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Novo recorde na Red Bull: com apenas duas provas, Liam Lawson já foi "despromovido" pela escuderia, sendo mandado de volta para o segundo time, depois dos resultados pífios obtidos. |
Chegamos ao momento do Grande Prêmio do Japão, e é sempre prazeroso chegar ao autódromo de Suzuka para a disputa de mais uma corrida, uma vez que este é um dos circuitos mais técnicos do calendário, e extremamente desafiador para equipes e pilotos, com curvas para todos os gostos, com trechos de alta velocidade e setores em várias curvas, exigindo um compromisso de equilíbrio entre agilidade e estabilidade, e velocidade de reta. E também uma pista de difícil ultrapassagem, o que indica que a briga pela classificação deverá ser concorrida, pois largar mais atrás pode comprometer as expectativas para o fim de semana, e ninguém quer ter de precisar recuperar o prejuízo de uma má posição de largada. E como desgraça pouca é bobagem, a previsão para domingo, dia da corrida, é de chuva, ainda que não seja exatamente para o momento da prova, mas mesmo assim, todo mundo já se pergunta se poderemos ter um repeteco do que vimos em Melbourne, o que pode apimentar a corrida tanto no bom quanto no mau sentido.
Mas o assunto principal aqui no paddock de Suzuka ainda é a troca efetuada pela Red Bull, rebaixando Liam Lawson de volta para a Racing Bulls, e promovendo Yuki Tsunoda no sentido inverso. A meu ver, e de boa parte da imprensa especializada, uma fritada precipitada do piloto, que teria aqui na pista japonesa talvez sua chance de redenção após ter um desempenho pífio nas duas primeiras corridas do ano. Isso porque Suzuka seria o primeiro circuito conhecido por Lawson, que já andou aqui nos tempos da Super Formula, ao contrário das pistas de Melbourne e Shanghai. O neozelandês também teria um carro um pouco mais conhecido por ele, e quem sabe, um pouco mais dirigível. E, se mesmo assim, não conseguisse apresentar uma boa performance, aí sim a troca de pilotos já efetuada poderia se justificar, em que pese continuaria a ser uma decisão precipitada por parte da Red Bull, que esconde problemas muito mais sérios no time do que apenas o desempenho ruim de um piloto onde ele é a parte de menor culpa na história toda.
Quem sai no lucro, teoricamente, é Yuki Tsunoda, que a bem da coisa, merecia ter a chance de ser avaliado efetivamente no carro da Red Bull. E o japonês fará sua estréia justamente em casa, no Japão, o que por si só já está gerando expectativas na torcida nipônica. Mas o sonho pode virar pesadelo, e isso não é difícil de acontecer, muito pelo contrário, como vimos com Lawson. A favor de Tsunoda há o fato de ele ser bem mais experiente que Lawson, tendo 4 temporadas completas na competição, frente a apenas 11 provas de Liam antes de aceitar o abacaxi que a Red Bull lhe proporcionou. E há também o conhecimento da pista, onde Yuki competiu nas categorias japonesas, além da própria F-1. Agora, a pergunta que todos fazem: Tsunoda vai aguentar o tranco de domar o RB21? Teoricamente, ele tem melhores condições que Lawson, e além de relacionar os motivos acima, deve-se esperar que a Red Bull possa disponibilizar ao segundo carro as atualizações que até agora foram feitas apenas para o carro de Max Verstappen, que podem ter ajudado a melhorar o comportamento do bólido, em teoria. Como este texto foi fechado antes dos carros irem para a pista, pode ser que surpresas tenham ocorrido já no primeiro treino livre. Ou não. Mas os treinos livres tem sido interessantes este ano, nos deixando até sonhar mais alto do que se poderia esperar, portanto, mesmo que o primeiro treino tenha sido de fato interessante, vamos ver como ficará o restante do fim de semana, onde a torcida japonesa deve fazer furor pela presença de seu representante em um time de ponta na F-1, enfim.
Mas... E se Tsunoda também não apresentar resultados? Aí, o buraco pode ser bem mais embaixo do que foi com Lawson, que ainda tinha a seu favor a inexperiência. Tsunoda poderia também ser rifado depois de algumas corridas, mas a verdade é que Yuki está numa via cruccis na F-1. Com a saída da Honda da Red Bull, e sua ida para a Aston Martin, a fábrica japonesa já disse que Tsunoda estará por conta própria, o que significa que ele dificilmente ficaria no Grupo Red Bull em 2026. Fazer um bom campeonato, como ele tentava fazer na Racing Bulls, seria a única maneira de tentar cavar um outro lugar no grid, uma vez que a Aston Martin, novo destino da Honda, já tem sua dupla de pilotos teoricamente garantida para 2026, com Lance Stroll e Fernando Alonso, a menos que ele aceitasse a posição de piloto reserva e de teste, posição atualmente ocupada por Felipe Drugovich, hipótese que poderia ser mais aceitável.
Mas, agora, na Red Bull, ele tanto pode potencializar seu nome, como denegrir sua reputação, se não trouxer os resultados esperados pela Red Bull. E por mais que todos entendam as condições no time dos energéticos, e os problemas do carro, claro que um rebaixamento, ou até mesmo uma dispensa, pesariam no currículo do japonês, podendo dificultar sobremaneira, ou até comprometer de vez as chances do nipônico de permanecer na F-1 no próximo ano, mesmo como piloto reserva. A sorte foi lançada para Yuki, e resta esperar para ver se a Red Bull terá com ele mais paciência, ou se continuará de pavio curto, como foi com Lawson. Helmut Marko afirmou que Tsunoda terá paciência para mostrar o que pode fazer, garantindo veladamente que o japonês deve ficar até o fim da temporada, mas alguém aí acredita que isso será mantido, se os resultados ficarem devendo? Para o nipônico, vai ser um verdadeiro vai ou racha, com grandes chances de rachar. Se conseguir sobreviver, ótimo, um merecido ponto para a capacidade de Tsunoda, sempre subestimado por muitos. O problema é que muitas vezes depende mais do humor da cartolagem da Red Bull do que do piloto, daí não se poder ter segurança alguma no resultado. Yuki pode se consagrar, ou sair da F-1 pela porta dos fundos dos fundos, na pior das hipóteses… Duro é que Tsunoda não teve como treinar com o RB21, e embora tenha andado com o RB20 ao fim da temporada passada, é outro carro, e com outras reações. E andar no simulador não é exatamente a mesma coisa de estar ao volante do carro real, onde se pode ver a fundo do tamanho do buraco onde pode estar prestes a entrar. O japonês fala que não terá problemas como Lawson, e já anda prometendo até chance de que, sabe, chegar ao pódio. Devagar com andor, Yuki, mais devagar… Um dos problemas de Lawson foi sua prepotência na pista e nos boxes, como se já fosse o rei da cocada preta. Tsunoda tem de tomar cuidado para não cair no mesmo erro, ou vai ser mais um com a caveira pintada no currículo do time dos energéticos. E não são poucas...
E aqui, esse problema com os pilotos apenas escancara como a Red Bull, na impaciência com Lawson, revela que o clima dentro da escuderia, que quando estreou na F-1 trouxe um frescor extremamente bem-vindo e necessário à competição, se corrompeu com o sucesso que passou a viver desde 2010. E a uma briga de poder interna que tem tudo para implodir a escuderia. Sim, estamos falando de Christian Horner e Helmut Marko. É verdade que ambos, mesmo com suas opiniões divergentes, conseguiram conduzir o time com certa harmonia por muitos anos, com Horner cuidando mais dos assuntos gerais, enquanto Marko, a bem ou mal, gerenciava os pilotos, e ao mesmo tempo em que caía de amores por Sebastian Vettel e Max Verstappen, seus queridinhos, era implacável com todos os demais pilotos, fossem do time principal, ou do time secundário. Mas, nos seus íntimos, claro que cada um deles brigava de forma velada para ter mais poder dentro da escuderia. Uma disputa que Dietrich Mateschitz, fundador do Grupo Red Bull, soube manter sob controle. O problema é que Mateschitz faleceu, e com isso, o que era uma disputa velada começou a ganhar ares de briga efetiva mesma, com Horner se garantindo com o lado tailandês do Grupo Red Bull, enquanto Marko, pela sua intimidade com Mateschitz, tentava garantir seu lado junto ao polo austríaco do grupo.
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A grande chance de Yuki Tsunoda, finalmente ganhando a oportunidade na Red Bull, e já começando em Suzuka, diante de seu público. Que o sonho não vire pesadelo... |
E aí, no ano passado, o escândalo do assédio a uma funcionária da escuderia por parte de Horner, deixou o clima em ebulição dentro do time, com a perspectiva do dirigente ser suspenso, ou até rifado do comando da Red Bull. Mas Horner conseguiu sobreviver ao episódio, escapando de perder sua posição no time, ou pelo menos, ficar inferiorizado a Marko na hierarquia dentro da organização. O equilíbrio de poder, contudo, ficou tenso, e foi no meio dessa contenda interna que Adrian Newey resolveu pular fora, o que certamente prejudicou o desenvolvimento do modelo RB20, que desde a saída do engenheiro inglês, deixou de ser o carro competitivo e até dominante que ainda parecia ser. Aos poucos, Horner foi recuperando o comando do time, e para muitos, ele tenta se impôr de forma contundente, para reafirmar sua liderança perante todos, inclusive Helmut Marko, de forma a não deixar dúvidas de quem dá as cartas na equipe. Pedro Henrique Marum, do site Grande Prêmio, inclusive, descreve esse momento em matéria publicada semana passada, fazendo uma análise da falta de rumo que periga tomar conta da Red Bull com este tipo de atitude.
E a impaciência é o primeiro sinal de uma equipe sem rumo. Com um carro que não conseguiu corrigir os problemas do anterior a contento, a equipe técnica corre contra o tempo, mais ainda do que já se corre na F-1, para apresentar soluções que solucionem, ou pelo menos, mitiguem a situação. O problema é que carros mal nascidos são sempre muito mais complicados de desenvolver, e ainda mais, de corrigir, e no ano passado já vimos quando várias atualizações feitas para o modelo RB20 não apresentaram resultados, ou as melhoras foram insignificantes. A sorte, como já mencionei semana passada, foi o início avassalador de Verstappen na primeira metade da temporada, onde o holandês abriu larga vantagem que, mais à frente, serviu de garantia para administrar a competição, enquanto os adversários não conseguiam aproveitar suas vantagens como poderiam. Mesmo assim, o clima ficou tenso entre o holandês e a escuderia. Por mais que cálculos feitos mostrem que Verstappen teria conseguido chegar ao título mesmo contando apenas a partir da etapa de Miami, quando as dificuldades eclodiram realmente na equipe, é certo dizer que, com o campeonato em perigo real e imediato de ser perdido, a situação teria ficado ainda mais tensa e adversa.
É o que vemos agora, com o agravante de que a Red Bull já começou em desvantagem perante a concorrência. Max Verstappen vem fazendo o que pode, mas ele parece já estar no limite do limite, e por melhor que seja, não vai conseguir fazer os costumeiros milagres que apregoam a ele. E pior: a Mercedes já começa a crescer com George Russell, e a Ferrari, no momento claudicante, também pode vir para cima se acertar o passo, dificultando ainda mais as esperanças e possibilidades. Neste cenário, queimar Lawson, antes mesmo da chance de mostrar o que poderia fazer em um circuito conhecido pelo piloto, revela como a escuderia está perdida. E se Tsunoda não render? Também o trocarão? Entraria Isack Hadjar? E se ele também não corresponder? Vão trocar de novo o piloto? Isso deixaria o time totalmente desestabilizado, contando apenas com Verstappen, que como já dissemos, está no limite. Porém, a recusa da escuderia em enxergar que não adianta ter essa impaciência toda com seus pilotos, só prejudica suas chances de recuperar o rumo. Nenhum time de ponta que se preze fica trocando seus pilotos em plena temporada, salvo por motivos extremos. Só a Red Bull tem praticado isso. Por mais que em alguns momentos possa até ter sido justificável, o saldo geral é negativo. E às vezes, pode até ser contraditório.
Já mencionei aqui algumas vezes como o programa de pilotos da Red Bull tem se tornado uma bênção, mas na maior parte das vezes, uma maldição, a ponto de muitos pilotos preferirem até passar longe dele, pelo temor de verem suas carreiras mais prejudicadas do que beneficiadas. Se é verdade que o programa apresentou dois gênios da velocidade, Sebastian Vettel e Max Verstappen, por outro lado defenestrou vários pilotos que, com um pouco mais de consideração e paciência, poderiam ter rendido muito mais na equipe. É preciso encarar a realidade: talentos como Vettel e Verstappen não surgem de uma hora para outra, e mesmo assim, por vezes, alguns supertalentos podem não despontar logo de cara, como vem sendo exigido. Antigamente, os pilotos chegavam com mais quilometragem e experiência à F-1, bem depois dos 20 anos, o que lhes conferia também maior estabilidade emocional. Hoje, já estão chegando lá por vezes até antes dos 20 anos, e querem que arrebentem logo de cara, o que vem sendo cada vez mais difícil de acontecer.
Tudo bem, o programa revelou Max Verstappen, e a grosso modo, também Sebastian Vettel, mas o número de pilotos que não “vingou” nos times da Red Bull é imenso, e vários deles precisaram sair de lá para reencontrarem o rumo de suas carreiras, porque se dependesse de Horner, Marko & Cia., estariam pra lá de lascados. Hoje alguns destes pilotos estão em outras escuderias, como Carlos Sainz Jr., Alexander Albon, Pierre Gasly, enquanto outros, como Sébastien Buemi e Jean-Éric Vergne foram ser campeões na Formula-E. Lógico que o mundo do automobilismo costuma ser duro e exigente, e muitas injustiças são cometidas com vários talentos potenciais no meio do caminho. Se a Red Bull “dá asas”, como diz seu slogan comercial, ela as tira com muito mais facilidade ainda. E também já mencionei que o problema do programa é o que fazer com os pilotos que conseguem ser promovidos à F-1, uma vez que as vagas são finitas, e para a fila andar, os pilotos têm que sair. Até aí, vá lá, o problema é como eles fazem os caras “saírem”, ou melhor, saem com os caras, muitas vezes da pior maneira, e sem a menor consideração. Um pouco de respeito também é bom, mesmo nos padrões da F-1, mas para algumas pessoas...
Com este tipo de abordagem, a Red Bull periga cair ainda mais no abismo, com as piores consequências possíveis. Precisa manter a calma, e focar em trabalhar direito no projeto do carro. E esquecer essa mania de deixar o carro tão nervoso como vem ficando nos últimos tempos, só para agradar, ainda que parcialmente, aos desejos de Verstappen por um carro dianteiro ao extremo. A própria McLaren já debochou sobre isso, gabando-se de ter um carro “neutro”, que funciona tanto com Lando Norris quanto com Oscar Piastri, podendo ser rápido com os dois pilotos, como vimos nas duas corridas até agora, dominantes pelo time inglês, mas com vitórias de cada um dos pilotos. E eles ainda podem ser ainda mais rápidos. O temor de queda parece criar pânico na Red Bull, como se nenhum time que se preze vivesse períodos de vacas magras. A própria McLaren, que hoje está de volta ao topo, viveu os infernos na década passada, e precisou de uma mudança de mentalidade, muita paciência, e trabalho duro para voltar ao protagonismo que possuía.
E quem também precisa ter paciência é Max Verstappen. O holandês parece ver o fim do mundo se não conseguir ser campeão novamente este ano, sentimento parecido com o da Red Bull. Mas é do jogo. Nenhum time fica sempre no topo, e sempre poderá haver períodos ruins, ou menos gloriosos. Não conseguir ser campeão este ano justificaria pular fora da Red Bull pelo inconformismo de perder a disputa? E Lewis Hamilton que não conseguiu ser campeão novamente nos últimos anos, e aguentou três anos de uma equipe Mercedes instável e com performances abaixo da média? Curioso que muitos criticam as reclamações de Hamilton feitas neste período, mas aceitam as reclamações de Verstappen, como se o holandês tivesse mais direitos de cobrar resultados do que o inglês no time alemão entre 2022 e 2024. Haja incongruência...
O panorama na Red Bull anda em polvoroso. Reuniões emergenciais, como a da semana passada, só mostram como o time perdeu aquela sensação de que ganha-se umas, perde-se outras. Quando ganha, ótimo. Quando perde, parece o apocalipse. Devagar aí, gente. Não é questão de ser derrotista, nem ficar conformado com a derrota. Só que não dá para ganhar todas. Dificilmente a Red Bull terá outra temporada massacrante como foi 2023, o que não significa que não poderá voltar a vencer e ser campeã. Um pouco de calma e paciência, resolvendo um problema de cada vez, sem querer criar clima de desastre, podem ajudar muito a voltar aos trilhos. A não ser que este pânico todo indique que há muito mais coisas desandando do que se pode ver, como por exemplo, o desenvolvimento dos novos motores pela Red Bull Powertrains que serão usados a partir de 2026, com a saída da Honda e a entrada da Ford, que seria de fato o primeiro propulsor criado pela nova divisão do grupo Red Bull, que até este ano vem usando unidades produzidas pela Honda basicamente em cooperação com a RBPT. Um desenvolvimento insatisfatório poderia ser um fator a mais para Verstappen justificar uma saída abrupta da Red Bull, invocando cláusula certamente prevista em contrato para tanto. Mas isso só demonstra também impaciência e inconformismo talvez exagerados do piloto, que não teria paciência para aceitar um momento de vacas magras no time. Um comportamento talvez exacerbado também pelo modo como o time lida com a situação, contaminando o seu maior astro, mal acostumado às vitórias retumbantes de que desfrutou recentemente na competição.
A Red Bull, e talvez também Max Verstappen, precisam aprender a perder. A derrota nunca é agradável, mas é nas derrotas que se pode tentar ganhar um pouco de humildade, e analisar melhor os erros, e tentar corrigi-los o mais breve possível. Isso exige estudo calmo e focado da situação, compreender os trunfos e reveses, e saber redirecionar as energias para empreender novamente a jornada rumo ao sucesso. Calma e tranquilidade, entretanto, parecem andar em falta em Milton Keynes. E pedir ponderação e paciência não significa que eu não queria ver a Red Bull de volta ao topo. Quanto mais competição, melhor para a F-1 e para os fãs da velocidade. Mas o time dos energéticos precisa constatar que certos métodos de atuação ao longo dos anos, por mais sucesso que tenham tido, não são os mais adequados e garantidos para se permanecer sempre com sucesso na competição. Reorganização e mudança de hábitos são necessários para se achar e reencontrar o caminho do sucesso, se preciso for.
Resta esperar que Christian Horner e Helmut Marko tenham sabedoria para trilhar esse caminho, ou se ajudarão a tornar tudo mais complicado do que já é, com os resultados mais óbvios possíveis...