pontos atrás de Martin. Mas as duas semanas de intervalo entre Misano e Buddh devem ter sido suficientes para “Pecco” se recuperar melhor, de modo que o piloto da equipe oficial da Ducati deve voltar com a corda toda para tentar manter a liderança do campeonato sob controle. Para a Ducati, nenhum problema sério, até mesmo porque Martin e Bezzecchi defendem Pramac e VR46, equipes satélites da marca de Borgo Panigale, com o primeiro “intruso” sendo Brad Binder, da KTM, em 4º lugar, mas 110 pontos atrás do líder do campeonato. E após a etapa da Índia, ainda teremos sete provas na temporada, a saber: Japão, Indonésia, Austrália, Tailândia, Malásia, Qatar, e o encerramento, em Valência, na Espanha. Ainda tem muito chão pela frente, mesmo que o campeonato pareça estar bem encaminhado para um possível bicampeonato de Bagnaia, pois tudo ainda pode acontecer até lá...