sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

COBERTURAS DANDO PARA TRÁS?

Felipe Giaffone está de volta à Globo para comentar as transmissões da F-1, assim como Luciano Burti, repetindo os papéis que desempenharam em 2020.

            O ano de 2026 chegou, e a expectativa dos fãs da velocidade no Brasil é como ficarão as transmissões das principais categorias que ele acompanha, a Fórmula 1 e a Indycar, que do ano passado para cá, mudarão de endereço na TV brasileira. E, infelizmente, com expectativas de as coberturas estarem dando para trás, com possível perda da qualidade de transmissão das mesmas.

            O caso da Fórmula 1 é óbvio: dispensada pela própria Globo ao fim de 2020, a cobertura da categoria máxima do automobilismo já vinha sendo motivo de várias queixas dos fãs, uma vez que havia limado a transmissão dos treinos de classificação, e a corrida, nem bem tinha suas bandeiradas de chegada exibidas, e a transmissão já era cortada, não exibindo nem mesmo a cerimônia do pódio, que ficava exclusiva para quem tinha acesso ao canal pago SporTV. Por mais competente que a equipe de transmissão fosse, a linha editorial da emissora, com sua teimosia, em por exemplo, chamara a equipe Red Bull de apenas “RBR”, entre outros percalços, deixou a transmissão estigmatizada, desprezada pela própria emissora.

            Assim sendo, quando a Bandeirantes assumiu as transmissões, e mantendo quase toda a equipe de trabalho em tela da Globo, o alívio foi imediato, pois a emissora paulista resgataria o respeito aos fãs nas transmissões, e foi o que vimos. Apesar de alguns problemas aqui e ali, a transmissão ganhou um espaço que há anos vinha devendo à F-1: transmissão novamente dos treinos de classificação, corridas ao vivo, com raríssimas exceções, e voltando a mostrar os pódios e o final das cerimônias, além de longos briefings antes e pós-corridas, procurando deixar o fã o mais por dentro possível, com a equipe composta por Sérgio Maurício na narração, Reginaldo Leme nos comentários, e Mariana Becker nas reportagens cumprindo muito bem o seu papel, e tendo uma liberdade de trabalho nítida que não possuíam na Globo.

            Claro que isso cativou os fãs, e se a audiência nunca foi a mesma da Globo, até pelas limitações da Bandeirantes e dos hábitos dos brasileiros, que costumam ficar grudados na emissora cariosa, mesmo que as transmissões sejam ruins, os fãs voltaram a se sentir respeitados no mínimo, e puderam também conhecer o aplicativo oficial da F-1 de streaming, para transmissão das corridas e tudo o mais. Mesmo que a transmissão nestes cinco anos não tenham sido isentas de percalços e problemas, o resultado médio ainda era muito bom, e o espaço dado à F-1, tanto nos canais abertos quanto no fechado do Grupo Bandeirantes mostrava respeito pela competição e pelos fãs da velocidade. Mas, há um ano e meio, as fragilidades financeiras da emissora paulista começaram a pesar, a ponto de a Globo quase ter recuperado as transmissões da F-1 já no ano passado.

            Mas a Bandeirantes não estava disposta a rescindir o contrato, e como a multa para isso era pesada, até a própria FOM/Liberty Media preferiu deixar como estava, com a maior parte das pendências financeiras sendo resolvidas, ou pelo menos, minimizadas. O que não impediu que a Bandeirantes tivesse problemas novamente em 2025, como quando quase ficou sem equipe de transmissão in loco na prova de Singapura, por não acertar os valores de trabalho com a equipe de transmissão, o que foi resolvido durante o meio do fim de semana, dando chance de normalizar os trabalhos do time presente ao local das corridas. Mas o encerramento do contrato era quase favas contadas de que a Bandeirantes perderia a chance de continuar com a F-1, e foi o que aconteceu. Mesmo tendo oferecido valor que teria sido superior, a FOM/Liberty Media acabou preferindo a proposta do Grupo Globo, mesmo inferior financeiramente, mas tecnicamente proporcionando maior audiência, mesmo que o tratamento em canal aberto, uma praxe nas transmissões brasileiras, pudesse ser inferior ao que vinha sendo praticado pela Bandeirantes.

            Restou aos fãs tecnicamente lamentar, mais pelas péssimas lembranças do modo como a Globo vinha tratando a F-1 nos últimos tempos do que pela qualidade técnica da emissora, o que nunca foi problema, bastando lembrar as quase quatro décadas de transmissões ininterruptas no canal, em especial os anos dourados dos pilotos brasileiros vencendo corridas e títulos, com Nélson Piquet e Ayrton Senna. O que restava aos fãs era esperar que a Globo pelo menos voltasse a respeitar o telespectador, como fazia nos velhos tempos. Mas o esquema de transmissão anunciado já mostra que infelizmente não será assim. E os velhos pecados do canal parece ter se mantido: quando foi anunciado que Max Verstappen terminou o ano como vice-campeão, o jornalismo da emissora novamente anunciou a equipe Red Bull apenas como “RBR”, mostrando seus vícios e teimosias editoriais que os fãs vinham detestando, mas sendo apenas um dos problemas que o canal vinha apresentando.

Everaldo Marques ganha a chance de ser enfim narrador da F-1 pra valer, no retorno da categoria à TV Globo.

            Agora, com 24 corridas, sendo que a Globo anunciou que apenas 15 serão disponibilizadas no canal aberto, já indica que o público se verá desfalcado de pelo menos 9 provas, e que se quiser assistir tudo, terá de ter acesso aos canais pagos do SporTV, onde tudo será transmitido na íntegra, e ao vivo. Em termos de equipe de transmissão, a Globo voltará a uma velha prática de antigamente: as provas terão times de transmissão distintos entre o canal aberto da TV Globo, e o canal do SporTV. Antigamente, na Globo, enquanto no canal aberto tínhamos narração de Galvão Bueno, e comentários de Reginaldo Leme, no SporTV a narração ficava a cargo de Sergio Maurício, e comentários de Lito Cavalcante. Mariana Becker, ou quem fosse o repórter na ocasião, atendia às transmissões, estando in loco no local das corridas. Mas nos últimos anos, a Globo tinha uniformizado a transmissão, de modo que a equipe passou a ser apenas a do canal aberto. Teve quem gostou, e quem não gostou, óbvio. A retomada dessa prática indica, em tese, maior cuidado com a transmissão, mas a linha editorial, normalmente engessada no canal, onde tudo é tratado meio como “acessório” quando não é algo da própria Globo, é algo que ainda deixa os fãs ressabiados, se a prática será esquecida, ou se pelo menos o time de transmissão terá mais liberdade para abordar os acontecimentos e as corridas com mais desenvoltura que normalmente é necessária nestes momentos.

            Com relação à equipe de transmissão, a Globo reforçou seu staff esta semana, anunciando o retorno de Felipe Giaffone, e a chegada de Christian Fittipaldi para participarem das transmissões. Giaffone já tinha atuado como comentarista da F-1 na temporada de 2020, depois que a Globo dispensou Reginaldo Leme sem mais nem menos ao fim de 2019. Christian, por sua vez, vinha atuando como comentarista nas transmissões da Indycar na ESPN, e agora fará sua estréia na emissora global. Como ambos possuem obrigações com o automobilismo (Giaffone compete na Copa Truck, sendo o atual campeão da competição; e Christian é chefe da equipe Bandeiras da Stock Car Brasil), eles revezarão durante a temporada com Luciano Burti, que volta às transmissões da F-1, ocupação que já desempenhava quando a Globo exibia a categoria. Rafael Lopes também integra o grupo de comentaristas, que ficará nas transmissões do SporTV, enquanto Burti certamente comentará pelas transmissões da Globo em sinal aberto. Na narração, teremos Everaldo Marques e Bruno Fonseca. Mas o problema não é a equipe de transmissão, que certamente tem sua capacidade comprovada de fazer uma boa transmissão. O problema é a direção editorial que a Globo irá impôr, o que pode resultar em uma cobertura melhor, ou pior, e infelizmente, a emissora terá de provar que não perdeu os maus hábitos dos últimos anos em que exibiu o certame, e não se pode culpar os fãs por ficarem na retranca com relação a este sentimento.

            Um ponto negativo é que a emissora não voltará a exibir os treinos de classificação, nem as corridas sprints, que ficarão restritas ao canal pago SporTV, aumentando consideravelmente o desfalque da cobertura do sinal aberto, para tristeza dos fãs. E, nas transmissões no canal aberto, os fãs ficarão mais de dois meses sem corridas na Globo. Após as duas provas iniciais da temporada, na Austrália e Japão, que ocorrem na madrugada do horário brasileiro, no mês de março, a corrida seguinte em sinal aberto será apenas em junho, com o GP de Mônaco, deixando os fãs que não têm acesso ao SporTV sem as provas da China, Bahrein, Arábia Saudita, e Miami no canal aberto, uma ausência considerável, e que certamente não ajuda no sentimento de respeito pelos fãs. Quando se vê que a etapa da China ainda é na madrugada, a decisão fica ainda mais irreconhecível, diante das recusas da emissora em exibir as provas do Canadá, Estados Unidos e México, por “baterem” com seu sagrado futebol, mais razoáveis.

            E não adianta afirmar que, nos demais países, a TV aberta ficou órfã da F-1, exibindo apenas provas pontuais, e com a categoria sendo transmitida apenas por canais pagos na íntegra, tendo se tornado uma espécie de produto “premium”. A tradição brasileira das corridas da competição em canal aberto ainda é muito forte, e qualquer mudança mais drástica em relação a isso, como vai ocorrer este ano, sinaliza unicamente desrespeito ao fã e telespectador, mesmo diante da nova realidade que ocorre lá fora, mesmo que ainda estejamos em situação relativamente privilegiada neste sentido.

Voz das transmissões da Indycar nos últimos cinco anos na TV Cultura, Geferson Kern seguirá com a categoria, narrando as provas agora na TV Bandeirantes.

            No caso da Indycar, que será transmitida pela Bandeirantes, o panorama infelizmente, não é lá muito melhor. A emissora retomou a transmissão da categoria de monopostos dos Estados Unidos como compensação de ter perdido a F-1, o inverso do que ocorreu cinco anos atrás, quando adquiriu os direitos da categoria máxima do automobilismo, e os fãs ficaram em expectativa para ver quem iria então exibir a Indycar por aqui. Felizmente, a TV Cultura assumiu o desafio, e devo dizer, para as condições da emissora paulista, eles fizeram um trabalho notável, ao que o fã do automobilismo não pode reclamar.

            Além de transmitirem todas as provas ao vivo, com raríssimas exceções, eles ainda resgataram o tema icônico da antiga F-Indy, criado em 1993 quando a TV Manchete exibiu a categoria original, e que já havia se tornado icônico. Trazer de volta aquele tema não apenas restabeleceu uma memória afetiva das mais eloquentes, como ainda foi tocada na memóravel vitória de Hélio Castro Neves nas 500 Milhas de Indianápolis de 2021, quando o brasileiro igualou seu nome ao dos maiores vencedores da Brickyard, feito importantíssimo, e que teve parte de seu ponto alto pela emissora ter mantido a transmissão por mais de meia hora além da bandeirada, e tocando ininterruptamente o tema da competição original.

            Mais do que isso, a emissora enviou repórteres para algumas provas, em especial, claro, a Indy500, e embora não tenha mantido Rodrigo Mattar como comentarista após 2021, utilizou Bia Figueiredo na função, que ela cumpriu com boa desenvoltura, sendo ex-piloto da categoria, sendo que na Indy500, foi até repórter na etapa. Na sua ausência como comentarista, a emissora paulista resgatou Dedê Gomes, que já tinha exercido a função quando a antiga F-Indy foi transmitida pela Manchete e TVS/SBT, em outro acerto de escalação. Foram cinco anos de boas transmissões, diante das limitações da pequena emissora.

Sem a F-1, Reginaldo Leme irá estrear como comentarista das transmissões da Indycar na Bandeirantes. 

            De positivo, a Bandeirantes, em sua escalação, mesmo sem anúncio oficial, trouxe Geferson Kern, grande revelação da narração esportiva na Cultura, para continuar o seu trabalho de narrar as provas da competição. No grupo de comentaristas, o canal está bem servido, com Reginaldo Leme, Max Wilson, e Tiago Mendonça, que certamente tem capital e conhecimento para manterem um excelente padrão de transmissão das corridas da Indycar. O ponto negativo é justamente a Bandeirantes anunciar que irá transmitir apenas metade das corridas em seu canal aberto, um retrocesso inadmissível, quando lembramos do excelente trabalho que a emissora fez com a F-1 nestes cinco anos. Tudo bem, a Indycar não é a F-1, mas a medida na prática não se justifica, muito pelo contrário, revela um certo desdém que, lamentavelmente, a Bandeirantes já praticava nos anos em que transmitia a competição, fazendo uma verdadeira roleta russa com as corridas, que ora estavam no canal aberto, ora estavam no canal fechado, o Bandsports.

            Só que, agora, a ESPN tem os direitos de transmissão da categoria em canal fechado, e em streaming propriamente dito, com o Disney+, de modo que o Bandsports não pode transmitir as corridas, e a solução, simplória, na minha opinião, foi eles anunciarem que as demais corridas estarão disponívels no Bandplay, o aplicativo de streaming da emissora, possivelmente, ou talvez no site da emissora. Como, por tabela, a emissora não iria transmitir os treinos, pelo seu histórico, não vejo justificativa coerente para não exibirem TODAS as corridas no canal aberto. Se por um lado a Bandeirantes monta uma equipe competente para a transmissão da competição, por outro lado toma uma decisão que novamente desrespeita os fãs, como fazia nos tempos em que transmitia a competição antes de se aventurar novamente pela F-1. Das 17 provas do ano, a emissora irá exibir apenas oito delas ao vivo, sendo as demais relegadas ao Bandplay, ou simplesmente jogadas para reprise na própria TV aberta. Se ela abriu espaço para a F-1, porque não abre o mesmo espaço para a Indycar, sendo que a categoria de monopostos dos Estados Unidos, por si só, já ocuparia menos espaço, mas a emissora simplesmente decide restringir ainda mais este espaço? Assim, a Bandeirantes volta a menosprezar não apenas a Indycar, mas os fãs e telespectadores, ainda mais com Caio Collet, que está estreando na competição este ano, por um time com condições de competição promissoras, prometendo ajudar a levantar o interesse dos fãs de automobilismo pela categoria norte-americana.

            Por essas e outras, apesar de algumas notícias positivas no meio, a expectativa é de uma queda na qualidade das transmissões da Indycar e da F-1 por seus novos detentores, em relação ao que estávamos vendo em 2025. Resta esperar que nossas perspectivas estejam erradas, mas em se tratando de Brasil, dificilmente erramos algumas de nossas previsões mais pessimistas. Tomara estar errado desta vez, mas parte do estrago, infelizmente, já está feito...

 

 

A F-E chegou à Cidade do México para a disputa de sua segunda corrida na nova temporada, após o início no mês passado aqui em São Paulo, onde Jake Dennis obteve uma vitória importante, e tentará, obviamente, se cacifar para a luta pelo bicampeonato, assim como Oliver Rowland, o atual campeão da competição, que também começou bem o ano, com um 2º lugar na pista do Anhembi. O desafio no México é de tentar derrubar o favoritismo da Porsche, que sempre anda na pista montada dentro do Autódromo Hermanos Rodriguez, e que, como vimos em São Paulo, o trem de força alemão tem o favoritismo no certame, o que não significa que terá vida fácil, claro. A corrida terá transmissão do canal pago Bandsports, e do canal de You Tube do site Grande Prêmio, com a largada da corrida programada para as 17:00 Hrs. Deste sábado, pelo horário de Brasília..

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

FLYING LAPS – DEZEMBRO DE 2025

            E começamos o ano de 2026, deixando 2025 definitivamente para trás. Mas, antes que entremos a fundo neste novo ano que se inicia, e com algumas competições já em ação, como o famoso rali Dakar, vamos antes rever alguns dos acontecimentos do último mês do ano passado, em mais uma edição da Flying Laps, com destaque para a etapa inicial da nova temporada da Formula-E, que começou novamente aqui em São Paulo, em uma prova cheia de emoções, como deve ser mais uma vez a temporada do certame dos carros monopostos elétricos. Portanto, uma boa leitura a todos, e até a próxima Flying Laps no mês que vem...

A Formula-E iniciou sua nova temporada com mais uma corrida cheia de alternativas no ePrix de São Paulo, no mês de dezembro. E com direito até a capotagem, mais uma vez, relembrando o que ocorreu no ano de 2024 quando a prova brasileira também teve um acidente feio. Desta vez o enrosco aconteceu com o novato Pepe Martí, que não notou a desaceleração dos carros à sua frente, motivado pela bandeira amarela da batida de Mith Evans na barreira de proteção próxima à entrada dos boxes, e atingiu com força a traseira dos carros de Nico Muller e Antonio Felix da Costa, fazendo seu carro decolar e cair de cabeça para baixo, mas felizmente, sem ferimentos em nenhum dos pilotos envolvidos. No final, a prova ainda foi reiniciada para a volta final, culminando na vitória de Jake Dennis, da Andretti, que inicia a temporada na dianteira, comprovando a competitividade do trem de força da Porsche, que fez a 4ª e 5ª posições com Pascal Wehrlein e Nico Muller. Oliver Rowland, o atual campeão da competição, fez uma corrida segura, aproveitando-se das oportunidades das disputas entre os pilotos para marcar um sólido 2º lugar, mas preferindo não jogar o favoritismo sobre si mesmo na possível luta pelo bicampeonato. Nick Cassidy, estreando em sua nova equipe, a Citroen, fechou o pódio com um resultado extremamente positivo, ainda mais pelo fato do time, agora reestruturado e de propriedade do grupo DS, começa bem a competição. Quem não deu sorte foram os pilotos brasileiros. Lucas Di Grassi, lutando novamente contra o pouco competitivo carro da ABT Lola/Yamaha, batalhava para se manter na zona de pontuação, até se estranhar com Edoardo Mortara, da Mahindra, acabando por danificar seu carro após o entrevero deixar o piloto suíço no muro. E Felipe Drugovich fez uma excelente corrida de estréia efetiva na F-E como piloto da Andretti, terminando a prova na 5ª posição, mas como acabou fazendo uma ultrapassagem sob bandeira amarela, tomou uma punição que o derrubou para fora da zona de pontos, ficando classificado apenas em 12º lugar.

 

 

Depois da espetacular vitória em São Paulo em dezembro de 2024, com Mith Evans largando de último para vencer de forma magistral, desta vez a Jaguar ficou na sobra: Antonio Felix da Costa vinha para conseguir um bom resultado, até ser atingido por Pepe Marti, resultando em danos no seu carro e perda de posições, enquanto Mith Evans bateu sozinho na proteção de pneus perto da entrada dos boxes, após uma raspada com Joel Erickson. O ponto positivo é que a Jaguar mostrou competitividade, resta saber agora se, como ocorreu na temporada passada, o time inglês não vai se perder durante a competição, perdendo a chance de disputar o título, mais uma vez, apesar de contar com uma dupla de pilotos extremamente forte.

 

 

Novo ano de calvário? A ABT entra em sua segunda temporada com a associação Lola/Yamaha no fornecimento de seu trem de força, e infelizmente, a classificação deu a entender que o time não vai deslanchar tão rápido como se imagina. Na corrida, Lucas Di Grassi soube usar o Modo Ataque para sair lá de trás e chegar no pelotão da frente, onde precisou obviamente começar a brigar para se manter na zona de pontuação, o que ele vinha até conseguindo fazer com maestria, dando a entender que, apesar de tudo, houve alguma evolução da temporada passada para cá, quando a péssima classificação já condenava o fim de semana inteiro. Infelizmente, o entrevero com Edoardo Mortara colocou tudo a perder. O suíço acabou no muro, e não poupou críticas ao piloto brasileiro, chamando-o de “sujo”, entre outros adjetivos menos elogiosos. Di Grassi, obviamente, não poupou também o suíço, acusando-o de tentar manter a posição em um ponto impossível onde Lucas, com o segundo Modo Ataque ativado, vinha muito mais rápido e iria superar o piloto da Mahindra facilmente. De fato, Di Grassi vinha fazendo uma excelente prova, contudo, com o enrosco entre ambos, o carro do brasileiro sofreu danos que o levaram ao abandono, repetindo um cenário de dificuldades aparentes que pode vir a ser a tônica de mais um ano, ou talvez não, se a ABT Lola Yamaha confirmar que o bom ritmo demonstrado pelo brasileiro pode ser reprisado nas demais corridas do ano…

 

 

Mortara, aliás, deveria olhar para dentro de seu próprio time. A Mahindra, depois de excelentes performances na pré-temporada, tinha tudo para obter bons resultados na prova de São Paulo, tendo sido inclusive o único time a avançar para os duelos com seus dois pilotos. Mas logo na largada, Mortara acabou se estranhando justamente com seu companheiro de equipe Nyck De Vries, que acabou empurrando o suíço para fora da pista em um toque, que comprometeu a corrida de Mortara, que dali em diante precisou fazer uma prova de recuperação. De Vries teve um pouco mais de sorte, e ainda terminou a corrida em 9º lugar, lamentando a situação, mas também não assumindo explicitamente a culpa pelo enrosco que causou. Uma oportunidade certamente perdida pela Mahindra, que desde a temporada passada vem demonstrando ter recuperado a competitividade de seu equipamento, mas vem tendo percalços e azares que a tem impedido de capitalizar efetivamente o seu potencial de performance, e certamente, a nova temporada não começou da forma como se poderia esperar… Resta saber se o clima interno não vai desandar entre seus pilotos se outros enroscos como esse acontecerem… Mortara detonou Lucas Di Grassi pela batida que causou sem abandono, mas deveria ter olhado também para a manobra atabalhoada de De Vries no início da prova, que certamente afetou o desempenho dos dois pilotos na prova de São Paulo…

 

 

Enquanto isso, na Andretti, Roger Griffiths, chefe da escuderia, elogiou positivamente a postura e performance de Felipe Drugovich em sua estréia pela escuderia. Apesar das dificuldades enfrentadas pelo brasileiro, que acusou que o carro de seu novo time é bem diferente daquele que conheceu na temporada passada, quando disputou a rodada dupla de Berlim pela Mahindra. Mesmo largando mais atrás, Felipe fez boa prova de recuperação, e até o surgimento da bandeira amarela motivada pela batida de Mith Evans, Drugovich vinha firme para batalhar até mesmo por um lugar no pódio, o que acabou não ocorrendo, relegando-o à 5ª posição final, que depois acabaria perdida pelo erro da ultrapassagem feita em bandeira amarela. Grifiths ressaltou que este erro não comprometeu a imagem de Felipe no time, e que o brasileiro está garantido até para a próxima temporada, e que a performance exibida pelo piloto foi o que todos esperavam, confirmando a impressão que tinham dele quando de sua contratação. Resta esperar que Drugovich consiga fazer bom proveito das oportunidades que surgirem, e da competitividade do carro da escuderia, já que Jake Dennis venceu a prova brasileira, numa amostra de que o desempenho está disponível. A briga, contudo, promete ser acirrada, em qualquer vacilo pode significar um resultado mais substancial ou menor. Mas não deixa de ser um indicativo positivo do potencial de Felipe, que ao abarcar o desafio da F-E, pelo menos retom a carreira a fundo, depois de ficar em compasso de espera na Aston Martin na F-1, esperando por uma chance de titularidade que dificilmente se concretizaria…

 

 

A Stock Car Brasil sofre duas baixas para a temporada 2026. Ipiranga e Mobil, duas marcas de combustíveis e óleos, amplamente envolvidas com a categoria havia muitos anos, anunciaram sua saída do certame para o ano de 2026. Embora os anúncios oficiais não falem a respeito, é sabido que as condições precárias de segurança dos novos carros da competição certamente não causou uma boa impressão nas duas companhias, que temendo serem envolvidas nos problemas apresentados, teriam pensado seriamente na questão do custo-benefício de seu envolvimento no campeonato, e optado por pularem fora discretamente. Shell e Petronas, outras petrolíferas envolvidas na competição, também teriam até optado em sair, mas preferiram permanecer, em que pese a decisão ter estado na balança. Uma má notícia para a Stock Car, sem dúvida.

 

 

A categoria, aliás, teve um campeonato tumultuado com o uso dos novos SUVs, que enfrentaram diversos problemas de confiabilidades, fornecimento de peças, além das suspeitas de condições de segurança duvidosas, com direito até a processo de piloto que se acidentou contra as condições de segurança duvidosas dos carros. Em meio a tudo isso, Felipe Fraga consagrou o bicampeonato apesar dos pesares, uma vez que o competidor nada tinha a ver com isso, mas o modo como a temporada foi conduzida certamente deixou o título do piloto ofuscado pelas confusões e problemas enfrentados, algo que até poderia ser compreendido em uma categoria de baixa relevância, mas não na principal categoria do automobilismo nacional, de onde se espera pelo menos um padrão profissional e mais competente. O que não impede, claro, que algumas coisas saiam erradas, o que foi o visto neste último ano. A temporada 2025 da Stock Car era cercada de muitas expectativas, uma vez que trocava os tradicionais sedãs equipados com os já conhecidos e batidos motores V8 para atender às tendências do mercado e dar espaço aos novos e mais modernos SUVs com motores de quatro cilindros turbinados. Com a entrada da Mitsubishi, junto às já presentes Chevrolet e à Toyota, aumentando o número de montadoras engajadas no esporte, tudo parecia perfeito, mas os problemas não demoraram a aparecer, antes mesmo do início do campeonato, já pudemos ver que o buraco se avizinhava de uma forma jamais esperada, ainda mais em se tratando da Stock Car. Falta de peças, falta de confiabilidade, problemas diversos, tudo pareceu surgir de uma só vez, mostrando que o campeonato seria muito mais complicado do que se imaginava. Pilotos que reclamaram dos problemas, como Felipe Massa e Bruno Baptista foram multados em R$ 100 mil por criticarem a situação, sob acusação de “denegrirem” a competição, com base nas regras autoritárias da competição de coibir críticas dos participantes. A situação chegou a tal ponto que a organização do campeonato se viu obrigada a adiar a etapa do Velocitta, de 27 a 29 de junho, pra 20 de julho. O campeonato seguiu, mas impossível de não ressaltar os problemas que surgiram em todas as etapas, que até foram sendo minimizados, mas nunca eliminados. De fato, foi um ano conturbado, que obrigou até mesmo a direção da categoria optar pela volta dos velhos motores V-8 para 2026, para tentar mitigar os problemas. Resta saber se vai funcionar a contento..